Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Ano 4 | nº 88 |Julho | 2011 Januária - Minas Gerais
Feira do Tejuco: Uma ação comunitária do protagonismo feminino que gera trabalho, renda e saúde. A feira de economia popular do Tejuco nasceu da necessidade de implementar na comunidade a agricultura familiar como uma forma sustentável de geração de renda a uma região onde as famílias vivem sem muitas expectativas e onde a juventude vive ociosa. A feira acontece na comunidade do Tejuco do município de Januária no norte de Minas Gerais e é chamada por eles de FEIRA LIVRE. Eliete Aparecida de Carvalho Santos diretora da Escola Estadual da Rua São José, diz que há muito tempo trabalha na perspectiva de conscientizar as famílias. Ela não conformava ao ver a comunidade em que a maioria da população é rural consumindo tantos produtos vindos de fora, e ver o índice de êxodo rural crescer, e a falta de trabalho para os jovens. Ela começou então promovendo cursos para O inicio, algumas mesas de baixo da ávore e a capacitar, na expectativa de que através do determinação de uma grupo de mulheres conhecimento os agricultores e agricultoras sentissem estimulados a produzir. Mas mesmo com os cursos a produção não foi muito a frente. Então Eliete teve a idéia de começar do fim, de começar com a feira. Da primeira vez eram só três mesinhas de baixo da árvore na Praça de São José, conta Eliete.” Ela colocou uns artesanatos, e comprou algumas bananas para vender, vieram também mais dois amigos que tiveram a coragem de expor seus produtos, sendo eles o grupo de mulheres « Semeando para Crescer» comercializando ovos, puba de mandioca e milho verde, bananas e remédios caseiros, e Manuel Aparecido Almeida com caldo de cana, carne de bode e mandioca. E a cada domingo que vinha aparecia mais gente, inclusive de outras comunidades, como Barreiro, Cabeceira, Barra do Tejuco, Lapa, Riachinho, Barreiro do Brejo, Remancinho, Pau D'oleo, Campos, Boa Esperança, e até feirantes de Januária. Depois de um ano de funcionamento da feira, são cerca de 46 feirantes, onde todos os domingos têm o compromisso de se reunir na Praça do Tejuco para expor e comercializar os produtos da agricultura familiar, artesanatos entre outros. A quantidade de feirantes e de consumidores da agricultura Eliete conta que no começo não tinha muito familiar agroecologica
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produtos, e o problema é que a comunidade rural está urbanizada, não fazem como antes de produzir para comercializar, apenas para alimentar a família, assim os jovens ficam ociosos, não vêm à agricultura como trabalho, como renda, como forma de sustento. A iniciativa destas mulheres surgiu então com a preocupação em dar esta perspectiva para os jovens, para que tivessem uma profissão que os mantivessem junto à comunidade e com qualidade de vida. Em 2010 a Cáritas escreveu junto com a comunidade um projeto ao Fundo Nacional de Solidariedade onde foram adquirida as barracas para o melhor funcionamento da feira garantindo assim a exposição dos produtos. Muitas destas famílias são acompanhadas pela A variedade de produtos vindos da agricultura familiar Cáritas Diocesana de Januária e Cáritas sem agrotóxico. Brasileira Regional Minas Gerais, por já serem beneficiárias dos projetos e programas que trabalham na perspectiva da soberania e segurança alimentar como: Projeto Seriema, Programa Um milhão de Cisternas (P1MC) e Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). Feira livre é o lugar de trabalho, renda e saúde Foi organizada pela comunidade rural do Tejuco a Associação Agrícola Familiar dos Feirantes de Tejuco e Adjacências, a AGRIFERTA, que agora está na luta para conquistar o registro e poder participar de outros programas, fornecendo alimentos como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Projeto Nacional de Alimentação Escolar). Mas uma das principais ações da associação foi dar unidade aos feirantes e é na associação que se desenvolve os projetos para melhorar a produção de forma sustentável, além de ser o espaço onde eles discutem a importância dos alimentos na saúde, e trazem a meta de estruturar a feira para que ela seja cem por cento de produtos saudáveis e livres de agrotóxico. E foi assim a partir da feira, da venda e da troca que as famílias se sentiram estimuladas a produzir. Os feirantes afirmam que a feira é uma forma de troca, a gente traz o que tem e leva o que não tem. No início tinha poucos produtos, assim relata Pedro Almeida Sales o presidente da associação, que no começo traziam muito produto de fora, e agora eles já têm uma produção feita com semente própria o que os deixa livre por não ter de comprar no comércio. Segundo ele a produção dá em sobra na casa e na feira, quase cem por cento dos produtos vêm das próprias famílias e sem veneno. O protagonimos feminino A feira também possibilitou a melhoria de vida das mulheres, foram elas quem começaram a feira e com elas vieram suas famílias. Quando começaram a ver a possibilidade de sair de casa, e ter um espaço para mostrar seu trabalho, se sentir capaz e valorizada. Umas das feirantes conhecida como Paizinha, diz que antes sempre quando ela tinha uma idéia desistia, porque achava que ia ser muito difícil e que havia muitos obstáculos, pensava que ninguém sairia de casa para comer seu pão de queijo na feira. Com a feira ela abriu sua mente e não tem mais medo de tentar. “Ir a feira é como ir à festa, a gente se embeleza e se anima para ver as amigas e receber elogios do nosso trabalho. A gente ficou famosa, as pessoas passam e dizem, olha a mulher da paçoca, a mulher do caldo. Nós nos sentimos importantes”.
MARCA UGT ARTICULAÇÃO NO SEMI-ÁRIDO BRASILEIRO