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Saúde para plantar e colher: para seu Luís da Apolônia e sua família o lema é garantir mesa farta e

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Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas

Ano 3 | nº 45 | julho | 2009 Massapê do Piauí - Piauí

Saúde para plantar e colher Para seu Luís da Apolônia e sua família o lema é garantir mesa farta e saúde o ano todo No caminho para o Taboleiro Comprido, que fica na comunidade Capivara a 12 quilômetros do município de Massapê do Piauí, já se avistam grandes reservatórios com calçadões imensos. São as cisternas calçadão do Programa Uma Terra e Duas Águas – P1+2 da Articulação no Semiárido Brasileiro – ASA Brasil. Lugar que seu Luis Gonzaga Carvalho, o Luís da Apolônia como é conhecido por causa da sua mãe que se chamava Apolônia, mora e conta que o nome tem origem do grande número de capivaras que existiam na comunidade em outras épocas. O agricultor familiar mora na localidade com a esposa Maria das Mercês dos Santos Reis e os três filhos: Josivaldo, Josineide e Francisco. Ele conta que antes de ir morar no Taboleiro Comprido Família unida nos afazeres de casa e da roça ele morava no Juazeiro do Quitó e dona Mercês morava na Fazenda Capivara do outro lado do rio em uma casa grande de uns 200 anos. Quando se casaram, cuidaram em fazer a sua morada. Ele conta que quando chegou no lugar onde moram hoje, era um lugar deserto, não morava ninguém. Podia-se passar oito dias e não se via ninguém passar de tão deserto. Era tudo só mato em uma distância de dois quilômetros. No entendimento de seu Luis, a vida é bem tranqüila no lugar, pois tudo é só enfeitar a roça e criar os animais para sobreviver. Ler ninguém sabe, só seu filhos que freqüentam a escola regularmente. Vai-se plantando de tudo um pouco: feijão, milho, macaxeira, abóbora. E criando uns animais: galinhas, bodes, ovelhas. Mas a alimentação ainda não era completa, porque a família ainda não tinha água suficiente para manter uma horta no quintal de casa. Algo que mudou com a chegada do P1+2 na comunidade, que o beneficiou com uma cisterna calçadão. Antes a água que tinham era da cisterna caseira do Programa Um Milhão de Cisternas Rurais – P1MC que garante água boa para beber e cozinhar no período mais seco. E um poço cacimbão que só utilizam para dar água aos animais, pois a água é muito salgada. Criação de caprinos para consumo da família

Ele conta que antes da cisterna eles buscavam

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água longe no lombo do seu jumento, que o acompanha há muito tempo. Segundo o agricultor, o jumento já tem 25 anos de vida e ainda consegue carregar uma carrada grande de água. Ele chega a colocar cerca de cem litros de água no animal para levar para casa. A sua cisterna calçadão ficou praticamente cheia este ano e ao redor dela ele plantou mamão, macaxeira e abóbora antes da chegada das mudas de outras frutíferas que recebeu do programa. A abóbora foi a que mais botou esse ano. Ele conta que tirou da plantação quase uma tonelada, e as abóboras ficaram grandes. Tudo o que ele produziu ele estoca para consumo da família e alimentação dos animais. A abóbora ele Jumento o ajuda a carregar água para casa há 25 anos dá aos porcos, e eles gostam. A sabedoria dele faz com que ele aproveite o que tem na sua propriedade para que não venha comprar nada de ração na cidade. Além da abóbora é usado também o feijão e o milho como ração que são triturados na máquina. A plantação dele é toda livre de agrotóxicos e adubos químicos. Ele conta que, graças a Deus, a chuva no lugar é muita e os legumes desenvolvem bem sem precisar de veneno. Na região teve três meses de chuva, o suficiente para os legumes pegarem bem. Para que não tenha necessidade de comprar nem a semente para plantar, seu Luís mantém um banco de sementes. E a semente é escolhida de forma criteriosa. A do milho, por exemplo, é tirada da primeira espiga. Vão escolhendo as melhores para guardar, catando e jogando fora as sementes mais fracas que tem pelo meio. Depois de selecionadas, elas são guardadas em tubos de zinco bem fechados para não entrar ar. O lacre é feito com cera de abelha. Na casa dele somente as sobras são vendidas para que se possa comprar os alimentos que não são produzidos por eles e outros materiais que serão usados na manutenção da propriedade como cercas e pagamento de diárias. Ele conta que o arroz tem que ser comprado, mas outras coisas como a gordura pode ser tirada dos porcos que matam para comer.

Plantação de macaxeira e abóbora ao redor do calçadão

Levando uma vida tranqüila, colhendo maracujás do mato que seu Luís julga os melhores, cuidando da sua roça e dividindo as tarefas com a mulher e os filhos, o agricultor conta que a sua maior ambição na vida é ter saúde. Ele sempre diz que se um dia for perguntado se queria ser pobre e viver com saúde ou ser rico e morrer ligeiro, ele não teria dúvida: queria ser pobre. E, obedecendo a isso ele completa: “Com saúde a gente trabalha e consegue ganhar o pão de cada dia. A pessoa doente não vai pra lugar nenhum”. E segue a vida assim, sempre buscando saúde para a sua família através de uma agricultura sem uso de produtos químicos e agrotóxicos e plantando tudo o que sua terra pode oferecer de alimento. Apoio:

Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

www.asabrasil.org.br


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