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Manejo do Água na propriedade de Seu Lucas e Dona Maria

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Ano 1 | nº 23 | Julho | 2007 Soledade - Paraíba

Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas Projeto Demonstrativo

Manejo do Água na Propriedade de Seu Lucas e Dona Maria Seu Aluísio Mendonça de Arruda, mais conhecido por seu Lucas, nasceu e se criou no sítio Lajedo de Timbaúba, em Soledade. Há 22 anos casou-se com dona Maria Salete Oliveira Arruda, que nasceu em Pocinhos. O casal teve três filhos e todos moram no sítio de 21 hectares que compraram, em 1979, quando ainda eram recém casados. Desde então, seu Lucas conta que eles vêm aos poucos ajeitando as terras e que ainda tem muito a trabalhar. Construíram a casa, cercaram o terreno, cavaram um barreiro, brocaram o mato para plantar milho, feijão, fava e algodão. Construíram o armazém, o curral. Plantaram o campo de palma. Logo quando construíram a casa, fizeram também uma ampla cisterna, capaz de armazenar 16 mil litros de água. A cisterna desde então vem reservando a água do gasto da casa. Dali eles retiram a água de beber, cozinhar e banhar. É a ág u a q u e també m molha as plantas do quintal que dona Salete zela diariamente e também a água que lava as roupas de casa. Cuidadosa, dona Salete não deixa formar poças de água debaixo do jirau e reserva a água servida numa bacia. Depois, essa água vai refrescar sua criação. A cisterna é abastecida com água que cai do telhado, mas também com a água do tanque grande. Esse tanque fica em terras de herdeiros, parentes de seu Lucas, onde todos podem usufruir desta água. É um tanque bem grande que recentemente colocaram também peixes para criar. Apesar de ser um tanque grande não é raro terem que buscar água em outros lugares ou mesmo terem que comprar água de foraPara os animais, a família oferece a água de um barreiro que também foi construído na época em que ali chegaram. O barreiro armazena uma água que é doce. Essa água também pode ser guardada na cisterna nas épocas mais críticas para também ser usada em casa.


Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas

Projeto Demonstrativo

Quando a água do barreiro seca, entre os meses de dezembro e janeiro, seu Lucas dá para seus animais a água do poço artesiano que foi construído em seu terreno na seca de 1999, na luta da seca, com recursos do governo federal. Esse poço nunca secou desde então, porém sua água é salobra. Por ser salobra, essa água pode apenas ser utilizada para lavar roupa, caso a família precise usar outras fontes de água. No roçado, a família também aproveita bem a água. Seu Lucas conta que sempre corta o chão para plantar na posição contrária à passagem da água. Conta que assim a água não leva a terra e também demora mais para passar. Mas a grande inovação da família foi a construção de uma barragem subterrânea. Depois de uma visita realizada por uns vizinhos, seu Antônio Bento e seu Inácio Tota ao Caatinga, em Ouricuri, eles descobriram e trouxeram para região essa tecnologia. Seu Lucas resolveu então desenvolver também essa experiência em sua terra. Com ajuda de seus companheiros, seu Lucas escolheu o melhor terreno e começou a construir no final de 1999, mas só terminou no início de 2001, por causa de um inverno forte que atrasou a construção. É muito trabalhoso, conta seu Lucas, as coisas são difícieis, mas temos sempre que lutar para guardar mais água. A barragem subterrânea mudou bastante a vida da família. Hoje tenho até ração verde em pleno mês de novembro e dezembro. Tenho feijão, milho, horta, banana, goiaba, graviola, pinha, tempero tudo plantado na barragem. E ainda quero plantar mais, completa feliz seu Lucas. Tem planos ainda de fazer um poço amazonas na área da barragem que nessa época está ainda cheia de uma água fina e doce. Acredita que com o poço podem aproveitar melhor a água que fica guardada dentro da terra. Essa é uma idéia que já foi aprovada por outros vizinhos. E até o final de 2002, foram construídas 6 barragens subterrâneas no sítio de Lajedo de Timbaúba. A família pretende melhorar ainda mais o armazenamento de água de beber e cozinhar. Seu Lucas já fez a conta, são necessários 30 mil litros de água para passar o ano, ou melhor, de um inverno ao outro. O cabra que vive numa situação de seca, se aparece uma idéia boa é então a motivação para fazer e testar algo novo, ensina seu Lucas. É com essa motivação que a família nunca para de trabalhar e está sempre atenta a novas idéias.

Coletivo Regional Cariri e Seridó www.asabrasil.org.br


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