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Como abelhas em colmeias, a cooperação sustenta a união

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Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas

Ano 6 | nº 920 | Outubro| 2012 Santana do Acaraú - Ceará

Como abelhas em colmeias, a cooperação sustenta a união Da rosa para o favo e de volta para a rosa. Venham ver como dão mel as abelhas do céu. *Vinícius de Morais

Como as abelhas, aos poucos e sem muita pressa elas foram se chegando, cumprimentando e se organizando nas cadeiras em forma de círculo. “Mulheres que colhem doçura” é a marca registrada que acompanha 20 mulheres da Associação das Apicultoras de Santana do Acaraú do assentamento Alvaçã Goiabeiras. Desde 2004 elas fazem parte da associação e cuidam de mais de 40 colmeias no apiário montado na comunidade. O início desse trabalho não foi fácil, tiveram que enfrentar preconceito da própria comunidade e dos companheiros que não acreditavam que elas teriam a coragem de trabalhar com as abelhas pelo risco que elas causam. A ferroada de uma abelha além de provocar muita dor, ocasiona inchaços na área afetada, causando muito desconforto. Quem apresentou a proposta de cultivar abelhas foi dona Suzete Silva, membro do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras

Grupo de Mulheres de Alvançã Goiabeiras Santana do Acaraú

Rurais de Santana do Acaraú. Ela participou de uma oficina que falava do cultivo de abelhas, achou interessante, diferente e levou a proposta para comunidade. A princípio a proposta não foi bem aceita pelo medo e preconceito com as abelhas, prática nada comum na região, mas decidiram experimentar a ideia.

Apiários onde as mulheres colhem o mel

Não tinham equipamento algum para começar o projeto. Ficaram sabendo que na comunidade de Pé do Morro em Massapê havia colmeias e equipamentos que não estavam sendo utilizados e pediram como empréstimo. Buscaram o que precisavam e tocaram a ideia pra frente. Aos poucos elas foram perdendo o medo, se familiarizando, organizando e participando de capacitações sobre apicultura, reflorestação, cuidados com a natureza e formas de comercialização do mel. Fizeram algumas

Ceará


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campanhas, bingos e rifas, conseguiram adquirir seus próprios equipamentos e devolveram os que tinham pego emprestado. O trabalho com abelhas exige agilidade, cooperação e cuidado principalmente para não serem picadas. Elas contaram com ajuda de várias organizações como Esplar, SEBRAE, Prefeitura, além do próprio Sindicato dos Agricultores/as de Santana do Acaraú e da Associação dos pequenos agricultores/as de Alvaçãn Goiabeiras, onde buscaram conhecimento. Algumas relatam que o trabalho com as abelhas tem sido uma terapia, aos poucos elas foram se adaptando e conseguindo transformar as situações de angústia e sofrimento em prazer, De duas em duas vestidas com seus macacões de brim trabalho e autoestima. “Cuidamos de forma branco, capuz , máscara e fumigador diferente, é um momento que tira nosso estresse. Estando aqui ocupamos a mente e não concentramos nosso pensamento nos problemas” conta Liduína Rocha da Silva, atual presidente da Associação das Apicultoras de Santana do Acaraú. Para Suzete Silva cuidar das abelhas requer amor. “Com essa experiência aprendi a amar ainda mais as pessoas e a natureza”, relatou. Além disso, Dona Suzete conta que o grupo mudou muito depois dessa experiência. Mudanças que acrescentaram mais união para o grupo, desenvolvimento para a vida das famílias, independência para as mulheres, principalmente financeira. “Antes a gente vivia isolada, triste, hoje estamos mais em grupo, gostamos de estar unidas. Somos como as abelhas, andamos em enxame”, brincou. De duas em duas vestidas com seus macacões de brim branco com capuz e máscara e uso de um fumigador, chamando a atenção por onde passam, elas se dirigem até as melgueiras para o ritual da coleta que exige bastante cuidado para não perder as características originais e qualidade do mel. Uma parte do material coletado fica na casa de dona Liduína e a outra parte na casa de dona Francisca onde o mel é processado em grandes tanques de alumínio (centrífugas) até ficar puro, sem restos de favo e daí são embalados e comercializados nas feiras. O mel é repassado ainda para o município que encaminha para as escolas como complemento na merenda escolar das crianças. Com o dinheiro arrecadado elas partilham uma parte entre si e a outra parte vai para uma reserva em uma conta bancária para compra de novos equipamentos e outras necessidades do grupo. Mesmo com todo esse trabalho nem sempre dá pra garantir uma boa reserva de dinheiro e esse ano a coleta não foi satisfatória. Com a estiagem a produção das abelhas diminui por falta de alimento. Nesse período as mulheres visitam as melgueiras a cada dois dias para alimentar as abelhas com uma garapa feita a base de açúcar e água. Em tempos bons de chuva e floração dos cajus elas chegam a colher 100 litros de mel por colheita. Mesmo assim elas não se importam com o tempo ruim, e ainda querem muito mais. Elas agora lutam pela construção da “Casa de Mel”, espaço para fazer todo trabalho de manipulação do produto e que exige instalação adequada, higiene e condições ambientais. “Temos consciência de que essa forma não é a mais correta, mesmo fazendo com cuidado precisamos da nossa casa de mel”, ressalta Liduína. Assim como as abelhas, essas mulheres não se cansam de trabalhar e acreditam que o grupo dará voos cada vez mais distantes e ousados.


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