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O trabalho alimenta minha vontade de viver

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Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas

Ano 3 | nº 50 | Agosto | 2009 Riacho de Santo Antonio - Paraíba

O trabalho alimenta minha vontade de viver Em 1953 a agricultora Maria Francisca da Silva saiu com o seu marido, Seu Dadau, da Cidade de Brejo da Madre de Deus, em Pernambuco. A família veio trabalhar na Paraíba como caseiros no Sitio Ambó que fica localizado no Município de Riacho de Santo Antonio. O casal teve 07 filhos. Trabalharam boa parte do tempo fazendo economias para juntar dinheiro com objetivo de comprar uma terra própria. Alguns anos depois compraram uma terra de 1,5 hectares, onde a família até hoje trabalha para retirar o sustento. No início só plantavam milho, feijão, palma, capim, mandioca e macaxeira. Depois foram aos poucos Dona Maria Francisca aumentando as plantações e além das que já tinham hoje plantam também jerimum, gergelim, girassol, melancia, coentro, tomate, arruda, hortelã miúda, colônia, cebolinha, cebola, jaca, batata, manga, abacaxi, palma e capim-búfel. Toda essa diversidade é bem distribuída na propriedade. Atualmente a família cria gado, galinhas, porcos, cabras, ovelhas e patos. A criação de pequenos animais é responsabilidade de Dona Francisca, Ela alimenta a criação com a palha e produtos do roçado, capim búfel e toda a forragem que armazena no período de inverno. As cabras, as ovelhas, o gado e os porcos são criados na corda. As galinhas e patos são criados soltos ao redor da casa. A família tem preocupação de plantar árvores frutíferas consorciadas com a vegetação nativa como a catingueira e o umbuzeiro para diversificar a vegetação da propriedade, pois quando compraram a terra à mesma estava muito desmatada. Para proteger e enriquecer o solo a família aproveita a folhagem das plantas para fazer cobertura morta.

Diversificação da produção para aumentar a oferta de alimentos

Paraíba


Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas

Paraíba Hoje com 83 anos dona Francisca esta viúva e continua com muita vontade de trabalhar na agricultura e afirma com muita devoção que só para de trabalhar quando for embora para outra vida. A família está pensando em ampliar as formas de acumular água na propriedade e planeja construir uma cisterna para produção de alimentos. Seu filho Francisco conheceu uma cisterna dessa produzindo numa visita de intercâmbio promovida pela a ASA Paraíba e até hoje está impressionado com o potencial que esse depósito pode trazer para a família, uma vez que na propriedade tem uma grande diversidade de plantas ao redor da casa que necessita de água durante boa parte do ano.

Barreiro trincheira

As infraestruturas hídricas são poucas, hoje a família tem um barreiro no riacho que passa na propriedade que seca no período da estiagem e uma cisterna para beber e cozinhar construída com apoio do P1MC. No período crítico de seca a família pega água num pequeno açude que fica na comunidade. Dona Francisca é uma agricultora guardiã de um banco de semente familiar, já vem a algum tempo cuidando das variedades de sementes que são raridades na região. A exemplo do milho branco, feijão preto, feijão carioca, fava orelha de vó, jerimum caboclo e de leite, gergelim e quiabo. O orgulho de sua vida é trabalhar em harmonia com a natureza, não utiliza nenhum tipo de veneno e ensina a seus filhos a continuar manejando a natureza com muito respeito. Banco de sementes familiar

Dona Francisca consome e distribui a produção entre os filhos que moram próximos da sua casa. A agricultora atualmente está aposentada, isso vem garantindo uma vida mais tranquila com mais dignidade.

Técnicas adotada pela familia: cobertura morta, diversificação, consórcios e manejo integrado da animal

Apoio:

Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

www.asabrasil.org.br


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