Ano 7 • nº 1193 Novembro/2013
Miguel Calmon Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Mulheres se unem para produção de alimentos saudáveis Acordar cedo e aproveitar o sol frio faz parte da rotina do grupo de mulheres da comunidade de Campestre, localizada a 6 km da sede do município de Miguel Calmon, na Bahia. Para essas mulheres as atividades começam bem cedinho, pois elas cuidam de suas casas, dos seus quintais e dos pequenos animais de suas propriedades antes de ir para os trabalhos na horta. Antes da horta as famílias sobreviviam basicamente das atividades da roça como plantio de feijão, milho, abóbora, melancia e outras, mas com o longo período de estiagem e por não possuírem irrigação tornou-se inviável o plantio dessas culturas. Essa realidade mudou quando a prefeitura Municipal de Miguel Calmon fez uma doação de um kit de irrigação para a Associação Comunitária dos Pequenos Produtores de Campestre; a comunidade se mobilizou a fim de decidir o que fazer com o kit e como a associação possuía um terreno os sócios decidiram utilizá-lo. Num primeiro momento foi pensado em plantar uma área de pastagem para alimentação animal mas em uma conversa esclarecedora com a Diocese de Ruy Barbosa decidiram fazer uma horta, pois além de servir como fonte de renda serviria também para o consumo das famílias. Cerca de 10 famílias se interessaram pela atividade então foi realizada uma capacitação sobre cultivo orgânico de hortaliças e deu-se início aos trabalhos de limpeza do terreno, confecção dos canteiros, compra das sementes e plantio.
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Articulação Semiárido Brasileiro – Bahia
As famílias relatam que não usam nenhum produto químico nas suas produções. A adubação é realizada de forma agroecológica, com esterco e incorporação de restos vegetais aos canteiros. O grupo também realiza a rotação de culturas que possibilita mais conservação e preservação das características físicas, químicas e biológicas do solo, além de auxiliar no controle de plantas daninhas, doenças e pragas. Outra grande ajuda que chegou para as famílias foi a BAP (Bomba D' Popular) que foi implantada no ano de 2013 através da Cáritas Diocesana de Ruy Barbosa pelo programa P1+2 que possibilita água para o cultivo das hortaliças principalmente nessa época seca as famílias relatam que a BAP é de grande ajuda, pois á água é de boa qualidade para as plantas.
A comunidade possui uma pequena aguada cuja água é usada para o gasto das famílias, mas não é suficiente para sustentar a produção, pois seca à medida a estiagem se agrava. A irrigação dos canteiros é feita duas vezes por dia, no início da manhã e final da tarde, por regadores utilizando a água da BAP e por um sistema de irrigação que leva água da aguada até a horta. Cada pessoa fica responsável por um canteiro de 15m² onde irá produzir para o consumo familiar e para a comercialização do excedente, mas um canteiro comunitário é reservado para ser deixado como sementeira para os novos plantios. As famílias relatam que depois da horta a alimentação melhorou bastante, aumentando a quantidade de verduras e legumes no consumo; antes muitas famílias não possuíam condições para comprar. A comercialização da produção é realizada na feira livre do município e também entregue nas casas das pessoas da comunidade. As maiores dificuldades são a aquisição de adubo e a ampliação do número de compradores já que a horta produz uma quantidade considerável. Mas essas dificuldades aos poucos são superadas, pois agora a comunidade possui assistência técnica e está se articulando para fornecer os produtos para a merenda escolar do município.
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