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O trabalho dos difusores em agroecologia fortalece organização comunitária

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Ano 7 • nº1231 Novembro/2013 Triunfo

Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas

O Trabalho dos Agroecologia Organização

Difusores em Fortalece Comunitária

O trabalho realizado com jovens difusores tem contribuído para manter a juventude na área rural, além de despertar o interesse de ingressar em estudos direcionados às ciências agrárias e, consequentemente, trabalhar em organizações com extensão rural. A assessoria técnica das organizações da sociedade civil tem contribuído para que os jovens se interesse em conhecer e compreender melhor a realidade da vida no campo e a importância da agricultura. Ações como essas têm colaborado para a permanência da juventude no meio rural. Temos como exemplos, Josivan e Gilberto, que passaram pelo processo de difusão e depois se interessaram em fazer técnico agrícola, e hoje compõem a equipe da ADESSU Baixa Verde. Josivan Lima da Silva, da comunidade Santana dos Guerras, município de Santa Cruz da Baixa Verde/PE No início do ano de 2000, após concluir o Ensino Médio, Josivan resolveu ir a São Paulo, apenas com o intuito de passear e rever seus familiares. Entre emprego e passeio, permaneceu 4 anos e meio em São Paulo, retornando em junho de 2004. Josivan comenta que “passou seis meses se readaptando ao ambiente e, principalmente às pessoas, pois muita coisa havia mudado desde que saiu para o estado de São Paulo”. No início de 2005, começou a se articular com outros jovens da comunidade para constituir um grupo de jovens, o que veio a se concretizar em março do mesmo ano. A comunidade recebia assessoria da ADESSU e do Centro Sabiá, e alguns desses jovens já participavam de várias atividades realizadas pelas duas entidades. Numa dessas atividades, que foi a “Comemoração da Semana do meio Ambiente”, realizada pela ADESSU com apoio do Centro Sabiá, o grupo de jovens foi convidado para participar de uma oficina e fazer uma apresentação. No final do evento, uma técnica do Centro Sabiá convidou dois jovens do grupo para participarem de uma atividade que seria realizada pela entidade na comunidade Santo Antônio de Coroas, município de Triunfo. Ao voltar para o grupo, foi escolhida, democraticamente, uma jovem por nome de Poliana Rodrigues e Josivan Lima. Participando desta atividade, no término, foi convidado para participar de outra, o “Fórum das Comunidades”, participando deste Fórum de 2005 até 2010. Em meio a esse


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período se envolveu em diversas atividades desenvolvidas pelo Centro Sabiá, como oficinas; seminários; apresentação de programas de rádio em duas emissoras de rádio, em Triunfo (Triunfo FM) e em Afogados da Ingazeira (Pajeú AM); fez parte da Comissão Territorial de jovens multiplicadores; da Comissão do projeto “Fundo Rotativo Solidário”, entre outros. A partir do envolvimento nessas atividades do Centro Sabiá, foi convidado pela ADESSU para realizar apresentação de programas de rádio, numa emissora de rádio de Serra Talhada (Cultura FM). A partir disso, começou a participar de outras atividades na ADESSU, como: encontros de formação de lideranças juvenis; diversas oficinas; formação de jovens difusores em Agroecologia; comemoração de datas relacionadas ao meio ambiente, como: dia água; dia da árvore; semana do meio ambiente; participação na elaboração de projetos; estágio de vivência; visitas técnicas às famílias agricultoras, entre outras. Em meados do ano 2007 foi inserido no processo de difusão, uma ação que a ADESSU, desde a sua fundação, tem apostado, e que consiste na formação de jovens protagonistas, que são chamados de difusores da agroecologia, e que passam por um processo de capacitação das práticas e técnicas da agroecologia. Durante o período de 2008 a 2012 atuou como difusor, acompanhando oito comunidades, desenvolvendo atividades individuais e coletivas com as famílias agricultoras. “O processo formativo da difusão me fez despertar a vontade de estar trabalhando de fato na agricultura mesmo. A difusão me ajudou a escolher e ter uma definição do que queria, então escolhi estudar algo relacionado à agricultura, optei em fazer o curso técnico em agropecuária”, comenta Josivan Lima. Em meio a essas atividades desenvolvidas pelas duas entidades, ainda participou da vida comunitária em sua comunidade, constituindo junto a outros jovens, a “Associação dos Moradores e Produtores Rurais do Sítio Santana dos Guerras”, assumindo a função de Presidente por dois mandatos. Também fez parte da diretoria do grupo de jovens, do qual é membro até hoje. Todas essas experiências adquiridas contribuíram para que, Josivan Lima, fosse indicado pela assembleia para fazer parte da coordenação da ADESSU.


Articulação Semiárido Brasileiro – Pernambuco

Assumiu o cargo, mas na condição de ficar numa função que não demandasse muito do seu tempo, pois na ocasião estava cursando Técnico em Agropecuária (na ETECNA Escola Técnica Clóvis Nogueira Alves) em Serra Talhada, além de desenvolver atividades agrícolas em sua propriedade. Assumindo assim, a função de Coordenador Secretário. Porém devido a algumas mudanças na Coordenação, assumiu a secretaria apenas durante um ano e meio, metade do mandato, sendo remanejado para a função de Coordenador Presidente, na qual está até hoje. “Como jovem, a gente às vezes se sente inseguro. Antes da difusão eu não me via fazendo parte da coordenação da ADESSU, no entanto, esse processo formativo me conduziu a isso, me deu a possibilidade de estar aprendendo com outras pessoas e estar adquirindo conhecimento, de gestão principalmente, desde o grupo de jovens à associação local. Hoje, vejo que não é uma coisa muito difícil, mas acredito que se tivesse chegado aqui em 2005, pouco depois que retornei de São Paulo, e alguém já tivesse me indicado, diria claramente que não teria condição de assumir o cargo”, reflete Josivan Lima. “Uma das dificuldades que os jovens enfrentam nas comunidades rurais, é a ausência de uma politica voltada para juventude, que de fato funcione. Embora, exista as linhas de crédito para juventude, os jovens têm muita dificuldade em acessar, porque há uma burocracia muito grande”, ressalva Josivan. Gilberto de Souza Lima, da comunidade Santana dos Guerras, município de Santa Cruz da Baixa Verde/PE Em 2004, participou de uma oficina sobre agricultura agroflorestal, realizada em sua comunidade pela ADESSU. “A partir dela me engajei em diversas atividades, dando início a participação como membro e representante do conselho gestor de minha comunidade. Passei a participar das reuniões do conselho gestor, e me engajando em outras atividades da ADESSU”, lembra Gilberto. No ano de 2005, o Centro Sabiá começou a desenvolver atividades, e precisava de uma pessoa de referência na comunidade para articular os intercâmbios, capacitações e às famílias que tivessem interesse em participar das atividades. Ainda em 2005, Gilberto, se envolve intensamente nos trabalhos desenvolvidos pelo Centro Sabiá, como intercâmbios, visitas e capacitações. Nesse mesmo ano, concluiu o ensino médio, e com o incentivo tanto da ADESSU como do Centro Sabiá, tentou a escola técnica para fazer o curso de técnico agrícola e zootecnia, mas, paralelo a isso, sempre


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realizando as atividades das duas entidades. A partir do ano de 2006, passa a ser um jovem difusor da agroecologia pela ADESSU. No final de 2006 e inicio de 2007 foi dado início a unidade de beneficiamento da ADESSU, na qual se envolveu, ficando responsável pela organização dos trabalhos da unidade, ou seja, no controle das atividades, da produção e movimentação do recurso. Através do curso técnico, ainda em 2007 começa o estágio no Centro Sabiá, possibilitando aprimorar mais o trabalho que já realizava. Concluindo o curso em 2007, como não tinha perspectiva de vaga para trabalhar no Centro Sabiá, a ADESSU fez uma proposta de ser um difusor, infelizmente o valor do recurso não supria sua necessidade, foi quando surgiu à oportunidade de ir para o estado de São Paulo. “Não tive como aceitar a proposta da ADESSU por questões financeiras, e jovem sonha em ganhar muito dinheiro em São Paulo”, recorda Gilberto. A ida pra São Paulo não deu certo, após 4 meses retorna para o estado de Pernambuco. Após retornar passa a fazer parte da equipe técnica do Centro Sabiá, na região do Agreste Setentrional, para executar o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), assumindo a função de animador, permanecendo até dezembro de 2008. Em 2009 executou o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) na região do Agreste Setentrional, através da Agroflor, que é uma associação de agricultores, que executa os programas de convivência com semiárido da Articulação do Semiárido (ASA), contribuindo até outubro de 2009, pois a partir de novembro retorna para o Centro Sabiá para difundir a agroecologia às famílias agricultoras da região do sertão pernambucano. No ano de 2012 passa a compor a equipe técnica da ADESSU, assumindo a função de coordenador técnico do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), e está até hoje na execução do programa. “O processo de difusão ajudou muito na minha vida, tanto pessoal quanto profissional; porque foi a partir de então que me interessei mais em atuar nessa área, tanto que nessa ida para São Paulo vi que lá não era o que queria nem o que esperava e nem o que ouvia as pessoas falarem. Eu vi que não era o que eu queria pra mim, uma cidade grande onde você não consegue se interagir com outras pessoas. Foram esses motivos que fizeram com que retornasse para Pernambuco. E retornando, pensei: “mesmo se a ADESSU não tivesse recurso para me bancar como difusor, toparia em desenvolver os trabalhos da difusão de maneira voluntária”, pois queria contribuir com esse processo de difusão da agroecologia para as famílias agricultoras”, comenta Gilberto. Atuais difusores da agroecologia O grupo de difusores, atualmente, é composto por dez jovens difusores, alguns desses jovens são associados da ADESSU, eles/as se envolvem na execução dos programas e outras ações, dando oportunidade de crescimento pessoal e profissional a estes jovens que sem dúvida são a continuidade do grupo da ADESSU por muitos anos.

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