Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Ano 4 | nº62|Março |2010 Quixadá - Ceará
Plano de manejo da caatinga garante vida no Semiárido O Assentamento Boa Vista faz parte do distrito São João dos Queiroz, a 20 quilômetros de Quixadá, no Sertão Central Cearense. De uma fazenda onde se criava gado e pertencente a uma única pessoa, formou-se uma comunidade. As famílias vieram de São João dos Queiroz porque lá elas não tinham terra para plantar.
Na comunidade residem 28 famílias. Com a parceria de Instituições como o Centro de Pesquisa e Assessoria (Eesplar), Centro de Estudos do Trabalho e Assessoria ao Trabalhador (Cetra), entre outros, a comunidade está bem articulada, pois criaram a Associação de Moradores e conseguiram projetos como Turismo, Projeto Dom Hélder, entre outros.
A organização deu espaço para novos trabalhos alternativos que geram vida
Unidos no plano de manejo da caatinga
Com esta organização, a comunidade trabalha formas alternativas de vida. Uma das experiências desenvolvidas pela comunidade e que tem contribuído com a natureza é o manejo da Caatinga. A ideia surgiu com a participação das lideranças em um encontro promovido pelo Projeto Dom Hélder, que indicava formas alternativas de vida, como o trabalho agroecológico. A partir das discussões no encontro, a ideia foi amadurecida na comunidade e as famílias decidiram trabalhar a agroecologia, com o manejo da caatinga. “Se a gente tivesse desmatando e queimando nos nove anos de assentado, era impossível ter mais a mata que temos atualmente”, diz Ermilson Ferreira, 49 anos, agricultor e membro da comunidade. O Manejo da Caatinga é feito para facilitar o Área de manejo da caatinga
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Ceará
percurso dos animais e o acesso a alimentação, sem ter que derrubar todas as árvores. “ É um trabalho de proteção a natureza”, diz Ismael de Oliveira Neto, 45 anos, presidente da associação.
O processo de manejo é feito com o raleamento numa área de dois hectares, ficando uma quantidade de 400 árvores adultas e ainda plantação de outras árvores, como a leucena e gliricidia. Estas plantas são suplemento alimentar e contribuem com a preservação da área com a folhagem, além de serem plantas que resistem ao sequeiro. As árvores são cortadas ficando a 80 centímetros do chão e os galhos são aproveitados para fazer mudas. E as folhas, além de servirem para alimentação dos animais, são também adubo O raleamento das árvores dá espaço para tráfego dos para a terra. “Com o raleamento, os animais tem animais acesso à área e pastam melhor”, diz Francisco Ermilson, integrante no plano de manejo. 28 pessoas entre homens e mulheres contribuem no plano de manejo – um trabalho coletivo de uma vez por semana. O grupo discute em reunião sobre os dias de trabalho, que são divididos em três grupos, em que cada um/a dá sua colaboração. Com estas práticas, as pessoas da comunidade deixaram de usar veneno em suas atividades agrícolas e sabem que estão contribuindo muito com a própria saúde. “A gente não usa mais agrotóxico. Podemos mostrar nossa experiência para outras pessoas que poderão mudar o modo de pensar a vida no semiárido”, diz Claudiana Borges, tesoureira da associação. Os agricultores e agricultoras vêem este trabalho como uma experiência para o plantio agrícola, além de ser uma preservação do meio ambiente. “E no futuro nossos filhos se beneficiarão, assim como nós nos beneficiamos deles hoje”, garante Maria de Lourdes Oliveira da Silva, 36 anos, secretária da associação. As famílias conscientes do trabalho que estão realizando acreditam que futuramente serão pessoas bem mais saudáveis e que o meio ambiente não sofrerá as consequências de um desmatamento sem planejamento, ou mesmo queimadas como ato de ignorância do homem e da mulher à natureza. “Preservamos tanto para nós como para o planeta”, diz Raimundo Nonato da Costa, vice presidente da associação. Árvore de grande porte cultivada no plano de manejo
Apoio:
Secretaria de Seguranç a Alimentar e Nutricional Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
www.asabrasil.org.br