Ano XX – Nº 180 – Julho/Agosto 2026
Hydro
ARANDA EDITORA
ISSN 1980-2218
A DOPP DESENVOLVE E IMPLANTA NO BRASIL E AMÉRICA LATINA, COM EXCLUSIVIDADE, O SISTEMA ALEMÃO DE DOBRA-DUPLA, PERFEITO PARA AS MAIS EXIGENTES DEMANDAS EM RESERVATÓRIOS, TANQUES E BIODIGESTORES. MAIS DE 140 MIL M³ CONSTRUÍDOS
INOVAÇÃO NO MERCADO DE ARMAZENAMENTO VERTICAL
Dobra-Dupla alta estabilidade sem parafusos
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Sumário
www.arandanet.com.br/hydro
Especial
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Hydro 20 anos A reportagem especial mostra como a revista Hydro, ao longo de duas décadas e 180 edições, acompanhou a evolução dos sistemas de tratamento de água e esgoto, registrou a chegada de novas tecnologias, antecipou tendências e consolidou-se como uma ferramenta de consulta para profissionais do setor.
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Pesquisa Marcas de Destaque no Saneamento 2026 Realizada pela segunda vez pela revista Hydro, a pesquisa identifica as marcas mais utilizadas pelas companhias de saneamento e empresas de projetos e engenharia em 19 categorias, que vão de bombas centrífugas a sistemas de osmose reversa.
ETA
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Análise do aumento de turbidez da água decantada O estudo analisou as possíveis causas para a elevação da turbidez da água decantada numa ETA – Estação de Tratamento de Água. Foram investigadas quatro hipóteses: alteração da temperatura da água, aumento do pH da água bruta, elevação da vazão afluente e ajuste operacional da dosagem de coagulante.
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Qualidade da água Diagnóstico do lançamento de efluentes industriais na Lagoa da Pampulha Um dos cartões postais de Minas Gerais, a Lagoa da Pampulha sofre com a poluição proveniente do crescimento urbano e industrial desordenado. A caracterização das principais fontes poluidoras, aliada à proposição de medidas técnicas e regulatórias, é fundamental para a recuperação da qualidade da água e a sustentabilidade da bacia hidrográfica.
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Estudo de caso Análise da eficiência energética em usinas FV no saneamento Este estudo analisa a viabilidade técnica, econômica e ambiental da geração distribuída por meio da implantação de usinas fotovoltaicas no SAAE - Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Passos, MG.
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Serviço Guia de produtos e serviços para desaguamento e secagem de lodo Este guia tem como foco a gestão do lodo em estações de tratamento de água e efluentes. O desaguamento otimiza processos ao reduzir volume, umidade e custos de manuseio, além de ampliar a vida útil de unidades de tratamento.
Seções Carta ao leitor................................04
Publicações .....................................49
Notícias..............................................06
Índice de anunciantes..............49
Conexão............................................44
Saneamento em Pauta ............50
Produtos...........................................48 Capa Foto: Alf Ribeiro/Shutterstock
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Editorial
Tradição que evolui junto com o saneamento
ARANDA EDITORA TÉCNICA CULTURAL LTDA. Diretores: Edgard Laureano da Cunha Jr., José Roberto Gonçalves e José Rubens Alves de Souza (in memoriam) REDAÇÃO: Diretor: José Rubens Alves de Souza (in memoriam) Jornalista responsável: Sandra Mogami (MTB 21780) Repórter: Fábio Laudonio (MTB 59526)
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á marcas que se consolidam pela qualidade de seus produtos. Outras, pela confiança que conquistam ao longo do tempo. O mesmo vale para as publicações especializadas. Em um mercado cada vez mais competitivo, a credibilidade continua sendo construída da mesma forma: com conhecimento técnico, independência editorial e compromisso permanente com seus leitores. Esta edição da Hydro reúne três marcos que simbolizam essa trajetória. O primeiro é a realização da segunda edição da Pesquisa Marcas de Destaque no Saneamento, que passa a integrar definitivamente o calendário do setor. Mais do que apontar empresas líderes em 19 categorias de produtos, o levantamento oferece um retrato de um mercado em transformação, no qual inovação, desempenho e confiança caminham lado a lado. Elaborada a partir das respostas espontâneas de profissionais que especificam, compram, projetam e operam sistemas de tratamento de água e esgoto, a pesquisa traduz a percepção de quem utiliza diariamente essas soluções e, por isso, representa uma importante ferramenta para fabricantes, distribuidores e usuários. O segundo é igualmente especial: a Hydro completa 20 anos de circulação. Desde a primeira edição, publicada em 2006, a revista acompanhou algumas das maiores transformações já vividas pelo saneamento brasileiro. Presenciou a evolução das tecnologias de tratamento, a digitalização das operações, a chegada da inteligência artificial, a consolidação do reúso de água, o fortalecimento das concessões privadas e a aprovação do novo Marco Legal do Saneamento. Ao longo de 180 edições, procurou cumprir uma missão simples, mas permanente: oferecer informação técnica de qualidade, útil para quem projeta, especifica, opera e decide. O terceiro motivo de celebração extrapola as páginas desta revista. Em agosto de 2026, a Aranda Editora completa 50 anos de atuação. Fundada em 1976, a empresa construiu uma história singular na imprensa técnica brasileira, desenvolvendo um modelo editorial voltado exclusivamente aos profissionais de cada segmento industrial. Ao longo dessa trajetória, passou a publicar títulos tradicionais anteriormente pertencentes à Editora Abril, entre eles Eletricidade Moderna, hoje com 54 anos de existência, ao mesmo tempo em que criou novas publicações especializadas, como a própria Hydro, sempre com o objetivo de oferecer conteúdo aprofundado, relevante e diretamente aplicável ao cotidiano de seus leitores. Em uma época marcada pela velocidade da informação, pelas redes sociais e pela multiplicação de conteúdos superficiais, revistas técnicas continuam desempenhando um papel insubstituível: organizar conhecimento, contextualizar tendências e aproximar fabricantes, pesquisadores, usuários e tomadores de decisão. Mais do que informar, ajudam a formar mercados. É justamente esse compromisso que une esses três marcos. A Pesquisa Marcas de Destaque no Saneamento mostra a evolução do mercado; a Hydro registra e interpreta essa evolução há duas décadas; e a Aranda Editora demonstra, há meio século, que a especialização editorial continua sendo um dos caminhos mais eficazes para promover conhecimento, inovação e desenvolvimento. Sandra Mogami – Editora sm@arandaeditora.com.br
SECRETÁRIAS DE REDAÇÃO E PESQUISAS: Milena Venceslau e Sabrina Emilly dos Anjos Costa PUBLICIDADE NACIONAL: Gerente comercial: Elcio Siqueira Cavalcanti Contatos: Fábio Oddone (fabio.oddone@arandaeditora.com.br) e Rodrigo Lima (rodrigo.lima@arandaeditora.com.br) REPRESENTANTES: Paraná e Santa Catarina: Romildo Batista - Cel.: (41) 99728-3060 romildo@arandaeditora.com.br Rio de Janeiro e interior de São Paulo: Guilherme Carvalho Cel.: (11) 98149-8896 - guilherme.carvalho@arandaeditora.com.br Rio Grande do Sul: Maria José da Silva - Tel.: (11) 2157-0291 Cel.: (11) 98179-9661 - maria.jose@arandaeditora.com.br INTERNATIONAL ADVERTISING SALES REPRESENTATIVES: China: Mr. Weng Jie - Hangzhou Oversea Advertising Ltd 55-3-703 Guan Lane, Hangzhou, Zhejiang 310003, China Tel.: +86 571-87063843, fax: +1 928-752-6886 (retrievable worldwide) ziac@mail.hz.zj.cn Germany: STROBEL VERLAG GmbH & Co. KG - Mr. Peter Hallmann Zur Feldmühle 9-11 - 59821 Arnsberg Tel.: +49 2931 8900-26, fax: +49 2931 8900-38 p.hallmann@strobel-verlag.de Italy: QUAINI Pubblicità - Ms. Graziella Quaini - Via Meloria 7 - 20148 Milan Tel.: +39 2 39216180, fax: +39 2 39217082 - grquaini@tin.it Japan: Echo Japan Corporation - Mr. Ted Asoshina Grande Maison Room 303, 2-2, Kudan-kita 1-chome, Chiyoda-ku, Tokyo 102-0073, Japan Tel.: +81-(0)3-3263-5065, fax: +81-(0)3-3234-2064 - aso@echo-japan.co.jp Korea: JES Media International - Mr. Young-Seoh Chinn 2nd Fl., ANA Building, 257-1 Myeongil-Dong, Gangdong-gu Seoul 134-070 Tel.: +82 2 481-3411, fax: +82 2 481-3414 - jesmedia@unitel.co.kr Switzerland: Mr. Rico Dormann, Media Consultant Marketing Moosstrasse 7, CH-8803 Rüschlikon Tel.: + 41 1 720-8550, fax: + 41 1 721-1474 beatrice.bernhard@rdormann.ch Taiwan: WORLDWIDE S Services Co. Ltd. - Mr. Robert Yu 11F-B, No 540, Sec. 1, Wen Hsin Road, Taichung Tel.: +886 4 2325-1784, fax: +886 4 2325-2967 - global@acw.com.tw UK: Mr. Edward J. Kania - Robert G Horsfield International Publishers Daisy Bank, Chinley, Hig Peaks - Derbyshire SK23 6DA Tel.: +44 1663 750 242, mob.: +44 7974168188 - ekania@btinternet.com USA: Ms. Fabiana Rezak - 2911 Joyce Lane, Merryck, NY 11566 USA Tel.: +(1) 516 476-5568 - arandausa@gmail.com ADMINISTRAÇÃO: Diretor administrativo: Edgard Laureano da Cunha Jr. CIRCULAÇÃO: São Paulo: Clayton Santos Delfino - tel. (11) 3824-5300 e 3824-5250 PROJETO VISUAL GRÁFICO, DIAGRAMAÇÃO E EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Helio Bettega Netto ASSISTENTES DE PRODUÇÃO: Talita dos Santos Silva e Vanessa Cristina da Silva SERVIÇOS: Impressão: Ipsis Gráfica e Editora S.A. Distribuição: ACF - Ribeiro de Lima
ISSN 1980-2218
Hydro é uma publicação da Aranda Editora Técnica Cultural Ltda. Redação, Publicidade, Administração, Circulação e Correspondência: Alameda Olga, 315 - 01155-900 - São Paulo - SP Brasil Tel. (+55-11) 3824-5300 e 3824-5250 Fax (+55-11) 3666-9585 infohydro@arandanet.com.br - www.arandanet.com.br A revista Hydro é enviada a 12 mil profissionais envolvidos com instalações hidrossanitárias prediais, com o tratamento de água e efluentes em indústrias e complexos de serviços e com sistemas públicos de água e esgoto.
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Notícias Sanex desenvolve soluções descentralizadas para ampliar tratamento de esgoto
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mpulsionada pelas metas do Mar‑ co Legal do Saneamento, que pre‑ vê a universalização da coleta e do tratamento de esgoto até 2033, a Sanex Soluções, de Sorocaba, SP, aposta não apenas na execução de grandes obras, mas também na ex‑ pansão de sistemas descentralizados e modulares para atender municípios, concessionárias e empreendimentos que demandam alternativas às esta‑ ções convencionais. A estratégia com‑ bina engenharia, fabricação industria‑ lizada e tecnologias compactas para reduzir prazos de implantação, custos de obras civis e ocupação de áreas. Para viabilizar essa estratégia, a empresa mantém uma parceria com a também sorocabana Ypuã Tecnolo‑ gias e Soluções Ambientais. Enquanto a Ypuã é responsável pela industriali‑ zação das estações enterradas, a Sa‑ nex desenvolve os projetos, executa a engenharia, realiza a montagem e a instalação dos equipamentos, além de oferecer serviços de operação e ma‑ nutenção dos sistemas. A Sanex, fundada em 2002 para atuar em hidrogeologia e perfuração de poços, ampliou sua atuação ao longo da última década. Atualmente desen‑ volve estudos de viabilidade, projetos, construção, montagem, operação e manutenção de sistemas de água e es‑ goto, além de soluções para tratamento de lodo, atendendo praticamente toda a cadeia do ciclo da água. A empresa está à frente da modernização com‑ pleta da ETE Vila Zilda no Guarujá, da Sabesp, com capacidade de 1500 L/s. Segundo Marcelo Padula, gerente de Desenvolvimento de Negócios da
Sistema unYtrato: capacidades entre 500 e 2500 L/dia
anaeróbia, dispensando consumo de energia elétrica durante a operação. O segundo equipamento da linha é o multYtrato, desenvolvido para atender empreendimentos multifami‑ liares, condomínios, loteamentos e co‑ munidades isoladas. O sistema cobre faixas entre 25 e 300 habitantes e uti‑ liza configuração modular, permitindo ampliar a capacidade de tratamento conforme o crescimento da demanda. A solução também pode ser fabricada diretamente no canteiro de obras, re‑ duzindo restrições logísticas em regi‑ ões remotas ou de difícil acesso. A terceira solução é a Yby ETE Compacta, uma estação de tratamen‑ to modular enterrada destinada a va‑ zões entre 1 e 10 L/s. O sistema re‑ úne em um único conjunto as etapas de pré-tratamento e tratamento bioló‑ gico, podendo ser empregado tanto em novos empreendimentos quanto na ampliação de estações existentes, especialmente quando há limitação de espaço disponível. As soluções são integradas com tecnologias de empresas parceiras, como a linha BRNOX de PVC (BR‑ LOC) com reforço estrutural de aço inox para tubos e tanques cilíndricos desenvolvida em conjunto com a
Sanex, o novo marco acelerou a bus‑ ca por soluções mais eficientes para atender localidades que dificilmente seriam contempladas apenas com grandes estações centralizadas. Para essas aplicações, a Sanex desenvol‑ veu a linha unY, composta por três soluções compactas, modulares e enterradas, destinadas a diferentes escalas de tratamento: o menor mo‑ delo da linha é o unYtrato, destina‑ do ao atendimento unifamiliar e ao saneamento rural disperso. Voltado para populações de até 25 habitan‑ tes, o equipamento reúne em um único módulo tanque séptico, filtro anaeróbio e sistema de infiltração do efluente, formando um sistema inte‑ grado de tratamento, disponível em capa‑ cidades entre 500 e 2500 L/dia. Segundo o executivo, mais de 5 mil unidades já fo‑ ram implantadas, prin‑ cipalmente no âmbito do programa Água é Vida, do Governo do Estado de São Paulo. Fabricado em PEAD - Polietileno de Alta Um único módulo integrado compreende tanque séptico, filtro Densidade, o equi‑ anaeróbio, câmara de infiltração e distribuição do efluente com pamento utiliza rota percolação controlada
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Acque Engenharia, e a estação elevatória de poço seco com bombeamento inline da Kronox. Outra parceria recente foi firmada com a alemã Mutag, fabricante de biomídias para reatores MBBR, que integram o reator biológico do sistema unY. Segundo Padula, a tecnologia de difusores com bolha fina aumenta significativamente a área disponível para formação do biofilme, permitindo reduzir o volume dos reatores biológicos e, consequentemente, o tamanho dos tanques e os investimentos em obras civis. Além das soluções para tratamento de esgoto, a Sanex também desenvolveu o sistema de secagem de lodo Scarab, tecnologia própria e patenteada destinada a reduzir o volume do resíduo gerado nas estações de tratamento. O sistema utiliza uma máquina automatizada que promove o revolvimento, a aeração e a fragmentação do lodo dentro de uma estufa com microclima controlado, acelerando o processo de secagem e reduzindo os custos de transporte e destinação final. Atualmente, a empresa possui três unidades em operação no estado de São Paulo (Caraguatatuba, Lins e Várzea Paulista) e outras duas em implantação, em Itapetininga e Campinas. Modular, o Scarab já foi dimensionado para capacidades de 10, 20 e 40 toneladas de lodo por dia e pode ser contratado inclusive em modelo de performance, no qual a remuneração está vinculada ao volume efetivamente processado. “Buscamos desenvolver soluções inovadoras para atender à crescente demanda impulsionada pelo Marco Legal do Saneamento e ampliar nossa competitividade no mercado”, finaliza. Sanex – Tel. (15) 3327-1292 Site: https://www.sanexsolucoes.com.br/
Solução biotecnológica utiliza microrganismos nativos para recuperar áreas contaminadas
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contaminação e identificar os microrganismos com potencial degradador; bioadição, quando esses consórcios microbianos são multiplicados e aplicados na área; e biomanutenção, destinada a manter a atividade metabólica dos microrganismos até a recuperação do ambiente. Segundo a empresa, o processo favorece a retomada dos ciclos biogeoquímicos essenciais ao funcionamento do solo e dos ecossistemas aquáticos.
recuperação de áreas contaminadas por agrotóxicos e outros resíduos orgânicos pode ganhar um novo aliado com a BABMA - Biorremediação Acelerada por Bioaumentação de Microrganismos Autóctones, tecnologia patenteada pela Solos Solution, de Uberlândia, MG, que utiliza microrganismos nativos do próprio ambiente para acelerar a biodegradação de contaminantes e restabelecer o equilíbrio biológico de so‑ Reatores los e coleções hídricas. Segundo a empresa, a Sistema patenteado de bioaumentação da Solos Solution solução pode ser aplicada em diferentes segmentos, como Como exemplo de aplicação, a Soremediação de solos agrícolas, ETEs los Solution destaca a remediação de - Estações de Tratamento de Esgoto, solos contaminados por agrotóxicos. aterros sanitários e outras iniciativas Conforme descrito em artigo técnico de recuperação ambiental. desenvolvido pela empresa, a persisDe acordo com Manoel Armando tência desses compostos pode comAzevedo dos Santos, cientista resprometer a microbiota do solo, reduzir ponsável pelo Centro de Pesquisas sua fertilidade e favorecer a contamida Solos Solution, autor da patente e nação de rios, lagos e aquíferos. A proprofessor da USP – Universidade de posta da BABMA é acelerar a biodegraSão Paulo, a tecnologia foi desenvoldação desses contaminantes utilizando vida para potencializar processos naorganismos naturalmente adaptados às turais já existentes nos ambientes imcondições físico-químicas do ambienpactados. “A BABMA utiliza microrgate, reduzindo os impactos ambientais nismos autóctones, ou seja, pertene contribuindo para a recuperação das centes ao próprio local contaminado. funções ecológicas do solo e da água. Eles são identificados, selecionados, Segundo Karen Miranda, coautora multiplicados e reinseridos na área da pesquisa, o mesmo princípio pode para acelerar a degradação dos conser empregado em outras aplicações taminantes e favorecer a recuperação ambientais. “A tecnologia é aplicável da microbiota”, explica. sempre que houver necessidade de A solução é baseada em três etarecuperar processos biológicos compas: bioprospecção, para caracterizar a prometidos. Isso inclui estações de
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Notícias tratamento de esgoto, aterros sanitários, áreas contaminadas por resíduos industriais e outros projetos de remediação ambiental”, afirma. Ainda de acordo com o professor, por utilizar microrganismos do próprio ambiente, a solução busca preservar as características ecológicas locais e reduzir a necessidade de introdução de organismos externos. “Nosso objetivo é acelerar processos naturais de recuperação ambiental por meio da biotecnologia, respeitando a microbiota existente e contribuindo para restabelecer o equilíbrio dos ecossis‑ temas”, conclui. Solos Solution – Tel. (34) 99778-8867 Site: https://www.solossolution.com.br/
Amazon e Aganova usam IA para reduzir perdas de água no Recife
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Amazon e a Aganova anunciaram uma parceria para reduzir as perdas de água na rede de abastecimento do Recife, PE, por meio de tecnologia de detecção de vazamentos baseada em IA - Inteligência Artificial. Desenvolvido em conjunto com a Compesa, o projeto prevê a economia de aproximadamente 165 milhões de litros de água por ano. A iniciativa utilizará o sistema Nautilus, da Aganova, tecnologia de inspeção em linha que opera dentro das tubulações sem interromper o abastecimento. A solução combina sensores acústicos com análise de dados baseada em IA, hospedada na infraestrutura da Amazon Web Services (AWS), para identificar e localizar vazamentos ocultos e bolsas de ar em adutoras de grande diâmetro. Segundo a Aganova, a tecnologia permite detectar falhas que frequen-
temente passam despercebidas pelos métodos convencionais de inspeção, apoiando uma gestão mais eficiente da infraestrutura hídrica. O projeto será desenvolvido na bacia do DPE4, na região sul do Recife, onde cerca de 69 quilômetros Projeto da Compesa prevê uso de tecnologia de tubulações serão inspecionados. de detecção de vazamentos em tubulações de A expectativa é recuperar cer- grande diâmetro ca de 165 mil metros cúbicos de água por ano por meio da identificação Gabbia Biotecnologia: e do reparo dos vazamentos. Além da biorremediação para redução das perdas físicas, a iniciativa tratamento de efluentes busca diminuir a pressão sobre o aquídomésticos e industriais fero de Boa Viagem e melhorar o deom a expansão dos investimensempenho operacional do sistema de tos no saneamento e a busca abastecimento. por maior eficiência operacional nas De acordo com a Compesa, o uso ETEs - Estações de Tratamento de de tecnologias avançadas permitirá amEfluentes, tecnologias baseadas em pliar o conhecimento sobre a condição biorremediação vêm ganhando espada rede, contribuindo para reduzir desço como alternativa para reduzir a geperdícios e aumentar a confiabilidade ração de lodo, controlar odores e medo abastecimento de água à população. lhorar o desempenho dos processos A Amazon afirma que o projeto faz biológicos. A Gabbia Biotecnologia, parte de sua estratégia global de concom sede em Itajaí, SC, aposta em servação da água, que inclui investiuma linha de soluções desenvolvidas mentos em soluções voltadas à eficiêncom microrganismos produzidos pela cia hídrica e à preservação dos recursos própria empresa para aplicações donaturais. Segundo a empresa, mais de mésticas e industriais. 50 projetos hídricos já foram anuncia“O mercado passou a compreendos em diferentes países, com potender melhor os benefícios da biorrecial para devolver mais de 24 bilhões de litros de água por ano às comunidades e bacias hidrográficas. A iniciativa conta ainda com o apoio da Effico Saneamento, parceira da Aganova no Brasil, responsável pelo suporte técnico e de engenharia. Este é o segundo projeto desenvolvido conjuntamente pela Amazon e Aganova no país. Em 2025, as empresas lançaram uma iniciativa semelhante em parceria com a Sabesp, em São Paulo, com previsão de evitar perdas de aproximadamente 210 milhões de litros de água Gabriel Fernandes Alves Jesus, da Gabbia por ano. Biotecnologia: aplicação do Arkhon Fix no
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Notícias mediação no tratamento de efluentes, como maior segurança, estabilidade, eficiência e redução de custos”, afirma Gabriel Fernandes Alves Jesus, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Gabbia Biotecnologia. Com dez anos de atuação, a empresa estima comercializar mais de 140 toneladas anuais de ingredientes funcionais e bioativos. Para o tratamento de efluentes, destaca-se a linha Arkhon BioSolvers cujo produto principal (Arkhon Fix) utiliza microrganismos de alto desempenho para estabilizar cargas orgânicas. Segundo o diretor, a solução reduz a necessidade de remoção de lodo e de intervenções físicas, contribuindo para a redução dos custos operacionais. “A tecnologia auxilia na eliminação de odores indesejados e crostas de gordura, além de contribuir para a estabilização de parâmetros como DBO - Demanda Bioquímica de Oxigênio, DQO - Demanda Química de Oxigênio, amônia e fósforo”, completa. Segundo estimativas da empresa, a aplicação do Arkhon Fix evita que o sistema sofra com choques de carga e é capaz de remover até 50% da
produção diária de lodo. Desenvolvida com tecnologia nacional, a linha está disponível nas versões em pó e em pastilhas. Gabbia Biotecnologia – Tel. (47) 3515-1200 Site: www.gabbia.com.br
Korthfiber fornece máquinas e equipamentos para a fabricação de compósitos
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aprovação do Marco Legal do Saneamento, em 2020, impulsionou os investimentos no setor e acelerou a estruturação de concessões, privatizações e projetos de regionalização. Um levantamento do Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados aponta que, entre 2020 e 2024, os investimentos no setor somaram R$ 112,6 bilhões. Com o mercado aquecido, cresce a procura por fornecedores de tanques e tubos. De olho nessa demanda, a Korthfiber fabrica máquinas e equipamentos voltados à indústria de compósitos. Instalada em um parque fabril de apro-
ximadamente 3 mil m² em São Roque, SP, a empresa atende fabricantes de postes, tubos, tanques, vasos de pressão, vergalhões, telas de fibra de vidro e pultrudados, perfis estruturais de compósito de PRFV - Plástico Reforçado com Fibra de Vidro que combinam fibras com resinas termofixas. “Quando aplicado ao processo de enrolamento de filamentos, o PRFV possibilita direcionar as fibras para conferir maior resistência mecânica a torções e pressões. Além disso, o material é mais leve quando comparado a outras alternativas”, explica Alexandre Teixeira Figueiredo, CEO da Korthfiber. Todos os processos envolvidos na fabricação do maquinário são realizados pela própria Korthfiber. Em 2020, a empresa criou a Kolor Paint Pinturas Eletrostáticas, vertical responsável pela pintura dos equipamentos, que, a depender da aplicação, pode ser em poliéster, eletrostática ou epóxi. Um dos destaques do portfólio é a máquina Bruttus Vertical, destinada à fabricação de tanques de grande porte em PRFV. Com comando CNC remoto ou local, apresenta desempe-
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Com 17 anos de mercado, a Korthfiber comercializa seus equipa‑ mentos em mais de 15 países, entre eles Argentina, Colômbia, Chile, Equa‑ dor, Peru, Espanha e Portugal. O pra‑ zo de entrega varia de 90 a 120 dias, conforme a complexidade do pedido e a demanda. Atualmente, o setor de sa‑ neamento representa aproximadamen‑ te 20% dos negócios da companhia. Tanque fabricado com a máquina Bruttus Vertical
nho de até 90 m/min e capacidade para reservatórios de até 18 m de diâmetro. Outra solução é a máquina para a confecção de malhas de fibra de vi‑ dro (GFRP), com desempenho de até 180 m² por hora e capacidade para produzir malhas de até 3 m x 50 m.
Korthfiber – Tel. (11) 97884-9760 Site: www.korthfiber.com
Nota EPAR - A Prefeitura de Campinas, SP, e a Sanasa concluíram, em 15 de julho, a primeira etapa das obras da EPAR Estação Produtora de Água de Reúso Anhumas, que deverá entrar em ope‑
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ração no primeiro semestre de 2027 e se tornar o maior polo de produção de água de reúso da América Latina. O empreendimento recebeu investi‑ mento de R$ 230 milhões e terá capa‑ cidade para tratar 1431 L/s de esgoto, produzindo água de reúso com 99% de pureza para aplicações industriais, limpeza urbana e combate a incêndios. A conversão da estação utiliza a tecno‑ logia holandesa NEREDA, baseada em lodo granular por batelada, combinada a biorreatores de membranas (MBR). Segundo a Sanasa, o projeto contri‑ buirá para ampliar a oferta de água de reúso à indústria, preservar água potá‑ vel e melhorar a qualidade das águas do córrego Anhumas. O financiamen‑ to reúne recursos da Sanasa, da Caixa Econômica Federal e da IFC, braço do Banco Mundial.
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N Ao longo de duas décadas e 180 edições, a revista acompanhou a evolução dos sistemas de tratamento de água e esgoto, registrou a chegada de novas tecnologias, antecipou tendências e consolidou-se como uma ferramenta de consulta para profissionais responsáveis pelo projeto, operação e manutenção de sistemas em empresas de saneamento, indústrias e empreendimentos comerciais.
esta edição, a Hydro completa 20 anos de circulação. Publicada pela primeira vez em julho/agosto de 2006, a revista nasceu com uma proposta clara: oferecer conteúdo técnico qualificado para engenheiros, projetistas, operadores, gestores e demais profissionais envolvidos com sistemas prediais, abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, efluentes industriais e gestão dos recursos hídricos. Desde então, foram veiculadas 180 edições, sempre acompanhando as transformações de um dos setores mais estratégicos para o desenvolvimento do país. Ao longo desse período, o Brasil passou por profundas mudanças. Quando a Hydro foi lançada, o debate sobre segurança hídrica ainda era restrito aos especialistas. Poucos anos depois, episódios como a crise hídrica no Sudeste, entre 2014 e 2015, tornaram a água tema permanente da agenda nacional. Mais recentemente, eventos extremos provocados pelas mudanças climáticas passaram a impor novos desafios às empresas de saneamento, com secas prolongadas em algumas regiões e enchentes históricas em outras. Embora o cenário tenha mudado, muitos dos assuntos presentes na primeira edição continuam atuais. Uso racional, reúso, controle de perdas, efi-
ciência energética, monitoramento de redes, qualidade da água, automação, digitalização e novas tecnologias de tratamento permaneceram entre os temas mais recorrentes das páginas da revista, sempre acompanhando a evolução técnica dessas soluções. A Hydro também registrou a rápida transformação tecnológica vivida pelo setor. Em duas décadas, sistemas baseados em telemetria, sensores inteligentes, IoT - Internet das Coisas, IA - Inteligência Artificial, gêmeos digitais, monitoramento remoto e análise avançada de dados deixaram de ser tendências para se tornarem ferramentas presentes em projetos e operações de companhias de saneamento e indústrias. Um dos marcos mais importantes desse período foi a publicação do novo marco legal do saneamento, em 2020. A legislação estabeleceu metas para a universalização dos serviços até 2033, fortaleceu o papel da regulação e am-
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pliou a participação da iniciativa privada. O número de municípios brasileiros atendidos por companhias privadas de saneamento aumentou 525% de 2020 a 2025. Levantamento do painel Abcon Data - Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto indica que hoje a atuação privada já está presente em 3583 municípios brasileiros, o equivalente a 64,3% do total, com serviços operados em regime de concessão plena ou parcial, além de contratos de parceria público-privada. Desde o marco legal, o setor passou por um novo ciclo de investimentos e regionalização dos serviços, criando perspectivas mais favoráveis para a expansão da infraestrutura e da cobertura de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Quando a Hydro foi lançada, em 2006, cerca de 81% da população brasileira era atendida por redes de abastecimento de água e apenas 46% contavam com coleta de esgoto. Duas décadas depois, segundo o SINISA - Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico de 2024, os índices alcançaram 84,1% de atendimento com água e 58,7% com coleta de esgoto. A evolução evidencia os avanços do setor, mas também mostra que a universalização ainda depende de elevados investimentos, sobretudo na expansão dos sistemas de esgotamento sanitário. Ao mesmo tempo, a necessidade de adaptação às mudanças climáticas exige investimentos crescentes em segurança hídrica, redução do consumo energético, reúso de água, aproveitamento de biogás, gestão de lodos, drenagem urbana e aumento da resiliência das infraestruturas.
Conteúdo técnico como marca da publicação Desde sua criação, a Hydro buscou unir o rigor técnico dos artigos elaborados por especialistas ao tratamento jornalístico de temas de interesse do mercado. Ao longo dessas duas décadas, a revista publicou centenas de artigos assinados por pesquisadores, professores, consultores e profissionais. Paralelamente, as reportagens especiais consolidaram-se como uma das principais características da revista. Em vez de apenas apresentar produtos, as matérias contextualizam os desafios enfrentados pelo setor e mostram como diferentes tecnologias vêm sendo aplicadas na prática. Temas como controle de perdas, secagem e destinação de lodo, tratamento terciário, remoção de micropoluentes, sistemas compactos, tubulações de grandes diâmetros, desinfecção, eficiência energética e digitalização foram abordados sob uma perspectiva técnica e jornalística. Outro diferencial da Hydro é sua vocação de prestação de serviços ao mercado. Os tradicionais Guias de Produtos e Serviços, publicados regularmente, transformaram-se em uma importante ferramenta de consulta para projetistas e compradores. Reunindo fabricantes e fornecedores de diferentes segmentos, os guias facilitam a busca por soluções técnicas e novos fornecedores em um único ambiente editorial, com empresas previamente checadas e alto grau de detalhamento. A revista também realiza pesquisas de mercado, como a Marcas de Destaque no Saneamento, publicada nesta edição, que mostra as marcas mais usadas em concessionárias, indústrias e empresas de engenharia e projetos em 20 categorias de produtos. Essa característica faz com que a revista ultrapasse o papel de veículo de informação e se torne um instru-
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mento de trabalho para profissionais que precisam especificar equipamentos, comparar tecnologias ou acompanhar as principais inovações do mercado. Além dos exemplares impressos, a versão digital das edições, com acesso aberto e gratuito, amplia o alcance da revista. Em março de 2020, foi lançada a newsletter Hydro News, que reúne as principais notícias do setor e é enviada semanalmente para uma base de 6 mil assinantes. Essas ações combinam o dinamismo das divulgações online com a profundidade editorial dos conteúdos técnicos. E não é apenas o conteúdo editorial que agrada tanto aos leitores. Os anúncios também têm seu lado utilitário, ao servir de vitrine para novos produtos, soluções ou até mesmo de empresas. Para os fabricantes e prestadores de serviços, a Hydro representa um forte e eficaz meio de chegar a seus compradores, ampliando os contatos e desenvolvendo novos negócios.
Olhando para o futuro Passadas duas décadas, a missão da Hydro permanece a mesma: contribuir para o desenvolvimento técnico do setor por meio da divulgação de informações qualificadas, independentes e úteis para quem atua diariamente na implantação, operação e modernização dos sistemas de água e esgoto. A universalização dos serviços ainda exige um longo caminho, mas o setor conta hoje com tecnologias muito mais avançadas para enfrentar esses desafios. Ao completar 20 anos e 180 edições, a Hydro renova seu compromisso de continuar acompanhando essa evolução, registrando os avanços do mercado, difundindo conhecimento técnico e servindo como fonte permanente de consulta para os profissionais que trabalham para tornar o saneamento brasileiro cada vez mais eficiente, resiliente e sustentável.
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Hydro • Julho/Agosto 2026
Pesquisa
A Confira os resultados da segunda edição da pesquisa realizada pela revista Hydro com usuários e especificadores de produtos para o tratamento de água e esgoto. O levantamento identifica as marcas mais utilizadas pelas companhias de saneamento e empresas de projeto e engenharia em 19 categorias, que vão de bombas centrífugas a sistemas de osmose reversa.
pesquisa Marcas de Destaque no Saneamento chega à sua segunda edição em um momento de expansão do mercado brasileiro. À medida que concessionárias públicas e privadas aceleram investimentos para cumprir as metas de universalização previstas no Marco Legal do Saneamento, cresce também a importância de identificar quais fabricantes e fornecedores conquistam espaço nas especificações técnicas e nas compras do setor. O levantamento realizado pela revista Hydro oferece justamente esse retrato. A partir de respostas espontâneas de profissionais que atuam em companhias de saneamento, empresas de engenharia e indústrias, a pesquisa identifica as marcas mais efetivamente utilizadas em 19 categorias de produtos e equipamentos, revelando tanto empresas consolidadas quanto aquelas que vêm ampliando sua presença no mercado. Nesta edição, foram validados 101 questionários.
O cenário de negócios continua favorável. Segundo dados do Sinisa (ano-base 2024), cerca de 90 milhões de brasileiros ainda não possuem acesso à coleta de esgoto e apenas 51,8% do esgoto gerado recebe tratamento antes de ser devolvido ao meio ambiente. Os maiores déficits permanecem concentrados nas regiões Norte e Nordeste, evidenciando o volume de investimentos ainda necessário para atingir as metas de universalização estabelecidas para 2033. Desde a aprovação do Marco Legal do Saneamento, em 2020, o setor passou por uma transformação significativa. Já foram realizados 64 leilões de concessões e parcerias público-privadas em 21 estados, abrangendo
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Hydro • Julho/Agosto 2026
Pesquisa
Origem geográfica das respostas
Áreas de atuação dos profissionais
Resultados 1734 municípios e aproximadamente Marcas de Destaque no Saneamento 81,9 milhões de habitantes. Os contraNas páginas seguintes são apre2026. Cada categoria informa seu restos firmados representam R$ 200,8 bisentados os resultados da Pesquisa pectivo universo de respondentes, consilhões em investimentos derando apenas os profissioAs marcas mais lembradas e os produtos mais utilizados previstos e R$ 61,6 binais que declararam utilizar Além das tabelas por categoria, a pesquisa permite diferentes formas de análise. lhões em outorgas, indeterminado tipo de produto O primeiro quadro mostra quais produtos registraram maior número de respostas, dicando que o país vive ou equipamento em suas indicando os equipamentos mais difundidos entre os participantes do levantamento. um dos maiores ciclos operações. Já o segundo reúne as marcas que obtiveram os maiores índices de indicação de expansão da infraesOs percentuais represenem uma única categoria, destacando os casos de maior liderança dentro de seus respectivos segmentos. trutura de saneamento tam a participação de cada de sua história. marca dentro desse univerEsse ambiente com- Tab. I – Os 10 produtos de uso mais difundido entre os profissionais so. Como um mesmo particiQuestionário petitivo amplia a imporpante pode utilizar mais de uma Produto % da base com indicações tância das decisões de marca para determinado produto, Bombas centrífugas 84 83,2 especificação técnica. Fa- Bombas submersas a soma das porcentagens pode 80 79,2 75 74,3 bricantes disputam es- Bombas dosadoras ultrapassar 100%. Por outro lado, Tubos 71 70,3 paço em projetos de nem todas as marcas citadas Válvulas 64 63,4 modernização de redes, Estações compactas de tratamento de efluentes aparecem nas tabelas: por ques58 57,4 55 54,5 ampliação de estações Aeradores tões editoriais, foram mantidas Estações compactas de tratamento de água 55 54,5 de tratamento, redução apenas aquelas que receberam Decanters 52 51,5 de perdas e reúso de Hidrômetros pelo menos duas indicações. 50 49,5 água, tornando cada vez As empresas mais bem mais relevante conhe- Tab. II - As marcas que receberam o maior número de indicações posicionadas aparecem desem um mesmo produto. Base: 101 cer quais marcas efetitacadas em negrito. Para Marca Produto Presença % da base vamente conquistam a facilitar a análise da evoTubos 51 50,5 Tigre lução do mercado, cada preferência dos profis- KSB Bombas centrífugas 42 41,6 tabela também apresenta sionais responsáveis por Sika Produtos p/ impermeabilização de reservatórios 25 24,8 Bombas dosadoras 20 19,8 Prominent os resultados obtidos pelas essas escolhas. É justaHidrômetros 20 19,8 mesmas marcas na edição mente esse panorama LAO Bombas submersas 19 18,8 Ebara de 2025, permitindo comque a Pesquisa Marcas Bermad Válvulas 15 14,9 parar avanços, estabilidade de Destaque no Sanea- Fortlev Reservatórios de grande porte 13 12,9 Decanters 12 11,9 ou perda de participação mento busca oferecer ao Pieralisi Produtos para osmose reversa 11 10,9 DuPont/Dow ao longo do último ano. mercado.
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Hydro • Julho/Agosto 2026
Universo 2026: 84 Marca
Aeradores Universo 2026: 56 Marca
Sulzer
Prominent
23,8
16,7
Indicações (%)
Emec
15,5
16,7
2026
2025
Seko
9,5
9,5
41,2
37,1
Netzsch
7,1
-
Schneider Motobombas 13,7
6,0
4,8
Universo 2026: 102
2025
12,5
14,8
Marca
KSB
Universo 2025: 70
Higra
10,7
11,1
15,7
Exatta
B&F Dias
5,4
-
Grundfos
6,9
10,0
Watson-Marlow
6,0
7,1
Ecosan
5,4
7,4
Ebara
5,9
5,7
Omel
4,8
7,1
-
Imbil
5,9
-
Etatron
3,6
4,8
-
Sulzer
5,9
4,3
Grundfos
2,4
4,8
Omel
3,9
-
Schneider Motobombas 2,4
2,4
Famac
2,9
5,7
WEG
2,9
-
Dancor
2,0
-
Flowserve
2,0
2,9
Xylem
2,0
2,9
Grabe Trevisan
5,4 5,4
Alfamec
3,6
-
Aquamec Albriggs
3,6
7,4
Emicol
3,6
3,7
Decanters Universo 2026: 54 Marca
2026
2025
Pieralisi
22,2
22,2
Andritz
11,1
-
Alfa Laval
9,3
22,2
GEA
9,3
-
Alfamec
7,4
-
Gratt
5,6
11,1
Fast Seinco
3,7
5,6
Marca
Universo 2026: 59 Marca
Universo 2025: 25 Indicações (%) 2026
2025
Indicações (%) 2026
2025
13,3 11,7 21,7 16,7 5,0 6,7 6,7 3,3
Filtros Marca
Estações compactas de tratamento de efluentes
Universo 2025: 60
Ebara 20,0 Sulzer 17,9 Schneider Motobombas 16,8 KSB 13,7 Dancor 6,3 Xylem 6,3 Grundfos 4,2 Famac 2,1 Higra 2,1 Lepono 2,1 SPV 2,1
Universo 2026: 45
Universo 2025: 18 Indicações (%)
Universo 2026: 95
Indicações (%) 2025
Indicações (%) 2026
Universo 2025: 42 2026
Bombas centrífugas Universo 2025: 27
Bombas submersas
Bombas dosadoras
Pesquisa
Fusati Aquamec Albriggs Filtros Barra Azud Pentair Veolia
Universo 2025: 25 Indicações (%) 2026
2025
15,6 6,7 4,4 4,4 4,4 4,4
20,0 12,0 4,0 4,0
Estações compactas de tratamento de água
Alfamec
8,5
12,0
DAS
5,1
8,0
Universo 2026: 56
Gratt
5,1
4,0
Indicações (%)
Sanevix
5,1
4,0
2026
2025
Acqualimp
3,4
-
12,0
Althea
3,4
-
Huber
15,2
8,3
Águas Claras
3,4
4,0
Prominas
8,7
12,5
Ecosan
3,4
-
Fast Seinco
3,4
8,0
Fusati
3,4
-
Marca
Aquamec Albriggs
Universo 2025: 25
8,9
Fusati
8,9
12,0
Alfamec
7,1
8,0
7,1
8,0
Flottweg
3,7
11,1
Veolia
Lindner Techno
3,7
-
Gratt
5,4
4,0
Paques
3,4
-
Riedel
3,7
-
Ecosan
3,6
8,0
Veolia
3,4
-
Gradeamento e pré-tratamento Universo 2026: 46 Marca
Universo 2025: 24 Indicações (%) 2026
2025
Aquamec Albriggs
6,5
25,0
Ecosan
6,5
-
Fusati
6,5
-
Sigma
6,5
-
Gratt
4,3
-
Sanecom
4,2
4,2
Hydro • Julho/Agosto 2026
Hidrômetros Universo 2026: 52 Marca
LAO Hidrometer Saga Conaut Itron
Universo 2025: 47 Indicações (%) 2026
2025
38,5 25,0 9,6 7,7 7,7
44,7 6,4 8,5 4,3 2,1
Produtos para osmose reversa Universo 2026: 40 Marca
DuPont/Dow Toray Fusati Aflux
Universo 2025: 16 Indicações (%) 2026
2025
27,5 12,5 7,5 5,0
16,7 11,1 -
Sopradores Universo 2026: 47 Marca
Universo 2025: 23 Indicações (%) 2026
2025
Atlas Copco
19,1
17,4
Omel
19,1
4,3
Aerzen
10,6
17,4
Kaeser
10,6
Vazflux
10,6
Membranas de ultrafiltração
Produtos para desaguamento de lodo
Universo 2026: 46
Universo 2026: 33
Marca
Universo 2025: 19 Indicações (%) 2026
2025
DuPont/Dow
21,7
5,3
Toray
15,2
15,8
Veolia
15,2
21,1
Aflux
13,0
5,3
Produtos químicos para tratamento de água Universo 2026: 50 Marca
Universo 2025: 31 Indicações (%) 2026
2025
18,0
9,7
Kurita
8,0
-
Kemira
6,0
3,2
Veolia
6,0
9,7
Buschle
4,0
3,2
Bauminas
Sabará
Marca
4,0
6,5
Indicações (%) 2026
2025
Gardner Denver
8,5
-
8,7
B&F Dias
6,4
-
-
EB
4,3
4,3
Marca
Andritz Alfa Laval Pieralisi SNF
Universo 2025: 16 Indicações (%) 2026
2025
12,1 6,1 6,1 6,1
6,2 6,2 6,2
19
Tubos Universo 2026: 91 Marca
Tigre
Universo 2025: 58 Indicações (%) 2026
2025
56,0
50,0
Amanco – Wavin 14,3
13,8
Saint-Gobain
14,3
12,1
Corr Plastik
4,4
-
Produtos para impermeabilização de reservatórios
Asperbras
2,2
-
GF FGS
2,2
-
Universo 2026: 51
Krona
2,2
-
Marca
Sika Vedacit Viapol Imperveg
Universo 2025: 34 Indicações (%) 2026
2025
49,0 21,6 9,8 3,9
26,5 20,6 8,8 -
Válvulas Universo 2026: 68 Marca
Reservatórios de grande porte (acima de 30 mil litros) Universo 2026: 54 Marca
Fortlev TanksBr – Agili Tigre Bakof Dopp Kemia Luxtel
Universo 2025: 29
Universo 2025: 45 Indicações (%) 2026
2025
Bermad
22,1
17,8
Saint-Gobain
16,2
13,3
8,8
6,7
Indicações (%)
AVK
2026
2025
Tigre
5,9
4,4
24,1 9,3 9,3 5,6 3,7 3,7 3,7
17,2 6,9 13,8 3,4 6,9 3,4
Bray Controls
4,4
2,2
Deca
4,4
2,2
Docol
4,4
-
Emmeti-Sfera
4,4
-
Gemü
2,9
4,4
RTS
2,9
4,4
20
Hydro • Julho/Agosto 2026
ETA
Análise do aumento da turbidez da água decantada Iuli Theisen Andersen da Silva Escalante, Especialista em Engenharia Ambiental e Sanitária; Karoline Ducci dos Santos, Técnica em Química; e Felipe Nóbrega Jardim, Especialista em Gestão de Riscos e Tratamento de Água
Este estudo analisou as possíveis causas para a elevação da turbidez da água decantada numa ETA. Foram investigadas quatro hipóteses: alteração da temperatura da água, aumento do pH da água bruta, elevação da vazão afluente e ajuste operacional da dosagem de coagulante. O estudo concluiu que o desempenho do processo de floculação/coagulação precisa ser constantemente otimizado para manter a qualidade da água tratada e sugere a implementação de protocolos operacionais mais rigorosos.
A
ETA - Estação de Tratamento de Água Cubatão, localizada em Joinville, SC, e de responsabilidade da Companhia Águas de Joinville, é de ciclo completo, contemplando as etapas de floculação/ coagulação, decantação, filtração e desinfecção. Para cada etapa, há o monitoramento e registro de vários parâmetros físico-químicos, sendo dois deles o pH e a turbidez. Para que não haja a colmatação do meio filtrante, causando redução na taxa de filtração, os processos citados anteriormente devem ser finamente operados, com ajuste da melhor dosagem de coagu- Fig. 1 – Pontos de medição para temperatura ao lante para ocorrer a floculação/ longo do floculado coagulação e descargas de lodo frequentes nos decantadores para eviesse fenômeno, incluindo a dosagem tar ressuspensão e arraste de flocos. inadequada do coagulante. Assim, foQuando a dosagem do coagulante ram elencadas quatro principais hipótesulfato de alumínio é ajustada com ses para análise dos dados e realização base no Jar Test e na análise visual de testes, quando aplicáveis: da floculação no floculador, mas ain• Alteração da temperatura da água nas da assim ocorre aumento da turbidez unidades operacionais, criando um fluda água decantada acima de 3 NTU xo convectivo. Em dias mais quentes (parâmetro interno adotado como ine em momentos com maior incidêndicador), é necessário considerar oucia solar há maior arraste de flocos do tros fatores que podem contribuir para decantador, podendo ser causado pela
Hydro • Julho/Agosto 2026
convecção da água, devido à mudança na densidade ocasionada pelo aumento da temperatura. • Elevação do pH da água bruta. Durante o turno da tarde, observa-se uma elevação do pH da água bruta e da turbidez da água decantada. Esses fatores podem estar interligados de alguma forma em função da modificação dos processos de coagulação e floculação, que sofrem influência de parâmetros como pH, alcalinidade e turbidez. • Elevação da vazão de trabalho. A vazão afluente na estação também pode ser um dos fatores para a elevação da turbidez na água decantada, visto que o seu aumento de forma não escalonada pode criar um fluxo pistão no sistema, ressuspendendo os flocos sedimentados no decantador. Normalmente, no turno da tarde, ocorre um maior consumo de água nos reservatórios da cidade, sendo solicitado o aumento de produção de água. Essa ação ocorre em conjunto com a elevação de pH da água bruta e da turbidez da água decantada. • Ajuste operacional da dosagem de coa‑ gulante, quando há alteração das características da água bruta, como a turbidez, ou da vazão afluente. Caso seja aumentada a vazão afluente e não seja aumentada a dosagem de coagulante proporcionalmente, poderá ocorrer a má floculação e consequente aumento da turbidez da água decantada. A dosagem ótima é advinda dos resultados obtidos pela análise de Jar Test, a qual é replicada na estação. Assim, é possível manter o controle da va‑ zão afluente e o volume de dosagem de coagulante, por meio dos quais pode-se obter a concentração do coagulante (em ppm - partes por milhão) em relação ao volume de água bruta.
cantada acima de 3 NTU, investigando fatores operacionais e físico-químicos do processo de tratamento.
Metodologia Hipótese 1: Alteração da temperatura da água As medições ocorreram nos dias 5 e 6 de dezembro de 2024, sendo que no dia 5 as condições eram de céu nublado e temperatura ambiente em 27oC, e no dia 6 era de sol sem nuvens e temperatura ambiente em 30oC. Foram analisadas as temperaturas em quatro diferentes alturas para cada ponto ao longo do floculador (4 m, 2 m, 1 m e na superfície); e em duas alturas diferentes para os decantadores, sendo 1 m (encostando nas lamelas) e na superfície. A figura 1 mostra os pontos medidos e suas identificações. As temperaturas foram medidas com um oxímetro com sonda de temperatura.
Hipótese 2: pH da água bruta Foi realizada a análise gráfica das médias horárias de pH da água bruta historicamente de 2021 a 2024, para verificar os horários de aumento e redução, e também feita a correlação com a média horária histórica da turbidez da água decantada, com os dados já registrados.
Hipótese 3: Vazão afluente Foram analisadas as médias dos dados históricos de 2021 a 2024 de vazão afluente na estação, e também feita a correlação com a média horária histórica da turbidez da água decantada, com os dados já registrados.
Objetivos
Hipótese 4: Ajuste operacional da dosagem de coagulante
O artigo analisa as possíveis causas para o aumento da turbidez da água de-
Foram analisados todos os dados de aumento de vazão de 1 de janeiro
21
a 4 de março de 2025, sendo que, para cada evento, foi calculada a média da turbidez da água bruta nas últimas 24 horas do início do aumento de vazão, a diferença da turbidez da água decantada antes da alteração da vazão e duas horas após o aumento (tempo de detenção do início do processo até o final do decantador), a turbidez da água decantada duas horas após o aumento e a diferença de ppm de dosagem do coagulante antes e após o ajuste de dosagem. Considerou-se que diferenças menores que -0,5 e maiores que 0,5 no ppm de dosagem são os limitadores para esta variável, entendendo-se que essa diferença já é significativa para uma boa floculação. Também foi verificado no banco de dados se houve lançamento da análise de Jar Test por volta do horário de cada evento de aumento de vazão que pudesse confirmar a dosagem ou a diferença de dosagem obtida. Ainda foi adicionada a informação se o pré-alcalinizante estava sendo dosado ou não, pois este também tem interferência na floculação.
Análise e discussão dos resultados Hipótese 1: Alteração da temperatura da água Variações de temperatura verticais em tanques de floculação da ordem de 0,5oC ou mais são suficientes para iniciar fluxos convectivos naturais, especialmente em tanques com profundidades superiores a 3 metros [7, 9]. No presente estudo, foram observadas variações de temperatura entre 0 e 0,8oC em altura no floculador, indicando que há potencial para a formação de células convectivas. Esse efeito é potencializado se
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Hydro • Julho/Agosto 2026
ETA o gradiente vertical de temperatura for acentuado. No que tange à qualidade da floculação, a principal preocupação com a ocorrência de convecção seria a possível desorganização do crescimento dos flocos, e não a sua ressuspensão, visto que a formação de flocos ocorre em meio controladamente turbulento [3]. Em relação ao decantador, as variações de temperatura observadas entre 0 e -0,1oC são consideradas muito pequenas para gerar fluxos convectivos significativos. Em unidades de sedimentação, variações térmicas inferiores a 0,2oC geralmente não promovem movimentos de água suficientes para ressuspender flocos [1, 3]. As variações de temperatura obtidas variam a densidade na quarta casa decimal após a vírgula, não sendo significativa para ocorrer o processo de convecção. Assim, conclui-se que, no floculador, a variação térmica de 0,8oC pode permitir a ocorrência de fluxos convectivos que potencialmente interferem na formação dos flocos, embora não causem ressuspensão expressiva. No decantador, por outro lado, a variação
de -0,1oC não apresenta risco relevante de convecção ou ressuspensão de flocos.
Hipótese 2: pH da água bruta Nas análises de pH da água bruta em comparação e correlação com a turbidez da água decantada de 2021 a 2024 observa-se uma linearidade entre os parâmetros em todos os anos, com as duas curvas com comportamento muito similar, aumentando e diminuindo quase simultaneamente. Os gráficos de dispersão indicam uma correlação forte entre os dois parâmetros, mas não perfeita, pois ainda há margem de variação podendo ser em função de outros fatores ou ruídos. Uma correlação entre dois parâmetros com qualquer valor de R2 (coeficiente de determinação) acima de 0,7 já é considerada forte na maioria das áreas de estudo [5]. No entanto, apesar da forte correlação, o pH da água bruta não é corrigido operacionalmente em boa parte do tempo, sendo sua variação causada por fatores naturais do próprio rio, por exemplo a acelerada atividade fotossintética, pois o dióxido de carbono
(ácido) é consumido pelas algas, sendo liberado oxigênio. A fotossíntese é intensificada com o aumento da temperatura e da luz, pois a planta necessita de energia luminosa para realizar o ciclo de fotofosforilação e produzir ATP. Dessa forma, tem seu ápice às 12h, quando a incidência solar é maior [8]. Portanto, o pH da água bruta foi considerado como ruído de processo porque não é manipulável dentro das condições do sistema. Mesmo que tenha forte correlação com a turbidez da água decantada, o pH tem relação estatística, mas não necessariamente causalidade. Ainda se sugere um estudo futuro mais aprofundado sobre as variações de outros parâmetros físico-químico-biológicos no manancial de captação.
Hipótese 3: Vazão afluente Nas análises de vazão afluente em comparação e correlação com a turbidez da água decantada de 2021 a 2024, os valores de coeficiente de determinação (R2) obtidos (0,13; 0,02; 0,19; e 0,40) indicam que as correlações entre os parâmetros analisados são fracas a muito fracas, evidenciando
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que a variação observada em cada parâmetro não pode ser significativamente explicada pela variação do outro. Isso provavelmente se deve à estabilização do sistema após o período de aumento de vazão. Visto isso, a análise da hipótese 4 foi realizada.
Tab. I – Análise descritiva dos dados com classificação S para turbidez da água decantada maior ou igual a 3 NTU e N para turbidez menor que 3 NTU. Fonte: elaboração própria [10] Dec > Diferença Turbidez bruta Diferença turbidez Diferença ppm Turbidez dec 3 NTU vazão média 24h dec antes e depois dosagem sulfato 2h depois N 198 198 198 198 198 N S 34 34 34 34 34 N 65,7 10,4 -0,105 -0,240 1,01 Média S 83,9 31,5 2,47 -0,331 5,40 N 54,0 4,40 0,0500 -0,172 0,840 Mediana S 60,5 20,0 2,23 -0,217 4,44 N 56,0 17,1 0,893 0,678 0,659 Desvio padrão S 59,0 30,2 3,55 0,817 3,11 N 11 1,72 -4,43 -4,56 0,210 Mínimo S 18 3,70 -6,35 -3,66 3,02 N 385 132 1,90 2,03 2,99 Máximo S 272 111 14,0 1,12 17,0
Hipótese 4: Ajuste operacional da dosagem de coagulante Há diferenças de vazão altas, associadas a diferenças de ppm de dosagem também altas. Ainda pode-se perceber que há poucos resultados de Jar Test lançados no sistema. Quanto à dosagem de pré-alcalinizante, há
poucos eventos para conclusões acerca de sua influência direta nos eventos em questão. Os eventos de aumento de vazão que causaram maiores diferenças de turbidez na água decantada, antes e após o evento, estão associados à elevação da turbidez da água bruta. Então, foi feita uma análise estatística descritiva dos dados no programa Jamovi, que utiliza a base de cálculo
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do programa R, classificados quanto à turbidez da água decantada (ponto central do estudo), em “S” (sim) para turbidez maior ou igual a 3 NTU e “N” (não) para turbidez menor de 3 NTU (tabela I). Pela quantidade de dados descrita na primeira linha da tabela I, tem-se apenas 14,65% dos eventos de aumento de vazão associados à turbidez da água decantada maior que 3 NTU. Este fato isolado já indica que nem todo aumento de vazão causará um aumento além do limite máximo da turbidez da decantada. Como os dados apresentam um desvio padrão elevado em ambas as
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ETA classificações, a análise das medianas de cada variável torna-se mais apropriada e pode-se concluir que: • Apesar de uma diferença pequena, a mediana da diferença de vazão afluente é maior quando há turbidez da água decantada maior que 3 NTU (S). • A mediana da turbidez bruta média nas 24 horas anteriores aos eventos de aumento de vazão é 4,5 vezes maior quando há turbidez da água decantada maior que 3 NTU (S). Isso indica que, quanto maior a turbidez da água bruta, maior o impacto de um aumento de vazão neste parâmetro. • Tanto a mediana da diferença da turbidez da decantada antes e depois do aumento de vazão quanto a mediana da turbidez da decantada 2 horas após o evento são maiores quando há turbidez da água decantada maior que 3 NTU (S), sendo 44 vezes maior na diferença de turbidez antes e depois e 5,28 vezes maior para a turbidez 2 horas depois. • A média e a mediana da diferença de ppm de dosagem aparentemente não são muito diferentes, mas ambas são negativas e para quando a turbidez da água decantada é maior que 3 NTU (S),
a dosagem é 1,26 vez menor do que quando a turbidez da decantada é menor que 3 NTU. A dosagem mínima observada para “S” foi de -3,66, indicando que, no momento em que seria necessário um ajuste mais preciso da dosagem devido à alteração de vazão, ela estava quase quatro vezes menor do que o valor anterior.
Conclusões Este estudo analisou as possíveis causas para a elevação da turbidez da água decantada na ETA - Estação de Tratamento de Água Cubatão de Joinville, SC acima de 3 NTU. Foram investigadas quatro hipóteses principais: alteração da temperatura da água nas unidades operacionais, aumento do pH da água bruta, elevação da vazão afluente e ajuste operacional da dosagem de coagulante. A análise realizada permitiu identificar que o aumento da turbidez da água decantada acima do limite interno de 3 NTU está associado a uma combinação de fatores operacionais e características naturais da água bruta.
Em relação à hipótese da alteração da temperatura da água, observou-se que, embora existam pequenas variações térmicas no floculador que podem permitir a formação de fluxos convectivos, estes não são suficientemente intensos para causar ressuspensão de flocos no decantador. Dessa forma, a influência da temperatura é considerada marginal para os eventos de aumento de turbidez observados. Quanto à elevação do pH da água bruta, foi constatada uma forte correlação estatística com a turbidez da água decantada. No entanto, por tratar-se de uma variável não controlável operacionalmente, podendo estar relacionada a fenômenos naturais como a atividade fotossintética no rio, o pH foi tratado como um ruído de processo e não como causa direta da elevação da turbidez. A análise da vazão afluente demonstrou correlação fraca com a turbidez da água decantada ao considerar médias históricas, indicando que o simples aumento de vazão não explica, de forma isolada, os episódios de turbidez elevada. Por fim, na hipótese de ajuste operacional da dosagem de coagulante, os dados apontaram
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que eventos de aumento de vazão associados à turbidez elevada da água decantada ocorreram, em sua maioria, quando a turbidez da água bruta era mais alta e a dosagem de coagulante não foi proporcionalmente ajustada. Observou-se também a escassez de registros de análises de Jar Test, indicando uma oportunidade de melhoria na validação da dosagem aplicada. Portanto, o ajuste da dosagem de coagulante em função das características da água bruta e da vazão afluente mostra-se como fator crítico para garantir a eficiência da decantação. Conclui-se que a manutenção da qualidade da água decantada dentro dos padrões desejáveis depende fundamentalmente da resposta operacional rápida e eficaz às mudanças nas condições da água bruta, principalmente quanto ao ajuste da dosagem de coagulante. Recomenda-se o fortalecimento dos protocolos de monitoramento e ajuste operacional, especialmente durante eventos de aumento de vazão associados de elevação da turbidez da água bruta. A referida metodologia e seus resultados explicitados neste trabalho contribuem para assegurar eficiência e eficácia dos serviços de abastecimento de água, garantindo água potável e disponível.
Referências [1] Crittenden, John C. et al. Water Treatment: Principles and Design. 3a Ed. Hoboken: John Wiley & Sons, 2012. [2] Di Bernardo, L; Dantas, A.D.B.; Voltan, P.E.N. Tratabilidade de água e dos resíduos gerados em estações de tratamento de água. São Carlos: LDiBe, 2011. [3] Edzwald, James K. (org.). Water Quality & Treatment: A Handbook on Drinking Water. 6a ed. New York: McGraw-Hill, 2011. [4] Filho, S.S.F. Tratamento de água: concepção, projeto e operação de estações de tratamento. Rio de Janeiro: Grupo Editorial Nacional, 2020. [5] Hair, Joseph F. et al. Análise multivariada de dados. 7a ed. Porto Alegre: Bookman, 2019. [6] Handbook of Chemistry and Physics, CRC press, Ed. 64. Tabela de densidades da água de acordo com a temperatura. [7] Incropera, Frank P.; Dewitt, David P. Fundamentals of Heat and Mass Transfer. 7a ed. Hoboken: John Wiley & Sons, 2011. [8] Kluge, R.A.; Tezotto-Uliana, J. V.; da Silva, P. P. M. Aspectos Fisiológicos e Ambientais da Fotossíntese. Revista Virtual de Química, vol. 7, no 1, 2014. [9] Metcalf & Eddy, Inc. Wastewater Engineering: Treatment and Resource Recovery. 5a ed. New York: McGraw-Hill Education, 2014. [10] The Jamovi Project. Jamovi (Version 2.4) [Computer Software]. 2025. Disponível em https://www.jamovi.org.
Devido à limitação de espaço, o trabalho foi reduzido e adaptado. A versão original pode ser acessada nos anais eletrônicos do 36º Encontro Técnico AESabesp/Fenasan - Congresso Nacional de Saneamento e Meio Ambiente, realizado de 21 a 23 de outubro de 2025, em São Paulo.
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Qualidade da água
Diagnóstico do lançamento de efluentes industriais na Lagoa da Pampulha Lisliene de Alcântara dos Santos, Jaielle Rodrigues Nascimento, Lucas Vinícius Marciano de Oliveira, Victor Ferreira Soares Marques, Fernando Rodrigues da Silva e Camila Costa de Amorim, da UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais
Patrimônio histórico e um dos cartões postais da Região Metropolitana de Belo Horizonte, MG, a Lagoa da Pampulha sofre com a poluição proveniente do crescimento urbano e industrial desordenado. A caracterização das principais fontes poluidoras, aliada à proposição de medidas técnicas e regulatórias para o controle desses lançamentos, constitui um passo fundamental para a recuperação da qualidade da água e a sustentabilidade da bacia hidrográfica.
A
intensificação do processo de urbanização no Brasil impõe sérios desafios à gestão ambiental. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, MG, a Bacia Hidrográfica da Lagoa Pampulha (BHLP) constitui um exemplo expressivo dos impactos negativos da urbanização desordenada sobre os recursos hídricos. Compartilhada pelos municípios de Belo Horizonte e Contagem, a unidade territorial tem sofrido transformações expressivas desde meados do século XX. Os danos ambientais acumulados na região demonstram infraestrutura sanitária deficitária em diversos aspectos ambientais, agravada pela ausência de controle efetivo das cargas poluidoras afluentes à BHLP. Entre os principais vetores de contaminação estão, além do esgoto doméstico, os efluentes industriais, que são descartados, corriqueiramente, com elevada carga orgânica e de substâncias químicas potencialmente tóxicas, metais e metaloides, solventes e outros poluentes orgânicos persistentes [3].
A fim de mitigar os impactos causados pelos efluentes industriais e comerciais, a Copasa - Companhia de Saneamento de Minas Gerais instituiu, em 2003, o Precend - Programa de Recebimento e Controle de Efluentes Não Domésticos. O programa tem como objetivo monitorar e regulamentar os lançamentos de efluentes não domésticos na rede municipal, assegurando o cumprimento de padrões técnicos e legais. Nesse contexto, torna-se essencial compreender as contribuições dos efluentes industriais para a degradação da BHLP, considerando suas composições específicas e os impactos do lançamento inadequado nos corpos hídricos. A caracterização das principais fontes poluidoras, aliada à proposição de medidas técnicas e regulatórias para o controle desses lançamentos, constitui um passo fundamental para a recuperação da qualidade da água e a sustentabilidade da bacia hidrográfica.
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Objetivos Avaliar as contribuições de efluentes industriais para os cursos d’água da Bacia Hidrográfica da Pampulha, em Contagem, MG, com a identificação das principais fontes de poluição e a proposição de estratégias para a melhoria da qualidade da água.
Metodologia A BHLP possui área de contribuição de 96 km2, sendo 57% localizada no município de Contagem e 43% em Belo Horizonte. Contém 507 nascentes, 56% delas em Contagem e 44% em Belo Horizonte [5]. O reservatório, conhecido como Lagoa da Pampulha, cartão postal de Belo Horizonte, integra o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, patrimônio tombado pela Unesco, e recebe contribuição de oito afluentes diretos. Quatro deles são responsáveis por 98,2% da vazão de abastecimento da lagoa: Bom Jesus e Sarandi (Contagem); e Ressaca e Água Funda (Belo Horizonte) [6]. O município de Contagem é um dos principais polos industriais do Estado e do Brasil, alcançando o terceiro maior PIB mineiro. Conforme dados do IBGE [4], possui 621.863 habitantes e aproximadamente 30,5 mil empresas, abrigando setores industriais diversificados (metalurgia, alimentos, química, automobilística e centros de distribuição). O esgotamento sanitário no município é realizado pela Copasa. Conforme SNIS (2022) [1], o índice de coleta de esgoto é de 74,71%, sendo que o total coletado é tratado. Segundo o Código Sanitário Municipal (LC no 103/2011), todo empreendimento instalado em local com rede coletora de esgoto operada pela concessionária deve conectar-se à rede. No entanto, não é o que acontece na prática,
com lançamento de esgoto em estações de tratamento particulares, ou ainda, em fossas rudimentares (fossa negra). Segundo a Copasa [2], a área que apresentou o pior Índice de Qualidade da Água (IQA) em 2023 foi a microbacia hidrográfica do Córrego São João. Portanto, escolheu-se essa área como desenvolvimento inicial deste estudo. Além disso, essa microbacia abriga as nascentes mais a jusante da BHLP, em uma região predominantemente industrial.
Obtenção e análise de dados Este estudo foi estruturado em duas etapas principais: a primeira consistiu na análise de dados provenientes das fontes institucionais: IGAM - Instituto Mineiro de Gestão das Águas, Semad-MG - Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais, Semad/ Contagem - Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Contagem e Copasa. Realizou-se, portanto, o levantamento da rede de monitoramento da qualidade da água e dos pontos de lançamento de efluentes, com foco nos efluentes industriais e na identificação de possíveis contribuições pontuais de poluição. A qualidade da água na BHLP também foi avaliada. A segunda etapa compreendeu a coleta e análise de dados primários, com ênfase na porção situada no município de Contagem. A rede de monitoramento estadual (IGAM) é composta por 17 pontos, sendo três localizados na Lagoa da Pampulha e 14 nos tributários (10 pontos em Belo Horizonte e 4 em Contagem). A Copasa monitora 21 pontos na BHLP, com 8 pontos em Contagem.
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Foi utilizado o software RStudio (versão R 4.3.3) para análise de dados da série histórica de 2012 a 2024 dos pontos PV005 e PV037, que correspondem à nascente e foz do Córrego São João, respectivamente. Das 44 amostragens para o PV005, 23 foram realizadas no período chuvoso e 21 na estiagem. Para o PV037, foram 45 amostragens, sendo 22 no período de estiagem e 23 no chuvoso. Na segunda etapa, foram coletados dados primários por meio de visitas técnicas aos empreendimentos em Contagem, área da BHLP. Para isso, foram utilizados dados da Copasa que identificam os empreendimentos comerciais e industriais localizados na região. Este banco de dados contém informações sobre a matrícula dos imóveis, o fornecimento de água e a coleta de esgoto. Esses empreendimentos foram classificados de acordo com três categorias: • EDC - Esgoto Dinâmico Coletado, para imóveis com esgoto coletado, mas sem tratamento; • EDT - Esgoto Dinâmico Tratado, para imóveis com esgoto coletado e direcionado para tratamento; e • ND - Esgoto Não Dinâmico, para imóveis sem coleta de esgoto, cujos efluentes podem ser direcionados a fossas ou à rede de drenagem pluvial. Imóveis classificados como ND foram selecionados a fim de identificar fontes de poluição na microbacia hidrográfica, tendo sido priorizados os imóveis com consumo elevado de água, pois estes podem, teoricamente, lançar efluentes diretamente nos cursos d’água de maneira inadequada. Para esses empreendimentos, foram realizadas consultas junto à Semad de Contagem para verificar o estado de regularização ambiental e identificar possíveis autuações. Visitas técnicas permitiram avaliar a geração
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Qualidade da água
Empreendimentos na Pampulha, Contagem (MG) 50 45
Resultados e discussão Com relação aos dados de oxigênio dissolvido (OD), pôde-se observar que, no PV005, os valores são mais elevados, apresentando mediana de 4,4 mg/L e valor máximo de 9 mg/L, no período chuvoso, com menor variação ao longo do tempo, sem diferença sazonal significativa. Já o PV037 apresenta valores reduzidos de OD, com mediana de 1,9 mg/L em períodos de estiagem e 2,5 mg/L em período chuvoso – ambas as estações apresentaram valores mínimos de 0,5 mg/L. Houve diferença significativa (p < 0,05) para o período de estiagem das estações monitoradas, ao passo que para o período chuvoso não há diferença significativa entre as estações. Ou seja, em período chuvoso, o aumento da vazão do curso d’água influencia positivamente nos valores de OD, possivelmente pela maior capacidade de diluição das fontes pontuais e difusas de poluição, bem como aumento da turbulência no corpo hídrico, o que melhora a oxigenação. Para a matéria orgânica, foram observados valores baixos de DBO - Demanda Bioquímica de Oxigênio, com mediana de 4,1 mg/L e DQO - Demanda Química de Oxigênio, com mediana de 32 mg/L no PV005, para períodos de estiagem. Por outro lado, o PV037 apresentou valores críticos de DBO, com mediana de 109 mg/L, e picos acima de 150 mg/L, em 31,8% das amostras para o período de estiagem. Para esse ponto de monitoramento, a me-
diana de DQO foi de % total de empreendimentos 40 267,8 mg/L, com picos % ND 34 35 % PRECEND acima de 400 mg/L, 30 para cerca de 41% das 28 26 25 amostras analisadas no 25 período de estiagem. 20 18 17 Para ambos os parâ15 13 13 12 metros, foram verifi10 9 10 cadas diferenças sig8 7 7 7 6 4 5 nificativas (p < 0,05) 3 3 2 entre os períodos de Cabral João Gomes Luiza São João Nacional Muniz Bom Jesus estiagem e chuvoso. Microbacia De modo geral, este cenário pode indicar o Fig. 1 – Empreendimentos na Bacia Hidrográfica da Lagoa da Pampulha, trecho de Contagem. ND - Esgoto Não Dinâmico despejo de efluentes (destino desconhecido); Precend - Programa de Recebimento domésticos e efluen- e Controle de Efluentes Não Domésticos tes não domésticos (ENDs). Na perspectiva do despejo O parâmetro fenóis totais indica a de ENDs sem o devido tratamento, ocorrência desses compostos químicos há elevado potencial da presença de no PV037. As possíveis fontes são o lanpoluentes recalcitrantes, como comçamento de ENDs, degradação de mapostos químicos industriais. Ademais, teriais plásticos devido aos despejos urbanos e possíveis vazamentos de comno PV037, os valores elevados de DBO bustíveis. Outros fatores de destaque e DQO resultam no consumo de OD, são os metais e metaloides, como chumcorroborando os valores críticos obserbo total, cromo total e zinco total, que vados para esse ponto. Em relação aos parâmetros turbiapresentaram maiores concentrações durante o período de estiagem, com dez, sólidos dissolvidos totais (SDT), diferença significativa (p < 0,05) para sólidos suspensos totais (SST) e sóos dois últimos parâmetros analisados. lidos totais (ST), constataram-se valoEmbora o PV005 apresente melhor res dentro dos limites estabelecidos pela Resolução Conama 357/05 para qualidade de suas águas, observaram-se os pontos monitorados. A exceção foi valores elevados para os parâmetros cor o PV037, em que foram identificados verdadeira e ferro dissolvido, amostras com detecção de fenóis totais, mangavalores de SST superiores a 100 mg/L nês, zinco e chumbo acima dos limites (limite legal), para ambos os períodos. legais, além da presença de óleos e Foram verificadas diferenças significativas (p < 0,05) entre os períodos de esgraxas, o que corrobora a existência de tiagem e chuvoso, para ambos os ponintervenção antrópica no curso d’água, provavelmente devido ao lançamento tos de monitoramento. Os valores de de esgoto doméstico e/ou industrial. condutividade elétrica (CE) no PV005 estão dentro da faixa característica de Neste sentido, observa-se que a águas naturais (150 ±50 µS/cm). Já o microbacia hidrográfica do córrego São João detém a segunda maior porcenPV037 apresentou valores de mediana tagem (26%) de empresas cujo despara CE de 581,5 µS/cm para o períotino final dos efluentes líquidos não é do de estiagem e 526,3 µS/cm para o período chuvoso, constatando-se indíconhecido pela concessionária ou pela municipalidade (figura 1). Além disso, cios de poluição orgânica e inorgânica. % empreendimentos
de Efluentes Não Domésticos (ENDs), os sistemas de tratamento utilizados e seus pontos de lançamento. Além disso, consultas à Copasa foram feitas para avaliar a viabilidade de ligação à rede de esgoto já existente ou em processo de implantação.
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Qualidade da água observa-se que essa é a microbacia hidrográfica com o maior percentual de empreendimentos já aderidos ao Precend (46%), embora seja a quarta microbacia hidrográfica em número de empresas. Na porção da BHLP situada em Contagem, foram elencados 6947 imóveis comerciais e industriais possíveis geradores de ENDs. Na microbacia hidrográfica do Córrego São João, foi identificado um total de 912 empreendimentos (figura 2). Destes, aproximadamente 13% (117) não estão conectados à rede coletora de esgotos e têm a destinação final desconhecida (ND). Empreendimentos na microbacia do Córrego São João N° de empreendimentos
1000
912
800 600 400 200
117
68
0
14
São João Total
PRECEND
ND
Vistoriados
Fig. 2 – Número e situação do esgotamento dos empreendimentos situados na microbacia do São João
Em outubro e novembro de 2024 foram visitados 14 empreendimentos na microbacia hidrográfica analisada. Dois dispunham de fossa séptica, dois apresentavam fossa e lançamento dos ENDs diretamente em rede pluvial e outros cinco apresentavam fossa negra, em desconformidade com a legislação vigente. Na ocasião, os empreendimentos foram notificados a regularizar o lançamento e autuados pela Semad de Contagem.
Conclusões e recomendações A análise estatística da série histórica do IGAM para os pontos PV005 e PV037 e os dados primários confirmam a presença de poluição hídrica industrial no córrego São João, afluente da BHLP em Contagem. Sugere-se a continuidade das visitas aos empreendimentos para averiguar a destinação dos efluentes e ações de educação ambiental junto às indústrias. Recomenda-se, também, avaliar o mapeamento de áreas contaminadas junto ao órgão ambiental estadual correlacionando com eventuais fontes de poluição hídrica. A ampliação da rede de coleta de esgoto pela companhia de saneamento faz-se necessária para prover o
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esgotamento aos empreendimentos ainda identificados como ND. Além disso, sugere-se intensificar ações de vistorias pela Copasa e Semad de Contagem para identificar empreendimentos passíveis de ingresso ao Precend, bem como ações de fiscalização, principalmente em relação aos ENDs, investigar indústrias a montante do PV037 e analisar sedimentos, uma vez que metais como o zinco podem se acumular no leito dos córregos. No que tange à rede de monitoramento, sugere-se alterar a frequência de trimestral para mensal, principalmente no período de estiagem para o PV037, e avaliar a implantação de outros pontos ao longo do trecho existente na microbacia, uma vez que a distância entre o PV005 e o PV037 é de aproximadamente 7 km. Há outros cursos d’água e nascentes ao longo
do percurso que não estão contemplados nos monitoramentos realizados pelo IGAM. Ressalta-se que o ponto de monitoramento existente no trecho em questão, operado pela Copasa, já indica baixa qualidade da água.
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Águas na sub-bacia do Ribeirão Pampulha 2023. Belo Horizonte: IGAM, 2024. [6] Lima, G.A.; Assis, N.G.; Ibrahim E.R.B. Diagnóstico dos córregos de influência direta da lagoa da Pampulha com base nos requisitos do código florestal brasileiro por meio da utilização das ferramentas do SIG. VII Congresso Brasileiro De Gestão Ambiental, 2016, Campina Grande, PB.VII ConGeA. 2016. [7] Minas Gerais. Secretaria de Estado de Meio Am-
Referências
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fica do Rio das Velhas. Belo Horizonte: Semad.
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[2] Copasa. 6o Relatório Trimestral do Plano de
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de 2022. Diário do Executivo – Minas Gerais.
[3] Guerra, Roberta et al. Water analysis| indus-
Belo Horizonte, 2 dez. 2022.
trial effluents. In: Encyclopedia of Analytical Science Edition: (Second Edition). Elsevier, 2005. [4] Instituto Brasileiro de Geografia e Estatís-
Por motivo de espaço, este trabalho foi resumido. O conteúdo original pode ser acessado nos
tica (IBGE). Contagem: panorama. Rio de
anais do 33º Congresso Brasileiro de Engenharia
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Sanitária e Ambiental, promovido pela ABES em
[5] Instituto Mineiro de Gestão das Águas. Relatório de Avaliação da Qualidade das
paralelo com a Fitabes, no período de 25 a 28 de maio de 2025, em Brasília, DF.
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Estudo de caso
Análise da eficiência energética em usinas FV no saneamento Mariele Corrêa dos Reis Maia, Coordenadora Técnica de Projetos no SAAE - Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Passos, MG
A A crescente demanda por energia elétrica no setor de saneamento básico, associada à necessidade de reduzir os custos operacionais e os impactos ambientais, tem impulsionado a adoção de fontes renováveis, como a energia solar. Este estudo analisa a viabilidade técnica, econômica e ambiental da geração distribuída por meio da implantação de usinas fotovoltaicas no SAAE de Passos, MG.
prestação dos serviços de saneamento básico demanda elevado consumo de energia elétrica, o qual tende a aumentar com a implementação das metas de universalização. Em 2021, o setor consumiu aproximadamente 12,87 bilhões de kWh, configurando a energia elétrica como o Fig. 1 – Módulos fotovoltaicos em um das unidades segundo maior custo opeviço Autônomo de Água e Esgoto de racional das concessionárias, sendo Passos, MG. É avaliado o potencial de superado apenas pelas despesas com redução dos custos operacionais com pessoal. energia elétrica, além da mitigação dos Nesse contexto, a energia solar foimpactos ambientais relacionados às tovoltaica tem se destacado no Brasil emissões de gases de efeito estufa e como alternativa promissora, por ser compatibilidade técnica da integração uma fonte limpa e renovável, contridos sistemas fotovoltaicos às infraesbuindo não apenas para a diminuição truturas existentes. dos custos operacionais, mas também para o fomento à geração autônoma e avanço tecnológico.
Metodologia
Objetivos Este artigo analisa a viabilidade de implantação de uma usina de geração distribuída de energia solar fotovoltaica em estruturas do SAAE - Ser-
O SAAE Passos, situado na região sudeste de Minas Gerais, contempla 39 unidades (UCs) consumidoras de energia classificadas nas categorias: captação de água, elevatórias, ETAs - Estação de Tratamento de Água e ETEs - Esta-
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Tab. I – Caracterização das usinas do SAAE de Passos, MG Etapa 1 Etapa 2 Usina I Usina I Usina IV Usina V Sede Usina II ETE Usina III ETA TOTAL Elevatória Elevatória Almox.|Man. Adm. Usina (kWp) 110,16 110,16 54,87 66,12 28,5 58,14 427,95 76 × 570 W + 439 × 510 W + o N de placas 216 × 510 W 216 × 510 W 116 × 570 W 50 × 570 W 102 × 570 W 7 × 510 W 344 × 570 W Tarifa Cemig ~R$ 0,56 ~R$ 0,96 ~R$ 0,56 ~R$ 0,56 ~R$ 0,96 ~R$ 0,96 Geração média 166.320 166.320 82.920 92.800 42.066 79.535 629.961 anual (kWh) Economia média 93.139,20 159.667,20 46.435,02 51.968,00 40.383,36 76.353,60 467.946,38 anual (R$)
ções de Tratamento de Esgoto. Alguns reservatórios apresentam consumo energético, porém, devido ao baixo valor, foi considerado irrelevante quando comparado às demais unidades. Para implantação das usinas fotovoltaicas foi efetuado um estudo de junho de 2018 a junho de 2019. Nesse período, a média anual de consumo de energia elétrica das 39 UCs foi de aproximadamente 7256 MWh, com custo estimado de R$ 4,2 milhões no ano, configurando-se como a segunda maior despesa financeira da autarquia. Com intuito de reduzir esse custo e minimizar os impactos ambientais para suprir a demanda energética do sistema, a instalação de usinas fotovoltaicas conectadas à rede apresenta-se como estratégia de fonte renovável. Em novembro de 2022, o
SAAE investiu cerca de R$ 3,4 milhões na contratação de uma empresa especializada no fornecimento e instalação de sistemas fotovoltaicos. A implantação foi realizada de forma parcelada e em locais distintos, abrangendo todo o conjunto necessário para a geração de energia solar. O projeto incluiu módulos fotovoltaicos, estruturas de fixação, inversores, quadros elétricos, padrões e cabines elétricas, tubulações, geradores, transformadores, além de sistemas de sensoriamento e telemetria. Também fez parte do escopo a aprovação dos projetos junto
à Cemig - Companhia Energética de Minas Gerais. O sistema tem uma potência instalada de 427,68 kWp. Para otimizar a eficiência dos módulos fotovoltaicos e atender às unidades de maior consumo de energia, foram selecionadas cinco áreas estratégicas, com a quantidade de módulos necessária para cada uma (tabela I). A instalação das usinas fotovoltaicas teve início em novembro de 2022, de forma escalonada, com as primeiras unidades entrando em operação em meados de setembro de 2023. A conclusão total do siste-
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Estudo de caso ma contratado ocorreu em janeiro de 2025. A análise dos procedimentos de investimento, dos desafios enfrentados e da viabilidade técnica, econômica e ambiental foi baseada nos dados referentes ao ano de 2024. Para validar economicamente o modelo fotovoltaico implantado, foram considerados fatores como o montante investido, os custos operacionais, o retorno financeiro e outros indicadores de desempenho. A seguir, serão detalhadas as ferramentas utilizadas na avaliação.
Fluxo de caixa O fluxo de caixa (FC) representa a diferença entre as entradas e saídas de capital em um determinado período, conforme equação abaixo. Essa ferramenta pode ser aplicada tanto à análise de movimentações financeiras passadas quanto à projeção de cenários futuros, proporcionando uma base sólida para a avaliação da viabilidade econômica do sistema fotovoltaico. FC = Inn – Outn
Taxa mínima de atratividade A taxa mínima de atratividade (TMA) é um parâmetro fundamental na análise de investimentos, pois representa a rentabilidade mínima esperada para que o projeto seja considerado viável. No contexto da análise das usinas fotovoltaicas do SAAE Passos, a definição da TMA foi essencial para a aplicação dos indicadores econômicos, como o valor presente líquido (VPL) e a taxa interna de retorno (TIR). O valor presente líquido (VPL) representa o retorno financeiro de um investimento futuro, trazido a valor presente por meio de uma taxa de desconto. Para seu cálculo, é necessário elaborar o fluxo de caixa do projeto e aplicar a taxa mínima de atratividade (TMA), também chamada de taxa de desconto (TD), a qual reflete o custo de oportunidade do capital investido. Um VPL positivo indica que o investimento tende a gerar retorno superior ao mínimo exigido, evidenciando sua viabilidade econômica.
Em que: Inn: entrada de dinheiro no período n Outn: saída de dinheiro no período n
N
VPL = n=0
FCn (1 + TMA)n
Em que: • FC: fluxo de caixa no período n • TMA: taxa mínima de atratividade • n: período total Se o VPL for superior a zero, significa que o investimento é viável, ou seja, há um retorno financeiro positivo. Se for inferior a zero, o investimento não é financeiramente viável. Quando o VPL for igual a zero, o investimento atinge o equilíbrio econômico, sem gerar lucro ou prejuízo financeiro.
Taxa interna de retorno A taxa interna de retorno (TIR) representa a taxa de retorno esperada de um investimento. Esse índice iguala o valor de entrada ao valor de saída do investimento. Para calcular a TIR, é necessário ter conhecimento sobre o FC e a TMA. Diferente do VPL, que gera resultados em termos absolutos, a TIR fornece resultados em unidades relativas. Por isso, as empresas utilizam esse índice para tomar decisões sobre a viabilidade de um investimento. A TIR leva em conta o valor do dinheiro no tempo, o que a torna mais robusta do que métodos que não consideram essa variável [5].
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3 979ä6-3 *%> 73>-2,3 % 1%298)2¦ß3 %463<-1%(%1)28) < 436 %23 w RÄS à TVIGMWS VIXVSPEZEKIQ w YWE GPSVS IQ TEWXMPLE w XIQ QYMXS QEMW ZE^ÄS I TVIWWÄS HS UYI SW IUYMTEQIRXSW GSRZIRGMSREMW w EGMSREQIRXS EYXSQÉXMGS w HIWPMKE EYXSQEXMGEQIRXI RE JEPXE HI ÉKYE w YXMPM^E XSQEHE Z GSQYQ w SGYTE YQ IWTE£S HI Q \ Q w RÄS TVIGMWE QSRXEKIQ RE SFVE FEWXE MRXIVPMKE PS TSMW NÉ ZIQ TVSRXS w KEVERXME IWXIRHMHE VIYWEKYE$VIYWEKYE GSQ FV XIP ττ [[[ VIYWEKYE GSQ FV
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Payback O payback (PB) é um indicador que representa o tempo necessário para que o valor acumulado dos retornos financeiros se iguale ao montante inicialmente investido. Embora seja uma ferramenta útil para análise preliminar de risco e liquidez, o método tradicional não considera o valor do dinheiro no tempo, o que pode comprometer a precisão da avaliação econômica. Para superar essa limitação, utiliza-se o payback descontado, que calcula o período em que a soma dos fluxos de caixa (FC), atualizados por uma taxa de atratividade, torna-se equivalente ao valor do investimento inicial [3]. A utilização do PB descontado torna a análise mais realista, especialmente em projetos de longo prazo. Para que o investimento seja considerado eco-
nomicamente viável por esse critério, o tempo de retorno descontado deve ser inferior ao limite previamente estabelecido. PB = FC / (1+ I)n Em que: • FC: fluxo de caixa • I: TMA em números decimais • n: número de períodos A análise de viabilidade ambiental foi conduzida com base na contribuição para a redução da emissão de gases de efeito estufa, por meio da quantificação das emissões evitadas com a implantação do sistema fotovoltaico. A avaliação da eficiência energética considerou, ainda, as perdas de água, uma vez que os processos de captação, tratamento e transporte também representam consumo energético suscetível a perdas.
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A análise normativa para a implantação de sistemas fotovoltaicos consiste na verificação do cumprimento das legislações e normas técnicas aplicáveis, como a Lei no 14300/2022 e a Resolução Normativa Aneel no 1059/2023, que regulam a geração distribuída no Brasil. Também são consideradas as normas da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas, garantindo que o projeto atenda aos requisitos de segurança, desempenho e regularidade legal.
Resultados e discussão A análise considerou o período anual de 2024 e o consumo energético total das 39 unidades consumidoras do SAAE registrado foi de 8.534.974 kWh/ano. Observa-se uma
8,80%
8,17%
8,46%
9,00% 8,60% 8,40%
697 578
8,20%
720 454
8,77% 748 782
8,89% 758 592
8,28%
8,22%
8,30%
8,11%
7,95% 678 340
620 000
706 657
640 000
701 609
660 000
685 747
680 000
692 602
kWh
700 000
7,77%
720 000
663 132
740 000
8,44%
760 000
759 518
Percentual
Estudo de caso relativa uniformidade no consumo mensal, com variações discretas entre os meses. O menor consumo foi verificado em fevereiro, com 663.132 kWh, representando 7,77% do total anual, enquanto o maior ocorreu em agosto, com 759.518 kWh, equivalente a 8,9%. A variação entre esses extremos representa um acréscimo de 12,69% na demanda, o que pode ser atribuído às condições climáticas adversas típicas do período entre agosto e outubro, caracterizado por estiagens prolongadas, elevação das temperaturas e escassez de recursos hídricos. Esses fatores exigem a adoção de medidas operacionais extraordinárias, como a ativação de bombas adicionais, manobras na rede de distribuição e outras intervenções necessárias para garantir a continuidade e a segurança do abastecimento de água à população. A figura 2 apresenta o gráfico combinado de geração de energia fotovoltaica total mensal, com parcela relativa anual. Para suprir a demanda de energia, o SAAE implantou 783 painéis modulares fotovoltaicos, divididos em cinco usinas distribuídas em suas estruturas. A geração de cada uma por mês é apresentada no gráfico da figura 3, com a compilação de perfil de geração total mensal. Observa-se que a produção de energia atinge seu pico nos meses de agosto e setembro, devido ao maior índice de irradiância solar nesse período. Nos meses de novembro e dezembro, verifica-se um aumento adicional na geração em razão da conclusão da instalação da usina IV no pátio de manutenção, que apresenta valores expressivos de produção. Esse aumento tende a ser ainda mais significativo, uma vez que, na data da análise, não se estava monitorando a usina V (na sede administrativa), embora a usina já estivesse em operação.
8,90%
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600 000
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jan/24 fev/24 mar/24 abr/24 mai/24 jun/24 jul/24 ago/24 set/24 out/24 nov/24 dez/24
Fig. 2 – Gráfico combinado de geração de energia fotovoltaica total mensal, com parcela relativa anual
Em 2024, as usinas fotovoltaicas que contavam com sistema de monitoramento ativo foram as usinas I, II e III, cujos dados de geração foram registrados ao longo de todo o ano. A usina IV passou a ter a produção monitorada a partir dos meses de novembro e dezembro, enquanto o monitoramento da usina V, localizada na sede administrativa, teve início apenas em janeiro de 2025. Considerando-se o somatório mensal da produção das usinas monitoradas em 2024, obteve-se uma geração total de 2457,89 MWh. Este montante já se configura como expressivo, com tendência de aumento à medida que forem incorporados os dados de todas as unidades geradoras instaladas. O município de Passos tem experimentado um acelerado desenvolvimento econômico, impulsionado pela expansão urbana e industrial. Entretanto, esse cenário de crescimento tem imposto desafios à infraestrutura de abastecimento de água e esgotamento sanitário, agravados por condições climáticas adversas. Como resposta, o SAAE tem direcionado investimentos à ampliação da capacidade de tratamento e distribuição de água, por meio da implantação de novos reservatórios, modernização de sistemas e aquisição de equipamentos com maior vazão para as estações de tratamento, o que, por sua vez, tem elevado substancialmente o consumo energético.
Diagnóstico da relação do consumo energético em sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário O SNIS-AE 2022 aponta que o índice de consumo de energia elétrica em sistemas de abastecimento de água é de 0,67 kWh/m3. O consumo total nesses sistemas atinge 12,6 TWh, representando 88,3% dos 14,3 TWh utilizados pelos serviços de água e esgoto analisados na amostra. Em 2022, as despesas com energia elétrica dos prestadores de serviços de água e esgoto chegaram a R$ 9,2 bilhões, um aumento de 2,2% em relação aos R$ 9 bilhões registrados em 2021 [1]. A figura 3 ilustra os indicadores de produção de água para cada uma das ETAs (Antônio Porto e Otaliro Silveira), o volume de esgoto tratado pela ETE e o consumo de energia no ano de 2024. É possível observar a interrelação entre eles. O volume de água tratada anual pela ETA Antônio Porto é de 7.615.749,03 m3 e pela ETA Otaliro Silveira, 4.876.275,97 m3, que juntas somam o montante de 12.492.025 m³. O volume anual de esgoto tratado é de 4.730.893 m3 e o consumo total de energia em 2024 foi de 8.534.974 kWh. Por sua vez, o índice de consumo de energia elétrica em sistemas de esgotamento sanitário no Brasil é de 0,29 kWh/m3. O consumo total nos sistemas de esgotamento sanitário é de 1,7 TWh, que corresponde a 11,9% dos 14,3 TWh utilizados pelos servi-
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Perfil de geração
Produção de energia fotovoltaica em 2024 - 2.457,89 MWh 100%
20% 20%
JAN
FEV
MAR
Elevatória - 1ª etapa
ABR
MAI
JUN
Elevatória - 2ª etapa
JUL ETA
AGO
SET ETE
OUT
NOV
Manutenção
9957,03 MWh
718,28 MWh
40,02 MWh
44,51 MWh
40,49 MWh
841,22 MWh
38,05 MWh
39,58 MWh
30,17 MWh
40%
12,64 MWh
31,67 MWh
60%
34,22 MWh
80%
DEZ Sede
Fig. 3 – Relação entre evolução do volume de água tratada, volume de esgoto tratado e consumo de energia elétrica em Passos
ços de água e esgoto apurados na amostra. O índice de consumo de energia para esgoto em Passos é de 0,2763 kWh/m³, bem próximo ao da Região Sudeste, que é de 0,28 kWh/m³, com um consumo total de 1,05 TWh.
Análise ambiental Em 2024, a produção de energia solar pelo sistema implantado evitou a emissão de aproximadamente 417,25 toneladas de CO2, preservou cerca de 10.622 árvores e representou uma economia estimada de 1.662.329 quilômetros em transporte veicular. Esses resultados são especialmente relevantes no contexto da geração distribuída, na qual a proximidade entre
os pontos de geração e consumo contribui para a redução de perdas técnicas e para o aumento da eficiência energética do sistema [2, 4]. No entanto, é necessário considerar o aspecto do ciclo de vida dos sistemas fotovoltaicos. Os módulos solares possuem vida útil estimada entre 25 e 30 anos, podendo ultrapassar esse período mediante a realização de manutenções preventivas adequadas. Com o fim de sua vida útil, torna-se essencial a adoção de procedimentos adequados de descarte e reciclagem. Tal processo envolve a separação e a destinação ambientalmente correta dos diferentes componentes dos painéis fotovoltaicos. No caso da geração centralizada, a responsabilidade pelo des-
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carte recai sobre o operador da usina, enquanto na geração distribuída essa atribuição geralmente é conferida aos instaladores. Embora a tecnologia ainda seja considerada recente no Brasil, e o volume de descarte atual seja reduzido, estimativas da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) indicam que, até 2050, o país poderá gerar aproximadamente 550 mil toneladas de resíduos provenientes de painéis fotovoltaicos. Esse cenário reforça a urgência da formulação de políticas públicas específicas voltadas à gestão de resíduos sólidos fotovoltaicos, bem como a implementação de sistemas de logística reversa que assegurem o descarte e a reciclagem ambientalmente seguros desses materiais [2].
Análise normativa A partir de 2029, com o término do período de transição, entrarão em vigor as novas regras tarifárias aplicáveis à geração distribuída (GD), conforme diretrizes previamente estabelecidas pelo CNPE - Conselho Nacional de Política Energética. Caberá à
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Estudo de caso Aneel - Agência Nacional de Energia Elétrica regulamentar os critérios de valoração dos custos e benefícios associados à GD, com o objetivo de assegurar o equilíbrio entre os interesses dos consumidores e distribuidoras. Essa regulamentação será determinante para a definição da metodologia de compensação da energia injetada na rede, impactando de forma direta a atratividade e a viabilidade econômica dos sistemas fotovoltaicos conectados à rede pública. O consumidor que deseja aderir à geração distribuída deve solicitar à concessionária uma avaliação dos impactos na rede elétrica, incluindo a inversão do fluxo de potência quando a geração excede o consumo. A Resolução Normativa 1000/21 da Aneel exige que a distribuidora analise a capacidade de escoamento, alternativas disponíveis e responsabilidades envolvidas. Se nenhuma alternativa for viável, poderá haver limitação à injeção do excedente na rede. Concessionárias como a Cemig incentivam o armazenamento em baterias para uso noturno, embora essa solução possa ser custosa.
O SAAE gera uma quantidade significativa de energia em suas usinas, porém seu consumo ainda é superior à produção. Para equilibrar essa demanda, estabelece contratos bilaterais com a Cemig, além de vender e negociar energia com consumidores e comercializadoras, como a Cemig SIM, além de operações no Mercado Livre de Energia.
Análise econômica A implantação de sistemas fotovoltaicos é considerada um investimento de baixo risco, sobretudo devido à durabilidade e à confiabilidade dos componentes, que apresentam garantias comerciais de médio a longo prazo, variando entre 5 e 25 anos. Além disso, a taxa de falhas e defeitos é estatisticamente reduzida. Para os cálculos de projeção de desempenho, adota-se uma taxa de degradação (TD) média de 0,2% ao ano. Essa taxa é compatível com os requisitos do Renewable Energy Test Center (RETC), que define como aceitável uma degradação inferior a 2% da potência máxima após exposição ao ensaio PID192 (Potential Induced
Degradation). Degradações superiores a 5% são consideradas um sinal de alerta para os modelos avaliados. A TD representa a redução gradual na capacidade de geração dos módulos ao longo do tempo, conforme especificações técnicas dos fabricantes. O indicador payback time, ou tempo de retorno do investimento, representa o período necessário para que os fluxos de caixa (FC) acumulados se igualem ao valor inicialmente investido no projeto. Para a análise do sistema de geração fotovoltaica implantado, foi considerada a geração efetiva registrada pelas usinas monitoradas em 2024, totalizando 2027,88 MWh. A valoração da energia gerada baseou-se na tarifa média da classe B3 da concessionária Cemig, vigente sob bandeira verde, correspondente a R$ 0,53071/kWh. Esse cenário tarifário representa a condição mais conservadora para a estimativa de retorno, por apresentar o menor valor de compensação pela energia gerada. Considerando essa tarifa e a geração registrada, obteve-se uma rentabilidade anual estimada em R$ 547.850,19 para 2024. Com base nesses dados e na aplicação
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da metodologia de cálculo de payback utilizando os fluxos de caixa anuais projetados, estimou-se um tempo de retorno do investimento de aproximadamente seis anos e três meses. Com base nos dados apresentados anteriormente e conforme a metodologia adotada, foi realizado o cálculo do valor presente líquido (VPL) do projeto, considerando os efeitos da inflação, da depreciação dos componentes do sistema fotovoltaico e da degradação anual da geração. O resultado da análise indicou um retorno do investimento ao final de 14 anos, com um saldo positivo de R$ 8446,09, o que representa um índice benefício/ custo de 0,25%. A viabilidade econômica do projeto é confirmada pelo VPL superior a zero, o que significa que, mesmo após descontados todos os custos e ajustes temporais dos fluxos de caixa, o projeto ainda apresenta ganho financeiro. Ademais, a taxa interna de retorno (TIR) apurada supera a taxa mínima de atratividade (TMA) adotada na análise, reforçando a atratividade do investimento em geração distribuída fotovoltaica no contexto analisado.
Conclusão A implantação de sistemas fotovoltaicos no SAAE Passos demonstrou-se tecnicamente compatível, economica‑ mente viável e ambientalmente estratégica para o setor de saneamento. A geração de energia por meio de fontes renováveis contribuiu significativamente para a redução do consumo energético das unidades operacionais, gerando economia real nas despesas com eletricidade e fortalecendo a sustentabilidade ambiental por meio da mitigação de emissões de gases de efeito estufa. A análise econômica, fundamentada em indicadores consolidados como o payback, VPL e TIR, confirmou a atratividade do investimento, mesmo sob cenários conservadores de tarifa. Além disso, os resultados ambientais evidenciam a relevância da adoção da geração distribuída no contexto urbano. Apesar dos desafios regulatórios, como as mudanças previstas pela Lei no 14300/2022, os sistemas instalados enquadram-se em condições favoráveis de transição, garantindo previsibilidade e segurança ao modelo implantado. O estudo reforça, portanto, que
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a replicabilidade desse modelo em outros sistemas de saneamento pode representar um avanço rumo à modernização da infraestrutura e à transição energética no setor público.
Referências [1] Lei no 14300, de 6 de janeiro de 2022. Institui o marco legal da microgeração e minigeração distribuída e cria o Sistema de Compensação de Energia Elétrica. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 7 jan. 2022. [2] Irena - International Renewable Energy Agen‑ cy. End-of-life management: Solar Photovoltaic Panels. Abu Dhabi: IRENA and IEA-PVPS, 2016. [3] Ross, S. A. et al. Fundamentos de administração financeira. 9a ed. Porto Alegre: AMGH Editora, 2013. [4] Steiner, Kátia Helena. Estudo sobre o impacto ambiental decorrente da utilização e descarte de placas fotovoltaicas. Repositório Universitário da Ânima (RUNA), 2020. [5] Wainberg, Rodrigo. Análise de investimentos: entenda qual estratégia é a melhor. 2020.
Devido à limitação de espaço, o trabalho foi reduzido e adaptado. A versão original pode ser acessada nos anais eletrônicos do 36º Encontro Técnico AESabesp/Fenasan Congresso Nacional de Saneamento e Meio Ambiente, realizado de 21 a 23 de outubro de 2025, em São Paulo.
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Serviço
Guia de produtos e serviços para desaguamento e secagem de lodo Este guia tem como foco a gestão do lodo em estações de tratamento de água e efluentes. O desaguamento otimiza processos ao reduzir volume, umidade e custos de manuseio, além de ampliar a vida útil de unidades de tratamento. Práticas adequadas evitam sobrecarga hidráulica, atendem requisitos normativos, mitigam riscos ambientais e permitem usos benéficos do resíduo, como matéria-prima para fertilizantes, aplicação agrícola ou coprocessamento, agregando valor e eficiência à disposição final.
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Tecitec (11) 99658-2793
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comercial@sanexsolucoes.com.br
Tecnosan (47) 99983-8331
Solar
Torre desaguadora
Forma têxtil tubular (tubo geotêxtil)
Leito de secagem
Decanter centrífugo
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Metta10 (47) 99106-4672 joao.assis@netzsch.com
Térmico
Forza Z (19) 99822-6728
Netzsch (47) 98831-8003
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Secador
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contato@aquastar.com.br
contato@h2oambiental.com.br
Pósdesaguamento Unidade móvel
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Aquastar (41) 3292-5653
Grupo H2O (15) 98117-9777
Filtro rotativo a vácuo
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Prensa rotativa
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Prensa parafuso
Prensa desaguadora (belt press)
Gravitacional
Tambor rotativo
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contato@aquamecbrasil.com.br
Mesa adensadora
Aquamec (11) 98296-9913
Mecanizado Esteira
Empresa/ Telefone/ E-mail
Desaguamento
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Pré-desaguamento Ponte adensadora de lodo
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Obs: Os dados constantes deste guia foram fornecidos pelas próprias empresas que dele participam, de um total de 69 empresas pesquisadas. Fonte: Revista Hydro, julho/agosto de 2026. Este e muitos outros Guias HY estão disponíveis on-line, para consulta. Acesse www.arandanet.com.br/revista/hydro e confira. Também é possível incluir a sua empresa na versão on-line de todos estes guias.
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A maior aliança de feiras para o setor energético da América Latina
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Conexão
Aplicação de IA para detecção de vazamentos na rede de distribuição de água Este artigo apresenta a aplicação de sensores acústicos associados a algoritmos inteligentes de detecção de vazamentos em redes de distribuição de água e adutoras operando de forma contínua, instalados em pontos estratégicos da rede e que transmitem dados a uma plataforma web com recursos de IA – Inteligência Artificial para análise e identificação automática de padrões compatíveis com vazamentos. Cassio Lima, Guilherme Diniz, Douglas de Souza, Fabricio Santiles, Fabiana Degásperi Lima Medina e Paulo Henrique Matheus Macedo, da LWS
A
perda de água em sistemas de abastecimento representa um dos principais desafios enfrentados pelas companhias de saneamento, com impacto direto na eficiência do serviço, nos custos de operação e na sustentabilidade dos recursos hídricos. Entre os diferentes tipos de perdas, destacam-se os vazamentos não visíveis, aqueles que não afloram à superfície e permanecem indetectáveis por métodos convencionais. Nesse contexto, a aplicação de sensores acústicos com algoritmos de IA - Inteligência Artificial vem se consolidando como uma solução tecnológica eficaz. Estudos recentes [1] demonstram que a análise acústica combinada ao aprendizado de máquina (machine learning) permite detectar microvazamentos com elevada sensibilidade. Outros estudos [2] [3] também confirmam a eficácia da correlação de sinais entre sensores, evidenciando a robustez de sistemas
acústicos em redes constituídas por diferentes materiais. Este trabalho apresenta a implantação de sensores acústicos com operação contínua em redes de distribuição e adutoras, integrados a uma plataforma web equipada com IA para análise dos sinais e identificação automática de padrões compatíveis com vazamentos.
Metodologia O projeto foi desenvolvido em um setor de abastecimento e em uma adutora caracterizados por elevados índices de perdas. A metodologia foi estruturada nas seguintes etapas: • Caracterização do sistema de abastecimento - Avaliação da configuração hidráulica, pressões de operação e histórico de intervenções para definir áreas críticas.
Fig. 1 - Mapa com sensores georreferenciados que mostram equipamentos com/sem vazamento
Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente
Congresso Nacional de Saneamento e Meio Ambiente
CTG ABINT COMITÊ TÉCNICO DE GEOSSINTÉTICOS
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Conexão • Seleção dos pontos de monitoramento - Definição dos pontos de monitoramento com base nas zonas de pressão, no histórico de falhas e na acessibilidade. • Instalação dos sensores Permanet SU e Permanet HY, fabricados pela HWM Global, empresa britânica especializada em soluções para monitoramento de redes de água e detecção de vazamentos. Ambos os sensores são equipados com algoritmo Fuga/Não Fuga, gravação de áudio, correlação entre sensores, análise Aqualog e bateria com vida útil de até cinco anos. As principais diferenças entre os modelos são que o Permanet SU é indicado para aplicações com distâncias limitadas pelo tipo de material da tubulação, enquanto o Permanet HY incorpora monitoramento de pressão (golpe de aríete) e permite monitoramento em maiores distâncias, independentemente do material da tubulação. • Campanha de monitoramento contínuo - Os sensores realizaram a coleta contínua de dados. As gravações acústicas foram armazenadas localmente e transmitidas periodicamente para uma plataforma em nuvem. • Transmissão e armazenamento dos dados - A plataforma web recebeu e organizou os dados, permitindo a visualização georreferenciada, a análise histórica e a emissão de alertas. • Análise com IA - Os dados foram processados por algoritmos de detecção Fuga/Não Fuga, que compararam padrões acústicos com registros anteriores, reduzindo a ocorrência de falsos positivos. • Confirmação em campo - Todos os alertas emitidos foram verificados por geofonamento, permitindo a validação dos eventos identificados pelo sistema.
Resultados e discussão
Conclusão
A tecnologia demonstrou viabilidade prática, especialmente em setores onde o geofonamento convencional se mostra mais oneroso e menos eficiente. Os sensores acústicos apresentaram desempenho consistente em tubulações de diferentes materiais, com destaque para o modelo HY, que se mostrou menos dependente das características físicas da rede. Entretanto, a eficácia da solução está condicionada ao número e ao posicionamento dos sensores, bem como ao treinamento das equipes responsáveis pela verificação em campo. A integração com a plataforma de gestão e a interface de fácil utilização contribuíram para a operação do sistema. Contudo, a dependência de conectividade e a necessidade de manutenção preventiva dos dispositivos são aspectos que requerem planejamento contínuo. A plataforma permitiu visualizar, em tempo real, os sensores com ou sem indicação de vazamento. Também forneceu dados históricos que possibilitaram identificar três vazamentos reais, reduzindo o tempo de resposta e o volume de água perdido. Além disso, disponibilizou histogramas de ruídos diários, exportação de áudios para validação técnica, eliminação de falsas ocorrências e priorização das ações em campo com base na severidade e persistência do ruído. A plataforma permitiu acompanhar os eventos, otimizar a priorização das equipes de campo e tornar mais eficiente a gestão dos recursos, reduzindo a necessidade de pesquisas noturnas com geofones e a ocorrência de falsas indicações de vazamentos. O algoritmo permite a identificação de vazamentos por meio da comparação de padrões acústicos com registros anteriores, contribuindo para a redução da ocorrência de falsos positivos.
A aplicação de sensores acústicos com algoritmos de IA mostrou-se eficaz na detecção precoce de vazamentos não visíveis, reduzindo perdas, otimizando recursos operacionais e promovendo maior sustentabilidade no abastecimento de água. Para maximizar os benefícios da tecnologia, recomenda-se avaliar tecnicamente a densidade ideal de sensores por zona de pressão; adotar uma estratégia mista de uso fixo e móvel, conforme disponibilidade da equipe; integrar o sistema com ferramentas de redução de pressão para ações corretivas automatizadas; e investir na capacitação contínua das equipes de campo para interpretação dos dados e operação dos geofones. Trata-se de uma abordagem compatível com os métodos clássicos, mas mais eficiente para aplicação em larga escala e com menor dependência da subjetividade humana.
Referências [1] Feng, C., Zhao, J., Ran, Q., Qu, M., & Guo, Z. Acoustic-based Approach for Micro-leakage Detection and Localization in Water Supply Pipelines. Environmental Science: Water Research & Technology. 2024. [2] Müller, R., Illium, S., Ritz, F., Schröder, T., Platschek, C., Ochs, J., & Linnhoff-Popien, C. Acoustic Leak Detection in Water Networks. 2020. [3] Pourmehrani, H., Hosseini, R., & Moradi, H. Water Flow Detection Device Based on Sound Data Analysis and Machine Learning to Detect Water Leakage. 2025. [4] Marmarokopos, K., Doukakis, D., Frantziskonis, G., & Avlonitis, M. Leak Detection in Plastic Water Supply Pipes with a High Signal-to-Noise RatioAccelerometer. Measurement and Control. 2018. [5] Zhao, J., Liu, Y., & Zhang, J. Acoustic Leak Detection Approaches for Water Pipelines. Automation in Construction. 2022.
Trabalho originalmente apresentado no 36o Congresso Nacional de Saneamento e Meio Ambiente, promovido pela AESabesp, em paralelo com a Fenasan, no período de 21 a 23 de outubro de 2025, em São Paulo
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Produtos Bombas dosadoras A Etatron apresentou sua nova linha de bombas do‑ sadoras eletromagnéticas, composta pelos modelos Argentia, Aurex e Platinum.
Os equipamentos estão disponíveis com recursos de regulagem manual analógica e multifuncional, com possi‑ bilidade de ajustes externos via sinal de 4-20 mA ou pul‑ so de hidrômetro, além de integração com medidor de pH/ORP. Disponíveis nas ca‑ pacidades de 1 L/h, 2 L/h e 5 L/h (Argentia), 7 L/h, 20 L/h e 50 L/h (Aurex) e 30 L/h, 50 L/h e 80 L/h (Platinum), todos os modelos utilizam acionamento por so‑ lenoide (eletromagnéticas) e alimentação monofásica de 220 V. A linha Aurex oferece ainda três faixas de pressão e vazão selecionáveis em cada versão. www.etatron.com.br
Eletrofusora A MRX45K, da Merax, é uma eletrofusora que une tubos e conexões em PEAD – Po‑ lietileno de Alta Densidade. Com um sistema capaz de realizar ajustes automáticos de solda conforme a temperatura ambiente, o equipamen‑ to apresenta
faixa máxima de soldagem de 20 mm a 450 mm e po‑ tência de 4,5 kW. Site: www.merax.com.br
Sensor de vazão sem contato O LaserFlow, da Teledyne ISCO, é um medidor de va‑ zão para aplicações de água e esgoto que utiliza a tecnolo‑ gia de laser Doppler para medi‑ ções sem contato. Apresenta faixa de vazão de 0,01 a 10 m/s em tubos de 50 mm a 4 m e em condições am‑ bientais de -40oC a 70 oC. Comercializado no Brasil pela Clean Environment. www.clean.com.br
Bomba CIP A Bredel Hose Pumps, parte da Watson-Marlow Fluid Tech‑ nology Solutions, disponibili‑ zou a bomba Bredel CIP para processos sanitários e higiê‑ nicos que exigem eficiência otimizada e CIP (limpeza no local) regular. O equipamento possui sapa‑ tas com retração automática para limpar o mangote in‑ terno especialmente proje‑ tadas para processos CIP, a fim de permitir que a bomba e o resto do sistema que segue sejam limpos na ve‑ locidade correta do fluido.
Ao retrair as sapatas durante a limpeza, as compressões da mangueira em altas tem‑ peraturas são eliminadas, o que prolonga a vida útil da mangueira, reduzindo os custos da troca. Disponível em tamanhos de 20 mm (600 L/h), 25 mm (1800 L/h) e 32 mm (3200 L/h). Site: www.wmfts.com
Prensa parafuso A prensa parafuso tipo cami‑ sa perfurada modelo inclina‑ do da Axson é aplicada no
a 99% para biometano des‑ tinado à compressão ou inje‑ ção em rede e recuperação de até 99,8% de metano. www.evonik.com.br
Sopradores Os sopradores de canal late‑ ral da SomaFlux operam tan‑ to por vácuo quanto por sopro, o que permite uma ampla gama de aplicações industriais. Apre‑ sentam rolamentos externos lubrificados permanente‑ mente, impulsores rotativos sem contato e motores refri‑ gerados por ventilador. https://somaflux.com.br/
tratamento de lodo. O equi‑ pamento apresenta rotação de até 2 RPM, resultando em menor desgaste, ruído e consumo energético. https://axson.ind.br/
Membrana de biogás Fabricada pela Evonik, a SEPURAN Green R2X 11 é voltada para a purificação de biogás em projetos de grande escala. Desenvolvida para integração em proces‑ sos de purificação em três
estágios, a depender da composição do conjunto, o processo com a solução pode atingir pureza superior
Medição de pH/ORP A ABB disponibilizou a linha de sensores 500 com os modelos X e PRO. Segundo a fabricante, os dispositivos apresentam os eletrodos mais duráveis fabricados pela empre‑ sa para uso industrial e marítimo pesado e de alto desempenho, in‑ cluindo aplicações de alta temperatura e pressões elevadas. Com design capaz de resistir à incrustação, os equipamentos são voltados para a medição de índices de pH e ORP – Potencial de Oxidação-Redução. https://new.abb.com/
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Publicações Segurança hídrica – Os Comitês PCJ e a Agência das Bacias PCJ disponibilizaram a segunda edição do Guia Prático para o Desenvolvimento de Planos Municipais de Segurança da Água (PSA), publicação voltada a responsáveis por sistemas de abastecimento de água, órgãos públicos, prestadores de serviços de saneamento e demais profissionais da área. A nova edição foi atualizada com base na norma NBR 17080:2023 – Plano de Segurança da Água — Princípios e Diretrizes para Elaboração e Implementação, incorporando avanços técnicos e normativos relacionados à segurança da água para consumo humano. O conteúdo também está alinhado à Deliberação dos Comitês PCJ nº 335/2020, que estabelece diretrizes gerais para elaboração, implantação, manutenção e verificação dos Planos de Segurança da Água, independentemente do porte dos sistemas de abastecimento. Com 116 páginas, a obra pode ser acessada pelo link: https://abrir.link/GIAOS. Efluentes – Em Tratamento de Esgoto Sanitário e Lodo: Conceitos Básicos e Alternativas para Reúso, o autor Moisés
Antônio Benvegnú aborda aspectos essenciais do tratamento de esgoto, desde a caracterização do efluente e seus efeitos nocivos, passando pelas etapas operacionais básicas (tratamento preliminar, primário, secundário e terciário), até a gestão do lodo e as possibilidades de reúso. O objetivo é fornecer uma visão geral dos princípios e processos envolvidos, destacando a relevância dessa infraestrutura para a sustentabilidade e bem-estar social. Portal Água e Efluentes (https://abrir.link/eZiAM), 30 páginas. Meio ambiente – O livro Meio Ambiente e Tecnologia, de Mário Jorge Pereira, aborda questões como aquecimento global, suas causas e consequências, e os modelos usuais de geração de eletricidade, tais como hidrelétri‑ cas, termoelétricas
e usinas a gás e de biomassa. Nesta nova edição, os temas foram revisados para que o leitor tenha uma visão mais atualizada sobre o clima no planeta, a busca por redução desses impactos e melhorias para que o meio ambiente se torne mais seguro e sustentável. Editora Ciência Moderna (https://abrir.link/uaMjR), 288 páginas. Gestão – A associação SIS - Soluções Inclusivas Sustentáveis divulgou dois questionários voltados à avaliação de desempenho, riscos e oportunidades nos setores de construção civil e de abastecimento de água e esgotamento sanitário. A proposta é integrar esse conjunto de referências em uma ferramenta consistente e operacional, capaz de orientar tanto a análise de riscos por instituições financeiras quanto a gestão e a melhoria de desempenho socioambiental e climático pelas empresas do setor. Com 66 páginas, a publicação está disponível no link: https://abrir.link/nrGpE.
Índice de anunciantes Aclaris.....................................3ª capa
Dopp ......................................2ª capa
Netzsch ..........................................33
Tecnosan ........................................30
Alfamec ............................................5
Etatron ...........................................24
ReusÁgua .......................................34
Varb................................................10
Analyser..........................................35
Fenasan .........................................45
Sancotec.................................4ª capa
VazFlux ...........................................38
Aquastar.........................................23
Garemp ..........................................37
Sanex .............................................19
Watertec .........................................22
AST Ambiente .................................25
H2O Ambiental ...............................29
TanksBR .........................................11
Attendance .....................................39
Improv Equipamentos ....................31
Tech Tank .......................................18
B&F Dias .........................................15
LAO Indústria .................................17
Tecitec..............................................9
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Saneamento em Pauta
Fenasan: inovação para um novo ciclo do saneamento
N
o 37º Encontro Técnico AESabesp e Fenasan 2026, a AESabesp - Associação dos Engenheiros da Sabesp celebra seus 40 anos com o tema AESabesp 40 anos: Conectando Pessoas, Conhecimento e Inovação pelo Saneamento. Uma das maiores feiras da América Latina sobre saneamento, a Fenasan 2026 acontece entre os dias 20 e 22 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo. Durante quatro décadas, o evento tem reunido profissionais do setor para discutir temas relevantes para a cadeia econômica de saneamento e meio ambiente, contribuindo para o desenvolvimento tecnológico e fomentando negócios para o Brasil e exterior. O Encontro Técnico reunirá mais de uma centena de artigos técnicos e acadêmicos, apresentados nas modalidades oral e pôster, além de minicursos, mesas-redondas e painéis em formato digital, com transmissão pelo canal TV Água e Saneamento, no YouTube. Em sua terceira edição, o Encontro das Universidades promoverá o compartilhamento de conhecimento entre a academia e o setor. A Fenasan reunirá novidades em sua programação. Entre os destaques está a edição brasileira do No Dig Show, evento voltado à engenharia de infraestrutura urbana por métodos não destrutivos. Outra novidade é a realização do V Masterclass Saneamento, promovido em parceria com a Hiria NürnbergMesse Business. O simpósio proporcionará uma imersão nas principais tendências do setor, com apresentações de soluções práticas por especialistas e gestores públicos e privados de diferentes países. Os expositores contarão com uma programação dedicada que inclui o Simpósio de Fornecedores Sabesp, voltado à Se-
gurança e Saúde do Trabalho, o Prêmio Expositores, que passa a contar com votação popular para a escolha do melhor estande, e uma iniciativa de sustentabilidade com certificação Carbon Free para a neutralização das emissões de carbono do evento. Outro destaque é a Arena Tech, um espaço temático com inovações digitais e processos de saneamento com a presença de hubs, coworking, startups e grandes empresas que atuam no setor. A parceria entre a Sabesp e a AESabesp, com a integração das áreas dedicadas às competições de melhores práticas profissionais na Grand Arena Acqua, reunirá o Campeonato de Operadores da Sabesp e os Jogos de Saneamento, abertos a todos os profissionais do setor. A programação contará com mais de dez competições nas quais técnicos e especialistas compartilham experiências, aperfeiçoam práticas operacionais e promovem a disseminação de procedimentos seguros no saneamento básico. Este é um momento não apenas para apresentar as conquistas do setor, mas também para refletir sobre os desafios futuros. A universalização dos serviços representa um marco importante, porém ainda há questões relevantes, como a ampliação das ligações dos imóveis às redes de esgotamento sanitário e a oferta de serviços a custos acessíveis. A atuação conjunta do setor será fundamental para desenvolver soluções capazes de enfrentar esses desafios. Em virtude das mudanças climáticas, é necessário refletir sobre os desafios enfrentados pelas capitais e grandes cidades para aumentar a resiliência dos sistemas públicos de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Como renovar ativos depreciados sem impor
Pierre Ribeiro de Siqueira, Diretor de Inovações da AESabesp
aumentos expressivos nas tarifas cobradas dos consumidores e dentro dos prazos estabelecidos pelas concessões? Quais seriam os melhores caminhos para aperfeiçoar o marco legal cinco anos após sua implementação, considerando que muitas operadoras apresentam elevado nível de alavancagem financeira, o que limita a realização de IPOs (ofertas públicas iniciais) e a entrada de novos investidores capazes de contribuir para enfrentar esses desafios? Diante desse cenário, a Fenasan evidencia a capacidade de inovação da cadeia produtiva do saneamento. O setor reúne tecnologias, empresas, soluções inovadoras e modelos de gestão capazes de contribuir para o enfrentamento desses desafios. Essas propostas estarão em debate e serão apresentadas durante o evento. Aos 40 anos, a Fenasan reflete a evolução do setor de saneamento brasileiro. O que começou com o Primeiro Encontro Técnico, realizado em um auditório da Sabesp, transformou-se em um dos principais eventos de saneamento do País, reunindo cerca de 400 expositores e 38 mil visitantes em mais de 37 mil m2 de área de exposição voltados à apresentação de tecnologias, inovação e soluções para o saneamento ambiental brasileiro. É realmente uma conquista do setor.
Pierre Ribeiro de Siqueira é Mestre em Negócios Internacionais pela ESPM - Escola Superior de Propaganda e Marketing, com MBA em PPP – Parcerias Público Privadas e Concessões, Engenharia de Dados, Administração, Gerenciamento de Projetos, Políticas Públicas, além de ser Especialista em Hidromecânica e Polímeros. Engenheiro Mecânico Sanitarista na Sabesp desde 1992, atualmente é Diretor de Inovações da AESabesp, responsável pela organização da Fenasan 2026. Esta seção é dedicada a reflexões sobre o setor de saneamento no Brasil e seus desafios. Os artigos são elaborados pelo Corpo Diretivo das principais entidades de saneamento do país e não necessariamente refletem a opinião da Hydro.