Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Ano 3 | nº 75 | novembro | 2010 Simões - Piauí
Associativismo garante benefícios para comunidades rurais Na comunidade Retiro de Baixo, em Simões, um grupo de agricultores se juntaram para formar a Associação de Pequenos Produtores Rurais da Comunidade Retiro de Baixo. A associação é composta por 35 produtores e produtoras. O agricultor José Lopes conta que antes era difícil organizar o grupo, porque cada um trabalhava de forma individualizada. A associação foi organizada com o intuito de receber recursos, os trabalhadores e trabalhadoras não estavam pensando de imediato em produzir mel. Com alguns cursos que foram oferecidas capacitações gerais, foi quando eles decidiram produzir mel, que é um Casa do mel foi uma grande conquista da associação produto que não dá muito trabalho e tem cem por cento de lucro. A comunidade também produz hortaliças orgânicas e junto com o mel vende na cidade e através do Programa de Aquisição de Alimentos. O mel é totalmente orgânico e certificado. José Lopes, que é Agente de Desenvolvimento Regional Sustentável da comunidade, conta que para receber a certificação até a plantação das famílias tem que ser livre de agrotóxicos, pois no processo de colheita do pólen a abelha pode ser contaminada e consequentemente contaminar o mel, caso entre em contato com algum tipo de veneno. Mais um incentivo para as famílias agricultoras e a comunidade viver de maneira saudável e bem nutrida. A produção das famílias vai de vinte e cinco a quarenta quilos por colméia. Por ano os apicultores de Simões chegam a colher doze toneladas de mel e esperam triplicar esse número, pois já contam com uma Casa do Mel construída com recursos do Programa de Combate à Pobreza Rural (PCPR). Casa que já veio prontinha, com os equipamentos essenciais para a extração de mel dos favos como a mesa desoperculadora e a centrífuga, e mais 300 colméias que foram divididas entre as famílias.
Junto com a casa foi feita aquisição de equipamentos
Um dos problemas a ser resolvido depois da conquista da casa era a fonte de água. Antes era preciso fretar um carro para colocar água para fazer a limpeza. Água que não podia ser de riacho
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ou barreiro, pois essas podem estar contaminadas e contaminar o mel também. Foi quando veio um representante dos Estados Unidos interessado em fazer uma entrevista com o grupo, e gostaram tanto da história das famílias que eles ofereceram uma ajuda para a construção da cisterna, ajuda que sobrou ainda para comprar algumas máquinas e instrumentos para a análise da cor. Quanto mais escuro o mel, mais valorizado pelos consumidores. A florada que garante o mel escuro e de boa qualidade é a do marmeleiro que é predominante na região. Além do marmeleiro, tem as ervas rasteiras, o umbuzeiro, a aroeira, o juazeiro. Todas as árvores com floradas em épocas diferentes, o que garante alimento todo o ano para as abelhas.
O mel é repassado para a Casa Apis através da Cooperativa. A associação já funciona a dois anos
A limpeza é necessária para a manutenção da qualidade do mel. Todo mundo que vai entrar na casa para beneficiar o mel tem que ter jaleco, máscaras e gorros limpos e tem que tomar banho também. Quando termina o processo de extração e armazenamento, a casa é totalmente lavada e higienizada, no piso e equipamentos. O mel hoje é vendido a quatro reais e vinte centavos (R$ 4,20) o quilo. As famílias chegam a receber até 160 reais por colméia, que ajudam bastante na renda delas. José dos Santos, outro associado, conta que foi uma conquista e tanto para a comunidade que agora serve de exemplo para outras associações que estão se formando em outras localidades. O sonho agora é continuar produzindo bem, aproveitando a florada nativa, e plantando também as hortaliças que as famílias já tem no quintal de casa. Atividade que foi potencializada através da chegada do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA Brasil). A renda da horta do mês já chega a um salário mínimo para algumas famílias.
300 caixas e vestimentas foram adquiridas também
As cisternas, tanto as calçadões de 52 mil litros, quanto as caseiras do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) também da ASA Brasil, construídas pela Cáritas Brasileira Regional do Piauí, garantem água de qualidade para beber, cozinhar e produzir alimentos. Para José dos Santos a situação era ruim, havia muitas doenças e as famílias às vezes não tinha uma verdura pra comer. Agora a situação está mudando e já conseguem até vender o alimento que produzem. E com a força conjunta da associação a meta é buscar mais benefícios para as famílias do Retiro de Baixo através dos diversos projetos.