Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Ano 3 | nº 52 | Agosto | 2009 Aroeiras - Paraíba
Resistência, coragem e persistência Severino Cromácio, conhecido como Seu Biu Cromácio e Lucimar de Arruma, conhecida como Dona Mana, são casados e juntos tiveram 10 filhos: Mário, Almir, Ana Paula, Fábio, Flávio, José Adailton, Ana Lucia, Adriana, Taisa e Tarsiana, que ao completarem a maior idade foram trabalhar no Rio de Janeiro. Essa família desde sua constituição sempre morou na comunidade Chã da Barra no Município de Aroeiras no Agreste Paraibano. Em meio a tantas dificuldades Seu Biu Cromácio e Dona Mana, resolveram vender o Sitio de 5 hectares, que foi herdado dos pais de Seu Biu e foram morar no Rio de Janeiro, na cidade de Ilha de Guaratiba, onde moravam parte de seus filhos.
Seu Biu Cromácio e Dona Lucimar
Chegando ao Sudeste do País a família não conseguiu ter boa adaptação àquela realidade, mesmo morando no interior do estado não tinham condições de criar nada e nem muito menos plantar. As constantes enchentes e alagamentos onde a família morava foi outro complicador. Por fim, é a idade avançada impediu que o casal conseguisse arrumar um trabalho fixo, sendo assim viviam de bicos. Essa realidade difícil e a ilusão que seus problemas fossem resolvidos foram meros enganos, o que fez a família retornar a Paraíba. Venderam tudo o que tinham no Rio de Janeiro e voltaram para morar novamente no Agreste Paraibano. Essa desisão foi muito difícil para a família em seu conjunto, tanto por parte dos filhos que ficaram no Rio de Janeiro como para os que retornaram para Aroeiras. A família morou aproximadamente três anos no Rio de Janeiro. Ainda no Rio de Janeiro apalavraram uma terra de 2 hectares, na comunidade Chã da Barra, quando chegaram com os poucos recursos que tinham fizeram uma pequena reforma na casa. Outras necessidades estavam presentes, mas não tinha recursos disponíveis, porque todo o recurso que trouxeram do Rio de Janeiro foi investido na compra da terra.
Casa da família na Comunidade Chã da Barra
Na propriedade logo apareceu o problema da falta d’ água, na terra tem dois barreiros que secam logo no inicio da seca. Outra dificuldade esta relacionada com a divisão da terra, quando chegaram tinha apenas uma cerca, sem nenhuma divisão interna, uma vez que o antigo dono só
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plantava palma e um roçado e não criavam nada. Para Seu Biu a pequena terra deveria ser divida em uma área de plantio (considerando a palma e roçados) e outra de criação. A família começou a participar das reuniões na comunidade e conheceu o trabalho do Fundo Rotativo Solidário. Como a situação financeira é difícil Seu Biu Cromácio, fez um cadastro para adquirir uma cisterna do P1MC, mas o Programa não estava naquele período na comunidade. A comunidade tem uma comissão e critérios afirmados em reunião para atender as famílias carentes e necessitadas. Assim a família de Seu Biu e Dona Mana recebeu o material para construção de uma cisterna de placas e duas rodas de arame farpado para cercar parte do terreno para criação de dois garrotes. A construção da cisterna aconteceu em agosto de 2009, mesmo período do cercamento da área de pasto dos garrotes. A comissão municipal definiu junto com a família que a devolução seria em dinheiro ou em trabalho na própria comunidade. Pelas atuais condições financeiras a família acordou de repassar R$ 50,00 mensais, para ser investido em novos benefícios para outras famílias na comunidade.
Cisterna de placa e cercamento implementado com apoio do fundo rotativo solidário
Mesmo o ano de 2009 não sendo um ano bom de colheitas, a família plantou um roçado diversificado com: milho do sabugo fino (conhecido na região como gabão), fava lavandeira, feijão macassa alastrador, jerimum cabloco e de leite, melão, melancia, maxixe, quiabo, entre outras. Criam 02 garrotes, 15 galinhas, 02 porcos e um jumento para carregar água para os animais beberem que vem de uma barragem comunitária, aproximadamente 1 km de distância da propriedade. A propriedade que compraram tem 1 hectare plantada de palma forrageira. Uma parte dessa palma foi vendida para os vizinhos e outra parte fica para alimentar os animais. A família vende 10mx10m de palma por R$ 250,00. Esse ano já venderam 3 pedaços de palma e mesmo assim tem palma suficiente para alimentar seus animais até o final da seca. Na propriedade também foi construída uma cisterna calçadão do P1+2, para aumentar a produção de mudas, plantas medicinais e hortaliças, conta com entusiasmos Dona Mana. Campo de palma na propriedade familiar Apoio:
Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
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