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Banco de Sementes da Comunidade Canto

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Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas

Ano 4 | nº 63 | maio | 2010 Serrinha- Bahia

Banco Sementes da Comunidade do Canto No município de Serrinha, uma comunidade Formas de desenvolve uma prática que tem garantido a Armazenamento: produção de agricultores e agricultoras familiares. É o Banco de Sementes, criado na Comunidade do Canto, que fica 14 km da sede, desde ano de 1992. Seu Antônio Rocha, agricultor familiar que é responsável pela gestão do banco e sua irmã Dona Tereza Rocha, Garrafa Pet contam como essa experiência teve início.

Silo

A comunidade tinha a prática de armazenar no depósito da casa de farinha particular e recebia o acompanhamento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER). No ano de 1992 foi implantando o banco. Em 1994, como conta Dona Tereza, agricultora familiar e atual presidente da Associação dos Pequenos Agricultores e Agricultoras Familiares do Município de Serrinha (APAEB), veio o período de escassez e o Movimento de Organização Comunitária deu o reforço, com as capacitações e a doação de quatro sacos de feijão. Nessa época eu fazia parte da associação de moradores da comunidade, lembro que a APAEB, nos ajudou através de cursos de armazenamento e seleção da semente e nós começamos a adquirir essa consciência da importância de preservar as sementes crioulas daqui da região.

O funcionamento do banco No início eram 15 famílias, hoje são 45, como explica seu Antônio. Já teve mais pessoas participando, porém houve anos em que as chuvas foram escassas, o que diminuiu o número de famílias, mais a gente acredita que esse ano aumente mais. Temos feijão carioca, feijão mineiro, feijão preto e milho. A pessoa que recebe 10 litros de feijão para o plantio devolve vinte e cinco por cento a mais, ou seja, doze litros e meio. Os dois litros e meio de acréscimo ficam para a nova família que vai entrar.

Seu Antônio Rocha fazendo a distribuição das sementes

No período do final de abril até inicio de maio é o período das chuvas, em que a gente faz a distribuição, e a devolução é no mês de setembro a outubro, período da colheita. O armazenamento é feito em recipientes e sem o

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uso de conservantes químico. Armazenamos em silos e dornas, mais não usamos produtos químicos, somente pimenta do reino e alho, para que não dê praga, gorgulho. Na mesma época que construímos o armazém compramos o silo, dois deles foram doados pela APAEB. Sobre as vantagens de guardar sementes de forma coletiva seu Antonio não tem dúvida. “Essas sementes são de grande importância para gente, aqui é uma semente que a gente já tem, porque plantamos por todos os anos, é uma semente que conhecemos, se pegar uma semente diferente não saberemos se vai dar certo aqui nessa terra. A grande vantagem é essa, as primeiras sementes que foram armazenadas são da própria comunidade, as que não eram a gente foi deixando de plantar, só plantamos o feijão mineiro, carioca, porque são mais adequados para essa terra”. José Renato pegou 30 litros para o plantio

Tem várias famílias que sempre falam que não sabem o que seria se não fosse esse banco de sementes, é o que diz o casal José Renato Oliveira de Jesus e a esposa Antonia, que fazem parte do banco desde 1994. “Guardamos feijão e milho, para a gente é importante por que temos onde armazenar a nossa semente, todo ano assim que a gente tem, vem logo aqui para guardar, antes quando não tinha era difícil porque a gente ficava sem ter onde armazenar, deixava em casa, no saco, e quando chegava o tempo de plantar a semente estava ruim, aí tinha que comprar outras. Estou pegando 30 litros, mais ano passado deixei 38 litros, deixamos a mais porque sempre tem alguém que precisa”. Quem não participa do banco, armazena em casa, de forma individual, em garrafa pet, nos anos de seca já ocorreu que as famílias não tinham condições de devolver vinte cinco por cento, somente a metade do que foi pego. A APAEB é uma das entidades que contribui para a experiência da comunidade, através da doação de silos, sementes, e de cursos. Nos cursos foram mostradas técnicas de armazenamento em garrafa pet, em depósito, sem agrotóxico, usando apenas cinzas, pimenta do reino triturada, alho e areia. Enche a garrafa com a mistura, sem deixar que o ar fique dentro, isso é importante porque a semente não apodrece, ensina Dona Tereza

Identidade da Comunidade

Dona Tereza, faz arte com a mandala de sementes

Ela também fala que os moradores da Comunidade, entendem que o banco só deve atender à Comunidade, por ter sido iniciativa do local. Para gerenciar o banco não é fácil, por que lidamos com pessoas, para fazer parte é preciso uma seleção, primeiro fazemos a escolha da semente, aquela que percebemos que não vai germinar tem que ser eliminada, a semente tem que está sequinha, quando chega molhada muitas pessoas voltam para secar e selecionar. Aí tem gente que se aborrece e não quer fazer parte, tem pessoas que pegam e não devolvem e aí não tem como receber no próximo ano. A gente quando começou não tinha essa noção do que era a semente crioula da comunidade, por isso recebíamos a semente de fora sem questionar, o que prejudica o plantio, deixa doenças, hoje às pessoas estão mais conscientes e não trocam a semente do banco por de outra região.

Apoio:

MARCA UGT www.asabrasil.org.br

Secretaria de Segurança Alimentar Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome


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