Ano 7 • nº1106 Dezembro/2013 Poções
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Mulheres artesãs do Craúno conquistam protagonismo A COMUNIDADE Craúno, localizada no município de Poções, é lar do “Mulheres D'art Flores do Sertão”, um grupo de artesanato formado somente por mulheres que vivem na região. Elas se reúnem todas as terças-feiras, no período da tarde, para trabalharem e conversarem sobre o dia a dia, as atividades da associação de moradores e produtores da região do Craúno, etc. O grupo foi formado no início de 2012, e hoje, participam 8 pessoas: Jordania Oliveira, Luciana Santos, Izamara Novais, Silvana Novais, Alaíne Alves, Vilma Alves, Edvânia Alves e Auta Alves. Elas, em sua maioria, jovens, participaram de um curso realizado pelo Programa Gente de Valor, da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), baseado na técnica do Patch Apliqué, comumente chamada de Pet Aplique, que envolve colagem e costura de tecidos sobrepostos. Jordania conta como foi: “Recebemos o curso no final de 2011, que foi quando formamos o grupo e começamos a juntar as peças. Tinha sobrado um resto do material do curso, então pensamos o que a gente ia fazer com aquilo. A Suzete (monitora do curso), nos ajudou a organizar tudo, fez uma parceria conosco”. As reuniões semanais acontecem na sede da associação, que foi fonte de inspiração na criação do grupo, cujo regimento interno é baseado no estatuto da associação. Segundo elas, não existe muita diferença entre os dois, porque praticamente todas participam de ambos. O trabalho com o Pet Aplique envolve vários passos, por isso elas se dividem conforme a afinidade de cada
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas Articulação Semiárido Brasileiro – Bahia
uma com certas funções. Silvana cuida da costura, ou o “casiado”, como elas chamam. “Cada qual faz uma coisa, enquanto elas estão tirando o desenho, cortando, passando o ferro, eu estou 'casiando' nesse tecido aqui”. Ela, que está no grupo desde o início, diz que aprendeu muito. “No início, eu nem sabia segurar uma agulha direito! Quero aprender muito mais ainda”, afirma. O artesanato do grupo envolve também pintura. Segundo Vilma, que cuida dessa parte, diz que elas aprenderam somente a técnica do Pet Aplique no curso, mas não se limitaram apenas a isso. “Tá sendo uma experiência nova misturar a pintura. Já tinha gente que pintava em casa, então nós só juntamos uma coisa com a outra. Achamos que sem pintura fica sem graça”. Apesar da divisão de tarefas, todas se ajudam conforme a necessidade. Vilma exemplifica: “Eu faço mais o acabamento, e ajudo na parte da pintura. Quando não tem peça pronta, eu vou ajudar a montar, e assim por diante. Todas se ajudam”. Os panos de copo e prato, que são as principais peças feitas pelo grupo, são vendidos, em sua maioria, por uma colega da comunidade que foi morar em São Paulo. Após a venda, que é feita entre conhecidos, parentes e colegas de trabalho, ela envia o dinheiro que é repartido igualmente. Jordania explica que é retirada uma porcentagem a título de manutenção das atividades. “Guardamos 10% para alguma necessidade, tipo alguém viajar representando o grupo ou pra ajudar na compra de material”. O que resta da produção é vendida na própria comunidade ou em Poções. As artesãs do Craúno ainda não conseguiram uma renda mensal tão significativa, porém elas tem esperança de melhorá-la. Entretanto, a autoestima delas se fortaleceu, ganhando cores e significados. “Várias mulheres daqui acabavam ficando em casa, só assistindo televisão ou nem isso. Mas agora que tem o grupo, nós discutimos os problemas da comunidade, conversamos sobre outras coisas, damos opinião, se tem reunião da associação participamos. Não nos reunimos só pra produzir e vender, mas também pra ocupar o nosso tempo”, afirma Jordania. E elas querem mais. Aumentar a produção e a renda, diversificar as peças, e conquistar reconhecimento para o grupo e a comunidade é um desejo em comum de todas elas. Isamara, a mais nova a entrar, resume: “Queremos continuar crescendo, pouco a pouco”.
Realização
Apoio