Ano 7 • nº1276 Dezembro/2013 Barra do Mendes
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
O Oasis do sertão baiano... É preciso mudar a visão que, em geral, se remete ao sertão, esta imagem de um lugar sem água, onde só existem árvores secas, animais com sede e onde a população não consegue produzir por falta de condições econômicas ou de chuvas regulares. É com este propósito que a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), vem trabalhando para promover a sustentabilidade e a agricultura familiar no semiárido. O projeto P1+2 “Uma Terra e Duas Água” é uma destas iniciativas que mudam esta realidade deturpada que desenha o sertão como um lugar inviável para se viver. No município de Barra do Mendes, no povoado de Poço Grande, a experiência de um casal sertanejo prova que novos padrões de desenvolvimento para o semiárido são possíveis. Com trabalho duro, convivência ambiental e muita perseverança O agricultor José Carneiro e sua esposa Enilde Carneiro, conseguiram transformar o quintal de sua roça em um verdadeiro Oasis no sertão. Através de ações concretas de convivência com o Semiárido – que o casal conheceu através das capacitações e projetos da ASA e do CAA – a família Carneiro descobriu ser possível produzir de forma agroecológica, através das tecnologias de captação da água da chuva para produção. A maior capacidade de armazenamento e utilização de recursos hídricos propiciada pela implantação de Cisterna-Enxurrada na propriedade representou um estímulo à plantação de hortaliças e à criação dos poucos animais que a família sustenta com muito orgulho. Através dos cursos de capacitação e dos seus próprios conhecimentos da terra e da plantação, o casal Carneiro conseguiu incrementar sua produção familiar. Com um entusiasmo que se renova a cada nascer do sol, eles conseguiram estruturar e tornar produtivos quatro canteiros muito bem organizados, que hoje, servem de modelo de plantio sustentável e manejo consciente da água e do solo na comunidade. Após a implementação da Cisterna-Enxurrada a plantação de hortaliças se tornou cada vez mais vistosa. Ali o casal planta coentro, alface, cebolinha, mostarda, couve, rúcula, repolho, quiabo, salsa... Em outro ponto do quintal, há uma produção de verduras: Abobora, cebola, tomate, chuchu, pimentão, cenoura, batata, batata-doce, aipim e outras culturas, que melhoram a alimentação do casal e tornam a propriedade da família Carneiro uma unidade efetivamente produtiva no sertão.
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Articulação Semiárido Brasileiro – Bahia
O casal consegue vender boa parte de sua produção na feira da sede do município, e já tem clientes cativos que vão à feira só para comprar os produtos cultivados sem agrotóxicos pela família carneiro. Essa produção agroecológica, garante um preço diferenciado em relação aos outros produtos vendidos na feira, e incrementa de forma significativa a renda do casal, que, por semana, consegue lucrar, em média, 200 reais com a venda da produção. Segundo dona Enilde, as mulheres da sede do município, gostam de comprar mudas de plantas ornamentais para plantarem em seus jardins e enfeitar em suas casas. Então, o casal Carneiro resolveu, com a ajuda dos recursos hídricos da Cisterna-Enxurrada, vender mudas de plantas ornamentais na feira também. São mudas de Girassol, rosas, entre outras plantas ornamentais, que eles produzem e vendem na feira, o que possibilita ao casal, uma outra fonte de renda obtida através da Cisterna.
Todo o dia, no final da tarde, dona Enilde e seu José vão cuidar dos canteiros com a alegria de poder produzir no seu próprio quintal um pouco do compromisso de gerar iniciativas que garantem a possibilidade da produção às famílias do sertão. Para seu José o sucesso de sua roça foi muito mais efetivo após a chegada da Cisterna. “A melhoria foi grande depois da vinda da Cisterna. Hoje, a gente consegue além de se alimentar com qualidade, vender os produtos na feira, e comprar umas coisas para a casa que nós sempre quisemos comprar e não tínhamos como...” afirma o agricultor ao relembrar que pretende ficar até o fim dos seus dias na terra onde nasceu e se criou.
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