Impulsionado por novos leilões, expansão das P P Ps - Parcerias Público-Privadas e aumento dos investimentos das operadoras, o saneamento básico no Brasil entra em uma fase decisiva, no momento em que precisa cumprir as metas do marco legal até 2033
Serviço
Guia de b ombas para água e efluentes
O levantamento traz os fornecedores de mais de 20 tipos de bombas, como centrífugas, submersas, lóbulos, pneumáticas, diafragma, pistão e dosadoras para aplicações de água, esgoto e processo
Efluentes
Ultrafiltração para produção de água de reúso
O estudo avalia a aplicação de uma unidade piloto de ultrafiltração (U F) como tratamento quaternário em uma Estação de Tratamento de Efluentes em Niterói, R J A unidade utilizou um car tucho de membrana de fibra oca de polietileno, sendo operada por 10 dias úteis
Faturamento
Cobrança de ligações ativas com contrato de desempenho
O trabalho aborda a necessidade de ferramentas eficazes para combater a inadimplência no setor de saneamento básico Propõe-se um novo modelo contratual para a cobrança de ligações ativas, com foco em indicadores de desempenho
Serviço
Guia de hidrômetros
Com as metas do marco do saneamento e a necessidade de reduzir perdas de água, cada vez mais as empresas precisam realizar a medição precisa do volume de água comercializado. O guia traz a ofer ta atualizada dos fornecedores de hidrômetros no Brasil.
Reúso industrial
Uso de tanino no tratamento de efluente flexográfico para fins de reúso
Este estudo avalia o uso de tanino como alternativa ao sulfato de alumínio no tratamento de efluente flexog ráfico e discute seus limites e potencial para reúso industrial, especialmente na pré-lavagem de rolos de impressão
Universalização do saneamento exige acelerar investimentos
Osaneamento básico brasileiro entrou na segunda metade da década como um dos principais desafios de infraestrutura do país Apesar dos avanços institucionais trazidos pelo marco legal de 2020 e do crescimento recente dos investimentos, os indicadores mostram que a universalização até 2033 ainda dependerá de uma aceleração significativa na expansão dos serviços.
Os dados mais recentes reforçam esse diagnóstico O Ranking do Saneamento 2026, elaborado pelo Instituto Trata Brasil com base no SI N I SA, indica que mais de 30 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água potável e cerca de 90 milhões permanecem sem coleta de esgoto Mesmo entre os 100 maiores municípios do país, que apresentam indicadores superiores à média nacional, persistem lacunas relevantes, sobretudo no esgotamento sanitário
O contraste entre os municípios mais avançados e aqueles que permanecem em situação crítica ilustra bem a dimensão do desafio Enquanto os 20 melhores municípios reg istram níveis próximos da universalização, com cerca de 98% de coleta de esgoto, os 20 piores contam com apenas 28% de cober tura No tratamento de esgoto, a diferença também é expressiva, variando de aproximadamente 78% para pouco mais de 28%.
A principal explicação para esse desequilíbrio continua sendo o investimento Nos municípios com melhor desempenho, o apor te médio alcança cerca de R$ 176 por habitante ao ano, valor relativamente próximo do patamar estimado pelo Plansab como necessário para universalizar os serviços. Já nas cidades com piores indicadores, o investimento médio fica em torno de R$ 77 por habitante, muito abaixo do nível necessário para expandir redes, estações de tratamento e sistemas de distribuição
Ao mesmo tempo, o setor vive uma transformação estrutural impor tante Como mostra a repor tagem especial desta edição, a reg ionalização dos serviços e a expansão das concessões e P P Ps ampliaram a par ticipação privada e abriram uma nova agenda de investimentos Atualmente, operadores privados já atuam em mais de 60% dos municípios brasileiros, e o pipeline de projetos em estruturação indica um ciclo relevante de licitações e investimentos ao longo da década.
Mesmo com esse movimento, os números mostram que o ritmo ainda está aquém do necessário Em 2024, os investimentos em saneamento no país somaram cerca de R$ 29 bilhões, quando o volume anual necessário para cumprir as metas de universalização é estimado em aproximadamente R$ 48 bilhões.
Mais do que ampliar o número de projetos estruturados, o desafio agora é garantir sua execução em escala e velocidade compatíveis com as metas do marco legal A próxima etapa do ciclo de expansão do saneamento dependerá não apenas da mobilização de recursos, mas também da capacidade de planejamento, regulação e gestão dos serviços
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Notícias
GAREMP desenvolve sistemas compactos para tratamento de efluentes e reúso
Com a pressão crescente por soluções de saneamento fora da rede pública e a necessidade de expandir o reúso de água em indústrias e empreendimentos, a GAR EM P Soluções Sustentáveis vem ampliando sua presença no mercado brasileiro com o desenvolvimento e fabricação de estações compactas voltadas ao tratamento de efluentes e reaproveitamento de água de chuva
Fundada em 2022 em Limeira, SP, a GAR EM P nasceu a par tir da atuação em serviços de manutenção de estações de tratamento de esgoto. “Começamos dando supor te técnico, fazendo manutenções e limpezas, e a par tir disso fomos entendendo o que o mercado realmente precisava para uma estação de tratamento funcionar de forma eficiente”, afirma Gabriel Castelani, diretor e fundador da empresa
Com engenharia própria, a GAR EM P atende diferentes etapas do ciclo hídrico, desde a captação e o armazenamento até o tratamento e o reúso Entre os principais produtos estão as estações compactas de fibra de vidro (P R F V) destinadas a condomínios, hotéis, hospitais, indústrias, centros logísticos e loteamentos sem acesso à rede pública “Fornecemos ETE compacta com dimensionamento técnico, instalação e todos os documentos São estações projetadas conforme N B R 17076, N B R 12209 e Conama 430, com foco em tratamento biológ ico completo e reúso não potável”, explica Castelani
A principal linha da empresa é a TSX, que integ ra diferentes etapas do
As estações compactas de fibra de vidro são destinadas a condomínios, hotéis, hospitais, indústrias, centros logísticos e loteamentos sem acesso à rede pública
tratamento em um único módulo. “A TSX já vem com g radeamento, digestor anaeróbico, filtro aerado submerso, decantador secundário e tanque de contato A nossa ideia é sempre destinar a água para reúso, e nesse sistema é possível obter eficiência acima de 90% na remoção de DBO e DQO”, afirma o executivo.
Os módulos da linha TSX atendem vazões de 1,6 a 8 m³/dia, podendo ser instalados em paralelo conforme a demanda Há ainda variações como a TSX+, indicada para 10 a 50 m³/dia por módulo, e a TSX Série R, para até 50 m³/dia por módulo com g randes cargas de DBO, que substitui o digestor anaeróbico por um R AC – reator anaeróbio compar timentado, ampliando a área de contato do efluente
Para projetos de maior por te, a GAR EM P oferece o sistema R AM D, que consiste de reator anóxico, M B B R - Moving Bed Biofilm Reactor e decantador secundário Oferece alta ta xa de eficiência, remoção de nitrogênio e fósforo e baixo consumo de energ ia, pois realiza a aeração sem necessidade de sopradores, podendo incluir ultrafiltração e osmose reversa como pós-tratamento. “Conseguimos atender g randes empreendimentos, como loteamentos, mas também podemos modular conforme a exigência do cliente”, explica Castelani
Outro eixo de atuação são as cisternas autopor tantes em P R F V, com capacidades entre 5 mil e 60 mil L, destinadas ao armazenamento de água de chuva ou potável, instaladas de forma enterrada ou externa “São reservatórios com nervura estrutural, já vêm com filtros separadores de folha e podem receber pós-tratamentos como ultrafiltração e osmose reversa, dependendo do projeto”, afirma
Em termos de estrutura, a GAR EM P passou por rápida expansão “Em 2024 compramos uma fábrica de 600 m² em Rio Claro e agora estamos mudando para um novo espaço de 1600 m²”, relata Castelani Atualmente, a empresa conta com cerca de 25 colaboradores, sendo 10 nas áreas de serviços, engenharia e comercial, e 15 na fabricação
Além da produção, a GAR EM P mantém parceria com a Unicamp para desenvolvimento de novas tecnolog ias “Estamos trabalhando com tratamento de gordura, wetlands e compostagem de lodo. A ideia é aproximar a universidade da indústria e trazer inovação para o saneamento”, conclui
GAR E M P – Tel (19) 9 9 828-29 07
Site: https://garemp com br/
Gabriel Castelani, da GAR E M P: solução integrada conecta engenharia ambiental e civil
H2O Ambiental implanta
ETE com reúso integral de água e energia em usina de biodiesel
OGrupo H2O Ambiental, com sede em Sorocaba, SP, está à frente do projeto e da execução de uma nova estação de tratamento de efluentes (ETE) para o maior complexo industrial de geração de biodiesel do Brasil e do mundo, per tencente ao Grupo Potencial, no município de Lapa, P R.
A unidade foi concebida para operar em circuito fechado de água e energ ia, integ rando 14 fábricas do complexo ag roindustrial biodiesel, glicerina refinada, glicerólise, etanol e esmagadora de soja em um modelo autossuficiente, com reaproveitamento integ ral dos efluentes gerados no processo.
O contrato abrange o desenvolvimento dos projetos executivos e a execução completa da obra, pela Sampa Saneamento Ambiental, empresa do Grupo H2O Ambiental, que atua de forma integ rada 360º desde a concepção do projeto, engenharia, fabricação própria de equipamentos, montagem eletromecânica e comissionamento, assegurando rastreabilidade técnica e conformidade normativa em todas as etapas O projeto reúne, em um mesmo sistema, lagoa com geração de biogás, processo anóxico para desnitrificação, tratamento aeróbio com tecnolog ia M B R (membranas de ultrafiltração), reúso terciário com osmose reversa e sistema de desidratação de lodo
Segundo a empresa, será a primeira ETE do segmento no país a operar com reúso em circuito fechado completo, no qual a água tratada retorna integ ralmente ao processo produtivo e o gás gerado é utilizado para alimentar as caldeiras da unidade industrial
“A estação foi projetada no modelo EPAR - Estação Produtora de Água de Reúso Todo efluente tratado retornará ao processo, alcançando padrão de água de alta qualidade para reúso industrial”, afirma Antonio Carlos da Silva Sampaio, CEO do Grupo H2O Ambiental.
Durante o tratamento, o efluente passará por separadores de óleo e tanque de equalização com tecnolog ia alemã, sendo bombeado para uma lagoa biodigestora anaeróbia de pressão negativa, responsável pela geração e captação de biogás.
O potencial estimado é de até 8,8 milhões de Nm³ por ano, ou cerca de 25 mil Nm³ por dia, volume destinado às caldeiras de alta pressão da unidade industrial Nessa etapa anaeróbia, é removida cerca de 70% da carga orgânica, substituindo parcialmente o uso de gás natural ou outro combustível, viabilizando a geração de vapor renovável para o próprio complexo
Entre outras novidades e diferenciais tecnológ icos do empreendimento está a adoção de sistemas de mistura e aeração A solução inclui ilhas de aeração com ejetores multivias e bicos do tipo jato Venturi, aplicados em tanques de equalização, reatores anóxicos e aeróbios, tecnolog ia que
proporciona economia energética de aproximadamente 20% quando comparada a sistemas tradicionais.
“O sistema utiliza bicos Venturi que promovem a mistura e a homogeneização do efluente sem a necessidade de ag itadores mecanizados internos As bombas ficam fora dos tanques, eliminando manutenção interna e reduzindo significativamente os custos operacionais ao longo da vida útil do sistema”, afirma Sampaio
No tanque de equalização, com 25 metros de diâmetro e 10,4 metros de altura, são utilizados 18 bicos de dispersão que garantem a mistura completa do efluente
Na sequência, o processo segue para a lagoa biodigestora e, posteriormente, para o sistema M B R, que inclui reator anóxico de 14,5 metros de diâmetro por 10,5 metros de altura, também equipado com tecnolog ia de mistura Venturi. Já na etapa aeróbia, dois reatores de 24 metros de diâmetro por 10,5 metros de altura utilizam ilhas de aeração com ejetores multivias
“A g rande vantagem é trabalhar com reatores de até 10 metros de coluna líquida, enquanto soluções convencionais operam com cerca de 5 metros Isso permite otimizar a área construída em até quatro vezes para a mesma capacidade de tratamento Além de reduzir consideravelmente o espaço destinado à ETE, o sistema possibilita diminuir significativamente o volume de ar necessário ao sistema, pois a altura aproveita melhor o ar, potencializando a eficiência energética Os ganhos energéticos são muito relevantes em projetos sustentáveis”,
Complexo agroindustrial da Potencial no município de Lapa,
P R: ETE com reaproveitamento integral dos efluentes gerados no processo
Notícias
afirma Sampaio Os ejetores multivias operam com eficiência de até 2,5 kg de oxigênio por kW, comparado a 2 kg de O2 por kW nos sistemas tradicionais. Isso representa uma economia energética da ordem de 20% a 25% Os ejetores são fabricados em polipropileno, garantindo elevada resistência à corrosão e operação, sem necessidade de manutenção interna, reduzindo Capex e Opex ao longo da vida útil do sistema Par te dos equipamentos estratég icos do sistema é fabricada pelo Grupo H2O Ambiental, assegurando controle de qualidade, padronização construtiva e mitigação de riscos operacionais “É um projeto pioneiro, tanto pela integ ração das tecnolog ias, quanto pela escala e pelo nível de reaproveitamento de recursos. O objetivo é que nenhum insumo seja desperdiçado, fechando o ciclo de forma eficiente e sustentável”, conclui Sampaio
Grupo H2O Ambiental – Tel (15) 3232-5619
Site: www h2oambiental com br/
Solução
tur nkey impulsiona avanço da Tanks BR em ETEs
Criada em 2009 e tradicionalmente focada em reservatórios metálicos para água, a Tanks B R passou a atuar também no tratamento de esgoto a par tir de 2020, quando lançou sua linha de ETEs completas A iniciativa surg iu após demandas de concessionárias que buscavam reservatórios para aplicações em estações de tratamento “As g randes companhias de saneamento começaram a nos procurar com demandas ligadas ao esgoto, e percebemos que poderíamos entregar não apenas o reservatório, mas a estação completa Foi quando passa-
ETE Tapera, com capacidade de 15 L/s, da Sanepar, em B ocaiúva do Sul, P R
mos a desenvolver a solução turnkey” , afirma Rogerio Sciamana, sócio-diretor da empresa
Desde então, o segmento cresceu rapidamente e hoje representa cerca de 40% da receita da companhia Mais de dezenas de mil m³ em tanques reatores e decantadores já estão em operação, em projetos para concessionárias como Sanepar, no Paraná, e Sabesp, em São Paulo Entre os empreendimentos estão as ETEs Tapera e Congonhas, com capacidade de 15 L/s cada, a ETE Melissa, com 100 L/s, e a ETE Cabuçu, em Guarulhos, com 38 L/s Segundo Sciamana, o diferencial do modelo turnkey está na responsabilidade integ ral pelo projeto e pelo desempenho final da estação “O cliente fornece apenas os dados de entrada do esgoto, a vazão e os parâmetros exig idos pela leg islação para o lançamento no corpo receptor A par tir disso, estudamos a melhor rota tecnológ ica e entregamos toda a solução, desde a terraplanagem até a operação assistida”, explica O escopo inclui obras civis, montagem eletromecânica, fornecimento de equipamentos e acompanhamento operacional, garantindo que os parâmetros exig idos sejam ating idos antes da entrega definitiva. Esse formato contrasta com o modelo convencional, no qual projeto, construção e fornecimento de equipamentos são contratados separada-
mente, muitas vezes sem integ ração entre os responsáveis “No passado, a companhia contratava o projeto, depois licitava a obra, e o construtor não tinha vínculo com o sucesso do resultado Era um processo mais demorado e complexo”, afirma Sciamana “Hoje, com o turnkey, é uma única licitação e um único responsável. Isso reduz prazos e aumenta a confiabilidade ”
O ganho de tempo é um dos principais fatores que impulsionam a adoção do modelo Segundo o executivo, projetos que antes levavam de quatro a seis anos entre concepção e entrada em operação agora podem ser concluídos em menos de um ano após a contratação “Temos entregas que ficam com menos de um ano desde a licitação até a operação assistida E nos comprometemos com o resultado final, não apenas com a obra”, diz
As estações fornecidas pela Tanks B R utilizam diferentes rotas tecnológ icas, como lodos ativados, M B B R - Moving Bed Biofilm Reactor e reatores UASB, escolhidas de acordo com as características do projeto e a disponibilidade de área “Sabemos o quanto o espaço de instalação de uma ETE é restrito. Nossos sistemas também levam isso em conta e são bem compactos”, afirma Sciamana
A base da solução está nos tanques metálicos parafusados com revestimento epóxi termofundido ou vitrificado, que podem atuar como reatores biológ icos, decantadores e unidades de armazenamento. Segundo o executivo, esse tipo de estrutura contribui para reduzir prazos e aumentar a durabilidade “O tanque parafusado alia
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rapidez de montagem, competitividade e longa vida útil Isso permite entregar projetos com maior previsibilidade e desempenho”, afirma.
O avanço do modelo turnkey está diretamente relacionado às exigências do novo marco do saneamento, que estabeleceu metas de universalização até 2033 Para atender aos prazos regulatórios, concessionárias buscam soluções que reduzam o tempo de implantação e assegurem o desempenho operacional “As empresas querem soluções confiáveis, duráveis e rápidas O turnkey atende exatamente a essa necessidade, porque entrega a estação pronta e funcionando”, afirma Sciamana
A tendência, de acordo com o executivo, é de expansão contínua do segmento de esgoto, que deve superar o de reservação de água nos próximos anos “Com a universalização, o mercado de esgoto tende a crescer ainda mais As companhias não querem apenas construir uma estação, elas querem ter cer teza de que ela vai operar corretamente”, afirma.
Nesse contexto, a modalidade turnkey vem se consolidando como uma alternativa para reduzir riscos, simplificar contratações e acelerar a implantação de infraestrutura de tratamento “Hoje, o cliente tem um único responsável pelo projeto, pela construção e pelo desempenho. Isso traz mais segurança e eficiência para as companhias de saneamento”, diz Sciamana Ele lembra que a empresa iniciou suas atividades como representantes comerciais, evoluindo para a montagem mecânica dos tanques e execução das bases, chegando à solução turnkey com desenvolvimento de projetos civis e hidráulicos e execução do centro de reservação completo
Tanks B R – Tel. (19) 9 9554-16 36
Site: https://tanksbr com br/
Huber aposta no aumento do uso de tecnologias sustentáveis no saneamento
Aalemã Huber tem investido no desenvolvimento de tecnolog ias que visam aumentar a eficiência e a sustentabilidade do saneamento Segundo a empresa, o setor deve aumentar, em 2026, o uso de equipamentos de secagem de lodo de ETEs – Estações de Tratamento de Esgoto devido à sobrecarga de sistemas de destinação de resíduos utilizados em g randes centros urbanos e ao encarecimento dos custos de disposição em aterros sanitários
“Essa tendência é uma das principais apostas da Huber O por tfólio da empresa inclui sistemas de secagem solar térmica de baixa temperatura e secadores de contato capazes de fornecer desaguamento rápido e parcial do lodo, aliviar a carga sobre as estruturas de gestão de resíduos e reduzir custos operacionais”, afirma Renan Utri Andreguetto, head of business da Huber do Brasil
O secador solar foi instalado na ETE da GS Inima Samar, concessionária responsável pelos serviços de água e esgoto em Araçatuba, SP, e está em atividade há mais de cinco anos. “O sistema Solstice é totalmente automatizado e um dos únicos secadores solares que atua de forma contínua, favorecendo o controle do odor e proporcionando eficiência na uniformização da secagem A unidade climática monitora em tempo real as condições externas e internas da estufa, ajustando as velocidades do revirador e dos ventiladores de inserção de ar e exaustão Além dos benefícios operacionais e baixo custo energético, um dos principais êxitos da aplicação foi a superação do dimensionamento inicialmente previsto
Projetado para aumentar o teor de sólidos do lodo para até 80%, o processo chegou a índices de 96% de concentração em vir tude do clima local e da eficiência dos profissionais da GS Inima Samar”, lembra o head of business
Com 153 anos de história, a empresa europeia atua no Brasil a partir de um escritório em São Paulo A subsidiária local tem crescido desde a aprovação, em 2020, do marco do saneamento Em 2026, a unidade pretende ampliar o seu quadro de pessoal Segundo Andreguetto, a segurança jurídica e a cobrança por resultados advindas da nova regulamentação fizeram com que o
ETE da GS Inima Samar em Araçatuba
Renan Utri Andreguetto, da Huber do Brasil: tecnologias sustentáveis para a gestão de resíduos
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mercado nacional adotasse um novo modus operandi em que o preço não é mais o único diferencial, e sim a tecnolog ia de ponta fornecida pela solução a ser adquirida.
“Nossos principais setores de atuação são tratamento preliminar, com separação de resíduos por diversos tipos, remoção de areia e peneiramento fino Já nas etapas finais, a Huber trabalha com equipamentos de ultrafiltração e sistemas completos de beneficiamento e tratamento de lodo, indo desde peneiras e adensadores a tanques de floculação, sistemas desaguadores e secadores”, explica Andreguetto Para 2026, um dos destaques do por tfólio são os equipamentos de recepção para caminhões-tanque que permitem a remoção de sólidos g rosseiros, como areia e gordura, tornando o efluente padronizado e sem a presença de lodo em excesso ou resíduos estranhos Após o pré-tratamento, o material pode ser encaminhado de forma uniforme às ETEs sem inter ferir na caracterização do efluente proveniente da rede coletora. Outra aposta é a solução para peneiramento de lodo,
que remove o material inorgânico e não deg radável, aumentando o potencial de geração de biogás e o tempo de operação sem a necessidade de limpar os digestores.
“Os equipamentos são produzidos na Alemanha e impor tados para o Brasil A Huber é a única fabricante a utilizar um processo de mais de 6 horas de decapação por imersão completa Com a técnica, as chapas de aço utilizadas em nossas soluções apresentam uma resistência elevada, figurando entre as mais for tes do mundo”, salienta Andreguetto Atualmente, a Huber conta com mais de 60 representantes no mundo e uma base instalada de 54 mil equipamentos distribuídos nos cinco continentes
Huber – Tel (11) 97076-76 8 8
Site: www huber-technology com br
Gr upo Unità inaugura primeiro centro de treinamentos Lepono na América Latina
OGrupo Unità, distribuidor de equipamentos para a construção civil
de marcas asiáticas, com foco em motobombas, inaugurou em março o LEO Brand Center Latin America em Jundiaí, SP, primeiro centro de treinamento da fabricante chinesa de bombas Lepono na América Latina
A estrutura integ ra a estratég ia de expansão da marca no mercado latino-americano, com foco na formação técnica de clientes e parceiros e no supor te à aplicação de soluções de bombeamento em setores como construção civil, indústria e saneamento Segundo a empresa, a escolha pelo município do interior paulista foi baseada na proximidade com centros logísticos e industriais, além do acesso a rodovias e aeropor tos, o que facilita a integ ração com diferentes reg iões do país.
LEO Brand Center Latin America em Jundiaí
Com cinco unidades de produção automatizadas, o principal parque fabril da Lepono, na China, possui 300 mil m2, emprega mais de 6 mil colaboradores e produz cerca de 6 milhões de bombas anualmente, expor tadas para mais de 160 países
Um dos destaques do por tfólio é a bomba submersível para esgoto WQ, voltada para aplicações em drenagem de águas residuais em fábricas, canteiros de obras e ETEs – Estações de Tratamento de Esgoto O Grupo Unità mantém ainda a LP N, marca própria com soluções fabricadas na China para os setores hidráulico e de bombeamento Um dos destaques é a centrífuga C P M, que pode ser aplicada em líquidos não ag ressivos e sem sólidos em suspensão.
Com mais de 3000 m2, o LEO Brand Center Latin America conta com showroom, auditório e dois laboratórios Uma das oficinas, creditada pelo Inmetro, é utilizada para testes e cer tificações de bombas de até 75 CV.
“A estrutura foi desenhada para oferecer experiências práticas e técnicas, com bancadas de testes, simulações reais e áreas de exposição
A ideia é formar e atualizar profissionais, clientes e parceiros não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina, for talecendo a rede técnica e comercial das marcas ” , explica Claudinei Lange, CEO do Grupo Unità
O calendário de treinamentos será divulgado mensalmente e abrangerá diversas linhas de equipamentos Inicialmente, os cursos são voltados a clientes e funcionários, incluindo
profissionais estrangeiros Em uma segunda etapa, o Grupo Unità planeja convidar estudantes no último ano e recém-formados em Engenharia para par ticiparem das aulas e, a depender da per formance dos par ticipantes, atrair novos talentos para o seu quadro de colaboradores
“O centro de treinamento representa a consolidação do Brasil como polo técnico e de referência em soluções de bombeamento Mais do que um espaço físico, simboliza o nosso compromisso com a qualificação profissional e o desenvolvimento sustentável do mercado latino-americano Aqui, o conhecimento passa a ser tão estratég ico quanto o produto”, finaliza Lange
Grupo Unità – Tel (47) 9 9761-716 0 Site: www.grupounita.com.br
Marco do saneamento: balanço e per spectivas 2026
O saneamento básico no Brasil entra em 2026 em uma fase decisiva, impulsionado por novos leilões, expansão das PPPs - Parcerias
Público-Privadas e aumento dos investimentos das operadoras. O movimento ocorre em um contex to em que o país precisa cumprir as metas do marco legal (atendimento de 9 9% da população com água potável e de 9 0% com coleta e tratamento de esgoto até 2033), exigindo aceleração significativa da expansão da infraestrutura.
Apesar do avanço institucional e do aumento dos investimentos, os indicadores mais recentes mostram que a universalização ainda exige for te aceleração O Ranking do Saneamento 2026, do Instituto Trata Brasil, aponta que o país mantém déficits relevantes, especialmente em esgotamento sanitário, evidenciando desigualdades reg ionais persistentes
Segundo o ranking, com base no SI N I SA 2024 - Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico, Ministério das Cidades, o atendimento total de água no Brasil alcançou 84,1%, enquanto a coleta de esgoto atinge 56,7% e o tratamento chega a 51,8% do esgoto gerado
Nos 100 maiores municípios do país, os indicadores são superiores à média nacional, com atendimento médio de água de 93,5% e coleta de esgoto de 76,9%, o que reforça a desigualdade entre g randes centros urbanos e cidades menores
Se o cor te for mais específico, para os 20 melhores municípios, o atendimento total de água chega a 99,05%, enquanto nos 20 piores fica em 83,01% As disparidades também estão presentes nos demais serviços.
Enquanto os 20 melhores contam com 98,08% de coleta de esgoto, os 20 piores têm apenas 28,06% No tratamento de esgoto, os 20 melhores reg istram 77,97%, enquanto os 20 piores alcançam apenas 28,36% Já as perdas na distribuição ficam em 24,28% nos 20 melhores e 44,78% nos 20 piores.
O esgotamento sanitário permanece como o principal desafio estrutural do setor, com pouco mais da metade do esgoto gerado sendo efetivamente tratado, o que limita os ganhos ambientais e sanitários
A cober tura é concentrada nas reg iões mais desenvolvidas e os déficits são persistentes no Nor te e no Nordeste Esse desequilíbrio reforça a necessidade de investimentos direcionados à ampliação das redes coletoras e das estações de tratamento, sobretudo em áreas urbanas periféricas e municípios de menor por te
O estudo do Trata Brasil evidencia ainda for te disparidade entre municípios, com casos extremos em que o atendimento de água permanece abaixo de 40% e a coleta de esgoto inferior a 10%, nas reg iões Nor te e Nordeste Entre os casos mais críticos estão Por to Velho, RO, com apenas 30,7%
Redação da Hydro
de atendimento de água, e municípios como Santarém, PA, onde a coleta de esgoto alcança apenas 3,3% da população Também aparecem entre os piores indicadores cidades como Ananindeua, PA, com cerca de 39% de cober tura de água, e Rio Branco AC, com níveis ainda reduzidos de infraestrutura sanitária.
Avanço privado
A expansão da infraestrutura ocorre em um ambiente institucional mais estruturado e com crescente par ticipação do setor privado Atualmente, o país conta com mais de 1300 operadores, incluindo companhias estaduais, autarquias municipais e concessionárias privadas
Levantamento do painel Abcon
Data - Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto indica que a atuação privada já está presente em 3583 municípios brasileiros, o equivalente a 64,3% do total, enquanto 1988 municípios (35,7%) permanecem com operação pública Os dados também mostram que a reg ionalização prevista pelo marco legal alcança cerca de 98% dos municípios do país, refletindo o avanço das estruturas reg ionais criadas para viabilizar a universalização dos serviços
Esse movimento consolida o setor privado como um dos principais vetores de expansão do saneamento, especialmente em projetos de maior escala e em reg iões com maiores déficits de infraestrutura
Esse contexto reforça também o papel do saneamento para o crescimento da infraestrutura do país Dados mais recentes do SI N I SA indicam que os investimentos em água e esgoto somaram cerca de R$ 29,1 bi-
Tab I - 10 melhores municípios no Ranking do Saneamento de 2026 do Instituto Trata Brasil SINISA (2024) Elaboração: GO Associados
Indicador de atendimento total de água (%)
Indicador de atendimento total de esgoto (%)
Indicador de tratamento total de esgoto (%)
Franca, SP
Campinas, SP
Limeira, SP
Niterói, RJ
A parecida de Goiânia, GO
Foz do Iguaçu, PR
Tauba té, SP
lhões em 2024 mesmo assim ainda abaixo do patamar estimado de aproximadamente R$ 48 bilhões anuais necessários para universalização até 2033, segundo o Plansab.
A avaliação é a de que o setor combina receitas reguladas, horizonte de longo prazo e demanda estrutural elevada, características que ampliam o interesse de operadores privados, financiadores e investidores institucionais O avanço das concessões e P P Ps também contribui para ampliar a previsibilidade e acelerar a execução dos projetos
Não por acaso, segundo o Barômetro da Infraestrutura Brasileira, elaborado pela EY-Par thenon em parceria com a Abdib – Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, lançado no fim de fevereiro de 2026, o saneamento aparece como o setor com maior intenção de investimentos para os próximos três anos, citado por 49,2% dos entrevistados, à frente de rodovias (47,8%) e energ ia elétrica (38,5%)
De acordo com o levantamento, o ânimo tem a ver com o fato de em 2026 ter novas rodadas relevantes de concessões, incluindo três leilões de saneamento previstos no pipeline de projetos do B N DES, dando continuidade à onda de licitações observada em 2025
Segundo o estudo, o investimento privado respondeu por 84% dos
apor tes em infraestrutura em 2025, o maior percentual da série histórica iniciada em 2010, ating indo R$ 280 bilhões e reforçando o papel das concessões e P P Ps como principais instrumentos para viabilizar novos projetos
O levantamento também mostra que a percepção do mercado em relação ao ambiente para investimentos em infraestrutura tem melhorado
A parcela de entrevistados que avaliam como favorável o cenário para novos investimentos subiu para 54,2%, o maior nível da série histórica do estudo
Esse movimento ocorre em um contexto em que os investimentos em infraestrutura crescem no país, com par ticipação recorde de 84% do capital privado
Leilões
Para 2026, o pipeline de novos projetos reforça a expectativa de expansão acelerada Levantamento da Abcon, com base em dados do Radar P P P e do B N DES, aponta a previsão de seis g randes leilões, que somam R$ 27,5 bilhões em investimentos e potencial de atendimento a cerca de 11 milhões de pessoas. Desse total, quatro projetos serão estruturados como P P Ps, concentrando aproximada-
Especial
mente R$ 20,3 bilhões e abrangendo 477 municípios
“A ampliação da par ticipação privada tem permitido acelerar investimentos e viabilizar projetos em reg iões onde a expansão da infraestrutura exig ia novos modelos de financiamento e execução”, afirma a diretora-presidente da Abcon, Christianne Dias
Entre os destaques está o projeto reg ional de esgotamento sanitário do interior do Ceará, que integ ra um conjunto de iniciativas com investimentos bilionários voltados à ampliação da coleta e do tratamento de esgoto O modelo segue a lóg ica de blocos reg ionais estruturados após o novo marco do saneamento, reunindo municípios de menor por te para ganho de escala e viabilidade econômico-financeira
Em Goiás, avançam iniciativas de reg ionalização dos serviços, com a estruturação de projetos voltados à ampliação da par ticipação do setor privado. Outro projeto relevante está em estruturação na Paraíba, com previsão de investimentos de R$ 3,1 bilhões e potencial de atendimento a cerca de 2,3 milhões de habitantes
Projetos adicionais em estados como Alagoas, Rio Grande do Nor te e Rondônia também integ ram o pipeline previsto para o ano, ampliando a presença do modelo de concessões e P P Ps em diferentes reg iões
Além dos projetos com leilões previstos para 2026, o país conta com uma car teira ampliada de iniciativas em estruturação Estimativas indicam que há atualmente 43 projetos de concessão em diferentes fases de desenvolvimento, com potencial de mobilizar cerca de R$ 105 bilhões em investimentos e beneficiar mais de 36 milhões de pessoas Esse volume cria uma base concreta para a aceleração da expansão da infraestrutura ao longo da década.
Dados atualizados do acompanhamento Abcon Data apontam que há atualmente 28 projetos de saneamento em andamento no país, com investimento estimado de R$ 38,6 bilhões e potencial de atendimento a cerca de 14,4 milhões de pessoas em aproximadamente 600 municípios
Investimentos
Nesse cenário, as operadoras ampliam seus planos de investimento e modernização. O novo ciclo é caracterizado pela expansão do Capex, adoção de tecnolog ias dig itais e desenvolvimento de projetos voltados à segurança hídrica, interconexão de sistemas e modernização das redes Esses vetores ampliam a eficiência
operacional e contribuem para antecipar o cumprimento das metas regulatórias
Apesar dos avanços, os níveis de eficiência ainda representam um desafio relevante: as perdas de água na distribuição permanecem em torno de 39,5% no país, patamar significativamente acima da meta regulatória de 25%, o que reforça a necessidade de modernização das redes
No cenário, porém, a Sabesp se destaca como uma das principais plataformas de investimento do setor. Após sua privatização, a companhia projeta receita requerida de R$ 24,9 bilhões em 2026 e mantém um plano de investimentos superior a R$ 70 bilhões no período de 2024 a 2029 O objetivo é antecipar a universalização
Tab II - 10 melhores e 10 piores municípios – Indicador de atendimento
Especial
dos serviços em São Paulo e ampliar a capacidade de tratamento e distribuição
Entre os projetos estruturantes está o prog rama Integ raTietê, com quase R$ 3 bilhões destinados à ampliação e modernização de estações de tratamento de esgoto. Um dos destaques é a expansão da ETE Parque Novo Mundo, que elevará significativamente sua capacidade operacional A companhia também avança em projetos de reforço da segurança hídrica, como a modernização do Sistema Baixo Cotia, que ampliará a capacidade de abastecimento.
Outro eixo relevante é a transformação dig ital da operação A Sabesp firmou contrato de cerca de R$ 3,8 bilhões para modernização da medição, com implantação de hidrômetros inteligentes e sistemas conectados A dig italização visa melhorar o controle operacional e a qualidade dos serviços prestados, segundo a empresa
Não à toa, no levantamento do Instituto Trata Brasil, que evidencia for te concentração de investimentos em poucos g randes centros, há destaque para a atuação da Sabesp na capital
paulista. Entre 2020 e 2024, foram aplicados cerca de R$ 34 bilhões nas capitais brasileiras (a preços de junho de 2024), dos quais quase 36% aproximadamente R$ 12,2 bilhões se concentraram no município de São Paulo
O volume coloca a capital paulista com ampla vantagem sobre as demais, seguida pelo Rio de Janeiro, com R$ 3,9 bilhões, e por For taleza, com R$ 2,2 bilhões, reforçando a assimetria reg ional na alocação de recursos e o peso da Sabesp no ciclo recente de expansão dos investimentos em saneamento.
Perspectivas
Dados do Instituto Trata Brasil indicam que, apesar do avanço recente, o nível de investimento em saneamento ainda permanece aquém do necessário para a universalização. Considerando os 100 maiores municípios, o apor te médio foi de R$ 135,89 por habitante em 2024, valor considerado insuficiente para sustentar a expansão da infraestrutura no ritmo exig ido pelo marco legal
A disparidade é expressiva entre os municípios analisados, com diferenças que chegam a múltiplas vezes no volume de investimentos Enquanto cidades como Praia Grande (R$ 572,87 por habitante), Aparecida de Goiânia (R$ 387,87) e Joinville (R$ 235,86) apresentam níveis elevados de apor te, outros municípios operam em patamares bastante reduzidos Casos como Várzea Grande (R$ 47,25), São João de Meriti (R$ 45,16) e Santarém (R$ 35,24) evidenciam baixos investimentos, enquanto situações mais críticas, como Rio Branco, com apenas R$ 8,99 por habitante ao ano, ilustram a magnitude do desafio para a universalização do saneamento no país
Apesar disso, há perspectivas de que a diversificação das fontes de financiamento, com mais recurso do mercado de capitais, como as debêntures incentivadas, consiga ampliar a capacidade de execução dos projetos
Em 2025, as emissões desse instrumento somaram cerca de R$ 150,7 bilhões no conjunto da infraestrutura brasileira, segundo a Anbima - Associação Brasileira das Entidades dos Mer-
cados Financeiro e de Capitais Desse total, o setor de saneamento respondeu por aproximadamente 9% a 10% das captações, o equivalente a algo entre R$ 13 bilhões e R$ 15 bilhões no ano Em 2024, essa par ticipação chegou a 12,6%, evidenciando o avanço do setor no uso do mercado de capitais como fonte de funding para projetos de expansão
A combinação entre concessões, P P Ps e expansão dos investimentos das operadoras indica que o setor entra em uma fase de execução mais intensa. O foco permanece na ampliação do esgotamento sanitário, segmento que concentra o maior déficit e exige maior volume de investimentos Ao mesmo tempo, a modernização dos sistemas de abastecimento e a redução das perdas seguem como prioridades estratég icas
Desde a aprovação do marco legal do saneamento, em 2020, já foram realizados 64 leilões de concessões e P P Ps em 21 estados, abrangendo 1734 municípios e cerca de 81,9 milhões de pessoas Esses contratos representam aproximadamente R$ 200,8 bilhões em investimentos contratados e R$ 61,6 bilhões em valores de outorga
Se mantido o ritmo atual de contratações e investimentos, o saneamento deverá consolidar, ao longo desta década, um dos maiores ciclos de expansão de sua história. A continuidade dos leilões, o for talecimento regulatório e a ampliação da capacidade de financiamento podem ser determinantes para sustentar esse avanço
Ainda assim, o Ranking do Saneamento 2026, do Instituto Trata
Brasil, indica que a trajetória atual pode não ser suficiente para garantir o cumprimento das metas do marco legal no prazo, especialmente no esgotamento sanitário Mesmo entre os 100 maiores municípios, os níveis médios de coleta (76,9%) e tratamento de esgoto permanecem abaixo dos patamares de universalização, evidenciando a necessidade de aceleração dos investimentos
Nesse contexto, o desafio do setor deixa de ser apenas estruturar projetos e passa a ser executá-los em escala e velocidade compatíveis com as metas estabelecidas. O desempenho de 2026 será decisivo para indicar se o país conseguirá conver ter o atual ciclo de investimentos em universalização efetiva ou se as desigualdades históricas no acesso ao saneamento continuarão a se prolongar ao longo da próxima década
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(1) Para sólidos grandes em ETEs; (2) Para uso dentro e fora da água
Obs: Os dados constantes deste guia foram fornecidos pelas próprias empresas que dele participam, de um total de 256 empresas pesquisadas Fonte: Revista Hydro, março/abril de 2026 Este e muitos outros Guias HY estão disponíveis on-line, para consulta Acesse www arandanet com br/revista/hydro e confira Também é possível incluir a sua empresa na versão on-line de todos estes guias
Ultrafiltração para produção de água de reúso
O estudo avalia a aplicação de uma unidade piloto de ultrafiltração (U F) como tratamento quaternário em uma Estação de Tratamento de Efluentes em Niterói, R J. A unidade utilizou um car tucho de membrana de fibra oca de polietileno, sendo operada por 10 dias úteis. O permeado apresentou desempenho compatível com a Classe B das legislações paulista e europeia e foi classificado como adequado para uso urbano restrito, segundo a legislação americana.
AWaldyr Ramos Junior, Marcelo Lippi e Rui Sampaio, da AST Ambiente
Marcos Flavio dos Santos Chataque e André Lermontov, do Grupo Águas do Brasil
preocupação com a escassez hídrica e a preservação da qualidade dos corpos hídricos é crescente Isto, somado à elevada demanda de água para os diversos processos industriais, ag rícolas e ao crescimento populacional, torna-se um assunto de alta relevância para a sociedade atual [12] Urge, então, a necessidade de otimizar e melhorar os atuais sistemas de tratamento de água e esgoto existentes Nesse sentido, surgem os processos de separação por membranas (P SM)
Dentre os P SMs, destacam-se as membranas de ultrafiltração (U F), as quais, nos últimos anos e devido à sua capacidade de remoção de compostos de alto peso molecular, sólidos suspensos, vírus e bactérias, têm sido amplamente aplicadas em projetos de M B R - Biorreatores por Membrana [3] Além desta aplicação, as membranas de ultrafiltração têm sido empregadas como pós-tratamento de efluentes, a fim de produzir uma água de melhor qualidade e capaz de ser aplicada para o reúso [1, 4]
Diversos países têm elaborado leg islações e normativas a fim de orien-
tar a prática de reúso e estabelecer os requisitos mínimos, destacando-se as Guidelines for Water Reuse, da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, as Guidelines for the Non-potable Uses of Recycled Water in Western Australia, do Depar tamento de Saúde da Austrália Ocidental e, mais recentemente, a Water Reuse Regulation, do Parlamento Europeu
No Brasil, o reúso não tem regulamentação específica, sendo a N B R 13969/1997 um impor tante marco rumo à sua regulamentação no país. No entanto, o Estado de São Paulo publicou a Resolução Conjunta SES/SI MA no 01/2020, a qual dispõe sobre o reúso direto não potável de água para fins urbanos O município de Niterói, R J, estabeleceu, através da Lei no 2856/2011, a regulamentação aplicável ao reúso de águas cinzas em instalações públicas e privadas
Este trabalho teve como objetivo avaliar a qualidade do efluente tratado pela unidade de ultrafiltração (U F) após a etapa terciária da ETE - Estação de Tratamento de Esgoto, a fim de determinar os seus potenciais usos e apli-
cações visando o reúso urbano indireto, comparando com as normativas nacionais e internacionais
Materiais e métodos
O projeto piloto (figura 1) foi instalado na ETE Camboinhas, em Niterói, e destinado ao tratamento do esgoto doméstico da reg ião
A alimentação da unidade de U F foi realizada com o efluente tratado em um flotador, equipamento integ rante da etapa terciária da ETE, destinado à remoção das cargas de fósforo presentes no efluente oriundo da etapa secundária Uma par te do efluente tratado no flotador foi encaminhada para o tanque de entrada do piloto, que integ rava um car tucho de membranas da U F do tipo fibra oca, fabricadas em polietileno (P E). As membranas possuem poros de 410-440 µm e totalizam 5,6 m2 de área super ficial O cartucho da membrana possui duas entradas, sendo a superior para saída do permeado e a inferior para injeção de ar durante as retrolavagens
O sistema funciona com a filtração de fora para dentro (out-in) Também foram utilizados uma bomba de rotor flexível, soprador de ar com vazão de 60 L/min, manômetro para acompanhamento da pressão de operação e retrolavagem e hidrômetros para reg istros do volume de permeado (efluente tratado) produzido e utilizado nas retrolavagens
O sistema contemplou dois tanques: um de entrada, onde a membrana ficou
submersa no efluente oriundo do flotador; e outro para armazenamento do permeado (figura 2) O piloto foi operado com 300 s de filtração, onde o ar era injetado através de um difusor tubular no fundo do tanque de entrada, seguido de 20 s de retrolavagem Durante a retrolavagem, o volume do tanque de permeado era utilizado para injetar a água tratada no interior da fibra das membranas, enquanto o ar era injetado na par te inferior do car tucho das membranas
O teste do piloto ocorreu ao longo de oito dias úteis, 8 h/dia Em todo
Extrator de ar Válvula regulável
Permeado (processo: retro avagem)
Tanque de entrada
Permeado (processo: filtração)
Válvula de retenção
Permeado (processo: filtração)
período foram realizadas coletas do efluente de entrada e do permeado. As amostras foram caracterizadas em laboratório externo, tendo sido quantificados os seguintes parâmetros: demanda bioquímica de oxigênio (DBO), demanda química de oxigênio (DQO), sólidos suspensos totais (SST), Escherichia coli, turbidez, segundo as metodolog ias estabelecidas e m St andard Me t ho ds (AP HA), e fósforo total, por ICP-M S: EPA 6020 B/200.8. A condutividade e o pH foram medidos com medidor por tátil multiparâmetro
Resultados
Os resultados parciais das análises laboratoriais das coletas realizadas ao longo do teste estão compilados na tabela I
A tabela I I apresenta a média e o desvio padrão dos resultados e a comparação com os padrões estabelecidos para reúso pelo Governo do
Tanque de permeado
Permeado (processo: retrolavagem)
Fig 1 – Piloto de ultrafiltração com membrana de fibra oca de polietileno
Fig 2 – Fluxog rama de processo do piloto de U F
Hidrômetro
Hidrômetro
Tab. I –
Efluentes
Estado de São Paulo, através Resolução Conjunta SES/SI MA no 01/2020, pelo Parlamento Europeu e pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (U SEPA)
As leg islações utilizadas para comparar os resultados encontrados classificam a água quanto ao uso da seguinte forma: a Resolução Conjunta SES/SI MA no 01/2020 estabelece Classe A para reúso irrestrito não potável e Classe B para reúso restrito não potável A União Europeia estabelece quatro classes para usos ag rícolas e de irrigação da água de reúso, sendo Classe A para todas as culturas alimentares, incluindo raízes consumidas cruas, e a Classe B são para culturas alimentares cruas, onde a par te comestível é produzida acima do solo e não está em contato direto com a água de reúso E a U SEPA divide-se em duas categorias: uso urbano irrestrito e uso urbano restrito.
A par tir dos reg istros de volumes dos hidrômetros de permeado e de retrolavagem, e do controle do tempo de operação, foi possível calcular algumas características médias da membrana nas condições empregadas no teste A vazão média de permeado e retrolavagem foi de 216,7 L/h e 3 L/h, respectivamente; o fluxo médio de permeado foi de 38,2 L/m2h; e a recuperação foi de 97,3%
Análise e discussão dos resultados
A par tir dos resultados da tabela I, é possível notar, apesar da baixa concentração de sólidos em suspensão totais (SST) e fósforo total no efluente de entrada, uma redução média acima de 90% e 80%, respectivamente Simultaneamente, os resultados de turbidez
das análises laboratoriais
e E. coli indicaram uma remoção média de 95% e 98%, respectivamente Cabe ressaltar que, nos parâmetros SST e turbidez, o resultado do permeado ficou abaixo do limite de detecção do método analítico utilizado em diversas amostragens Em relação aos valores de entrada, apesar de representarem efluente do sistema de tratamento terciário, é válido destacar que são referentes à coleta feita no tanque de entrada do sistema onde, em decorrência do processo de retrolavagem, ocorre uma maior concentração no meio dos compostos retidos na membrana, não representando, assim, a saída da ETE, propriamente dita
Em relação aos valores de carga orgânica (DBO5 e DQO), nota-se pouca variação entre a entrada e saída nas duas etapas do estudo, o que corresponde ao esperado, dado que as membranas de U F não têm capacidade para a remoção de compostos dis-
solvidos [9]. Por outro lado, houve uma redução média de 89% de fósforo; isto se deve, possivelmente, à sua retenção em estado par ticulado, uma vez que as membranas de U F não têm capacidade de remoção de fósforo dissolvido
Em relação ao potencial de reúso do efluente tratado, observa-se, na tabela I I, que para os parâmetros analisados e na maioria dos resultados médios obtidos, o efluente enquadrou-se na Classe B, pela Resolução Conjunta SES/SI MA no 01/2020 e pelos critérios da União Europeia Pelos critérios da U SEPA, o permeado enquadra-se no uso urbano restrito. Em todos os comparativos, o valor de E. coli ficou acima do estabelecido Todavia, a maioria dos resultados ficaram em 230 N M P/100 ml, o que contrasta com os resultados encontrados em outras pesquisas, onde o valor ficou abaixo de 10 N M P/100 ml, em sua maioria Neste contexto, levantou-se um questionamento quanto à eventual possibilidade de ter
Resultados
Tab. II – Resultados e padrões de qualidade de reúso
Efluentes
ocorrido alguma forma de contaminação durante a coleta Ressalta-se ainda que as leg islações preveem sistemas de reúso com etapas de desinfecção Assim, para um melhor enquadramento e aproveitamento da água tratada, é opor tuna a implementação de uma etapa seguinte de desinfecção.
De acordo com estudo realizado pela Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro sobre as opor tunidades de reúso para fins industriais no estado a par tir dos efluentes de ETEs, Niterói é um município promissor. Possui sete ETEs com vazões suficientes para suprir a demanda hídrica industrial em um raio de 20 km, incluindo a ETE Camboinhas, onde este estudo foi realizado Assim sendo, devem ser elaboradas leg islações e normativas que discorram sobre o reúso de efluentes para os mais diversos fins, como urbano, industrial, ag rícola, bem como o potável, haja vista o atual cenário de risco de escassez hídrica Nesse sentido, vem sendo publicadas leg islações como as de São Paulo sobre o reúso de água para diversos fins, através da Resolução Conjunta SES/SI MA no 01/2020 e para reúso
potável indireto, através da Decisão de Diretoria no 134/2022/P/C/E/I da Cetesb - Companhia Ambiental do Estado de São Paulo No âmbito nacional está sendo elaborada uma Resolução pelo CN R H - Conselho Nacional de Recursos Hídricos, para reúso direto não potável de água. No Estado do Rio Janeiro está em elaboração uma norma que versa sobre o mesmo tema, a fim de estimular o reúso No entanto, até o presente momento, são incipientes as leg islações sobre o tema nas mais diversas aplicações no Brasil, especialmente o reúso potável direto, mesmo já sendo uma realidade em diversos países [6, 8]
Este trabalho é a primeira par te de um estudo onde se pretende aprofundar ainda mais na análise, avaliando diferentes cenários e o potencial da membrana de fibra oca para o pós-tratamento de efluentes sanitários No próximo estág io serão avaliados outros fatores de significativa relevância para despesas operacionais (Opex) de uma unidade de U F como tratamento terciário, após um reator anaeróbico de fluxo ascendente (R AFA), sistema de lodos ativados
e decantador, assim como consumo energético, avaliação do fluxo de permeado e incrustação na membrana, entre outros
Conclusões
A implementação do piloto foi bem-sucedida e o estudo da aplicação de uma unidade de U F como tratamento avançado de efluentes apresentou resultados preliminares promissores
A membrana apresentou um bom desempenho, com vazão média de permeado de 176,7 L/h; fluxo médio de 15,5 L/m2h; e recuperação de 97,1%
Houve uma significativa melhora na qualidade do efluente tratado, com remoção média acima de 90% na maioria dos parâmetros analisados
Diante dos resultados encontrados e nas leg islações analisadas, o permeado produzido para reúso enquadra-se nas classes de uso restrito, tanto para uso urbano (Governo de São Paulo e U SEPA), quanto para fins de irrigação ag rícola (Parlamento Europeu)
Como primeira etapa do estudo completo, o trabalho apresentou resultados satisfatórios e promissores para sua
continuidade, quando deverão ser avaliadas as demais variáveis de qualidade do permeado e de custos de operação
Impor tante ressaltar a necessidade de leg islações que tratem a respeito do reúso nas suas mais diversas formas, incluindo o potável direto, a fim de diminuir as pressões existentes sobre os recursos hídricos, em especial nas g randes reg iões metropolitanas brasileiras É preciso ainda considerar o exemplo de outros países, como Estados Unidos, África do Sul, Austrália, Bélg ica, Namíbia e Singapura, além de um cenário global cada vez mais crítico de escassez hídrica.
Referências
[1] Al A ani, S , Mustafa, T N , Hilal, N Ultrafiltration membranes for wastewater and water process engineering: A comprehensive statistical review over the past decade, Journal of Water Process Eng ineering, vol 35, Jun /2020
[2] American Public Health Association (AP HA): Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater 22nd edition Washington DC, 2012
[3] Branch, Amos; Trinh, Trang; TA, Truong Minh; et al Log removal values in membrane bioreactors: Correlation of surrogate monitoring and operational parameters Journal of Water Process Eng ineering, vol 41, 2021
[4] Clem, V , Mendonça, H V de Ozone reactor combined with ultrafiltration membrane: A new tertiary wastewater treatment system for reuse purpose, Journal of Environmental Management, vol 315, Ago /2022
[5] Depar tment of Health Guidelines for the Non-potable Uses of Recycled Water in Western Australia Per th, 2011
[6] Mukherjee, M ; Jensen, O A comparative analysis of the development of regulation and technology uptake in the US and Australia Safety Science, vol 121, 2020
[7] Niterói Lei no 2856, 26 de julho de 2011 Instituindo mecanismos de estímulo à instalação de sistema de coleta e reutilização de águas servidas em edificações públicas e privadas
[8] Santos, A S P , Vieira J M P Water reuse for
sustainable development: Regulatory aspects in Brazil and Portugal Revista Eletrônica de Gestão e Tecnolog ias Ambientais (GESTA), vol 8, Issue 1,
[9] Silva, A B Avaliação do emprego da U F em membrana na remoção de células de cianobactérias e microcistina para águas de abastecimento Disser tação Prog rama de Pós-g raduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Universidade Federal de Minas Gerais, 2008
[10] United States Environmental Protection Agency Guidelines for water reuse U S Washing ton, DC: EPA, 2012
[11] United States Environmental Protection Agency “Method 6020B (SW-846): Inductively Coupled Plasma-Mass Spectrometry”, Revision 2 Washington, DC: EPA, 2014
[12] Yang, J ; Monnot, M ; Eljaddi, T ; Ercolei, L ; Simonian, L ; Moulin, P Ultrafiltration as ter tiary treatment for municipal wastewater reuse Separation and Purification Technolog y, vol 272, 2021
Trabalho originalmente apresentado no 36º Congresso Nacional de Saneamento e Meio Ambiente, promovido pela AESabesp, em paralelo com a Fenasan, no período de 21 a 23 de outubro, em São Paulo
Cobrança de ligações ativas com contrato de desempenho
O trabalho ab orda a necessidade de ferramentas eficazes para combater a inadimplência no setor de saneamento básico, que alcançou 23,91% em 2020 Propõe-se um novo modelo contratual para a cobrança de ligações ativas, com foco em indicadores de desempenho, visando maior eficiência e redução de perdas. Diferente dos contratos tradicionais, que remuneram apenas pelos serviços prestados, o novo modelo vincula o pagamento ao desempenho da contratada com base em indicadores de eficiência
Ainadimplência tem se mostrado um g rande desafio para as companhias de saneamento no Brasil De acordo com último estudo feito pela Aesbe - Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento, as operadoras públicas e privadas reg istraram ta xa média de inadimplência de 23,91% em 2020 [1] Diante de um cenário onde as companhias precisam atender as metas de universalização do saneamento e a redução de perdas estabelecidas pela Lei no 14026/2020, e dispor de recursos para custear as obras e intervenções necessárias para o alcance desses objetivos [2], ter mecanismos que ajudem a reduzir a inadimplência e recuperar os débitos torna-se fundamental
Os modelos convencionais de contratos de cobrança de ligações ativas resumem-se na remuneração simples dos serviços executados. Os mais comuns são a notificação e negociação do débito e a suspensão do fornecimento, em suas diversas formas
Ao longo do tempo foi ficando cada vez mais claro que essa metodolog ia está longe de ser a ideal por um único motivo: a interdependência entre a re-
Rafael Spinola Maximo e Laine Kelve Sales Sousa Santos, da Embasa - Empresa Baiana de Águas e Saneamento
muneração paga à empresa contratada prestadora de serviços e o sucesso das ações por ela executadas transferem o ônus apenas para a empresa contratante, que além de obrigatoriamente realizar a medição dos serviços de cobrança, não tem nenhuma garantia de retorno [6].
Além disso, a má qualidade dos serviços prestados, que rotineiramente ocorre na metodolog ia convencional por preços unitários, torna-se um desafio adicional em locais que possuem uma estrutura de fiscalização deficitária, diminuindo ainda mais as possibilidades de recuperação de débitos Esses fatores somados têm contribuído para o aumento significativo das ligações inativas e, por consequência, das perdas aparentes de água Este trabalho foi desenvolvido na Unidade Reg ional de Camaçari, BA, uma das 19 Unidades Reg ionais da Embasa - Empresa Baiana de Águas e Saneamento, responsável pelo atendimento dos municípios de Camaçari, Dias Dávila e Mata de São João, localizados na Reg ião Metropolitana de Salvador, com abrangência de 176 mil ligações (10/2023).
Objetivos
Contratos públicos baseados em desempenho contribuem para melhores resultados e maior comprometimento das contratadas [6] Este trabalho propõe uma solução contratual para a cobrança de ligações ativas que vincule o desempenho da contratada à sua remuneração, estabelecendo uma relação de parceria focada na redução da inadimplência Também objetiva a redução do percentual de inativação de matrículas cobradas, o incremento dos valores arrecadados e a diminuição de perdas aparentes.
Metodologia
O contrato em discussão possui três indicadores de desempenho aferidos a cada medição de serviços Para cada indicador foi definido um peso no Índice de Resultado Geral (I RG)
Numerador
do contrato e uma meta definida com base no histórico de desempenho e na alavancagem de resultado esperado, sendo eles:
x I SAP - Indicador de Serviços Atendidos no Prazo – Peso 25
x IXEC - Indicador de Serviços Executados – Peso 15.
x I ECO - Indicador de Eficiência da Cobrança – Peso 60
Veremos a seguir cada um deles
ISAP
Visa garantir o cumprimento dos prazos dos serviços demandados à empreiteira, evitando perda de prazos legais e retardamento da arrecadação dos valores cobrados Sua fórmula de cálculo é (N SAP/NTSA) x 100, onde N SAP é o número de serviços atendidos no prazo e NTSA o total de serviços encerrados pela prestadora de serviços no intervalo de tempo.
Matrículas recuperadas
Período de medição
Notificação
Denominador Pré-corte Corte Revisão Corte no ferrule Excluindo duplicidades
Além disso, o indicador estabelece uma reg ra de majoração do resultado nos casos em que os serviços ultrapassam o prazo estipulado Esta reg ra consiste na atribuição de pesos nos serviços conforme a Relação Execução/Prazo (R EP), determinando o número de vezes que aquele serviço será contabilizado no denominador (NTSA) Dessa forma, o ciclo de prazo é o número de vezes em que o prazo foi ultrapassado, arredondado para cima
IXEC
Indicador que avalia o atendimento da contratada, a fim de reduzir a incidência de serviços não executados A fórmula de cálculo do indicador é (P SEX/M SEX) x 100, onde P SEX é o percentual de serviços atendidos no período de referência da medição e M SEX é a meta de atendimento estipulada com base no histórico de execução Os serviços contratados foram classificados por criticidade (pesos diferenciados), priorizando aqueles com maior impacto na satisfação do cliente e na recuperação de débitos Nos casos em que determinados ser-
Fig 1 – Metodolog ia de apuração dos resultados do indicador I ECO
Faturamento
viços não foram executados no período de medição, mas eram essenciais para a manutenção dos pesos contratuais, atribuiu-se valor 1 (máximo) ao IXEC para preservar a equidade na avaliação
I ECO
Indicador mais impor tante do contrato e responsável por avaliar a eficiência das ações de cobrança executadas pela empreiteira Objetiva, de forma direta, a melhoria da recuperação dos clientes cobrados e, de forma indireta, a evolução na Eficiência da Arrecadação Global Par ticular, indicador corporativo que compara o valor arrecadado ao valor faturado ao longo do ano, excluindo clientes de responsabilidade pública A fórmula de cálculo do I ECO é (P MCR/M R EP) x 100, onde P MCR é o percentual de matrículas cobradas com retorno de pagamento e M R EP é a meta de recuperação estipulada
Como na Embasa foi desenvolvido o projeto de centralização de cobrança, onde as ações de cobrança de cada matrícula são indicadas com base em análise de IA e também
quanto ao uso de estratég ias estruturadas (como a régua de cobrança) como algo essencial para a efetividade na recuperação de créditos, a contratada tem de obrigatoriamente obedecer à ordem da régua de cobrança definida e os prazos estabelecidos para cada ação, conforme a seguir:
x Notificação de débito –7 dias corridos
x Negociação de débito –5 dias corridos
x Suspensão de fornecimento – 7 dias corridos
x Revisão de suspensão –6 dias corridos
Fig 2 – Comparativo de resultados de inativações de matrículas cobradas na metodolog ia contratual anterior e atual
Fig 3 – Comparativo do percentual de ligações ativas inadimplentes (acima de uma fatura em aber to) no último triênio, destacando o resultado do último ano, após aplicação da nova metodolog ia contratual
Caso ao final das ações o usuário inadimplente não tenha quitado o débito, a contratada tem um prazo de mais dez dias para realizar mais uma revisão remunerada e outras ações cabíveis à sua própria expensa para regularizar a situação Caso a contratada descumpra os prazos de execução dos serviços, os dias de atraso serão abatidos proporcionalmente nos dez dias de ações extras
São consideradas recuperadas as matrículas que tiveram pelo menos
Eficiência da arrecadação particular
Jan Fev Mar Abr Mai 2023 2024 Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Fig 4 – Comparativo de resultados da eficiência da arrecadação par ticular em 2023 e 2024
Indicador de prazo das notificações
Jan Fev Mar Abr Mai 2023 2024 Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Fig 5 – Comparativo do atendimento do prazo para entrega de notificações em 2023 e 2024
uma ação de cobrança efetuada e cuja recuperação do débito ocorreu no intervalo de 67 dias, que engloba os prazos para geração e execução dos serviços e/ou dos cinco dias de janela de pagamento pelo cliente estabelecidos no contrato.
A apuração do resultado do indicador e a sua aplicação se dá na medição correspondente em que houver a regularização da matrícula (pagamento do débito) ou, caso não haja a regularização, ao final do prazo para pagamento
O I RG é calculado pela média ponderada dos índices finais de cada indicador, resultando em um percentual aplicado no valor obtido na medição dos serviços, gerando assim o valor a ser faturado no mês Esta avaliação para fins de reflexo na fatura é feita de forma prog ressiva: x Nos primeiros três ciclos de medição do contrato, a aferição dos resultados é feita exclusivamente para acompanhamento
x Entre o quar to e o sexto ciclo de medição, o I RG tem uma incidência mínima de 85% e máxima de 115%, ou seja, poderá ter um abatimento ou bônus, por desempenho, de no máximo 15%.
x A par tir do 7o ciclo de medição inicia a vigência plena do I RG, com uma incidência mínima de 70% e máxima de 130%; ou seja, poderá ter um abatimento ou bônus, por desempenho, de no máximo 30%
A par tir do quinto ciclo de medição, caso a empreiteira obtenha em três ciclos seguidos ou quatro em cinco ciclos sequenciais, um resultado no I RG abaixo do mínimo, a concessionária contratante poderá rescindir o contrato unilateralmente, conforme as circunstâncias O desempenho do contrato é acompanhado por meio de aplicação de B I - Business Intelligence, que possibilita o acesso a dados históricos, evolução dos resultados e orienta decisões estratég icas [4] O relatório desenvolvido pela Embasa apresenta dados estratég icos como percentual de recuperação de clientes em quantidade e valor de débito, além de permitir a estratificação dessas informações por localização, categoria tarifária, entre outras
Resultados e discussão
O contrato em estudo foi iniciado em 16 de novembro de 2023 e, ana-
Faturamento
Tab I – Exemplos de aplicação dos prazos do indicador IECO
Ação Exemplo 1 (dentro do prazo) Exemplo 2 (fora do prazo)
Geração da notificação 13/1 13/1
Entrega da notificação 20/1 22/1
Geração da suspensão 19/2 21/2
Execução da suspensão 26/2 1/3
Geração da revisão 5/3 8/3
Execução da revisão 11/3 18/3
Ações adicionais 12/3 a 21/3 (10 dias) 19/3 a 21/3 (3 dias)
Total 67 dias
Prazo para pagamento pelo cliente 26/3 (5 dias)
Neste recor te, foi considerado o período pós-pandemia, abrangendo janeiro de 2022 a novembro de 2023 no contrato anterior e de dezembro de 2023 a dezembro de 2024 para o atual Comparando os dois períodos houve uma redução de 18% no percentual de inativação das matrículas cobradas, saindo de 50,82% para 41,64%, conforme mostra a figura 6
(com remuneração por serviços) e o atual.
A redução no percentual de inativação veio acompanhada da redução da inadimplência anual de 56,67% (2023) para 49,26% (2024), representando uma queda de 7,41 pontos percentuais (p.p.) ou 13% em relação ao patamar anterior Comparada ao ano de 2022 (54,38%), a inadimplência em 2024 apresentou redução de 5,12 p p (9,4%), evidenciando a eficácia das medidas adotadas e revertendo a tendência após a intervenção
Para essa avaliação, foram conside-
Tab. II - Regra de aplicação do IRG entre o 4º e 6º ciclos de medição e a partir do
ciclo de medição Índices de desempenho (Indicadores) Descrição Avaliação
IXEC – Indicador de ser viços executados
Indicador de execução de notificações Jan Fev Mar Abr Mai 2023 2024
Jul Ago Set Out Nov Dez
Indicador de eficiência das ações de cobrança Jan Fev Mar Abr Mai 2023 2024
Jul Ago Set Out Nov Dez
radas as ligações ativas com mais de uma fatura em aber to Os bons resultados também foram observados na geração de caixa, especificamente no indicador de eficiência de arrecadação global par ticular. Comparando 2023 e 2024, observa-se um incremento considerável no resultado da Unidade Reg ional de Camaçari ao longo de todo o período, com elevação da eficiência média anual de arrecadação de 93,24% (2023) para 96,14% (2024), representando 3,1% de melhoria. Os meses de 2024 apresentaram per formance consistentemente superior, com destaque para janeiro (102,28%) – influenciado por medidas iniciais de regularização – e estabilização acima de 95% ao longo do ano, constatando a volatilidade obser-
vada em 2023 (variação de 92% a 97,54%)
Além dos números positivos relacionados à recuperação de clientes e arrecadação, foi perceptível também a melhora no atendimento dos prazos para entrega de notificação de débito, saindo de uma média 23% em 2023, para até 99% em 2024 Da mesma forma, o percentual de execução das entregas de notificação evoluiu de uma média de 66%, em 2023, para até 98% em 2024
Por fim, em relação à eficiência das ações de cobrança, também foi observada evolução no percentual de recuperação, chegando a quase 48% em 2024, ante um valor máximo de 39,7% em 2023.
Impor tante ressaltar que devido ao ineditismo da metodolog ia aplicada, as metas contratuais estabelecidas foram mais conservadoras, com números mais semelhantes ao realizado anteriormente. Como a empresa executora tem apresentado índices superiores ao esperado, deduz-se que é possível em um próximo contrato estabelecer metas mais arrojadas, visando resultados mais expressivos
Conclusões e recomendações
A aplicação da modalidade de contrato de cobrança de ligações ativas com indicadores de desempenho trouxe resultados significativos no âmbito da Unidade Reg ional de Camaçari, com redução no percentual de inativação de ma-
Fig 6 - Tela do B I com o comparativo do entregas de notificação em 2023 e 2024
Fig 7 - Tela do B I com o comparativo das ações de cobrança em 2023 e 2024
Faturamento
trículas e de matrículas inadimplentes, bem como elevação da eficiência da arrecadação par ticular
Apesar do contexto desafiador nos âmbitos social, regulatório e econômico, as companhias de saneamento podem aumentar a sua eficiência operacional e a correção dos seus investimentos utilizando como uma das suas estratég ias a modernização dos contratos A mera replicação de metodolog ias utilizadas provoca a adoção de estratég ias defasadas, em descompasso com o compor tamento do mercado, que está sempre em mutação.
Outro ponto a ressaltar é a necessidade de informações precisas, que subsidiem análises estratég icas e estabelecimento de parâmetros confiáveis O uso de ferramentas como B I mostra-se fundamental nessa questão, possibilitando à gestão acessar dados
históricos, resultados obtidos e orientar decisões estratég icas mais precisas
A universalização segue sendo o principal objetivo a ser alcançado Reduzir a inadimplência ainda é um desafio monumental, uma vez que os números obtidos ainda estão longe do ideal. Entretanto, ações como esta demonstram que é possível encontrar soluções que tragam resultados e que, em conjunto com ferramentas como serviço social, flexibilização de negociações de débitos, facilitação do atendimento e avanço das ferramentas de TIC - Tecnolog ia de Informação e Comunicação, sejam capazes de rever ter o quadro
Referências
[1] Aesbe - Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento Panorama da
inadimplência nas companhias de saneamento 2021
[2] Lei no 14 026, de 15 de julho de 2020 Atualiza o Marco Legal do Saneamento Básico Diário Oficial da União seção 1, Brasília, DF, 16 jul 2020
[3] Kettunen, J ; Kallio, J Performance-based management in public sector contracting Public Organization Review, vol 19, no 1, 2019
[4] Sharda, R ; Delen, D ; Turban, E Business intelligence, analytics, and data science: a managerial perspective 5a ed Hoboken: Pearson, 2020
[5] Silva, J A Gestão de cobrança: estratégias de recuperação de crédito São Paulo: Atlas, 2020
[6] Souza, M R ; Silva, L F Gestão de contratos terceirizados: riscos, desempenho e resultados São Paulo: Atlas, 2019
Trabalho originalmente apresentado no 33º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, promovido pela AB ES em paralelo com a Fitabes, no período de 25 a 28 de maio de 2025, em Brasília, DF
Guia de hidrômetros
O levantamento traz a ofer ta atualizada dos fornecedores de hidrômetros no Brasil. Com as metas do marco do saneamento e a necessidade de reduzir perdas de água, cada vez mais as empresas precisam realizar a medição precisa do volume de água comercializado, detectar vazamentos, melhorar o controle e planejamento da distribuição e incentivar a conservação dos recursos hídricos.
Empresa/ Telefone/ E-mail Tipo
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IoT incorporado Leitura remota
Obs: Os dados constantes deste guia foram fornecidos pelas próprias empresas que dele participam, de um total de 125 empresas pesquisadas Fonte: Revista Hydro, março/abril de 2026 Este e muitos outros Guias HY estão disponíveis on-line, para consulta Acesse www arandanet com br/revista/hydro e confira Também é possível incluir a sua empresa na versão on-line de todos estes guias
Uso de tanino no tratamento de efluente flexográfico para fins de reúso
O efluente gerado na impressão flexográfica apresenta alta variabilidade e concentrações elevadas de matéria orgânica, exigindo tratamento físico-químico antes do descar te. Este estudo avalia o uso de tanino como alternativa ao sulfato de alumínio e discute seus limites e potencial para reúso industrial, especialmente na pré-lavagem de rolos de impressão.
ASuellen Ticiane Ferreira e Claudia Regina Xavier, da UTFPR - Universidade Tecnológica Federal do Paraná
flexog rafia é um processo de impressão que utiliza uma forma em relevo flexível o clichê ou placa de impressão para transferir tinta a uma ampla variedade de super fícies Versátil e eficiente, a técnica permite imprimir em papel, plástico, filmes metálicos e outros substratos não porosos, mantendo boa definição mesmo em altas velocidades É amplamente empregada na produção de embalagens de g rande tiragem, como sacolas, rótulos e caixas, além de etiquetas e diversos produtos de consumo que exigem qualidade de impressão e repetibilidade.
Os efluentes gerados nesse tipo de indústria resultam do uso de tintas flexog ráficas à base de água, formuladas com aglutinantes, pigmentos, solventes e diversos aditivos destinados a aprimorar suas propriedades [1] Em geral, esse resíduo é submetido a tratamento físico-químico [2], uma vez que muitas das substâncias orgânicas presentes não são biodeg radáveis [3] Também podem ocorrer vestíg ios de metais e colas no efluente [4] Sem tratamento adequado, esses contaminantes têm potencial para causar impactos ambientais significativos no corpo hídrico receptor
Este trabalho avalia o tratamento físico-químico dos processos de coagulação, floculação e sedimentação de efluente de flexog rafia e propõe uma alternativa baseada no emprego do tanino para fins de reúso
Materiais e métodos
O efluente industrial utilizado neste estudo foi disponibilizado por uma planta localizada em Curitiba, P R, produtora de embalagens impressas por flexog rafia em papel kraft A empresa trata aproximadamente 10 m3 de efluente uma vez por semana, em reator de batelada (duas unidade de 5 m3 em paralelo), posteriormente enviado à rede coletora de esgoto da Sanepar, companhia de saneamento do Estado Foram realizadas três coletas do efluente tratado para avaliar a eficiência de remoção do tratamento e seis coletas do afluente, no período de maio de 2021 a setembro de 2022, em bombonas de 20 L, coletadas na entrada do reator do tratamento físico-químico e preservadas conforme AP HA [5] Nos ensaios em laboratório foram avaliados os parâmetros: pH, DQO - Demanda Química de Oxigê-
As análises foram realizadas em triplicatas conforme AP HA [5] e AE por adaptação do método de Salvador et al [6] As amostras foram filtradas em membrana de nitrocelulose 0,45 µm, exceto para medida da turbidez. Para a realização dos experimentos foi utilizado tanino na forma sólida em solução de 5 g/L previamente preparada
A fim de analisar a influência do pH (3 a 11), concentração de coagulante (CCo – 100 a 500 mg/L) e tempo de sedimentação (TS – 15 a 55 min), foi empregado o planejamento experimental fatorial tipo estrela 23 (composto por três níveis), que analisa simultaneamente o efeito de várias variáveis, com número de experimentos reduzido, para definir a condição ótima para o tratamento [7] Foi realizado um estudo do desempenho do tratamento industrial por análise das amostras de saída dos reatores (denominadas amostras A, B e C), que foram usadas comparativamente para uma avaliação preliminar do emprego do tanino em escala de bancada, além do estudo de validação.
Nota: *Faixas de valores de caracterização de estudos por: Metes et al [10]; Roussy et al [11]; Ma, Xia [12]; Diamadopoulos, et al. [13]; Klancnick [14]. Fonte: Autoria própria
Os ensaios de coagulação, floculação e sedimentação foram realizados em Jar-test com jarros de 2 L Para ajuste de pH da amostra industrial em cada pH estabelecido, foi usada solução de H2SO4 a 1% e cal virgem em pó (conforme procedimento da empresa) O coagulante foi adicionado a 1 L de amostra e a mistura foi ag itada de forma rápida por 5 minutos e 90 rpm e lenta por 30 minutos a 35 rpm A sedimentação foi definida no planejamento experimental para cada ensaio, detalhados nos resultados e discussões [8]
Em seguida, o sobrenadante de cada amostra seguiu o mesmo procedimento conforme realizado na sua caracterização Foram analisados DQO, COT, AE e turbidez a fim de verificar a eficiência de remoção comparado com a amostra do afluente industrial A possibilidade de reúso foi verificada conforme os requisitos da ANA - Agência Nacional das
Águas [9]. Os resultados de eficiência dos tratamentos foram avaliados pelo software R, submetidos a análise de variância, g ráficos de super fície de resposta e modelos matemáticos de equação
Resultados e discussões
A tabela I apresenta a caracterização do afluente da indústria, além dos limites encontrados na literatura sobre efluentes flexog ráficos Verifica-se ampla variabilidade nos valores das seis amostras coletadas ao longo dos 16 meses de coletas. Esses valores estão próximos dos limites observados na literatura por outros autores tratando efluentes reais de flexog rafia na França, China, Grécia e Tunísia Conforme pode ser observado na tabela I, o per fil do afluente gerado indica a necessidade de tratamen-
Comparativo de remoções
Reúso industrial
to prévio ao seu lançamento na rede coletora, uma vez que a indústria tem licença para emissões de DQO de até 2000 mg O2 L-1 e pH entre 6 e 9 Os outros parâmetros desta pesquisa são controlados, para fins comparativos com outros autores
Dessa forma, a fim de comparar a proposta de tratamento deste estudo com o tratamento realizado na indústria atualmente, foram coletadas três amostras do afluente e do efluente industrial e analisadas em laboratório Devido a questões de confidencialidade entre a empresa e a universidade, não serão divulgados os valores, somente as eficiências de remoções obtidas (tabela I I) Como demonstrado, no tratamento realizado na indústria com sulfato de alumínio, além de um floculante aniônico, também observa-se g rande variabilidade entre as amostras Em um estudo, Fendri et al [15], utilizaram tratamento de coagulação e floculação com sulfato de alumínio (8250 mg.L-1) e floculante Praestol 2500 TR (80 mg L-1) para efluente de tinta de impressão Eles obtiveram remoção de 97% de DQO para efluente bruto variando de 1630 a 6830 mg O2 L-1 em pH 7,25 Este valor supera muito o observado na indústria nesse trabalho, possivelmente pela elevada concentração do sulfato de alumínio e o uso de floculante específico Dessa forma, os resultados obtidos nos tratamentos do planejamento experimental fatorial 2³ tipo estrela, variando o pH, CCo e TS, apresentaram as melhores remoções no ensaio de pH 9, CCo 400 mg.L-1 e TS 45 min. Sendo assim, repetiu-se
essa condição ótima em três réplicas com nova amostra de afluente para validação. Os resultados são apresentados na figura 1, que refletem a média do afluente tratado nas condições ótimas em escala de bancada versus a média do tratamento na indústria em escala plena com sulfato de alumínio, floculante e cal.
Parâmetros
Indústria
Esse estudo
Tab III - Dados estatísticos do tanino
Fonte: Autoria própria
Parâmetro Modelo R² p
Simples
O tratamento realizado na indústria apresentou maior eficiência de remoção nos parâmetros de DQO, COT e AE e somente foi menor na remoção da turbidez, em relação a esse estudo Dessa forma, o tratamento proposto empregando tanino na condição ótima não superou o tratamento industrial realizado com sulfato de alumínio (pH 9,5; CCo 1500 mg L-1 e TS 120 min) e floculante (3 mg L-1) Possivelmente o floculante desempenha um papel fundamental no per fil de remoção no tratamento industrial, mesmo frente às variações no per fil do afluente industrial.
A remoção de 30% de DQO se mostrou inferior ao estudo de Couto Júnior et al [8] com efluente oriundo de ting imento, utilizando a CCo de tanino (400 mg L-1), que obteve remoção de 94% nesse parâmetro Para as mesmas condições o autor removeu turbidez de 99%, a qual foi similar à deste estudo Em outro estudo, Aboulhassan et al [16] também utilizando 400 mg L-1 de tanino, removeu 87% de DQO em efluente de tintas de impressão, sendo superior a esse estudo, enquanto a remoção de turbidez, no entanto, foi similar à observada nesse trabalho
Apesar da expectativa de remoção de 92% da AE segundo a condição ótima, as réplicas em nova amostra de
Turbidez Quadrático 0,1944 0,3331
afluente não apresentaram o desempenho esperado Porém, é impor tante chamar atenção para a variabilidade entre as amostras de afluente (tabela I)
Com base nos resultados obtidos, foi realizada a análise estatística utilizando software R O desempenho de cada parâmetro foi representado como modelo simples, linear e quadrático para o planejamento experimental fatorial A tabela I I I apresenta os resultados estatísticos
Na análise estatística se destaca que não foi possível obter uma correlação adequada com os parâmetros estudados, onde o melhor ajuste foi para a área espectral com R²: 0,4560
Para os demais não foi possível gerar um modelo preditivo Essa dificuldade pode estar relacionada à variabilidade da qualidade das amostras do afluente do sistema industrial
O efluente tratado nesse estudo apresentou DQO de 4265,1 mg O2 L-1, COT de 4696,9 mg L-1, AE de 449,3 e turbidez de 10,3 NTU, conforme as concentrações da amostra 6 (tabela I) Nessas condições o efluente não atende os critérios da Sanepar - Companhia de Saneamento do Paraná
Contudo, considerando o reúso para pré-lavagem dos rolos de impressão, sugere-se uma mistura de 10% na água de captação para se enquadrar nos limites da Classe 1 (contato di-
Fig 1 – Per fil de remoção do tratamento da indústria vs condição ótima
DQO COT Área espectral Turbidez
Tab. II – Eficiência do tratamento da indústria
reto do usuário) de reúso [2], com limites máximos para pH entre 6 e 9 e turbidez ≤ 2 NTU para lavagens
Conclusão
O efluente flexog ráfico deste estudo é bastante variável. A remoção dos parâmetros estudados e analisados no laboratório ating iu 45% de DQO, 53,5% de COT, 65,6% de AE e 78,2% de turbidez O uso do tanino como alternativa rendeu maiores remoções nas condições de pH 9, CCo 400 mg L-1 e 45 min de tempo de sedimentação, ating indo 37% de DQO, 18% de COT, 92% de AE e 98% de turbidez Entretanto, a variabilidade das amostras avaliadas prejudicou a obtenção de um modelo preditivo e uma possível validação Apesar disso, considerando esse tratamento proposto, a água industrial tratada é recomendada para reúso na pré-lavagem dos rolos de impressão diluída a 10% Mais estudos devem ser promovidos ampliando as amostras da indústria antes de indicar o uso do tanino em escala plena, assim como a criação de um modelo preditivo diante do desenho experimental
empregado e a instalação de um processo preliminar de equalização
Referências
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[3] Keyikoglu, R , et al A review on treatment of membrane concentrates generated from landfill leachate treatment processes Separation and Purification Technolog y v 259, 2021
[4] Papadopoulos, K P , et al Treatment of printing ink wastewater using electrocoagulation Journal of Environmental Management V 237, 2019
[5] AP HA American Public Health Association in Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater Washing ton: American Public Health Association, 2018
[6] Salvador, T et al D egradação de corantes têxteis e remediação de resíduos de tingimento por processos fenton, foto-fenton e eletro-fenton Química Nova v 35, 2012
[7] Montgomery, D C ; Runger, G C Estatística aplicada e probabilidade para engenheiros 7 ed Rio de Janeiro: LTC, 2021
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Otimização do Tratamento de Efluente Têxtil por Coagulação- Floculação Utilizando Coagulante Natural Tanino Revista Ciências Exatas e Naturais, v 14, n° 1 2011
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[10] Metes, A et al The role of zeolites in wastewater treatment of printing inks Water Research v 38, 2004
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[15] Fendri, I et al Optimization of coagulation-flocculation process for printing ink industrial wastewater treatment using response surface methodology African Journal of Biotechnolog y v 12, 2013
[16] Aboulhassan, M A, et al Coagulation efficacy of a tannin coagulation agent to metal salts for paint manufacturing wastewater treatment Desalination and Water Treatment p 1 – 7, 2016
AUso de peróxido de hidrogênio como agente de pré-oxidação
Nos últimos anos, tem se difundido o uso de peróxido de hidrogênio como agente de pré-oxidação por se tratar de uma alternativa mais segura, que praticamente não gera subprodutos e não altera o pH da água, favorecendo as etapas de coagulação, floculação e decantação. Este ar tigo apresenta a experiência da aplicação do produto na ETA Central do Samae de Brusque, SC.
Ricardo Bortolotto, Maycon Eduardo Nicoletti, Luciano Camargo e André de Castro Nunes, do Samae-Brusque
ETA – Estação de Tratamento de Água Central em Brusque, SC, é operada pelo Samae - Serviço Autônomo Municipal de Água desde a década de 1960 (figura 1). Nestas quase seis décadas, a estação passou por ampliações para suprir a demanda de consumo Atualmente, abastece 78% dos 151 952 habitantes do município, segundo o último levantamento do I BGE – Instituto Brasileiro de Geog rafia e Estatística, realizado em 2025
Desde 1999, a ETA conta com um pré-sedimentador para a retirada de sólidos mais g rosseiros, como areia e outros par ticulados maiores, evitando o acúmulo desses materiais nos tanques de floculação ou decantação (figura 2) A par tir de 2009, passou-se a executar a pré-oxidação com gás cloro (Cl2) para auxiliar na remoção de cor, metais solúveis e de matéria orgânica, melhorando o processo de coagulação
Como a estrutura física atual permanece semelhante à da década de 1960, apesar das reformas e ampliações rea-
lizadas nas décadas de 1980, 2000 e 2010, a eficiência do tratamento pode ser comprometida em situações extremas Para ating ir a vazão atual de 320 L/s e garantir a qualidade da água tratada segundo as leg islações vigentes, as melhorias no processo têm sido baseadas no uso de produtos químicos em determinadas etapas do processo de tratamento, como pré-oxidação, ajuste de pH e auxiliares de coagulação ou floculação, como polímeros, sequestrantes de metais, dentre outros Nesse contexto, insere-se a substituição do produto químico utilizado na pré-oxidação da água bruta.
Apesar de eficiente, o cloro gasoso na pré-oxidação tem alguns pontos negativos, como a alteração do pH da água bruta e o risco da formação de produtos secundários perigosos, como cloraminas, ácidos haloacéticos, trihalometanos, dentre outros, além do custo financeiro elevado O pH do manancial que abastece a ETA Central fica entre 6,90 e 7,05; porém, quando o gás cloro é aplicado na etapa de pré-oxidação, o pH diminui para aproximadamente 6,70 em vir tude da formação de ácido hipocloroso
Cl2(g) + H2O(l) HClO(aq)+ H3O+(aq) + Cl (aq)
Devido à redução de pH, é aplicado alcalizante (NaOH em solução 50%) para adequá-lo a valores para melhor eficiência do coagulante
Metodologia
Foram levantados dados sobre a quantidade de produtos químicos
Fig 1 – ETA Central Fonte: Samae (2025)
utilizados no tratamento de água em 2023 e 2024, avaliando a diferença percentual e financeira entre eles.
Resultados e discussão
Os produtos químicos que tiveram a sua dosagem afetada pelo uso de peróxido de hidrogênio como agente pré-oxidante foram o gás cloro, o hidróxido de sódio em solução 50% e o hipoclorito de sódio em solução 12%
Em 2024, o peróxido de hidrogênio foi utilizado como pré-oxidante até o final de setembro A quantidade de produtos utilizados para o tratamento foi apurada e comparada com o mesmo período de 2023.
Ao aplicar o gás cloro na pré-oxidação da água bruta, ocorre uma diminuição do pH, o que demanda um ajuste para otimizar a eficiência do coagulante, resultando em um consumo maior de alcalinizante
Em 2023, algumas adequações na ETA Central para dosagem ainda não tinham sido concluídas Até então, o dimensionamento do sistema de dosagem de gás cloro para a pré-oxidação na vazão atual não tinha sido entregue, resultando em uma dosagem menor que a necessária Para compensar o déficit de cloro, era realizada uma dosagem adicional de hipoclorito de sódio 12%.
No início de 2024, a equipe da ETA Central passou a utilizar o peróxido de hidrogênio como pré-oxidante Com isso, foi suspenso o uso do gás cloro ou hipoclorito de sódio, que passaram a ser adotados apenas na desinfecção pós-filtração.
O quantitativo de produtos químicos no processo de pré-oxidação foi comparado para o mesmo período (janeiro a setembro de 2023 e 2024), calculando-se a diferença entre os valores (tabela I) Salienta-se que a produção em m3 de água foi similar nos dois anos
O peróxido de hidrogênio foi armazenado em um tanque de P EAD –Polietileno de Alta Densidade fechado, com capacidade de 1000 L, para evitar perdas devido à decomposição
Como o ambiente da sala de estoque e dosagem é fresco e pouco sujeito a elevações de temperatura, tal questão foi minimizada.
Para realizar a aplicação, foi utilizada uma bomba dosadora peristáltica e instalada uma mangueira com 15 m e 6 × 4 mm de diâmetro até o ponto da aplicação O ponto negativo foi o custo do reagente analítico para controle Enquanto o reagente para análise de cloro residual livre pode ser encontrado por R$ 0,09, o reagente para analisar peróxido de hidrogênio tem um custo de R$ 2,58
De modo geral, a mudança do agente de pré-oxidação de cloro gasoso para peróxido de hidrogênio foi relativamente simples
Com o custo unitário de cada produto, foi calculada a redução de gastos no período: R$ 73.008 com hidróxido de sódio 50%; R$ 96 192 com gás cloro; e R$ 30 530 com hipoclorito de sódio 12% (tabela I I) Mesmo com o custo de R$ 32 457 para a aplicação de peróxido de hidrogênio, obteve-se uma redução total de R$ 167.272,40 entre janeiro e setembro de 2024 (tabela I I I)
Em 2025, os contratos de fornecimento de produtos químicos tiveram seus valores reajustados, resultando no aumento no preço unitário do gás cloro, do hipoclorito de sódio 12% e do hidróxido de sódio 50%, além de redução no custo do peróxido de hidrogênio. Caso o percentual de redução do consumo destes produtos se mantenha, será possível obter uma economia financeira ainda maior em relação a 2024
Também foi monitorada a ocorrência de produtos secundários da desin-
Fonte: Relatórios
Samae (2025)
Ao aplicar o gás cloro e o hipoclorito de sódio apenas na desinfecção pós-filtração, obteve-se uma redução significativa do consumo, chegando a 33,3% para o gás cloro e 18,1% para o hipoclorito de sódio Sem a necessidade de corrig ir o pH da água bruta, o alcalizante (hidróxido de sódio 50%) foi utilizado somente para corrig ir o pH da água tratada após a desinfecção e fluoretação Assim, obteve-se uma redução de 37,1% de seu consumo.
Tab. III – Custo de aplicação do peróxido e economia de outros produtos químicos
Fonte: Relatórios internos de consumo de produtos químicos do Samae (2025)
Fig 2 – Pré-sedimentador da ETA Central Fonte: Samae (2025)
Tab. I – Consumo de produtos químicos (em kg)
Tab II – Redução de gastos com produtos químicos
fecção, como cloraminas totais, trihalometanos e ácidos haloacéticos Essas substâncias nunca tiveram valores acima dos limites permitidos pela leg islação nas amostras desta ETA No entanto, verificou-se que, com a utilização do peróxido de hidrogênio, tais substâncias permaneceram em concentrações semelhantes às observadas quando se aplicou o cloro como agente oxidante, ou abaixo do limite de quantificação das metodolog ias, corroborando trabalhos que recomendam o uso do peróxido para diminuir tais substâncias
Conclusão
A avaliação dos dados obtidos sobre a redução no consumo de diversos produtos químicos após a implementação do peróxido de hidrogênio como agente de pré-oxidação indica que, além de apresentar vantagens do ponto de vista técnico, como a redução da ocorrência de subprodutos, a solução contribui para diminuir o uso de desinfetantes e alcalinizantes, promovendo economia financeira significativa
Referências
[1] Por taria GM/M S Nº 888, de 4 de maio de 2021 - Altera o Anexo XX da Por taria de Consolidação GM/M S nº 5, de 28 de setembro de 2017, para dispor sobre os procedimentos de controle e de vig ilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade
[2] Di Bernardo, L ; Paz, L P S : Seleção de Tecnologias de Tratamento de Água Vol 2 São Carlos: LDiBe, 2008
[3] I BGE Cidades@: Brusque, 2025 I BGE, 2025 h t t p s : / / c i d a d e s i b g e g o v b r / b r a s i l / s c / b r u sque/panora
[4] Paludo, M B ; Maffessoni, D ; Dos Santos, M G ; Dal Mag ro, R Estudo da utilização de peróxido de hidrogênio e luz ultravioleta visando a prevenção da formação de cloraminas no tratamento de água de abastecimento Brazilian Journal of Development, Curitiba, v 8, n 3, Mar /2022
Produtos
Luvas e conexões
A Columbus Saneamento fornece luvas e conexões para redes de água e esgoto para canalização de alta e baixa pressão Fornecidas em ferro fundido, aço e borracha, as soluções permitem a união de tubos de diversos materiais e diâmetros externos diferentes ou iguais
www columbussaneamento com br
Tratamento de esgoto
Coagulante orgânico
Softstar ter
A canadense DBO International comercializa a Hydrobiox, uma estação de tratamento 100% passiva Com tecnolog ia já patenteada no país, a solução foi concebida para oferecer uma alternativa sustentável e de baixo custo operacional ao tratamento convencional Por funcionar sem eletricidade e par tes mecânicas, além de não gerar lodo, o sistema elimina despesas com energ ia e manutenção, oferecendo operação contínua e durabilidade superior a 35 anos, sendo indicado especialmente para comunidades isoladas e rurais No Brasil, a distribuição do produto é feita pela Pi2 Technolog ies em parceria com a Alpha Water https://alphawater com br/
A linha de coagulantes orgânicos Organotrat, da Biotecnal, foi desenvolvida para substituir os produtos inorgânicos convencionais, como o sulfato e policloreto de alumínio Derivados de fontes naturais, de origem vegetal e animal, os novos coagulantes não introduzem metais pesados nem subprodutos tóxicos no efluente tratado, tornando-se uma alternativa sustentável e eficiente, especialmente em processos que envolvem reúso de água
https://biotecnal ind br/
Tubos em PVC-O
A Eaton disponibilizou a linha de soft star ters S711 Projetada para a Indústria 4 0, oferece controle para motores de 12 a 500 A, combinando conectividade, cibersegurança e experiência de usuário
simplificada Todos os modelos vêm com B LE - Bluetooth Low Energ y e Modbus RTU integ rados de fábrica, permitindo configuração e monitoramento rápidos e seguros através de dispositivos móveis, como smar tphones e tablets, utilizando o aplicativo S711 Connect, disponível para iOS e Android www eaton com
Manutenção preditiva
O Ultronline, da 2Neuron, utiliza
IA – Inteligência
Ar tificial para interpretar os sinais elétricos de equipamentos e, com isso, realizar uma manutenção preditiva inteligente sem o auxílio de sensores Compacto e do tamanho de um celular, o Ultronline é instalado no painel de energ ia e realiza a leitura dos sinais elétricos de acionamento do motor com via ESA – Assinatura Elétrica
A Hidroplast fornece tubos em PVC- O voltados para o setor de saneamento Os produtos utilizam a tecnolog ia de orientação molecular do PVC, que confere maior resistência mecânica e desempenho hidráulico superior ao PVC convencional A linha contempla diâmetros de 100 a 400 mm, destinados a sistemas de abastecimento de água potável e coletores de esgoto, com potencial de substituir tubulações tradicionais em PVC DeFoFo e ocre
https://hidroplast com br/
Bomba dosadora
A DLX Multiflow M F, da Etatron, é uma bomba dosadora multifuncional com microprocessador e display, possibilitando a escolha dos pulsos de injeção
Cada bomba dosadora tem três escalas de capacidade, permitindo que uma única bomba dosadora atenda diversas faixas de dosagem, reduzindo o número de modelos para seleção Apresenta vazão máxima de 50 L/h e pressão máxima de 16 bar www etatron com br
www 2neuron com
Bior remediação com algas
A star tup Infinito Mare desenvolveu um sistema baseado em estruturas flutuantes, denominado
Caravela, que utiliza algas nativas para promover a despoluição de rios, lagos e áreas costeiras
A tecnolog ia funciona como uma estação de monitoramento e recuperação ambiental, estimulando o crescimento de algas capazes de absorver poluentes, capturar carbono e aumentar a oxigenação da água As algas são periodicamente removidas, retirando as impurezas acumuladas e permitindo análises que identificam a qualidade da água e a presença de contaminantes
https://www infinitomare com/
Publicações
Resíduos sólidos – A AbremaAssociação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente lançou o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025. A edição traz novidades sobre a reciclagem e uma inédita análise sobre reaproveitamento bioenergético de resíduos orgânicos coletados. O país coleta 93,7% dos resíduos produzidos, mas ainda destina 28,1 milhões de toneladas para lixões e outros destinos ambientalmente inadequados, 40,3% do total. Em 2024, 41,6 milhões de toneladas de resíduos coletados (59,7%) foram enviados corretamente para aterros sanitários, locais com instalações adequadas para o tratamento e aproveitamento energético de resíduos orgânicos. De acordo com o estudo, houve leve melhora em relação aos percentuais observados no ano anterior, quando 41% dos resíduos coletados iam para lixões e 58,5% para aterros sanitários, o equivalente a quase 1 milhão de toneladas a mais encaminhadas para a disposição adequada. A análise completa pode ser acessada pelo link: https://abrir.link/zRivA.
Meio ambiente – Em História Ambiental do Brasil Contemporâneo (1972-2022), os organizadores Adalmir
Leonídio, Antônio Almeida e Janes Jorge trazem uma perspectiva crítica sobre como a sociedade e a natureza se relacionaram ao longo do tempo A coletâ-
nea reúne especialistas que enfrentaram temas fundamentais do debate ambiental contemporâneo e tem como foco a história recente do país. Segundo os autores, o desenvolvimento econômico e social da industrialização nacional, a exploração de petróleo nos oceanos e a produção ag ropecuária perdem sua áurea de sucesso inquestionável diante dos problemas ambientais que geraram, ainda mais porque são inseridos em um quadro global de destruição dos sistemas naturais que sustentam a vida no planeta. Editora Hucitec (https://abrir.link/TEEIk), 238 pág inas.
reflexão, as análises buscam contribuir para a construção de um setor de saneamento mais justo, seguro e preparado para enfrentar os desafios do presente e do futuro Com 37 pág inas, a publicação pode ser acessada pelo link: https://abrir link/fYcdF
Recursos hídricos – A editora Essential Idea, com o apoio da Marinha do Brasil, disponibilizou a obra O Valor dos Rios: O Uso Sustentável das Águas
Interiores do Brasil Organizada por Ilques Barbosa Junior, André Panno Beirão e Rogerio Raupp
Saneamento – O IAS – Instituto Água e Saneamento disponibilizou o e-book Água, Esgoto e Higiene (WASH) – Como Garantir Serviços Resilientes no Contexto das Mudanças Climáticas? A publicação, que integ ra a coleção Adaptação e Saneamento, reúne diferentes olhares sobre os desafios impostos pela crise climática aos serviços de saneamento no Brasil Junto com os encar tes Água de Beber e Chuvas e Águas Urbanas, a obra aprofunda o conceito de WASH resiliente ao clima como um eixo ar ticulador entre adaptação, direitos humanos e políticas públicas Com referências conceituais e caminhos de
Ruschel, autores experientes em livros sobre recursos naturais e detentores da Medalha Amigo da Marinha, a publicação traz um retrato dos rios, lagos e lagoas do país, que somam 12% da água doce do planeta; dos 27 aquíferos de g rande por te que podem sustentar a humanidade por centenas de anos; e dos rios voadores e sua relevância para a ag ricultura e para o país. Também são apresentados o potencial dos rios como modal de transpor te e como será desenvolvida a concessão de hidrovias; as políticas públicas e sistemas de gestão dos recursos hídricos; a geopolítica do Brasil no continente compar tilhando 16.800 km de fronteiras, sendo cinco tríplices fronteiras com rios; e a relevância estratég ica de rios e lagos para a biodiversidade. Editora Essential Idea (https://abrir.link/dAbWA), 226 pág inas.
Saneamento em Pauta
As cidades brasileiras entraram em 2026 com expectativas relevantes em relação à expansão da infraestrutura urbana e ao enfrentamento dos desafios ambientais
Se no início do ano predominavam projeções e metas, o primeiro trimestre permite observar tendências impor tantes: o avanço g radual dos investimentos em saneamento, a ampliação da par ticipação do setor privado e a crescente pressão das mudanças climáticas sobre as cidades.
Nesse contexto, água, drenagem urbana e saneamento continuam ocupando posição estratég ica na agenda de desenvolvimento urbano e ambiental do país Apesar de avanços recentes, os indicadores mostram que o Brasil ainda enfrenta um déficit significativo em infraestrutura de saneamento.
Dados do sistema nacional de informações do setor indicam que cerca de 83% da população brasileira possui acesso à rede de abastecimento de água, o que representa aproximadamente 167 milhões de pessoas atendidas
No entanto, a situação é crítica no esgotamento sanitário. Apenas 59,7% da população é atendida por rede de coleta de esgoto, e cerca de 49% do efluente gerado no país recebe tratamento adequado
Outro indicador impor tante é o índice de perdas na rede de distribuição No Brasil, aproximadamente 39% da água tratada se perde antes de chegar ao consumidor, resultado de vazamentos, ligações irregulares e falhas de medição
Esses números revelam não apenas o déficit histórico do setor, mas também a dimensão do esforço necessário para ating ir as metas de universalização
O saneamento brasileiro vive um momento de reorganização institucional
e expansão de investimentos desde a aprovação do novo marco legal, sancionado em julho de 2020.
A leg islação estabelece metas ambiciosas de 99% da população com acesso à água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033 Para alcançar esse objetivo, o país precisará mobilizar investimentos estimados entre R$ 700 bilhões e R$ 900 bilhões ao longo da próxima década.
Os primeiros meses de 2026 indicam continuidade no movimento iniciado nos anos anteriores Leilões, concessões e projetos estruturados para os próximos anos já somam dezenas de bilhões de reais em investimentos previstos, abrangendo mais de 1000 municípios brasileiros
Essa dinâmica reforça o papel das parcerias público-privadas e da par ticipação do capital privado na expansão da infraestrutura hídrica Paralelamente aos investimentos, as cidades brasileiras enfrentam um cenário ambiental cada vez mais desafiador
Eventos climáticos extremos, como chuvas intensas, enchentes urbanas e períodos prolongados de estiagem, têm se tornado mais frequentes, exig indo adaptação da infraestrutura existente
Em muitas cidades, os sistemas de drenagem foram projetados para condições climáticas e padrões urbanos diferentes dos atuais A expansão da impermeabilização do solo, o crescimento urbano acelerado e a ocupação de áreas vulneráveis ampliam os impactos desses eventos
Diante desse cenário, cresce a importância de soluções que integ rem engenharia tradicional e infraestrutura verde, como reservatórios de retenção de águas pluviais, pavimentos permeáveis, parques urbanos com funções de drenagem
Agostinho Geraldes, Presidente da AESabesp
e recuperação de áreas de infiltração e nascentes
Essas estratég ias têm ganhado espaço no planejamento urbano por contribuírem para a resiliência climática das cidades. Outro movimento observado no início de 2026 é a intensificação do uso de tecnolog ias dig itais na gestão dos sistemas de água e saneamento
A dig italização das infraestruturas hídricas tem impacto direto na redução de perdas, no monitoramento da qualidade da água e na gestão de ativos, permitindo que operadoras respondam com mais rapidez a falhas ou vazamentos
Em um país com redes que ultrapassam 750 mil quilômetros de distribuição de água e mais de 365 mil quilômetros de redes de esgoto, a gestão eficiente desses ativos torna-se um fator determinante para a sustentabilidade do sistema
Por um lado, persistem desafios estruturais que exigem investimentos massivos e planejamento de longo prazo Por outro, o ambiente regulatório mais estável, a ampliação das concessões e o avanço tecnológ ico criam condições para acelerar a modernização do setor
Nos próximos meses, a capacidade de transformar projetos em obras e investimentos em serviços efetivos será determinante para que o país avance rumo às metas de universalização e construa cidades mais resilientes diante das mudanças climáticas
Agostinho de Jesus Gonçalves Geraldes é engenheiro civil, com pós-graduação em Engenharia de Saneamento pela Faculdade de Saúde Pública do Estado de São Paulo Atualmente é Gerente da Diretoria de Empreendimentos Interior e Litoral Norte da Sabesp e Presidente da AESabesp - Associação dos Engenheiros da Sabesp
Esta seção é dedicada a reflexões sobre o setor de saneamento no Brasil e seus desafios Os artigos são elab orados pelo Corpo Diretivo das principais entidades de saneamento do país e não necessariamente refletem a opinião da Hydro