Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Ano 6 | nº 956 | Outubro | 2012 Lagoa de São Francisco - Piauí
Sustentabilidade que vem do campo Já faz algum tempo que o casal de agricultores José Pereira da Silva, 47 anos, e Francisca de Araújo Pereira, 43 anos, moradores da comunidade Engano de Baixo, no município de Lagoa do São Francisco, deixaram de comprar verduras, legumes e frutas no mercado. O que plantam no quintal de casa dá para o sustento da família, para a venda e ainda para doar aos vizinhos mais próximos. Uma história diferente da vivida por eles há alguns anos, porque sem água para a produção, essa era uma realidade distante, mas hoje o casal mostra que com força de vontade, alternativas para conviver com a região semiárida e políticas públicas participativas, os homens e mulheres do campo podem ser protagonistas de sua própria história. O casal de agricultores sempre viveu na região e se conhece desde criança. Seu Zeca de Seu José e Dona Francisca já não precisam mais comprar Barro, como é mais conhecido Seu José Pereira, verduras na feira, hoje são eles vendem. conta que aos 23 anos começou a viajar para buscar trabalho em outras regiões, mas há 20 anos resolveu parar de procurar oportunidades em outros lugares, se casou com Dona Francisca e se fixou na comunidade onde hoje vive com ela e seus seis filhos Leandro, Maria das Dores, Francisco, Tadeu, Francisca e Antônio Marcos. Para sustentar a família, voltou a trabalhar com a terra, a renda da família vem da roça onde planta milho, feijão, arroz e da criação de pequenos animais. Com o tempo e através de um projeto da associação Comunidade Kolping Engano de Baixo com o Governo do Estado, ele e três amigos trabalham com apicultura na comunidade, a sua parte da produção do mel também complementa a renda da família. Dona Francisca explica que a dificuldade com água na comunidade sempre foi um problema. Para a maioria dos moradores, a água de um poço cacimbão, que fica a cerca de 2 km de distância da comunidade, era o único meio para suprir as necessidades. Já na casa do casal, há 17 anos uma cisterna com capacidade de armazenar 15 mil litros supria as necessidades da família de água para o consumo. Em 2011, com a chegada da cisterna-calçadão, do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), que tem capacidade de armazenar 52 mil litros de água para a manutenção de quintais produtivos, começou uma nova etapa na vida da família. Dedicado, Seu José colocou em prática o que aprendeu sobre Família posa ao lado da cisterna de beber, ao fundo ao técnicas de adubação orgânica nos cursos de cisterna-calçadão.
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capacitação em gestão de água e da terra, proporcionados pelo P1+2, e melhorou suas terras e sua produtividade. O agricultor conta que as visitas de Intercâmbios de Experiências que participou também trouxeram muita aprendizagem para ele, “ porque a gente vê eles fazendo, na prática as coisas que a gente via nos cursos, e fica com vontade de fazer também”. Hoje a área produtiva do casal é referência para visitas de Intercâmbio realizadas pelo Centro Regional de Assessoria e Capacitação (CERAC), entidade que desenvolve o P1+2 na região. Dona Francisca afirma que é com muita alegria que recebe outros agricultores (as) para conhecer na prática as possibilidades conquistas a partir da cisternacalçadão. “ Essa cisterna marcou uma nova etapa na nossas vidas, porque agora tem água pra fazer esses plantios”, diz . No quintal da família tem de tudo um pouco, além da criação de porcos, ovelhas e galinhas, o agricultor repartiu sua área em três partes: das frutíferas, onde ele produz laranja limão taiti, acerola, castanha do Pará, mamão, tamarindo, caju; a área de hortaliças: coentro, pimenta de cheiro, pimenta ardosa, maxixe, abóbora, pimentão, cebola além de outras; e a área de plantas medicinais: capim santo, cidreira, cana da índia - que ele conta que trouxe do Ceará - boldo, romã, o pé de noni; o agricultor também tem um viveiro de mudas. Tudo que produz é vendido na sua própria casa, ou nas feiras que a família participa: “Toda hora o pessoal chega aqui pra comprar alguma coisa, isso é bom porque todo dia dá pra tirar o pouquinho, antes a gente trabalhava da roça e vendia o que dava, mas agora se vende um pouquinho todo dia e todo dia entra algum dinheirinho”, comemora. Em casa a família ainda tem uma pequena venda onde são comercializadas as garrafadas feitas a partir do mel com cascas de algumas árvores medicinais encontradas na região. Seu José conta que algumas plantas como o angico, aroeira, umburana e o noni são misturadas ao mel e auxiliam no tratamento de alguns problemas de saúde como a gripe. Outro produto que o agricultor conta que tem muita saída são as conservas feitas de pimenta, lá ele tem três tipos delas: a pimenta malagueta, dedo de moça e uma terceira espécie que ele nomeou de ‘bunda de grilo’, porque não sabia o nome. “Trouxe ela de um intercâmbio que participei no Castelo do Piauí, o pezinho da bichinha é pequeno, mas fica cheio de pimentinhas, elas fazem muito sucesso aqui, mas as pessoas me perguntavam e não sabia dizer, aí coloquei esse nome, foi o que me veio na hora”, brinca o agricultor. Participar de feiras da agricultura familiar é outra forma de ganhar um dinheiro extra. Seu José de Barro conta que tomou gosto pelas vendas nas feiras, pra ele uma oportunidade de vender, como também divulgar seu produto. Ele garante que todos os seus produtos são agroecológicos, cultivados sem o auxilio de produtos químicos e sempre respeitando a natureza, um diferencial em seus produtos que o agricultor aprendeu a defender muito bem. “Na feira é bom porque a gente também divulga nossos produtos, que são naturais, sem veneno. Eu comecei agora essa vida de feirante e eu estou é gostando. A ultima que participei quando deu 10h eu já tinha vendido quase tudo, e apurei foi muito, mais do que esperava, e aí eu não gastei nada, só o meu trabalho”, comenta o agricultor. Seu José explica que esse ano a cisterna de certa forma salvou a família de passar por um aperreio maior com a estiagem. “O que acho que eu trabalhei bastante aqui, me esqueci dos outros serviços, terminei não limpando, e o pouco que eu limpei se perdeu, porque esse ano a seca foi braba, eu só colhi o que plantei, o que plantei aqui tá recompensando o que perdi. O pessoal diz que não dá pra sobreviver aqui na região, mas dá sim, é só a gente ter sorte, ou melhor, correr atrás desses projetos, ter capricho e arranjar um serviço pra ficar trabalhando aqui, que dá sim pra Seu José produz e guarda as conservas de pimenta, mel viver, viver e bem”, argumenta Seu José. e garrafadas para a venda. Apoio:
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