Uma viagem pelas estorias
Ficha Técnica Título: Uma viagem pelas estórias Âmbito: Projeto Educativo | Concurso de Ilustração «Património e Lendas de Alvarenga» Escola: Escola Básica do Paço - Alvarenga Participantes: Alunos do Jardim de Infância e 1.º CEB Texto: AGA – Associação Geoparque Arouca Ano Letivo: 2020/2021 Promotor: AGA – Associação Geoparque Arouca Parceiros: Município de Arouca, Agrupamento de Escolas de Arouca e Rede de Bibliotecas Escolares Design e Paginação: Oficina ID, Lda Edição: Município de Arouca Impressão e Acabamento: Oficina ID, Lda.
Uma viagem pelas
ESTORIAS
Ao longo deste ano letivo, aprendemos as estórias e a história da nossa freguesia. Da Serra do Montemuro ao vale encaixado do Paiva, conhecemos as estórias da freguesia de Alvarenga. Descobrimos a Carreira dos Moinhos e o Rego do Boi, que passa mesmo ali ao lado. Visitamos o Pelourinho de Trancoso e ficamos a conhecer Egas Moniz, o aio. Vimos a Cascata das Aguieiras a despenhar-se até ao Paiva e a Eira das Bruxas fez-nos viajar para outra dimensão. Ouvimos estórias sobre as Minas da Chieira, no tempo do volfrâmio e o Calhau dos Mouros surpreendeu-nos pela sua especificidade.
Os alunos do Jardim de Infância e 1.º CEB da Escola Básica do Paço - Alvarenga
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O CHILREAR DOS PÁSSAROS, PELA MANHÃ, INDICAVA O INÍCIO DA PRIMAVERA NO AROUCA GEOPARK. EM ALVARENGA ERA DIA DE VISITA DE ESTUDO. - Vamos mãe, não posso chegar atrasada. Hoje é o dia da visita de estudo. - afirmava Rita apressada.
- Calma, ainda é cedo. Estou a preparar o teu lanche. – tranquilizava-a a mãe. - Já estou pronta e combinei com o Luís. Quero ser a primeira a chegar! – reforçou a menina. A caminho da escola encontraram Luís junto ao Pelourinho de Trancoso e a mãe da menina indagou: - Sabiam que este pelourinho era símbolo do poder municipal porque Alvarenga já foi um concelho? - Sim, o meu avô contou-me que, até ao século XIX, Alvarenga era um concelho independente de Arouca. – respondeu o Luís. Chegados à escola, o autocarro já os esperava para embarcarem nesta viagem pelas estórias da freguesia.
A viagem ia animada e os alunos estavam ansiosos por saberem qual seria a primeira paragem. O autocarro parou e os alunos saíram para conhecer a carreira dos moinhos, construídos em xisto e cobertos por ardósia. - Alguém sabe quantos moinhos existem neste local? – perguntou a professora Cristiana. - São 17. Costumo vir aqui com a minha avó moer o milho para depois fazermos boroa – respondeu, prontamente a Maria.
Naquele local ouviam o murmurar da água que por ali passava. - É o Rego do Boi! – exclamou a Rita. - Muito bem! É o Rego do Boi, que nasce aqui perto, junto à Capela do Espírito Santo e passa na nossa escola – confirmou a Professora. Na hora do lanche, sentaram-se junto à capela, no coreto, enquanto a D. Camila, funcionária da escola, contou aos alunos a Lenda do Rego do Boi: - A água da rega sempre foi motivo de disputa entre os habitantes de Alvarenga e os seus vizinhos de Nespereira porque todos queriam a água para si - começou. - Um dia, para pôr fim a estas discórdias, decidiram que a freguesia que primeiro construísse um rego e colocasse um moinho a trabalhar ficaria com essa água. - E quem é que ganhou? – perguntou, curioso, o Rafael. - Bem – continuou a D. Camila – os habitantes de Nespereira começaram a trabalhar, enquanto aqui, em Alvarenga, não se via qualquer trabalho. Assim sendo, o povo de Nespereira começou a relaxar, pois não perceberam que todos os dias, uma mulher passava por eles enquanto fiava.
- Uma mulher fiava? – perguntou a Madalena surpreendida. - Na verdade não era uma mulher, era um homem disfarçado que enquanto fiava, delineava por onde deveria passar o rego. – respondeu a auxiliar. – Depois do trajeto do rego delimitado, o povo de Alvarenga juntou-se e, numa só noite, abriu o rego. – continuou a D. Camila. - Óh D. Camila, então e o moinho? – questionou a Maria. - Boa pergunta. – referiu a funcionária – Os alvarenguenses colocaram um rodízio, com uma mó, assente numa grade de ferro, fazendo com que a água movesse a mó. E, assim, colocaram uma mó a moer – explicou a D. Camila. - Para celebrarem a conquista, os nossos antepassados comeram um boi inteiro e batizaram este rego, como o Rego do Boi. – concluiu a D. Camila.
Seguiram viagem até à próxima paragem. Pelo caminho viram algumas vacas. - Estas vacas são de uma espécie autóctone. – contou a professora. - O que são espécies autóctones, Professora? – Questionou a Luciana. - São espécies que habitam no seu território de origem. A raça arouquesa é natural de Arouca. - retribuiu a professora.
Ei-los, então, chegados aos Passadiços do Paiva. Subiram a escadaria junto à ponte de Alvarenga e viram a Cascata das Aguieiras. - Que cascata tão bonita! – exclamou a Daniela. - Eu já tinha visto esta cascata quando vim passear com os meus pais. – contou o Rui. - Muito bem! - realçou a professora – esta cascata é formada pela ribeira da Chieira, que percorre a freguesia de Alvarenga e, aqui, se despenha até ao Rio Paiva.
- Quem é que sabe onde nasce e desagua o Rio Paiva? – Perguntou a professora Cristiana. Ninguém sabia responder e a professora explicou: - O Rio Paiva nasce na Serra do Leomil, em Moimenta da Beira, e desagua no Rio Douro, em Entre-os-Rios. -Que montanha é aquela que vemos lá ao fundo? – interrogou a Luciana. - É a Serra do Montemuro, onde se localiza o ponto mais alto do Arouca Geopark. – esclareceu a professora. - A quantos metros de altitude está esse ponto? – continuou curiosa a Luciana. - O ponto mais alto está a 1222 metros de altitude. – afirmou a professora.
A aventura continuou e a professora Cristiana contou aos alunos que iam visitar a Eira das Bruxas, um local muito misterioso. - Mas há lá bruxas? – perguntou o Santiago apreensivo. - As bruxas não existem, Santiago – respondeu, prontamente a Ema. - A Eira das Bruxas fica mesmo ao lado da Cascata das Aguieiras e chama-se assim porque as pessoas acreditavam que as bruxas iam para lá dançar todas as noites. – referiu a professora. - Mas porque é que as bruxas iam para esse local? – questionou Rafael. - Porque era um local afastado, de difícil acesso e pouco frequentado e, assim, as bruxas podiam estar à vontade para se divertirem – retorquiu a professora, com um sorriso no rosto.
- A próxima paragem é num sítio muito curioso, o Calhau dos Mouros. – disse a professora - O que é o Calhau dos Mouros? – perguntou o André - É uma pedra muito grande com buracos no interior. – afirmou, rapidamente, o Rafael. A professora confirmou, acrescentando que geologicamente este fenómeno é designado por tafoni. - Como é que a rocha ficou com esses buracos? – indagou a Madalena. - Estes buracos foram provocados pela erosão. Ou seja, o vento, a água e as diferentes temperaturas que, ao longo do tempo, foram desgastando a rocha, formaram estas cavidades. – explanou a professora
De volta ao autocarro, seguiram a viagem rumo às Minas da Gola, um lugar muito importante na exploração de volfrâmio, no concelho de Arouca. - O meu avô era mineiro e trabalhou aqui – disse o Rui, muito orgulhoso. - Muito bem! Deste local saíram toneladas de volfrâmio durante a Segunda Guerra Mundial. – explicou a professora - O que é o volfrâmio e para que servia? – perguntou a Rita. - O volfrâmio é um mineral muito resistente e servia para construir armas para a guerra, por isso é que era muito procurado, em meados do século passado. – referiu a professora.
De regresso à escola, a professora decidiu contar aos alunos a história de Egas Moniz, o conhecido aio de D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal. . A professora referiu que, em Alvarenga, Egas Moniz possuía várias terras e honras, que mais tarde legou ao seu filho, Afonso Viegas, o Moço. No final da visita, todos os alunos estavam de coração cheio porque além de muito divertida, esta visita permitiu-lhes conhecer melhor o património que os rodeia e as lendas que alimentam as tradições e memórias da freguesia onde vivem.
Pequenos Ilustradores Jardim de Infância Educadora Orquídea Rei António Soares de Jesus Beatriz Filipa Vieira Pereira Bruna Soares Silva Camila Sousa Resende Carlos Santiago Soares Carvalho Diego Cardoso Rocha Magina Diogo Filipe Loureiro Mendes Duarte Soares Assunção Eva Vieira Santos Flávia Silva Pereira Gustavo Vieira da Silva Inês de Freitas Mendes José Rodrigues Franco Leonor Ramalho Madureira Luciana Fonseca Soares Maria Eduarda Vieira Rocha Maria Ferreira de Castro Feijó Andersen Marta Pereira Costa
Patrícia Faria Vieira Samuel Fonseca Soares Santiago da Costa Tavares Santiago Sousa Silva Simão Gonçalves Rocha Xavier de Sousa Mendes
1.º Ciclo do Ensino Básico 1º/2º Ano
3º/4º Ano
Professora Emília Costa
Professora Sónia Costa
Beatriz da Silva Cardoso Carolina Patrícia Silva Assunção Carolina Rodrigues Franco Daniel de Sousa Fernandes José António da Silva Pinho Júlia Ferreira Feijó Andersen Leandro Micael Silva Sousa Lucas Soares Silva Rodrigo Almeida da Silva Sofia Faria Vieira Soraia Soares Faria da Costa Tiago Perpétua de Jesus Tomás Fernandes Martins Maria Lento Cardoso
Alexandre Gonçalves Rocha Ana Luísa da Silva Assunção Diogo Filipe Freitas Duarte Duarte Francisco Manuel Montenegro Filipa Oliveira Moreira Francisca Mendes dos Santos Rodrigues de Jesus Gustavo Alexandre Martins Gonçalves Lavínia Torres Fernandes Afonso Sérgio Soares de Jesus