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Consciência e qualidade de vida através da cisterna para produção

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Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas

Ano 5 | nº 28 | maio | 2011 Gararu - Sergipe

Conscientização e Qualidade de Vida através da Cisterna para Produção. Nosso causo desse mês não relata uma experiência, mas uma diversidade de mudanças que transformou uma mulher que sentia vergonha de dizer que era agricultora e hoje serve de exemplo para todos/as do nosso querido semiarido.Vamos começar prestando uma homenagem a todas as mulheres trabalhadoras rurais que encantam o nosso sertão e a cada dia demonstram através da garra e sabedoria a igualdade que existe entre homens e mulheres.Esse ano temos um grande movimento que retrata esse progresso A Marcha das Margaridas,nos dias 16 e 17 de Agosto de 2011 as ruas de Brasília serão enfeitadas com a presença de milhares de “Margaridas”. O Ato reafirma a presença das mulheres trabalhadoras rurais na luta por melhores condições de vida e trabalho no campo e contra todas as formas de discriminação e violência contra a mulher, é com esse sentimento de conquista que contamos pra vocês agora a linda história de Dona Edileuza.

D. Edileuza e seu pé de maracujá.

Seu quintal produtivo.

D. Edileuza e Sr. Domingos.

Sergipe 1


Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas

Pegar água num potinho A cem léguas de distância Chegar em casa só com um pouquinho Pensando na tão sonhada abundância Assim começa toda história Que a gente vive a escutar Que não dura nenhum minuto Pois da mudança é que querem falar Com Dona Edileuza não foi diferente Que de tristeza nem lembra mais “Agora é daqui pra frente” Não ter água é coisa de lá de trás Moradora do Povoado Monte Alegre Lá em Gararu no Alto Sertão Mãe de seis filhos queridos Mulher de Domingos Vieira Aragão O antes e depois Vai embalar nosso cordel Falando dessa mulher Que hoje merece um troféu Mulher que não saia de casa Lenta e acomodada Só plantava feijão e milho Pois achava que ali nada mais dava Na sua alimentação Consumia os produtos envenenados Mas seu milho e feijão Também eram condenados Vergonha da sua origem era o que sentia Quando perguntavam: O que a senhora faz? Sou costureira, ela dizia Mas chega de decepção Pois agora os rumos vão mudar Chegou à cisterna calçadão E a vida começou a melhorar Participando das capacitações Ela então aprendeu Que só não convive bem no semiarido Aquele que já morreu

Sergipe Veja só que transformação Plantou cebolinha, tomate Acerola, couve e pimentão Com mais de 600 mudas Até de arvore em extinção Pau Brasil e tantas outras Enfeitam sua plantação Foi atrás de gliricídia Para o gado alimentar Utiliza Biogel que fortalece a terra E ajuda o carrapato matar E usa também biofertilizante Que tem orgulho em dizer: “Tiro a fruta do pé Prontinha para comer” E não pára por aí É uma grande produção Tem galinha e queijo coalho Que ajuda na alimentação De uma guerrilha ela agora faz parte Só pode usar veneno natural É uma confusão danada Com o povo da agricultura convencional Edileuza Araujo da Silva De Gararu é representação Como a única mulher Que tem o orgânico como produção Agradece a todos da ASA Por iluminar o sertão Com água para consumo E a Cisterna Calçadão Lembra que antes só dava entrevista Gente rica, poderosa Agora o agricultor Participa dessa prosa Aquela mulher que não se dava valor Agora fala com emoção: “Tenham orgulho de ser agricultor E não saiam do sertão!”

Receita do Biogel ensinada por Dona Edileuza: Quando mata o gado existe um produto chamado de” rascunho” que são as fezes antes de ejetadas, mistura esse” rascunho “ com capim fresco e rapadura,deixa agir por 45 dias misturando duas vezes ao dia e está pronto. Gliricídia: Planta rica em proteínas, resistente a seca que serve para forragem, adubo verde, mourão para formar cercas vivas, lenha para gerar calor e arvore de sombra e recuperadora do solo.

Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

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