Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Ano 3 | nº 53 | 2009 Potiretama - Ceará
O Plantio que garante qualidade de vida O agricultor Luiz Oliveira de Moura e sua esposa Antônia das Graças, conhecida como Gracinha, também agricultora e seus três filhos moram na comunidade Caatingueirinha no município de Potiretama Cear; assim como seu irmão José Oliveira de Moura, o seu Neca, também casado e com uma filha, sempre viveram da agricultura, plantando no período chuvoso e colhendo para o sustento da família. Em época de verão essas famílias sobreviviam da venda da castanha. Como não tinham terra, plantavam em terras de outras pessoas e quando colhiam, dividiam o lucro ao meio, e ainda todas as despesas eram por conta do agricultor. Com o incentivo e apoio da Cáritas Diocesana de Limoeiro do Norte, embora sem acreditar, resolveram fazer a experiência com os quintais Luiz e Gracinha produtivos, num espaço pequeno e limitado pela presença de pedras. Atualmente plantam em seu próprio quintal, uma variedade de produtos de forma orgânica, respeitando o meio ambiente. Gracinha reconhece que não era fácil acreditar que num quintal tão pequeno e cheio de pedras fosse possível colher tanta coisa. Com as discussões sobre novas formas de cultivo, principalmente, com a idéia de plantar sem usar veneno e nem fazer queimadas, a família apostou numa saída. Acreditou e realizou seu plantio com diversidades de plantas, tais como: sapoti, limão, goiabeira, bananeira, coentro, pimentão, tomate, cheiro verde, jerimum, beterraba, macaxeira, berinjela, pimentinha de molho e de cheiro, abacaxi, entre outros.
A experiência dos quintais produtivos gerou nova forma de pensar a vida Variedades de plantas no quintal produtivo
A coisa começou a tomar rumo diferente. Muita coisa mudou, inclusive o pensamento sobre a forma de cuidado com a terra. Antes derrubavam
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as árvores para o preparo da terra e queimavam dando a impressão de que a terra ficava limpa. “Com este projeto aprendemos a adubar a terra, pois antes plantava na terra limpa, onde não tinha incentivo técnico. Queimávamos e usávamos agrotóxicos. Hoje usamos produtos alternativos a base de esterco de gado, resto de fígado, sangue, rapadura, folha de bredo e catingueira para controlar as pragas”, explica Gracinha, lembrando que as discussões ajudaram muito na conscientização de que a terra precisa de cobertura para continuar fértil. Segundo a família, com as novas alternativas aprenderam a deixar o máximo de cobertura possível e isso tem feito muita diferença. Cuidando das plantas
Além das hortaliças e árvores frutíferas, eles têm um viveiro onde plantam mudas variadas de árvores. Quando as pessoas querem uma muda é só vir buscar e plantar. Para a família, as mudas são mais uma forma de garantir a preservação ambiental e reflorestamento para o equilíbrio da natureza. As maiores dificuldades enfrentadas por eles é a falta de água de boa qualidade e também falta de apoio do gestor municipal e até mesmo da comunidade. Mas, com estas iniciativas as coisas estão melhorando e isso é percebido em todos os aspectos, como, por exemplo, na qualidade de vida. A vida melhorou porque o que eles colhem, além de garantir a sustentabilidade alimentar, são produtos naturais, que favorecem a própria saúde. “Estou muito feliz por ter mais qualidade de vida na minha família. Nossa vida melhorou muito, pois aumentou a renda, a boa qualidade dos produtos e ainda podemos vender”, diz Gracinha, enfatizando a importância de terem aderido a esta prática de produção e sobretudo, a contribuição com a qualidade de vida de outras famílias com os alimentos de qualidade. “Temos um papel importante de mobilizar e mostrar a experiência que tem importância”, afirma. Com o aumento da produção, as famílias querem montar uma feira na cidade para vender o excedente e com o dinheiro ajudar em outras despesas. São associados na rede bodega que é um espaço onde também vendem os produtos, mas querem expandir mais os produtos para incentivar outras famílias a buscarem alternativas de sobrevivência. Mesmo com pouca credibilidade da comunidade e os problemas existentes encontrados, houve grande persistência dos agricultores para não abandonar o trabalho árduo que tiveram. O exemplo que eles dão para as pessoas locais é de luta, resistência, conquistas e, sobretudo, de contribuição com o meio em que vivem.
Apoio:
Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
www.asabrasil.org.br