Ano 7 • nº1203 Novembro Serranópolis de Minas Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Trabalho e renda na construção de caixas no Semiárido Ataíde Mendes de Almeida, 50 anos, mora na comunidade de Lagoa a 12 Km da cidade de Serranópolis de Minas e tem três filhas: Gleika Thaite, Bruna e Eloísa. As 3 moram com a mãe delas, a Senhora Jedilva Rosa de Araújo Almeida na cidade de Porteirinha. Ataíde nasceu e cresceu na comunidade de Lagoa e trabalha com a agricultura desde bem jovem. A primeira cisterna que Ataíde construiu Na região dele, a água usada pelos agricultores é do Rio Senharol que não é um rio perene. Na época de longa estiagem as famílias em busca de água cavavam um buraco na areia do rio para brotar água. Como a necessidade de água na comunidade era grande, resolveram então se unir e formar um grupo de 15 famílias para captar água da serra que fica a uma distância de mais de 8 Km. Porém, a água ao chegar nas casas era desperdiçada no chão, por falta de reservatório para armazenar. Na época, o presidente da associação da comunidade da Lagoa, Seu Oscarino Aguiar Cordeiro, teve a ideia de fazer um projeto para a construção de cisternas para armazenar água. Seu Oscarino encaminhou o projeto pelo Misereor no ano de 1994. Projeto este muito viável para as 16 famílias beneficiadas da região, pois na época, a forma de pagamento da contrapartida das cisternas foi facilitada em parcelas e com descontos. No ano de 1995, começou a construção das cisternas em forma mutirão com grupos de 4 famílias que foram capacitadas por Onório Dourado, técnico do Centro Agricultura Alternativa (CAA), mais conhecido por Baiano. As cisternas de tela, como eram conhecidas, eram construídas em formato circular, com capacidade para armazenar 15 mil litros de água. Ataíde conta que aprendeu a construir cisterna nessa época e que as mesmas eram construídas sem tampa, mas, com muita criatividade ele fez uma tampa para a sua caixa. Nessa época, muitos agricultores aprenderam o ofício de pedreiro através da construção das cisternas.
Cisterna de placa
Bebedouro que pode ser carregado
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Articulação Semiárido Brasileiro – Minas Gerais
Em 2003, através do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), da Articulaçã Semiárido Brasileiro (ASA), o governo federal financiou a construção de cisternas de placas de cimento com capacidade para 16 mil litros, mais conhecidas na região como caixa de biqueira, pois capta água da chuva que cai do telhado através de uma calha ou biqueira. A construção das cisternas iniciou-se pelo Centro de Agricultura Alternativa (CAA) nas regiões rurais próximas à cidade de Porteirinha tendo o Sindicato dos Trabalhadores Rurais como Unidade Executora Local. Ataíde foi convidado pelo Sindicato de Porteirinha para participar da capacitação de pedreiros para fazer a cisterna de placas com tampa. Ataíde conta que no início acreditou que a tampa da caixa poderia cair, mas, com a capacitação e as práticas do dia a dia ele percebeu que ela é bem segura e pode durar muitos anos. Há mais de 20 anos, Ataíde constrói cisternas e foi o primeiro da região a construir cisternas de placa de 16 mil litros. Ataíde conta que trabalha na roça, mas que foi com a construção de cisternas que conseguiu melhorar a sua renda. Com muita dedicação Ataíde foi se aperfeiçoando e por conta própria aprendeu a fazer cálculos que permitiu construir cisternas de todos os tamanhos, fechada, aberta, suspensa, bebedouros para animais, piscinas e reformas, sempre construídas de forma circular.
Cisterna mais usada para irrigação Ataíde foi o primeiro da região a construir cisternas de 80 mil litros d'água. Hoje ele faz cisternas de até 500 mil litros que são mais usadas para irrigação. Foi quebrando a cabeça e com as capacitações e práticas de construção das cisternas do P1MC que hoje ele consegue fazer as maiores caixas da região. Além do trabalho na agricultura e na construção de cisternas, ele também se tornou instrutor de capacitações nas comunidades rurais dos municípios de Pai Pedro, Serranópolis, Porteirinha, Salinas, Riacho dos Machados e até no município de Seropédica, estado do Rio de Janeiro. A busca de conhecimentos sempre foi presente na vida de Ataíde, participando de cursos como: formação em agroecologia, apicultura, liderança, viveiro de mudas, cerqueiro, pedreiro, dentre outros. Ele conta que trabalha muito feliz, pois além de gostar do que faz, também contribui para o meio ambiente através de trabalhos agroecológicos e de convivência com o semiárido. O que Ataíde mais preza é o respeito pelas famílias, pois já passou por muitas situações difíceis, mas diz que o trabalho é feito com muito amor e dedicação. Hoje, Ataíde trabalha por conta própria e que assim ele ganha bem mais, mesmo sendo um trabalho muito puxado. Ele ainda quer ensinar e dar oportunidade para que outras pessoas possam fazer um trabalho tão importante para as famílias do semiárido como a construção de cisternas.
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