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Produção Agroecológica - Irrigação às margens de açude nasce de sonhos e da conquista da terra

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Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas

Ano I | nº. 1 | Junho | 2009 Aparecida - Paraíba

Produção Agroecológica “Irrigação as margens de açude nasce de sonhos e da conquista da terra”

Foi com o sonho de viver dignamente no seu próprio pedaço de terra e construir dias melhores para seus filhos e netos, que seu Zé Félix, dona Joana e filhos se engajaram no processo de luta pela reforma agrária no alto sertão paraibano, no ano de 1989, onde começou os primeiros momentos dessa luta organizada pelo direito de terra para plantar, acompanhados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), entorno do açude público da comunidade de Bartolomeu, município de Bonito de Santa Fé – PB. Seu Zé Félix e dona Joana, estão casados há 38 anos, e juntos tiveram nove filhos, uma parte mora fora, e apenas duas filhas, Maria, a mais nova, e a mais velha, Josefa, divide com ele, cinco hectares de terra. Mesmo ainda não estando em situação regular, a família tem a posse da terra e vem há 18 anos produzindo a margem do açude, que corta parte da Dona Joana e Seu Zé Félix propriedade. O açude chega a ter aproximadamente a capacidade de 17 milhões de metros cúbicos de água, servindo para as 22 famílias que mora na área do assentamento. A história de seu Zé Félix e dona Joana se passa entre situações de coragem, e de desafios ao lado de muitas outras famílias. Mesmo assim encaram tudo com força e vontade, acreditando na luta, e no sonho de plantar e colher bons frutos. Por isso, mesmo numa terra pedregosa e arenosa seu Zé Félix e família conseguem dar vida a plantação, ao roçado, e sempre respeitando o meio em que vive mantendo as plantas nativas como: aroeira, pau ferro e o juazeiro. É nessa mesma terra, que aparentemente se mostra impossível de nascer qualquer coisa, que a família consegue cultivar principalmente hortaliças, como a: salsinha, pimentão, quiabo, couve, cenoura, batata doce, macaxeira, rabanete, alface e coentro. A família é pioneira na atividade de cultivar hortaliças, e tudo começou com uma doação de uma xícara de coentro feito por um amigo da família, que com sabedoria e aptidão multiplicaram e hoje tem a autonomia alimentar. Seu Zé Félix está a todo momento com um olhar voltado para a preservação do meio ambiente, com base nas experiências agroecológicas, coisas que ele aprendeu ainda de forma tímida a discutir no ano de 1999 junto às entidades da articulação do Canteiros de hortaliças às margens do açude semi-árido brasileiro – ASA; espaço onde a troca do saber é passada de agricultores/as para agricultores/as. E foi nessa nova caminhada de participação em encontros sobre diversos temas como agroecologia e agricultura familiar, que o seu interesse aumentou cada vez mais por essas atividades, e daí começou a participar de reuniões inicialmente sobre banco de sementes comunitárias, onde era


do Programa Uma Terra e Duas Águas

Paraíba

incentivado e fortalecido na prática de selecionar e armazenar suas sementes adaptadas para o plantio do ano seguinte; iniciou-se também em vários cursos a ponto de atualmente levar uma vida voltada para os movimentos sociais, onde participa da rede abelha, dos cultivos agroecológicos, da rede de semente e hoje coordena o assentamento Bartolomeu I e a feira agroecológica. Com as visitas de intercambio seu Zé Félix trouxe para dentro de sua realidade e propriedade o manejo de viveiros de mudas, de plantas forrageiras e de fruteiras, com resultados que se pode vê ao redor da casa: manga, graviola, laranja, mamão, caju, acerola, goiaba, pinha, umbu, coco e maracujá, tudo isso através do processo de irrigarão que ele faz as Josefa e seus dois filhos margens do açude utilizando um motor que comprou com o projeto do pronaf B. Hoje cultiva os plantios e os canteiros sem o uso de agrotóxicos, envolta dos canteiros plantam o gergelim, que ele tem a satisfação de dizer que serve como controle natural das pragas, além de utilizar defensivos naturais. A esposa e os filhos fazem todo o trabalho junto com ele, e se mostram orgulhosos por estarem levando a mesa alimentos que traz saúde e qualidade de vida. Dona Joana que compartilha todo o trabalho com o esposo, vendo a necessidade de criar uns bichinhos e equipar a terra, fez o projeto do pronaf mulher e comprou uma vaca, que apartir de então foi multiplicando chegando hoje a cinco cabeças bovinas, e assim garantindo o consumo do leite para toda a familia, e ainda com o pouco que sobrou comprou um burro e um arado para ajudar na lavoura. Todo o trabalha é dedicado a produção de hortaliças, as duas filhas, juntos com seus maridos e os filhos seguem o bom exemplo de seu Zé Félix, plantam hortaliças as margens do açude para se alimentarem e o excedente comercializa na feira agroecológica em Cajazeiras, nas feiras livres nos municípios de Bonito de Santa Fé, Serra Grande e São José de Caiana. Segundo elas a produção agroecológica é muito bem aceita o que é garantia certa para a venda dos produtos, e além disso, são muitas as outras vantagens, vendem direto ao consumidor gerando uma renda em cerca de 200,00 reais por semana. Alguns resultados citado por Josefa são a melhoria na qualidade da alimentação, e na renda familiar. E uma das expectativas é aumentar o trabalho e o ganho para poder ter sempre ao seu lado os filhos e ajuda-los para não Maria e seu esposo terem que sair – “o que eu tenho é o maior medo de eles querer ir para São Paulo e serem influenciado a viver uma outra vida que não seja da minha vontade” se preocupa Josefa. Com o objetivo de alcançar o desenvolvimento sustentável da sua terra e dos seus cultivos a família reunida segue acreditando que a agricultura familiar é o caminho para estarem sempre juntos, é o que afirma Maria “daqui eu só saio para cemitério, melhor que aqui só no céu, não dar pra enricar, mas aqui dar pra viver, e viver bem”. Apoio:

Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome


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