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Transformação que vem da Aroeira: mulheres quilombolas encontram na produção de sabonete uma oportun

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Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas

Projeto Piloto

Ano 1 | nº 16 | março | 2009 Teresina- Piauí

A transformação que vem da aroeira: Mulheres quilombolas encontram na produção de sabonete uma oportunidade de mudança de vida Oito mulheres da comunidade quilombola Tapuio, município de Queimada Nova, localizado a 520 quilômetros da capital Teresina, no Piauí, vem se destacando nas feiras de exposições das quais participam. Elas fazem parte do grupo de mulheres quilombolas da produção sabonete de aroeira que encontrou na atividade um meio para aumentar a renda da família, da comunidade e uma distração para a vida. Luzia Rosalina dos Santos, uma das integrantes do grupo, conta que a comunidade Tapuio, onde moram 21 famílias, foi criada em 1980 através dos trabalhos de catequese da paróquia Nossa Senhora dos Humildes, de Paulistana, município vizinho. Luzia explica que a organização da nova comunidade foi sendo estruturada através das Grupo de Mulheres passeiam pela comunidadeTapuio atividades da paróquia, das celebrações e dos trabalhos de base, que deram início às primeiras mobilizações sindicais e conseqüentemente, estimulou a criação do sindicato dos trabalhadores rurais, em 1992, para fortalecer a luta e a representação da comunidade. Luzia lembra que, a atuação de uma das suas irmãs, Maria Rosalina, no sindicato e na pastoral da juventude, incentivou a comunidade a se organizar para que os jovens tivessem um lugar para se encontrar e assim, construíram o primeiro salão de Tapuio. O salão servia para a realização de reuniões, festas, celebrações, comemorações, casamentos, batizados e crisma, além de atividades produtivas e recreativas. Posteriormente, ele foi ampliado através de um projeto feito pela comunidade com apoio da Cáritas Brasileira Regional do Piauí. Através do projeto, a comunidade conseguiu comprar o material de construção necessário para a reforma. Luzia fala que o salão transformou-se num local de encontro, de entretenimento, ou seja, um lugar que ia além dos afazeres de casa e da roça. Ela explica que, depois de pronto, os jovens cobravam instrumentos musicais para que as reuniões fossem mais animadas. E através de outro projeto compraram violão, pandeiro, tambor e caixa de som para os rapazes. As mulheres também foram beneficiadas com três capacitações, uma em sabonete, através da prefeitura do município de Simões, cidade próxima a Tapuio. A segunda, em remédios caseiros através da Pastoral da Criança e a terceira em produtos de limpeza e remédios caseiros através do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). O grupo mostra com orgulho os sabonetes de aroeira O grupo ficou muito animado e decidiu fabricar o sabonete, pois tinha mais afinidade com o produto e

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todas se envolveram na aventura. O Processo de produção do sabonete de aroeira é coletivo, são oito mulheres atuando na produção: Maria Tereza da Silva, Maria Dalva dos Santos Silva, Maria do Socorro Santos, Luzia Rosalina dos Santos, Maria de Lurdes dos Santos, Elsa Maria da Silva, Marilene Rosalina dos Santos e Marinei Maria dos Santos. E mesmo se o grupo não estiver completo, as tarefas são executadas pelas demais integrantes. A Aroeira é uma planta natural, típica de Tapuio. As mulheres trabalham retirando a casca da planta, com o cuidado e respeito ao meio-ambiente. Elas contam que ao retirar a casca, devem esperar até 2 anos, para que a planta se regenere e só, então, a casca pode ser retirada novamente. A casca da aroeira é raspada e dissolvida no líquido da própria planta e depois misturada à base de coco babaçu. A mistura é levada ao fogo por 10 minutos. Depois, o líquido é colocado nas formas de borracha para esfriar e dar a forma ao sabonete. O trabalho de produção é executado sempre às quartasfeiras de cada semana, com a produção de 25 sabonetes. Luzia explica que essa quantidade foi um consenso da equipe, pois os Maria de Lurdes retira a casca da aroeira materiais são caros e são comprados com o dinheiro das vendas para fabricação dos sabonetes do sabonete, que são vendidos a R$ 2,00 reais cada unidade. Os produtos são comercializados na própria comunidade, em uma farmácia de Queimada Nova, nas viagens que o grupo participa através de encontros e nas feiras agrícolas, como a Feira Piauiense de produtos da Reforma Agrária e Comunidades Quilombolas (FERAPI). Por mês, as mulheres vendem, em média, 200 sabonetes. Com as vendas, o grupo foi se organizando. Uma moradora da comunidade deu a idéia de confeccionarem uma etiqueta e assim, como fala Maria de Lurdes, o produto tornou-se mais apresentável ao cliente, já que a divulgação delas é feita no boca a boca. Luzia explica que coloca os sabonetes na sacola e nos lugares que frequenta como farmácia, oculista, banco, vai logo oferecendo, explica os benefícios do produto e vende tudo. O sabonete é utilizado para o combate à coceira, espinha, ferimento, hemorróida e pode ser usado na limpeza de pele e para barbear. Um sonho do grupo é reinvestir na própria comunidade. Luzia diz que o dinheiro das vendas começa a contribuir para isso, pois antes a comunidade era convidada para participar de encontros de formação, mas não iam porque não tinham dinheiro, mas hoje, essa situação começou a melhorar. Além disso, 54 pessoas são diretamente beneficiadas, pois fazem parte da família das mulheres produtoras. Para as mulheres, a atividade veio como um novo estilo de vida. Durante às quartas-feiras, elas se reúnem para produzir e para conversar. Maria Dalva revela que nem consegue imaginar-se sem essa atividade, é um trabalho que lhe dá prazer. Essa organização, diz ela, veio para aumentar o seu conhecimento e o interesse em buscar, cada vez mais, incentivos para a melhoria de vida de sua família e da comunidade. Maria Dalva também lembra que, no início, foi muito difícil, pois sua família não queria que ela deixasse o trabalho da roça e de sua casa para ir trabalhar para os outros, mas ela reconhece que a atividade do sabonete trouxe grandes benefícios para sua alma, pois ela considera o trabalho uma terapia, se sente em paz com ela mesma, mais útil e com mais qualidade de vida. Maria de Lurdes considera que é a união do grupo o fator essencial para enfrentarem todos os obstáculos, é a coragem associada à determinação em produzir que fará com que a atividade cresça sempre mais. Ela olha para vida que tem hoje e sente uma grande alegria no relacionamento adquirido e no bem estar em produzir sabonete.

O PROJETO PILOTO DO P1+2 ESTÁ SENDO DESENVOLVIDO COM OS SEGUINTES APOIOS:

Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

www.asabrasil.org.br


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