Ano 8 • nº1.590 Novembro/2014 Paripiranga
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Solange e Renato em família, nos caminhos da Agroecologia Solange Pereira Conceição Gravatá (30 anos) e José Renato Pereira de Jesus (38 anos), são casados há 5 anos e tem uma filha de 2 anos, por nome de Renata. Moram na comunidade Mulungu da Lagoa Preta, no Município de Paripiranga – Bahia. Nascidos na comunidade, juntos se engajaram nos serviços pastorais das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), como catequizandos e catequistas de Crianças, adolescentes e jovens da própria comunidade, animadores e coordenadores de Pastorais. A família na área da casa
Atividades da propriedade
Filhos de Agricultores, desde cedo convivem com valores familiares e o manejo dos animais e das plantas, com sensibilidade aos princípios da agroecológia, à vida em comunidade, participando de encontros celebrativos, novenas, folguedos (dança de São Gonçalo) quadrilhas juninas, mutirão e associação comunitária. Solange é Associada da Associação Comunitária São José e assume a responsabilidade da tesouraria. Ela fala da importância em ser uma sócia ou um sócio participativo: “A importância é porque nos reunimos, nos encontramos nas partilhas e conversas. Discutimos planos e projetos que tragam benefícios para todos da nossa comunidade”. As atividades na propriedade é partilhada entre o casal, ambos participam das atividades do lar, do cuidado com a filha e do Atividades do Lar gerenciamento da propriedade de apenas 2 tarefas (0,66 ha), onde dividem os afazeres: limpeza do pequeno aprisco, alimentação das ovelhas e galinhas, além de realizarem práticas nos diversos cultivos consorciados que desenvolvem.
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Articulação Semiárido Brasileiro – Bahia
A cerca viva de macambira protege a roça: “gosto da macambira, pra mim é uma planta mãe, onde os animais podem viver e reproduzir com mais tranqüilidade. Também, porque impede que algum animal entre, é barato, é ecológico. Este ano, teve gente que veio me perguntar se eu não queria vender para queimar e alimentar o gado”, diz Renato. As ovelhas pastam no próprio quintal, a família faz rodízio em 3 espaços de confinamentos diferentes, ficando 15 dias em cada um, tempo suficiente para recuperação da pastagem. A família Cerca de Macambira realiza uma diversidade de cultivo de plantas consorciadas (milho, feijão, palma, mandioca, macaxeira, banana, acerola, maracujá, tomate, couve, alface ...), alimentos produzidos de forma agroecológica, destinados à alimentação da família e vendido o excedente na feira da cidade. Uma outra estratégia de empoderamento da família é a prática do armazenamento (silos e reservas de grãos) de alimentos e sementes, água para consumo numa cisterna com capacidade para armazenar 22 mil litros e uma outra cisterna de produção com capacidade para armazenar 39 mil litros. Ambos, foram construídas com os recursos da própria família. Eles realizam experimentações agroecológicas a exemplo do recaatingamento. “Admiro a caatinga. Acho bonito ver o verde nos períodos de estiagens, quando muitas áreas vizinhas foram Preservação das Sementes desmatadas e substituídas a vegetação nativa. há mais de 6 anos que não fazemos queimadas. Todo o mato serve para a cobertura do solo, pois a terra aqui era uma terra muito dura e pobre de nutrientes. Hoje o solo já está bem melhor”, diz Renato. Vizinhos criticam a opção da família em plantar e preservar as sementes crioulas, visto que a prática da monocultura e a adesão aos pacotes tecnológicos no município são grandes, no entanto ele relata do diferencial produtivo da propriedade no período de estiagem, observado pela comunidade. É possível observar a preocupação da família pelo consumo consciente de alimentos orgânicos analisando a procedência e a maneira como foi produzida; fortalecendo a luta pela produção e espaços de comercialização de alimentos saudáveis na feira livre do município. Renato está presente nas diversas manifestações e organizações sociais do município e Semiárido Brasileiro. Hoje, ele está na coordenação de uma organização fundada há 20 anos, que atua em 23 municípios da região. Ele também atuou como Coordenador de projetos da P1MC, que o permitiu desenvolver ações e estratégias de convivência. A família se orgulha de ser parte do coletivo de organizações (comissões municipais, associações, sindicatos, igrejas ...) que fortalecem as ações da Articulação no Semiárido-ASA.
Consumo consciente
Realização
Apoio