A necessidade de maior rigor técnico, critérios de instalação e fiscalização efetiva dos BESS foi tema de um evento em São Paulo A reportagem relata debates sobre segurança, regulamentação e resultados de testes em baterias
E le trocal has, bandejas, lei tos, canale tas e ele trodutos
Com a função de organizar e proteger os condutores elétricos, tais produtos contribuem para a integridade das instalações O guia reúne fornecedores e apresenta soluções com diferentes materiais, configurações construtivas e conformidade normativa
Carregamen to bidirecional de VE: o próximo desa o
O carregamento bidirecional traz uma transformação sistêmica, com amplo impacto no contexto regulatório e na infraestrutura do sistema elétrico O artigo relata a experiência alemã e perspectivas futuras
Intersolar Nordeste impulsiona negócios e evidencia protagonismo regional no setor fotovol taico
Evento combina congresso e exposição, articulando debate técnico e geração de negócios A reportagem apresenta equipamentos e soluções que serão mostradas na feira, voltadas a diferentes aplicações do setor
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a
r s o b re r e g u l a m e n ta çã o
J ucele Reis, Edi tora
Oavanço dos sistemas de armazenamento a baterias em aplicações residenciais e comerciais e a evolução do carregamento bidirecional de veículos elétricos, que deixam de ser apenas consumidores para também armazenar e reinjetar energia na rede, partem de dinâmicas distintas, mas convergem em um ponto crítico: a ausência ou insuf iciência de um arcabouço normativo e regulatório capaz de acompanhar a velocidade da inovação
No caso dos BESS, essa lacuna já expõe riscos concretos A experiência inter nacional mostra que falhas térmicas podem evoluir rapidamente, com potencial para incêndios, explosões e danos materiais relevantes. Trata-se de uma tecnologia que exige requisitos de segurança mais rigorosos do que aqueles historicamente associados à geração fotovoltaica, mas que no Brasil ainda opera, em g rande medida, sob diretrizes concebidas para outra realidade
Nesse âmbito, o ponto é central: o mercado não se autorregula em temas que envolvem risco sistêmico Na ausência de normas claras, tende a prevalecer a busca por soluções de menor custo, raramente compatíveis com padrões adequados de qualidade e segurança. Regulamentar, nesse contexto, não signif ica restringir o avanço, mas estabelecer as bases para que ele ocorra de forma sustentável
Na mobilidade elétrica, o carregamento bidirecional transforma veículos em ativos energéticos distribuídos, com impacto direto sobre a operação da rede, a formação de preços, a gestão da demanda e a integ ração de fontes renováveis Trata-se de uma mudança estrutural. No entanto, esse potencial permanece, em g rande parte, teórico. Sua viabilização em escala depende de normas técnicas, padronização de interfaces, def inição de responsabilidades e modelos regulatórios que permitam e incentivem a participação dos usuários Sem isso, a tecnologia avança de forma pontual
Em ambos os casos, o timing é determinante. A expansão já está em curso, seja pela adoção crescente de baterias em projetos fotovoltaicos, seja pela eletrif icação da frota. Postergar a regulamentação signif ica permitir que o mercado se estruture sobre bases incompletas, com riscos que podem comprometer sua própria credibilidade no médio prazo Ao mesmo tempo, não se pode estabelecer exigências que engessem a inovação Pelo contrário O desaf io está em construir um equilíbrio: reg ras que garantam segurança, sem inviabilizar modelos de negócio emergentes. Para isso, será indispensável avançar em análises de impacto regulatório, além de mecanismos efetivos de f iscalização
Nesta edição, a revista aborda esses dois temas em artigos dedicados à segurança de baterias e ao carregamento bidirecional de veículos elétricos Apesar de serem setores com dinâmicas próprias, ambos evidenciam a mesma necessidade estrutural: alinhar tecnologia e regulação. A ocasião, como já se mostra, é agora.
Diretores: Edgard Laureano da Cunha Jr , José Roberto Gonçalves e José Rubens Alves de Souza (in memor am )
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28-29
ABR 2026
C E N T R O D E E V E N T O S D O C E A R Á , F O R T A L E Z A , B R A S I L
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DIA | 29.04.2026 1o DIA | 28.04.2026
10h30 - 12h30 Como a NBR 16384 te auxilia na aplicação da NR-10
13h30 - 15h30 NR-10 - o que veio de novo e como adequar a minha empresa
16h00 - 18h00 Modelagem e Estratégias de Operação para Redes de Recargas
10h30 - 12h30 Como implementar as medidas de proteção contra incêndio exigidas pelos Bombeiros
13h30 - 15h30 Aplicação do BESS no mercado comercial e industrial para integradores
16h00 - 18h00 Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS) na Prática: Estratégias para viabilizar retorno de investimento
10h30 - 11h30 Cerimônia de abertura
11h30 - 12h30 Panorama da Geração Solar FV no Brasil
12h30 - 14h00 Intervalo/Almoço
14h00 - 15h30 O mercado brasileiro de armazenamento de energia em 2026 - taxiando para decolagem?
15h30 - 16h00 Intervalo/Coffee Break
16h00 - 17h30 Promovendo energias renováveis 24/7 no Brasil: o papel estratégico do Hidrogênio Verde 1o DIA |
10h30 - 12h00 Data Centers na Região Nordeste
12h00 - 13h30 Intervalo/Almoço
14h00 - 15h30 Expansão da Geração Distribuída no Brasil: tecnologia, mercado e regulação em um mercado em transformação
15h30 - 16h00 Intervalo/Coffee Break
16h00 -17h30 Segurança elétrica em locais de trabalho 2o DIA | 29.04.2026
Carrefour fecha PPA de R$ 1 bilhão com Casa dos Ventos
OGrupo Carrefour Brasil f irmou contrato de longo prazo de R$ 1 bilhão para aquisição de energia solar com a Casa dos Ventos, no que é considerado o maior PPA (Power Purchase Agreement) de autoprodução já celebrado por um varejista no País
O contrato assegura suprimento equivalente a 25% do consumo total de eletricidade da companhia, que reúne as bandeiras Atacadão, Carrefour e Sam’s Club O início do for necimento está previsto para 2027, com vigência de dez anos
A energia será proveniente do Complexo Fotovoltaico Paraíso, localizado no Mato Grosso do Sul Atualmente em construção, o empreendimento possui 640 MW de capacidade instalada total, dos quais 240 MW serão dedicados exclusivamente às operações do Grupo Carrefour Brasil
“Como a energia elétrica é a segunda maior despesa operacional da companhia, este acordo marca um avanço relevante na estratégia de transição energética do Grupo Carrefour Brasil”, af irmou Rodrigo Monteiro, gerente de Compras do Grupo Carrefour Brasil A empresa tem metas públicas de operar com 100% de eletricidade proveniente de fontes renováveis até 2030 e atingir as metas de escopos 1 (emissões diretas) e 2 (energia comprada) em cerca de 60% até lá.
O modelo contratual assegura maior previsibilidade orçamentária e proteção contra volatilidades do mercado de energia. A estruturação do projeto contou com a consultoria estratégica e f inanceira da Cela – Clean Energy Latin America, assessoria especializada no setor de energia renovável
“A parceria não é apenas uma transação comercial, é uma prova de que a transformação energética é vantajosa para empresas de qualquer setor da economia. Estamos transformando a
matriz de um gigante do varejo, entregando competitividade em escala através de uma solução customizada que une baixo custo e valor ambiental positivo”, af irmou Lucas Araripe, diretor-executivo da Casa dos Ventos
Complexo Solar de Barro Alto entra em operação
ANewave Energia e a Gerdau inauguram em março o Complexo Solar de Barro Alto, maior projeto de geração fotovoltaica de Goiás Com investimento aproximado de R$ 1,3 bilhão, aportado pela Gerdau e por fundos da Newave Capital, o empreendimento tem capacidade instalada de 452 MWp (potência máxima de geração em condições ideais de irradiação solar), ocupa área de cerca de 800 hectares e possui instalados em tor no de 731 mil módulos fotovoltaicos
A geração estimada é suf iciente para suprir o consumo de energia elétrica de uma cidade com aproximadamente 350 mil habitantes, equivalente a cerca de 111 MW médios
O projeto gerou aproximadamente 3 mil empregos durante a fase de construção, além de movimentar cadeias produtivas associadas à infraestrutura, ser viços e logística na região.
Parte da energia produzida será destinada ao Mercado Livre, com contratos f lexíveis voltados a
consumidores cor porativos Outra parcela será utilizada no modelo de autoprodução, abastecendo unidades industriais, com destaque para a produtora de aço Gerdau, sócia estratégica no projeto como acionista da Newave Energia, fortalecendo a agenda de descarbonização industrial
A Newave Energia, empresa investida da Newave Capital e da Gerdau, é responsável pelo desenvolvimento, construção, operação e comercialização da energia do complexo O projeto foi estruturado em sete sociedades de propósito específ ico (SPEs), modelo amplamente utilizado para viabilização de investimentos em infraestrutura.
A inauguração do Complexo Solar de Barro Alto dá continuidade à expansão da companhia no setor de energia renovável. Em junho de 2025, a Newave Energia já havia inaugurado o Parque Solar Arinos, em Minas Gerais, consolidando a sua atuação no desenvolvimento de ativos relevantes em geração solar no País
A Gerdau detém 40% do capital social da Newave Energia, numa parceria que fortalece o crescimento e a expansão da empresa no mercado de energia renovável. Além disso, a Gerdau também é consumidora âncora da Newave Energia, comprando 40% de toda a energia produzida pela
Com início de for necimento em 202 7, energia virá do Complexo Fo tovoltaico Paraíso, em const r ução no MS
Com invest imento de R$ 1, 3 bil hão, empreendimento tem capacidade para abastecer cidade de 350 mil habi tantes
companhia pelo regime de autoprodução, o que já acontece com o Parque Solar de Arinos, inaugurado em 2025 “A companhia já possui uma das menores médias globais de emissão de gases do efeito estufa, sendo menor que a metade da média mundial do setor do aço, e o parque solar Barro Alto contribuirá com o nosso compromisso de reduzir ainda mais nossas emissões de gases de efeito estufa”, af irma Gustavo Werneck, CEO da Gerdau.
ArcelorMittal integra solar em parque eólico na Bahia
Agigante do aço ArcelorMittal
Brasil anunciou ter concluído investimentos de R$ 5,8 bilhões em autogeração de energia renovável no País com a entrada em operação do parque solar no Complexo Babilônia Centro, em Várzea Nova (BA) A nova planta, com 365 mil módulos fotovoltaicos, tem capacidade instalada de 200 MW e recebeu aportes de aproximadamente R$ 700 milhões A estimativa é que a empresa eleve o patamar de autogeração de energia renovável de 61% para 85% até 2030
previsível, essencial para o futuro da empresa, que hoje é a quarta maior consumidora de energia do País”, destacou Everton Neg resiolo, CEO da ArcelorMittal Aços Longos Latam. Segundo Lucas Araripe, diretor-executivo da Casa dos Ventos, o projeto híbrido representa um avanço relevante na forma como se pensa a produção de energia no Brasil “Ao combinar fontes complementares e otimizar a infraestrutura existente, conseguimos entregar mais ef iciência, com uma cur va de geração mais f lat ao longo do dia, além de previsibilidade e competitividade para a indústria”, af irma
A construção do Complexo Babilônia Centro, joint venture entre ArcelorMittal e a Casa dos Ventos, teve aportes totais de R$ 4,8 bilhões e, a partir de agora, conta com capacidade instalada de 753,5 MW A planta eólica já havia entrado em operação comercial em setembro de 2025 A maior parte da energia gerada (cerca de 90%) será direcionada às unidades industriais da produtora de aço O restante será vendido no mercado nacional de energia O complexo passa a ser agora uma unidade híbrida eólica e solar.
“Ao mesmo tempo em que atendemos à demanda crescente por operações mais sustentáveis, fortalecemos nossa competitividade e ef iciência. Estamos avançando para uma matriz energética mais limpa, estável e
A decisão de instalar a planta solar dentro do Complexo Babilônia Centro permitiu que ArcelorMittal e Casa dos Ventos aproveitassem toda a infraestrutura já montada para o parque eólico, como subestação, linhas de transmissão e a conexão com o sistema elétrico, otimizando o capital já empregado Além disto, o local passará a funcionar sem ociosidade na produção, com alter nância de energia eólica e solar A instalação do Complexo Babilônia Centro envolveu, ainda, diversas iniciativas junto às comunidades. Foram criados projetos para o ag ronegócio com as associações e cooperativas locais, além de cursos específ icos para mulheres
Também integ ra o pacote de R$ 5,8 bilhões em energia renovável o Parque Solar ArcelorMittal Energia Paracatu, em Minas Gerais, que rece-
beu R$ 895 milhões em investimentos. Somadas, as três unidades acrescentaram 1 GW de capacidade instalada à ArcelorMittal
Hoymiles inaugura nova sede e lança produtos
Afor necedora mundial de soluções de energia solar e armazenamento de energia Hoymiles realizou em 25 de março cerimônia de celebração do 10º aniversário de sua presença no Brasil e de inauguração de sua nova sede, localizada em São Paulo
Além disso, apresentou uma série de microinversores 4 em 1 que, segundo a empresa, têm a “maior ef iciência do mundo”
A Hoymiles relatou sua evolução de “ uma pequena operação de vendas para uma marca conhecida de microinversores e sistemas de armazenamento de energia no mercado local ( ) abastecendo 200 mil instalações solares na América Latina ” Segundo a empresa, a entrada em operação plena de sua unidade fabril no México, em 2024, fortaleceu sua cadeia de suprimentos frente às f lutuações comerciais, o que lhe garantiu maior estabilidade no atendimento a todo o mercado
O evento também contou com uma cerimônia de premiação dos instaladores e distribuidores que segundo a empresa foram fundamentais para seu sucesso no mercado brasileiro Além disso, a Hoymiles realizou uma cerimônia de assinatura de acordo de parceria estratégica com 15 dos principais distribuidores do Brasil (foto),
Com capacidade de 200 MW e invest imento de R$ 700 mil hões, usina solar complementa eólica de 553,5 MW
Empresa também celebrou parcer ias com instaladores e dist r ibuidores em evento em São Paulo
o que garante que todo o portfólio da empresa de microinversores a armazenamento de energia “esteja disponível em todo o País e na região da América Latina”.
Os novos inversores apresentados são os da série Pro MIS-2250/2500/ 2750-W Segundo a empresa, a série se alinha perfeitamente com a política de fast track de 7,5 kW do Brasil: “basta utilizar três microinversores MIS-2500-W Pro para que os instaladores atendam aos requisitos de aprovação simplif icada e zero exportação de energia, reduzindo tanto os custos de instalação quanto o tempo de espera ” , af irma a Hoymiles
Outras características dos produtos, destacadas pela empresa: com pico de ef iciência máxima de 98,0%, a série reduz o período de retor no do investimento em 2 a 3 meses; corrente de entrada máxima de 20 A, sendo compatível com 99,9% dos módulos fotovoltaicos do mercado; funcionamento estável a 45 °C (113 °F) sem redução de potência ou desligamento automático; demanda menos f iação com uso de módulos fotovoltaicos conectados em série em pares e conectores plug-and-play integ rados; cabos c c integ rados de 600 mm eliminam necessidade de cabos de extensão extras e reduzem em 30% o tempo e os custos de instalação; tecnologia Wi-Fi, Bluetoot h e Wi-Fi Mesh integ rada, reduz em 70% o tempo de comissionamento da rede; faixa de tensão de operação de 22 a 120 V; com tecnologia MPPT global, não são afetados por sombreamento parcial
de energia em baterias (BESS – Batter y Energy Storage Systems) no mercado brasileiro. O acordo deve ampliar o portfólio de soluções energéticas inteligentes no Brasil, para atendimento a projetos residenciais, comerciais, industriais, rurais e de g rande escala.
As empresas também miram a adoção de novos modelos de negócios no Brasil, como o BESS as a Service, que permite ao usuário acesso a soluções de armazenamento sem investimento inicial completo. Com a distribuição dos equipamentos de BESS da Huawei pela Powersafe, a meta é alavancar a adoção dessas soluções no Brasil, oferecendo suporte local, engenharia aplicada e ser viços de pós-venda alinhados às necessidades dos clientes brasileiros
Acordo prevê comerciali zação de sistemas de bater ias para clientes comerciais, indust r iais, r urais e de grande escala
Segundo as empresas, a aliança vai além da comercialização de produtos e será focada na “construção de um ecossistema sustentável, que permita aos clientes reduzir custos operacionais e tarifários, por meio de gestão inteligente de consumo e mais autonomia energética, especialmente em regiões com desaf ios de estabilidade na rede, bem como contribuir com metas de descarbonização, alinhadas à agenda ambiental cor porativa e global”.
Huawei e Powersafe firmam parceria em armazenamento
Amultinacional Huawei e a brasileira Powersafe assinaram um contrato de distribuição para a comercialização de sistemas de armazenamento
Para André Ribeiro, executivo nacional de Operações Renováveis da Powersafe, a parceria surge em um momento crucial de transformação no setor elétrico “O Brasil está expandindo rapidamente sua capacidade instalada de armazenamento de energia Projetos inovadores têm demonstrado
que sistemas de BESS podem melhorar a conf iabilidade, a ef iciência e a sustentabilidade da matriz energética nacional”
Segundo Simon Tsui, CEO da Huawei Brasil, o armazenamento por baterias desempenhará um papel central na moder nização da infraestrutura energética do País e na transição para fontes renováveis, consolidando sistemas que antes dependiam quase exclusivamente da rede elétrica tradicional “Com tecnologia global e presença local consolidada, a aliança promete ser um diferencial competitivo para g randes projetos de energia, contribuindo diretamente para os objetivos de sustentabilidade, transição energética, resiliência e moder nização do setor elétrico brasileiro”, acrescenta.
Para Bruno Monteiro, CSO da HDT, representante exclusiva Huawei no Brasil no segmento solar, o avanço das soluções de armazenamento é essencial para a evolução do setor elétrico brasileiro. “O crescimento do BESS acompanha a expansão das fontes renováveis e a necessidade de maior segurança e f lexibilidade na rede elétrica, tor nando o armazenamento um componente estratégico para o futuro da matriz energética”.
Com 170 MW, Sol do Agreste inicia operação comercial
Ocomplexo fotovoltaico Sol do Ag reste iniciou operação comercial em 16 de março, após autorização da
Aneel - Agência Nacional de Energia Elétrica Localizado nos municípios de Tacaimbó e São Caetano, em Per nambuco, o empreendimento soma 170 MW de capacidade instalada e amplia a participação da energia solar na matriz de geração de energia elétrica brasileira
O projeto integ ra a carteira do Novo Prog rama de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), coordenado pelo gover no federal e voltado à expansão da infraestrutura e à promoção do crescimento econômico com geração de emprego e redução de desigualdades regionais No eixo de Transição Energética, o prog rama reúne atualmente 585 usinas de geração de energia, das quais 411 já foram concluídas
O complexo é formado por seis usinas solares Sol do Ag reste I a Sol do Ag reste VI que, juntas, reúnem 594 unidades geradoras A usina Sol do Ag reste I possui capacidade instalada de 43,29 MW; as usinas II e III têm 23,31 MW cada; a usina IV soma 26,64 MW; a usina V possui 33,30 MW; e a usina VI conta com 19,98 MW.
As usinas não são detentoras de contratos oriundos de leilões regulados de energia elétrica, portando, a energia produzida será comercializada no Ambiente de Contratação Livre. O investimento para a implantação do complexo foi de aproximadamente R$ 823 milhões, com geração de cerca de 7,8 mil postos de trabalho diretos e indiretos ao longo da implementação.
Sungrow e BelEnergy assinam acordo para inversores
ASung row, empresa mundial em inversores fotovoltaicos e soluções de armazenamento de energia, anunciou parceria of icial com a BelEnergy, empresa brasileira de distribuição de equipamentos solares A operação é vista como estratégica e de ganho mútuo: de um lado, a Sung row fortalece sua presença no Brasil ao ampliar a distribuição de seus equipamentos por meio da rede logística da BelEnergy, a qual por sua vez ag rega ao portfólio uma das marcas globais mais reconhecidas Segundo as empresas, a parceria permitirá ampliar a oferta de equipamentos com maior robustez operacional, tecnologia de monitoramento avançado e certif icações internacionais.
A conexão à rede básica do Sistema Interligado Nacional ocorre por meio de uma subestação coletora de 34,5/230 kV e uma linha de transmissão de aproximadamente 2,2 quilômetros, que interliga o empreendimento ao barramento de 230 kV da Subestação Tacaimbó, da Chesf.
No Brasil, a Sung row já ultrapassou 16,5 GW de inversores comercializados Desde 2017, acumulou 7,49 GW em geração distribuída e 9,03 GW em geração centralizada A BelEnergy foi fundada em 2020 como braço para distribuição de equipamentos fotovoltaicos do Grupo Belenus, que tem mais de 40 anos de atuação. A BelEnergy tem mais de 80 mil m2 de área operacional em três centros de distribuição em Vinhedo e Itupeva (SP) e em Goiânia (GO), e capacidade de atendimento em todo o território brasileiro e Argentina
Segundo comunicado, o acordo ocorre em um momento de maior maturidade do setor solar brasileiro.
For necedora global para energia solar tor na-se parceira o cial da dist r ibuidora brasileira
“Após um ciclo de crescimento acelerado da geração distribuída, investidores e integ radores passaram a priorizar ef iciência, conf iabilidade e retor no f inanceiro ao longo da vida útil dos projetos”, diz a nota “Os inversores tor naram-se peças centrais nessa equação. Pequenos ganhos de ef iciência podem representar aumento relevante na produção anual de energia e, consequentemente, na rentabilidade do sistema.”
A Sung row também anunciou o lançamento de um inversor híbrido, que atende à crescente demanda por soluções que combinem geração solar e armazenamento, oferecendo maior autonomia e segurança energética. Para o segmento residencial, a empresa também apresentou um microinversor de 2,5 kW e a atualização da linha de microinversores, agora compatível com todos os módulos disponíveis no mercado, inclusive os de alta potência.
Piauí avança em CSP com armazenamento térmico
OGover no do Piauí e a CGN Brasil (do g rupo chinês CGN) divulgaram iniciativa para o desenvolvimento de tecnologia de energia solar concentrada (CSP, na sigla em inglês) com armazenamento térmico, ainda inédita no Brasil O acordo, f irmado com o Piauí Instituto de Tecnologia (PIT), prevê a realização de estudos de viabilidade técnica, econômica e regulatória para a implantação de um
projeto piloto de aproximadamente 100 MW no estado O objetivo é ampliar a oferta de energia renovável despachável e mitigar desaf ios como a intermitência das fontes solares e as restrições de escoamento na rede elétrica.
A tecnologia CSP com armazenamento térmico permite a geração de energia mesmo na ausência de incidência solar, diz comunicado da CGN segundo o qual a empresa acumula experiência consolidada com essa tecnologia, o que reforça o potencial de sua aplicação no mercado brasileiro
Nesta fase inicial, estão previstas ações de cooperação técnica em âmbito nacional, com intercâmbio entre prof issionais brasileiros e visitas técnicas a plantas operacionais na China Como parte da estratégia de desenvolvimento tecnológico e regional, será lançado um edital para a seleção de estudantes, mestrandos e doutorandos de universidades de todo o Brasil, que irão integrar as frentes técnicas do estudo, contribuindo com análises e o desenvolvimento de soluções no âmbito da iniciativa
“O projeto representa um passo relevante para ampliar a conf iabilidade das energias renováveis no Brasil, combinando inovação tecnológica e desenvolvimento regional”, af irmou o presidente da CGN Brasil, Mingzhu Li Já segundo o gover nador Rafael Fonteles, para quem o Piauí tem buscado se posicionar como um polo de inovação em energias renováveis, “ essa parceria contribui para atrair investimentos, gerar conhecimento e fortalecer o desenvolvimento regional”
Solar com baterias reduz 80% de custos em aplicação industrial
AGoodWe divulgou um estudo de caso de implantação de sistema híbrido na indústria Frutas e Verduras AP, localizada em Bom Repouso (MG). A empresa implementou um sistema com tecnologia GoodWe integ rando geração fotovoltaica e baterias, o que resultou em redução de até 80% nos custos mensais de energia elétrica e na eliminação do uso diário de geradores a diesel
Segundo o proprietário Altair Pereira (foto), a mudança trouxe ganhos signif icativos tanto econômicos quanto operacionais “Nós tínhamos muitos problemas de queda de energia e tentamos antes com um gerador que era acionado todos os dias Mas com essa necessidade diária e também pela questão sustentável, optamos por um sistema híbrido.”
A CGN Brasil Energia já possui um portfólio operacional de 506 MW no Piauí, entre ativos solares e eólicos.
O sistema fotovoltaico foi instalado inicialmente para suprir parte do consumo, mas posteriormente expandido com a adição de baterias, garantindo estabilidade e autonomia Além de estabilizar o for necimento elétrico, a solução híbrida otimizou o uso da água na propriedade. “Hoje não temos mais queda de tensão O sistema alimenta a energia e f icamos sempre com carga. Antes, queimávamos equipamentos por causa das oscilações, agora tudo funciona com regularidade A energia solar passou a alimentar as bombas dos poços artesianos, que levam a água para o reser vatório no alto. A distri-
P rojeto da CGN Brasil com o P iauí Inst i t uto de tecnologia vai est udar implantação de usina CSP pilo to de 100 MW
Solução elimina o uso de geradores a diesel, garante estabilidade elét r ica e per mi te avançar para autossu ciência
buição agora é feita por g ravidade, o que gerou uma economia muito g rande Antes, dependíamos de motores a diesel e bombas elétricas, e agora conseguimos fazer tudo com energia limpa”, explica Altair, que pretende avançar ainda mais e tentar zerar completamente o custo de energia
Para o vice-presidente da GoodWe América do Sul, Fábio Mendes, o projeto é um exemplo do potencial das soluções híbridas em segmentos produtivos “Casos como o da Frutas e Verduras AP mostram como a combinação de geração solar e armazenamento é capaz de reduzir custos, eliminar falhas de energia e tor nar operações rurais e industriais mais sustentáveis ”
Carregamento bidirecional avança na Europa
AOctopus Energy e a Ford lançaram na Alemanha o carregamento bidirecional Veículo-para-Rede (V2G, de Vehicle-to-Grid) para pessoas físicas na Alemanha, uma colaboração que transforma veículos elétricos em participantes ativos da rede elétrica A partir do verão europeu de 2026, que começa agora, os proprietários dos novos Ford Capri ou Ford Explorer poderão se benef iciar de vantagens signif icativas de custo ao usar seus veículos como dispositivos de armazenamento de energia Com os descontos do sistema, os usuários podem rodar de g raça até 16 000 quilômetros por ano
Com o V2G, os carros elétricos se tor nam unidades f lexíveis de armazenamento de energia que podem devolver energia à rede A solução da Octopus Energy prioriza o carregamento do veículo durante os horários de menor consumo na rede e a injeção da energia de volta quando os preços estão mais altos por exemplo, no início da noite “Assim, os carros contribuem signif icativamente para a estabilidade do sistema energético alemão e, idealmente, reduzem seus custos de eletricidade a zero ” , diz nota da Ford da Alemanha.
A oferta combina uma tarifa V2G da Octopus Energy, que inclui o uso de eletricidade de fontes de energia renováveis certif icadas, a ativação técnica dos veículos da Ford e um carregador de parede bidirecional de marca Ambibox A Octopus credita aos clientes um bônus mensal de € 30, desde que o veículo esteja conectado ao carregador de parede por pelo menos 300 horas por mês, o que equivale a até € 360 por ano Os clientes ainda recebem um desconto f ixo de 18 centavos de euro por kWh consumido no carregamento do veículo, o que resulta num preço efetivo de carregamento de apenas 15 centavos/kWh, em média “Com um bônus de € 360 por ano, é possível carregar um total de 2 400 kWh g ratuitamente ao preço de carregamento reduzido Assumindo um consumo de 15 kWh/100 km, isto equivale a até 16 000 quilómetros”, diz o comunicado (Os consumos típicos do Ford Explorer e do Ford Capri são 15,4 –16,4 kWh/ 100 km e 14,8 –15,7 kWh/100 km, respectivamente, com autonomias respectivas de 410–444 km e 433–464 km)
A Octopus Energy gerencia o carregamento inteligente e a injeção na rede de forma totalmente automática e transparente Os clientes mantêm o controle total do seu veículo, def inindo de forma f lexível as horas de partida e os níveis de carregamento desejados de acordo com suas rotinas. Em caso de necessidade o cliente pode desativar a otimização V2G a qualquer momento
e carregar imediatamente seu veículo com potência máxima de até 11 kW
Sudene libera R$ 79 milhões para complexo solar
ASudene - Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste autorizou a liberação de R$ 18,1 milhões do FNDE - Fundo de Desenvolvimento do Nordeste para os empreendimentos Bom Jardim Energia Solar 1 e 3, instalados no município de Icó (CE) Eles receberam, respectivamente, R$ 4,5 milhões e R$ 13,6 milhões
Recursos do FDNE impulsionam empreendimentos com conexão ao Por to do Pecém
Este é o terceiro aporte do FDNE para o complexo fotovoltaico e consolida o avanço de investimentos em energia renovável no Nordeste Desde dezembro, a Sudene já liberou R$ 79 milhões do FDNE para o projeto Ao todo, a participação do FDNE deve alcançar R$ 123,9 milhões dentro de um investimento global estimado de R$ 383,3 milhões
Segundo o diretor de Fundos e Incentivos Fiscais da Sudene, Heitor Freire, os investimentos em energia limpa têm papel estratégico no futuro econômico do Ceará Ele destaca que “ o projeto contribui diretamente para inserir o estado no mercado inter nacional de hidrogênio verde, especialmente pela conexão com o Porto do Pecém”.
O g rupo Qair Inter national, responsável pelos empreendimentos, informou que as duas plantas vão compor o Complexo Fotovoltaico Bom Jardim, que contará com um total de 10 Sociedades de Propósito Específ ico (SPEs).
L ançamento da Octopus Energy e a Ford na Alemanha o ferece bônus para propr ietár ios e desconto no kW h
A iniciativa também deve gerar impacto direto na economia local, com a criação de cerca de 700 empregos na fase de implantação, além de aproximadamente 100 postos indiretos em setores como comércio, ser viços e hospedagem
Cada uma das plantas terá capacidade instalada de 59,6 MWp, com produção de 48,118 MW em corrente alter nada. O superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, destaca “ a contribuição do FDNE para que o Nordeste continue atraindo investimentos e se posicionando como peça-chave na transição energética e no desenvolvimento sustentável do País”
A Sudene aprovou ainda consultas prévias para f inanciamento com recursos do FDNE, entre as quais a da empresa Martins Indústria e Comercio e Ser viços SPE Ltda , que pleiteia R$ 5,1 milhões para a implantação de uma usina solar fotovoltaica no município de Caucaia (CE) O investimento total previsto para esse projeto é de R$ 10,2 milhões
Notas
Bárbara Rubim no conselho de administração da Absolar –Bárbara Rubim, CEO da Bright Strategies Consultoria, foi eleita como nova presidente do conselho de administração da Absolar - Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica para o mandato 2026–2030, a ser iniciado em 1º de maio próximo De acordo com o anúncio, Rubim pretende impulsionar uma nova etapa de crescimento do setor fotovoltaico, bem como das tecnologias sustentáveis, como armazenamento, hidrogênio verde e eletromobilidade, no sentido de acelerar o processo de transição energética brasileira A proposta inclui o aprimoramento das reg ras para a integ ração de novas soluções energéticas, como redes inteligentes, ampliação da infraestrutura de transmissão e distribuição de energia, armazenamento por baterias e eletromobilidade, além da construção de marcos regulatórios que favoreçam investimentos e ampliem a participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira
Escolas do Paraná recebem geradores solares – A Copel vai beneficiar 200 instituições municipais e estaduais de ensino com investimento total previsto de R$ 23 milhões
Será realizada também, além da instalação de energia solar, a substituição de equipamentos antigos Em 155 instituições serão instalados sistemas de geração solar e substituídos equipamentos elétricos Já 45 escolas serão contempladas apenas com a troca de equipamentos, em razão de limitações estruturais Está prevista a instalação de 6 467 módulos fotovoltaicos e a substituição de 246 geladeiras, 196 aparelhos de ar condicionado e 10 540 lâmpadas A previsão é de que todas as obras de melhoria sejam concluídas até 2027.
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Condutores 2 5mm2 a 6mm2
Diâmetro externo condutor 4 7 a 7mm
Faixa de Temperatura Ambiente -40°C a +85°C
Temperatura Máxima Limite 120°C
Grau de Proteção (IP) IP68
Classe de Proteção/Segurança II
Classe de Sobretensão III
Tipo de Conexão Crimpagem
Material de contato Cobre Estanhado
Material de isolamento PA
Tensão nominal (Vdc) 1500V
Corrente Nominal 2 5/4/6mm2 25A/35A/45A
Classe de chamas (flamabilidade) UL94: V-0
Proteção de todo o sistema, evitando falhas nas conexões, mau funcionamento e danos aos condutores e equipamentos
O conector KSE K4 é usado para conexão serial segura e simples de módulos solares fotovoltaicos, em uma única solução atende condutores de 2,5 a 6mm2 Por possuir moderna tecnologia de produção, sistema de conexão multicontato, componentes e matéria-prima de alta qualidade, oferta alta estabilidade e segurança nas conexões para todo o sistema
B a t e r i a s
S e g u ra n ça e m s i st e m a s d e a r m a
z e n a m e n t o
Jucele Reis, da Redação de Fotovolt
C rescimento dos BESS no Brasil acelera discussão sobre r iscos operacionais, padroni zação e lacunas regulatór ias Ensaios prát icos em bater ias indicam que fal has tér micas podem evoluir rapidamente, exigindo maior r igor técnico, cr i tér ios de instalação e scali zação e fet iva Um evento reali zado em São Paulo
reuniu especialistas para debater a segurança e regulamentação, e apresentar resultados de testes S
Os sistemas de armazenamento a baterias (ou, como são conhecidos, BESS, de batter y energy storage systems) são considerados elementos fundamentais na transição energética, tanto como fonte de backup quanto como suprimento principal em sistemas isolados ou em instalações sujeitas a interrupções frequentes, nas quais o consumidor busca maior autonomia em relação à rede elétrica. As baterias também tendem a desempenhar papel relevante nas redes de transmissão e distribuição, atuando no atendimento a demandas diárias de potência e energia de curta duração e, ainda, associadas a g randes plantas geradoras, na redução das perdas decorrente de curtailment, contribuindo para a integ ração de fontes renováveis variáveis
práticos em baterias comerciais
No Brasil, projeções indicam investimentos da ordem de R$ 77 bilhões até 2034, com a instalação de cerca de 72 GWh em sistemas de armazenamento Nos EUA, especialistas estimam que cerca de 13% das instalações residenciais com energia solar já incor poram BESS percentual considerado expressivo
Com a expansão do uso desses sistemas em edif icações, as ocorrências associadas a baterias, como incêndios, explosões e liberação de gases perigosos, vêm crescendo globalmente, impulsionando discussões sobre o tema e o avanço de exigências técnicas e regulatórias, a f im de assegurar proteção contra incêndios, choques elétricos e falhas estruturais Nesse contexto, a Universidade Presbiteriana Mackenzie, em parceria com a Huawei, realizou em março um encontro que reuniu representantes da academia, indústria e entidades técnicas para discutir segurança e regulamentação, além de apresentar resultados de testes
Leandro Michels, professor associado da UFSM – Universidade Federal de Santa Maria e um dos participantes do evento, af irmou que os aprendizados acumulados com a expansão do segmento fotovoltaico podem evitar a repetição de erros e estabelecer bases para um mercado mais duradouro, com visão de longo prazo para os BESS “O crescimento acelerado da geração solar, embora bem-sucedido, também trouxe distorções, como a entrada de agentes pouco qualif icados e empresas despreparadas, que, em alguns casos, comprometeram a percepção do mercado e afetaram negativamente quem atuou de forma correta”
Michels destacou que esse ponto é ainda mais sensível no caso do armazenamento, por se tratar de um segmento que apresenta riscos elétricos e de incêndio superiores aos das instalações fotovoltaicas, exigindo maior rigor técnico e operacional Ele
acredita que antecipar a regulação, com base em riscos conhecidos, é mais ef icaz do que reagir após a ocorrência de falhas em larga escala “O timing do debate é decisivo Antecipá-lo demais, quando o mercado ainda não existe, limita sua efetividade; deixá-lo para depois da maturidade reduz o espaço de ajuste O setor no Brasil se encontra, portanto, em um momento oportuno para alinhar diretrizes, que permitam o desenvolvimento e a implantação da tecnologia sem gerar efeitos colaterais, como insatisfação de consumidores ou problemas de segurança ” , defende
L eandro Michels (UF SM): “O setor de ar mazenamento no Brasil se encont ra em um momento opor t uno para alinhar diret r i zes, que per mi tam o desenvolvimento e a implantação da tecnologia sem gerar e fei tos colaterais, como insat is fação de consumidores ou problemas de segurança ”
adequadamente o escopo do regulamento e estabelecer requisitos que garantam segurança sem comprometer o desenvolvimento da tecnologia Esse movimento, segundo ele, deve ser precedido por uma análise de impacto regulatório, capaz de embasar decisões e responder aos principais questionamentos do setor.
ampliação de capacidade (veja boxe na página 22)
Regulação
Para Hércules Souza, diretor do Inmetro, é necessário avançar para uma nova realidade regulatória, haja vista que a regulamentação foi concebida com foco no sistema fotovoltaico, ao passo que o uso de baterias evoluiu para conf igurações que não estavam no radar inicialmente Entre os desaf ios, aponta a necessidade de delimitar
Outro ponto crítico, segundo ele, é a certif icação de baterias no contexto fotovoltaico. Na prática, explica, o termo “certif icação” não se aplica de forma estrita, uma vez que o modelo vigente envolve a declaração do fornecedor Ou seja, o próprio fabricante ou importador realiza ensaios em laboratório acreditado e declara os resultados, sem a participação de uma terceira parte independente no processo “A atual janela regulatória oferece a oportunidade de aprofundar essa discussão”.
Ele acrescenta que, embora a certif icação seja uma ferramenta robusta, não assegura, isoladamente, o pleno atendimento aos requisitos. Inclusive, segundo Souza, a recente atuação com módulos fotovoltaicos ilustra esse ponto: a verif icação de desempenho em laboratório revelou casos de divergência entre a potência declarada e a efetivamente entregue “O mesmo princípio deve ser aplicado às baterias: não basta estabelecer requisitos; é necessário verif icá-los na prática, no mercado”, ressalta.
Como caminhos possíveis, o diretor do Inmetro propõe o desenvolvimento de uma regulamentação específ ica para armazenamento, sem vinculá-lo exclusivamente ao fotovoltaico, ou a evolução do modelo atual, com ampliação do escopo para além da conf iguração originalmente concebida, que já não responde adequadamente à realidade do mercado “Essa é uma discussão ampla, que exigirá estudos, avaliações e diálogo com todos os agentes envolvidos setor produtivo, importadores, academia e sociedade para que se construa uma solução equilibrada”
Nesse contexto, a disponibilidade de infraestrutura laboratorial para ensaios em baterias de alta tensão ainda é limitada no país, o que tem mobilizado iniciativas de
Leandro Michels defende que o armazenamento precisa ser tratado de forma transversal na regulamentação. “A experiência mostra que, sem reg ras claras, há sempre a tendência de buscar soluções mais baratas, ainda que com perda de qualidade e segurança. Por isso, não se pode esperar que o mercado, por si só, resolva essas questões É necessário um equilíbrio entre viabilidade comercial e rigor técnico, com uma regulamentação que alinhe os agentes e reduza incentivos a práticas oportunistas de curto prazo ” , destaca Independentemente do caminho escolhido, Hércules Souza, do Inmetro, aponta um ponto inegociável: a necessidade de vigilância de mercado “Um regulamento, por si só, não é suf iciente para resolver o problema É indispensável associá-lo a mecanismos efetivos de f iscalização, capazes de coibir irregularidades e práticas inadequadas A experiência mostra que, sem fiscalização no mercado, a efetividade da regulação é limitada um desaf io ainda maior em um contexto em que o consumidor não tem condições de avaliar tecnicamente o produto”
Michels destaca que se trata de um momento de concentração de esforços coletivos “O tema tem g rande rele-
Hércules Souza (Inmet ro): “ Não basta estabelecer requisi tos; é necessár io ver i cá-los na prát ica, no mercado”
vância econômica e envolve riscos com potenciais impactos sociais signif icativos, como incêndios, perdas patrimoniais e até de vidas”, conclui.
Testes em baterias
Diante da perspectiva de ampliação do uso de baterias em ambientes comerciais e residenciais, a Universidade Presbiteriana Mackenzie realizou, com apoio da Huawei, uma Prova de Conceito (PoC) para avaliar a queima de baterias de ESS, com o objetivo de analisar o comportamento dos equipamentos em situações extremas de “descontrole térmico” (thermal runaway) – [Nota da Editora: A redação de FotoVolt adota a tradução “ avalanche térmica” ver boxe “Baterias de íons de lítio: fuga térmica ou avalanche térmica”, na pág. 23] Foram ensaiadas quatro marcas, identif icadas como A, B, C e D, com capacidades energéticas semelhantes, em tor no de 5,1 kWh, com uma delas próximo de 7 kWh Todos os equipamentos estavam certif icados para comercialização conforme os requisitos vigentes
A metodologia incluiu a instrumentação com sensores de temperatura e tensão, além da utilização de placas de aquecimento (heat pads), instaladas junto às células para simular elevação térmica Também foi aplicado cabeamento específ ico para induzir sobrecarga em células individuais, permitindo reproduzir condições de falha inter na Em parte dos ensaios, foi introduzida uma fonte exter na de calor para simular a ocorrên-
cia de incêndio nas proximidades da bateria
Normas e regulamentos
Oengenheiro Marcos Rogério Chaves Silva, da Tecpro Soluções em Energia e coordenador da comissão do CB-024 responsável pela nor ma NBR 17193, de segurança contra incêndios em instalações fotovoltaicas de edificações, apresentou no evento um panorama das nor mas técnicas e regulamentos de segurança aplicáveis a sistemas de ar mazenamento de energia Segundo ele, há uma base nor mativa extensa, porém fragmentada e em evolução, o que demanda maior integração e direcionamento específico para aplicações com BESS A seguir, algumas das nor mas citadas por Marcos Rogério, com os comentários do especialista, quando per tinentes.
Normas técnicas nacionais
• NBR 16384:2020 – Segurança em eletricidade – Recomendações e orientações para trabalho seguro em ser viços com eletricidade “Em revisão ”
• NBR 5410:2004 Versão Cor rigida:2008 – Instalações elétricas de baixa tensão “Base para instalação de BESS, em revisão avançada, após consulta nacional que recebeu cerca de mil contribuições ”
• NBR 16690:2019 – Instalações elétricas de ar ranjos fotovoltaicos – Requisitos de projeto “Em revisão”
• NBR 17193:2025 Ed 2 – Segurança contra incêndios em instalações fotovoltaicas – Requisitos e especificações de projetos - Uso em edificações “Abrange aplicações em telhados e fachadas, ou seja, BAPV e BIPV ”
Normas específicas e internacionais
• NBR 16975:2021 – Células e baterias secundárias de lítio para aplicações estacionárias – Especificação elétrica e métodos de ensaio
• NBR 16976:2021 – Células e baterias secundárias de lítio para aplicações estacionárias – Especificação dos requisitos de segurança e métodos de ensaio
• IEC 62619:2022 – Secondar y cells and batteries containing alkaline or other non-acid electrolytes - Safety requirements for secondar y lithium cells and batteries, for use in industrial applications
• Série de nor mas IEC 62933 – Electrical energy storage (EES) systems “Integração e requisitos para sistemas de ar mazenamento de energia ”
Referência internacional relevante
• NFPA 855 – Standard for the Installation of Stationar y Energy Storage Systems “Nor ma nor te-americana para instalação de sistemas de ar mazenamento estacionários Diferencia as aplicações residenciais das comerciais e traz recomendações práticas, como a preferência por instalações exter nas Pode ser vir de referência para o desenvolvimento de nor mas nacionais ”
• UL 9540A – Test Method for Evaluating Ther mal Runaway Fire Propagation in Batter y Energy Storage Systems.
Regulação e requisitos no Brasil
• Por taria Inmetro 140/2022 (atualizada pela por taria 515/2023) “Estabelece requisitos para equipamentos fotovoltaicos, incluindo baterias, ainda com limitações ”
Instruções técnicas dos Corpos de Bombeiros
• IT-41/SP – Inspeção visual em instalações elétricas de baixa tensão
• IT-30/MG – Instalações e equipamentos elétricos: Subestações, painéis fotovoltaicos e gr upo geradores de energia “Aplicável às baterias, por analogia”
• IT-19/SP – Sistema de detecção e alar me de incêndio “Relevante para eventos como avalanche tér mica”
Outros instrumentos aplicáveis
• Decretos estaduais de segurança contra incêndio (variáveis por estado)
• Nor mas regulamentadoras do MTE:
- NR-10 – Segurança em instalações e ser viços em eletricidade “Em atualização ”
- NR-12 – Segurança no trabalho em máquinas e equipamentos
- NR-23 – Proteção contra incêndios
Segundo Cesar de Almeida, professor e pesquisador do Mackenzie, nas amostras avaliadas foram identif icados dois dispositivos principais de segurança O primeiro é a válvula de alívio de pressão, que, em situações de avalanche térmica, libera a pressão para o ambiente e evita o retor no de oxigênio ao interior da bateria, reduzindo o risco de combustão inter na O segundo é o sistema de supressão de incêndio integ rado, que pode atuar por meio da inertização do oxigênio com gases que inibem a combustão ou por aerossóis que auxiliam no resfriamento inter no. Em geral, trata-se de um módulo compacto, instalado na carcaça, com sensores como termopares para detecção de elevação de temperatura. No entanto, os ensaios indicaram ausência de padronização entre os modelos “O modelo A mais simples não possuía válvula de alívio de pressão nem sistema de supressão de incêndio Os modelos B e C incorporavam ambas as soluções, enquanto
o D contava apenas com válvula de alívio”, af irma
Em termos construtivos, também foram obser vadas diferenças no g rau de proteção. Um dos modelos apresentava classif icação IP20, inadequada para exposição a intempéries ou umidade, enquanto os demais permitiam instalação em ambientes expostos.
Modelo A
O equipamento A foi submetido a estresse térmico por meio de placas de aquecimento durante 60 minutos A maior parte dos sensores permaneceu abaixo de 100 °C, mas, após cerca de cinco minutos, quatro sensores já indicavam elevação de temperatura, com um deles atingindo rapidamente 300 °C indicativo inicial de possível avalanche térmica
Modelo B
O modelo B foi submetido a estresse térmico por placas de aquecimento e à sobrecarga de células. Houve elevação de temperatura ao longo do ensaio, mas sem ocorrência de avalanche térmica O teste foi interrompido e retomado no dia seguinte, quando o equipamento foi exposto a uma fonte exter na de chama, simulando incêndio Após cerca de 1h20, ocorreu avalanche térmica, com temperaturas superiores a 1300 °C. “Inicialmente, houve emissão de fumaça associada à queima dos cabos de instrumentação As chamas nesses cabos passaram a sustentar a combustão dos gases liberados pela válvula de alívio”, af irma o professor
Segundo ele, a aplicação de CO2 foi suf iciente para extinguir o incêndio na
Expansão do armazenamento pressiona infraestrutura de ensaios
N o segmento de ar mazenamento, o DERLab, da UFSM, conta com capacidade instalada para testes em baterias de até 1500 Vdc Embora essa frente ainda não esteja acreditada, está em curso o processo de expansão do escopo junto ao Inmetro, com previsão de submissão no próximo ano. O laboratório dispõe atualmente de infraestrutura para ensaios em inversores fotovoltaicos, abrangendo equipamentos on-grid, híbridos (com baterias) e off-grid, além de controladores de carga
Segundo Almeida, em função das características do equipamento, com g rau de proteção IP20 e maior troca térmica com o ambiente, a temperatura caiu rapidamente Nessas condições, o aquecimento isolado das células não foi suf iciente para induzir avalanche térmica.
Além disso, diante da demanda crescente do setor e da limitada disponibilidade de laboratórios no Brasil para ensaios em baterias de alta tensão, o DERLab também articula, em conjunto com associações setoriais e o próprio Inmetro, uma designação temporária que per mita a prestação desses ser viços durante a tramitação do processo no Inmetro
No dia seguinte, o sistema foi submetido a estresse elétrico, com sobrecarga de uma célula central Foi injetada corrente de 17 A e, após cerca de 1 hora e 40 minutos, registrou-se avalanche térmica, com temperaturas superiores a 1300 °C Obser vou-se aumento abrupto de temperatura, com picos associados à combustão localizada da célula “O evento permaneceu restrito, sem propagação para as demais células. Após a interrupção da sobrecarga, o sistema apresentou estabilização térmica”, relata
primeira inter venção, sem reignição “Isso indica que o fogo estava majoritariamente associado aos cabos, e não à combustão inter na sustentada da bateria A válvula de alívio direcionou os gases para fora, evitando a entrada de oxigênio. Ainda assim, foram observados eventos de jet f ire, com liberação intermitente de gases inf lamáveis”
Modelo C
O ensaio com o modelo C combinou estresse térmico inter no e exter no, além de estresse elétrico. Em cerca de 35 minutos, foram registradas temperaturas superiores a 1300 °C tempo inferior aos demais casos, possivelmente
associado ao uso de células menores, com menor capacidade de dissipação térmica “Nesse caso, houve emissão intensa de fumaça, oscilações térmicas e múltiplos eventos em cascata. O comportamento foi caracterizado por sucessivos jet f ires, indicando abertura sequencial de células Também foram identif icados curto-circuito inter no, arco elétrico localizado e combustão sustentada”, explica Almeida
De acordo com o pesquisador, a conf iguração com células menores e mais concentradas favoreceu a propagação térmica, com rápida transferência de energia entre células adjacentes
Cada pico térmico correspondeu a um novo episódio de liberação de gases e ignição
Embora o sistema possuísse válvula de alívio, foi identif icado um curto-circuito na parte inferior, que provavelmente iniciou a ignição dos gases Isso dif icultou o combate ao incêndio, devido à localização do foco, explica Almeida “Inicialmente, tentou-se o combate com CO2, sem sucesso Foram necessárias cinco aplicações, posteriormente combinadas com espuma, para promover resfriamento mais efetivo Ainda assim, após cada inter venção, novos eventos de jet f ire exigiram novas ações, evidenciando a complexidade do fenômeno”
Modelo D
O equipamento foi submetido exclusivamente a estresse térmico externo. Após cerca de 65 minutos, foram registradas temperaturas da ordem de 1300 °C Verif icou-se que a carcaça se rompeu em função da exposição direta à chama, e o fogo atingiu as células da bateria O resultado foi uma reação em cadeia, com múltiplos picos de temperatura associados a sucessivas def lag rações inter nas.
Almeida relata que o combate ao incêndio foi mais complexo, exigindo
Baterias de íons de lítio: fuga térmica ou avalanche térmica? *
Celso L P Mendes
Oter mo “fuga tér mica”, tradução literal de “ther mal r unaway ” , costuma aparecer na literatura no contexto das baterias de íons de lítio Contudo, como a terminologia técnica deve expressar com a máxima clareza e pertinência o evento a que se refere, cabe aqui uma reflexão.
“Ther mal r unaway ” descreve uma reação exotér mica na qual a temperatura da célula da bateria se eleva (por causas inter nas ou exter nas) e a energia tér mica liberada contribui para retroalimentar o processo. Se a temperatura continua a aumentar e a taxa de aquecimento excede a de dissipação, o “ther mal r unaway ” se instala podendo ejetar gás, fumaça, fogo e estilhaços O excesso de calor afeta também outras células próximas, que desencadeiam processos idênticos, agravando a extensão do evento
Este efeito de retroalimentação – seja pela energia tér mica gerada (selfheating), seja pelo envolvimento em dominó de outras células – deu origem ao ter mo “avalanche tér mica” [3]
De fato, uma avalanche consiste em fluxos de materiais cujo volume e velocidade aumentam à medida que ela desliza por uma encosta íngreme Esta analogia descreve com propriedade o “ther mal r unaway ”
Fontes:
[1] UL Electrochemical Safety Research Institute – What is a thermal runaway? Disponível em https://lnkd in/dBzR8vTk Acesso em 11 11 2024
[2] Mitsubishi Electric – Thermal runaway: What is it and how to prevent it Disponível em https://lnkd in/dcNni5UF Acesso em 11 11 2024
[3] ANATEL – Agência Nacional de Telecomunicações – Glossário de Termos Disponível em https://lnkd in/d4RRn2HE Acesso em 11 11 2024
[4] Magalhães, R O - Estudo de avalanche térmica em um sistema de carga e descarga de bateria em satélites artificiais Tese de Doutorado INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais São José dos Campos, 2012 Disponível em https:// lnkd in/d7HFUEky Acesso em 11 11 2024
[5] Siemens AG - Schutzkonzept für stationäre Lithium-Ionen-Batteriespeichersysteme Frankfurt am Main, 2023 Disponível em https://lnkd in/dTHGwiSi Acesso em 11 11 2024
* Transcrição de publicação do LinkedIn: https://www linkedin com/feed/update/ urn:li:activity:7262124827736494080/
mais de cinco aplicações combinadas de CO2 e espuma “Mesmo após a extinção momentânea das chamas, ocorreram reignições rápidas, típicas de eventos de jet fire, dificultando a aproximação e o controle”
Localização é fator crítico
Almeida destaca que, de forma geral, os ensaios indicam que falhas de projeto especialmente de natureza elétrica podem levar a curtos-circuitos internos capazes de iniciar eventos térmicos críticos Dispositivos de segurança, como válvulas de alívio e sistemas de supressão, contribuem para mitigar falhas inter nas, mas apresentam limitações em cenários com incêndios exter nos ou comprometimento estrutural do equipamento.
A principal conclusão, segundo Almeida, é que a localização das baterias é um fator crítico de segurança “Em ambientes como garagens, por exemplo, é necessário prever condições que reduzam riscos exter nos, como impacto de veículos ou proximidade de focos de incêndio” Ele ressalta que, embora as baterias contem com dispositivos de proteção, esses recursos são voltados principalmente a falhas inter nas “Eventos exter nos podem desencadear incêndios de difícil controle, superando a capacidade de mitigação dos sistemas embarcados”, conclui.
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Politejo (19) 99959-1206 utilities@politejo.com
Rojan (11) 3858-4133 rojan@rojan com br
Valemam (11) 99598-2222 projetos@valemam com br
Zetone (11) 94432-2892 contato@zetone com br
Obs.: Os dados constantes deste guia foram for necidos pelas próprias empresas que dele par ticipam, de um total de 32 empresas pesquisadas Fonte: Revista FotoVolt, abril de 2026
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b i d i re c i o n a l d e VE : o p ró x i m o d esa f i o
Michael Muschong, engenheiro da redação de de – das elektrohandwerk (Alemanha)
Os sistemas elétricos de potência provêm um abastecimento de energia conf iável, enquanto a participação das energias renováveis e dos veículos elétricos (VEs) cresce constantemente No futuro, esses veículos deixarão de ser apenas consumidores de energia, para também armazená-la e injetá-la de volta na rede O carregamento bidirecional abre novas possibilidades para os consumidores finais e para a estabilidade do sistema No entanto, sua implementação demanda um arcabouço normativo e regulatório consistente
Na Alemanha, o g rupo de projeto Integração em Rede da Mobilidade Elétrica, no âmbito da VDE FNN [1], vem trabalhando em diretrizes para impulsionar a integ ração da tecnologia de carregamento bidirecional e explorar plenamente seu potencial
[Nota do Tradutor - A VDE FNN - Fórum de Tecnologia de Rede e de Operação de Rede - é o órgão regulador técnico das redes elétricas na Alemanha Fabricantes, operadores de rede e de usinas geradoras, além de instituições científ icas, analisam os desaf ios da transição energética e elaboram regras de aplicação, guias, estudos e position papers]
O carregamento bidirecional já foi testado em projetos-piloto, mas ainda faltam normas inter nacionais para
a injeção de energia na rede. Atualmente, a maior parte das infraestruturas de carregamento e dos veículos elétricos na Europa não é compatível com a injeção de energia A introdução desta modalidade no mercado requer normas técnicas e um quadro regulatório. A conclusão da Lei da Economia Energética alemã [2] e o Código Europeu de Redes (https://www.entsoe.eu), para sistemas com capacidade de injeção de energia, deverão exercer uma inf luência signif icativa sobre os requisitos técnicos.
Potencial total teórico de reinjeção de todos os VEs a bateria
Em cont raste com a clássica recarga de veículos elét r icos, o car regamento bidirecional per mi te devolver energia para a rede Além de um avanço tecnológico, t rata-se de uma t rans for mação sistêmica, com amplo impacto no contexto regulatór io e na inf raest r ut ura do sistema elét r ico O ar t igo relata a at ual exper iência alemã e as perspect ivas f ut uras
Não aptos para reinjeção
VEs a bateria aptos para reinjeção
Não aptos para reinjeção
VEs a bateria aptos para reinjeção e conectados à rede
Restrições de capacidade
Potencial efetivo utilizável para reinjeção
B C D
F ig 1 – Representação esquemát ica dos fatores limi tantes do po tencial de exibilidade (Fonte: V DE F NN)
O potencial do carregamento bidirecional
O potencial de f lexibilidade do carregamento bidirecional baseia-se na crescente disseminação dos VEs O gover no federal alemão tem como meta atingir uma frota de 15 milhões de VEs (híbridos plug-in e a bateria) até 2030 Se as normas pertinentes
para sistemas de carregamento bidirecional forem elaboradas a tempo, esses veículos poderiam ser utilizados como sistemas aptos para realimentação No entanto, há diversos fatores limitantes: nem todos os veículos têm capacidade de realimentação, alguns não estão conectados à rede e restrições técnicas, como o envelhecimento das baterias, desempenham um papel importante (f igura 1)
Para o cálculo do potencial de f lexibilidade, considera-se uma capacidade média de bateria de 60 kWh e uma potência de reinjeção de 10 kW por veículo Teoricamente, 15 milhões de veículos elétricos poderiam for necer 150 GW de potência elétrica e 540 GWh de energia Mesmo uma pequena parcela de 10% de veículos com
Número de VE a bateria (10^6)
5% aptos para reinjeção e conectados
20% aptos para reinjeção e conectados
10% aptos para reinjeção e conectados Grandeza comparativa: atual capacidade de armazenamento bombeado na Alemanha
F ig 2 – Comparação da quant idade de energia disponível de V Es a bater ia, ap tos para reinjeção e conectados à rede, com a capacidade to tal das usinas hidrelét r icas de ar mazenamento bombeado na Alemanha (Fonte: V DE F NN)
capacidade de realimentação poderia atingir a capacidade das usinas hidrelétricas de armazenamento bombeado alemãs, ou superar sua potência de retroalimentação (f igura 2).
Contudo, é preciso considerar que o potencial só pode ser aproveitado se os veículos estiverem regularmente conectados à rede elétrica. Diferenças regionais na disseminação de VEs, bem como restrições relacionadas à instalação em edifícios e às condições da rede local, também inf luenciam o uso efetivo Por f im, o potencial de f lexibilidade depende de incentivos adequados e de um quadro regulatório que permita aumentar a taxa de participação dos usuários desses veículos
V2L - Veículo-para-carga
V2H - Veículo-para-casa (operação autônoma)
termediário na instalação do cliente e pode armazenar a energia autoproduzida, por exemplo, gerada por sistemas fotovoltaicos, e devolvê-la quando necessário. No entanto, a instalação permanece conectada à rede elétrica, de modo que a injeção de energia deve atender aos requisitos de segurança da rede e parâmetros de controle. Este modo alivia a carga da rede, já que o consumo e a alimentação de energia não são realizados diretamente pela rede.
Alternativas de carregamento bidirecional
O carregamento bidirecional permite que os VEs injetem energia elétrica de volta na rede (f igura 3). Conforme a nota técnica VDE FNN [1], há quatro casos de aplicação relevantes:
• Veículo-para-car ga (V2L, na sigla em inglês): o VE ser ve como fonte de energia móvel para aparelhos elétricos, como churrasqueiras elétricas ou ferramentas de jardim Neste caso, porém, o veículo não injeta energia na rede e, portanto, não tem impacto sobre ela
V2G - Veículo-para-rede
• Veículo-para-casa (V2H - operação autônoma): aqui, o VE for nece energia para um edifício desconectado da rede elétrica Esta solução é utilizada principalmente em regiões com frequentes quedas de energia, como foi o caso do Japão, após o acidente de Fukushima. Como o veículo está desconectado da rede, esta aplicação não tem repercussão direta no sistema elétrico
V2H – Veículo-para-casa (em paralelo com a rede) F ig 3
Infográ co dos casos de aplicação de car regamento bidirecional (Fonte: V DE F NN)
• Veículo-para-casa (V2H - operação em paralelo com a rede): O VE ser ve como armazenamento in-
• Veículo-para-rede (V2G): Neste caso, o VE é conectado à rede elétrica, onde injeta energia. A injeção de energia pode ser orientada para o mercado (em função dos preços da energia) ou orientada para a rede (para apoiar a estabilidade da rede). Dado que a inf luência de um único veículo é pequena, geralmente muitos veículos são reunidos por um ag regador para alcançar um efeito signif icativo. Os casos de aplicação V2H em operação paralela à rede e V2G têm impactos diretos na rede elétrica, sendo abordados nas seções seguintes da nota técnica VDE-FNN [1].
Reinjeção em operação paralela à rede
Para o carregamento bidirecional em operação paralela à rede, tanto o equipamento de carregamento quanto o veículo devem atender a determinados requisitos técnicos (seção 6 [1]) Tais requisitos estão def inidos nas Regras Técnicas de Conexão (TAR, na sigla em alemão) para instalações geradoras de energia De acordo com o nível de conexão à rede, devem ser obser vadas diferentes reg ras de aplicação:
• Baixa tensão: VDE-AR-N 4100 e VDE-AR-N 4105 [3,4];
• Média tensão: VDE-AR-N 4110 [5]; e
• Alta tensão: VDE-AR-N 4120 [6].
Em particular, devem ser satisfeitas as reg ras de aplicação para redes de baixa e média tensão, para assegurar o
funcionamento seguro e sem perturbações das instalações
A injeção de energia na rede pode ser feita por corrente alter nada (c a ) ou corrente contínua (c.c.) (f igura 4). A realimentação em c a requer uma interação entre o equipamento de carregamento e o veículo, enquanto na realimentação em c.c. todo o controle é feito pelo equipamento de carregamento, de modo similar ao funcionamento dos sistemas fotovoltaicos Ambas as abordagens exigem uma adaptação da infraestrutura de carregamento, uma vez que a realimentação não é suportada pelos sistemas de carregamento convencionais
Para permitir a injeção de energia em c a ou c c , os equipamentos de carregamento devem ser providos das funcionalidades técnicas correspondentes, incluindo o dispositivo de proteção da rede e do sistema (designado Proteção NA, que super visiona a tensão e frequência da rede e desconecta o sistema fotovoltaico em caso de colapso da rede), e sincronização e suporte à rede em caso de oscilações de tensão Tais requisitos são def inidos por normas de produto, como a IEC 61851-1 [7] e a IEC 61851-23 [8], além das já mencionadas Regras Técnicas de Conexão.
Comunicação e controle do processo de carregamento
didores inteligentes), conforme a Lei da Economia Energética [2] e a Lei de Operação de Pontos de Medição [9] Os operadores de rede podem utilizar esses sistemas de medição inteligentes para controlar o consumo de energia e evitar congestionamentos na rede O controle da infraestrutura de carregamento deve, neste contexto, seguir as diretrizes regulatórias do Operador Nacional do Sistema alemão
Rede interligada com capacidade de injeção –Operação dos pontos de medição
Como f ica evidente, a conexão à rede e a operação de sistemas de carregamento bidirecionais exigem a aderência a uma série de requisitos legais e técnicos Estes devem ser considerados já na fase de projeto e verif icados durante a instalação e a entrada em operação (seção 8 [1])
Recarga e reinjeção em c a
máxima superior a 30 kVA requerem uma proteção central contra curtocircuito Instalações menores podem utilizar dispositivos de proteção integ rados;
• Média tensão: o dispositivo de proteção da rede assume as funções da proteção contra curto-circuito
A instalação da infraestrutura de carregamento deve ser conforme a norma DIN VDE 0100 [10] É importante obser var que os equipamentos de carregamento com potência superior a 4,6 kVA devem ser trifásicos Normas inter nacionais sobre a segurança de sistemas de carregamento bidirecionais encontram-se atualmente em elaboração
Conversor c a /c c
Recarga e reinjeção em c c c a c a c c c a c c
F ig 4 – Sistemas admissíveis para reinjeção com cor rente alter nada ou cont ínua (Fonte: V DE F NN)
O controle e a comunicação dos processos de carregamento são realizados por meio de interfaces digitais (seção 7 [1]) Para o carregamento bidirecional, aplicam-se os mesmos requisitos de comunicação prescritos para o carregamento unidirecional Utiliza-se a interface de dados digital definida pela VDE-FNN [1]
O controle dos processos de carregamento pode ser realizado por meio de sistemas de medição inteligentes (me-
Na fase de projeto, os dados dos equipamentos de carregamento bidirecionais devem ser informados ao operador da rede de distribuição e aprovados, tanto para o consumo quanto para a injeção de energia. A proteção da rede e da instalação (Proteção NA) desempenha um papel crucial e depende do nível de tensão e da potência de conexão da instalação:
• Baixa tensão: sistemas com capacidade de realimentação com potência
A colocação em ser viço de sistemas de carregamento bidirecionais deve ser realizada por uma empresa especializada inscrita no cadastro de instaladores do operador de rede Além disso, deve-se garantir que todas as fontes de alimentação da instalação sejam devidamente desconectadas durante o ligamento e o desligamento. Antes da entrada em operação, deve ser realizada uma verif icação de acordo com a norma DIN VDE 0100-600 [10]. Verif icações periódicas devem atender à norma DIN VDE 0105-100 [11], e devem contemplar inspeções visuais, medições e ensaios funcionais, a f im de garantir a correta operação do sistema
Impactos na rede elétrica e no sistema energético
Os impactos do carregamento bidirecional na rede elétrica e no sistema energético dependem signif icati-
vamente da difusão e aceitação desta tecnologia (seção 7 [1]) A injeção de energia por meio de VE oferece tanto vantagens quanto desaf ios para os operadores de rede e os usuários.
O armazenamento de energia nas baterias dos veículos e a injeção de energia na rede aliviam a carga da rede, uma vez que a demanda de eletricidade é deslocada no tempo Isto contribui para compensar as f lutuações na geração de energia a partir de fontes renováveis. Contudo, o aumento da simultaneidade de carregamento e realimentação resulta em maior carga na rede, especialmente em períodos de alta injeção de energia renovável.
Para evitar congestionamentos na rede, os operadores devem implementar recursos de controle adicionais, que permitam limitar a injeção de energia em momentos de sobrecarga da rede O mecanismo de controle dos picos de carga, conforme prescrito em [2], deveria ser estendido ao carregamento bidirecional
Impactos no mercado de energia
A injeção de energia orientada para o mercado (V2G) deve permitir injetar energia na rede a preços mais altos em horários de pico, e carregar quando a oferta estiver mais barata Desta forma, os proprietários de veículos poderiam se benef iciar f inanceiramente e, ao mesmo tempo, contribuir para a integ ração das energias renováveis no sistema Este comportamento reforça a estabilidade da rede e a transição energética, mas pode causar congestionamentos em redes regionais, quando muitos veículos se conectam simultaneamente.
Conclusão
Basicamente, o carregamento bidirecional oferece um potencial considerável de f lexibilidade, em especial
para estabilizar as alter nâncias do ritmo diurno e noturno na geração de energia a partir de fontes renováveis Entretanto, para f lutuações sazonais, como a maior demanda de energia elétrica no inver no, esse potencial apresenta limitações
Referências
[1] VDE FNN - Network Technology & Network Operation Forum at VDE https://www vde com/en/fnn
[2] Energiewirtschaftsgesetz (EnWG) - Gesetz über die Elektrizitäts- und Gasversorgung Bundesministerium für Wirtschaft und Energie | BMWE
[7] IEC 61851-1:2017 - Electric vehicle conductive charging system - Part 1: General requirements Edition 3.0
[8] IEC 61851-23:2023 - Electric vehicle conductive charging system - Part 23: DC electric vehicle supply equipment Edition 2 0
[9] Messstellenbetriebsgesetz (MsbG) - Gesetz über den Messstellenbetrieb und die Datenkommunikation in intelligenten Energienetzen Bundesministerium für Wirtschaft und Energie | BMWE
[10] E DIN VDE 0100-600 VDE 0100-600:2025-12Low voltage electrical installations Part 6: Verification (IEC 64/2769/CDV:2025); German and English version prHD IEC 60364-6:2025
[11] DIN VDE 0105-100/A1 VDE 0105-100/ A1:2017-06 - Operation of electrical installations Part 100: General requirements; Amendment A1: Periodic verification German implementation of clause 6 5 of HD 60364-6:2016
Artigo publicado originalmente na revista alemã de – das elektrohandwerk, edição 19/2024 Copyright Hüthig GmbH, Heidelberg e München. www. elektro net Publicado por FotoVolt sob licença dos editores Tradução com ferramentas de IA Revisão e adaptação de Celso Mendes
Carlos Dornellas*
Data
centers n ã o s ã o c a rg a . S ã o e st ra t é g i a . E o s e t o r e l é t r i c o b ra s i l e i ro a i n d a n ã o p e r c e b e u
“ Há um risco eviden te em tra tarmos data centers como apenas mais uma carga, quando deveriam ser tra tados como proje tos estruturan tes, com coordenação an tecipada en tre expansão da rede, o fer ta de energia e instrumen tos de con tra tação”
Osetor elétrico brasileiro está acostumado a classif icar o mundo de forma confortável: geração de um lado, consumo do outro, e a rede fazendo o meio de campo Durante décadas, essa simplif icação funcionou Mas há momentos em que a realidade muda, e o modelo mental não acompanha Os data centers representam exatamente esse tipo de ruptura Ainda tratados como “ g randes consumidores”, já operam, na prática, como agentes estruturantes do sistema elétrico, não apenas pela magnitude da carga, mas pela qualidade da demanda que impõem: contínua, inf lexível, crítica e com tolerância próxima de zero para falhas Isso não é consumo. Isso é infraestrutura.
Quando um data center decide onde se instalar, ele não está apenas escolhendo um ponto de conexão Está, na prática, def inindo onde haverá expansão de rede, onde novos ativos serão construídos e onde projetos de geração poderão se viabilizar Em muitos casos, é ele, e não o planejamento central, que passa a orientar o f luxo de investimentos. Projetos recentes no Brasil já apontam nessa direção: a necessidade de subestações dedicadas, padrões elevados de conf iabilidade e soluções mais robustas não é um detalhe técnico, mas um sinal claro de que estamos diante de uma nova lógica de demanda
A locali zação dos d at a centers de ne onde haverá expansão de rede, onde novos at ivos serão const r uídos e onde projetos de geração poderão se viabili zar (na fo to, d at a center da Microso f t em Middenmeer, Holanda)
Mas o ponto mais relevante ainda está sendo subestimado Data centers não compram apenas energia Compram previsibilidade, conf iabilidade e, cada vez mais, reputação A pressão por energia renovável não é um discurso ESG genérico, mas uma exigência concreta de mercado A energia deixa de ser apenas um custo operacional e passa a ser um fator decisivo de localização O Brasil, em teoria, está bem posicionado, com matriz renovável e potencial de expansão. Mas ainda opera com uma lógica regulatória desenhada para outro mundo, onde a demanda era previsível, distribuída e passiva Os data centers não são nada disso. São concentrados, crescem rapidamente e exigem respostas coordenadas entre planejamento, operação e regulação Pressionam a rede antes que o sistema esteja preparado e não aguardam o tempo do ciclo regulatório. Porque podem escolher outro país
A competição por data centers é global, e a energia está no centro dessa disputa Países que entenderem isso primeiro vão capturar investimento, tecnologia e desenvolvimento Os demais vão assistir. O Brasil ainda parece hesitar entre essas duas posições. Há um risco evidente em tratarmos data centers como apenas mais uma carga, quando deveriam ser tratados como projetos estruturantes, com coordenação antecipada entre expansão da rede, oferta de energia e instrumentos de contratação. Sem essa mudança, o setor tende a reagir, e reagir, nesse caso, é sempre mais caro.
A transição energética não ocorre apenas na oferta. Há uma transformação profunda em curso do lado da demanda. Uma demanda que não apenas cresce, mas que passa a inf luenciar onde e como o sistema elétrico se expande Quando isso acontece, a energia deixa de ser insumo.
Passa a ser estratégia
* Carlos Dornellas é especialista em estratégia regulatória e desenho de mercados no setor elétrico brasileiro, com mais de 30 anos de experiência executiva Ex-diretor da Absolar e ex-executivo da CCEE, é fundador da Alma Solar Energia e chair do Comitê C5 do Cigre-Brasil (Mercados e Regulação)
I n t e r s o l a r N o r d e s t e i m p u l s i o n a n e g ó c i o s e e v i d e n c i a
p r o t a g o n i s m o
r e g i o n a l n o s e t o r f o t o v o l t a i c o
OIntersolar
Brasil Nordeste 2026 será realizado nos dias 28 e 29 de abril, em Fortaleza, CE, reunindo empresas, especialistas e executivos em um dos principais pontos de encontro do setor fotovoltaico no País Organizado pela Aranda Eventos em parceria com a Solar Promotion Inter national, o evento deve atrair mais de 4 mil visitantes, além de cerca de 60 expositores, 350 cong ressistas e mais de 30 palestrantes
O encontro ocorre em um contexto de protagonismo regional O Nordeste concentra mais da metade da capacidade instalada de usinas solares centralizadas do Brasil e mantém participação relevante na geração distribuída, ainda com espaço signif icativo para expansão Integ rado à plataforma The smarter E South America, o Intersolar Brasil Nordeste combina cong resso e exposição, articulando debate técnico e geração de
negócios A prog ramação ref lete o momento do mercado, com discussões sobre desaf ios como conexão de projetos, custos e dinâmica da geração distribuída, além de temas estruturais como a expansão de g randes cargas, como data centers
O cong resso inclui ainda painéis sobre o panorama da geração solar no Brasil, o avanço do armazenamento e o papel do hidrogênio verde Também
entram na agenda temas como integ ração da geração distribuída e segurança elétrica em locais de trabalho
Na feira, for necedores, fabricantes e prestadores de ser viços apresentam equipamentos e soluções voltadas a diferentes aplicações do setor, reforçando o papel do evento como vitrine tecnológica e ambiente de prospecção de negócios
A seguir, são destacadas algumas das inovações previstas para a exposição.
Informações do evento
Datas: 28 e 29 de abril de 2026
Local: Centro de Eventos do Ceará - Av. Washington Soares, 999 - Fortaleza (CE)
Formato: Palestras de especialistas, debates entre executivos, pausas para networking, exposição de empresas
Horários
Congresso: 10h 30 – 18h 00
Exposição: 10h 00 – 19h 00
Inscrições: https://www intersolar-brasil com
Baterias e sistemas híbridos
A Sirius destacará no evento soluções em baterias e sistemas híbridos para integ radores que buscam ampliar
portfólio, gerar novas receitas e acompanhar o movimento atual do mercado A empresa também apresentará soluções em MLPEs e periféricos como RSDs.
ener giasir ius.com
Pr ojetos em laje e solução de pagamento
Os dois g randes destaques da Fortlev Solar são o Lastro Laje, solução desenvolvida para projetos em laje, fabricado em polietileno, e o FLS Pay, uma alter nativa de pagamento que permite
ao integ rador utilizar o celular como máquina de cartão A empresa também vai expor o Condufort, um duto corrugado que visa oferecer ef iciência na passagem de cabos, proteção contra agentes climáticos e segurança, reduzindo falhas técnicas e aumentando a conf iabilidade dos projetos Outro destaque é a Conasol, uma solução f inanceira de consórcio planejado que busca facilitar o investimento em sistemas fotovoltaicos
https://for tle vsolar.com.br
Recursos de CRM
A SolarZ, plataforma de tecnologia para integ radores, vai lançar dois recursos em seu CRM Um deles é a aba de Financiamentos integ rada a bancos parceiros Por meio dela, o vendedor simula múltiplos cenários de crédito, diferentes entradas e prazos de 24 a 84 meses, e inclui as opções diretamente na proposta enviada ao cliente, com parcelas reais e payback recalculado O segundo lançamento é o App mo-
bile para Android e iOS, que permite ao vendedor em campo dimensionar o sistema, simular o f inanciamento e gerar o PDF prof issional durante a visita, pelo celular. A plataforma ainda integ ra monitoramento de usinas, geração de propostas, chat e pagamentos recorrentes.
www.solar z.com.br
Inversor híbrido
O inversor híbrido monofásico N1 LV 7 5 kW, destaque da Renac Power na feira, é destinado a sistemas fotovoltaicos residenciais com armazenamento em baterias de baixa tensão (48 V). O equipamento dispõe de dois rastreadores MPPT independentes, com corrente máxima de entrada de 20 A por string Apresenta g rau de proteção IP65 e sistema de detecção de arco elétrico (AFCI) integ rado. Opera nos modos conectado à rede e com fornecimento de energia de backup, com tempo de comutação inferior a 10 ms Suporta sobrecarga de até 200% na entrada fotovoltaica. É compatível
com baterias de íons de lítio e permite monitoramento remoto por meio de plataforma dedicada
www renacpower com
Car r egador elétrico
A Fotus vai apresentar na Intersolar Nordeste uma novidade no portfólio: a entrada no segmento de carregadores para veículos elétricos A solução, voltada a aplicações residenciais e comerciais, tem alta potência para cargas rápidas (Fast Charger DC), compatível com diferentes modelos de veículos O equipamento conta com plugue CCS2, e oferece gerenciamento inteligente de carga, ajustando o consumo conforme a disponibilidade energética Também dispõe de monitoramento remoto e dispositivos de proteção elétrica
https://fotus.com.br
Distribuição de ener gia
O Grupo Gimi mostrará na feira soluções em painéis elétricos de baixa e média tensão e sistemas de distribuição de energia A empresa também destacará seus barramentos blindados, skids solares, eletrocentros customizados e ser viços especializados de manutenção e engenharia elétrica, voltados aos segmentos industrial, comercial e de infraestrutura
www.g r upogimi.com.br
Distribuição de equipamentos
Na feira, a Soollar vai mostrar um portfólio de inversores híbridos de marcas consolidadas, integ rando geração
solar, armazenamento em baterias e conexão à rede. A companhia destaca que seus 23 centros de distribuição são estrategicamente localizados, para garantir ao integ rador uma boa relação custo-benefício, logística ágil e disponibilidade imediata dos equipamentos, reduzindo prazos
www soollar com br
Soluções de média tensão
A Trifásica Elétrica for nece engenharia e equipamentos para conexão de usinas solares à rede elétrica, cobrindo da
análise à entrega de g randes projetos fotovoltaicos Na exposição, vai apresentar seu portfólio, que inclui cubículos blindados, cabines primárias, painéis de proteção e disjuntores
https://tr ifasica com br
Revestimento metálico
A produtora de aço ArcelorMittal vai mostrar em seu estande o Magnelis, um revestimento metálico (3% Mg,
3,5% Al e Zn ) indicado para estruturas solares. De acordo com a empresa, a solução possui resistência à corrosão cerca de três vezes superior ao galvanizado convencional, oferece proteção em ambientes ag ressivos, efeito de autocicatrização em bordas e furos e acabamento uniforme É produzido no Brasil desde 2024 por pré-galvanização a quente. https://brasil.ar celor mittal.com
Financiamento
O banco BV apresentará na exposição soluções de f inanciamento que têm o objetivo de ampliar a atuação estratégica dos integ radores em projetos fotovoltaicos alinhados às novas demandas do mercado, como a inclusão de baterias O BV destaca a reformulação de seu canal digital, para oferecer mais autonomia aos integradores e elevar o nível de ser viço e atendimento, integrando financiamento, tecnologia e relacionamento www.b v.com.br
Ar mazenamento de ener gia
A Sunred vai apresentar no evento soluções que permitem armazenar energia proveniente da rede ou de fontes fotovoltaicas para uso imediato ou posterior. Os equipamentos incluem sistemas integ rados de segurança, como gerenciamento térmico e proteção contra incêndio Permitem aplicações como backup em caso de falta ou instabilidade de energia da rede elétrica, Peak Shaving (controle de demanda contratada) e deslocamento de carga para redução de custos no horário ponta (Load Shifting). Segundo a empresa, atendem cenários residenciais, comerciais, industriais e o setor ag ro, incluindo microgrids e sistemas isolados. www.sunredener gy.com
Distribuída, operando desde a medição da geração até o faturamento f inal das unidades consumidoras
O sistema realiza a extração e estruturação de dados de mais de 40 distribuidoras e permissionárias em 21 estados brasileiros, processando o balanço energético para diversos modelos de negócio A plataforma também realiza o faturamento de forma automática De acordo com a companhia, com cinco anos de atuação, a solução gerencia 300 MW, atende 50 mil unidades consumidoras, e ultrapassou a marca de 700 mil faturas processadas
https://dg ener gy
Financiamento
A Santander Financiamentos vai destacar no Intersolar Brasil Nordeste o +Fidelidade Solar, prog rama que tem o objetivo de fortalecer o relacionamento com parceiros, empresários e vendedores. De acordo com a instituição, a solução oferece condições
Platafor ma para GD
A Digital Grid vai mostrar a plataforma SaaS que automatiza o ciclo da Geração
diferenciadas de taxa para parceiros mais engajados e recorrentes. O portfólio conta ainda com f inanciamento de sistemas fotovoltaicos, baterias e estações de carregamento veicular www.santander.com.br
E l et r o p o st o s s ã o r ea l m e n t e
l u c ra t i v o s ? – Pa r t e 2 : A n á l i s e
p rá t i ca e e st u d o d e ca s o
“ E le tropostos podem apresen tar bons resul tados nanceiros quando bem estruturados, mas estão longe de ser uma solução automá tica de geração de recei ta”
Na primeira parte desta série foram apresentados os fundamentos que estruturam a viabilidade de um eletroposto A partir desse ponto, tor na-se possível avançar para uma análise prática, conectando esses conceitos a um cenário realista com números e premissas operacionais
Utilizaremos como referência a cidade de Florianópolis, que apresenta um crescimento relevante da frota de veículos elétricos e híbridos plug-in, ao mesmo tempo em que ainda possui uma infraestrutura de recarga em expansão. O estudo se dedicará a compreender as decisões e seus impactos em um empreendimento de apenas um carregador na capital catarinense.
Em Florianópolis, o número de veículos elétricos e híbridos plug-in é de aproximadamente 5584 unidades, sendo 2322 elétricos puros (BEV). O número aproximado de carregadores públicos é de 220 semirrápidos (c a ) e 53 rápidos (c c ), o que, na média, resulta em 20,4 veículos plug-in por carregador, acima da média mundial de 11 veículos por carregador, segundo o “EV Outlook 2025” da BloombergNEF, e acima da média brasileira, de 17,2.
Estudo de caso: carregador
c.c. de 60 kW
Será considerado um carregador rápido de 60 kW com dois conectores,
permitindo operação com um veículo a plena potência ou dois veículos simultaneamente, atendendo cada recarga em 30 kW
Esse equipamento representa um ponto intermediário e bastante comum no mercado brasileiro, equilibrando investimento inicial e capacidade de atendimento, já que a menor potência de recarga atualmente no mercado é de 30 kW do veículo Renault Kwid E-Tech, e que 60 kW atendem a uma boa gama de modelos
Desse modo, haveria sempre pouca ociosidade de potência do equipamento, otimizando o investimento
Outra possível vantagem do carregador de 60 kW é a possibilidade de instalação em unidade consumidora do g rupo B, para a qual a distribuidora costuma ter prazos mais curtos para disponibilização, reduzindo o risco de lucro cessante associado a obras de reforço de rede, em comparação com unidades do g rupo A O lado negativo dessa escolha é o custo da energia do mercado regulado
Capex – Os valores de investimento no carregador e infraestrutura, a seguir, são estimativas para o estudo de caso, podendo ser maiores ou menores a depender
da marca do equipamento, pós-venda e garantia, entre outros critérios, e de a adaptação da infraestrutura ser mais ou menos complexa:
• carregador: R$ 90 000
• infraestrutura e obras: R$ 110 000 Assim, o Capex do projeto é totalizado em R$ 200 000
Ope x – Os custos operacionais para este único carregador seriam:
• Aluguel: R$ 1000 por mês
• Inter net = R$ 100 por mês
• Ser viço de plataforma mais taxa de pagamento = 10% do faturamento bruto
• Manutenção preventiva = R$ 500 por semestre
• Custo médio de energia = R$ 0,75 por kWh (tarifa cativa g rupo B da Celesc)
R eceita:
• Preço de venda = R$ 2,20 por kWh
• Número estimado de recargas/dia = 15
• Energia vendida = 20 kWh em média por recarga = 300 kWh/dia
Tr ibutos – O regime tributário dessa empresa é lucro presumido, portanto os impostos incidentes são ISS, PIS, Cof ins, IRPJ e CSLL Considerando as alíquotas típicas para ser viços, tem-se na prática
Tab. I – Resultado financeiro do caso base
Receita bruta 19 800 9000 kWh × R$ 2,20
(-) Custo de energia 6750 9000 kWh × R$ 0,75
= Margem energética 13 050 Margem por kWh
(-) Plataforma e pagamentos 1980 10% da receita
(-) Tributos 13,5% 2673 ISS mais PIS mais COFINS mais IRPJ mais CSLL
(-) Aluguel 1000 Custo do ponto
(-) Internet 100 Conectividade
(-) Manutenção 83 R$ 500 por semestre média mensalizada
Lucro operacional 8541 Resultado antes de ser viços acessórios
Rafael Cunha*
uma carga tributária efetiva aproximada de 13% a 14% sobre a receita bruta.
R esultado f inanceiro
O resultado é apresentado na tabela I, no formato de DRE simplif icada mensal, considerando um cenário mais completo de carga tributária
Conclusão do caso base
podem ser obser vados, mantendo-se todas as demais premissas constantes (tabela II).
Tab. II – Variação no preço da energia
Métrica Cenário base Energia mais barata
Custo de energia (R$ por kWh) 0,75 0,50
Receita mensal (R$) 19 800 19 800
Custo de energia (R$) 6750 4500
Lucro operacional (R$) por mês 8541 9464
No cenário analisado, o projeto apresenta faturamento anual da ordem de R$ 237 600, com lucro operacional anual aproximado de R$ 102 492
Esse nível de geração de caixa permite recuperar o investimento inicial de R$ 200 000 em cerca de 23 a 25 meses no payback simples
A taxa inter na de retorno (TIR) estimada situa-se entre 45% e 55% ao ano, o que representa um patamar elevado de retor no para um ativo desse porte. Mesmo quando comparado a um cenário de taxas de juros elevadas, com Selic na faixa de 15% ao ano, o caso base apresenta indicadores elevados do ponto de vista f inanceiro.
A redução do custo de energia em aproximadamente 33% resulta em um aumento do lucro operacional da ordem de 11%.
Var iação do Cape x
Neste cenário, avalia-se o impacto de variações no investimento inicial, mantendo o mesmo resultado operacional (tabela III)
Payback meses 18 24 30 TIR estimada ~60% a 70% a a ~45% a 55% a a ~30% a 40% a a
O Capex não altera o lucro mensal mas impacta fortemente o retor no do investimento. Projetos com menor Capex tendem a ser mais resilientes
Análise de sensibilidade
As premissas adotadas são meramente valores próximos dos reais e que, a depender das conf igurações específ icas de cada projeto, terão variações, seja no custo do equipamento ou dos ser viços operacionais, ou até mesmo no uso diário do carregador
O intuito agora é fazer uma análise de sensibilidade variando os valores para entender o quanto impactam no negócio
Ener gia mais barata
Neste cenário, avalia-se o impacto de uma redução no custo da energia, que pode ocorrer, por exemplo, contratando-se fazendas solares, onde valores da ordem de R$ 0,50 por kWh
Var iação do Ope x
Aqui são avaliadas variações nos custos operacionais recorrentes, como aluguel, ser viços e estrutura (tabela IV)
Tab IV – Variação do Opex
Métrica Opex baixo Cenário base Opex alto
Custos fixos (R$) 1000 1183 1800
Lucro mensal (R$) 8724 8541 7924
No cenário analisado, um aumento de aproximadamente 52% nos custos f ixos resulta em uma redução de cerca de 7% no lucro mensal.
Var iação da utilização
Neste cenário, avalia-se o impacto da quantidade de energia vendida por dia (tabela V)
Tab. V – Variação da utilização
Métrica Baixa utilização Cenário base Alta utilização
Energia (kWh) por dia 200 300 400
Receita (R$) por mês 13 200 19 800 26 400
Lucro (R$) por mês 5500 8541 12 800
A utilização é a variável mais sensível do modelo Pequenas variações no volume vendido geram impactos expressivos no resultado, sendo o principal fator de sucesso do projeto.
Interpretação
A análise de sensibilidade mostra que o impacto das variáveis não é proporcional Reduzir o custo de energia melhora a margem, mas o efeito é amortecido pela presença de custos fixos e percentuais; no cenário analisado, 33% no custo resultou em cerca de +11% no lucro
Já a utilização é a principal alavanca, pois aumenta receita e dilui custos f ixos. O Opex afeta o lucro de forma mais g radual, enquanto o Capex impacta sobretudo o retor no do investimento, e não o resultado mensal.
Serviços adicionais
É importante entender que cada empreendimento é único e, portanto, possui demandas específ icas que devem ser avaliadas caso a caso. Em diversas regiões do Brasil, o furto de cabos de recarga já se tor nou recorrente, o que tor na essencial a adoção de medidas de segurança, seja por meio de vigilância patrimonial, sistemas de monitoramento ou soluções antifurto Em alguns locais, inclusive, a instalação do carregador pode estar condicionada à contratação de seguro. Além disso, ambientes com perf is distintos de uso e maior rotatividade de usuários podem demandar estruturas de suporte mais robustas, como atendimento especializado 24 por 7, a f im de garantir qualidade de ser viço, conf iabilidade e melhor experiência ao usuário. Esses ser viços adicionais estão listados na tabela VI
Tab. VI – Ser viços adicionais
Ser viço Valor mensal (R$) Obser vação
Suporte 0800 800 a 2000 Atendimento ao usuário 24 por 7
Vigilância patrimonial 1000 a 3000 Monitoramento ou segurança local
Gestão operacional 500 a 2000 Backoffice, conciliação, suporte técnico Seguro 830 Aproximadamente R$ 10 000 por ano
Conclusão
A análise prática realizada aqui permite consolidar uma visão mais completa sobre a viabilidade econômica de eletropostos O caso base apresentado demonstra que, sob determinadas condições operacionais, o projeto pode gerar resultados f inanceiros relevantes, com faturamento anual signif icativo, geração consistente de caixa e indicadores como payback e TIR em patamares favoráveis, mesmo em um cenário de custo de capital mais alto
No entanto, a análise de sensibilidade evidencia que esse resultado não é uniforme e depende diretamente do comportamento das principais variáveis do modelo. Reduzir o custo da energia ajuda o resultado, mas não na mesma proporção, porque existem outros custos na operação que não mudam junto.
Por outro lado, a taxa de utilização do carregador se destaca como a principal alavanca do negócio, impactando simultaneamente receita e diluição de custos, sendo determinante para o sucesso do projeto
Além disso, Capex e Opex exercem papéis distintos na viabilidade. Enquanto o investimento inicial inf luencia diretamente o retor no do capital, decisões operacionais e de estrutura de custos afetam a rentabilidade ao longo do tempo. A tentativa de reduzir Capex a qualquer custo pode resultar em aumento de manutenção e indisponibilidade, ao passo que a inclusão de ser viços adicionais, quando bem direcionada, pode contribuir para maior utilização e melhor desempenho econômico por meio da diluição de custos
Outro ponto relevante é que cada projeto possui características próprias Demandas específ icas como segurança patrimonial, suporte ao usuário, seguros e requisitos do local podem alterar signif icativamente a estrutura de custos e a operação Por isso, é essencial compreender as nuances de cada implantação antes da execução, a f im de garantir performance operacional e atendimento aos critérios de segurança, conf iabilidade e experiência do usuário.
Dessa forma, a viabilidade de um eletroposto não deve ser analisada sob uma ótica simplif icada. Trata-se de um ativo operacional que exige planejamento técnico, compreensão regulatória, estratégia comercial e gestão contínua. A oportunidade existe e pode ser relevante, mas está diretamente condicionada à capacidade de execução do projeto e ao alinhamento entre localização, utilização, estrutura de custos e modelo de operação.
Em síntese, o estudo reforça que eletropostos podem apresentar bons resultados f inanceiros quando bem estruturados, mas estão longe de ser uma solução automática de geração de receita O sucesso depende menos do equipamento instalado e mais da qualidade das decisões que sustentam a operação ao longo do tempo
Disclaimer: Os números, premissas e resultados apresentados acima são hipotéticos e têm caráter exclusivamente didático, com o objetivo de ilustrar uma metodologia de análise Não constituem recomendação de investimento, nem substituem estudos técnicos, financeiros e regulatórios específ icos para cada projeto.
* Rafael Cunha é engenheiro eletricista e COO da startup movE Eletromobilidade Nesta coluna, discute aspectos da mobilidade elétrica: mercado, estrutura, regulamentos, tecnologias, afinidades entre veículos elétricos e geração solar fotovoltaica E-mail: veletricos@arandaeditora com br, mencionando no assunto “Coluna Veículos Elétricos”
I
N T E R S O L A
R S O U T H A M E R I C A
A maior feira & congresso da
América Latina para o setor solar
A I nt e r s o l a r S o u t h A m e r i c a , a m a i o r fe i r a &
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f a b r i c a nt e s , fo r n e ce d o r a s , d i s t r i b u i d o r a s ,
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E E S S O U T H A M E R I C A
O evento essencial para baterias e sistemas de armazenamento de energia na América Latina
A ees South America, o evento essencial para baterias e sistemas de armazenamento de energia na América Latina, enfoca soluções de armazenamento de energia que apoiam e complementam sistemas energéticos com número crescente de fontes renováveis de energia, integrando prossumidores e veículos elétricos. Com presença consolidada na região, o evento reflete a crescente importância da
integração entre eletricidade, calor e transportes
A mostra especial Element1, integrada à ees, destaca especificamente o alto potencial do hidrogênio verde no Brasil. A ees South America será realizada de 25 a 27 de agosto de 2026 no moderno e bem localizado Expo Center Norte, em São Paulo, dentro do evento The smarter E South America, a maior aliança de eventos para o setor energético da América Latina.
O M d e u s i n a s s o l a r e s –o p o rt u n i d a d e o u a r m a d i l h a ?
Vinícius Ayrão*
“
O&M é um conjun to de modelos com di feren tes combinações de risco, custo, escala e complexidade. Escol her o modelo errado pode trans formar uma opor tunidade clara em prejuízo recorren te”
Como visto nesta seção, na edição anterior, temos um mercado potencial de valor, sem contar possíveis retrofits e revamps de usinas. A pergunta é: em que modelo essa oportunidade é ou deixa de ser armadilha?
Em palestras e eventos nos últimos anos afirmei várias vezes que o principal problema do segmento de energia solar era a falta de maturidade empresarial. A principal prova disso são as falhas de gestão e de obras, tanto por parte do cliente/investidor quanto dos integradores/EPCistas Isso chama atenção porque setores como construção civil e infraestrutura já lidam, há décadas, com empreendimentos mais complexos e com práticas mais consolidadas
Neste momento, com a redução do crescimento do setor de energia solar, as empresas necessitam ampliar portfólio ou mudar de segmento E a primeira alternativa que surge, quase de forma automática, é a manutenção ou, de forma mais ampla, a operação e manutenção (O&M)
Por que isso faz sentido?
O primeiro motivo para se pensar em manutenção é a base de clientes de instalação de sistema solar Além disso, existe uma série de sistemas que foram vendidos e instalados por empresas que não existem mais, ou que fizeram um trabalho ruim E falta de manutenção em um sistema solar significa perda de geração, que se traduz em prejuízo financeiro Ou seja, a O&M, se bem precificada, pode gerar saldo positivo ao cliente.
Temos ainda:
• Usinas de investimentos;
• Grupos econômicos com muitos ativos; e
• Portfólios que exigem padronização de gestão
Mas o que é O&M em usinas solares?
Não temos uma literatura nem uma divisão clara dos ser viços de O&M, seja da parte do contratante, seja da parte do contratado. Ao estudar o tema, aprendi algumas coisas, desaprendi outras e organizei uma separação Não como regra, mas como uma forma de estruturar decisões.
Este artigo foca em usinas de minigeração de potências superiores a 500 kW
Os modelos de O&M na prática
Mais do que ser viços isolados, o que existe são modelos distintos de atuação, com níveis diferentes de risco, custo e maturidade Esses modelos podem ser entendidos como níveis crescentes de maturidade, variando entre abordagem reativa, preventiva e preditiva, com diferentes níveis de risco e responsabilidade Conser vação – O ser viço de conser vação consiste na limpeza do terreno (vegetação) e limpeza dos módulos Todos reconhecem sua importância, pois afeta claramente a geração No entanto, os contratantes têm um “número mágico” para contratação dos ser viços (normalmente, preço por módulo) que não remunera a estrutura e os riscos de uma empresa corretamente estabelecida. De forma prática, os con-
tratantes querem pagar valores de autônomos, mas com exigências de empresas estruturadas
Tentativas de mecanização dos serviços de limpeza dos módulos apresentam alguns desafios:
• Falta de alinhamento entre as mesas nas usinas de estruturas fixas; e
• Infraestrutura hidráulica não pensada em projeto, fazendo com que cada usina apresente dificuldades distintas
Quanto à supressão vegetal, além dos custos de mão de obra, há a preocupação de não causar danos aos módulos, principalmente quando estes são bifaciais.
A melhor solução nesses casos seria desenvolver equipes locais, com contratação como MEI ou com contrato de trabalho intermitente (CLT) No entanto, é relativamente comum, principalmente em usinas de solo e remotas, a contratação de trabalhadores não qualificados e não registrados, que podem acidentar-se ou danificar equipamentos. Isso traz um passivo trabalhista, tanto para a empresa que fez o ser viço quanto para o dono do ativo, o que não vem sendo precificado atualmente
Manutenção pre ventiva anual – Seria o modelo mais simples Um escopo definido, uma visita periódica, normalmente anual. Essa visita teria um escopo mínimo, consistindo de:
• Inspeção visual dos módulos e inversores (verificação de trincas ou pontos visíveis de aquecimento);
• Termografia aérea dos módulos;
• Termografia das conexões dos inversores (c a e c c );
• Termografia dos quadros elétricos e dos transformadores;
• Reaperto das conexões elétricas (inversores, chaves, disjuntores, etc );
• Manutenção preventiva da subestação, com ensaios elétricos, limpeza, reaperto e ensaios do sistema de proteção; e
• No caso de uso de transformadores a óleo, análise físico-química do óleo.
Para que esse tipo de manutenção seja eficaz, é necessário que os resultados de ensaios e relatórios sejam arquivados, como um prontuário. A comparação entre resultados trará informações importantes sobre a saúde da usina Essa metodologia, de manutenção anual apenas, tem algumas desvantagens É comum que em cada manutenção seja realizada uma nova concorrência e, caso não haja qualificação de fornecedores (quase nunca há) nem um edital de concorrência bem definido, a qualidade das manutenções pode não ser a mesma, prejudicando a análise ao longo do tempo.
Manutenção cor retiva – É provavelmente o modelo mais difundido. Funciona de forma reativa: a geração cai → alguém percebe → uma empresa é acionada.
Recentemente, um grupo varejista com uma usina de 1 MW em telhado entrou em contato após quatro anos de operação com geração abaixo de 50% do esperado Esse tipo de situação não é exceção É padrão
Operação/manutenção mensal – Basicamente, a empresa terceirizada acompanha o monitoramento da usina (e o Scada, quando há) e tem um programa de manutenção preventiva, com visitas mensais (algumas vezes semanais) à instalação
Isso passa a ser intensivo em mão de obra, com aumento proporcional de custos, sem necessariamente trazer benefícios Via de regra, conexões não afrouxam em um mês e um bom projeto de super visão e monitoramento tende a ser mais útil do que uma visita mensal ou semanal.
Esse tipo de manutenção remete à filosofia que usamos em prédios, onde temos muitas máquinas e peças girantes
que têm mais desgaste do que módulos e inversores
Central de monitoramento – Esse é um modelo que permite que empresas menores, mas com alta qualidade técnica de análise e com tecnologia, ganhem escala nesse segmento Basicamente, o monitoramento das plantas fica por conta da empresa terceirizada, que faz acompanhamento minucioso da usina, usando análise de dados, com monitoramento estruturado e análises preditivas
Esse modelo é dependente do Capex original para a super visão e controle e da plataforma de tecnologia a ser utilizada
O fato de haver o sistema de supervisão (Scada) não significa que este está sendo bem utilizado O segredo para as empresas que querem explorar esse nicho é sair de mostrar um dashboard bonito e relatórios para entregar análises e definir ações preditivas.
Em muitos casos, a abertura de OS e uma análise de causas é realizada pela empresa responsável pelo monitoramento, permitindo que os problemas sejam resolvidos mais rapidamente
Monitoramento + manutenção pre ventiva – É o modelo mais comum em MMGD. A empresa que faz o monitoramento realiza a manutenção preventiva, com escopo e periodicidade predefinidos Pode ou não incluir a conser vação. Idealmente os proprietários preferem que esteja incluída, mas para isso é necessário que a empresa que presta o serviço tenha um volume mínimo de usinas em determinada região, assim viabilizando financeiramente o modelo Nesse modelo a empresa de manutenção recebe um valor fixo mensal Uma vantagem é que a O&M não assume os problemas da má execução. Em contrapartida, para o contratante, em obras muito ruins, ele fica sem previsibilidade dos custos.
Contratos com obr igação de disponibilidade ou de PR – Nesse modelo, os responsáveis pela O&M precisam garantir metas de disponibilidade e/ou performance, sendo punidos se não atingirem.
É um modelo mais maduro, mas de grande risco para o mantenedor, em função dos riscos de projetos e má construção. Deve ser exigido quando a O&M é da empresa que executou a obra Quando há uma due diligence técnica de qualidade, a empresa que pretende ofertar o O&M pode precificar em função dos resultados dessa due diligence, mas esse modelo busca transferir parte do risco do proprietário do ativo para a empresa de O&M
O ponto central: O&M é gestão de risco
A principal conclusão não é técnica. É estratégica O&M não é um ser viço único, mas sim um conjunto de modelos com diferentes combinações de:
• risco;
• custo;
• escala; e
• complexidade
E escolher o modelo errado pode transformar uma oportunidade clara em prejuízo recorrente
Conclusão
O mercado de O&M em energia solar no Brasil ainda está longe da maturidade. Isso cria, ao mesmo tempo, riscos relevantes e oportunidades reais
Mas essas oportunidades não estão em “fazer manutenção”. Estão em definir corretamente o modelo de atuação e os riscos que se está disposto a assumir E é exatamente nessa escolha que está a diferença entre capturar valor ou assumir prejuízo Porque, nesse mercado, mais do que executar bem, é preciso escolher bem onde atuar
Até a próxima edição
* Engenheiro eletricista, especialista em proteção elétrica e engenharia regulatória, atuando na análise de riscos técnicos e enquadramentos normativos junto a concessionárias, diretor técnico do Sindistal-RJ e atuante na formação e desenvolvimento de profissionais do setor, Vinícius Ayrão apresenta nesta coluna aspectos de projeto, execução e operação das instalações FV Os leitores podem apresentar dúvidas e sugestões pelo e-mail: fv projetoinstalacao@ arandaeditora com br, mencionando em “assunto” “Coluna Projeto e Instalação”
No Brasil
Intersolar Brasil Nordeste – A sexta edição do Intersolar Brasil Nordeste acontecerá nos dias 28 e 29 de abril, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, e espera receber mais de 4 mil visitantes A exposição e o cong resso devem reunir cerca de 60 empresas expositoras, 350 cong ressistas e aproximadamente 30 palestrantes para debater o futuro da energia solar, hidrogênio verde (H2V) e armazenamento de energia. Realização: Solar Promotion, FMMI e Aranda Eventos Informações: https://www intersolar-summit-brasil com/nordeste.
Sepope – De 18 a 20 de maio, Foz do Iguaçu, PR, sediará a 16ª edição do Sepope - Simpósio de Especialistas em Planejamento da Operação e Expansão Elétrica, fórum inter nacional que visa debater os principais desaf ios técnicos e estratégicos relacionados ao planejamento, à operação e ao crescimento da infraestrutura elétrica. Promovido pelo Cig re-Brasil, com apoio da Itaipu Binacional, o encontro reunirá agentes de geração, transmissão e distribuição, operadores, órgãos reguladores, entidades de planejamento, fabricantes, universidades, consultorias e centros de pesquisa A prog ramação técnica destacará metodologias para expansão da geração, transmissão e distribuição; aumento da resiliência das redes; prevenção de blecautes e mitigação de impactos; avanços no uso de medição fasorial sincronizada; além dos efeitos do novo mix de geração, dos Sistemas de Armazenamento de Energia (SAE) e de cargas especiais, entre outros assuntos. Mais informações: https://sepope com br/
Hidrogênio – A primeira edição brasileira do Hyvolution, evento dedicado ao hidrogênio e descarbonização, vai ser realizada nos dias 16 e 17 de junho, no Centro de Convenções do Distrito Anhembi, em São Paulo. A expectativa é receber cerca de 6 mil visitantes, mais de 800 congressistas e pelo menos 100 marcas expositoras. Entre o público-alvo estão executivos de empresas, especialistas, investidores e
representantes do poder público. O objetivo é impulsionar empreendimentos e políticas sustentáveis voltadas à transição energética e reforçar a importância do tema em âmbito nacional e inter nacional. Mais informações em https:// www hyvolution com
Energy Summit Global – O Energy Summit Global, focado em inovação e empreendedorismo nos setores de energia e sustentabilidade, será realizado em parceria com o MIT de 23 a 25 de junho, no Rio de Janeiro, RJ, para discutir f inanciamento, inovação e execução de projetos estratégicos no setor energético. A edição de 2026 marca a estreia da feira Energy Summit Expo, organizada por distritos temáticos, e voltada à execução de projetos, conexões estratégicas e investimentos. Entre os destaques está o Pavilhão Cidades e Regiões, espaço dedicado a estados e municípios que apresentarão projetos prioritários e oportunidades de investimento Já a International Leaders Zone reunirá delegações estrangeiras, consulados e agências inter nacionais interessadas em cooperação tecnológica e atração de capital A questão geopolítica também estará presente na Megatrends Zone, abordando tecnologias e questões econômicas que estão redesenhando o setor energético Saiba mais em https:// energysummit.global/.
REDs – Desaf ios técnicos, regulatórios e de mercado relacionados aos recursos energéticos distribuídos (REDs), incluindo geração distribuída, armazenamento, microrredes, veículos elétricos e a interface TSO-DSO, serão os principais temas do Senred - Seminário Nacional de Recursos Energéticos Distribuídos, que acontece nos dias 25 e 26 de junho na UFPR - Universidade Federal do Paraná O evento é uma iniciativa do Comitê de Estudos Sistemas Ativos de Distribuição e Recursos Energéticos Distribuídos –Cig re-Brasil CE-C6. Informações e inscrições: https://senred cig re org br/
The smar ter E – O The smarter E South America 2026 acontecerá de 25 a 27 de
agosto no Expo Center Norte, em São Paulo, cong regando os eventos: Intersolar South America - A maior feira & cong resso para o setor solar da América do Sul; ees South America - Feira de baterias e sistemas de armazenamento de energia; Eletrotec+EM-Power South AmericaFeira de infraestrutura elétrica e gestão de energia; e Power to Drive South America - Feira de produtos e ser viços para eletromobilidade. Organização de Solar Promotion International GmbH, Freiburg Management and Marketing Inter national e Aranda Eventos & Cong ressos. Informações: www t hesmartere com br
No exterior
Workshop Cired – A 10ª edição do Cired Workshop será realizada nos dias 9 e 10 de junho, em Bruxelas, Bélgica O evento, que terá como tema central “Implementando inovações bem-sucedidas em redes de distribuição”, deve reunir cerca de 500 especialistas da área, abordando três g randes eixos: novos métodos para planejamento de redes conf iáveis, resilientes e sustentáveis; experiências práticas na implementação de inovações; e regulamentações e práticas para fomentar inovação e reduzir riscos Uma exposição paralela complementa a prog ramação. Mais informações: https://2026brussels cired net/
Intersolar Europe – A Intersolar Europe 2026, composta por conferência e exposição e considerada um dos principais eventos globais da indústria solar, ocorrerá entre os dias 23 e 26 de junho, no Messe München, em Munique, Alemanha A feira pretende destacar tendências de mercado, inovações tecnológicas e modelos de negócios emergentes Os temas principais do cong resso incluem tecnologias fotovoltaicas, usinas solares e sistemas térmicos solares, com oportunidades para networking, participação em conferências lideradas por especialistas e exposição de soluções Mais informações no site of icial do evento: www intersolar de
Cabo para sistemas FV
Voltado para instalações fotovoltaicas, o cabo Solarcom, da Cobrecom, empresa que fabrica os e cabos elétricos de baixa tensão, possui cobertura nas cores preta, vermelha e verde/amarela De acordo com a empresa, está de acordo com as especi cações da NBR 16612 e com a NBR NM-280, e conta com a certi cação inter nacional de conformidade EN 50618 e o certi cado TÜV Rheinland. O produto pode ser utilizado em instalações xas, conexões entre os módulos fotovoltaicos, caixas de junções (string box) até os inversores do sistema de geração de energia solar Suporta condições extremas de temperatura e intempéries, a rma a Cobrecom www.cobrecom.com.br
rápidas e evitando prejuízos ao longo do tempo
https://br.goodwe.com/
Microinversor solar
Gestão digital de sistemas fotovoltaicos
A SEMS+, tecnologia recém-lançada pela GoodWe, permite acompanhar geração, consumo e envio de energia à rede em tempo real. Segundo a empresa, ao identif icar horários de maior geração e maior consumo, é possível ajustar hábitos, redistribuir cargas e aproveitar melhor a energia produzida, reduzindo perdas e aumentando a autossuf iciência Outro diferencial da solução, de acordo com a companhia, é o uso de inteligência artif icial para analisar o desempenho do sistema fotovoltaico A tecnologia identif ica quedas de produção, falhas em equipamentos e comportamentos fora do padrão, permitindo ações corretivas
A TSunESS disponibiliza ao mercado as linhas de microinversores TSOLMS2000, TSOL -MX2250 e TSOLMP3000 Os equipamentos operam com topologia de múltiplos MPPTs individuais, permitindo o gerenciamento independente dos módulos Os modelos TSOL -MS2000 e TSOL -MX2250 contam com quatro MPPTs, enquanto o TSOL -MP3000 possui seis entradas independentes Entre as características construtivas, os equipamentos utilizam f ixação direta ao perf il, conectores CC com extensão e cabos tronco com engate rápido Os microinversores suportam módulos de potência superior a 700 W e integ ram comunicação via Wi-Fi com antena de longo alcance. Também contam com design voltado à dissipação de calor, com operação em temperaturas elevadas (derrating acima de 50 °C). A Fotus distribui esses microinversores da TSunESS no Brasil https://fotus com br/
IA para proteção e eficiência operacional
A Hitachi Energy lançou o HMAX Energy, um conjunto de ser viços e soluções baseados em inteligência artif icial, projetado para proteger infraestruturas energéticas críticas e promover ef iciência operacional. A solução abrange energia, mobilidade e indústria, incluindo desde painéis de manobra e transformadores até subestações completas, além de sistemas complexos de transmissão em corrente contínua de alta tensão (HVDC) e soluções de qualidade de energia O HMAX Energy é modular e permite, de acordo
com a empresa, decisões e planejamento de ações com base em recomendações geradas por modelos de IA; identif icação precoce de problemas por meio do monitoramento de ativos; e verif icações periódicas de integ ridade e modelos de desempenho e simulação aprimorados por IA, apoiados por equipes especializadas em campo, a f im de estender a vida útil de equipamentos críticos www.hitachiener gy.com/ ser vices-and-consulting/hmax-ener gy
Controle de fator de potência
A IMS Power Quality for nece o controlador inteligente de fator de potência PowerNet C-300, desenvolvido para atender a demandas de ef iciência, conf iabilidade e redução de custos operacionais de indústrias. Pode operar em ambientes com múltiplas fontes de energia, como redes elétricas convencionais, geradores e sistemas fotovoltaicos De acordo com a empresa, o equipamento não apenas corrige o fator de potência, mantendo-o dentro dos limites exigidos pela regulamentação, mas também oferece registro histórico e monitoramento contínuo das g randezas elétricas, permitindo rastreabilidade do consumo e visão do comportamento energético da instalação. For nece: monitoramento em tempo real de parâmetros como tensão, corrente, potência, demanda, leitura online de harmônicos, além do registro histórico com data e hora. Conta com monitoramento em quatro quadrantes e três faixas independentes de atuação.
https://ims.ind.br
Transição energética – Segundo o Energy Transition Investment Trends 2026, novo relatório global da BloombergNEF, os investimentos globais
em tecnologias de baixo carbono atingiram US$ 2,3 trilhões em 2025, o maior volume já registrado, com crescimento de 8% em relação ao ano anterior A publicação aponta que o transporte eletrif icado se consolidou como o maior destino dos investimentos globais, somando US$ 893 bilhões em 2025, alta de 21% em relação ao ano anterior O avanço dos veículos elétricos e da infraestrutura de recarga conf irma que a eletrif icação é hoje o principal vetor da transição energética. As redes elétricas aparecem como outro destaque do relatório, com US$ 483 bilhões investidos, crescimento de 17% Já os investimentos em energias renováveis totalizaram US$ 690 bilhões, registrando queda
de 9,5%, impactados principalmente por reformas no mercado de energia da China Ainda assim, o setor permanece como um dos pilares centrais da transição global. O Brasil aparece como o 9º maior mercado global em investimentos em transição energética, com US$ 38 bilhões em 2025, concentrados majoritariamente em fontes renováveis.
https://about.bnef.com/insights/ f inance/ener gy-transitioninvestment-trends/
Cibersegurança no setor elétr ico – Eduardo Honorato, head of OT cybersecurity Latam na NovaRed e especialista em cibersegurança OT e cultura de resiliência cibernética na Era Digital, lançou o livro Cibersegurança no setor elétrico: fundamentos, desaf ios e melhores práticas, publicado pela Editora Cognita. A obra discute desaf ios e estratégias de resiliência ciber nética em energia É fundamentada em normas inter nacionais, como IEC 62351, IEC 62443 e NERC CIP, reunindo conceitos essenciais, análises de riscos, estudos de casos reais e dire-
trizes aplicáveis à realidade operacional das empresas do setor elétrico A publicação é direcionada a engenheiros, gestores, reguladores e prof issionais de segurança, que buscam compreender como equilibrar eficiência operacional e resiliência ciber nética no setor de energia Além dos fundamentos técnicos, discute práticas de gestão de riscos, auditorias, resposta a incidentes e uso de tecnologias emergentes como inteligência artif icial, blockchain e criptog raf ia pós-quântica.
Websér ie Solfácil – A Solfácil, ecossistema de soluções para geração de energia solar no Brasil, lançou uma websérie para mostrar, na prática, como funciona a instalação de sistemas com inversor híbrido e baterias em residências brasileiras A produção, dividida em dez episódios, está disponível no Youtube e acompanha um
projeto real, desde a primeira visita técnica até o início de operação do sistema A série é gravada na casa de Bárbara Rubim, que participa como cliente final do projeto e também contribui com sua visão profissional como especialista em regulação do setor elétrico, trazendo análises sobre homologação, decisões técnicas e os desaf ios do processo. A proposta é detalhar cada etapa da instalação: dimensionamento do sistema, homologação junto à concessionária de energia, instalação dos equipamentos e monitoramento do consumo no dia a dia A websérie é voltada tanto para consumidores interessados na tecnologia quanto para profissionais que atuam na instalação desses sistemas. Ao longo dos episódios, são abordadas decisões técnicas,
erros comuns e pontos de atenção que impactam o desempenho do projeto https://www.youtube.com/ watch?v=KmtvNGuir5s
C o r t e s d e g e ra ç ã o r e n ová v e l a m ea ça m ex p a n s ã o d a f o n t e s o l a r
“ Os geradores solares acumulam bil hões de reais
em prejuízos A lém disso, apenas em 202 5 foram revogadas
509 outorgas de proje tos solares e eólicos, somando 2 2 GW”
Oavanço das fontes renováveis no Brasil enfrenta hoje um de seus maiores desa os: o crescimento do chamado curtailment, os cortes de geração de energia elétrica impostos às usinas renováveis, como as solares fotovoltaicas e eólicas Este fenômeno, que se intensicou nos últimos anos, tornou-se a maior crise enfrentada pelas energias renováveis no Brasil e traz impactos diretos sobre investimentos, empregos verdes e a própria transição energética do País O problema vai além da interrupção da geração. Atualmente, os geradores são duplamente penalizados Primeiro, porque são obrigados a reduzir sua geração, por determinação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), sem que haja ressarcimento adequado, mesmo não tendo qualquer responsabilidade ou controle sobre essas decisões operativas Segundo, porque continuam obrigados, contratualmente, a entregar a eletricidade às suas contrapartes (consumidores), tendo, como consequência, que realizar sua compra a elevados valores de mercado
Os prejuízos são concretos e signicativos. Nos últimos anos, os geradores solares acumulam bilhões de reais em prejuízos decorrentes destes cortes de geração Além disso, dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que, apenas em 2025, foram revogadas 509 outorgas de projetos solares e eólicos, somando cerca de 22 gigawatts de capacidade nominal que não será mais construída no Brasil Isso representa mais de R$ 70 bilhões em investimentos perdidos, e, junto com eles, centenas de
milhares empregos verdes que deixarão de ser gerados para a população
Os cortes de geração renovável não são problema exclusivo do Brasil, mas chama atenção a forma insatisfatória com a qual o País tem lidado com esta realidade Os avanços feitos, apesar de importantes, são lentos e insu cientes para estancar e superar a crise.
A compensação nanceira é uma peça central nesse processo Segundo o ONS, entre setembro de 2023 e novembro de 2025, cerca de 21,5% da geração solar deixou de ser realizada devido aos cortes Apenas parte desse volume, aproximadamente 9,3%, é reconhecida pela Aneel como oriunda de eventos passíveis de ressarcimento, sendo que a ausência de compensação adequada agrava os prejuízos e interdita o desenvolvimento de novos projetos
Muito dos esforços até o momento tem se concentrado em medidas que buscam remediar o passado Sob a perspectiva estrutural, quatro frentes de trabalho precisam caminhar em conjunto A primeira é uma ampla reforma tarifária, capaz de melhor preci car a energia elétrica e os custos de operação do sistema, trazendo sinais de preço adequados e realistas aos consumidores
Já a segunda envolve criar condições para o desenvolvimento do armazenamento de energia elétrica no Brasil Sistemas de baterias, de grande e pequeno portes, permitem armazenar os excedentes gerados em momentos de abundância e utilizá-los em horários de maior demanda, aumentando a e ciência do
sistema e reduzindo desperdícios Também contribuem para a estabilidade, resiliência e exibilidade operativa do Sistema Interligado Nacional, oferecendo ser viços essenciais como controle de tensão, frequência, ativos e reativos, bem como potência ou capacidade elétrica para a matriz.
A terceira frente está na infraestrutura de transmissão e distribuição A expansão da geração renovável não tem sido acompanhada pelo crescimento adequado das redes elétricas, o que limita a capacidade de escoamento efetivo da eletricidade gerada Assim, é necessário aprimorar o planejamento da infraestrutura do setor, com leilões anuais de transmissão realizados de forma antecipada e alinhados ao ritmo de novos projetos.
Por m, a quarta frente está em estimular o consumo elétrico em regiões próximas à geração para não só reduzir os cortes, como também aumentar a eciência geral do sistema. Grandes cargas eletrointensivas, como data centers, hidrogênio verde, eletri cação de processos produtivos da indústria, comércio, ser viços e agronegócio, bem como a mobilidade elétrica, têm potencial para absor ver parte considerável do excedente atual Assim, uma solução estrutural e coordenada, que envolva inclusive outros setores do segmento de infraestrutura, será capaz de reverter o atual quadro, que paralisa novos investimentos, aumenta as revogações de outorgas emitidas e tem levado, em última instância, à perda do protagonismo nacional na transição energética global
* Bárbara Rubim é Presidente do Conselho de Administração da Absolar; Eduardo Azevedo é Diretor de Negócios da Solatio e Vice-Presidente eleito de Geração Centralizada da Absolar; Rodrigo Sauaia é CEO da Absolar - Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica