Itapipoca - Ceará Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
N° 2074
Cisterna nas Escolas
Chegando à comunidade de Sororô, em Itapipoca, é possível ver em meio à paisagem da caatinga uma casa bem branquinha, chega a encadear os olhos quando o sol se aproxima. Quando se chega perto é possível ver os meninos correndo pra lá e pra cá, as meninas se escondendo, os meninos correndo atrás e a professora tentando organizar a fila para o lanche. A comunidade é na região sertaneja de Itapipoca, cidade conhecida pelos três climas; serra, sertão e mar. Sororô é uma comunidade simples, que sempre enfrentou dificuldades, a maior, é claro, o acesso à água. Mas muita coisa vem mudando nos últimos anos, principalmente com a chegada das cisternas de placa, muitos moradores possuem cisternas em suas casas e ter água potável para consumo deu outro aspecto à comunidade, que passou a lutar pela vinda de mais políticas públicas e hoje já possuem uma creche que atende as crianças de Sororô e comunidades mais próximas. A Creche Maria Carmelita de Sousa Teixeira já existe há cinco anos. São cerca de 16 alunos do pré 1 e pré 2, de 3 a 5 anos de idade e funciona atualmente apenas na parte da
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Articulação Semiárido Brasileiro – Ceará
manhã. São dois funcionários da escola; uma professora multidisciplinar e uma funcionária de serviços gerais. O funcionamento da creche, no início, foi bem irregular como nos conta Angélica, diretora da creche: “Diante da situação aqui no sertão, vemos que falta de água sempre foi problema, devido à estiagem, mas a cisterna veio para solucionar essa carência”. A creche da comunidade de Sororô recebeu uma cisterna de placa do Projeto Cisternas nas Escolas, da ASA, em parceria com a PepsiCo. A cisterna de 52 mil litros garante a creche funcionando, não falta mais água para as crianças beberem e nem para cozinhar, como nos conta a Chuí, apelido de Francisca Eliane de Souza Forte, que trabalha na escola: “a cisterna foi uma maravilha, porque eu enchia garrafa pet para as crianças, cheguei a encher 620 garrafas”. Chuí é moradora da comunidade e viu de perto a construção da cisterna. “Antigamente era balde de água na cabeça”, diz. Outra pessoa importante nesse processo de construção da cisterna e que hoje é parte fundamental de seu funcionamento é Seu Neném – Francisco do Nascimento - vizinho da creche, que ajudou na construção: “Eu quebrei o muro da escola para a máquina passar e fiquei ajudando do começo ao fim da construção”. Seu Neném é quem cuida da cisterna e garante seu andamento. “Eu mantenho capinado, lavo, deixo tudo arrumado” e revela “eu tenho um neto nessa creche, fico até sem palavras, da emoção, a gente vê nessa comunidade o prazer de crescer. Quero nada pra mim mais não, tudo pela comunidade”. Os planos agora já são outros, segundo Angélica, o próximo passo é pensar uma maior integração da cisterna com os alunos através de um projeto de quintal produtivo, para que desde cedo as crianças já aprendam a cuidar da água, produzir alimentos orgânicos e manusear a terra onde em breve estarão trabalhando.
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