Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Ano 6 | nº 949 | novembro | 2012 Aracatu - Bahia
Chapéu de couro: símbolo do povo nordestino No Semiárido brasileiro, o povo enfrenta a se ca co m cri a ti vi d a d e p ro d u zi n d o verdadeiras obras de arte. O artesanato é marcado pela força da tradição de sua cultura, sendo a expressão mais genuína da autenticidade popular. Sendo assim, a produção artesanal se revela através das mais variadas formas. No sertão, o chapéu de couro remonta a dura tarefa de amansar o gado da caatinga, depois de curtido e trabalhado pelas mãos dos artesãos, o couro é transformado em produtos utilitários para o homem sertanejo. A 80 quilômetros do município de Aracatu – Bahia, na comunidade Lagoa das Caraíbas A família do senhor Lafaiete. 2, residem 9 famílias, sendo uma dessas famílias a do Senhor Lafaiete Alves de Lima de 59 anos, que reside com sua esposa dona Elizabete de Deus Almeida de 51 anos e seus filhos: Jacson (29), Ancelmo Aparecido (27), Ricardo (22), Cremilda (26), a nora Suelene Gomes (26), e suas netas Jaqueline (6) e Joice (4). O Senhor Lafaiete é proprietário de uma fábrica de chapéu de couro, onde ao lado de seus três filhos e de sua nora produzem o artesanato típico da região e contribui para o sustento da família. Conta seu Lafaiete: “A renda é baixa, mas não tem outro meio para sobreviver e a nossa maior dificuldade é enfrentar a falta de energia elétrica e a falta de maquinários, pois só temos uma máquina de pedal antiga e a energia solar que mal dá para a iluminação”.
Na fábrica, o trabalho em grupo garante a produção e renda à família
Há 46 anos, a fábrica funciona ao lado de sua casa, desde a época de seus avós, passando de geração em geração. No início, havia um rebanho de cabras e ovelhas que eram criados para a retirada do couro, no momento certo, usava se o sal, esperava-se curtir, para assim produzir chapéus. Com o tempo, essa prática foi sendo abolida, devido aos poucos recursos para a manutenção do rebanho: criatório apropriado, falta d' água e alimentação, sendo que hoje a matéria prima vem de outra cidade.
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Jacson, responsável pela administração da fábrica, compra couro em Feira de Santana-Ba, comercializa os chapéus em várias cidades circunvizinhas e em uma cidade do Norte de Minas Gerais, sendo essa última, comercializada através de um amigo. Em média uma pessoa faz de 5 a 6 chapéus por dia. “Tudo o que fazemos vende e eu me sinto muito feliz. Fazemos com muito amor por isso é de boa qualidade. Afinal é o nosso meio de sobrevivência”. Ressalta Jacson. O processo de produção, segundo Jacson, se dá através de várias etapas: a Jacson, à direita, responsável pela administração. começar pelo tratamento do couro, a limpeza (para retirar o cheiro forte), o corte e a partir daí o processo final: lixar, carimbar, colar, costurar e engomar. Todos os envolvidos nesta bela arte têm um grande sonho: receber energia elétrica (já existente há 2 quilômetros da fábrica) e fazer um financiamento para a melhoria da fábrica e consequentemente da qualidade de vida de todos. A família ainda cria gado, cavalo, porcos, ovelhas e galinhas. Mesmo com a falta d´água dona Elizabete faz o cultivo de alimentos livres de agrotóxicos, em sua “horta”que cuida diariamente com muito carinho. Em períodos de chuvas, plantam milho, feijão e palma auxiliando também na alimentação. O grupo já foi beneficiado, há algum tempo, com a cisterna para consumo humano do Programa Um Milhão de Cisterna (P1MC) e recentemente com a chegada do Barreiro Trincheira do Programa Uma Terra e duas Águas (P1+2), da Articulação de Semiárido Brasileiro (ASA), sendo possível assim aumentar a produção, cultivar melhor a horta e ampliar a criação de animais.
Dedicação do senhor Lafaiete na produção de chapéus de couro.
Apoio:
Programa Cisternas