Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Ano 5 | nº 76 | Abril | 2011 Francisco Badaró - Minas Gerais
Protagonismo que Gera Renda e promove a Soberania Alimentar Há alguns anos, Dona Raquel, de 63 anos, moradora da cidade de Francisco Badaró, vivia preocupada, pois a água estava cada vez mais difícil na sua comunidade, que se chama Mocó e fica a 14 km da sede da cidade. As poucas coisinhas que ela plantava perto da vazante, a 2 km da sua casa - que ela percorria a pé todos os dias - que rendiam cada vez menos . Até que ela e mais algumas famílias da comunidade foram mobilizadas para receber programas da ASA de captação da água da chuva, conseguindo a Cisterna de Placas do P1MC e a Cisterna Calçadão do P1+2. Junto com a Cisterna Calçadão, Dona Raquel recebeu o Caráter Produtivo para iniciar sua produção. O sistema implantado na sua casa é tão simples quanto barato, feito com uma mangueira de gotejamento que utiliza a água da cisterna para irrigar o canteiro econômico, onde é colocada uma lona debaixo da terra, que ajuda a economizar a água que fica por mais tempo ali. Ela recebeu também mudas de árvores frutíferas que ela cuida utilizando adubo orgânico porque não prejudica a saúde e a produção.
Dona Raquel com sua cisterna de placas ao fundo
Assim como seus vizinhos, Dona Raquel aprendeu a lidar melhor com todos esses sistemas e trabalhar sua produção através de cursos de gerenciamento de recursos hídricos e gestão para produção de alimentos fornecidos também pela ASA. Seu filho Jurandir, que ia de vez em quando até a comunidade onde nasceu para visitar a mãe, passou a ir todos os dias para ajudá-la na produção, assim como a vizinha e parceira Dona Narcisa, que também produz dessa mesma forma em sua casa e ainda ajuda a amiga.Rapidinho ela e a família começaram a produzir, e viram seu quintal se enchendo de vida. 'Eu só queria ter muito mais tempo de vida pra aproveitar tudo o que tem aqui agora, mas tudo o que não pude aproveitar minha neta vai poder' diz. Hoje eles já contam com plantações de feijão, café, milho, mandioca, batata doce, banana, laranja, alface, coco, quiabo, coentro, e plantas medicinais, com os quais conseguem preparar um banquete para qualquer um que venha visitá-la com o orgulho de ser fruto do seu próprio suor. Canteiro econômico
Minas Gerais
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Liderança que Transforma Com a produção a pleno vapor, Dona Raquel começou a mandar hortaliças para sua sobrinha, Cristina, que mora na comunidade Tocoiós. Ela vendia de porta em porta e dividia o lucro com a tia. Mas elas sofriam muito para conseguir vender a produção. Até que um dia, elas perceberam que o espaço que seria destinado a quadra poliesportiva não era utilizado e ficava o tempo todo fechado. Foi aí que o espírito de liderança de Dona Raquel aflorou e com o apoio do sindicato dos trabalhadores rurais de Francisco Badaró e a Associação de Moradores da Comunidade Mocó, ela resolveu reivindicar a utilização do espaço para a abertura de uma feirinha ali. Com muito esforço a feirinha foi instaurada e os agricultores da região não precisariam mais “levar sol na moleira” para escoar aquilo que conseguiam produzir.
Dona Raquel e Narcisa na feira de domingo em pleno movimento
Todo mundo só ganhou e, segundo Narcisa “O que mais vende são as folhas. Mal chegam aqui na feira e não dá nem pra quem quer. Mas o resto também não demora muito pra acabar porque o povo todo vem comprar aqui”, diz ela agitada entre uma venda e outra. Dona Dita, que vende doces, bolos e biscoitos na feirinha, conta que antes produzia só por encomenda, mas agora que tem a feira a venda é certa aos domingos. Ela ainda atende as encomendas, que agora são bem mais freqüentes, pois a propaganda é feita pelos próprios consumidores da feira, que mandam vários artigos da região para seus parentes em São Paulo e outras cidades para matarem a saudade. A feira serviu também para animar mais a farinhada feita em mutirão – uma das tradições da comunidade quilombola - que já tem destino certo, e já têm clientes fixos também, como dona Maria, que mora sozinha na comunidade Tocoiós e como não possui terra o suficiente para plantar, todo o domingo vai fazer suas compras na feira. No final da feira eles acabam trocas entre si e todos voltam para casa com as bacias e os bolsos cheios para complementar o que não possuem na variedade que produzem em casa, como remédios por exemplo. A luta ainda continua, pois o prédio não é próprio e as variedades ainda são poucas, mas os novos feirantes estão cada vez mais fortalecidos e cada vez aparece mais gente, tanto para comprar quanto vender. A esperança de todos da comunidade é que, daqui pra frente, a feira esteja cada vez mais cheia de produtos de qualidade para garantir a soberania alimentar da comunidade.
MARCA UGT ARTICULAÇ Ã O NO SEMI-Á RIDO BRASILEIRO