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Nilson, um agricultor que é exemplo de vida e superação

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Ano 8 • nº1660 Agosto/2014 Frecheirinha

Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas

Nilson, um agricultor que exemplo de vida e superação

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Francisco Nilson Aguiar, 51, é um agricultor e beneficiário de cisternaenxurrada que mora na comunidade Cauã, há 12km de Frecheirinha/CE. O que o difere dos demais participantes do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) é que não pode contar com suas duas pernas para o trabalho que desenvolve. Sua força de vontade e perseverança é o que o move entre canteiros e fruteiras que cultiva no quintal de casa. “É o meu divertimento”, afirma. Vivendo um drama Trabalhando na agricultura desde menino, nos últimos anos, além de plantar nas terras da família, cultivava hortas próximas ao açude Jaburu em Ubajara/CE. Porém, no ano de 2012 viu sua vida mudar drasticamente. Nilson teve os membros inferiores amputados em um intervalo de apenas oito meses. Segundo ele, isso aconteceu depois que uma cobra e um formigão venenoso o picaram na mesma perna. Começou a sentir muitas dores e teve que ser operado. Nos meses que seguiram, andando de muleta sentia incômodos, mas, achava que era por causa do peso do corpo, porém, quando foi para o hospital soube que tinha que remover a outra. Depois dessa última cirurgia, entrou em desespero e tentou suicídio, mas, uma das enfermeiras conversou com ele e lhe deu livros religiosos para ler. Foi daí onde ele tirou forças para continuar vivendo. Vencendo limites Na localidade onde mora, tem uma casa que construiu com as próprias mãos em 1996, mas, prefere viver com a mãe Maria das Dores, o pai Francisco Pinto, a irmã Algalena Aguiar e o sobrinho Lucas Moita, onde se sente acolhido. Sua mãe, inclusive, também teve uma perna amputada desde que foi atropelada por um motoqueiro, e, ele ajuda a cuidar dela. Depois que se recuperou das cirurgias e de certo modo se conformou com sua atual condição física, voltou a trabalhar na agricultura e considera esse seu melhor passatempo. “Faço meu serviço todo dia, enquanto a terra está fria eu tô andando pelo chão, aí quando a terra esquenta eu já não posso andar, monto na minha cadeirazinha e vou fazer minha “caminhada”, conta. A cadeira de que fala é fruto de sua criatividade. Teve a idéia de aproveitar uma


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cadeira de rodas velha que era de sua mãe, juntou com algumas peças de bicicleta e pediuuma pessoa na cidade para fazer. Desde então, usa para se locomover com maior facilidade. Quanto ao trabalho agrícola, de vez em quando paga a um vizinho para que o ajude, mas, diariamente ele mesmo é quem rega as plantas, coloca adubo, faz capina, planta roçados, faz a colheita cria porcos e não deixa que a limitação física o impeça de ser uma pessoa ativa. No quintal da casa de sua mãe, cuida de três canteiros de hortaliças e uma variedade de fruteiras como a acerola, tangerina, limão, romã... “de tudo eu saí plantando”, diz. Uma de suas alegrias é partilhar o que produz com as/os vizinhos. No manejo, aproveita a água do banheiro e da cozinha direcionando para as plantas, ”se eu fosse ‘estruir’ a água não dava pra tudo”, esclarece falando da importância de não desperdiçar. Também junta folhas para fazer cobertura orgânica e diminuir a evaporação da água, além de comprar palha de carnaúba triturada que é o que ele chama de ‘bagana’. “No que eu botava bagana quando ia olhar no outro dia tava ‘molhadim’ e naquele que eu não botava tava seca”, observa. Além disso, conta que também lava as próprias roupas e cozinha. Só se sente entristecido em não poder fazer uma das coisas que mais gostava que era pilotar sua moto. Vida que segue fazendo planos Com a chegada da cisterna que foi feita próximo à sua casa, onde ele já plantava feijão, milho e mandioca, planeja trabalhar mais e aumentar a produção. Quer plantar coqueiro, manga, laranja e muitas outras fruteiras nesse local. Já iniciou uma plantação de capim, pois, pensa em criar gado. Também vai vender a moto para investir o dinheiro na criação de cabras. Assim, Nilson é exemplo de resistência e força que, mesmo tendo sofrido o impacto físico e psicológico de ter as duas pernas retiradas do corpo, conseguiu se reerguer e tem na atividade agrícola não uma obrigação, mas, uma aliada que o ajuda a se sentir bem.

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