Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Ano 4 | nº 95 |Setembro | 2011 Canindé - Ceará
Experiência agroecológica de Everardo e Lucineide é referência para outras famílias no semiárido A dez quilômetros de Canindé, situado no sertão cearense, na comunidade Longá, mora Francisco Everardo Garcia da Cunha, 48 anos, casado com dona Lucineide Arcelino da Cunha. Seu Biral, como é conhecido pela vizinhança, é pai de três filhos, sendo: Francisca Mikaelly, Francisco Mikael e Francisco Ariel. Seu Biral se mudou para a comunidade de Longá em 1992, quando tomou posse de um terreno de oito hectares. Mesmo em uma terra castigada pela seca com chuvas escassas, a família de seu Biral nunca deixou de sonhar com novas alternativas de produção, já que sempre trabalharam na agricultura de sequeiro, plantando feijão, milho, jerimum, melancia, mamona, entre outros. Dona Lucineide, seu Biral e o filho Ariel Cuidar da natureza parece ser a melhor alternativa de vida, aos olhos de seu Biral. A relação com a terra tira qualquer cansaço e alimenta os sonhos de toda sua família.
A falta de água na região impossibilitava a família de investir em uma produção maior. “Olhava pros potes e tudo seco, o pior sofrimento que enfrentamos”, desabafa dona Lucineide.
Uma ideia que deu certo Os tempos difíceis que se retratavam no reaproveitamento de tudo que a família de seu Biral e de dona Lucineide consumia, fez com que surgisse uma nova alternativa: construir uma cacimba em busca de água para a plantação. E assim, com muito esforço o seu Biral construiu ao mesmo tempo três cacimbas. O trabalho foi difícil, mas ele não perdeu a esperança e coragem de proporcionar à família, melhor sustentabilidade. Quando encontrou água não perdeu tempo, começou logo cultivar as plantações.
Culturas trabalhadas na área
Com as cacimbas e com a chegada do inverno o plantio aumentou entre mais de vinte tipos de frutas: banana, mamão, laranja, limão, tangerina,
Ceará
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Ceará
graviola, ata, acerola, maracujá, goiaba, cana, carambola, manga, noni, abacaxi, urucum, açaí, cajarana, umbu, seis tipos de hortaliças e outros. Muitos não acreditavam nesta ideia, mas seu Biral foi perseverante e garantiu em seu quintal o sustento da família, “O pessoal dizia, não dá água não. “Eu tenho fé e coragem”, dizia o agricultor. Além das cacimbas, a família de seu Biral foi beneficiada com duas cisternas de placas, uma de 16 mil litros de água para beber e cozinhar, do Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC) e uma calçadão, com capacidade de armazenar 52 mil litros de água para produção, do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA). A nova tecnologia foi A água que garante o cultivo das plantas implementada pela Organização Barreira Amigos Solidários (Obas), Unidade Gestora Territorial (UGT), que também acompanha e orienta o manejo dos recursos naturais. Essas tecnologias são os principais recursos da família, que aproveita cada pingo d'água para produzir. Atualmente a família se alimenta com a produção agrícola do quintal e vai fornecer frutas para a merenda escolar, que servirá para a alimentação dos próprios filhos. Com a nova cisterna querem fazer uma plantação de maracujá em torno da casa.
Destino certo para os resíduos sólidos Além de trabalhar no plantio de alimentos, seu Biral se preocupa com a reciclagem, fazendo a coleta seletiva de plástico, vidro, papel e ferro. E assim, o sertanejo vai se preocupando com a preservação ambiental, seu principal local de trabalho. A experiência de seu Biral e de dona Lucineide é de grande importância. Fortalece a autoestima de famílias sertanejas, evita o êxodo rural e reanima as expectativas em relação a um futuro feliz. “Eu tenho dois sonhos: aumentar mais o quintal e comprar um carro para trabalhar com venda de produção e reciclagem, o resto a gente corre atrás”.
Conhecimento de pais para filhos
Apoio:
www.asabrasil.org.br