Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Ano 6 | nº 934 | Set | 2012 São Raimundo Nonato - PI
A força da mulher: Uma história de superação Melhorar a qualidade de vida da família. Foi com esse pensamento que Silvina Miranda Ribeiro, 50 anos, começou a produzir no quintal de casa legumes e verduras, e assim colocar no prato dos quatro filhos e do esposo alimentos saudáveis, produzidos ao alcance da mão. A história da família de Silvana se passa no povoado Calango, localizado a 36 quilômetros de São Raimundo Nonato (PI). A população da região vive a dura realidade de muitas comunidades rurais do semiárido brasileiro: a água para produção é escassa. E cada gota existente do líquido tem que ser bem aproveitada para o consumo. Pensando nisso e vendo como a atividade desenvolvida pela esposa se destacava na Dona Silvina: uma mulher de coragem dinâmica da família, Vital Martins Ribeiro, de 55 anos, esposo de dona Silvina, logo tratou de encontrar uma fonte de água para regar os canteiros e matar a sede dos animais que mantinha nos entornos de sua casa.
A perseverança que contagia Sozinho, ele cavou 16 metros no chão até encontrar água no subsolo da propriedade. O poço cacimbão, comum na região, foi a solução encontrada para amenizar as dificuldades com a falta de água para produção, e logo começou a ser utilizado na manutenção dos canteiros produtivos construídos no quintal de casa. O projeto de dona Silvina dava os primeiros passos.
Água do cacimbão é fonte para a família e vizinhos
O cultivo de cheiro verde que a dona de casa começou de forma pequena cresceu e o casal passou a produzir também tomate, alface, cebolinha, melancia e chuchu, entre outros legumes e hortaliças. Mas não é só isso. Seu Vital disponibilizou a água de sua propriedade para os animais dos vizinhos e ajudou a melhorar também a vida de outras famílias.
Piauí
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A produção do casal tem destino certo: além de entrar no cardápio diário da família, os alimentos que sobram são comercializados na própria vizinhança. “Dentro de casa a gente tem o sossego de não ter que estar comprando muita coisa”, comenta o agricultor. “Nós vendemos o coentro e comemos o que produzimos sem precisar comprar. E eu gosto do ‘movimento' dos canteiros”, conta satisfeita a dona de casa. Dona Silvina ainda se orgulha ao ressaltar que é possível colher espigas de milho verde e garbosas durante a estiagem – basta dedicação e força de vontade. E se a questão é vontade, a agricultora pode se orgulhar do interesse que tem e principalmente Dona Silvina ao lado da neta Raíssa do trabalho árduo realizado sem acompanhamento técnico. “A gente trabalha só com a ideia da gente. Vai dando certo. Mas se a gente tivesse um treinamento, uma pessoa pra explicar melhor, teria mais progresso”, pontua seu Vital, que afirma que o conhecimento técnico somado à experiência do agricultor pode fazer toda a diferença na convivência com o semiárido nordestino, já tão castigado pelos anos de indiferença política.
A experiência passa de geração em geração A família que criou no quintal de casa uma alternativa para conviver com a dura realidade de secas da região de São Raimundo Nonato diz que trabalhar com a terra sempre foi um sonho. A vontade de crescer e produzir aumentou, ficando cada vez maior, e o sonho foi de encontro à força de vontade de cada membro da família. A horta não é grande. O espaço destinado às hortaliças ocupa pouco mais 100 m² distribuídos entre quatro canteiros tratados com afinco.“Aqui somos os dois: quando um sai o outro está no pé [do canteiro]”, diz Vital. Quando chove, a realidade é outra, o verde contagia o espírito dos agricultores e a horticultura se divide com o cultivo de outros plantios. “Quando chove a gente planta feijão, mandioca, milho, mamona. E de tudo eu invento, em tudo em tento proceder. Só não invento [de plantar] mais coisas porque o inverno tem sido meio ‘devagar’”, diz Vital. Apesar do sucesso da iniciativa, seu Vital e dona Silvina pouco alteraram o espaço destinado à horta. Desde que começaram a cultivar o terreno, os canteiros permanecem quase do mesmo tamanho. O motivo é simples: a água do poço cacimbão é a fonte para as tarefas domésticas de toda a família, assim como é também água para matar a sede dos animais do casal e dos vizinhos, além de servir para aguar as plantas próximas à casa. “É muita gente que precisa dessa água”, diz dona Silvina, “mas mesmo assim nós plantamos esses canteiros e vamos levando”. “Tem que investir seja no que for, porque se ficar parado é pior”, ressalta satisfeita a agricultora que ajudou a redefinir a realidade e o futuro de sua família. Apoio:
MARCA UGT CÁRITAS DIOCESANA DE SÃO RAIMUNDO NONATO
Programa Cisternas