Ano 7 • nº1108 Julho/2013 Aracatu
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Artesanato: Criatividade e habilidade no Semiárido baiano O artesanato brasileiro é um dos mais ricos do mundo, sendo este, um fator importantíssimo para a valorização da identidade cultural das comunidades, pois gera emprego e renda, além de fixar o artesão em seu local de origem, promove a melhoria da qualidade de vida, contribuindo assim para o desenvolvimento da região. Prova disso é o que acontece na Comunidade Caldeirão dos Cordeiros, no município de Aracatu-Ba. Lá residem há 45 anos, a família de Dona Delzuite Alves Portugal e seus 4 filhos: Marcos, Ivanilson, Clesiana e Vanderval. Todos empenhados na Criatividade e habilidade na produção artesanal. criatividade e na habilidade da produção artesanal, com atividade voltada a agroecologia em busca por novas alternativas de convivência com o semiárido, bem como a geração de renda para a família. Ivanilson conta que necessitou se deslocar, várias vezes para São Paulo e Minas Gerais, devido as dificuldades financeiras da família, ia trabalhar com o pai na construção civil. Em uma dessas viagens, conheceu Embu das Artes, cidade de São Paulo, que reúne vários trabalhos de diversos artistas renomados. Incentivado pelo trabalho dos artistas de rua, com a pintura a dedo, voltou à sua terra para, junto com seu irmão Marcos, produzirem artesanato. “O artesanato surgiu para que as famílias não precisem sair de suas terras”. Os irmãos contam que as dificuldades também eram muitas, devido a falta de energia, sendo os trabalhos todos manuais, sem o auxílio de maquinários. Com a chegada da energia houve diversificação e variedade, sendo produzidos, hoje, aproximadamente 2000 peças, com MDF, madeira, pintura a dedo em azulejo, tela, garrafa pet, vidro, durapox, com bolinha de gude, criação de arte em raiz de árvore seca, grafite, cerâmica, flores, jarros com canudo de papel, ponto de cruz, pintura em tecido e cartaz, além de reaproveitar a natureza de forma sustentável através de: concha, osso, casca de coco, raiz de árvores secas, búzios, sementes de mucunã e pedra. “O artesanato é uma forma de inventar sempre coisas novas”, ressalta Clesiana. Clesiana, Marcos e Ivalnilson, todos envolvidos no artesanato.
Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas
Articulação Semiárido Brasileiro – Bahia
Os artesãos já participaram de vários eventos: Mostra de Arte e Cultura, Conferência Municipal de Cultura, ambos em Aracatu-Ba, Exposição de Quadros em Itapecerica da Serra em São Paulo, apresentação no Sul de Minas Gerais, Jornais, rádios e Exposição na Uneb em BrumadoBa. A renda dos produtos é feita no comércio local e cidades circunvizinhas, através do atacado e varejo. Com comércio amplo, querem avançar mais, pois consideram a produção ainda pouca para suprir as necessidades do mercado. A família relata, ainda, que pensando na sustentabilidade, começou a fazer reflorestamento com árvores nativas e frutíferas preservando e guardando as sementes para gerações futuras. Além do artesanato, Ivanilson está envolvido na apicultura, com abelhas Apis melífera e Jataí, explorando, sempre, de forma sustentável, avaliando os aspectos ambientais, agregando valores aos produtos da colméia e contribuindo assim com a melhoria de vida.
Hortaliças vêm fortalecendo a convivência com o Semiárido Mesmo com a seca, Dona Delzuite, motivada com a produção de alimentos voltada a agroecologia, vem há anos expandindo na produção de hortaliças, com alimentos Produção de alimentos voltada a agroecologia de boa qualidade, saudáveis, de forma diversificada, livre de agrotóxicos, na busca de alternativas de renda para a família. No quintal, ao redor da casa, tem de tudo um pouco, que de longe já se vê os pés de: tangerina, acerola, banana, maracujá, abacate, manga, romã, mamão, café, laranja, limão, goiaba, abacaxi. Em seu canteiro ela planta alface, coentro, couve, cebola, quiabo, salsa, maxixe, pimentão, abóbora, moranga, melão, cenoura, tomate e ervas medicinais, comercializando na própria comunidade. “Meu filho Vanderval ajuda carregar a água para irrigação manual, a água é puxada com bomba elétrica, de um açude que enche o reservatório”. A família pretende ampliar o cultivo de hortaliças, da criação de cabras e galinhas. A agricultora aproveita os arredores da casa, buscando uma sintonia no trabalho sem agredir o meio ambiente. Além disso, o quintal de Dona Delzuite proporciona Marcos, Clesiana, Delzuite e Ivanilson diversidade, resultados que se comprovam na mesa, através dos alimentos, na saúde, na preservação de plantas e sementes criolas, uma vez que tudo que eles consomem vem do quintal, promovendo segurança alimentar à família.
Realização
Apoio
Programa Cisternas