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Espaço do Nascer - Trabalho de Conclusão de Curso - Estela Levino Harakuri

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ESPAÇO DO NASCER uma casa de atendimento à gestante e ao parto humanizado no hospital regional de ceilândia

estela levino hirakuri | prof.ª orientadora: maribel aliaga


Universidade de Brasília Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Trabalho Final de Graduação Projeto de Diplomação

ESPAÇO DO NASCER

Aluna Estela Levino Hirakuri Prof. Orientadora Maribel Aliaga Fuentes

Banca examinadora Prof.ª Carolina Pescatori Prof.ª Joara Cronemberger Prof.ª Mônica Godim Arquiteta convidada

Brasília 2018


Parir

No parto eu parto para uma grande mudança. No parto eu me reparto e me entrego para uma criança.

No parto, faço parte de um todo, mas também de um mundo só meu. Me ligo, religo na força do universo, que é quem tudo nos deu.

Parir é um ato de fé, de entrega, de amor. Para rir quando “seus olhinhos” brilharem de esplendor.

Parir é partir e se repartir em dois, é encontrar-se consigo e com o que vem depois.

Criando laço encontro seu abraço, te vejo, me vejo me parto e me refaço!

Priscilla Soares


INTR ODUÇÃO

UM POUCO DE HISTÓRIA O parto, historicamente, era um momento tido como feminino por essência e, portanto, cuidado somente por mulheres: a parturiente, sua mãe, e a parteira. Embora fosse inicialmente apenas uma acompanhante conhecida na região por sua experiência e habilidade na arte de partejar, aos poucos ganhou respeito na sociedade e teve sua ação regulamentada por volta do século XV. No início do século XVIII, iniciou-se o período moderno da medicina obstétrica e, gradualmente, o interesse pela medicina da mulher cresceu. Durante o século XIX, houve a institucionalização do saber acerca do parto, com cursos para médicos e enfermeiros obstetras e também para parteiras. Sobrepõe-se o crescimento de estudos acerca do parto cesáreo que, posteriormente, alteraram a forma como o parto era visto. As mudanças trazidas pela medicina obstétrica vieram aos poucos, com parco desenvolvimento durante o século XIX e muita rejeição por parte da sociedade. No início do século XX, os médicos obstetras progressivamente conseguiram espaço e o parto hospitalar se tornou padrão a partir da década de 40.

As intervenções durante a parturição aumentaram, e a mulher foi tirada do papel de agente do processo do partejar – que começou a ser visto como um evento patológico – e colocada como paciente. Porém essa visão do parto não era unanimidade no corpo médico, e iniciaram-se pesquisas a favor de um trabalho de parto onde a mulher fosse colocada como sujeito ativo de tal. Fredérick Lamaze, médico francês pioneiro desse pensamento, em 1950 difundiu seu método “Parto sem Dor”, no qual sugeria ações não medicamentosas em favor da diminuição da dor do parto. Posteriormente, outros médicos reforçaram seus estudos, que finalmente chegaram ao que hoje é conhecido mundialmente como “humanização do parto”. A partir dos anos 80, no Brasil, o número de cesáreas era exorbitante e o movimento se fortaleceu, sendo finalmente reforçado pelo Ministério da Saúde, com a criação da Rede pela Humanização do Parto e do Recém-nascido (ReHuNa) e, posteriormente, a Rede Cegonha, além de diversos Cadernos de Saúde Pública com foco na saúde da mulher e do recém-nascido.


JUSTIFICATIVA

O presente trabalho procura atender à demanda tanto do governo enquanto medida de saúde pública quanto das mulheres que querem ter um parto humanizado. Além disso, busca seguir o movimento de humanização dos espaços de saúde, que colocam o paciente como indivíduo de maior importância no processo projetual. A Portaria 985/GM do Ministério da Saúde, instituída em 05 de agosto de 1999, os define como “a unidade de saúde que presta atendimento humanizado e de qualidade exclusivamente ao parto normal sem distócias”. Tal lei passou por revisão duas vezes, a primeira em 2013, ano em que houve 33 projetos aprovados e expectativa de implantação de mais 280 até o ano seguinte. Embora esses números não tenham se efetivado, eles mostram uma intenção do poder público de expansão da área. Até o presente momento há somente com um CPN para atender a população do Distrito Federal, localizado em São Sebastião (Região de Saúde Leste). A construção/reforma/ ambiência de centros de parto normal no DF faz parte das estratégias da Rede Cegonha para modificar o modelo de atenção ao parto. A partir de um projeto de voluntariado promovido pela Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, será possível contemplar mais duas regiões de saúde, ampliando o acesso ao serviço que também estará disponível às moradoras da Região Sudoeste e Centro-Sul do DF. Um dos projetos é a construção de um CPN no Hospital Regional de Ceilândia (HRC), região com o maior número de nascidos vivos do DF e objeto de estudo do presente trabalho.


OBJETO DE ESTUDO

OBJETIVOS

O projeto resultante deste trabalho será um Centro de Parto Normal dentro das dependências do Hospital Regional de Ceilândia. Os CPNs foram instituídos pela Portaria 985/GM do

O presente trabalho procura conhecer as necessidades dos CPNs de forma a atender o parto humanizado em todas as suas facetas, e explorar suas possibilidades através de uma

Ministério da Saúde, e possuem diversos incentivos, como a Rede Cegonha, para a ampliação do seu atendimento. São bem estruturados e contam com um caderno de projeto disponibilizado pela mesma (Anexo I).

proposta para a construção de um deles adjunto ao Hospital Regional de Ceilândia.

Os Centros de Parto Normal (CPN), também chamados Casas de Parto, são pensados para ser um meio termo entre o domicílio e o hospital, promovendo um parto normal

arquitetônicas em um Centro de Parto Normal no Distrito Federal. Para tal, será fundamental entender a conjuntura atual do pensamento acerca do parto e do nascimento, incluindo estudos hodiernos sobre as necessidades médicas

respeitoso, livre de intervenções e qualificando os serviços de assistência. Caracterizado também pela ausência de médicos no local, diversos estudos têm comprovado a eficácia desse modelo de atendimento, tanto para a saúde da mulher como para a do neonato.

Mais especificamente, procura enxergar as necessidades do parto enquanto evento natural, transformando-as em diretrizes

para a saúde da mulher e do recém-nascido. Como resultado principal, abrangendo questões de conforto e diferentes escolhas no momento do parto, objetiva-se apresentar de que maneira a arquitetura pode dar suporte a elas.


R EFER ENCIA L TEÓ RIC O CASA DE PARTO

O primeiro ponto a ser abordado é a diferença de uma maternidade tradicional, com diferentes quartos para trabalho de parto, para o parto em si e para a recuperação, e de um pensamento mais atualizado com um único ambiente: um quarto Pré-parto, Parto e Puerpério (quarto PPP, em inglês, LDRP: Labor, Delivery, Recovery and Postpartum) “expressa a intenção de incentivar a continuidade do processo assim como prover uma solução econômica em termos de espaço” (LEPORI, 1994). Ainda segundo Lepori, é muito importante que as mulheres Figura 1. Caminho imposto para o parto. (LEPORI, 1994)

tenham espaço para se movimentar durante o trabalho de parto. O parto como é visto hoje impõe uma linha reta, em direção à cama do hospital (fig. 1), e em seu estudo a autora observa que as mulheres com mais liberdade de escolha tendem a se movimentar e seguir um movimento circular (fig. 2). Para tal, é essencial que exista um espaço livre para possibilitar liberdade de movimento. Paralelamente, Mondy (2016) apresenta como a domesticidade do ambiente influencia no comportamento das mulheres em trabalho de parto. Elas se sentem mais confortáveis em um ambiente que as lembrem de suas casas, para mudar os

Figura 2. Planta de uma sala de estar genérica e o típico caminho de uma mulher em trabalho de parto. (LEPORI, 1994)

móveis de acordo com a própria necessidade e assim tornar o ambiente não só mais acolhedor em termos de bem-estar, mas também como facilitar o seu trabalho de parto. No plano médico, dado que somente gestações de baixo risco são atendidas em casas de parto, intervenções tais como uso de fórceps e episiotomia são bastante reduzidas, e as remoções para o hospital de referência são mínimas. (SILVA et al., 2013). Isso permite que as experiências das mulheres em casas de parto sejam majoritariamente positivas (SEIBERT; GOMES; VARGENS, 2008), aumentando a procura por esse tipo de local de parto e favorecendo a expansão de gestantes atendidas e, portanto, impactadas pelos projetos de tais estabelecimentos. Por fim, Fourer e Hatier levantaram, a partir dos estudos de Bianca Lepori, elementos que se mostraram importantes para o conforto das mães durante o trabalho de parto, em estudo quantitativo com entrevista a mães que optaram por parto normal. Os componentes arquitetônicos que se ressaltam são: controle da luz, janela com vista para o céu, área para caminhar, área verde e privacidade, especialmente acústica (LEPORI; FOURER; HATIER, 2008).


Em seu estudo, Bianca Lepori desenvolve um modelo de quarto ideal (Figura 3) segundo suas conclusões de pesquisa. Nele podemos ver um amplo espaço vazio ao centro, que permite movimentação da mulher durante o trabalho de parto, expresso pelo movimento circular da mesma. Vê-se também certa variedade de elementos que possibilitam a escolha do tipo de parto que a parturiente pode ter: 1. Banheira; 2. Cama; 3. Cadeira. Os demais elementos são: 4. Equipamento para ressuscitar 5. 6. 7. 8.

Assento/sofá Banheiro Armário Balcão

Ela também se apropria (?) de um desenho mais orgânico na planta, evitando ângulos retos. Por último, mas não menos importante, a presença de um jardim, com variedade na vegetação e uma cerca-viva.

Figura 3. Croquis originais para salas de parto.


ESTU DOS DE CASO - A FU NÇ Ã O DA CA SA DE PA RTO

A casa de parto possui requisitos muitas particulares, Na busca de referências de projeto, pouco foi encontrado de referências de fato arquitetônicas, que tivessem expressão plástica relevante. Portanto, aqui estão presentes somente plantas baixas de casas de parto - que, muitas vezes, era a única informação disponível a respeito da espacialidade dos edifícios.


CENTRO DE PARTO NORMAL (CPN) - PROPOSTA DO GOVERNO

A Portaria 985/GM do Ministério da Saúde, que institui os centros de parto normal, define uma série de pré-requisitos para a construção de novas casas de parto. O projeto aqui apresentado está presente em um documento da Rede Cegonha, “Orientações para Elaboração de Projetos”, que traduz as exigências da lei em um projeto de arquitetura completo, que pode vir a ser construído como modelo base. A partir dele, estudou-se os ambientes mínimos e também ajustaram-se as expectativas do governo com relação aos espaços do parto humanizado. Destacam-se os seguintes aspectos: • Somente um dos cinco quartos possui banheira • Jardins (solários) individuais e um coletivo • Área de deambulação interna • Refeitório nas áreas comuns Autor do projeto:

• Recepção pequena, sala de triagem anexa

Ministério da Saúde

• Todas as funções são voltadas somente para o trabalho de parto e pós-parto

Projeto modelo - não

• Concentração das áreas de apoio ao fundo

construído Área construída: 293 m²

Elementos presentes no quarto: • Cama de casal

Recepção Parto/pós-parto Apoio Jardins Áreas comuns PLANTA DE LAYOUT - ESC.: 1/200

• Barras de apoio • Cadeira de parto • Cadeira de amamentação • Berço hospitalar • Bola de pilates • Pia com balcão • Banheira (em um dos quartos)


BIRTHING CENTRE | CHOSHIELDS STUDIO

Estudo de viabilidade para um projeto de casa de parto “standalone” (separada de uma unidade hospitalar). Programa complexo de uso público adjacente a um edifício existente de uso privado. Layout integra todos os elementos necessários em dois pavimentos devido à pouca dispomibilidade de espaço.

PLANTA DE LAYOUT - PAVIMENTO TÉRREO - ESC. APROX.: 1/200

Destacam-se os seguintes aspectos: Administrativo Jardins Áreas comuns Recepção Pré-natal Parto/pós-parto Espaço educacional PLANTA DE LAYOUT - PAVIMENTO SUPERIOR - ESC. APROX.: 1/200

Apoio

Autor do projeto:

• Salas de consulta e exames pré-natal

Choshields Studio

• Sala multiuso para yoga e atividades para gestantes

Localização e área não informadas Disponível em: http://www.choshields.com/ birthing-center-project/

• Recepção pequena • Espaço de estar para família e crianças • Dividido em dois pavimentos devido à pequena área do lote • Parte administrativa no mesmo edifício • Corredores amplos • Áreas de apoio reduzidas


PROVENCHER BIRTH CENTRE

Projeto de um centro de ensino de saúde integrado a uma casa de parto em Provencher, nos Estados Unidos. Destacam-se os seguintes aspectos: • Ampla área de recepção, com área de espera • Centro de parto com atividades educacionais • Quartos próximos às áreas de serviço, como sala de limpeza, armários. Autor do projeto:

• Área destinada a pré-natal, com salas de consulta e educação.

Matt Jolly, Design Studio 4.1

• Uso de claraboias

Projeto conceito Área não informada

• Ausência de jardins e área de deambulação • Separação, dentro do quarto, da área de trabalho de parto e do estar. Elementos presentes no quarto: • Cama de casal • Cadeiras

Disponível em: http://www.mattyjolly.com/#/ provencherbirthcentre/

Recepção Pré-natal Parto/pós-parto Espaço educacional PLANTA DE LAYOUT - ESC APROX.: 1/200

Apoio

• Armários • Pia com balcão • Banheira (em ambos os quartos)


REFER ÊNCIA CO NCEITU A L ARQUITETURA MODULAR

A palavra “módulo” tem origem no latim, modulus, que significa ‘medida pequena, medida-base, ritmo’. Em arquitetura, é a unidade de medida que regula as dimensões ou proporções que devem ter as diversas partes de uma construção. Na Grécia antiga, a proporção dos elementos da construção clássica era a expressão de beleza e harmonia. A unidade básica - ou seja, o módulo - das dimensões era dado a partir do diâmetro da coluna. A coluna não tinha uma medida universal, suas medidas eram proporcionais dentro de cada edificação. Nas civilização romana, o módulo ganha, além da importância estética, também característica funcional. O planejamento das cidades e o projeto dos edifícios obedeciam módulos com medidas antropométricas - medidas baseadas no corpo humano. Almejando sempre a eficiência, tais medidas foram expandidas também para a padronização dos tijolos utilizados. No Japão, a projetação modular veio para servir a função, e surgiu incialmente como a distância entre pilares. Posteriormente, ganhou também medidas antropométricas: o ken serviria duas pessoas sentadas ou uma deitada. A partir de uma malha desses pequenos módulos, organizados de maneira ordenada, desenvolveu-se a típica organização da arquitetura residencial japonesa. O tatami ganhou medidas padrão, e os ambientes da casa eram projetados de modo tal a receber sempre tatames inteiros. Com a industrialização dos métodos construtivos, o módulo também ganhou característica tecnológica e econômica, otimizando os processos construtivos. Hoje, é amplamente utilizado também para a pré-fabricação, na qual elementos construtivos são produzidos fora do canteiro de obra e trazidos até ele somente para a montagem do edifício.


CASAS-PÁTIO

As casas-pátio são modelos milenares. Na Roma Antiga era a construção residencial típica, pois se adequava ao clima local, e hoje se manifesta também nos edifícios de apartamentos, como é possível ver em cidades europeias. A casa-pátio, enquanto residência moderna, fez parte do repertório de Mies van der Rohe nas décadas de 1930/40 e, hoje, permite diversas interpretações filosóficas e econômicas sobre seus propósitos. Ela é vista como movimento de trazer a transparência de casas de campo para dentro da cidade, no contexto em que os espaços são menores e a privacidade também. Era a ideia de se abrir para dentro, muitas vezes com exterior totalmente fechado, e vemos, assim, a exploração do conceito de individualidade - diferente do individualismo - a partir do indivíduo enquanto sujeito. Além disso, Mies extrapola o conceito de casa-pátio, não mais construindo-a necessariamente ao redor de um único pátio, como tradicionalmente o era. A principal forma que utiliza é o “L”. O conceito que as caracteriza sempre como casapátio é seu o exterior totalmente fechado e a delimitação dos chamados pátios. Foco nos princípios de distribuição espacial sem preocuparse com formas complicadas, estruturas e relação com os arredores. Essa busca acontece também no caso de uma casa de parto. É preciso respeitar a individualidade de cada gestante dentro de um lugar que é semi-público, que ela compartilha com famílias desconhecidas. Dentro do terreno deste projeto, não é tampouco possível abrir-se para fora, onde se encontram outros edifícios e grande circulação de pessoas. A privacidade destaca-se enquanto necessidade de conforto da gestante durante o trabalho de parto.


ESTU DOS DE CASO - A FU NÇ Ã O DA CA SA DE PA RTO

A partir da referência de casas pátio enquanto residências com muito contato com o verde e que se abrem amplamente para o lado de interno, proporcionando privacidade, buscouse referências arquitetônicas em modelos dessa tipologia, com características a serem pensadas também no projeto da casa de parto.


CASA DO PÁTIO | LEO ROMANO Escritório Leo Romano Interiores e Exteriores Local: GO, Brasil Conclusão da obra: 2013 Área construída: 570 m² Tipo de obra: Residência

Elementos a incorporar: - Horizontalidade - Uso de venezianas para controlar a luz e a sensação de privacidade - Espaços voltados para dentro - Cobogós - Entrada negativa volumetricamente

Disponível em: https://www. galeriadaarquitetura.com. br/projeto/leo-romanointeriores-e-exteriores_/casado-patio/1469


MIRAVALLE HOUSE | COLECTIVO 720


Escritório Colectivo 720 Local: Jamundí, Colômbia Conclusão da obra: 2017 Área construída: 275 m² Tipo de obra: Residência

Elementos a incorporar: - Boa relação com o terreno - Pequenos pátios internos - Presença de verde - Maior privacidade nos ambientes - Ambiente aconchegante

Disponível em: https://www.archdaily. com/911926/miravallehouse-colectivo-720


O HOSPITA L R EGIO NA L DE CEILÂNDIA E AR R EDORES

A única casa de parto existente no Distrito Federal atualmente localizase em São Sebastião, atende somente moradoras da região e é referência para as mulheres. A construção/ reforma/ambiência de centros de parto normal no DF faz parte das estratégias da rede pública de saúde, e contempla o Hospital Regional de Ceilândia, terreno proposto para o projeto.

CEILÂNDIA NO DF

Região Administrativa de Ceilândia HRC Casa de Parto de São Sebastião

A escolha deu-se pelo fato de que Ceilândia é a maior região administrativa do DF e também tem o maior número de nascidos vivos em números absolutos - 6.954 em 2015 (dados do RIPSA), além da boa parte da população de baixa condição econômica.


Vias principais Vias coletoras

Mapa em escala 1/20.000

HIERARQUIA DE VIAS


HRC

limite da RA 9 - Ceilândia Mapa em escala 1/20.000

USO DO SOLO

Mapa em escala 1/20.000

CHEIOS E VAZIOS


ZONEAMENTO DO HOSPITAL

O hospital tem seu perímetro todo murado, rodeado majoritariamente de fachadas cegas. A fachada oeste possui os acessos para o hospital, e seu muro é mais baixo (foto), sendo possível olhar por cima dele. À sua frente, uma longa faixa de comércio e serviços, com forte presença de farmácias, venda de produtos hospitalares e clínicas particulares. Além disso, a inclinação do terreno é visível. No lado sul, os edifícios existentes mostram ter uma plataforma, devido ao declive.

LEGENDA A) entrada para o ambulatório B) entrada principal para o hospital

3

C) entrada para emergência D) pronto-atendimento

1) estacionamento privativo 2) estacionamento público 3) quiosques 4) área terraplanada 5) terreno disponível

PLANTA DE ZONEAMENTO DA OCUPAÇÃO ESC: 1/2.500

0

50

100

200 m


Entrada principal

O pronto-atendimento

Os quiosques

Ă€ esquerda, entrada da pediatria, Ă direita, terreno do projeto

Vista do terreno I

Vista do terreno II


O PROJ ET O


O PR OJETO DIRETRIZES DE PROJETO Humanização Humanização é a ação ou efeito de humanizar, de tornar humano ou mais humano, tornar benévolo, tornar afável. No campo das políticas públicas de saúde, ‘humanização’ diz respeito à transformação dos modelos de atenção e de gestão nos serviços e sistemas de saúde, indicando a necessária construção de novas relações entre usuários e trabalhadores e destes entre si. A relação de humanização é naturalmente trabalhada no programa da casa de parto com, por exemplo, um quarto único para parto, pós-parto e puerpério. Além disso, pretendese trabalhar intensamente nas questões internas aos espaços.

Privacidade Como presente no referencial teórico, privacidade é a questão de conforto durante o trabalho de parto mais ressaltada pelas mães ao responder às pesquisas. O grande desafio do projeto será esse, ao conciliar as diversas dimensões do conforto: térmico, sonoro e luminoso.

Domesticidade Diretamente relacionado à privacidade, domesticidade diz respeito à casa e às suas particularidades, mas não só. Nos termos utilizados pelos pesquisadores, especialmente Bianca Lepori, abrange também a sensação de domínio sobre o espaço, o quanto a gestante se sente no poder de modificar o ambiente no qual está, de forma a transformá-lo no mais adequado para o próprio bem-estar. Um dos desafios será equilibrar este fator com a sensação também de segurança de estar num espeço institucional, para que as gestantes se sintam acolhidas e seguras.

PROGRAMA DE NECESSIDADES O programa de necessidades básico de uma casa de parto compreende somente o atendimento ao parto em si – do trabalho de parto às primeiras 48h do puerpério. Para o presente projeto, porém, adicionou-se também espaços para o pré-natal e um atendimento mais amplo para o período após o parto. Primeiramente, junto à humanização do atendimento à saúde, existe também o conceito de ‘desmedicalizar’ a gravidez, para tratá-la como processo natural. Isso se faz necessário dado o fato de que muitas vezes durante pré-natal, com a quantidade de exames feitos, o processo como um todo parece nãonatural. Portanto, tirar esse processo de dentro do hospital, para um ambiente menos inóspito. Em segundo lugar, em pesquisa de campo feita da Casa de Parto de São Sebastião, viu-se a necessidade de um ambiente para a informação das gestantes. Por último, existem diversas atividades para gestantes que podem facilitar o processo do parto, como yoga e a prática de posições para o parto. Para o puerpério, a partir de experiência pessoal, percebeuse a importância de um local de referência para a recém-mãe, onde possa tirar dúvidas sobre amamentação, por exemplo. Além disso, todo o processo da gravidez pode ser desafiador, além de depender de fatores externos. Portanto, disponibilizaria também um espaço para apoio psicológico das mães. Por fim, pensando no processo do trabalho de parto e das necessidades das parturientes, elegeu-se uma série de elementos necessários como: recepção da parturiente e acompanhantes, consultório para avaliação médica e espaço para deambulação (caminhada durante o trabalho de parto), mobiliário que permita diferentes formas de alívio da dor através de posições treinadas com auxílio da doula.


TABELA DE ÁREAS ACOMPANHAMENTO

O Ministério da Saúde disponibiliza um caderno de projeto para Centros de Parto Normal, com recomendações técnicas e requisitos. Dentre as informações contidas, consta uma tabela dos ambientes do programa de necessidades e respectivas áreas mínimas. A tabela a seguir foi feita com base nesse modelo, com algumas alterações. Propõe-se dois quartos PPP a mais (itens 3 a 5), fechando cinco no total, assim como no projeto proposto por eles. Além disso, aos ambientes mínimos do caderno (itens 1 a 18) foram adicionados ao programa de necessidades dessa casa de parto ambientes para receber as gestantes durante o prénatal (itens 19 a 23). Por fim, esta tabela possui as áreas mínimas para os ambientes, podendo o projeto extrapolar esses valores em busca de um conforto ideal. Área de jardins não inclusa. AMBIENTES

O PARTO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18

AMBIENTES FINS Sala de Registro e recepção para acolhimento da parturiente e seu acompanhante * Sala de exames e admissão de parturientes* Sanitário anexo à sala de exames * Quartos para pré-parto/parto/pós-parto - PPP (sem banheira) Quartos para pré-parto/parto/pós-parto - PPP (com banheira) Banheiro anexo ao quarto PPP Área para deambulação (Varanda/solário) interna e/ou externa. Posto de enfermagem* Sala de serviço * AMBIENTE DE APOIO Sala de utilidades Quarto de plantão para funcionários Banheiro anexo ao quarto de plantão Rouparia Depósito de Material de Limpeza Depósito de equipamentos e materiais Copa Refeitório Área para guarda de macas e cadeiras de rodas (ambiente opcional)

QUANTIFICAÇÃO (mínima-um)

ÁREA UNITÁRIA * (mínima-m²)

ÁREA UNITÁRIA * (mínima-m²)

1

12,00

12,00

1 1 2

9,00 1,60 14,50

9,00 1,60 29,00

3

18

54,00

5 1

4,80 20,00

24,00 20,00

1 1

2,50 5,70

1 1 2 1 1 1 1 1 1

6,00 5,00 2,30 2,30 2,00 3,50 4,00 12,00 2,40

2,50 5,70 5,70 6,00 5,00 4,60 2,30 2,00 3,50 4,00 12,00 2,40

19 20

AMBIENTES COMPLEMENTARES Sala de consulta pré-natal Banheiro anexo à sala de consulta

2 2

12,00 1,60

24,00 3,20

21 22 23

Sala de terapia Sala de reuniões/palestras/yoga Sala de yoga

1 1 1

8,00 20,00 20,00

8,00 20,00 20,00

TOTAL

277,40


A U NIDA DE DE PARTIDA - O QU ARTO

O principal componente do Centro de Parto Normal é o “Quarto PPP”, ou seja, um quarto pensado para atender o Préparto, o Parto e o Puerpério. Diferente de uma maternidade, onde a mulher transita de um ambiente a outro durante essas fases, nesse modelo ela permanece sempre no mesmo local, com o objetivo de fazê-la se sentir mais familiarizada com o ambiente. Ademais, esse quarto possui diversos elementos para o conforto durante o trabalho de parto, como iluminação natural e controle da luz, privacidade acústica e mobiliário pensado para as diversas possibilidades da parturição, como o parto de cócoras ou na água. Dada essa importância, o quarto foi a primeira área a ser definida, e partiu-se dele como módulo para composição da planta.

QUARTO COM ORGANIZAÇÃO PÓS-PARTO


1

1

2

2 3

3

4

4 6 6

5

TRABALHO DE PARTO - VARIAÇÃO 1

5 7

TRABALHO DE PARTO - VARIAÇÃO 2

7

Uma das formas de se abordar a domesticidade do ambiente é o domínio e a liberdade sobre o espaço. Portanto, aqui são mostradas algumas variações da disposição dos móveis, de forma que a gestante tenha ou mais espaço interno, ou mais

ELEMENTOS DO QUARTO

visibilizade para o jardim, e também possa utilizar os aparatos da forma que julgar melhor;

3 - CAMA DE SOLTEIRO 4 - BOLA DE FISIOTERAPIA 5 - BARRAS DE EXERCÍCIOS 6 - CADEIRA DE PARTO

1 - BANHEIRA/PISCINA PARA PARTO NA ÁGUA 2 - LAVATÓRIO/TROCADOR

7 - SOFÁ-CAMA 8 - CADEIRA DE AMAMENTAÇÃO 9 - BERÇO


A’

PLANTA B A IXA

Todos os fluxos foram pensados para favorecer a privacidade das mulheres em trabalho de parto. A recepção, ampla, para possibilitar um maior fluxo de pacientes que são recebidas: aquelas que estão indo para consultas de pré-natal ou para palestras informativas e aulas preparatórias para o parto natural - como aulas de yoga e alongamento, ou mesmo instruções sobre como reconhecer o trabalho de parto e o momento de se encaminhar para a instituição de saúde. Para acessar o ambiente em que as mulheres passam pelo trabalho de parto de fato - função fim da casa de parto -, a passagem se estreita, criando uma barreira para os ambientes que de fato atendem ao parto. Uma ampla área de circulação, chamada de área de deambulação (movimentação da gestante durante o trabalho de parto) permite a caminhada, que é um movimento que alivia a ansiedade e também as dores entre contrações. B’

A

B

PLANTA BAIXA ESC.: 1/250

0 1

5

10

O verde é sempre presente, pois é um elemento que ajuda na tranquilização das emoções. Existem jardins abertos e jardins privativos, pois a maior demanda das mães é por privacidade.


ZONEA MENTO

Quartos (sem circulação comum) Pré-natal Recepção Ambientes de apoio Administração/espaço funcionárias Serviços (depósitos, expurgo)

PLANTA BAIXA ESC.: 1/250

0 1

5

10


PLANTA DE CO B ERTU RA

i = 5%

i = 5%

i = 5%

i = 5%

i = 5%

i = 5%

i = 5%

i = 5%

i = 5%

A cobertura é composta por dois movimentos principais. i = 5%

O telhado em águas, com 35% de inclinação, acontece em dois momentos: no primeiro, reforça o fluxo de entrada para a casa de parto e posteriormente para os quartos, reforçando

i = 5%

i = 5%

i = 23%

i = 23%

i = 5%

i = 5%

i = 5%

i = 5% i = 5%

%5 = i

essa função. No segundo, amplia o pé-direito da área de deambulação, criando uma diferença de ambientes para a parturiente transitar durante o trabalho de parto.

i = 5%

i = 5%

i = 5%

PLANTA DE COBERTURA ESC.: 1/250

0 1

5

10


CORTES

CORTE AA’ ESC.: 1/200

0 1

5

10

CORTE BB’ ESC.: 1/200

0 1

5

10


PERSPECTIVA S


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