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RTI Setembro 2026

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DESTAQUES Ano 27 - Nº- 316 Setembro de 2026

A evolução dos data centers de IA e o papel dos transceptores ópticos A expansão dos clusters de inteligência artificial está elevando as exigências de largura de banda, latência, densidade e eficiência energética nos data centers. Com a evolução das redes de 400G para 800G e 1,6 Tbit/s, os transceptores ópticos ganham importância na interconexão de GPUs e aceleradores.

INFRAESTRUTURA

18

Guia de produtos para FTTH – Fabricantes e Distribuidores O levantamento reúne a oferta de equipamentos e componentes para redes de fibra óptica, como cabos e conectores, soluções GPON, ferramentas de instalação, instrumentos de teste e software para documentação de redes.

SERVIÇO

22

Marcas de Excelência em Data Centers – 6ª edição Em um mercado de data centers em forte expansão, a RTI apresenta a sexta edição da Pesquisa Marcas de Excelência em Data Centers. O levantamento mostra as marcas consideradas de excelência pelos profissionais do setor em 18 categorias de produtos essenciais à infraestrutura dessas instalações.

Capa: Vanessa Cristina

PESQUISA

Foto: Shutterstock

26

da Silva

Da arquitetura DWDM tradicional à convergência IPoDWDM: transceptores plugáveis de 100G a 1.6T

SEÇÕES

A evolução de padrões como 400ZR, OpenZR+ e 800ZR permite transportar comprimentos de onda DWDM diretamente a partir da camada IP, reduzindo elementos intermediários, mas transfere novas funções para os equipamentos IP e amplia a importância da integração entre engenharia óptica, telemetria e observabilidade.

Editorial

6

Informações

8

ÓPTICA COERENTE

Interface

46

Em Rede

58

Segurança

60

Produtos

62

Publicações

65

Índice de anunciantes

65

ISP em Foco

66

36

Guia de soluções anti-DDoS: fornecedores e prestadores de serviços (MSSPs) O levantamento reúne fornecedores de soluções para mitigação de ataques DDoS, prestadores de serviços gerenciados de segurança (MSSPs) e provedores e operadoras que oferecem serviços de clean pipe, proporcionando uma visão abrangente do ecossistema de proteção contra esse tipo de ameaça.

SERVIÇO

44

A evolução do OLT – Terminal de Linha Óptica As redes ópticas passivas (PONs) revolucionaram o setor de telecomunicações ao viabilizar o acesso à banda larga de alta velocidade aos usuários finais. No centro dessas redes está o OLT – Terminal de Linha Óptica, que atua como um ponto de interconexão entre a rede de distribuição óptica (ODN) e a infraestrutura do provedor de serviços.

FIBRA ÓPTICA

52

As opiniões dos artigos assinados não são necessariamente as adotadas por RTI, podendo mesmo ser contrárias a estas.


EDITORIAL

ARANDA

EDITORA

TÉCNICA

CULTURAL

LTDA.

Diretores: Edgard Laureano da Cunha Jr., José Roberto Gonçalves, e José Rubens Alves de Souza (in memoriam) REDAÇÃO: Diretor Diretor: José Rubens Alves de Souza (in memoriam) Jornalista responsável: Sandra Mogami (MTB 21.780) Repórter: Fábio Laudonio (MTB 59.526) SECRETÁRIAS DE REDAÇÃO E PESQUISAS: Milena Venceslau e Sabrina Emilly dos Anjos Costa

O mercado de data centers passa por uma fase de acelerada expansão no Brasil, impulsionada pela computação em nuvem, pela digitalização das empresas e, mais recentemente, pelo avanço da IA - Inteligência Artificial. A necessidade de armazenar e processar volumes crescentes de dados está estimulando novos projetos e ampliando a demanda por toda a infraestrutura necessária para manter essas instalações em operação. O país já possui 205 data centers em funcionamento e cerca de 1 GW de capacidade instalada de TI, segundo levantamento da Brasscom. A atividade responde por aproximadamente 55 mil empregos diretos, indiretos e induzidos. Outra vantagem está na matriz elétrica: 88% da geração é proveniente de fontes limpas ou renováveis, característica especialmente relevante diante do elevado consumo de energia dessas instalações. A posição brasileira também se destaca regionalmente. Levantamento da CBRE, empresa global de serviços e investimentos imobiliários, mostra que São Paulo é o maior mercado de data centers da América Latina, com 536,7 MW de inventário wholesale no primeiro trimestre deste ano. Somados, os quatro principais mercados da região (São Paulo, Querétaro, Santiago e Bogotá) alcançaram 1045 MW, crescimento de 41,3% em relação ao mesmo período de 2025. Ainda existe, entretanto, um amplo mercado potencial a ser atendido localmente. De acordo com o Ministério da Fazenda, cerca de 60% das cargas de dados e de inteligência artificial utilizadas no país ainda são processadas no exterior. Nesse contexto, a recente aprovação do Redata - Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center adiciona uma nova perspectiva ao setor. O programa prevê incentivos tributários para equipamentos destinados à implantação e expansão dessas instalações, acompanhados de contrapartidas relacionadas a investimentos, atendimento ao mercado brasileiro, energia e sustentabilidade. O crescimento dos data centers abre oportunidades igualmente importantes para a extensa cadeia de fornecedores. Cada nova instalação exige sistemas de energia e climatização, UPS, baterias, grupos geradores, racks, cabeamento, switches, roteadores, automação, segurança e proteção contra incêndio, entre inúmeras outras soluções. É justamente neste momento que a RTI retoma a Pesquisa Marcas de Excelência em Data Centers, cuja última edição havia sido publicada em 2022. Em sua sexta edição, o levantamento identifica as marcas consideradas de excelência pelos profissionais do mercado em 18 categorias de produtos. As indicações são espontâneas, sem apresentação prévia de marcas pela revista. Em um setor que ganha escala e importância para a economia digital, acompanhar as escolhas desses profissionais é também uma forma de registrar a evolução tecnológica do mercado e reconhecer as empresas que vêm construindo essa infraestrutura no país.

PUBLICIDADE NACIONAL: comercial: Élcio S. Cavalcanti Gerente comercial Contatos: Rodrigo Lima (rodrigo.lima@arandaeditora.com.br) Fábio Oddone (fabio.oddone@arandaeditora.com.br) REPRESENTANTES: Paraná e Santa Catarina: Romildo Batista Cel.: (41) 99728-3060 – romildo@arandaeditora.com.br Rio de Janeiro e Interior de São Paulo: Guilherme Carvalho Tel. (11) 98149-8896 – guilherme.carvalho@arandaeditora.com.br Rio Grande do Sul: Maria José da Silva Tel.: (11) 2157-0291 – Cel.: (11) 98179-9661 – maria.jose@arandaeditora.com.br INTERNATIONAL ADVERTISING SALES REPRESENTATIVES China: Mr. Weng Jie – Zhejiang International Adv. Group – 2-601 Huandong Gongyu, Hangzhou Zhejiang 310004, China Tel.: +86 571 8515-0937 – jweng@foxmail.com Germany: IMP InterMediaPro e K. – Mr. Sven Anacker – Starenstrasse 94 46D – 42389 Wuppertal Tel.: +49 202 373294 11, sa@intermediapro.de Italy: QUAINI Pubblicità – Ms. Graziella Quaini Via Meloria 7 – 20148 Milan Tel: +39 2 39216180 – grquaini@tin.it Japan: Echo Japan Corporation – Mr. Ted Asoshina Grande Maison Room 303, 2-2, Kudan-kita 1-chome, Chiyoda-ku, Tokyo 102-0073, Japan Tel: +81-(0)3-3263-5065 – e-mail: aso@echo-japan.co.jp Korea: JES Media International – Mr. Young-Seoh Chinn 2nd Fl., ANA Building, 257-1 Myeongil-Dong, Gangdong-gu Seoul 134-070 Tel: +82 2 481-3411 – jesmedia@unitel.co.kr Spain: GENERAL DE EDICIONES – Mr. Eugenio A. Feijoo C/Juan de Olia, 11-13, 2a. Planta 28020 Madri Tel: +34 91 572-0750 – gee@gee.es Switzerland Switzerland: Mr. Rico Dormann, Media Consultant Marketing Moosstrasse 7, CH-8803 Rüschlikon Tel: + 41 1 720-8550 – beatrice.bernhard@rdormann.ch Taiwan: WORLDWIDE S Services Co. Ltd. – Mr. Robert Yu 11F-B, No 540, Sec. 1, Wen Hsin Road, Taichung Tel: +886 4 2325-1784 – global@acw.com.tw UK: Robert G Horsfield International Publishers – Mr. Edward J. Kania Daisy Bank, Chinley, Hig Peaks, Derbyshire SK23 6DA Tel.: (+44 1663) 750-242, Cel.: (+44 7974) 168188 – ekania@btinternet.com USA USA: Ms. Fabiana Rezak - 2911 Joyce Lane, Merryck, NY 11566 USA Tel.: +(1) 516 476-5568 – arandausa@optonline.net ADMINISTRAÇÃO: Diretor administrativo: Edgard Laureano da Cunha Jr. CIRCULAÇÃO: São Paulo: Clayton Santos Delfino - tel. (11) 3824-5300 e 3824-5250 ASSISTENTES DE PRODUÇÃO: Vanessa Cristina da Silva e Talita Silva PROJETO VISUAL GRÁFICO, DIAGRAMAÇÃO E EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Estúdio AP SERVIÇOS: Impressão: Ipsis Gráfica e Editora S.A. Distribuição: ACF - Ribeiro de Lima

ISSN 1808-3544 RTI - Redes, Telecom e Instalações, revista brasileira de infraestrutura e tecnologias de comunicação, é uma publicação da Aranda Editora Técnica Cultural Ltda. Redação, Publicidade, Administração, Circulação e Correspondência: Rua Tagipuru, 92 - 01156-000 - São Paulo - SP - Brasil. Tel.: + 55 (11) 3824-5300 e 3824-5250 inforti@arandanet.com.br – www.arandanet.com.br A revista RTI - Redes, Telecom e Instalações é enviada a 12.000 profissionais das áreas de telecomunicações; redes locais, informática e comunicação de dados; instalações; TV por assinatura; áudio e vídeo; segurança (CFTV e alarmes); automação predial e residencial; e sistemas de energia, aterramento e proteção elétrica.


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Seu próximo canal DWDM pode começar direto no roteador. Com transceivers coerentes DCO, a função antes realizada por um transponder externo pode ser integrada à própria porta do roteador ou switch L3.

ARQUITETURA TRADICIONAL

IPoDWDM COM TRANSCEIVER DCO

PRE-QSFP28M-ZRHT 100G ZR DCO em QSFP28 • 0dBm Tx • C-Band tunable • 100GE/OTU4 • DWDM Coerente ao parque de equipamentos já instalado • Até 120 km sem amplificação* • Até 300 km sobre OLS, limitado por CD/OSNR* • Aplicações: metro, backbone, interligação de hubs e alien wavelenath.

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INFORMAÇÕES

8 – RTI – SET 2026

Recomex Energia está ampliando sua atuação em sistemas de missão crítica com o fornecimento de uma plataforma de monitoramento de baterias. A solução acompanha continuamente bancos instalados em UPS, retificadores e sistemas de emergência, com o objetivo de identificar anomalias antes que uma bateria deixe de cumprir sua função durante uma interrupção no fornecimento de energia. O sistema utiliza sensores conectados individualmente às baterias e um módulo de controle com software embarcado. Dessa forma, não é necessário instalar uma aplicação nos servidores do cliente. As informações podem ser acessadas por uma interface web ou encaminhadas a plataformas de supervisão, como DCIM e SCADA, por protocolos como Modbus RTU, Modbus TCP/IP e SNMP. Segundo Renato Rocha Filho, sócio e diretor da Recomex Energia, um módulo pode monitorar simultaneamente até quatro bancos, totalizando 480 baterias. A capacidade pode ser ampliada com a instalação de novos módulos. “Além do monitoramento individual, o sistema acompanha o banco completo. Mede tensão, corrente, temperatura, carga e descarga, entre outras grandezas, e permite gerar relatórios por períodos”, afirma. As leituras são atualizadas a cada 30 segundos. A plataforma também mantém o histórico das medições por até 10 anos, de acordo com a empresa, permitindo acompanhar tendências de degradação e comparar o comportamento dos elementos ao longo do tempo. Alarmes são emitidos quando os parâmetros configurados saem das faixas consideradas normais. O monitoramento permanente não substitui a manutenção preventiva, mas acrescenta uma camada de acompanhamento entre as visitas programadas. “Inspeções periódicas ou medições manuais representam a condição do banco apenas no momento em que

são realizadas. Já o sistema dedicado possibilita observar continuamente cada bateria, além de reduzir o risco de erros no registro das informações”, afirma. A identificação antecipada de uma unidade com desempenho anormal também pode evitar que ela prejudique as demais baterias conectadas ao banco. “Quando uma bateria começa a apresentar um problema e conseguimos substituí-la no momento certo, evitamos um efeito em cascata. O sistema dá a condição de saber em tempo real quando há uma alteração e permite tomar uma ação”, explica Rocha. Segundo o executivo, essa gestão pode contribuir para ampliar o aproveitamento do banco, pois evita substituições generalizadas baseadas apenas no tempo de uso. A decisão de trocar uma bateria, porém, continua dependendo

da análise técnica dos dados e das condições da instalação. Além da sinalização de falhas, o sistema realiza a equalização e reconhece um novo elemento após a substituição. A solução atende baterias ventiladas, VRLA e de níquel-cádmio, incluindo modelos de 1,2 V e 2 V. Baterias de íons de lítio não estão entre as aplicações previstas, porque normalmente já possuem um BMS – Battery Management System embarcado para executar funções semelhantes de supervisão e proteção. Uma das aplicações mais relevantes está em instalações remotas ou distribuídas, nas quais a inspeção física frequente exige longos deslocamentos ou apresenta dificuldades de acesso. Rocha cita o caso em avaliação de uma empresa de geração de energia que possui 12 torres de sirenes espalhadas por uma hidrelétrica, com

baterias instaladas a cerca de 12 metros de altura. Com o acompanhamento remoto, a equipe poderia verificar continuamente as condições dos equipamentos e enviar um técnico apenas quando houvesse um alarme ou necessidade de intervenção. O mesmo princípio se aplica a grandes instalações industriais. A Recomex está executando sua segunda implantação da tecnologia em uma mineradora. No passado, a empresa mantinha um profissional percorrendo as instalações ao longo do mês para verificar os bancos. “Com o sistema, o técnico ganha tempo e não precisa mais passar constantemente em cada local. Ele vai quando o sistema apresenta algum alarme”, diz. Além de indústrias e concessionárias de energia, a plataforma pode ser utilizada em data centers, redes de telecomunicações, hospitais, instituições financeiras e subestações. São ambientes nos quais falhas no fornecimento de energia podem interromper operações críticas e nos quais UPS e retificadores, isoladamente, nem sempre oferecem informações detalhadas sobre cada bateria. Fundada em 2017, em São Paulo, a Recomex atua com fornecimento, instalação, comissionamento e manutenção de infraestrutura de missão crítica. A empresa mantém parcerias com a Delta para UPS, com a Stulz para climatização de precisão e com a Geraforte para grupos geradores. Para o monitoramento de baterias, a atuação abrange o levantamento da topologia dos bancos, instalação de sensores e módulos, configuração dos limites de alarme, treinamento e suporte técnico. A companhia também avalia oferecer o monitoramento como serviço. O modelo, ainda em estruturação e previsto para os próximos anos, poderá incluir a locação dos equipamentos, acompanhamento dos alarmes pelo NOC da Recomex e envio de equipes para inspeção ou substituição de baterias. “Podemos receber os alarmes, acessar os dados remotamente e acionar uma equipe no local”, finaliza o diretor. Recomex Energia – Tel. (11) 98974-0301 n Site: https://www.recomexenergia.com.br/


9 – RTI – SET 2026

aprovação do Redata - Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center deve contribuir para destravar investimentos que estavam represados no setor, na avaliação da NextStream. Especializada em infraestrutura de data centers, a empresa atua há mais de 20 anos na América Latina e mantém 11 unidades distribuídas entre Brasil, Chile, Argentina, México e Peru. “Com a aprovação, isso vai movimentar o mercado de uma forma positiva, porque algumas demandas que estavam reprimidas devem começar a se abrir novamente”, afirma Marco Kalil, CRO da NextStream. O executivo espera uma reação rápida do mercado à redução da carga tributária sobre equipamentos destinados aos data centers. “Pedidos que aguardavam uma definição sobre o regime tributário poderão ser retomados, com reflexos já nos próximos meses”, diz. A tributação tem peso relevante nos investimentos em infraestrutura, que envolvem equipamentos como switches, roteadores, CPUs e chillers. Na avaliação do executivo, a desoneração tende a favorecer não apenas projetos tradicionais de colocation e nuvem, mas também a implantação de infraestrutura voltada à IA - Inteligência Artificial, que exige maior capacidade computacional. “A redução da carga tributária é muito positiva para o mercado de data centers como um todo”, diz. A expectativa em torno do Redata chegou a interferir nas decisões de algumas empresas. Projetos previstos para este ano teriam sido adiados para 2027 diante da indefinição sobre os incentivos. Mas empresas multinacionais continuam demonstrando interesse pelo país, segundo Kalil. “O mercado brasileiro é, sem dúvida, o mais atrativo. Quando a gente fala com clientes multinacionais que investem na América

Latina, quase todos são unânimes em dizer que o investimento começa pelo Brasil”, afirma. No caso da própria NextStream, os investimentos anunciados anteriormente não foram interrompidos pela espera do Redata. O principal projeto em execução é a ampliação do data center de Tamboré,

em Santana de Parnaíba, SP, anunciada em abril. O plano prevê duplicar a capacidade do site, dos atuais 8 MW para 16 MW em três anos. A primeira etapa acrescentará 1,5 MW e tem conclusão prevista para dezembro deste ano. “Estamos a pleno vapor. Já estamos no meio da expansão de Tamboré”, afirma Kalil. Segundo ele, houve ajustes pontuais de cronograma, mas o programa de expansão permanece dentro do planejamento. A unidade de Curitiba, PR, também está nos planos de crescimento. Fora do Brasil, a NextStream prevê novos movimentos principalmente no México e no Chile. Neste último, segundo maior mercado da companhia, o plano envolve remodelação e expansão de instalações existentes. O foco comercial permanece em colocation, clientes corporativos e provedores de nuvem, embora a companhia também atenda projetos selecionados de hyperscalers. A inteligência artificial também entrou na estratégia tecnológica. “Já estamos preparados para essas empresas e para os grandes provedores de nuvem. A IA é parte da nossa estratégia tecnológica”, afirma Kalil. A expansão envolve ainda infraestrutura complementar. A

companhia está ampliando as Meet Me Rooms e o número de provedores de comunicação disponíveis, estratégia destinada a aumentar a redundância e reduzir riscos de conectividade. A operação dos sites é acompanhada pelo Intelligent Command Center (IC2), centro integrado que monitora em tempo real os 11 data centers da empresa e reúne dados de energia, climatização, segurança, infraestrutura de TI e desempenho operacional. Na área de energia, a NextStream mantém parceria firmada com a Serena para fornecimento de energia renovável. Segundo Kalil, esse fator se tornou um requisito relevante para clientes corporativos de colocation, ao mesmo tempo em que a disponibilidade de energia ganha importância diante da expansão dos data centers e das cargas associadas à IA. NextStream – Site: https://nextstream.com/

avanço da IA - Inteligência Artificial, da computação em nuvem e das aplicações de alto desempenho está mudando rapidamente os requisitos de infraestrutura dos data centers. Com chips mais potentes e racks de maior densidade térmica, a climatização deixa de ser apenas um sistema de suporte para assumir um papel estratégico na disponibilidade, eficiência energética e sustentabilidade dessas instalações. Nesse cenário, a Midea Carrier aposta em um portfólio integrado que reúne equipamentos de climatização, automação, monitoramento e serviços para atender às diferentes demandas do mercado. Segundo João Paulo Pacheco de Oliveira, gerente de Produtos da Midea Carrier, a empresa adota uma abordagem que integra todas as etapas do


INFORMAÇÕES gerenciamento térmico do data center. “Nossa proposta segue o conceito de solução integrada, do ‘chip ao chiller’, contemplando desde a remoção do calor próximo à carga de TI até a geração de água gelada, distribuição de ar, controle ambiental, operação assistida e suporte contínuo”, afirma. No Brasil, a companhia oferece um portfólio que inclui chillers de condensação a ar com compressores centrífugos e de parafuso, equipamentos CRAH, CRAC, fan walls, CDUs, dry coolers, além de plataformas de automação predial (BAS), gerenciamento de infraestrutura de data centers (DCIM) e serviços para todo o ciclo de vida dos sistemas. A empresa destaca que cada projeto é dimensionado de acordo com fatores como densidade térmica, arquitetura da sala, nível de redundância e perspectiva de expansão. Entre os diferenciais apontados estão recursos de automação e monitoramento contínuo, capazes de acompanhar parâmetros como temperatura, umidade, vazão de ar e desempenho operacional em tempo real. Os equipamentos também podem incorporar funcionalidades como controle master/ slave, rodízio automático entre unidades, comunicação Modbus, ventiladores EC, monitoramento do consumo de energia

10 – RTI – SET 2026

e integração com sistemas BAS, BMS e DCIM. “A eficiência energética deve ser analisada de forma sistêmica, considerando não apenas o equipamento individual, mas todo o ciclo térmico do data center”, destaca Oliveira. Além do tradicional indicador PUE Power Usage Effectiveness, a empresa observa que o mercado começa a adotar métricas complementares de sustentabilidade, como WUE (uso de água), CUE (pegada de carbono), CPE (eficiência computacional) e ERE (reaproveitamento de energia), refletindo uma visão mais ampla da eficiência operacional dos empreendimentos. Um dos principais movimentos observados pela fabricante é o crescimento das soluções de resfriamento

líquido. De acordo com Oliveira, o aumento da densidade de processamento provocado pela inteligência artificial faz com que o resfriamento por ar se aproxime de seus limites em determinadas aplicações. “A IA deverá ampliar significativamente a demanda por sistemas de climatização mais robustos, eficientes e flexíveis. Em vez de resfriar apenas o ambiente, passa a ser necessário controlar o calor o mais próximo possível de sua origem”, afirma. Nesse contexto, a Midea Carrier oferece soluções como chillers, CDUs e dry coolers, além de arquiteturas direct-to-chip, rear door heat exchanger e resfriamento por imersão. Segundo a empresa, sistemas direct-to-chip podem remover aproximadamente 70% a 75% do calor gerado pelos equipamentos, deixando o restante para os sistemas convencionais de climatização. Apesar desse avanço, a expectativa é de que o mercado evolua para arquiteturas híbridas. “A tendência não é uma substituição imediata das soluções tradicionais, mas uma convivência entre arquiteturas. Data centers devem combinar ar, água gelada, automação e, em aplicações específicas, o resfriamento líquido”, observa o executivo. Segundo ele, os segmentos de colocation, hyperscale, cloud,


INFORMAÇÕES telecomunicações, serviços financeiros, varejo digital, saúde, indústria e governo deverão liderar a demanda por novas soluções térmicas. O executivo acrescenta que projetos recentes já apresentam maior preocupação com densidade por rack, eficiência energética, modularidade, monitoramento remoto e facilidade de manutenção ao longo do ciclo de vida. Fruto de joint venture firmada em 2011 entre a chinesa Midea e a norte-americana Carrier, a Midea Carrier atua na fabricação e comercialização de equipamentos de climatização. No Brasil, a empresa mantém fábricas em Canoas, RS, e Manaus, AM, integra uma estrutura com mais de 3,5 mil colaboradores na América Latina e afirma ter comercializado mais de 3 milhões de equipamentos no mercado brasileiro nos últimos dois anos.

12 – RTI – SET 2026

óptica precisa ocorrer em paralelo ao avanço das GPUs”, explica Juliano Covas, diretor regional de vendas da Corning. Os hyperscalers também têm fechado parcerias com operadoras para a interconexão entre data centers, especialmente em clusters dedicados ao treinamento de IA. Segundo a empresa, cada data center costuma apresentar quatro rotas de entrada e saída (norte, sul, leste e oeste), levando as big techs a trabalhar com uma ampla gama de parceiros em busca de redundância para a construção dessas rotas. O portfólio da Corning para os mercados de data centers e telecomunicações inclui conectores de lentes, tecnologia que amplia a área de transmissão do laser como alternativa ao

Midea Carrier – Tel. 0800 648 1005 Site: https://www.mideacarrier.com.br/

Corning, fabricante de soluções ópticas, tem ampliado seus investimentos no mercado de data centers. Na última vez em que apareceu em RTI (novembro de 2025, edição nº 306), a companhia justificou a escolha em razão do uso cada vez mais intenso de IA - Inteligência Artificial nessas instalações. Em 2026, uma das estratégias adotadas para atender à crescente demanda dos hyperscalers por fibra óptica foi o fechamento de acordos comerciais e de coinovação com empresas ligadas ao desenvolvimento de IA, como Meta, AWS, Nvidia e Microsoft. Os modelos variam desde a antecipação de recursos para compensar parte dos custos de produção até contratos take or pay, nos quais a parceira se compromete a adquirir parte da produção. “A cada dois anos, temos uma evolução nos modelos de GPU que acarreta crescimento no consumo de dados e conectividade. Por isso, a inovação de componentes de fibra

modelo tradicional entre fibras; o CPO – Co-Packaged Optics, arquitetura que substitui o cobre por fibra óptica entre switches e roteadores, o que pode gerar até 70% de redução no consumo de energia em transceivers que utilizam cobre; e a fibra multicore, que reúne quatro núcleos em uma única fibra. “No ano passado, falamos sobre diminuir o tamanho da fibra óptica. Agora, estamos focados em quadruplicar a capacidade com o mesmo espaço físico ao oferecer quatro núcleos em uma única estrutura. É uma otimização para a infraestrutura física”, diz Covas. Para a produção de fibra óptica, a Corning utiliza uma rede de parceiros e insumos provenientes de mercados como Índia e Europa. Atualmente, as verticais de data centers e telecomunicações representam 50% do faturamento da empresa no Brasil. Corning – Tel. (11) 95605-2422 n Site: www.corning.com

ma das principais preocupações dos provedores de Internet é acompanhar, com precisão, o desempenho de suas operações. Para isso, muitas empresas utilizam plataformas de monitoramento capazes de indicar não apenas o funcionamento dos sistemas, mas também possíveis gargalos operacionais. Entretanto, esses dados só geram valor quando podem ser convertidos em informações úteis para a tomada de decisão. Com escritório em Goiânia, GO, a Blue Dice desenvolve projetos personalizados de BI - Business Intelligence para provedores de Internet, integrando dados financeiros, operacionais e comerciais em uma única plataforma. Por meio de dashboards, os gestores acompanham indicadores como taxa de cancelamento por município, fidelização de clientes, evolução da base de assinantes e projeções de crescimento. “Muitos provedores foram criados por profissionais com sólida experiência técnica em telecom, mas que nem sempre têm afinidade com o acompanhamento sistemático dos indicadores do negócio. No passado, uma operadora com até 5 mil clientes conseguia crescer sem analisar todos os números. Hoje, em um mercado muito mais competitivo, isso se tornou inviável”, afirma Erick Moreno Oliveira, CEO da Blue Dice. A plataforma opera via navegador e pode ser implantada em aproximadamente sete dias, período que contempla o levantamento das bases de dados, a configuração dos painéis e o treinamento dos usuários. Segundo a empresa, uma das etapas mais importantes é a calibração das informações junto ao cliente, quando são ajustadas regras de negócio, tratadas inconsistências e definidas eventuais exceções para que os indicadores reflitam a realidade operacional do provedor. “Os dados precisam representar a realidade da operação, e não apenas indicadores genéricos. Para isso, realizamos reuniões com os tomadores de decisão e contamos com uma equipe de CS - Customer Success preparada para atender às necessidades dos clientes”, explica o executivo.


INFORMAÇÕES

O gestor da empresa pode restringir a visualização dos dashboards conforme nome, cargo ou setor. De acordo com Oliveira, esse modelo permite controlar os níveis de acesso às informações, concedendo ou revogando permissões conforme mudanças de função dos colaboradores. “O gestor consegue visualizar quem e quando acessou, quais dashboards consultou e qual foi o nível de utilização. Isso é importante porque não basta disponibilizar os dados para o gerente comercial, por exemplo, se ele não acompanha seus próprios indicadores”, destaca. Outro recurso disponível é o uso de modelos estatísticos para cálculo de probabilidades. A funcionalidade, que conta com o auxílio de um estatístico da Blue Dice, utiliza matrizes de correlação e algoritmos como Prophet e XGBoost para identificar padrões e realizar projeções. Entre as aplicações está a estimativa da probabilidade de um cliente cancelar o serviço de Internet em determinados períodos, com base na comparação de seu comportamento com o de outros assinantes que apresentaram características semelhantes. “Os cálculos utilizam regressões linear e logística, matrizes de correlação e outros modelos estatísticos. Os recursos de IA - Inteligência Artificial são empregados como uma ferramenta para facilitar a interpretação dos resultados quando o usuário encontra dificuldade em compreender os dados gerados”, explica Leidiane Beatriz Passos Rodrigues, scrum master da Blue Dice.

14 – RTI

Compatível com diversos ERPs do mercado, a plataforma é utilizada atualmente por cerca de 100 provedores e integra informações provenientes de bases como IBGE, IPCA, Anatel e outras fontes públicas. Recentemente, a Blue Dice lançou um bot que envia notificações automáticas sobre indicadores previamente definidos, permitindo consultas rápidas sem a necessidade de acessar a ferramenta. Blue Dice - Tel. (62) 98226-0455 n Site: www.bluedice.com.br

O melhor do Bits Associação - Criada há cerca de um ano em São Paulo, a API.SP - Associação dos Provedores de Internet de São Paulo foi fundada para tratar de demandas que, segundo seus fundadores, diferem das enfrentadas por empresas de outras regiões do país. A entidade defende que questões regulatórias, operacionais e de mercado exigem uma representação mais próxima da realidade paulista, em vez de uma abordagem nacional uniforme. Um dos diferenciais previstos pela API.SP é a criação de representações regionais para ampliar o atendimento aos associados no interior do Estado. A proposta é estabelecer unidades locais, chamadas de “sub-APIs”, em regiões como Bauru, Cotia e outros polos distantes da


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capital, permitindo maior proximidade com os provedores e a realização de reuniões presenciais. Para os interessados em se associar, o site da entidade é o https://apisaopaulo.org.br/. Mercado - A expansão dos data centers, impulsionada principalmente pelo avanço da IA - Inteligência Artificial, começa a se transformar em um novo vetor de demanda para a indústria siderúrgica. A avaliação é da Gerdau, que já observa um impacto significativo desse mercado em suas operações nos Estados Unidos e vê potencial para que o movimento também ganhe força no Brasil. Segundo Gustavo Werneck, CEO da companhia, o consumo de aço associado aos data centers não se limita às próprias instalações. A expansão da capacidade computacional exige também investimentos em geração e transmissão de energia e outras infraestruturas necessárias para suportar o elevado consumo elétrico dessas unidades. Nos Estados Unidos, onde o mercado está mais avançado, os efeitos já aparecem nos resultados da siderúrgica. No segundo trimestre de 2026, a carteira de pedidos da operação norteamericana da Gerdau superou 100 dias, maior nível desde 2021. As vendas de aço da operação cresceram 6% em relação ao trimestre anterior. Site: https://abrir.link/uXopT. Data center - A cidade de Campinas, SP, receberá um data center de alta capacidade voltado ao processamento de aplicações de IA - Inteligência Artificial, com investimento inicial de aproximadamente R$ 5 bilhões, que poderá chegar a R$ 20 bilhões nas diferentes fases de implantação, e previsão de geração de cerca de 3,6 mil empregos diretos e indiretos. O centro de dados, pertencente à Terranova, será implantado no PIDS - Polo de Inovação para o Desenvolvimento Sustentável de Campinas, onde foi a primeira empresa a receber incentivo fiscal. O Campus Campinas ocupará uma área de aproximadamente 944 mil metros quadrados e terá uma subestação com capacidade inicial de 300 MW, com possibilidade de expansão para até 1 GW. Na primeira fase, estão previstos 216 MW de capacidade de TI, com áreas reservadas para futuras expansões que podem elevar essa capacidade para 386 MW. Site: https://abrir.link/UMHuW. Legislação - A Câmara dos Deputados aprovou em agosto, por 333 votos a 91, o PLP - Projeto de Lei Complementar 230/2025, que protege os recursos do Fust - Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações contra contingenciamentos e prorroga mecanismos destinados a ampliar sua aplicação em projetos de conectividade. A matéria segue agora para o Senado Federal, onde a Frente Parlamentar Mista de Telecomunicações e Soluções Digitais acompanhará a tramitação e trabalhará pela continuidade de sua aprovação. Site: https://abrir.link/CbzBU. O melhor do Bits traz um resumo das principais notícias sobre o mercado publicadas no RTI in Bits, boletim semanal enviado por e-mail para os leitores de RTI . Mais notícias podem ser encontradas no site: https:// www.arandanet.com.br/revista/rti/noticias.


INFRAESTRUTURA

18 – RTI – SET 2026

A evolução dos data centers de IA e o papel dos transceptores ópticos Aarón Arechiga, Gerente de Engenharia da Skylane Optics

D A expansão dos clusters de inteligência artificial está elevando as exigências de largura de banda, latência, densidade e eficiência energética nos data centers. Com a evolução das redes de 400G para 800G e 1,6 Tbit/s, os transceptores ópticos ganham importância na interconexão de GPUs e aceleradores, ao mesmo tempo em que ampliam os desafios de interoperabilidade, confiabilidade e consumo de energia.

urante muitos anos, a evolução dos data centers esteve diretamente relacionada ao crescimento da computação tradicional, da virtualização, dos serviços em nuvem e do aumento do volume de dados gerados por aplicações corporativas. A arquitetura era relativamente previsível: servidores, armazenamento, switches, conectividade Ethernet e links ópticos dimensionados para acompanhar o crescimento gradual do tráfego. A IA - Inteligência Artificial e o ML - Machine Learning estão impulsionando uma transformação sem precedentes na infraestrutura digital global. O treinamento e a inferência de modelos cada vez mais complexos exigem quantidades massivas de processamento, armazenamento e, principalmente, conectividade. Como resultado, os data centers evoluíram significativamente nas últimas duas décadas, passando de ambientes voltados principalmente para hospedagem de aplicações corporativas para enormes clusters computacionais especializados em IA. Por trás dessa evolução estão componentes pouco conhecidos pelos usuários finais, mas essenciais para o funcionamento dessas infraestruturas: os transceptores ópticos.

Evolução dos data centers tradicionais para clusters de IA Os primeiros data centers modernos foram desenvolvidos para suportar aplicações corporativas, ambientes virtualizados, sistemas de armazenamento e serviços de hospedagem. Nesse cenário, a maior parte do tráfego de rede era caracterizada pelo fluxo norte-sul, no qual os usuários acessavam aplicações hospedadas nos servidores. Com o avanço da computação em nuvem, surgiu um novo padrão de tráfego conhecido como leste-oeste, caracterizado pela intensa comunicação entre servidores, sistemas de armazenamento e aplicações distribuídas dentro do próprio data center. Esse fenômeno impulsionou a adoção de arquiteturas Spine-Leaf, projetadas para reduzir a latência e aumentar a capacidade de comunicação interna. Entretanto, o surgimento dos grandes clusters de IA levou essa demanda a um nível completamente diferente. Em ambientes de IA e ML, milhares de GPUs trabalham simultaneamente para processar conjuntos massivos de dados. Durante o treinamento de modelos, essas GPUs precisam trocar informações continuamente, exigindo


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uma infraestrutura de rede capaz de transportar volumes gigantescos de dados com latência mínima. Diferentemente dos data centers tradicionais, onde a comunicação predominante ocorre entre usuários e aplicações, nos clusters de IA a maior parte do tráfego acontece entre os próprios servidores e aceleradores. Isso produz uma explosão do tráfego leste-oeste e eleva significativamente os requisitos de largura de banda, densidade de portas e desempenho da infraestrutura óptica. A crescente demanda por desempenho impulsionou uma rápida evolução das tecnologias de interconexão.

A evolução das velocidades de rede Nos últimos anos, os data centers passaram por sucessivas gerações de conectividade, migrando de 10G para 25G, 40G, 100G, 200G e, posteriormente, para 400G. Atualmente, os ambientes mais avançados estão adotando arquiteturas de 800G, enquanto os primeiros projetos baseados em 1,6 Tbit/s já são uma realidade nos maiores hyperscalers do mundo, especialmente para suportar clusters de IA de última geração. Essa evolução não ocorre de forma homogênea em todas as regiões geográficas. Nos Estados Unidos, grandes provedores de nuvem e hyperscalers já iniciaram implantações de transceptores de 1,6 Tbit/s em projetos voltados para IA. Já na Europa, os novos ambientes de alta performance são predominantemente construídos sobre arquiteturas 800G. Na América Latina, grande parte do mercado ainda se encontra em processo de migração de 400G para 800G, impulsionado pelo crescimento da computação em nuvem, data centers de colocation e aplicações de IA.

A evolução dos transceptores ópticos A evolução dos data centers está diretamente ligada à evolução dos transceptores ópticos. À medida que as

aplicações exigiram maior largura de banda, menor latência e maior eficiência energética, os módulos ópticos precisaram acompanhar esse crescimento por meio de novas arquiteturas, tecnologias de modulação e avanços na eletrônica de alta velocidade. Durante muitos anos, os transceptores SFP+ 10G, baseados em sinais NRZ (Non-Return-to-Zero), dominaram as redes corporativas e os primeiros ambientes em nuvem. Posteriormente, a demanda por maior densidade e desempenho impulsionou a adoção dos SFP28 25G, que se tornaram o alicerce das arquiteturas Spine-Leaf modernas, oferecendo melhor relação entre custo, capacidade e consumo de energia. Com a consolidação dos hyperscalers e dos grandes data centers em nuvem, surgiram os módulos QSFP28 100G, que permitiram multiplicar a capacidade dos enlaces. No entanto, o crescimento exponencial das aplicações de big data, computação em nuvem e, posteriormente, inteligência artificial, exigiu um novo salto tecnológico. A chegada das arquiteturas QSFP-DD - Quad Small Form-factor Pluggable Double Density e OSFP - Octal Small Form-factor Pluggable viabilizou os transceptores de 400G e 800G, inicialmente utilizando sinais elétricos baseados em SerDes de 56 Gbit/s por canal e posteriormente evoluindo para SerDes de 112 Gbit/s. A evolução dos módulos QSFP112 e OSFP112 trouxe melhorias importantes em latência, eficiência energética e densidade de interconexão, reduzindo a quantidade de componentes eletrônicos necessários para atingir a mesma capacidade agregada. Essas características são particularmente relevantes em clusters de IA, onde o desempenho do sistema depende não apenas da velocidade dos enlaces, mas também da rapidez com que milhares de GPUs e aceleradores conseguem trocar informações entre si. Como resultado, os módulos QSFP112 e OSFP112 tornaram-se peças fundamentais na construção dos data centers e clusters de IA de última geração.

Mais recentemente, surgiram os módulos OSFP224, projetados para operar com canais de 224 Gbit/s e viabilizar velocidades de 1,6 Tbit/s, uma tecnologia que já começa a ser adotada pelos principais hyperscalers para evitar gargalos de rede em infraestruturas de treinamento de modelos de IA cada vez maiores.

Os desafios da implementação Apesar dos avanços tecnológicos, a implantação de novas infraestruturas de alta velocidade continua enfrentando desafios importantes. Um dos principais é a interoperabilidade entre fabricantes. Muitos operadores de data centers utilizam equipamentos de diferentes fornecedores, criando a necessidade de transceptores compatíveis com múltiplas plataformas. Outro desafio crescente está relacionado ao ciclo de vida dos produtos. Diversos módulos ópticos amplamente utilizados nos últimos anos já entraram em processo de fim de vida útil, dificultando expansões e manutenções de infraestrutura. Além disso, à medida que a demanda por IA cresce globalmente, a cadeia de suprimentos também sofre pressão. Em determinados momentos, componentes críticos podem apresentar prazos de entrega incompatíveis com os cronogramas dos projetos, atrasando implementações e ampliações de capacidade. Para organizações que precisam expandir rapidamente suas redes, esses fatores podem se tornar gargalos tão relevantes quanto as limitações tecnológicas. Nesse contexto, os transceptores universais surgem como uma alternativa estratégica para operadores de data centers, provedores de serviços e ambientes corporativos. Além de oferecer interoperabilidade com múltiplas plataformas, esses módulos proporcionam maior flexibilidade operacional, redução da dependência de um único fabricante, mitigação


INFRAESTRUTURA dos riscos associados ao fim de vida útil, maior disponibilidade de estoque, menores prazos de entrega e redução do custo total de propriedade (TCO).

Por que a qualidade dos transceptores importa? À medida que os data centers evoluem para suportar aplicações de IA e ML, a qualidade dos transceptores ópticos torna-se um fator crítico para o sucesso da infraestrutura. Nesses ambientes, a confiabilidade e o desempenho dos transceptores tornam-se fatores críticos para a infraestrutura. Diferentemente dos data centers tradicionais, os clusters de IA dependem de uma troca contínua e massiva de dados entre milhares de GPUs, aceleradores e servidores. Nesse cenário, a rede deixa de ser apenas um meio de transporte e passa a ser um elemento fundamental para o desempenho computacional. Um único enlace com degradação de sinal, aumento de latência ou perda de pacotes pode criar gargalos capazes de afetar o desempenho de todo o cluster. Considerando que o treinamento de grandes modelos de IA pode envolver milhares de GPUs executando processos distribuídos simultaneamente, qualquer interrupção ou instabilidade na infraestrutura de interconexão pode aumentar significativamente os tempos de processamento, reduzir a eficiência dos recursos computacionais e elevar os custos operacionais. A confiabilidade de um transceptor está diretamente relacionada à qualidade do seu projeto, dos seus componentes internos e dos processos de fabricação empregados. Os principais elementos que influenciam seu desempenho incluem: • DSP - Processador Digital de Sinais: responsável pelo processamento e correção de sinais de alta velocidade; • Lasers ópticos: determinam a estabilidade e a qualidade da transmissão óptica;

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• Fotodetectores: responsáveis pela conversão precisa dos sinais ópticos em sinais elétricos; • Circuitos eletrônicos de alta velocidade: essenciais para o transporte confiável de grandes volumes de dados; • Sistemas de gerenciamento térmico: fundamentais para manter a estabilidade operacional em ambientes de alta densidade. Para garantir desempenho, confiabilidade e interoperabilidade, os módulos ópticos devem passar por rigorosos processos de validação, entre os quais se destacam: • Burn-in: ciclos prolongados de operação em condições de estresse para identificar falhas prematuras; • Diagrama de olho: análise da qualidade do sinal para verificar sua integridade e margem operacional; • BER – Taxa de erro de bits: medição da taxa de erros durante a transmissão de dados; • Testes de conformidade PAM4: validação dos sinais utilizados em transceptores de 400G, 800G e 1,6 Tbit/s; • Testes térmicos e elétricos: simulação de condições extremas de operação e variações ambientais; • Validações de interoperabilidade: certificação do funcionamento com diferentes plataformas de switches, roteadores e aceleradores de rede. Além dos testes funcionais, os fabricantes podem realizar validações de longo prazo para assegurar a estabilidade do módulo durante todo o seu ciclo de vida, especialmente em ambientes de alta densidade, onde o consumo de energia e a dissipação térmica representam desafios significativos. Sem esse nível de engenharia, certificação e controle de qualidade, o risco de falhas, indisponibilidade de serviços e degradação de desempenho aumenta substancialmente. Em um data center voltado para IA, a confiabilidade dos transceptores ópticos não afeta apenas a conectividade da rede, mas influencia diretamente a eficiência dos clusters computacionais e o retorno sobre os investimentos realizados em infraestrutura.

Eficiência energética: o novo desafio Além do aumento da capacidade, a evolução dos transceptores ópticos tem sido impulsionada por um fator igualmente importante: a eficiência energética. Nos data centers tradicionais, o consumo de energia dos módulos ópticos representava uma parcela relativamente pequena da infraestrutura. Contudo, nos clusters de IA, onde milhares ou até dezenas de milhares de enlaces ópticos operam simultaneamente, cada watt economizado por transceptor pode representar economias significativas em energia e refrigeração. Para enfrentar esse desafio, surgiram novas arquiteturas como os transceptores LPO - Linear Pluggable Optics e LRO - Linear Receive Optics. Diferentemente dos módulos convencionais, que utilizam DSPs complexos para realizar o processamento digital do sinal, essas tecnologias reduzem ou eliminam parte desse processamento, diminuindo significativamente o consumo de energia, a dissipação térmica e a latência dos enlaces.

Conclusão À medida que aplicações de IA e ML redefinem os limites da computação, a infraestrutura de rede torna-se tão importante quanto a própria capacidade de processamento. O sucesso dos clusters de IA depende não apenas das GPUs e aceleradores, mas também da capacidade da rede de transportar enormes volumes de dados com máxima eficiência e mínima latência. Do 400G ao 800G e agora ao 1,6 Tbit/s, cada salto tecnológico tem sido impulsionado pelos avanços dos transceptores ópticos. Mais do que simples componentes de conectividade, esses dispositivos tornaram-se elementos estratégicos para a construção dos data centers do futuro.


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Os fabricantes e distribuidores de produtos para FTTH são o foco do guia publicado a seguir. O levantamento reúne a oferta de equipamentos e componentes para redes de fibra óptica, como cabos e conectores, soluções GPON, ferramentas de instalação, instrumentos de teste e software para documentação de redes.

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Obs: Os dados constantes deste guia foram fornecidos pelas próprias empresas que dele participam, de um total de 770 empresas pesquisadas. elecom e Instalações Fonte: Revista Redes, TTelecom Instalações, setembro de 2026. Este e muitos outros Guias de RTI estão disponíveis on-line, para consulta. Acesse www.arandanet.com.br/revista/rti e confira. Também é possível incluir a sua empresa na versão on-line de todos estes guias.

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26 – RTI – SET 2026

Marcas de Excelência em Data Centers – 6ª edição aprovação do Redata, a RTI

O

mercado brasileiro de data centers atravessa um período de expansão que combina crescimento da capacidade instalada, novos investimentos e aumento da demanda por infraestrutura para computação em nuvem e inteligência artificial. Nesse cenário, cresce também a importância dos equipamentos e sistemas que sustentam essas instalações, desde a alimentação e distribuição de energia e a climatização até a conectividade, segurança, automação e infraestrutura física. É nesse contexto que a revista RTI apresenta a sexta edição da pesquisa Marcas de Excelência em Data Centers, levantamento que identifica as marcas consideradas de excelência pelos profissionais do setor em 18 categorias de produtos utilizados na infraestrutura dessas instalações. A pesquisa, cuja edição anterior havia sido realizada em 2022, é retomada neste ano em um momento de forte movimentação do setor. No mercado, estima-se que cada MW exija investimentos de cerca de US$ 10 milhões a US$ 15 milhões. Os números ajudam a dimensionar essa transformação. De acordo com o relatório Data Center Brasil 2026, da JLL, somente no primeiro semestre deste ano foram entregues 106 MW de novos data centers no país e outros 134 MW estavam previstos até dezembro. O volume de entregas deve fazer de 2026 um ano recorde, com investimentos estimados em cerca de US$ 8 bilhões. A taxa de

vacância nacional está em apenas 4%, enquanto 56% do novo estoque em construção já se encontra pré-locado. Nos cálculos da empresa, o mercado cresceu em média 15% ao ano e multiplicou por seis seu tamanho desde 2012. E a perspectiva é de continuidade desse movimento. A JLL contabiliza 660 MW em construção, capazes de atrair aproximadamente US$ 17,4 bilhões em investimentos, além de outros 4621 MW

em pipeline. A projeção é que o mercado dobre de tamanho até 2030. São Paulo continua como o principal hub do país e da América Latina, concentrando 38% da capacidade brasileira, especialmente nos polos da capital/Barueri e de Campinas. Ao mesmo tempo, novas fronteiras começam a ganhar importância. Fortaleza, por exemplo, tem 227 MW em construção, volume que, se concretizado, representará um crescimento de quase 1180% da capacidade local.

O avanço da inteligência artificial adiciona outra dimensão a esse cenário. Estudo da FGV Projetos sobre o potencial do Brasil como hub internacional de infraestrutura digital aponta como vantagens competitivas do país a matriz elétrica majoritariamente renovável, a posição geográfica, o tamanho do mercado interno e a expansão da demanda por serviços de nuvem e IA. O levantamento estima que a implantação de um único data center com infraestrutura de inteligência artificial pode mobilizar cerca de R$ 25 bilhões em investimentos e gerar aproximadamente 12.560 empregos diretos e indiretos durante a construção e implantação, dos quais cerca de 1860 seriam permanentes. Os efeitos, segundo a FGV, ultrapassam a própria indústria de tecnologia. Os investimentos em data centers movimentam segmentos como energia elétrica, construção civil, telecomunicações, logística e serviços técnicos especializados. Ao mesmo tempo, o estudo identifica obstáculos à competitividade brasileira, entre eles a elevada carga tributária sobre equipamentos e serviços e a necessidade de maior estabilidade regulatória, previsibilidade energética e coordenação entre a expansão do sistema elétrico e a chegada das novas cargas digitais.


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Uma mudança importante nesse ambiente ocorreu com a recente aprovação do Redata – Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center. O regime prevê, entre outros pontos, cinco anos de suspensão de tributos na aquisição de equipamentos destinados aos empreendimentos, incluindo Imposto de Importação, PIS/Cofins, PIS/Cofins-Importação e IPI. Cumpridos os compromissos estabelecidos pelo programa, a suspensão é convertida em isenção.

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O Redata abrange data centers destinados a atividades como computação em nuvem, processamento de alto desempenho e treinamento e inferência de modelos de inteligência artificial. Em contrapartida aos benefícios, estabelece exigências relacionadas, entre outros aspectos, ao atendimento do mercado brasileiro, sustentabilidade, eficiência hídrica, contratação ou autoprodução de energia de fontes renováveis ou de baixa emissão e investimentos no país. A aprovação do regime tende, portanto, a acrescentar um novo elemento ao ambiente de investimentos justamente quando o mercado já registra forte expansão. Para os fornecedores de infraestrutura, esse movimento é particularmente relevante. Cada megawatt acrescentado à capacidade dos data centers requer uma extensa cadeia de equipamentos e serviços para garantir energia, refrigeração, conectividade, disponibilidade e segurança às instalações. O crescimento projetado

para os próximos anos amplia, assim, não apenas o mercado dos operadores, mas também as oportunidades para fabricantes, integradores, distribuidores, empresas de engenharia e prestadores de serviços especializados.

É nesse universo que se insere a Pesquisa Marcas de Excelência da RTI . Diferentemente de um levantamento baseado em uma relação previamente definida de fabricantes, a pesquisa procura captar de forma espontânea a


RTI – SET 2026 - 29

percepção dos profissionais que especificam, instalam, operam ou utilizam essas tecnologias. Para esta edição, foram selecionados 3859 leitores do cadastro da revista, que receberam por e-mail uma explicação sobre os objetivos do trabalho e um convite para responder à pergunta: “Da relação dos produtos abaixo, quais marcas você considera de excelência?” Não houve sugestão ou indicação de marcas por parte da RTI : cada participante digitou espontaneamente os nomes que considerava adequados em cada categoria. Foram recebidas 224 respostas, das quais 155 foram validadas. O levantamento ouviu profissionais de empresas de projeto, engenharia, instalação e construção, hosting e colocation, além de usuários finais de tecnologia de companhias privadas e órgãos públicos. Os participantes foram orientados a responder somente sobre produtos com os quais efetivamente têm contato. Por isso, cada uma das 18 categorias possui um universo próprio, correspondente ao número de profissionais que se manifestaram sobre aquele item. Como a indicação é espontânea e não há limite para o número de marcas mencionadas, um mesmo profissional pode apontar mais de uma empresa como referência em determinada categoria. Por essa razão, a soma dos percentuais de algumas tabelas pode ultrapassar 100%. Para a publicação dos resultados, foram consideradas as marcas que atingiram pelo menos 2% das indicações dentro do universo específico de cada produto. Além de revelar quais fabricantes são reconhecidos pelos profissionais, os resultados permitem obser var quais tecnologias têm presença mais disseminada entre os participantes. Roteadores aparecem como o item de uso mais difundido, mencionados por 134 profissionais, seguidos por switches, com 133 indicações, e sistemas de cabeamento óptico e metálico, com 120. As tabelas apresentadas nas páginas seguintes detalham os resultados por categoria e oferecem um retrato da percepção dos profissionais sobre uma cadeia tecnológica que se torna cada vez mais estratégica. Mais do que estabelecer uma classificação, a Pesquisa Marcas de Excelência em Data Centers procura acompanhar a evolução de um mercado no qual confiabilidade, disponibilidade, eficiência energética e desempenho são requisitos fundamentais, e no qual a escolha dos equipamentos pode ter impacto direto sobre a continuidade de operações cada vez mais críticas para empresas, governos e para a própria economia digital. A relação com os nomes das empresas para as quais os participantes da pesquisa trabalham está disponível no site: https://www.arandanet.com.br/assets/pdfs/me26/


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30 – RTI – SET 2026


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32 – RTI – SET 2026


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34 – RTI – SET 2026

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Publicamos aqui os números de telefones para atendimento ao cliente de todas as marcas citadas nas tabelas da pesquisa. Airsys ------------------------ (11) 2597-6685 Delta ------------------------- (12) 3932-2300 Akron ----------------------- (54) 3224-3111 Digifort --------------------- (11) 4226-2386 ALGcom -------------------- (54) 3201-1903 Dispan ---------------------- (19) 3466-9300 Arista ----------------------+1-408-547-5500 Dutotec ---------------------- 0800 702-6828 Attic ------------------------ (11) 91645-8255 Ecosafety -------------------- (11) 3579-0999 Avigilon --------------------- (11) 5171-9494 Edgecore ------------------- (11) 99604-0880 Axis -------------------------- (11) 3050-6600 Edgefy --------------------- (11) 91632-7048 BBTec ------------------------ (11) 5563-5824 Eletropoll ------------------- (47) 3375-6700 Beghim ---------------------- (11) 2942-4500 Elecon ----------------------- (11) 2066-4100 Bosch ------------------------- 0800 704-5446 Enersys ---------------------- (11) 2462-7520 Bus-Way -------------------- (11) 2613-7919 Engetron -------------------- (31) 3514-5800 Caterpillar --------------- +1 (309) 675-2337 Eurocab -------------------- (11) 99497-8927 Cisco -------------------------- 0800 891-4972 Fibersul --------------------- (41) 3275-4301 Check Point ---------------- (11) 2663-2575 Fibracem -------------------- (41) 3661-2550 CM --------------------------- (11) 5696-5000 Finisar ----------------------- (11) 3247-6095 CommScope --------------- (15) 2102-4000 Fortinet --------------------- (21) 3535-9300 Control iD ------------------ (11) 3059-9900 Freedom ---------------------- 0800 16 16 44 CSB ----------------------- +886 2 2880-5600 Fujitsu ------------------------ 0800 330-0020 Cummins Brasil ------------ 0800 286-6467 Gemelo --------------------- (11) 2680-5184 Daikin ----------------------- (11) 3123-2525 Generac ---------------------- (16) 3505-9100 Dahua ----------------------- (11) 3251-1871 Geraforte -------------------- (31) 3396-9694 Datacom -------------------- (51) 3933-3000 Getpower ------------------- (11) 4227-2477 Dell --------------------------- 0800 970-3355 Gimi ------------------------- (11) 4752-9900

GP Racks -------------------- (11) 2061-7859 Gree -------------------------- 0800 055 6188 Green4T -------------------- (11) 4410-4380 H3C -------------------------- 0800-629-7550 HID ------------------------- (11) 5514-7100 Hikvision ------------------- (11) 3318-0050 Honeywell ------------------ (11) 3475-1900 Huawei ---------------------- (11) 5105-5105 HPE -------------------------- 0800 055 6405 IBM ------------------------ 0800-701-4262 Ilumac ---------------------- (11) 99459-5007 Intelbras -------------------- (48) 2106-0006 Johnson Controls --------- (15) 3475-6700 Juniper -------------------- +1 408-745-9500 Kennedy -------------------- (11) 4367-9300 Kidde ------------------------ (11) 5400-0023 Lacerda ---------------------- (11) 2147-9777 Legrand ----------------------- 0800 118-008 Lightera/Furukawa --------- 0800 0412-100 Logmaster ------------------ (51) 2104-9005 LG --------------------------- (11) 3003-5454 Megabarre ------------------- (11) 4525-6700 Midea ------------------------- 0800 648-1005


RTI – SET 2026 - 35

Mikrotik --------------------------------------- (44) 4009-2826 Mopa ------------------------------------------ (11) 2413-1099 Moura ------------------------------------------ 0800 701-2021 Motormac -------------------------------------- 0800 332 0000 Multiway -------------------------------------- (11) 3437-5600 MWM ----------------------------------------- (11) 3882-3200 Nexans ---------------------------------------- (11) 3084-1600 Nexcode --------------------------------------- (11) 4225-9500 Nlyte -----------------------------------------+1-732-395-6920 Nokia ------------------------------------------ (11) 2175-0000 Novemp -------------------------------------- (11) 4093-5300 Palo Alto --------------------------------------- 0800 047-4499 Panduit ---------------------------------------- (11) 4561-1748 pfSense ------------------------------------ +1 (512) 646-4100 Planet ------------------------------------------ (41) 3040-6159 Precision -------------------------------------- (85) 3494-2077 Prysmian -------------------------------------- (15) 3235-9000 Rackbras --------------------------------------- (51) 2111-3661 Real Perfil ------------------------------------- (11) 2134-0002 Rittal ------------------------------------------- (11) 3622-2377 Rockwell -------------------------------------- (11) 5189-9500 Salf --------------------------------------------- (11) 5614-7333 Samsung -------------------------------------- (11) 4004-0000 SEB -------------------------------------------- (41) 3082-2692 Sec Power ------------------------------------- (11) 5541-5120 Schneider Electric ----------------------------- 0800 728-9110 Siemens ----------------------------------------- 0800 119-484 Skylane ---------------------------------------- (19) 3514-6000 SMH Sistemas ------------------------------ (11) 5060-5777 SonicWall ------------------------------------- (11) 3443-6707 Specto ---------------------------------------- (48) 99694-0059 Starline ---------------------------------------- (11) 2976-5701 Stemac ------------------------------------------ 0800 723-3800 Sunbird ------------------------------------- +1 732 993-4476 Stulz ------------------------------------------- (11) 4163-4989 Tec and Tec ----------------------------------- (11) 4328-0080 Tech Barra ------------------------------------- (11) 2031-6947 Tecnocomp ----------------------------------- (11) 2199-5800 Tosi ------------------------------------------- (11) 99533-2837 Toyama ---------------------------------------- (41) 3595-9800 TP-Link --------------------------------------- 0800 608-9799 Trane -------------------------------------------- 0800 727 7023 Triunfo ---------------------------------------- (41) 3347-1850 Truckvan -------------------------------------- (11) 2635-1133 TS Shara --------------------------------------- (11) 2018-6000 Ubiquiti -------------------------------------- (48) 99149-2304 Unicoba --------------------------------------- (11) 5078-5512 Valemam -------------------------------------- (11) 3382-8222 Vertiv ------------------------------------------ (11) 3618-6600 WEG ------------------------------------------ (47) 3276-4000 Zeittec ----------------------------------------- (41) 3334-1143


ÓPTICA COERENTE

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Da arquitetura DWDM tradicional à convergência IPoDWDM: transceptores plugáveis de 100G a 1.6T Eduardo Cerávolo de Almeida, Head de Engenharia de Produto na FonNet Networks, Engenheiro Especialista em Redes e Sistemas de Telecomunicações pelo Inatel

A óptica coerente está migrando dos transponders dedicados para as portas de roteadores e switches. A evolução de padrões como 400ZR, OpenZR+ e 800ZR permite transportar comprimentos de onda DWDM diretamente a partir da camada IP, reduzindo elementos intermediários, mas transfere novas funções para os equipamentos IP e amplia a importância da integração entre engenharia óptica, telemetria e observabilidade. O artigo apresenta os padrões e cenários comparativos de arquitetura na convergência entre redes IP e ópticas (IPoDWDM).

O

crescimento de data centers, cloud, inteligência artificial, peering e tráfego de backbone pressiona simultaneamente capacidade, energia e espaço. Nesse contexto, a pergunta de engenharia deixou de ser apenas quantos bits cabem em um comprimento de onda. Tornou-se também onde deve residir a função coerente e quantos equipamentos ativos são realmente necessários entre duas portas IP. Para responder a essa pergunta, vale recuperar o modelo que organizou as redes ópticas nas últimas duas décadas. A arquitetura tradicional separa claramente IP e transporte: o roteador entrega uma interface cliente a um transponder, que realiza modulação coerente, FEC - Forward Error Correction, sintonia e adaptação à camada DWDM - Dense Wavelength Division Multiplexing. Essa divisão continua adequada quando há regeneração, agregação e comutação de serviços OTN - Optical Transport Network, multispan, proteção especializada ou necessidade de manter uma separação clara entre os domínios IP e óptico. O que mudou foi a capacidade de integrar DSP - Digital Signal

Processing e fotônica coerente em form-factors de alta densidade. Com isso, a função do transponder pode estar no próprio transceptor instalado no roteador. IPoDWDM deixa de ser uma exceção e passa a ser uma opção arquitetural para interconexão de data centers (DCI), metro e backbone. A camada fotônica não desaparece: MUX/DEMUX, ROADMs - Reconfigurable Optical Add-Drop Multiplexers, amplificadores e restrições físicas continuam existindo. O que pode desaparecer é o equipamento intermediário cuja única função era converter uma porta Ethernet em uma portadora DWDM.

Evolução tecnológica e marcos de padronização O CFP2 foi um marco porque permitiu desacoplar parte da óptica coerente do chassi de transporte. A redução de form-factor ocorreu em etapas: o OIF - Optical Internetworking Forum publicou um MSA para módulos 100G longhaul em 2011, a especificação CFP2-ACO - Analog Coherent Optics em 2016 e a CFP2-DCO - Digital Coherent Optics em 2018. A diferença entre as duas últimas é


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não foi apenas transmitir 400 Gbit/s: foi tornar a função coerente suficientemente padronizada e compacta para ser implementada em form-factors como QSFP-DD e OSFP e instalada diretamente em plataformas IP [1]. A partir desse marco, a padronização avançou em duas direções simultâneas, alcance e capacidade. Ainda em 2020, o OpenZR+ ampliou o conceito para taxas de 100G a 400G e maior alcance. O IEEE 802.3ct-2021 padronizou o 100GBase-ZR. Em 2024 surgiu o OIF 800ZR e, atualmente, 1600ZR e 1600ZR+ permanecem como projetos ativos do OIF. A figura 1 resume essa trajetória [2,3,7,9].

400ZR e OpenZR+: o ponto de inflexão da óptica coerente moderna

Fig. 1 - Linha do tempo dos principais marcos da óptica coerente plugável, do 100G long-haul às evoluções 800G/1.6T

estrutural. No ACO, as funções digitais de alto consumo permaneciam na placa hospedeira; no DCO, o DSP coerente passou a integrar o próprio módulo, o que abriu caminho para maior independência em relação ao host. O acordo de implementação (IA) do CFP2-DCO já previa diferentes taxas e formatos de modulação, incluindo aplicações de 100G a 400G [1]. O passo seguinte foi mais profundo do que uma simples redução mecânica. Para que um módulo coerente pudesse ocupar o mesmo espaço de interfaces de dados de alta densidade, era necessário reduzir consumo, integrar transmissão e recepção coerentes, avançar em CMOS, simplificar o framing e padronizar não apenas a óptica, mas também a sua gestão. O 400ZR foi

concebido exatamente nesse ponto de encontro entre o transporte óptico e o ecossistema Ethernet. Publicado inicialmente pelo OIF em 2020 e hoje na revisão 3.0, o 400ZR estabeleceu uma interface coerente de 400 Gbit/s interoperável, de portadora única, baseada em DP-16QAM e C-FEC (Concatenated FEC), direcionada a DCI e a enlaces metro de alcance controlado. O fato decisivo

400ZR e OpenZR+ são frequentemente tratados como variações de um mesmo padrão, mas partem de objetivos distintos. Ao fixar um único ponto de operação, o 400ZR consolidou o uso de transceptores coerentes plugáveis em aplicações ponto a ponto, principalmente em ambientes de data center e redes metropolitanas: é justamente essa restrição a um modo só que sustenta a sua interoperabilidade [1]. O OpenZR+ ampliou esse conceito ao incorporar diferentes taxas e modos de operação, permitindo aplicações de 100 a 400 Gbit/s e alcances superiores aos originalmente previstos para o 400ZR. Suas evoluções também trouxeram maior

Tab. I - Transporte dedicado versus IPoDWDM Aspecto Transponder Portas cliente Rack/cabeamento Energia Fotônica Operação Observabilidade

Transport ransportee dedicado Equipamento dedicado Necessárias Mais elementos Inclui cliente e transporte Integrada ao transporte Domínio óptico separado NMS de transporte

IPoDWDM Integrado ao módulo no host IP Eliminadas no enlace coerente direto Menos elementos intermediários Pode reduzir etapas de conversão Permanece quando há MUX/ROADM/EDFA Exige colaboração IP + óptica Depende da telemetria exposta pelo host


ÓPTICA COERENTE flexibilidade de grid, novas opções de modulação e níveis mais altos de potência de transmissão [2]. Na prática, isso permite ajustar capacidade, eficiência espectral e margem óptica conforme as características do enlace. Modulações mais robustas, como QPSK e 8QAM, podem oferecer maior tolerância em enlaces mais desafiadores, enquanto 16QAM privilegia maior eficiência espectral. Por esse motivo, o termo

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QSFP28. O form-factor, porém, não elimina a necessidade de homologação. Uma porta QSFP28 existente pode não oferecer potência elétrica, dissipação térmica ou suporte de software para um módulo coerente. A reutilização do parque instalado é tecnicamente muito atraente na rede metro, mas precisa considerar os recursos de hardware, versão de sistema operacional e capacidade de configuração do host.

Fig. 2 - Comparativo conceitual em enlace P2P: IPoDWDM com coerente plugável direto versus DCI/transponder dedicado

comercial “ZR+” não deve ser interpretado automaticamente como conformidade com a especificação OpenZR+.

100G coerente em QSFP28: levando o DWDM para o parque instalado O 100GBase-ZR levou a óptica coerente de 100 Gbit/s para aplicações DWDM de longa distância em formatos mais compactos. Nesse contexto, o conceito de black link permite que os transceptores operem nas extremidades de uma infraestrutura óptica já existente, composta por elementos como MUX/ DEMUX, amplificadores e OADMs/ ROADMs, desde que o enlace como um todo ofereça as condições ópticas necessárias para a transmissão [4]. No mercado, 100ZR é frequentemente usado para implementações 100GBase-ZR em

DWDM convencional versus IPoDWDM Na arquitetura convencional, o roteador usa uma óptica cliente e um transponder converte o sinal para DWDM. Em IPoDWDM, o transceptor coerente ocupa diretamente a porta IP e segue para fibra, MUX/DEMUX ou OLS Open Line System. Isso pode eliminar ópticas cliente, cordões ópticos e chassis dedicados, com impacto positivo em rack, energia e pontos de falha. O ganho depende do caso. ROADMs, amplificadores e controle de espectro continuam necessários em redes fotônicas complexas. Regeneração, multispan, OTN ou proteção especializada também podem justificar o transporte dedicado. A escolha deve ser feita avaliando o custo total da solução, margem óptica e operação, e não

apenas pelo custo da porta. A tabela I e as figuras 2 e 3 ilustram essa diferença em dois cenários recorrentes: ponto a ponto e anel.

Alien wavelength em rede λ alien) DWDM existente (λ Em aplicações de alien wavelength (comprimento de onda alien), a portadora coerente é gerada diretamente no equipamento IP e inserida em uma infraestrutura DWDM já existente, utilizando MUX/DEMUX, ROADMs e amplificadores da rede instalada. Essa abordagem é especialmente interessante em redes legadas (ambientes brownfield), pois permite ampliar a capacidade ou aproveitar canais disponíveis no espectro sem a necessidade de adicionar um novo transponder dedicado para cada serviço. Na prática, o transceptor coerente passa a utilizar a camada fotônica existente como meio de transporte, mantendo a inteligência de transmissão no próprio módulo instalado no roteador. A viabilidade do enlace, porém, depende da análise do caminho óptico completo. Em cenários não amplificados, o orçamento de potência costuma ser o principal critério e a implantação tende a ser mais simples. Já em redes amplificadas ou com múltiplos nós, passam a ter maior peso parâmetros como OSNR - Optical Signal-toNoise Ratio, figura de ruído dos EDFAs - Erbium-Doped Fiber Amplifiers, potência por canal, perdas e penalidades de filtragem em ROADMs, dispersão cromática, PMD - Polarization Mode Dispersion e efeitos não lineares. Por isso, a distância isoladamente não determina o alcance de uma aplicação alien wavelength: dois enlaces com o mesmo comprimento podem apresentar desempenhos bastante diferentes em função da quantidade de elementos ópticos, da qualidade da fibra e da margem disponível ao longo do percurso (figura 4).


ÓPTICA COERENTE

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Fig. 3 - Comparativo conceitual em topologia em anel: lambdas coerentes originados nos roteadores versus camada DCI intermediária

Convergência também exige mudança de processo Em operadoras e provedores de Internet, é comum que existam equipes separadas para rede IP e rede DWDM. Com o IPoDWDM, a fronteira de responsabilidade entre esses dois domínios muda. Uma alteração feita no roteador pode modificar a rede DWDM. O modelo operacional precisa definir responsabilidades, pode exigir treinamentos específicos, controle de alterações, dentre outras particularidades de cada estrutura. Na prática, esse modelo compartilhado começa a ser exercido antes da operação, ainda na etapa de homologação, quando as equipes de IP e de DWDM precisam validar em conjunto o comportamento do transceptor coerente sobre a infraestrutura de rede. O processo de homologação dos transceptores coerentes deve reproduzir o cenário real sempre que possível, combinando hosts relevantes, camada óptica e geração de tráfego. Além de desempenho, devem ser testadas interoperabilidade multivendor, estabilidade térmica e operação próxima às especificações limite do produto. Esse arranjo, porém, só se sustenta se as duas equipes analisarem o mesmo

conjunto de dados: sem uma base comum de medição, a discussão sobre a origem de um defeito permanece indefinida. É essa base que a camada de gerência e observabilidade precisa fornecer.

Gerência e observabilidade na rede IPoDWDM Essa base de medição começa no próprio módulo. À medida que os transceptores ópticos se tornaram mais complexos, também evoluiu a forma como eles se comunicam com roteadores e switches. Interfaces tradicionais, como SFF, permanecem presentes em grande parte do legado QSFP/QSFP28, enquanto o CMIS Common Management Interface Specification e a sua extensão

coerente, o C-CMIS, passaram a atender módulos de maior complexidade, incluindo os controles específicos de óptica coerente [5,6]. Em aplicações coerentes, essa evolução permite não apenas identificar o transceptor e monitorar parâmetros básicos, mas também acessar informações relacionadas à configuração, ao desempenho óptico e ao funcionamento do DSP embarcado. O que o módulo expõe, porém, ainda precisa chegar ao operador. Plataformas de transporte costumam oferecer visão nativa da camada óptica, além de diagramas, alarmes e caixa de seleção para alteração dos parâmetros. Quando a função coerente migra para o roteador, essa experiência pode se perder se os dados ficarem restritos à CLI Command-Line Interface. A simplificação física pode, portanto, criar um gap de operação. Os parâmetros mais úteis incluem os níveis de potência Tx/Rx, modulação, frequência, canal, temperatura do módulo (DDM - Digital Diagnostics Monitoring), pre-FEC BER - Bit Error Rate, OSNR, Fator-Q, dispersão cromática, modo de operação e alarmes. A disponibilidade destas informações no equipamento de rede IP varia muito de acordo com o fabricante da plataforma host. A arquitetura ideal coleta esses dados do host e os publica para sistemas externos de gerenciamento

Fig. 4 - Alien wavelength em rede já implantada (brownfield ): a portadora coerente utiliza a camada óptica existente


ÓPTICA COERENTE por meio de protocolos como NETCONF/YANG, gNMI, SNMP ou APIs. Isso permite correlacionar a camada física com interface Ethernet, serviço e rota, e traz para o ambiente IP parte da visibilidade operacional que tradicionalmente estava concentrada nas plataformas dedicadas de transporte DWDM. Tendências de pre-FEC BER, OSNR e potência podem revelar degradação antes da indisponibilidade. Com esses dados expostos em um único fluxo, a fronteira entre IP e DWDM deixa de ser uma zona de dúvida e passa a ser um ponto de medição compartilhado pelas duas equipes.

Próxima geração da óptica coerente: 800G, 1.6T e os novos desafios A evolução para 800G representa o próximo passo natural dos transceptores coerentes plugáveis. O padrão OIF 800ZR, publicado em 2024, levou a transmissão de 800 Gbit/s para uma única portadora coerente, mantendo o foco em aplicações DCI ponto a ponto e enlaces amplificados de aproximadamente 80 a 120 km [7]. Em 2025, o OpenZR+ também avançou nessa direção, ampliando o conceito de óptica coerente interoperável para aplicações de maior alcance e flexibilidade [8]. O próximo salto será para 1,6 Tbit/s, com 1600ZR e 1600ZR+ ainda em desenvolvimento. Nesse cenário, o desafio deixa de ser apenas aumentar a capacidade por porta: consumo de energia, dissipação térmica e densidade passam a ter um peso cada vez maior no projeto dos equipamentos. Tecnologias como CPO (co-packaged optics), NPO (nearpackage optics) e óptica linear surgem justamente para reduzir as perdas elétricas entre o ASIC - ApplicationSpecific Integrated Circuit e a interface óptica [10]. Embora não substituam diretamente os transceptores ZR em aplicações metro e long haul, apontam para

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uma tendência clara: nas próximas gerações, capacidade, potência e refrigeração precisarão evoluir em conjunto.

Conclusão A adoção de transceptores coerentes plugáveis representa uma das mudanças mais relevantes na arquitetura das redes ópticas dos últimos anos. O IPoDWDM não elimina a camada fotônica nem torna o transponder dedicado desnecessário em todos os cenários, mas altera de forma significativa a fronteira entre as camadas IP e óptica. Parte das funções que antes dependiam de equipamentos de transporte dedicados passa a estar incorporada ao próprio transceptor DCO, permitindo que uma interface de roteador ou switch gere diretamente uma portadora DWDM coerente. Esse movimento ganhou escala com o 400ZR e o OpenZR+ e hoje se estende a soluções de 100G e 800G, ampliando as possibilidades de aplicação em DCI, redes metropolitanas, regionais e até em infraestruturas DWDM já existentes por meio de alien wavelength. Quando as características do enlace permitem essa simplificação, a redução de equipamentos intermediários pode trazer benefícios importantes em consumo de energia, ocupação de rack, cabeamento, quantidade de interfaces ópticas e tempo de implantação. Mais do que uma redução física, trata-se de uma mudança na forma como a capacidade óptica é incorporada à rede IP. Essa convergência, entretanto, não reduz a importância da engenharia óptica. Pelo contrário, transfere parte dessa responsabilidade para um ambiente em que parâmetros como potência, OSNR, dispersão cromática, PMD, FEC, filtragem óptica e interoperabilidade precisam continuar sendo tratados com o mesmo rigor empregado em sistemas


43 – RTI – SET 2026

DWDM tradicionais. A diferença é que esses parâmetros passam a conviver mais diretamente com a operação da camada IP e com as limitações de hardware e software das plataformas host. Por isso, o próximo estágio dessa evolução não depende apenas de aumentar a taxa dos transceptores. O desafio passa também por integrar operação, automação e observabilidade. Telemetria, APIs e ferramentas capazes de correlacionar informações das camadas L1 a L3 tornam-se fundamentais para que a simplificação física da rede não resulte em perda de visibilidade operacional. A tendência aponta, portanto, para redes cada vez mais convergentes, nas quais a inteligência óptica deixa de estar restrita a um chassi de transporte e passa a fazer parte da própria interface de rede. A evolução para 800G e, futuramente, 1.6T reforça esse caminho. A principal transformação promovida pelos transceptores coerentes DCO é justamente essa: converter a arquitetura óptica de uma estrutura necessariamente baseada em equipamentos intermediários para um modelo mais flexível, no qual IP e fotônica passam a ser projetados como partes de uma mesma rede.

REFERÊNCIAS [1] OIF. Implementation Agreements: 100G Long-Haul, CFP2ACO/DCO e 400ZR. https://www.oiforum.com/technicalwork/implementation-agreements-ias/ [2] OpenZR+ MSA. Specifications v1.0, v2.0 e v3.0. https:// openzrplus.org/documents/ [3] IEEE Std 802.3ct-2021. 100 Gb/s Operation over DWDM Systems. https://standards.ieee.org/standard/802_3ct2021.html [4] ITU-T G.698.2. Amplified multichannel DWDM applications with single-channel optical interfaces. https:// www.itu.int/rec/T-REC-G.698.2/en [5] OIF. CMIS 5.3 e C-CMIS 1.4. https://www.oiforum.com/ technical-work/implementation-agreements-ias/ [6] SNIA SFF TWG. SFF-8024 e SFF-8636. https:// www.snia.org/technology-communities/sff/specifications [7] OIF. OIF-800ZR-01.0, outubro de 2024. https:// www.oiforum.com/technical-work/implementationagreements-ias/ [8] OpenZR+ MSA. Definition of 800G OpenZR+, julho de 2025. https://openzrplus.org/documents/ [9] OIF. 1600G Coherent: 1600ZR e 1600ZR+. https:// www.oiforum.com/technical-work/hot-topics/1600gcoherent/ [10] OIF. Co-Packaging Framework e 3.2T CPO IA. https:// www.oiforum.com/technical-work/implementationagreements-ias/


SERVIÇO

44 – RTI – SET 2026

Guia de soluções anti-DDoS O Brasil é um dos principais alvos de ataques DDoS – ataques distribuídos de negação de serviço, cada vez mais rápidos e complexos. O guia inédito a seguir traz uma relação de fornecedores de produtos e soluções para mitigação desses ataques e seus principais recursos.

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Obs: Os dados constantes deste guia foram fornecidos pelas próprias empresas que dele participam, de um total de 2915 empresas pesquisadas. elecom e Instalações Fonte: Revista Redes, TTelecom Instalações, setembro de 2026. Este e muitos outros Guias de RTI estão disponíveis on-line, para consulta. Acesse www.arandanet.com.br/revista/rti e confira. Também é possível incluir a sua empresa na versão on-line de todos estes guias.

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INTERFACE

Paulo Marin

46 – RTI – SET 2026

O que é uma fibra óptica

de vários núcleos (multicore), quais suas principais características e aplicações?

Uma fibra óptica de vários núcleos, ou multicore fiber (MCF), denominação comum na literatura técnica, é exatamente o que o próprio nome sugere, ou seja, vários núcleos por meio dos quais a luz se propaga em seu interior, ao contrário das fibras ópticas convencionais, sejam monomodo ou multimodo, que têm apenas um núcleo. Nessa tecnologia de construção de fibra óptica, diversos núcleos condutores de luz são agrupados dentro de um único filamento de fibra óptica. Ao contrário das fibras convencionais de núcleo único, uma fibra MCF permite a conformação de vários caminhos espaciais independentes através de um único filamento físico. Essa tecnologia representa uma mudança importante na abordagem do projeto de conectividade física de alta capacidade e densidade. Em vez de agrupar diversas fibras ópticas convencionais individuais de núcleo único, sejam monomodo ou multimodo, as fibras MCF poderão ser utilizadas em substituição com o benefício de reduzir a “contagem” de filamentos ópticos físicos. Em outras palavras, cabos ópticos com a mesma quantidade de fibras ópticas e mesmas dimensões aproximadas poderão conter muito mais caminhos físicos de transmissão de dados. Esta seção se propõe a analisar tópicos de cabeamento estruturado, incluindo normas, produtos, aspectos de projeto e execução. Os leitores podem enviar suas dúvidas para Redação de RTI , e-mail: inforti@arandanet.com.br.

Fig. 1 - Fibra óptica multimodo de núcleo único

Essa arquitetura tende a aumentar a capacidade de transmissão de dados, reduzir relativamente a complexidade do cabeamento e melhorar a eficiência da infraestrutura física de caminhos e espaços, fatores relevantes tanto na infraestrutura de cabeamento de telecomunicações e redes quanto em ambientes de data centers. À

Fig. 2 - Representação de uma fibra MCF com oito núcleos em uma estrutura de revestimento compartilhado

medida que a demanda por largura de banda cresce, especialmente para computação em nuvem, virtualização, armazenamento e redes de alto desempenho, as abordagens baseadas em MCF tornam-se cada vez mais relevantes para a evolução a longo prazo das redes ópticas.

A tecnologia MCF O princípio de transmissão de sinais por meio de uma fibra óptica é a transmissão de luz no interior de seu núcleo pelos princípios de reflexão (idealmente) e refração da luz. No caso mais simples, uma

fibra de núcleo único consiste em um núcleo capilar de sílica envolvido por um revestimento (casca) com um índice de refração menor que o do núcleo. A figura 1 mostra um exemplo de fibra óptica multimodo de núcleo único com perfil de índice de refração degrau. Na figura 1 utilizei uma fibra multimodo como exemplo (o perfil de índice de refração poderia ser outro para efeito desse exemplo) porque essa fibra, embora tenha um único núcleo, permite a propagação da luz por diversos caminhos (modos) dentro do núcleo. Uma fibra MCF faz basicamente isto, porém por núcleos físicos distintos em uma estrutura de revestimento (casca) compartilhada. Cada núcleo pode transportar sinais ópticos independentes, idealmente com interferência mínima com os núcleos adjacentes. A figura 2 mostra um exemplo de corte transversal de uma fibra MCF com oito núcleos. No entanto, a quantidade de núcleos varia entre produtos e fabricantes. Embora a fabricação de fibras MCF com até 32 núcleos seja aparentemente uma possibilidade, as fibras comercialmente disponíveis mais comuns atualmente têm até oito núcleos. De qualquer forma, essa informação é apenas um exemplo. Com o avanço tecnológico que temos experimentado, é muito difícil estabelecermos limites definitivos.


INTERFACE Aplicações Uma característica “nativa” das fibras MCF é a facilidade de implementação da técnica de multiplexação por divisão espacial (SDM) Fig. 3 - Esquema de multiplexação SDM em com eficiência ótima. A fibras MCF técnica SDM aumenta de Tipos de fibras MCF forma relevante a capacidade de transmissão de um sistema de As fibras MCF podem ser comunicação por meio de um único projetadas com diferentes geometrias filamento de fibra óptica lidando e arranjos de núcleo. Entre as com canais de transmissão configurações mais comuns, independentes em núcleos temos as fibras com “poucos individuais. Essa técnica é muito modos ou fracamente acopladas” interessante para a implementação (few-mode/weakly coupled), nas quais se de enlaces ópticos submarinos e procura reduzir o acoplamento entre data centers hyperscale, entre os núcleos adjacentes para minimizar outras aplicações. A figura 3 interferências entre canais de apresenta um exemplo de fibra transmissão adjacentes. MCF utilizada em um mecanismo Há também as fibras de núcleos de multiplexação SDM. heterogêneos ou homogêneos, nas Na fibra MCF da figura 3, cada quais esses núcleos podem ser núcleo funciona como um guia de idênticos ou projetados para onda óptico (canal) individual, objetivos de desempenho permitindo que os dados sejam específicos, individualmente. transmitidos simultaneamente por A configuração de núcleos todos os núcleos. agrupados é outra opção, na qual As fibras MCF são opções bastante os núcleos são posicionados em eficientes para interconexões de alta arranjos padronizados hexagonais densidade. Elas permitem a ou em forma de anel no filamento otimização na utilização dos espaços óptico, para citar alguns exemplos. e também da infraestrutura de O desafio de projeto e fabricação caminhos de cabos nas edificações. das fibras MCF está no fato de que Em resumo, as redes de os núcleos ópticos não são telecomunicações que perfeitamente isolados entre si. contemplam enlaces de longa Portanto, há acoplamento da luz que distância, redes metropolitanas e se propaga por um dado núcleo a camadas de acesso ou agregação núcleos adjacentes. Isto ocorre que conectam a infraestrutura do devido a imperfeições nos núcleos, cliente ou regional encontram variações no índice de refração, benefícios na utilização de fibras curvatura, flutuações de MCF e não somente em temperatura e tolerâncias envolvidas contextos de alta capacidade. Há no processo de fabricação das fibras. um valor agregado onde a Portanto, o desempenho da fibra densidade de fibra e o custo de depende tanto de sua geometria instalação são importantes. quanto das características de Aplicações médicas e em acoplamento de sinal entre os ambientes que operam com laser núcleos, ou seja, existe um efeito de de alta potência também podem acoplamento por crosstalk, similar ao encontrar benefícios com o uso que ocorre em cabos com de fibras MCF.

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condutores metálicos, embora a natureza da interferência seja diferente.

Desafios quanto à instalação Os aspectos de instalação das fibras MCF, mais especificamente sua terminação e emenda, são críticos e exigem altíssima precisão. Em cabeamento óptico com fibras de núcleo único, as tolerâncias de alinhamento são relativamente amplas. Quando se trata de fibras MCF, o desalinhamento pode causar perdas importantes entre os núcleos, aumentando o efeito de interferência por mecanismos de crosstalk, afetando o desempenho geral da rede. Sendo assim, as práticas de instalação devem contemplar ferramentas e métodos eficientes para acoplamento ótimo.

Conclusão A fibra MCF é uma resposta natural ao gargalo representado pela demanda de altas capacidades e densidade de fibras ópticas em sistemas de telecomunicações e redes de alto desempenho. Sua adoção deve ser gradual, iniciando com cenários nos quais o desafio da alta densidade é mais relevante. Os data centers hyperscale tendem a ser os ambientes de adoção inicial, pois as fibras MCF tendem a reduzir a quantidade de cabos ópticos na instalação, otimizando o uso da infraestrutura de caminhos e espaços e contribuindo para um sistema de gerenciamento simplificado e mais eficiente das conexões. A longo prazo, a tecnologia MCF poderá se tornar a fundação tanto para redes de data centers quanto para redes de agregação metropolitana. À medida que os processos de fabricação forem otimizados, os padrões de


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terminação amadurecerem e as arquiteturas DSP coerentes se tornarem mais eficientes, o cabeamento com fibras MCF pode oferecer capacidade escalável com requisitos de menor espaço físico para implantação. Simultaneamente, a transformação completa das práticas de cabeamento requer coordenação entre os fabricantes de fibras ópticas MCF, de transceptores ópticos, de conectores e também dos operadores de redes de telecomunicações e data centers. O sucesso depende não apenas dos aspectos físicos da fibra MCF, mas principalmente da integração entre os procedimentos de instalação, métodos de teste e capacidade de manutenção a longo prazo. Cabos de fibra óptica MCF oferecem um caminho promissor para maior densidade, combinando múltiplos núcleos condutores de luz em uma única estrutura de fibra. Em cabeamento de telecomunicações, isso permite uma alocação mais densa de canais em rotas com espaço limitado e potencialmente reduz os custos de instalação associados a uma quantidade elevada de fibras ópticas.

Paulo Marin é engenheiro eletricista, doutor em interferência eletromagnética aplicada à infraestrutura de TI e telecomunicações e mestre em propagação de sinais. Marin é membro sênior do IEEE - Institute of Electrical and Electronics Engineers, consultor, palestrante, coordenador da ABNT/Cobei e autor de livros técnicos.


O Nordeste confirmou sua força na energia solar.

Dois dias que movimentaram o setor e geraram resultados. A Intersolar Brasil Nordeste 2026 encerrou sua sexta edição em Fortaleza reunindo mais de 5 mil participantes, empresas, especialistas e lideranças do setor em dois dias de negócios, conteúdo técnico e conexões estratégicas. A edição consolidou o evento como uma das principais plataformas do setor de energias renováveis no país, com debates sobre energia solar, hidrogênio verde, armazenamento, data centers, segurança elétrica e os novos caminhos da economia digital no Nordeste. Com mais de 60 empresas expositoras em 7.500 m², a feira reforçou o protagonismo da região e abriu caminho para a próxima edição.

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FIBRA ÓPTICA

52 – RTI – SET 2026

A evolução do OLT - Terminal de Linha Óptica Ciena

O As redes ópticas passivas (PONs) revolucionaram o setor de telecomunicações ao viabilizar o acesso à banda larga de alta velocidade aos usuários finais. No centro dessas redes está o OLT – Terminal de Linha Óptica, que atua como um ponto de interconexão entre a rede de distribuição óptica (ODN) e a infraestrutura do provedor de serviços. Este artigo apresenta o avanço desses dispositivos e a sua evolução, com destaque para os modelos plugáveis e de porta fixa.

conceito de OLT – Terminal de Linha Óptica surgiu com o desenvolvimento das PONs – Redes Ópticas Passivas. A UIT União Internacional de Telecomunicações e o IEEE Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos desempenharam papéis cruciais na padronização da arquitetura e protocolos de OLTs. Suas primeiras versões se concentravam na entrega de serviços básicos de banda larga, enquanto os avanços subsequentes introduziram recursos e capacidades aprimorados. A PON surgiu no início da década de 1990 como parte do grupo de trabalho FSAN - Full Service Access Network. O padrão inicial era a PON assíncrona (APON), que utilizava o modo de transferência assíncrona (ATM) para comunicações por pacotes. A APON era uma alternativa econômica às hierarquias digitais plesiócronas e síncronas. Foi rapidamente substituída pela PON de banda larga (BPON), que oferecia velocidades mais altas (622 Mbit/s) e recursos adicionais, como acesso Ethernet e vídeo. Tanto a APON quanto a BPON transportavam serviços via ATM usando a camada de adaptação ATM.

A Ethernet PON (EPON) surgiu como uma opção mais econômica, utilizando pacotes Ethernet em vez de células ATM e suportando IP para dados, voz e vídeo. A EPON oferecia velocidades e serviços mais rápidos em comparação com a BPON e também tinha menor custo. As implantações de EPON eram simples, mas exigiam o provisionamento manual de tags de rede local virtual (LAN). O GPON seguiu o EPON, oferecendo maior largura de banda e múltiplos serviços. Alcançou taxas de dados simétricas de até 1,25 Gbit/s (upstream e downstream) e assimetricamente 2,5 Gbit/s downstream, com menor largura de banda (1,25 Gbit/s) para upstream. O GPON estava associado a serviços tripleplay e tinha QoS - Qualidade de Serviço integrada, tornando-se uma opção de menor custo à BPON. O GPON utilizava diversos tipos de operações, administração e gerenciamento (OAM). O XGS-PON, um desenvolvimento mais recente, superou o EPON e o GPON em termos de largura de banda e velocidades de conexão. Alcançou


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FIBRA ÓPTICA taxas de dados simétricas de até 10 Gbit/s e compartilhou funções semelhantes com o GPON, incluindo QoS integrada. O XGS-PON também utilizava diversos tipos de OAM para gerenciamento.

Link de distribuição óptica A PON utiliza Fig. 1 – Modulação direta equipamentos passivos na ODN – Rede de Distribuição comparação com os sinais Óptica entre o OLT e a unidade de analógicos. Nas últimas três rede óptica (ONU). Um único OLT décadas, surgiram diversos pode atender várias ONUs, e o formatos de modulação digital, alcance e o número de ONUs incluindo lasers modulados direta dependem do tipo de laser de fibra ou externamente com diversos tipos do OLT. A distância mais longa de conexão. entre um OLT e a ONU determina Lasers modulados diretamente o número de ONUs que podem ser emitem luz diretamente dependente adicionadas ou reduzidas. da corrente de entrada; a luz é Os transceptores ópticos dos emitida para um binário um (1) e OLTs contêm um transmissor e um nenhuma luz é emitida para um receptor, bem como um acoplador binário zero (0). São simples e de de multiplexação por divisão de baixo custo, mas podem ter comprimento de onda (WDM) aplicações e alcance limitados. Em integrado para enviar e receber última análise, suas próprias dados na mesma fibra. Existem características limitam a modulação muitas abordagens diferentes para direta, pois ligar e desligar o laser codificar dados elétricos em pulsos causa estresse elétrico e térmico, de luz, entre elas a modulação de reduzindo sua vida útil e intensidade-detecção direta (IMaumentando a mudança de DD) e a transmissão coerente. Este frequência (chirp). artigo aborda apenas transceptores Em lasers modulados IM-DD, visto que não existem externamente, as fontes de luz estão transceptores coerentes para PON. sempre ligadas. Um dispositivo Os sinais digitais são lógicos, ou externo é usado para modular tanto seja, um 1 ou 0, ou, em termos elétricos, estados ligado e desligado, ou duas tensões discretas. A principal razão para o uso de técnicas de modulação digital é que os sinais digitais reduzem a complexidade do hardware, o ruído e as preocupações com Fig. 2 – Modulação externa interferências em

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a fase quanto a intensidade da luz. Lasers modulados externamente têm mais componentes, o que aumenta o custo, mas podem ser empregados em aplicações de alta velocidade, como headends de longa distância ou cabeamento, pois têm processamento mais rápido do que lasers modulados diretamente. Para os fins deste artigo, os formatos de modulação serão divididos em duas categorias, com foco principal na detecção direta: • Formatos de modulação com detecção direta. • Formatos de modulação com detecção coerente.

Formatos de modulação de detecção direta Os formatos de modulação óptica digital podem ser classificados em cinco categorias de chaveamento: • Liga-desliga (OOK) - Onde 1 é a presença de um pulso e 0 é a ausência. • Deslocamento de amplitude (ASK) Coloca os dados na amplitude da onda senoidal. • Deslocamento de fase (PSK) Coloca os dados na fase. • Deslocamento de frequência (FSK) - Incorpora os dados na frequência. • Deslocamento de polarização (PolSK) Incorpora os dados na polarização. Existem muitos formatos de modulação de detecção direta, incluindo não retorno a zero (NRZ), retorno a zero (RZ), inversão de marca alternada (AMI), modulação duobinária, RZ


FIBRA ÓPTICA com supressão de portadora, chaveamento de fase diferencial NRZ (NRZ-DPSK), RZ-DPSK e outros. Os formatos de modulação por detecção direta funcionam bem para a transmissão de sinais digitais de até 100 Gbit/s. O custo dos lasers em fibra óptica monomodo depende da faixa de comprimento de onda, sendo as faixas mais altas mais caras. À medida que a PON avança para velocidades mais altas e outros mercados, o custo tornase cada vez mais importante para atender ao orçamento do link, juntamente com outras considerações, como distorções lineares e não lineares. Embora os lasers IM-DD de 10G e 25G

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arquiteturas legadas, atingindo 20 km ou menos, com taxas de divisão tipicamente de 1:64 e não mais que 1:128 e, quando necessário, em uma rede WDM que permita um alcance maior, chegando a 80 km. Para mercados de banda larga acessíveis, a PON inicialmente utilizou tecnologia de laser ONU de baixo custo, multiplexação por divisão de tempo e controle de acesso à mídia por divisão de tempo em uma única fibra. Os lasers upstream EPON e GPON transmitem entre 1290-1330 nm, enquanto os OLTs downstream de alto desempenho transmitem entre 1480-1500 nm. Essa abordagem

Fig. 3 - IM-DD versus custo coerente

sejam relativamente econômicos, pois demandam apenas um laser e um fotodetector de modulação direta, taxas mais altas aumentarão os custos, pois são necessários lasers de modulação externa, amplificadores ópticos semicondutores e processadores de sinais digitais. Independentemente dos formatos de modulação, os provedores de banda larga devem garantir que as futuras evoluções de PON possam utilizar o cabeamento de fibra existente sem alterações no projeto original do fabricante, considerando o custo significativo da instalação do cabeamento de fibra. Em outras palavras, sobrepondo-se a ODNs ponto-multiponto existentes que estejam em conformidade com

econômica se aplica a múltiplos lasers (32, 64 e 128 ONUs) conectados a um único OLT. O mesmo princípio se aplica à 10GPON, com os lasers upstream transmitindo entre 1260-1280 nm e os downstream de alto desempenho transmitindo entre 1575-1581 nm. As primeiras versões de OLTs focavam na entrega de serviços básicos de banda larga, enquanto os avanços subsequentes introduziram recursos e capacidades aprimorados. O 25GS-PON é uma tecnologia emergente que oferece velocidades simétricas de downstream e upstream de 25 Gbit/s. Espera-se que esses OLTs atendam à crescente demanda por aplicações de alta largura de banda e suportem futuras implantações corporativas e móveis.

A evolução dos OLTs em PONs abriu caminho para o acesso à banda larga de alta velocidade e serviços avançados. OLTs plugáveis e OLTs de porta fixa ou subconjunto óptico bidirecional (BOSA) proporcionaram flexibilidade, escalabilidade e opções simplificadas de implantação para provedores de serviços. As tecnologias 25GS-PON e PON de alta velocidade (HSP), incluindo 50GPON, 100GPON e PON coerente (CPON), oferecem perspectivas promissoras para serviços de banda larga ainda mais rápidos e eficientes. À medida que a demanda por largura de banda continua a crescer, os OLTs desempenharão um papel fundamental para atender às necessidades em evolução dos usuários finais e possibilitar futuras inovações no setor de telecomunicações. Os OLTs podem ser fabricados usando um fator de forma PON baseado em chassi ou plugável. Sistemas baseados em chassi usam BOSAs para integrar o subconjunto óptico de transmissão (TOSA), o subconjunto óptico de recepção (ROSA), o filtro WDM, a fibra e outros componentes. Os OLTs PON plugáveis ou micro-OLTs (uOLTs) são soluções modulares que podem ser facilmente inseridas em equipamentos de rede existentes, como switches ou roteadores. Opções plugáveis como o uOLT permitem que provedores de banda larga atualizem suas redes sem mudanças significativas na infraestrutura, igualem a velocidade de uma interface Ethernet padrão e ofereçam opções de pagamento conforme o uso. O modelo uOLT permite facilmente a migração para velocidades mais altas sem grandes interrupções, o que abre novas oportunidades de mercado e complementa as existentes.


EM REDE

Eduardo Andrzejewski, Gerente de Infraestruturas Críticas da Tractebel Brasil, Chile e Canadá

Data centers no Brasil: por que a disputa agora é por energia e conexão A corrida brasileira pela construção de data centers encontrou um obstáculo que poucos anteciparam: a tomada. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Data Centers e do Caderno de Transmissão do Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, da EPE - Empresa de Pesquisa Energética, os pedidos de conexão de data centers à rede de transmissão somavam, em novembro de 2025, 26,2 GW, volume equivalente a mais de um quarto de toda a demanda elétrica do país. Para efeito de comparação, a carga dos data centers no Brasil era de 800 MW em 2025, segundo um estudo da Schneider Electric em parceria com o MDIC - Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Durante duas décadas, as decisões sobre a localização de data centers no Brasil foram guiadas principalmente pela disponibilidade de fibra óptica, pelo custo de ocupação e pela proximidade dos centros financeiros. Hoje, outro fator ganhou peso: existe, no ponto pretendido, energia firme contratável e viabilidade técnica de conexão dentro do cronograma previsto pelo investidor? A mudança ocorre porque boa parte dos novos projetos é impulsionada pela necessidade de infraestrutura para sistemas de IA. Treinar e operar modelos generativos exige densidades de potência que colocam em xeque os padrões elétricos e de climatização sobre os quais a indústria de data centers foi construída. Para dimensionar esse salto, um rack convencional operava entre 5 e 10 kW há poucos anos. Configurações baseadas em unidades como o NVIDIA GB200 NVL72, lançado em 2024, ultrapassam 120 kW por rack e exigem resfriamento líquido como condição de projeto. O impacto agregado também é significativo: o consumo global de eletricidade dos data centers cresceu 17% no ano passado e deverá alcançar 945 TWh até 2030, segundo o relatório Energy and AI. O investimento global no segmento chegou a US$ 580 bilhões em 2025,

valor superior ao destinado à oferta global de petróleo no mesmo período. O Brasil, entretanto, reúne vantagens estruturais relevantes para abrigar parte dessa expansão. A matriz elétrica brasileira fechou 2024 com 88,2% de participação renovável. Essa característica atende a uma exigência central dos contratantes de hiperescala, que precisam cumprir metas de descarbonização e, no Brasil, as contrapartidas previstas no Redata. A dificuldade é que ter energia limpa no balanço anual não significa necessariamente dispor de energia firme no instante em que os servidores a demandam. Essa diferença entre atendimento contratual e disponibilidade instantânea no ponto de conexão define um novo desafio de engenharia para o setor. Em dezembro de 2025, o ONS Operador Nacional do Sistema Elétrico validou 43 pedidos de acesso à Rede Básica, que somavam 7,3 GW. Ao menos 38 eram de data centers, totalizando 7,04 GW. O estado de São Paulo concentrava 20 desses pedidos, com 3,9 GW. Os corredores elétricos que atendem às regiões de Tamboré, Vinhedo, Hortolândia e Campinas, onde estão concentradas operações de data centers no estado, operam próximos da saturação. Foi nesse cenário que o governo federal publicou o Decreto nº 12.772, em 5 de dezembro de 2025, substituindo a antiga fila por ordem de chegada pelo modelo das Temporadas de Acesso. A nova Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão, criada pelo mesmo decreto, exige garantias financeiras, cronograma vinculante e, quando a demanda superar a oferta em determinada subestação, processo competitivo, com receitas revertidas à modicidade tarifária. O primeiro ciclo da nova regra encerrase em outubro de 2026 e deverá funcionar como um filtro entre projetos maduros e intenções ainda especulativas. Do lado da oferta, o Leilão de Transmissão nº 01/2026 contratou R$ 3,3 bilhões em investimentos, 798 quilômetros de novas linhas e 2150 MVA de capacidade de transformação, com deságio de 50,69% sobre a receita anual permitida. Mesmo com esses investimentos, permanece um descompasso temporal. Um data center moderno leva de 18 a 24 meses para ser construído, enquanto uma linha de transmissão ou uma subestação

58 – RTI – SET 2026

de grande porte pode levar de 42 a 60 meses entre licitação e energização. A equação só fecha quando o empreendedor assume parte da infraestrutura elétrica como escopo próprio, o que ajuda a explicar a multiplicação de subestações dedicadas. A engenharia interna dos empreendimentos também passa por uma redefinição estrutural. Níveis de tensão que antes eram menos comuns, como 230 kV e 500 kV, ganharam espaço em projetos de maior potência, especialmente aqueles acima de 200 MW. Estudos de qualidade de energia, norteados pelo Módulo 8 dos Procedimentos de Distribuição, aprovado pela Resolução Normativa Aneel nº 956/2021, e pela norma internacional IEEE 519-2022, também ganharam relevância. Isso ocorre em razão da combinação atípica de cargas presentes em um data center de IA: retificadores de UPS, geradores síncronos e GPUs em treinamento podem produzir harmônicos, transientes rápidos e flicker, ou flutuações de tensão, em níveis pouco comuns na indústria tradicional. O período de 2026 a 2030 deverá separar os investidores que trataram energia, conexão e engenharia como eixos integrados desde o anteprojeto daqueles que os abordaram de forma sequencial. A pressão regulatória, a janela de cinco anos do Redata, a previsão de um primeiro leilão dedicado a sistemas de armazenamento em baterias em 2026 e a reorganização da política de acesso à transmissão reduziram a margem para erros no planejamento inicial. Nesse cenário, a capacidade do Brasil de converter seu potencial energético em uma vantagem competitiva para data centers dependerá menos da disponibilidade de energia em termos absolutos e mais da possibilidade de entregá-la, com qualidade e segurança, nos locais e prazos exigidos pelos empreendimentos. A expansão do setor passa, portanto, pela coordenação entre planejamento da transmissão, acesso à rede e engenharia dos próprios projetos, de forma a compatibilizar o ritmo de implantação dos data centers com o da infraestrutura elétrica necessária para atendê-los.


A ALIANÇA LÍDER MUNDIAL DE EVENTOS PARA A INDÚSTRIA DE ENERGIA

DATE

YEAR

DESTINATION

COUNTRY

SEPTEMBER 1–2

2026

DALLAS

USA

SEPTEMBER 1–3

2026

DUBAI

UAE

SEPTEMBER 1–3

2026

MEXICO CITY

MEXICO

OCTOBER 13–14 SUMMIT 2026

BUCHAREST

ROMANIA

FEBRUARY 8–11

2027

SAN DIEGO

USA

MARCH 9–11

2027

GANDHINAGAR

INDIA

MARCH 16–17

2027

NAIROBI

KENYA

APRIL 28–29

2027

FORTALEZA

BRAZIL

MAY 11–13

2027

DUBAI

UAE

JUNE 8–10

2027

MUNICH

GERMANY

JUNE

2027

ROSEMONT

USA

AUGUST 24–26

2027

SÃO PAULO

BRAZIL

204,000+ 4,700+ 10,000+

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SEGURANÇA

Marcelo Bezerra

A nova crise de confiança Quando pensamos nas maiores vítimas das últimas décadas de ataques e crimes cibernéticos, sem dúvida, a confiança ocupa um dos primeiros lugares. Não que golpes por enganação sejam algo novo; muito pelo contrário, sempre existiram. Mas o uso de técnicas para levar pessoas a acreditarem estar conversando ou, de alguma maneira, interagindo com alguém que não é quem elas pensam que é tomou outra dimensão e até recebeu um nome: engenharia social, na era da informação. Hoje vivemos em constante dúvida. Antes, tínhamos receio de sermos enganados por uma foto adulterada, mas hoje podemos ser enganados pelos próprios olhos e ouvidos ao assistir a um vídeo de deepfake. Até mesmo uma reunião por videoconferência pode ser falsa, como a que enganou o analista financeiro da empresa britânica Arup em Hong Kong, que, em 2024, após uma reunião em que acreditou estar conversando com o CFO da empresa e outros funcionários, realizou 15 transferências bancárias, totalizando mais de US$ 25 milhões. A popularização de softwares de IA - Inteligência Artificial fez com que técnicas antes restritas e consumidoras de grande capacidade de processamento chegassem às mãos de golpistas menos sofisticados e interessados em valores menores do que os envolvidos no caso de Hong Kong da Arup. E é assim que golpistas pelo Brasil afora enganam pessoas fazendo-se passar por seus advogados em chamadas de vídeo. O golpe por vídeo é uma sofisticação da velha engenharia social por áudio, uma verdadeira praga em nosso país. São várias ligações por dia, o que dá uma boa ideia de sua taxa de sucesso. Pois a era da IA está levando a velha engenharia social a outro nível, e não precisa ser tão sofisticada quanto o ataque em Hong Kong. Há

alguns anos, cunhou-se outro acrônimo para um golpe antigo: o comprometimento de e-mails corporativos, conhecido pela sigla BEC. Trata-se de uma mensagem simples em que o atacante se passa por um parceiro de negócios ou fornecedor, informando, por exemplo, que a conta bancária para pagamentos mudou. Por se tratar de mensagens de texto, com conteúdo relativamente simples, os sistemas de proteção de e-mail precisaram adicionar uma série de técnicas para detectar esse tipo de fraude, e o uso de IA para compreender contexto e intenção ajudou bastante. Mas a última linha de defesa era o próprio destinatário da mensagem e, por isso, as empresas treinam seus colaboradores para detectar qualquer “cheiro” de mensagem falsa. Mas as tecnologias estão aqui para todos, e os criminosos também passaram a usar a IA para criar seus golpes, a tal ponto que o já famoso relatório de crimes cibernéticos do FBI, Internet Crime Report, adicionou um capítulo com o título “AI-related fraud”, ou fraudes relacionadas à IA. O órgão registrou, em 2025, mais de 22 mil denúncias e prejuízos de US$ 893 milhões diretamente associados a golpes que utilizam IA. Nessa categoria estão textos gerados por IA, além de áudio, vídeo e scripts gerados também com o uso da tecnologia. O total de perdas informado no relatório é de US$ 3,05 bilhões. O que se vê é que o principal uso de IA por parte de fraudadores que enviam mensagens BEC é remover as características que denunciavam os emails como fraudulentos, além de acelerar as etapas anteriores de pesquisa e preparação. Uma das primeiras etapas de um ataque bem-sucedido é a pesquisa da vítima. As informações estão todas disponíveis na Internet, mas a pesquisa sobre uma pessoa leva tempo e pode deixar de fora um ou outro ponto. Não mais. Todos os dados chegam em minutos, em um nível de detalhe impressionante. A segunda dificuldade para o criminoso era escrever uma mensagem crível e, na maioria das vezes, em outro idioma. Certamente

60 – RTI – SET 2026

todos nós já nos deparamos com mensagens em português que não diziam nada. Mas, mesmo acertando o idioma e a maneira de escrever, cada empresa possui sua própria cultura, como o nível de formalidade, entre outros aspectos. Novamente, uma pessoa bem treinada consegue detectar ou, pelo menos, desconfiar. A qualidade da tradução feita por IA para mensagens curtas atingiu um nível elevado. A adaptação da escrita a um determinado estilo também é quase perfeita, principalmente se o atacante tiver exemplos de e-mails, o que não é tão difícil. Depois, era preciso fazer com que o e-mail chegasse à vítima sem ser bloqueado. A melhor técnica é usar domínios parecidos ou críveis. Novamente, uma tarefa trabalhosa, mas a IA passou a ser usada para descobrir a melhor combinação de nomes semelhantes ou críveis, matematicamente definindo a melhor opção para substituir caracteres e até executar automaticamente a hospedagem dos domínios falsos. É importante ressaltar que as mensagens enviadas são autenticadas pelo protocolo DMARC, já que o autor da mensagem também é o dono do domínio. A evolução das mensagens fraudulentas acompanhadas de áudio e vídeo falsos irá exigir que as empresas também evoluam no treinamento de seus colaboradores, principalmente daqueles que trabalham com finanças, dados confidenciais e segredos industriais. Também precisarão rever suas tecnologias de defesa e avaliar se estão preparadas para a nova geração de ataques e fraudes.

Marcelo Bezerra é especialista em segurança da informação, escritor e palestrante internacional. Atua há mais de 30 anos na área, com experiência em diferentes áreas de segurança cibernética. No momento, ocupa o cargo de Gerente Sênior de Engenharia de Segurança na Proofpoint. Email: marcelo.alonso.bezerra@gmail.com.


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PRODUTOS

62 – RTI – SET 2026

Mini UPS O mini UPS da 2Flex

Telecom foi desenvolvido para manter switches, ONTs, câmeras IP e dispositivos de rede funcionando mesmo durante quedas de energia. Possui comutação automática

entre rede elétrica e bateria de lítio, garantindo alimentação estável, sem desligamentos ou reinicializações, além de carregamento inteligente com corrente de até 2 A. Site: https://2flex.com.br/.

DIO articulado O DIO – Distribuidor

Interno Óptico articulado da Fibracem oferece alta capacidade de acomodação, proteção e organização de fibras ópticas em redes de telecomunicações. Com

bandejas articuladas e capacidade para até 288 fusões em modelos de 1U a 6U, a solução é voltada para instalações de alta densidade. Site: www.fibracem.com.

Testador de redes A Fluke Networks lançou o

LinkIQ Duo, testador de redes que combina qualificação de cabeamento e análise de redes Wi-Fi, com suporte até o padrão Wi-Fi 6E em uma única ferramenta. O equipamento suporta redes de 2,4, 5 e 6 GHz e permite qualificar a infraestrutura da rede instalada, identificar

problemas de conexão, localizar pontos de acesso pela intensidade do sinal, testar a velocidade da conexão e visualizar a utilização dos canais. A solução também pode ser utilizada para diagnóstico de redes industriais e identificação de problemas de usuários, reduzindo a necessidade de diferentes ferramentas para atividades de instalação e manutenção. Site: www.flukenetworks.com.

SVA para delivery Desenvolvido pela VMIX Soluções, o Pedido MIX é um SVA - Serviço de Valor Agregado que permite aos provedores oferecerem aos clientes uma plataforma de entrega de refeições integrada aos seus serviços. A operação é semelhante aos aplicativos convencionais de entrega de refeições e transporte. Uma vez na plataforma, o estabelecimento terá uma vasta rede de entregadores à disposição, todos previamente cadastrados. Caso ocorra algum problema, seja com a documentação ou um pedido, o atendimento fica a cargo de uma equipe própria da VMIX, também responsável pela validação de documentos e cadastros de usuários e entregadores. Site: https:// pedidomix.com/. Gateway residencial A Multi PRO, em parceria

com a ZTE, disponibilizou o gateway residencial ZXHN H6701Q. Com porta LAN de 2,5 GbE, a solução é equipada com um chip interno capaz de fornecer taxas combinadas de até 15 Gbit/s em Wi-Fi 7,

bem como permite ao usuário utilizar serviços de vídeo e jogos, com alta demanda de largura de banda, de forma simultânea. Site: https://multipro.com.vc/pt.

Roteadores 5G A Ubiquiti lançou a linha UniFi 5G, composta pelos modelos 5G Max (foto), 5G Max Outdoor e Dream Router 5G Max, que combinam conectividade 5G e Wi-Fi para aplicações de acesso principal, balanceamento de carga ou backup de conexão. O UniFi 5G Max é destinado a ambientes internos e pode ser conectado a uma porta PoE da infraestrutura UniFi, sendo reconhecido como interface WAN, com velocidade de download de até 3,4 Gbit/s.

de barramento elétrico modular do tipo trilho aberto, com design de bloco de junção dupla em empilhamento duplo e capacidades que variam de 160 A a 2000 A. O produto foi projetado para atender às altas demandas de potência dos racks de TI em data centers voltados para IA Inteligência Artificial e ambientes de computação de alto desempenho (HPC). Suas caixas de derivação (tap-off) hot-swappable permitem uma instalação segura e flexível em qualquer ponto ao longo do trilho, integrando-se a diversos layouts de data centers. Site: www.vertiv.com.

Climatização de data centers

O UniFi 5G Max Outdoor foi desenvolvido para instalações externas e conta com antenas direcionais de alto ganho e proteção IP67 quando utilizado com o kit de vedação de cabos. Já o Dream Router 5G Max reúne conectividade 5G, Wi-Fi 7 tribanda, recursos do UniFi OS e funções de gateway em um único equipamento. Os três modelos possuem dois slots para SIM, sendo um para nano-SIM e outro compatível com nano-SIM ou eSIM. Site: www.ui.com.

Barramento elétrico modular Fabricado pela Vertiv, o PowerBar Track é um sistema

A Daikin fornece um portfólio de unidades CRAH destinadas ao controle térmico de precisão em ambientes críticos. Com capacidades entre 30 e 250 kW, os equipamentos

utilizam ventiladores EC de alta eficiência e arquitetura modular. Para instalações de maior porte, a linha inclui sistemas fan wall, com capacidades entre 200 e 700 kW. Site: https:// www.daikin.com.br/.


Amyr Kl i nk

Leandr o Kar nal

Lúci a Hel ena


Como projetar redes inteligentes em um mundo cada vez mais conectado? Em Projeto e Operação de Redes de Computadores Orientadas pela Inteligência Artificial, José Maurício dos Santos Pinheiro, professor do UBM - Centro Universitário de Barra Mansa, diretor da RATIO consultoria e autor com diversos artigos publicados na RTI, propõe uma resposta a um dos maiores desafios do ensino e da prática em tecnologia: unir o rigor técnico das redes de computadores ao aspecto preditivo da IA - Inteligência Artificial. Em um cenário no qual o volume de dados cresce exponencialmente e o gerenciamento manual se torna inviável, esta obra mostra como projetar, otimizar e operar redes assistidas por IA e, desse modo, transformar complexidade em eficiência e aprendizado em autonomia. Editora LTC (https://abrir.link/SsIAG), 240 páginas.

Em LGPD – Estratégias, Processos e Cultura de Proteção de Dados Pessoais, os autores Carolina Martins Pinto, Marcos Nascimento de Moura Silva, Pollyana Ribeiro Ferreira de Moura e Thais Pinheiro Filipe oferecem um panorama abrangente e prático da proteção de

dados no Brasil. A obra aborda desde os fundamentos teóricos da LGPD - Lei Geral de Proteção de Dados até a implementação de programas de governança robustos e auditáveis, alinhados aos entendimentos mais recentes da ANPD - Agência Nacional de Proteção de Dados, além de apresentar uma reflexão sobre o uso responsável da IA - Inteligência Artificial. O livro é direcionado a encarregados de dados, consultores, juristas, gestores públicos e demais profissionais envolvidos na construção de uma cultura de proteção de dados pessoais no Brasil. Pontes Editores (https://abrir.link/VOASO), 185 páginas.

A Schneider Electric divulgou um novo white paper da IDC - International Data Corporation, intitulado The Self-Aware Datacenter: How ConditionBased Maintenance Turns Fragmented, Multi-Vendor Datacenters into Predictable Infrastructure and System Intelligence. De acordo com a publicação, o aumento da densidade dos racks, a fragmentação dos ambientes com equipamentos de diferentes fornecedores e a escassez de técnicos qualificados estão ampliando a necessidade de novas abordagens de manutenção e resiliência para a infraestrutura da era da IA - Inteligência

Artificial. Com 14 páginas e em inglês, o relatório pode ser consultado pelo link: https://abrir.link/XQzaP.

Organizado por Roberto Carlos dos Santos Pacheco e Alexandre Reis Siqueira Freire, o e-book Introdução às Telecomunicações Sustentáveis apresenta a convergência entre sustentabilidade e telecomunicações, articulando três eixos fundamentais: os desafios globais da Agenda 2030 e dos ODS - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a transformação digital em curso e o papel estratégico das telecomunicações como infraestrutura social, econômica e ambiental. A obra é um dos principais resultados do Programa Anatel-S, desenvolvido por meio da cooperação entre a Anatel e a UFSC Universidade Federal de Santa Catarina, com incentivo e apoio do CEADI - Centro de Altos Estudos em Comunicações Digitais e Inovações Tecnológicas. O Anatel-S tem como missão sensibilizar e engajar servidores da Anatel para os desafios da sustentabilidade, promovendo uma mudança institucional orientada por valores como justiça digital, inovação responsável e inclusão. Editora Pandion (https://abrir.link/JGtrm), 136 páginas.

Índice de anunciantes Abrint ......................... 64

Datacom ..................... 43

Gamma-K ................... 34

Novemp ...................... 42

Temon ........................ 31

ALGcompany .............. 23

Dispan ........................ 35

Huge Networks ........... 45

PrimeData ........... 2ª capa

TS Shara .................... 47

Apronet ...................... 63

Fibracem ..................... 14

Inforbarra ............ 16 e 17

Shoreline .................... 25

Vero ............................ 55

Black Box .................... 11

Fonnet .......................... 7

Intelbras ...................... 41

Sitehop ....................... 21

Vertiv .......................... 33

Clemar ........................ 49

Forte Telecom ............. 15

ITTV ................... 3ª capa

Skylane Optics ............ 13

WDC Networks ........... 53

Construcap ............. 4 e 5

Fujikura ....................... 39

Nexusguard ................. 29

SMH Sistemas .... 4ª capa

Corning ...................... 27

Futurecom .................. 61

NIC.br ........................ 57

T1 Telecom ................. 10

PUBLICAÇÕES

65 – RTI – SET 2026


ISP EM FOCO

Janyel Leite, Líder do Conselho de Administração da Abrint

O que vem depois da expansão da fibra? O próximo passo dos provedores

Durante muitos anos, uma das principais perguntas de quem empreende no mercado regional de Internet era relativamente simples: onde construir a próxima rede? A decisão passava por identificar uma cidade, um bairro ou uma região ainda mal atendida, dimensionar o investimento, lançar fibra, conquistar clientes e ampliar a operação. Essa lógica ajudou a escrever uma das transformações mais expressivas das telecomunicações brasileiras. O provedor regional deixou de ocupar uma posição secundária para se tornar parte estrutural do mercado de banda larga fixa. Agora, porém, uma nova pergunta surge: como gerar mais valor sobre a infraestrutura que já construímos? À medida que a fibra se espalha, as velocidades aumentam e diferentes empresas disputam o mesmo cliente. Com isso, a tentativa de se diferenciar exclusivamente pela conectividade torna-se mais difícil em muitos mercados. Continuar construindo redes permanece necessário, especialmente onde ainda existem lacunas de cobertura e competição. Só que a expansão física passa a conviver com outra necessidade: aumentar a produtividade, a eficiência e o valor gerado sobre a infraestrutura existente. Em pouco tempo, os provedores passarão a lidar com um novo Regulamento Geral dos Serviços de Telecomunicações, um novo Plano Geral de Metas de Competição, mudanças no modelo de regularização do SCM, revisão das regras de cibersegurança, nova regulação sobre o compartilhamento Esta seção aborda aspectos técnicos, regulatórios e comerciais do mercado de provedores de Internet. Os artigos são escritos por profissionais do setor e não necessariamente refletem a opinião da RTI.

de postes, revogação da Norma nº4 e implementação total da Reforma Tributária. Uma obrigação regulatória, uma adaptação tributária ou uma nova exigência tecnológica podem ser administráveis quando absorvidas isoladamente e de forma espaçada. O cenário muda quando várias delas chegam praticamente ao mesmo tempo e exigem investimentos em sistemas, tecnologia, pessoal, consultorias, processos e controles internos de empresas que já operam com margens de lucro estreitas. Uma obrigação com custo fixo semelhante produz impactos econômicos diferentes sobre uma companhia nacional com milhões de clientes e um provedor com alguns milhares de assinantes. Isso não significa defender menos responsabilidade para empresas menores, mas reconhecer que tratar de forma idêntica estruturas empresariais muito diferentes pode produzir efeitos concorrenciais indesejados. O provedor regional possui três ativos que muitas vezes são subestimados: infraestrutura instalada, relacionamento recorrente com o cliente e confiança local. A fibra que chega a uma empresa, escola, hotel, clínica ou prefeitura não precisa ser apenas um meio de acesso à Internet. Ela pode ser a base para segurança de rede, Wi-Fi gerenciado, backup, serviços em nuvem, IoT - Internet das Coisas, câmeras, controle de acesso, monitoramento, automação e outras soluções. Essa oportunidade não significa que todo provedor precise se transformar em uma empresa de tecnologia que oferece tudo para todos. Modelos, mercados e capacidades são diferentes. Significa reconhecer que existe uma possibilidade de evolução para quem conseguir identificar problemas que sua infraestrutura e seu relacionamento já permitem resolver. Os chamados serviços gerenciados ajudam a explicar essa lógica. Um pequeno empresário normalmente não quer escolher um firewall, configurar cada ponto de Wi-Fi,

66 – RTI – SET 2026

administrar backups, atualizar equipamentos, monitorar câmeras e descobrir sozinho por que alguma coisa parou de funcionar. Ele quer que a tecnologia funcione. Em muitas cidades pequenas e médias, o provedor regional é uma das empresas com maior conhecimento da infraestrutura digital local. Isso cria espaço para que a conectividade se converta progressivamente em digitalização e produtividade. À medida que aplicações baseadas em IA - Inteligência Artificial chegam a empresas e serviços públicos, cresce também a importância de redes confiáveis, segurança, capacidade computacional, dados e suporte tecnológico. O primeiro grande ciclo dos provedores regionais foi marcado pela coragem de construir redes e conquistar espaço. Essa aposta do passado agora se materializa em uma nova fronteira de rentabilidade. Contudo, o sucesso nesta etapa não dependerá apenas da rede física, mas da capacidade do provedor de se adaptar, diversificar sua atuação e transformar infraestrutura em inteligência. Por isso, preservar a competição e a segurança jurídica não significa proteger o que já está instalado, mas garantir condições para que esse mercado tenha capacidade de construir o futuro. Depois de ajudar a conectar o Brasil, o próximo desafio dos provedores regionais é ajudar o Brasil conectado a transformar infraestrutura em desenvolvimento.

Janyel Leite é Líder do Conselho de Administração da Abrint, atuando desde 2010 na defesa dos provedores regionais de Internet em pautas regulatórias, políticas públicas e no fortalecimento do ecossistema de conectividade nacional e internacional. Formado em Análise de Sistemas, com especialização em Gestão Estratégica pela Fundação Dom Cabral, traz uma base sólida em auditoria interna e gestão de riscos, com experiência anterior em grandes organizações.


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