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Canteiros econômicos: família agricultora inova com economia de água

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Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas

Ano 6 | nº 108 | março | 2012 Massapê - Piauí

Canteiros econômicos: família agricultora inova com economia de água Chegando à comunidade Baixio do Deca, localizada a 18km do município de Massapê/PI, percebemos logo as mudanças provocadas pelo período chuvoso, alterando as cores, a vegetação e trazendo alegria para as famílias agricultoras. Uma dessas famílias beneficiadas é a de José Bernardino da Silva Neto, conhecido como Zé Filho, casado com Antonieta e pai de três filhos (Gilvan, Jaiane e Jaine). Ele mudou-se para a comunidade ainda em 1976, aos seis anos de idade. Zé Filho ajudou o pai na construção da casa e da comunidade, juntamente com os quatro irmãos, pois foram umas das primeiras famílias a mudar-se para o Baixio do Deca, recebendo esse nome em homenagem ao seu pai, José dos Santos Filho, conhecido como Deca.

A felicidade de Antonieta, Zé Filho e o sobrinho com a nova realidade

Atualmente, 18 famílias moram na comunidade, e sobrevivem da agricultura familiar através do plantio de feijão, milho, caju, hortaliças e algodão. O cultivo dos produtos é facilitado pela proximidade com a barragem ingazeira, mas em períodos de estiagem, a barragem seca, dificultando a vida das famílias que tinham que buscar outras alternativas de sobrevivência. Uma das possibilidades encontradas pela maioria dos homens da comunidade, por muito tempo, foi viajar para São Paulo/SP. Na cidade, as possibilidades de trabalho foram o corte de cana, fábricas e indústrias, e postos de gasolina. Zé Filho conta que viajou em busca de trabalho durante quatro anos (1988, 1990, 1997 e 2000), mas com a chegada dos programas da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Brasil), esse quadro começou a mudar. Ele explica que, através da ASA, foi beneficiado, primeiramente pela cisterna de beber, com capacidade para armazenamento de 16 mil litros de água para consumo humano, no ano de 2004. Desde então, o reservatório é cheio durante o período de chuvas, abastecendo a família durante os sete meses de estiagem. Cuidados com a cisterna para garantir água de qualidade

Piauí


Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas

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Com a tecnologia, as famílias da comunidade Baixio ganharam uma nova oportunidade de permanecer na terra onde vivem, onde construíram suas casas; pois a cisterna possibilitou água de qualidade para beber, bem diferente da água de cacimba consumida antes da chegada da tecnologia. A água da cacimba era imprópria para o consumo humano, causando prejuízos à saúde, e provocando sintomas como dores de barriga, diarréia e vômito em crianças, adultos e idosos da comunidade. A cisterna-calçadão, com capacidade para acumular 52 mil litros de água para produção de alimentos, ficou pronta no ano de 2011, através do programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), Parceria na vida e nos cuidados com o canteiro econômico em um trabalho de mutirão que incentivou a solidariedade na comunidade. A tecnologia contribuiu para o aumento da renda da família, pois possibilitou a construção de canteiros econômicos junto ao calçadão para o cultivo de alimentos. Dona Antonieta mostra com orgulho o cultivo de hortaliças, ela acompanha cuidadosamente a produção de cheiro verde, tomate, pimentão, alface, couve, pimenta, mamão e limão. A expectativa dela é que os produtos cresçam para que a família possa consumir alimentos orgânicos e de qualidade. Zé Filho construiu três canteiros econômicos e inovou adotando um sistema de irrigação, através de uma caixa elevada em base com duas paredes de 3,5 m de altura e 1m de largura, com blocos de tijolos de 8 furos com capacidade de armazenar 450 litros de água que chega diretamente da cisternacalçadão. A água é distribuída por gravidade, através de tubos de PVC, e cai diretamente nos canos dos três canteiros econômicos. Dona Antonieta explica que o calçadão é limpo diariamente para não sujar a água, e quando para de chover, ela interrompe a passagem da água do calçadão para a cisterna, evitando que a sujeira seja levada com a água. Os canteiros também são acompanhados cuidadosamente. A inovação do caráter produtivo do casal atingiu também a estruturação do galinheiro da família que foi cercado por telas evitando que as aves danifiquem os canteiros; prova de que os conhecimentos adquiridos pelos momentos de formação do P1+2 estão sendo adaptados, possibilitando novas formas de convivência no semiárido piauiense. Para o casal, as cisternas possibilitaram não apenas água de qualidade para beber e produzir alimentos, mas facilitou a rotina diária das atividades domésticas, trouxe novas possibilidades de geração de renda e qualidade alimentar, além de novas perspectivas de vida para a família, que acredita no futuro dos filhos e da comunidade.

Galinheiro é cercado por telas

Apoio:

CÁRITAS

www.asabrasil.org.br

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