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POUSADA
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cenários políticos de nosso país e é bom lembrar que “o poder emana do povo”. A arma está em nossas mãos e somos todos responsáveis. Que usemos o nosso maior direito de olhar bem abertos, para que outros cafajestes não formem o rumo de nossas vidas. Infelizmente perdemos grandes companheiros de nosso convívio. Estamos procurando aprender a lidar com isso e desejamos forças às famílias enlutadas. Tem uma gata lindíssima enfeitando nosso trabalho. O povo trouxe novamente suas indagações e seus reconhecimentos, e o nosso trabalho tem se consolidado. Nossos agradecimentos aos que participam ou criticam nossa Arautos. Estamos há 82 meses juntos, e temos aval e maturidade para enfrentarmos ou aceitarmos ideias contrárias, que só nos impulsionam a prosseguir. Boa leitura e até a próxima edição! Sandoli Diógenes
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A REVISTA DA FAMÍLIA JAGUARIBANA Todos os direitos reservados. Proibido a reprodução total ou parcial, por qualquer meio, sem a prévia autorização escrita do autor ou da diretoria. Todas as matérias aqui veiculadas, são de responsabilidades de seus idealizadores.
EXPEDIENTE
“Mês 10.” número do mês é 10 e essa é a nota máxima dada a alunos escolares. Alguns utilizam o algarismo para salientar que está tudo bem, mesmo com adversidades que não cessam e que parecem emanar do chão, dar cria. Estamos em contagem regressiva para mais um momento onde a emoção e a comoção farão parte dos nossos dias. Como acontece todos os anos, daqui pra frente as mensagens serão mais brandas, recheadas de uma ilusão que de longe, na prática do dia a dia é valorizada. Nosso interesse não é disseminar a ideologia de que tudo está perdido, afinal o cantor já defendia “Quando tudo está perdido sempre existe uma luz”. Pelo contrário, ainda existe esperança, mesmo que os indicadores queiram apontar o diferente. Estamos “crescendo”, “desenvolvendo”. Só se faz necessário avaliar se as métricas que são utilizadas para embasar isso, tenham algum fundamento que garanta dias melhores. Nossa cidade tem recebido algu-
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em que gostaríamos de falar de doçura, de inocência e de esperança, no mês das crianças. Mas como narradores de histórias da humanidade e “eternos aprendizes” não nos permitimos ficar indiferentes diante dos momentos gritantes vividos pela realidade atual no ambiente social e político da humanidade. A natureza está dando seu recado, “não somos melhores do que ninguém”. Assim como uma massa pobre, desesperada e enxotada de suas raízes pela guerra que só destrói, vaga sem destino, os “poderosos” são também expulsos de seus lares confortantes, pela fúria da natureza. No Brasil o câncer da corrupção, da ambição desmedida pelo poder, transforma pessoas de alto nível em delinquentes que lotam as cadeias de um extremo a outro do País. A política que deveria ser a arte de governar, produz quadrilhas que só pensam em ter e esquecem que “ser” é bem mais louvável. Já começaram a surgir os “grupinhos” que se articulam para formar os próximos
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“Não se esconde o sol com uma peneira.”
Índice 01 Capa 02 Parceiros 03 Editorial / Reflexão 04 TUBOARTE MÓVEIS 05 Herika Gomes 06 Gente que Faz 07 Efigênia Alves 08 Osmar Negreiros 09 Clóvis Beviláqua 10 Entrevista Dra. Ana 11 Entrevista Dra. Ana 12 G7 Promotora 13 FVS NEWS 14 Dia do Deficiente 15 Jerry Diógenes 16 Achamos em Jaguaribe 17 Francisco Fernandes 18 Gata ARAUTOS 19 Parceiros 20 Parceiros
mas ações e reações, que procuram retratar o que, às vezes, é indecifrável. Fazemos parte de uma sociedade que ainda valoriza bastante os protagonistas e desmerecem os atores coadjuvantes. Temos inúmeros papeis principais e não estamos observando que um filme jamais seria um filme, se fosse produzido apenas com o galã. Um jogo não seria jogo apenas com o craque da camisa 10. Que busquemos com sinceridade o caminho para construção de dias melhores, para que a música do poeta que dizia que “Nos perderemos entre monstros da nossa própria criação”, não seja uma “profecia” e sim, apenas um devaneio. Ramon Gomes
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“QUEM MAL LÊ, MAL OUVE MAL FALA E MAL VÊ“
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Visitando o passado...
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uanta gente a gente vive deixando pra trás, mas tem coisas nesta vida que não voltam mais...” Uma noite dessas, na Escola Raul Barbosa, vi uma senhora educada pedindo para entrar e dá uma olhada pelo prédio. Enquanto ela caminhava, curiosa, pude ouvir quando ela falava que estudou ali há muitos anos atrás e que tinha boas lembranças daquele espaço. Voltei meus pensamento para a atividade que estava fazendo anteriormente, mas os seus olhos, que estavam brilhando, ficaram
na minha cabeça. Tive vontade de gravar aquele momento para poder reproduzir aquela situação nas minhas salas de aula. Sempre escuto algum aluno falando que não aguenta mais a escola ou que queria que o tempo passasse logo para ele poder
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trabalhar. Queria que eles vivessem através daquela mulher o valor do agora. Tem uma frase do pequeno Príncipe que diz que “a felicidade sempre está onde nós a colocamos, mas nós nunca a colocamos onde estamos.” Que tal, apesar de tudo e de todos, escolher ser feliz hoje? Gosto quando o pastor Claudio Duarte em suas pregações diz que “vivemos numa fila invisível para morte e quando menos esperamos, a próxima senha é chamada, a nossa senha.” Antes que a sua senha seja a próxima, faça sua vida valer a pena! Aquela senhora pode nunca imaginar, mas com aquela ação, tirou muita gente do controle remoto e trouxe de volta a vida. Hérika Gomes
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Gente que Faz. “Chico Tripinha.”
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rancisco Rodrigues de Oliveira, nascido em Lavras da Mangabeira-CE, em 1938. É mais um dos muitos cidadãos de bem, não nascidos em Jaguaribe, mas que agregou e agrega bastante à sociedade local através de sua vida. Filho de Vicente Gonçalves de Oliveira e Tereza Rodrigues Cunha (IN MEMORIAN), veio residir aqui com apenas 9 anos de idade, juntamente com seus quatro irmãos. Foi aluno do colégio Raul Barbosa, que na época funcionava onde hoje está instalado o Banco do Nordeste e também no Clóvis Beviláqua, onde concluiu o quarto ano primário. Iniciou sua vida profissional cedo, trabalhando como auxiliar de padaria e barbeiro. O mundo dos ponteiros chega-
ra depois, quase que autodidata. Iniciou um curso por correspondência, onde se encantou e se encontrou com a profissão que exerce até os dias atuais, ao lado do seu filho Vicente, que segue os passos do seu pai. Seu Chico Tripinha, como é carinhosamente conhecido, recebeu o apelido que o acompanha, nas peladas dos campos de futebol, por causa, segundo ele, do seu porte físico. “Quando eles dividiam o time havia outro Chico que era robusto e recebia o “sobrenome” Tripa, e eu, como era franzino, fui batizado de tripinha”. Foi casado com D. Francisca Sobreira Rodrigues (IN MEMORIAN), união que lhe rendeu cinco filhos, Rosangela, Rosimeire, Rejane, Vicente e Ruth Sobreira Rodrigues. Há mais ou
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menos dez anos, Sr. Chico resolveu dividir com a população outro dom, pois é um exímio desenhista, e através de suas gravuras registra fatos e figuras da nossa sociedade, que se diverte e se encanta com a sensibilidade do artista. Ele expõe as suas obras em quadros na parede do seu estabelecimento comercial. Dentre as muitas obras se destacam o registro do primeiro morador a possuir uma bicicleta, a possuir uma geladeira, o primeiro voo realizado no céu jaguaribano e muitas outras “pinturas”. A Arautos, Revista da Família Jaguaribana, sente-se honrada em poder publicar a história desse homem que, no meio de tantos outros, se distingue por ser GENTE QUE FAZ! A redação.
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Sabor da maçã.
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u, quando menina de nove anos, esguia e fastiosa, desejava comer maçã. Manga, seriguela, cajarana, melancia, goiaba... eram frutas do meu quintal, mas maçã era distante das minhas possibilidades... Maçã era sonho longínquo, talvez na lonjura da Europa, eu suspeitava. Criança do interior do Nordeste, sequer sabia o que era macieira. Mas o meu desejo aguçava a imaginação, que se encarregava por todos os sonhos, mesmo os que ficavam à margem do sono. Imaginava a Branca de Neve aceitando em sorrisos aquela maçã bonita, avermelhada, mortal. E depois a queda, o sono profundo. Um dia vi num livro uma página ostentando uma macieira enorme, que tomava todo o espaço e enchia meus olhos. Fiquei observando e me imaginando naquele lugar, mirando o verde acima da minha cabeça, pingado de pontos vermelhos. Mas era acima das minhas posses. Na época não sabia que se tratava da reprodução do quadro “Macieira”, de Gustav Klimt. A maçã me encantava! Era minha primeira maravilha de um pomar inaugural, regado de histórias e fantasias. Fruta que suscitava estradas antigas e distantes. Trazia qualquer coisa de mistérios e segredos. Imaginava sabor e textura. A maçã era o meu objeto de desejo, o meu paraíso palatal. Me lembrava da história que me contavam sobre a tentação
de Eva, a sua fraqueza e o seu pecado. Mas essa lembrança não arrefecia a ânsia, pelo contrário, parecia avolumar a minha vontade. Sonhava com macieiras em eterno pomar, carregada de maçãs, pecado latente sob o olhar desejoso de todos os homens. Sonhava com o nunca visto. Um dia meu irmão mais velho me prometeu o paraíso: disse que ia comprar uma maçã para mim. Era uma promessa cara, importante e mí-
tica. Comecei uma contagem regressiva, antecipando a festa no meu coração. Por muitas noites imaginava o sabor da maçã, ela em minhas mãos, púrpura saltitante entre os dedos. Pensava no formato dela, após a minha primeira mordida. Nessa ânsia chegou o grande dia. Acordei mais cedo que o de costume. Me olhei no espelho, o que não era regular. Minha alegria transbordava, o espelho dizia, as pessoas
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notavam. Era a presença do paraíso que se avizinhava. Talvez meninas da minha idade comessem maçãs por essas bandas, mas eu era puro desejo. O dia foi comprido, e a minha alegria acompanhava crescente cada hora que avançava para o esperado encontro. Meu irmão chegaria no início da noite, fui advertida. O por do sol era o prenúncio de sua chegada. Sim, ele chegava todos os dias, mas dessa vez era diferente. Ele traria um sabor de um pomar antigo, do tempo do paraíso perdido, dos lugares frios, das florestas onde bruxas e princesas dividiam o mesmo reino. Essa não foi a minha primeira longa espera e nem seria a última. O relógio rompeu todas as horas e meu coração se entristecia, pelo desfalecimento da esperança. Resisti na espera até perder os sentidos, dominada pelo sono. Suspeitava que o sono era uma visita breve da morte. Meu irmão chegou, porém, tarde demais. O sono havia apagado todos os desejos. Mas na tentativa de satisfazer a minha gana e recompensar a minha espera, me acordaram e entregaram a tão desejada maçã. Sem paladar e sem saber se estava dormindo ou acordada, mordi a maçã. E se eu tivesse lembrado de olhar o seu formato, não seria possível, pela penumbra da noite. Acordei no outro dia sem lembrar do gosto da maçã. Perdi o desejo e a ilusão. Hoje como maçã, mas não é o meu paraíso. Por ela não seria envenenada. E não foi a única desilusão que tive na vida.
Efigênia Alves
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Conter o Espírito de Agressão.
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onvém quebrar a frase – Conter - espírito - agressão - no intuito de clarear as ideias sobre a origem de cada expressão para então, formular uma reflexão crítica apoiada na razão. A palavra espírito tem sua raiz no latim “spiritus”, que significa respiração ou sopro, mas também pode se referir a alma, coragem ou vigor. Antes de aprofundarmos a reflexão, parece crucial, fazermos a diferenciação quase uníssona entre agressão e violência, e em segunda analise buscarmos a acepção da palavra e a raiz da agressão. Considera-se violência, a conduta que causa dano a outra pessoa, ser vivo ou objeto. Já a palavra agressão, de onde deriva o termo agressividade é a tendência humana de ter vontade de cometer um ato de violência contra outro ser humano e está relacionado com o conceito de acometividade, isto é, a propensão para acometer, atacar e criar confusão. Dessa forma, pode-se dizer que agressividade é um conjunto de padrões de atividade que se podem manifestar com intensidade variável, desde as expressões verbais e gestuais à agressão física. Podemos considerar três formas de agressão: física, verbal e emocional, que podem se originar de fatores internos ou externos à pessoa. Na linguagem quotidiana associa-se a agressividade com a falta de respeito, a ofensa ou a provocação. Mas calma aí! A palavra agressividade também pode ser usada para fazer referência à determinação, ao espírito empreendedor e à decisão de dar seguimento a algo e enfrentar as dificuldades. Daí, a importância de dominar esse comportamento, para que ele não seja meramente instintivo, já que agir de tal forma beira a irracionalidade, mas que se torne uma ação consciente. Agressividade como ação consciente?! Isso mesmo! Esse seria o primeiro passo para transformar o instinto, numa atitude consciente. Assim, seria possível analisar a situação, transformando esse espírito agressivo numa atitude virtuosa. O problema é quando a agressividade se transforma em violência, apresentando-se de maneira descontrolada e destrutiva. A raiva é a expressão da violência que se manifesta quando somos frustrados por algo externo ou interno. Reprimir
a raiva foi valorizado pela sociedade por muitos anos, porém, tem-se percebido uma inversão deste valor, de modo que expressar a raiva significa autenticidade e menor risco de problemas de saúde. De acordo com os índices de violência, parece que essa nova abordagem não tem logrado êxito, mas contrariamente, o que se percebe é um aumento significativo de atos de violência e vandalismo, possivelmente, porque o revide agressivo faz parte do nosso instinto animal. A discussão sobre o instinto humano é complexa, contudo, sabemos que o que difere o ser humano dos demais aninais é justamente a capacidade de não agir única e instintivamente. Sigmund Freud foi um dos pensadores que mais refletiu sobre o instinto humano, em sua teoria psicanalítica, ele afirma que a parte racional e consciente da mente age como uma barreira que oculta o instinto e a mente inconsciente que está em contato com a dimensão “animal” do homem. Em outra avaliação, Freud afirma que os humanos estão guiados por duas forças: o “eros” (instinto de vida) e o “tanatos” (instinto da morte). O primeiro, aposta na conversação da vida em todos os aspectos, enquanto que o segundo expressa o impulso à destruição da própria existência. Através da psicanálise, Freud mostra que reside dentro de nós dois comportamentos que se pode ressaltar, o resultado vai depender de como estamos nos alimentando física, mental e espiritualmente. Nesse ponto, creio que a prática consciente do karate trás uma fabulosa contribuição, visto que ela se dá em sua essência, pela nobreza do espírito, modéstia e perseverança, por meio de ensinamentos que proporcionam através da prática do Kihon: domínio do corpo e disciplina (físico); do Kata: domínio do corpo de da cognição (mente); do kumite: domínio do copo, da mente, do espírito, (psicológico). Ou seja, todas as dimensões básicas que permeiam o ser humano são abordadas na prática, inclusive, no autocontrole das emoções em combate. Por isso é que todos os Kata, - no singular, pois as escritas asiáticas não utilizam “s” para o plural das palavras - começam com defesa, reafirmando simbolicamente a mensagem aparentemente paradoxal: “No karate não existe golpes de agressão”, deixada por Funakoshi, no Niju kun. Ou seja, ainarautosdovale@hotmail.com
da que as técnicas sejam executadas com vigor, devem estar livres do sentimento de ódio e de rancor, não deve haver o desejo de agredir, mas de aprimoramento físico mental e espiritual, tanto daquele que ataca, quanto daquele que defende, além disso, o karate deve estar a serviço da justiça, seja em sua própria defesa ou em defesa de outrem. No intuito de conter o espírito de agressão, os monges budistas, citado pelo historiador Leandro Karnal, utilizam um pensamento muito interessante que diz: “A ofensa é uma brasa que você atira na pessoa para queimá-la.” Ela é um fogo que você tem na mão com o qual você tenta queimar o outro ao máximo possível, e talvez você consiga, mas em cem por cento dos casos você queima a sua mão. Ou seja, é você, o primeiro a embarcar nessa energia da ofensa. Karnal, trás a seguinte reflexão: Somente uma pessoa pode me ofender, aquela que diz algo sobre mim, com o qual eu concordo. Dessa forma, quem está me ofendendo sou eu, já que me irritei com aquilo que foi dito sobre mim, do qual eu me envergonho e, portanto, tomo por agressor, aquele que trouxe à tona aquilo que tento esconder a qualquer custo. Sabemos que é reativamente fácil “conter o espírito de agressão” na sobriedade, quando se pode pensar com clareza, contudo, não parece uma tarefa tão simples, quando se está sob o efeito da embriagues da intolerância, da cólera e da intransigência. Possivelmente, seja por essa razão que se enfatiza que nenhum dos cinco princípios filosóficos do Dojo kun tenha maior importância que outro, pois, para “conter o espírito de agressão” é necessário, acima de tudo, pensar e agir com respeito, esforçar-se para a formação do caráter, criar intuito de esforço e ser fiel para com o verdadeiro caminho da razão. A fusão desses princípios filosóficos – Dojo kun – com a força do “eros” de Freud, a partir do reconhecimento das nossas fraquezas enquanto humanos, incorporados ao nosso cotidiano, poderá nos guiar para uma vida mais tranquila e harmoniosa, desde que assumamos o controle da nossa vida, com todas as nossas virtudes e defeitos. Parafraseando Karnal, a quem pertence a sua tranquilidade de espírito? Pois se for tua, ninguém te tira, mas se for do outro ele tira a todo instante. Osmar Negreiros
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Minha Escola, Minha Vida. Antonio Carlos Fernandes - ex-aluno.
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al completava dez anos de idade sentei-me pela primeira vez numa carteira do Ginásio e Escola Normal Clóvis Beviláqua. Dez anos depois, sai dos bancos da minha escola para outras conquistas. Foram dez anos muito profícuos na minha vida. No Beviláqua fui aluno e professor levado pelas mãos da maior educadora que conheci: Dona Francisca. Até hoje não consegui distinguir se Dona Francisca é o Beviláqua ou se o Beviláqua é Dona Francisca. Não entendo como um ente e uma pessoa se encarnam inseparavelmente. Mas, na minha mente é assim mesmo. Persiste a confusão mental. Mesmo Dona Francisca tendo feito a longa viagem, é tão forte a sua presença no Beviláqua que tudo acontece como se ela estivesse lá. E acho que está. Era tão grande a sua obstinação, o seu amor, a sua dedicação ao Beviláqua que tudo acontece como se ela estivesse nas salas de aula ou na direção da escola. A sua sombra, a sua voz, o seu comando, ecoam lá e continuarão para sempre. Afinal, a palavra de uma educadora como FRANCISCA DIÓGENES ninguém sabe nunca onde elas vão parar ou mesmo se cessarão algum dia.
Dona Francisca foi uma construtora de homens e mulheres que hoje edificam o município de Jaguaribe e sua adjacência. Ela nunca foi uma mera e exímia professora de matemática. Ela era a mestra que ia longe, muito longe da matéria que lecionava. Com seu exemplo, com sua dignidade, com sua postura firme, com sua nobreza e elegância ela transpirava ensinamentos para a ciência e, principalmente, para a vida. Dona Francisca, repito para enfatizar, construía homens e mulheres a sua imagem e semelhança para lembrar o dito bíblico. O tempo não volta. Mas, é permitido aos sonhos desejar que isso aconteça. Nos meus sonhos gostaria de sentar outra vez nas carteiras duplas do Beviláqua para assistir à aula de Dona Francisca. Nenhum ser humano, afora meus queridos pais, recebe de mim tanta admiração. Uma deusa, uma diva, um monumento humano inigualável, é assim que minha mente lembra FRANCISCA DIÓGENES. Hoje, quase um setentão, continua o imponente Beviláqua a educar, a formar e informar os jaguaribanos. Não saberia dizer quantos alunos já ocuparam as carteiras do Beviláqua. Foram alguns milhares cer-
tamente. Mas, é igualmente certo que em matéria de educação a quantidade é menos importante em vista da qualidade. O Beviláqua é mais que uma escola, uma academia, um colégio. O Beviláqua é um monumento histórico desse grande município. É uma casa de saber, de decência, de edificação de homens e mulheres para a vida. Ali se respira um ar de ordem, de decência, de dedicação e amor de tantos quantos fazem aquela escola. Nas suas salas de aula há disciplina, respeito, ciência, ensino de cidadania. O seu pátio interno é limpo, organizado, bonito, confortável. Tudo no reflexo da sua impecável organização interna. Concluo como iniciei, enaltecendo Dona Francisca. Em sua sabedoria ela construiu passo a passo até que chegasse a sua hora última, a sua substituta. Os grandes homens e mulheres reconhecem a sua finitude e preparam os seus sucessores para que a missão continue através dos tempos. Quêca tem honrado a cadeira deixada por sua mãe. Firme, forte, decidida, uma espécie de cópia de Dona Francisca, tem dado continuidade à obra de sua mãe com muita dignidade.
QUASE SETENTÃO! Eu saí de você, mas você não saiu de mim.
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ARAUTOS E Na edição deste Mês, a médica Mastologista: Dra.
movimento popular internacionalmente conhecido como Outubro Rosa é comemorado em todo o mundo. O nome remete à cor do laço rosa que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades. Este movimento começou nos Estados Unidos, onde vários Estados tinham ações isoladas referente ao câncer de mama e ou mamografia no mês de outubro, posteriormente com a aprovação do Congresso Americano o mês de Outubro se tornou o mês nacional (americano) de prevenção do câncer de mama. A popularidade do Outubro Rosa alcançou o mundo de forma bonita, elegante e feminina, motivando e unindo diversos povos em torno de tão nobre causa. Isso faz que a iluminação em rosa assuma importante papel, pois tornou-se uma leitura visual, compreendida em qualquer lugar no mundo. A primeira iniciativa vista no Brasil em relação ao Outubro Rosa, foi a iluminação em rosa do monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista (mais conhecido como o Obelisco do Ibirapuera), situado em São Paulo-SP. No dia 02 de outubro de 2002 quando foi comemorado os 70 Anos do Encerramento da Revolução, o monumento ficou iluminado de rosa “num período efêmero” como relembra o secretário da Sociedade Veteranos de 32
Mmdc, o Coronel PM (reformado) Mário Fonseca Ventura. Essa iniciativa foi de um grupo de mulheres simpatizantes com a causa do câncer de mama, que com o apoio de uma conceituada empresa europeia de cosméticos iluminaram de rosa o Obelisco do Ibirapuera em alusão ao Outubro Rosa. Fonte: <http:// outubrorosa.org.br/historia/>. A quimioterapia, uma das ferramentas utilizadas no tratamento de pacientes com câncer de mama, atua sobre as células que se reproduzem com mais rapidez, e as do bulbo capilar são um exemplo disso. Por isso inúmeras pacientes têm que conviver com a ausência de pelos, o que, de certa forma, pode influenciar de forma negativa a autoestima feminina. Falando sobre esse assunto, a Arautos buscou um bate papo com quem entende, na prática, do assunto. Com uma propriedade peculiar, nos dará uma aula de enfrentamento de adversidades e motivação. Nossa entrevistada deste mês é a Dra. Ana Caroline Gondim, Médica com especialidades na área de ginecologia, obstetrícia e mastologia. ARAUTOS - Quando descobriu que tinha essa doença rara? Dra. Ana - Descobri em julho de 2005. Na verdade, o cabelereiro notou uma falha no meu couro cabeludo, uma área redonda sem cabelo. Eu não notei, porque tinha muito cabelo
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na época. ARAUTOS - Qual o nome da doença e quais as características? Dra. Ana - Alopecia areata. É uma doença autoimune e o meu organismo não reconhece as células do cabelo, digamos assim, aí as combate, porque interpreta como células agressoras (como inimigas do organismo). Pode ser de forma focal (poucos focos apenas no couro cabeludo), difusa (várias áreas do corpo) ou universal, que é o meu caso, em que o cabelo do corpo inteiro cai ARAUTOS - Como você reagiu quando descobriu? Dra. Ana - No início foi difícil. Tive medo de o meu namorado da época me deixar, tinha receio de estar com alguma doença mais grave. Chorei alguns dias e então me peguei com o seguinte questionamento: ou eu enfrento isso da melhor maneira ou então vou me entregar à tristeza, e resolvi então enfrentar. Acreditei que tudo o que estava me acontecendo teria uma razão a qual eu podia não entender naquele momento, mas que algum dia me ficaria claro. Pensar assim tornou tudo mais fácil. ARAUTOS - Já era estudante de medicina? Qual universidade? Dra. Ana - Quando descobri estava no início do segundo semestre de medicina na facul-
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ENTREVISTA Ana Caroline Gondim conversa com a Arautos! dade de Juazeiro do Norte. ARAUTOS - Quando resolveu assumir a doença? Sair sem peruca pela rua... e como foi? Dra. Ana - Nunca deixei minha vida parar por conta do cabelo, mas depois de um tempo, reflexões e amadurecimento, resolvi sair primeiramente à praia sem peruca. Aos poucos fui ganhando segurança pra não me deixar mais abalar com os olhares de pena das pessoas na rua (que ainda hoje olham de maneira diferente), e hoje não me afeta em absolutamente nada o que elas acham ou pensam. Na verdade, atualmente me divirto com os comentários das pessoas. Acho que assim a vida fica mais leve; se levamos os acontecimentos do dia a dia sem supervalorizá-los. ARAUTOS – Explica-nos um pouco como a sua doença influenciou na escolha da sua especialidade médica. Dra. Ana - Eu sempre gostei muito da área de câncer, mas pensava inicialmente em fazer oncologia pediátrica (câncer em crianças). Ao ter a oportunidade de conhecer a mastologia (câncer de mama), identifiquei-me de imediato com as mulheres que precisam fazer quimioterapia e passam então pelo mesmo processo de perda de cabelo ARAUTOS - No seu dia a dia como médica, como usa a sua vivência em relação à doença
para ajudar as pessoas? Dra. Ana - Uso minha experiência com a perda do cabelo sempre que necessário, quando vejo que uma ou outra paciente está com maior dificuldade em aderir ao tratamento, com receio de rejeição do parceiro, medo de ficar feia pela perda do cabelo. Procuro mostrar a ela que consigo viver normalmente sem cabelos e que pode-se ser bonita independente do cabelo. ARAUTOS - Qual a parte boa de não ter nenhum pelo no corpo? (Não fazer depilação, ter vários visuais, hehehe...) Dra. Ana - A primeira e melhor parte é não precisar mais fazer depilação. Isso é fantástico! Quando penso que, quem sabe um dia, meu cabelo pode voltar a crescer, imagino que vou reclamar muito por ter que me depilar de novo. Tem também o fato que posso ter vários visuais. Isso é muito legal: combinar o cabelo com a roupa, com a ocasião. Virou uma brincadeira. Eu e meu marido adoramos isso. ARAUTOS - O seu marido já te conheceu careca? Ele estranha as mudanças de visual? hahaha ter uma mulher loira, uma morena, uma ruiva, enfim... Dra. Ana - Ele me conheceu com uma channel preta pela manhã, e à noite loira longa cacheada, e no outro dia curta loira. Ele ficou su-
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per empolgado quando eu disse: já imaginou que você pode ter várias namoradas numa só? Ele diz que gosta de todas, mas que a Carol preferida dele é a original, sem cabelo. rsrsrsrs ARAUTOS - O que mudou na sua vida desde a descoberta da notícia, a perda de cabelo, até o momento em que vive agora? Dra. Ana - Acredito que amadureci muito. Meus valores e conceitos sobre beleza real, enfrentamento de problemas mudou. Aprendi que podemos levar a vida de maneira mais prática e feliz, não dar tanta importância aos problemas pequenos da vida, sabe? Sempre procuro pensar, diante de um problema: podia ser pior...e aí, como não é tão ruim, vamos lá resolver que vai dar tudo certo. ARAUTOS - Manda algum recado a quem esteja passando por essa situação. Dra. Ana - É o que sempre digo: nada acontece por acaso nas nossas vidas. Qualquer coisa que estejamos passando, tem um propósito, de toda situação podemos e devemos tirar alguma lição para crescer e evoluir como pessoas. Então, independente de se ter câncer ou não, diante dos problemas da vida, cabeça erguida, fé em Deus. Devemos viver corretamente, fazer o bem e ajudar ao próximo, e tudo que for para nossa felicidade virá naturalmente. A redação.
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Dia do Deficiente.
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1 de setembro é intitulado como o dia nacional de luta das pessoas com deficiência. Em Jaguaribe, a paróquia nossa Senhora Aparecida realizou na mesma data uma missa em celebração à causa, que recebeu o nome de “A Luta pela igualdade”. O evento contou com o apoio da população local e inúmeros fieis que se fizeram presentes, sendo abrilhantado por um expressivo número de pessoas com deficiência. A redação.
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2018 será metade esperança.
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ano que vem será um ano de novas promessas, de pedaços de chão mal asfaltado e chafariz em praça pública, que serão motivo de jubilo, de festas, de comemoração. Faz até lembrar um trecho, bíblico, Isaías 43, 18 “Não vos lembreis dos acontecimentos passados, nem considereis os fatos antigos. 19 Eis que realizo uma nova obra, que já está para acontecer. Não percebestes ainda? Porei um caminho no deserto e rios no ermo. ...os animais do campo me honrarão, os chacais e os avestruzes, porque porei águas no deserto e rios no
ermo para dar de beber ao meu povo”, … assim será nosso dois mil e dezoito, ano eleitoral. Eu vos profetizo que sua cidadezinha, seja ela de grande, de médio ou de pequeno porte, terá dois partido adversário entre si, em que um seja situação e o outro oposição vai convencer ao admirável gado novo, de que está chegando um novo tempo, de fartura, de emprego, em que nossos filhos não precisarão mais irem ao sul. Teremos fartura de água e de pão, pois eis que chegou o tempo de um governante se preocupar com a massa inculta e bela, montada nessa promessa da terra prometida. Balançaremos a bandeira das cores da esperança, tão forte como o sorriso treinado de nosso grande futuro
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líder. Depositaremos na urna um número. Seremos mais um número na soma de tudo que acreditamos, depois de computado os número, depois de eleito, “o prometedor”, eis que virá a última profecia, lembrando Mateus 13:42 “E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes.” O filme é tão repetido que parece um texto profético, advirto que não o é! Trata-se de Apenas um velho enredo conhecido de todos, mas que muitos incute no mesmo enredo, alguns por comodidade, outros por ignorância, e alguns por interesses, que são os piores, porque estes últimos, além de pensarem apenas em se mesmo, querem arrastar consigo a grande massa inculta e bela... Jerry Diógenes
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Achamos em Jaguaribe!
Inventor Jaguaribano.
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arcildson ou Cildinho, como é conhecido, é professor de Biologia, Física e Química. É pedreiro e construtor. Amante da natureza, é um daqueles fissurados por espécies aquáticas e o seu amor pelos peixes o levou a construir um habitat para eles em sua residência. O aquário totalmente artesanal fica em um local de destaque em sua casa, no centro da sua sala de jantar, e acreditamos que é o maior reservatório domiciliar em nossa cidade. São sessenta centímetros de largu-
ra, sessenta centímetros de altura, por três metros de comprimento. A bomba d’agua, que oxigena os peixes, foi construída com o aproveitamento de um antigo motor de máquina de lavar roupas e restos de canos provenientes de sobras de materiais de construção. O aquário é composto por várias espécies nativas de peixes oriundas do Rio Jaguaribe. Cildinho nos confidenciou que pretende, a posteriori, expandir o criatório, utilizando caixas d’aguas e assim contar com uma variedade maior, para,
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quem sabe, preservá-las para as gerações futuras, já que a poluição na “casa dos peixes” tem extinguido inúmeras espécies. São ideias como essa que enriquecem a qualidade de vida das pessoas que se utilizam da criatividade e valorizam a beleza da natureza ali representada. Elas servem de inspiração para que outros inventos tomem forma e inspirem as futuras gerações. Parabéns Marcildson! A redação.
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Dindim Gourmet (continuação).
A
aurora surge ainda com maior intensidade e o crepúsculo acontece com muito mais beleza, na cidade que já não é mais tão singela. Tranquilidade continua sendo um de seus atributos e a autoestrada federal ainda continua no mesmo local. Rio e BR já não são mais os limites leste / oeste e aquele, que antes palmilhava seus 610 km diretamente ao mar, agora desagua no imenso lago artificial com capacidade para 6.700.000.000m³ (seis bilhões e setecentos milhões de metros cúbicos) de água, o Castanhão. Já faz 24 anos que pus pela primeira vez os pés na cidade do queijo e os dois postos de combustível não são mais os limites norte / sul da sede municipal. O açude de Feiticeiro não mais se apresentará como um quebra-cabeça de barro rachado, pois o grande Orós transpõe suas águas ao imprescindível reservatório. O Cruzeirinho de Aluísio Diógenes tronou-se um bairro saneado, construído em regime de mutirão e o Mutirão é agora um grande bairro engendrado pelo êxodo rural, inevitável nas cidades crescentes, mas capaz de decidir uma eleição municipal. Aquele que, desembestado em sua caminhoneta Pampa, corria em direção à sua recém-inaugurada loja na esquina da 8 de novembro com a Cônego Mourão, agora é o maior empregador da região e um dos grandes empreendedores do estado. Fez da Tuboarte uma das referências jaguaribanas. Acabou a disputa entre o Clóvis e o
Carmela, pois as escolas do estado, Cornélio, Raul e Sinó, se firmaram com excelência na formação cidadã e do Ensino Médio e os jovens, que antes não tinham acesso à universidade, agora podem trilhar o tão sonhado caminho do sucesso profissional, já não mais exclusividade dos mais abastados. As batatas fritas do Miquinho foram substituídas pelos sushis, os sanduiches, os açaís e o que é de mais atual para o paladar jaguaribano, mas nada supera as saudosas coxinhas do Morais, literalmente com um ossinho de galinha em lugar do palito. Dizem que o peculiar sabor era resultado de um tacho que nunca era lavado. Que importava? A alta temperatu-
ra do óleo consumia qualquer impureza. Oxalá houvesse um grande tacho desses em Brasília, para consumir toda a impudência dos coxinhas políticos. É também inadmissível vir a Jaguaribe e não visitar a famosa barragem de Santana. Banhar-se nas águas que descem gravitacionalmente das suas inúmeras bicas é um prazer indescritível; e degustar o saboroso peixe frito do Barto, é uma obrigação. Jaguaribe também entrou na era da automação, pois até universidade pública semipresencial faz parte do rol das instituições de formação. A UAB já tem formado dezenas de competentes profissionais. Foi ela a responsável pelo meu pioneirismo como
professor de língua espanhola na região. “¡Pues así son las cosas de la vida de la gente!”. Mas há também desconforto com a tal tecnologia digital e o desenvolvimento, pois não se usufrui mais do confortável seletivo da Vale do Jaguaribe. As vagas para a capital são disponibilizadas por um portal online e os espaços tão apertados das poltronas só são adquiridos quando não são preenchidos no Cariri. Uma das coisas que pode confortar viagens tão desconfortáveis é uma agradável leitura deste veículo de comunicação, Arautos do Vale. Já na casa das octogésimas edições, que circulam mensalmente, pode proporcionar uma agradável e intelectual leitura do ócio e da informação. Colunistas como, Efigênia Alves, Osmar Negreiros e muitos outros que enriquecem este periódico, se esmeram na produção de riquíssimos textos, dignos da produção de uma obra literária a ser registrada nos anais culturais de Jaguaribe. Por tal iniciativa desbravadora, parabenizo Sandoli Diógenes, filho e filhas; por arvorarem essa bandeira da difusão jornalística. Despeço-me de Jaguaribe, cônscio do aprendizado e da maturidade aqui adquiridos, agradecido pelos rebentos gerados neste torrão e guardando em minha memória a cultura do filé, do queijo, das famílias e das variações linguísticas tão peculiares, que sempre utilizarei como exemplo em minhas tão singelas aulas. A antiga “cafona” (nosso dindim gourmet), mesmo não podendo degustá-la por causa da diabetes, será sempre retomada nas salas de aula da vida. Valeu Jaguaribe! Francisco Fernandes
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