No entanto sua maior produção hoje são as galinhas. Junigenes diz que começou a criar galinhas por incentivo de seu pai, que criava aves de postura. Depois de um tempo ele não quis mais, entrou com alguns tijolos para construir uma estrutura e depois resolvi criar por minha conta, lembra ele. Com a conquista da cisternacalçadão, ele planejou melhorar sua criação de galinhas. Usou o recurso que recebeu para o incentivo à produção, o caráter produtivo. Com esse complemento ele construiu 2 galpões para proteger os pintinhos e tela para cercar o espaço da horta. Assim como aconteceu com os cajus, ele também foi aprendendo na prática a lidar com sua criação. Trabalhou com lotes de 100 e as vezes de 50 pintos, também chegou a comprar lotes de frangos maiores mas não tinha espaço adequado. Com a melhoria do espaço ele já consegue manter lotes em diferentes tamanhos. Compra os pintos de 1 dia no município vizinho de Batalha. Para alimentar os maiores, além da ração, aproveita da mandioca, capim e restos da horta. Vende as galinhas, a partir dos 90 dias e também consome muito, em média 10 quilos por semana, conta Junigenes. Junigenes se orgulha da sua produção, mas lamenta as dificuldades para a venda. Diz que falta organização na comunidade e no município para venda da produção em programas como o PAA e PNAE e torce para que os produtores de sua comunidade possam se unir, se organizar tanto para produzir mais, como também para encontrar formas de vender e gerar renda.
Realização
Apoio
Ano 9 • nº1775 Janeiro/2015 Belo Monte
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Produzindo e sempre aprendendo a produzir Junigenis Melo Catu e Cícera Lima nasceram e se criaram no município de Belo Monte, na comunidade Boa Vista. Juntos tiveram dois filhos, os pequenos Miguel e José Misael. Desde cedo eles aprenderam que a primeira convivência a ser valorizada é com a família e que seu trabalho será muito mais produtivo se for feito em conjunto, que família precisa trabalhar unida.
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Assim sempre aconteceu na família de Junigenis que divide a terra com seus 04 irmãos. Na mesma propriedade eles colocam roça e criam gado, todos no mesmo espaço. Produzem e vendem coletivamente a produção. O que a família mais vende é o leite para uma empresa que compra em toda a região. Além da venda, fazem queijo de forma artesanal, para consumo da família e venda na vizinhança. Todos os irmãos moram na vizinhança, 2 moram na comunidade vizinha, mas todos os dias vêm para a propriedade, dividem o trabalho, os gastos e a produção. O ao redor da casa de Cícera e Junigenis também é bastante diversificado. O casal cuida do quintal, espaço onde produzem horta, algumas fruteiras e galinhas caipiras. Neste ano a horta foi feita só para consumo, pois tiveram que economizar água no longo período de seca. Além dos cuidados da casa e no seu quintal produtivo, Cícera trabalha em uma creche na comunidade vizinha. Com o trabalho eles aprenderam a importância da diversidade e da convivência com o semiárido.
Articulação Semiárido Brasileiro – Alagoas
E diversidade é o que não falta na propriedade da família. O leite produzido coletivamente é umas das principais atividades para venda, mas não é a única. Desde que participou de um projeto de incentivo ao plantio de caju, passou a produzir o fruto para venda. Junigenes conta que foi difícil no início. O acompanhamento durou pouco tempo, teve lotes de plantar 25 cajueiros e todos morrerem, mas não desisti, fui aprendendo e hoje tenho caju o ano todo, lembra ele. Agora ele mantém um plantio de 500 pés de caju. Vende pouco do fruto, mas aproveita principalmente a castanha, que ele ainda comercializa sem beneficiar. A maior produção de frutas para a venda vem das 76 pinheiras, 3 goiabeiras e 04 coqueiros, mantidos ao redor de casa. Essa produção de frutas ele entrega para feirantes do município e nas comunidades vizinhas. Já a produção que vem da horta é mais para o consumo da família e era feita somente nos períodos de inverno. Com a conquista da cisterna-calçadão a eles esperam manter esse tipo de plantio durante o ano todo. Sua cisterna foi construída durante um longo período de estiagem, por isso ainda não chegou a encher mas já tirou muita produção. Ainda produz milho para silagem e melancia. Outra produção era o feijão, mas não planta há três anos, devido à estiagem. Junigenes conta ainda que planta verduras e frutas sem nenhum tipo de veneno e que nada se perde na propriedade.