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ÍNDICE
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EDITORIAL
CAPA EDITORIAL VALNEI E ALISSON VALNEI E ALISSON MAJOR MÁRIO ALEXANDRE E CACASIO ALEXANDRE E CACASIO CONHECENDO NOSSA HISTÓRIA UNIVS PARCEIROS
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PARCEIROS OCUPANDO A MENTE VALNEI E ALISSON VALNEI E ALISSON ALEXANDRE E CACASIO ALEXANDRE E CACASIO EFIGÊNIA ALVES PROF. ROSILMAR ALERTA PARCEIROS
DIREITO DE ESCOLHA E SUAS CONSEQUÊNCIAS. É sabido desde a mais nova idade, que a principal dádiva que Deus, nosso criador deu a sua principal criatura, nós seres humanos: é o direito de escolha ou o livre arbítrio. Para muitos, utopia, ou algo sem valor, tanto que pouquíssimas vezes diante da necessidade da tomada de decisão se é empregado algum empenho no que se vai fazer, agindo sempre de supetão ou com o extinto da primeira emoção, que na maioria das vezes depois da euforia nos traz a ressaca ou o peso da escolha nem sempre assertiva. Neste período temos uma oportunidade em nossas mãos, que é a chance de escolhermos quem vai perante a lei nos representar, seja no executivo para prefeito ou no legislativo para vereador (a). Jaguaribe conta com quatro opções distintas, que possuem a mesma chance de ocupar espaço no poder executivo e dezenas de possibilidades de escolha para o legislativo. São raríssimas as vezes que o direito dado por Deus é inteligente, independente e digo mais, oportunamente usado. Não nos iludamos com as pressões contrárias ao nosso (meu e seu) ponto de vista, com as facilidades que são oferecidas em tempo de campanha, promessas astronômicas nem tampouco com os interesses particulares que insistem ocupar nossas prioridades, mas sejamos sensatos e prudentes para utilizarmos com responsabilidade um dos principais presentes que Deus nos deu: O DIREITO DE ESCOLHA. Nesta edição trouxemos mais uma vez as propostas dos prefeituráveis enviadas pelos candidatos ao executivo municipal, temos inúmeras crônicas, artigos e serviços de utilidade pública. Boa leitura a todos e até a próxima edição. Ramon Gomes.
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GESTÃO
MAJOR
MÁRIO • FORMAREMOS UMA EQUIPE DE PESSOAS QUALIFICADAS INDEPENDENTEMENTE DE COR, RAÇA, RELIGIÃO E EM QUEM TENHA VOTADO NA ELEIÇÃO PARA PREFEITO, VALORIZANDO A MERITOCRACIA DOS PROFISSIONAIS; • REVISÃO DA COBRANÇA DA TAXA DE ESGOTO; • REVISÃO DO CONTRATO DE MERENDA ESCOLAR; • REALIZAÇÃO DE CONCURSO PARA POLÍCIA MUNICIPAL; • CRIAÇÃO DA SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA DE JAGUARIBE; • ABERTURA DA PREFEITURA PARA VISITAÇÃO E RECEPÇÃO DE TODAS AS FAMÍLIAS SEM DISTINÇÃO; • CRIAÇÃO DA COORD. EDUCAÇÃO, PREVENÇÃO E COMBATE AS DROGAS; • REVISÃO DOS CONTRATOS DE VEÍCULOS LOCADOS PELA PREFEITURA; • REVISÃO DOS CONTRATOS DE IMÓVEIS LOCADOS PELA PREFEITURA; • REVISÃO DO VALOR DO CONTRATO DE COLETA DE LIXO; • BUSCAR NA JUSTIÇA A DEVOLUÇÃO DO TERRENO DOADO A EMPRESA JAGUADIESEL PELA PREFEITURA MUNICIPAL; • REABERTURA DO HOSPITAL DE JAGUARIBE; • CRIAÇÃO DO PRIMEIRO COLÉGIO MILITAR MUNICIPAL DE JAGUARIBE COLÉGIO PAULO WÁGNER, BAIRRO MULTIRÃO; • FAREMOS UMA REVISÃO DOS BASTIDORES DAS CONTAS PÚBLICAS: • CONTRATOS E LICITAÇÕES; • CRIAREMOS UM CANAL DE COMUNICAÇÃO DIRETO COM A POPULAÇÃO • INTITULADO: FALE COM O PREFEITO (E-MAIL,WHATSAPP), ONDE AS DEMANDAS DA NOSSA POPULAÇÃO SERÃO OUVIDAS E RESPONDIDAS INDISTINTAMENTE COM PRAZO PARA RESPOSTA E ESCLARECIMENTO SOBRE AS SOLICITAÇÕES; • TRANSPORTE EXCLUSIVO PARA ATENDIMENTO DE AUTISTA EM OUTRAS CIDADES;
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CRÔNICA
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VÉSPERAS
osto das vésperas. Sinto isso desde criança, quando o meu coração ficava em ânsia na espera de um acontecimento. Os dias que antecediam o evento causava reboliço na minha alma, ficava em frenesi. Sonhava dormindo e acordada com a situação. E quando o grande dia chegava, amanhecia em desassossego amoroso, era a véspera do momento. E o acontecimento quase sempre não correspondia a tudo que havia sido experimentado nas vésperas. Dia desses marcamos o aniversário de uma sobrinha, comemoraríamos seus sete anos de existência. Nós mesmas produzimos grande parte do que foi a festa. A aniversariante participou ativamente das preparações e a felicidade era estampada em seu rosto. Chegou o esperado dia! Ela mostrava-se muito feliz, até a noite se aproximar. Eu via o ânimo se arrefecendo. Nem tínhamos terminado ainda, quando ouvimos um choro triste. Era ela, a festa estava acabando e se perdia o encanto das vésperas. No outro dia restaria apenas a lembrança do que havia sido. A esperança não teria razões para se sustentar. As realizações parecem romper a beleza do sonho, da espera. Eu também sinto esses vazios, antes mesmo do fim dos acontecimentos. Fico feliz todo o tempo de espera, mas quando o momento chega, ele vem arrastando também o fim. As vésperas têm um potencial de sedução sobre mim, me convidando sempre a espreitar o depois, a tramar o agora numa felicidade que atravessa a banalidade do cotidiano. Meu gosto pelas vésperas talvez tenha a ver com a minha capacidade de superfaturar os sonhos. E quando o acontecimento passa, não sei para onde direcionar o meu desejo, em quê concentrar a minha energia, fica uma estranha ausência. Às vezes atribuo esse meu insólito gosto pelas
vésperas às circunstâncias da vida, pelos longos períodos de espera. Os sonhos sempre compridos, se estirando pelos caminhos, enquanto eu paciente esperava os tempos dos acontecimentos. E de tanto esperar, peguei gosto por essa travessia, me afeiçoei das vésperas. É como se os trajetos fossem melhores do que o lugar de chegada. Me apego às paisagens, vez em quando olhando o horizonte, atenta aos detalhes da estrada, aos achados das veredas. Já me flagrei adiando o momento, só para prolongar a véspera dele. Fui ter com a menina de sete anos, dizer que a vida é quase sempre de espera, porque mal um sonho se realiza, outros tantos estão a caminho e há estradas que são longas. Não chorasse, já podia no dia seguinte fazer festa dentro de si porque sempre se espera completar mais um ano. Eu a ajudaria a sonhar, a ficar feliz nos tempos de espera. Faríamos no dia seguinte uma lista dos convidados, pensaríamos juntas no motivo da festa, nas forminhas dos brigadeiros... Expliquei que os sonhos são gratuitos e precisamos deles para ir engendrando no agora o que poderá ser o depois. A isso os adultos chamam de esperança. Qualquer dia desses, numa de nossas conversas sobre histórias de verdade e de invenção, falo para ela sobre o préstimo da paciência na construção dos sonhos e a valência dos nossos melhores desejos. E digo que eu t a m b é m s o u m a i s fe l i z n a s vésperas.
Efigênia Alves.
CONHECENDO NOSSA HISTÓRIA originais destruídos em um incêndio em 1897. O Marechal Juarez Távora, sobrinho do Monsenhor Fernandes Távora, escreveu em seu livro de memorias “Uma Vida e Muitas Lutas”, vol. 1 (1973) sobre as peripécias de Peixotão:
O PATRIARCA
DA FAMÍLIA
TÁVORA DA RIBEIRA DO
JAGUARIBE:
M
anoel Peixoto da Silva Távora (o “PEIXOTÃO”), homem de força hercúlea, nasceu em 1685, no lugar Entre Rios, Porto, Portugal, chegou em 1706 a região de Russas, vindo do Pernambuco onde era Sargento-Mor e depois transferiu-se para a Fazenda Curralinho e Ajuntador, em 1709, a convite do seu tio Domingos Paes Botão (1º). Era descendente de Bernardino Tavares de Távora, governador de Pernambuco, sendo parente consanguíneo da Marquesa Leonor de Távora, casada com o Marechal Francisco de Assis Távora, 3ª Marquês de Távora e Conde de Alvor, em Portugal. Peixotão casou-se com sua prima em 1º grau, Genoveva da Assunção Fonseca Ferreira e o casal teve quatro filhas: Isabel da Silva Távora, Tereza de Jesus Maria, Maria Francisca Peixotta (Maria d'Afonsequa) e Ana Maria de Jesus (Anna Maria Peixotta). Em 1754 Peixotão já era viúvo. Em 1709, segundo a tradição oral, Diógenes Paes Botão (patriarca da família Diógenes da ribeira do Jaguaribe) e irmão de Genoveva foi a Serra do Pereiro pegar um gado para matar na festa de casamento da sua irmã e, quando de passagem pelo Gonçalo Alves, os seus cachorros de caça acuaram duas crianças índias que ficaram muito feridas e as levou para o Sítio Boa Vista e deixou sob os cuidados dos frades ali residentes. Quando voltou da serra foi ver como estava o estado de saúde das índias e a mais velha (em torno de 9 anos) tinha morrido em decorrência das mordidas dos cachorros e só sobreviveu a menor (5 anos) que foi levada para a Fazenda Olho D'água em Santa Rosa (antiga Jaguaribara). Foi batizada com o nome de Antônia da Purificação e depois de estudar num convento em Olinda retornou a Santa Rosa, com 17 anos e casou-se com Diógenes, por volta de 1721. Peixotão recebeu sesmarias na região jaguaribana em três ocasiões: em 17/08/1706, em 22/02/1712 e em 07/10/1723. Ele é considerando um dos pioneiros da colonização da nossa região juntamente com João da Fonseca Ferreira (Arraial Velho – Icó, Santa Rosa e JaguaribeMirim), Domingos Paes Botão (Santa Rosa), Francisco dos Montes e Silva (Arraial Novo – Icó), Manoel Pinheiro do Lago (Cachoeira) e Antônio Fernandes da Piedade (Riacho dos Defuntos). EVIDÊNCIAS HISTÓRICAS DE PEIXOTÃO: “Em 12 de fevereiro de 1712, na Fazenda Curralinho, JaguaribeMirim, ocorreu um batizado de: Antônio filho de Francisco Pais e Marianna Pais, escravos de Manuel Peixoto da Silva (Távora), segundo assentamento do Padre Domingos Salgado Mota, Cura e Vigário do Icó.” (Fonte: Livro da Paróquia do Icó, nº 6, fl. 90). A Fazenda Curralinho fica na margem direita do Rio Jaguaribe, próximo a zona urbana de Jaguaribe – CE, cerca de 3 km acima e foi o berço primevo da família Távora da ribeira do Jaguaribe. Peixotão ficou famoso em todo território cearense devido sua força hercúlea e peripécias que foram referenciadas pelo escritor Gustavo Barroso em uma de suas obras sobre o Ceará: um dos gigantes do Ceará “tão avantajado no físico como na moral”. Monsenhor Doutor Fernandes Távora (um de seus descendentes), quando foi vigário de Jaguaribe, entre 1880 e 1883, escreveu a sua primeira obra “O Velho Távora”, sobre a vida do patriarca da família, na ribeira do Jaguaribe, o Sargento Mor Manoel Peixoto da Silva Távora (Peixotão), que infelizmente não foi publicada sendo os
“Estava Peixotão recostado, um dia, a um dos esteios de latada anexa à sua casa, quando se meteu por baixo dela um corpulento cavaleiro, que, segurando-se, com ambas as mãos, a uma das vigas, suspendeu, entre as pernas, a cavalgadura em que montava; e, dando bom dia ao dono da casa, perguntou-lhe se podia indicar-lhe, com precisão, o caminho que conduzia a lugarejo situado dali a poucas léguas. Peixotão, compreendendo o desafio de força que lhe estava sendo lançado, após responder o bom dia do viajante, agarrou uma viga roliça de carnaúba, que jazia encostada ao oitão da casa, apoiou sua extremidade mais grossa à articulação do ombro direito, segurando por baixo, com a destra: e, apoiando-se, com a mão esquerda, num dos esteios da latada, começou a levantar, lentamente, a outra extremidade da viga empunhada, e a indicar, com ela, os rumos do caminho a seguir e os desvios a evitar. A medida que o cavaleiro desafiante ia deixando baixar os braços, sob o peso de seu corpo e da cavalgadura, suspendia ele, um pouco mais, aponta livre da viga com que ele indicava o caminho: e o fêz de tal forma que, ao deixar, afinal, o adversário, seu cavalo apoiar-se totalmente no chão, a ponta livre da carnaúba estava tocando, no alto, a viga externa da latada.” “O desafiante, confundido, retirou-se, pelo mesmo caminho por que viera, sem despedir-se, nem agradecer as indicações recebidas, enquanto Peixotão encostava, pacatamente, à parede da casa, a carnaúba que manejara como simples bastão.” Outra das façanhas de Peixotão segundo Plínio em Genealogia das Famílias Távora, Diógenes e Pinheiro (2005): “Conta-se que Peixotão, indo ao Crato carrear, víveres em comboios, para a sua subsistência e de seus familiares, em uma travessia, no lugar denominado Batalha, nas margens do Rio Salgado, onde costumava descansar a burrada, ali, naquele lugar, não existiam pedras para engedrar, provisoriamente, trempes para cozinhar a bóia. Peixotão vai ao longe em grande distância, pois perto não existiam xeixos que se prestassem para aquele feito, e traz três pedras, uma na cabeça, uma num dos braços e a outra no outro, com as quais arquitetou a trempe, cujas pedras permanecem ali há três séculos. Essas pedras “eram tão pequenas” e “tão leves”, que nunca mais houve outro homem, ou mais de um, que as deslocassem do lugar onde foram colocadas” Isso aprece incrível, mas é verdade.”
2ª Casa Sede da Fazenda Curralinho, a primeira era de taipa. Peixotão foi citado pelo escritor cearense Gustavo Barroso num artigo, na Revista O Cruzeiro (26/10/1957), na coluna Segredos e Revelações da História do Ceará com o título “Gargântuas e Pantagruéis do Ceará Antigo – Domingão, Dono da Guaiúba, e Peixotão, Dono do Riacho do Sangue – Grandes e Honrados Comilões – Uma Raça de Gigantes”.
Pesquisador da história jaguaribana.
Fonte: Jaguaribe Minha Terra: formação eclesiástica (2002) e formação política (2005), Uma Vida e Muitas Lutas (1973), Monsenhor Távora (1945) e Antigas Famílias do Sertão (1971).
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COLUNA
Viagem no tempo
A
porta estava metade aberta. Tirei a tramela e fui entrando devagarinho. Tudo do mesmo jeito que havia deixado. Aí senti aquele cheiro gostoso de meu pai. Cheiro de mato verde. Cheiro de roça. Na parede de frente para a porta, os santos de nossa devoção: Coração de Jesus e Coração de Maria; São José, o santo da chuva; São Francisco de Canindé, o santo milagroso; Santo Antônio e São João Batista, os santos das fogueiras; São Sebastião, que livra as roças das pestes; São Roque, protetor contra chagas e feridas; Santa Luzia, protetora da vista. No canto esquerdo, os caixotes da bodega: farinha, sal, café, açúcar, rapadura, sabão, querosene e, como não podia faltar numa boa bodega, algumas garrafas de cachaça e de zinebra. Penduradas nos armadores, ainda estavam as redes de dormir de meu pai, de meu irmão e a minha. No chão de ladrilhos de barro, ainda pude ver o estrago do sal da urina, embaixo de minha rede – menino mijão. A um canto, suspensos em cambitos de marmeleiros, a cela, os arreios e as esporas. No chão, uma cangalha e um jogo de malas de couro. As duas janelas estavam fechadas. Fui entrando pelo corredor que leva aos outros cômodos da casa. No telhado, enrolada nas ripas de varas descascadas, uma cobra coral. Nem me lembrei do resto da casa. Corri ao paiol de milho, preparei um facho de palha, toquei fogo e mirei bem no meio da serpente que caiu no chão. Ali mesmo eu a matei com a vara do facho. Olhei, de soslaio, o único quarto da casa. Minha mãe já se levantara, mas minhas irmãs ainda estavam dormindo. Entrei na sala de jantar. A mesa grande estava no mesmo lugar. Abri a gaveta e lá estavam nossas ferramentas: uma lima, um martelo; um pequeno serrote; sovelas; uma agulha grande de costurar sacos. Perto da janela, a máquina de costuras. Passei à cozinha. O fogão de lenha já fumegava e a fumaça enchia o telhado de pucumã. Tirei o texto da panela e senti aquele cheiro de baião-de-dois com toucinho torrado. Perto do fogão, o pilão de pau e moinho Mimoso. Dali, fui ao terreiro. O ipê amarelo estava carregado de flores. Senti o cheiro forte da plantação de fumo e me lembrei de quando, escondido, fiz um cigarro de palha, fumei e fiquei embriagado. Nunca mais quis saber de fumar. As galinhas e os pintos ciscavam o chão, procurando minhocas. O velho galo imponente me encarou, bateu as asas e soltou aquele canto bonito que sempre me enfeitiçava no passado. Retornei a casa para ver o jardim: um pé de lírio branco; o cajado de São José; dálias de cores variadas; uma touceira de bugari florida cujo cheiro me lembrou os enterros de anjinhos; uma trepadeira enroscada na cerca que nós a chamávamos de “simpatia”, carregadinha de flores. Do outro lado, o paiol de milho, um tubo de feijão, sacos de arroz com casca, as enxadas, foices, machado, alavanca, picaretas, uma pá, a colher de pedreiro, a desempenadeira,
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uma régua de madeira, uma espingarda de socar e um facão. Um bode esquartejado pendurado na biqueira, e meu irmão espichado o couro com varas de marmeleiros. Voltei por dentro de casa e fiquei em sua frente, contemplando seus arredores: o benjamim copado em que eu costumava subir para me esconder por entre sua folhagem densa; o mandacaru, mais à frente, com seus galhos em forma de cruz, lembrando braços abertos, numa atitude de oração, pedindo chuvas e bênçãos para os sertanejos; a velha baraúna selvagem e altaneira com seus galhos espalhados quase tocando as nuvens e enfeitando o céu e ainda aninhando os pequenos xexéus em seus gigantescos ninhos de gravetos forrados de plumas de algodão, e o sonhim chupando rezina e fazendo caretas para mim. Do outro lado do açude, no alpendre da casa grande, meu avô sentado num tamborete, cheirando rapé, e minha avó, dando pitadas em seu cachimbo de barro. Passei para o outro lado da estrada, subi a grande moita de mufumbo, deitei-me na cama verde de sua folhagem e fiquei olhando o movimento. Menino espilicute, curioso e indiscreto, vi um transeunte cambaleando pela estrada que lhe parecia estreita demais: - Seu Jesuíno, o senhor tá bebo? - Tô não meu fi, tô bomzim. Só tô tonto. E continuou sua viagem, sem nem olhar para trás. Resolvi, então, ir até o Rio Salgado e ver os canteiros de cebola, alho e coentro; as leiras de batata doce; as covas de mandioca e macaxeira; as goiabeiras, pinheiras, cajazeiras, marizeiras; a vazante de cana de açúcar. O rio estava seco. Sentei-me numa pedra, enterrei os pés na areia fina, branca, fria e gostosa. Já era à tarde. Voltei para casa. Saí brincando com o mato. Fui quebrar um galho seco e peguei foi num cobra de cipó camuflada que me desferiu uma tremenda cipoada nos braços. Cheguei ao açude, tirei a roupa, entrei na água, tomei um banho refrescante, nadei bastante e contemplei uma nuvem de garças brancas em revoada, enfeitando o céu e fazendo uma algazarra festiva. Quando me dei conta, as primeiras estrelas já piscavam no céu e, por trás do serrote, começava a aparecer uma lua cheia, linda e majestosa. Apressei-me em voltar para casa para abraçar meu pai e comer aquele desejado baião-de-dois de minha mãe, com arroz pilado no pilão de aroeira, tomar aquele cafezinho torrado no caco, com cuscuz de milho moído no velho moinho Mimoso. Abri a porteira, atravessei a estrada, olhei desapontado. Só encontrei a saudade e as doces lembranças embaladas nos Prof.: Rosilmar braços do tempo que se foi.
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UNIVS traz o primeiro curso de Medicina Veterinária da região Centro Universitário Vale do Salgado
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eu nome é João Zamae, eu sou médico veterinário, especializado em patologia e oncologia animal, e atuo como coordenador e docente do curso de medicina veterinária da Universidade Vale do Salgado. É uma realização pessoal e profissional ocupar esse cargo numa instituição de crescente importância e destaque, haja vista que a oportunidade me saltou aos olhos e induziu a minha mudança de São Paulo capital para a cidade de Icó no Ceará. Sobretudo nesse momento de extrema dificuldade e imprevisibilidade para todos, a UniVS se mantém focada no crescimento institucional e em prover os seus alunos com a qualidade de ensino e atendimento que lhe é característica e a fez atingir o patamar que hoje ocupa. O curso de medicina veterinária é uma vitória, a custo de muito esforço do nosso reitor Professor Jaime Romero e vice-reitor Professor Wilson Santos, com grande auxílio da Professora Juliana Almeida coordenadora do curso de medicina veterinária da nossa instituição parceira, a UniLeão. A presença do nosso curso traz grande visibilidade para a região, além das possibilidades de desenvolvimento econômico e profissional, não apenas para os profissionais da área de medicina veterinária, mas para todos aqueles envolvidos direta e indiretamente no mercado de trabalho ocupado pelo médico veterinário. Falando em particular da instituição, é notável a quantidade de vagas de emprego para os cargos de ensino superior que a instituição disponibiliza. Essa quantidade cresce a cada semestre com o ingresso de novas turmas e a oferta de novas disciplinas, que fomenta a contração de bacharéis, especialistas, mestres e doutores em diversas áreas. 08 16
A presença desses profissionais na cidade de Icó representa uma força-tarefa muito bem qualificada não apenas para o ensino, mas também para colaborar diretamente com os profissionais das áreas de produção animal, clínica, higiene e inspeção, legislativo e afins. Nossos alunos, ao longo da progressão no curso, também tornam-se mão de obra disponível para os muitos setores da medicina veterinária, atuando não apenas como estagiários e futuros profissionais, mas, ainda mais importante, como formadores de opinião e fonte de conhecimento atualizado. Cabe ressaltar que nesse momento de pandemia o aumento do número de médicos veterinários e graduandos na área traz segurança para a região. Os médicos veterinários são profissionais da área da saúde, atuantes nos órgãos de vigilância sanitária, no sistema único de saúde, no ministério da agricultura e pecuária, nas prefeituras; e todos esses atuam em conjunto no controle da COVID-19. Essa importância do médico veterinário fica evidente na contratação de Laurício Monteiro Cruz ao cargo de diretor de Departament o de Imunizações e Doenças Transmissíveis. Mestre em saúde animal pela Universidade de Brasília (UNB). E é lamentável as retaliações que ele vem sofrendo, fruto apenas do desconhecimento da formação e capacidades do médico veterinário. Portanto, considero com meu papel, da minha equipe e da instituição UniVS ser fonte de informação e conhecimento, e formadores de profissionais e cidadãos aptos a colaborarem com a nossa cidade e região no seu desenvolvimento econômico, político e social. Para aqueles interessados em crescimento e cooperação mútua nossa instituição está de portas abertas.
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ALERTA
Casos de depressão disparam no Brasil durante a pandemia Quem sofre mais com esse cenário são as mulheres. Saiba como buscar ajuda para o problema.
O
impacto da pandemia na saúde mental das pessoas tem sido alvo de muitas pesquisas. De acordo com o estudo feito pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) — e publicado pela revista científica The Lancet –, os casos de depressão aumentaram 90% em mais de 23 estados brasileiros. Ainda conforme o estudo, o número de pessoas que relatou sintomas como ansiedade e estresse agudo também disparou. Já no início da quarentena, de 8,7 para 14,9. Além disso, outro dado que chama atenção é o volume de buscas na internet sobre dicas de como lidar com a ansiedade. Em 2020, esse número já superou as pesquisas do acumulado dos 10 anos anteriores. O isolamento social, o medo do novo coronavírus, o luto e a ameaça do desemprego são alguns dos responsáveis sobre esses efeitos nas pessoas, que geraram uma disparada de casos de depressão e ansiedade nos brasileiros nos últimos meses. “O que faz a gente ficar ansioso é o medo do desconhecido e o que vai acontecer no futuro. E, as consequências do que têm acontecido é uma perda de qualidade do trabalho e, em especial, da qualidade de vida. A gente tem visto esses danos colaterais que o novo coronavírus tem trazido para a saúde, em especial, a mental e neurológica”, disse o médico neurocirurgião Júlio Pereira, em entrevista ao programa “Hoje em Dia”, exibido recentemente pela Record TV. AS MULHERES SOFREM MAIS Outro levantamento recente também apontou que a pandemia deve predispor a população ao aumento de distúrbios como ansiedade, depressão e insônia. Segundo os resultados do estudo, realizado por pesquisadores da Instituição São Leopoldo Mandic, de Campinas-SP, quem sofre mais com esse cenário são as mulheres. Elas apresentaram maiores níveis de ansiedade (o dobro em relação aos homens), depressão e sono
ruim provocados pela pandemia. O estudo “Impacto da Covid-19 no sono e na saúde mental dos brasileiros” contou com cerca de 2.700 participantes, maiores de 17 anos, que estavam no Brasil no período da quarentena. Assista ao relato de uma mulher que por anos sofreu com uma depressão profunda e chegou a tentar o suicídio. Simone conta que era uma pessoa totalmente amargurada, não conseguia dormir e não tinha qualidade de vida alguma. Ela foi internada em uma clínica psiquiátrica, mas, por pouco tempo. Nesse ínterim, ouviu falar das reuniões de libertação que aconteciam todas as sextas-feiras na Universal e resolveu dar uma chance para si própria. Conheça essa história. ENCONTRO DE FÉ. A piora da saúde mental de uma pessoa ocorre por múltiplos fatores, por exemplo, o medo. Contudo, é importante observar que esses e outros males emocionais, muitas vezes, são doenças originadas na alma. Por isso, é necessário buscar também por ajuda espiritual. Se você está passando por esses problemas e não sabe como encontrar uma saída para eles, participe de um encontro de fé e fique livre de tudo o que impede a sua paz. Compareça nesta sexta-feira a uma reunião especialmente dirigida a quem sofre com problemas espirituais, inclusive, a depressão. Trata-se da Sessão do Descarrego. No Templo de Salomão, em São Paulo, ela acontece em cinco horários: às 7h, 10h, 12h, 15h e às 20h. Caso esteja em outras localidades, encontre o endereço mais perto de sua casa. Ademais, se você sofre com a depressão ou conhece alguém que padece deste mal pode entrar em contato com o projeto “Depressão tem Cura“. Você pode solicitar um atendimento ou uma visita pelo WhatsApp (11) 3573-3662 ou enviar uma mensagem pelo Instagram do grupo.
Adaptado: <https://www.universal.org/noticias/post/casos-de-depressao-disparam-no-brasil-durante-a-pandemia/>.
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