Sumário
13 GUIA I
24 PRÉVIA
22 GUIA II
BI-MU 2026 reúne inovação em usinagem e manufatura digital em Milão A mostra italiana comemora 70 anos destacando a integração entre robótica, processos aditivos, metrologia e tecnologias habilitadoras da Indústria 4.0 no setor metal mecânico.
26 OPINIÃO Redefinindo o desempenho no fresamento de materiais compostos Veja como o design avançado de ferramentas e a engenharia de materiais estão superando os limites da usinagem abrasiva.
SEÇÕES Carta ao leitor ............................................................................... 4 Capa: Processo de usinagem com o uso de ferramenta cerâmica. Imagem: NTK Cutting Tools. Layout da capa: Vanessa C. Silva
Notas & Informações ................................................................... 6 Literatura ................................................................................... 28 Produtos .................................................................................... 29
Anunciantes Avoti ................................................................................ 17 Casa Metal ....................................................................... 09 Chmer’s ............................................................................. 19
I T
Iscar ........................................................................... 2ªCapa TopSolid’Brasil .................................................................. 05
As opiniões constantes de artigos assinados não são necessariamente coincidentes com as de Máquinas e Metais
ARTIGOS
Rosqueamento de metal duro por retificação e caracterização da textura resultante Pesquisa investigou o rosqueamento de metal duro por retificação, analisando a textura da superfície em parâmetros bidimensionais.
Sistemas MQL Guia apresenta os principais fornecedores de sistemas MQL (Mínima Quantidade de Lubrificante), técnica que consiste na pulverização de uma quantidade muito pequena de óleo misturada com ar comprimido, e tem conquistado espaço em diferentes processos de usinagem.
A C
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14 ANÁLISE
Cabeçotes de alta rotação Desenvolvidos para estender limites na usinagem de precisão, os cabeçotes de alta rotação aumentam a produtividade das máquinas-ferramentas. Este guia reúne opções de mercado acionadas por motores pneumáticos e elétricos, apresentando também referências de desempenho como rotações mínima e máxima, potência e pressão.
GUIAS
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Carta ao Leitor
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A era da eficiência e da manufatura integrada A indústria metal mecânica avança com maturidade técnica para transformar desafios de produtividade em autonomia tecnológica.
A indústria metal mecânica, apesar dos impasses deste momento políticoeleitoral que inspira estagnação, vive um momento de convergência tecnológica e aquecimento produtivo, reafirmando o seu protagonismo no desenvolvimento econômico do País. Longe de operar a passos lentos, como seria esperado tempos atrás, o setor encontrou seus meios para se descolar do contexto político-econômico e responder com flexibilidade e rigor técnico a cada nova demanda de diferentes mercados que elevam cada vez mais os seus padrões de qualidade. O desempenho recente de setores estratégicos, mostrado na seção de Notícias desta edição, a partir da página 6, ilustra esse vigor. No Polo Industrial de Manaus, a produção de motocicletas e bicicletas alcançou marcas históricas, impulsionada tanto pela expansão da mobilidade urbana quanto pela consolidação de novos nichos, como
o de bicicletas elétricas e modelos de alta cilindrada. Na aviação, o ritmo recorde da Embraer e a sua carteira de pedidos em níveis inéditos fomenta uma rede qualificada de ferramentarias e prestadores de serviços de usinagem, desafiados a processar ligas complexas em equipamentos de ponta. Paralelamente, dados de mapeamentos como os Cadernos Prospectivos da Base Industrial de Defesa, lançados pela CNI e ABDI, mostram que os materiais avançados e os processos integrados não são mais projeções distantes, mas oportunidades imediatas de diversificação para as empresas do setor. Vemos ainda a consolidação de sistemas de manufatura híbrida, a evolução de plataformas de retificação com guias hidrostáticas e a chegada da deposição a laser às rotinas de revestimento de peças metálicas. E acompanhando esse panorama, esta edição traz também um raio-X da oferta
de sistemas MQL (Mínima Quantidade de Lubrificante) e de cabeçotes de alta rotação, ambos promotores de processos mais precisos, limpos e eficientes no ambiente da usinagem. A evolução dos temas tratados a cada edição torna visível o quanto a capacitação do setor encontra-se em franca evolução, resultando em autonomia tecnológica para atender às necessidades de segmentos com altos requisitos de qualidade. Esperamos que esta vitalidade não se abale por qualquer que seja o resultado do processo político em curso neste momento.
Hellen Corina de Oliveira e Souza Diretora de redação hellen.souza@arandaeditora.com.br
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MÁQUINAS E METAIS, MÁQUINAS E METAIS, revista brasileira de tecnologia de usinagem e automação da manufatura, é uma publicação de Aranda Editora Técnica Cultural Ltda. O acesso à revista digital e o download no formato pdf são gratuitos em nosso site www.arandanet.com.br/revista/MM Redação, Publicidade, Administração e Correspondência: Alameda Olga, 315 - 01155-900 - São Paulo - SP - BRASIL Tel.: +55 (11) 3824-5300 - info@arandanet.com.br www.arandanet.com.br
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Estudo mapeia as demandas industriais do setor de defesa e aponta oportunidades para o setor metal mecânico A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou, em agosto, em Brasília e com transmissão on-line, a coleção “Cadernos Prospectivos: Mapeamento de Competências do Profissional da Base Industrial de Defesa”, com o objetivo de orientar decisões estratégicas e apoiar o fortalecimento tecnológico da cadeia produtiva nacional para o setor nos próximos dez anos. A coleção é resultado de uma iniciativa da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em parceria com o Observatório Nacional da Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Fundação Instituto de Administração (FIA/USP), e foi elaborada com base em metodologia estruturada de análise prospectiva desenvolvida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). A publicação antecipa tendências organizacionais, ocupacionais e tecnológicas no setor de defesa e segurança nacional, identificando oportunidades para as empresas de usinagem e fabricação mecânica com interesse em atuar como fornecedoras destes segmentos, com aplicações tanto civis quanto militares. São identificadas mais de 120 tecnologias emergentes que passam a ter forte presença na cadeia fabril, exigindo adequação em processos produtivos, infraestrutura de testes e qualificação da mão de obra para o atendimento a padrões rigorosos de qualidade e confiabilidade. Ao todo foram elaborados oito estudos prospectivos com ênfase nos segmentos: aeroespacial; armas e equipamentos de controle de tiro; defesa cibernética; sistemas C4ISTAR (controle, comunicações, computação,
Notas & Informações
Industrial de Defesa (BID) podem ser baixados gratuitamente no seguinte link: https://www.abdi.com.br/ industria-de-defesa. ABDI - www.abdi.com Modelo de prospecção utilizado no estudo lançado pela CNI e ABDI.
inteligência, vigilância, aquisição de alvos e reconhecimento); munições, propelentes e explosivos; plataformas marítimas e fluviais; plataformas veiculares militares terrestres e uniformes militares. A manufatura aditiva (impressão 3D), por exemplo, ganha destaque como método crucial para a fabricação de peças para armamentos. Os materiais avançados como ligas metálicas e aços de alta resistência são apontados como estratégicos, assim como os tratamentos e revestimentos que visam aumentar a vida útil, reduzir o peso e melhorar o desempenho térmico de equipamentos, requisitos já bastante conhecidos pelos profissionais do setor metal mecânico. A análise destaca a convergência dos setores industriais para ambientes de manufatura digital e integrada. No chão de fábrica, essa transição exige a adequação das rotinas operacionais em favor de processos que exigem integração de sistemas, análise de dados e controle dimensional avançado em tempo real. Com base nesse cenário, os cadernos recomendam ações estruturadas para atualização curricular, capacitação técnica e investimentos em infraestrutura e laboratórios, visando reduzir dependências externas em áreas críticas. Ao conectar desenvolvimento tecnológico e formação profissional, a iniciativa oferece diretrizes para que empresas do setor metal mecânico adaptem suas capacidades fabris, com foco no aumento da competitividade e na consolidação da autonomia tecnológica do País. Os Cadernos Prospectivos da Base
Recorde de produção no setor de duas rodas. Mais demanda para o setor metal mecânico. A produção de motocicletas e bicicletas no Polo Industrial de Manaus (PIM), sob acompanhamento da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares Abraciclo (Brasil), atingiu em julho o maior volume mensal histórico do setor, com 190.794 motocicletas e 37.413 bicicletas fabricadas. O aumento é impulsionado pelo crescimento da demanda por mobilidade urbana e serviços de entrega, e traz consigo o aumento direto no volume de usinados no Brasil. No segmento de motocicletas, o avanço produtivo de 36% em relação a julho de 2025 foi acompanhado pelo crescimento expressivo de 30,7% na fabricação de modelos de alta cilindrada no acumulado do ano, totalizando 36.971 unidades. A manufatura desses motores e componentes estruturais exige tolerâncias geométricas rigorosas, assim como a usinagem de ligas leves e aço de alta resistência mecânica. Na divisão de bicicletas, a
O crescimento na produção de bicicletas elétricas e de motocicletas de maior porte redimensiona o mercado de serviços de usinagem. Imagem: Thiago Domingues Vieira / Shutterstock.
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produção de modelos elétricos registrou crescimento de 77,3% no acumulado de janeiro a julho frente ao mesmo período de 2025, somando 43.107 unidades e alcançando 21,5% do volume total fabricado no PIM. A expansão da mobilidade elétrica também demanda novas soluções de usinagem para alojamentos de motores integrados aos quadros, caixas de engrenagens planetárias e suportes de bateria usinados. “O desempenho registrado em julho reforça a trajetória positiva do nosso setor ao longo de 2026 e confirma a força da indústria de motocicletas e a capacidade das fabricantes instaladas em Manaus de responder à demanda do mercado”, destacou o presidente da Abraciclo, Marcos Bento. Abraciclo - https://abraciclo.com.br
Bom desempenho da Embraer impulsiona a usinagem de precisão A Embraer atingiu uma carteira de pedidos recorde de US$ 34,5 bilhões no segundo trimestre deste ano, registrando um crescimento de 16% em relação ao mesmo período de 2025. Esse avanço produtivo e financeiro decorre do aumento das entregas pelas divisões de Aviação Comercial, Executiva, Defesa & Segurança e Serviços & Suporte, impulsionado por novos contratos e pelo nivelamento operacional de fabricação. Para o setor de usinagem e manufatura mecânica no Brasil, este cenário representa a expansão direta da demanda por componentes estruturais e usinados de alta precisão, exigindo maior capacidade de fornecimento de peças qualificadas para o setor aeroespacial. A Globo Usinagem (Jambeiro, SP), por exemplo, desenvolveu capacidade técnica para atender a esta demanda usando métodos como o fresamento em cinco
Com avanço nos pedidos, fabricante de aeronaves garante a demanda por serviços de usinagem com alto rigor técnico. Imagem: Embraer.
eixos e o processamento de ligas de titânio e Inconel. O ritmo produtivo da Embraer permitiu a entrega de 65 aeronaves no segundo trimestre deste ano – o melhor desempenho trimestral dos últimos 16 anos – e o acúmulo de 109 unidades entregues no primeiro semestre do ano, volume 20% superior ao de 2025. Este volume exige das empresas de usinagem terceirizada e ferramentarias parceiras estabilidade e eficiência para atender aos prazos das linhas de montagem. Na divisão de Aviação Comercial, a carteira de pedidos atingiu US$ 15,1 bilhões, impulsionada por pedidos como o da Azorra (Estados Unidos) para 15 jatos E195-E2 e contratos informados com a Fuji Dream Airlines (Japão) para o modelo E175 (foto acima). Simultaneamente, a Aviação Executiva alcançou US$ 7,8 bilhões em pedidos firmes após os novos modelos Praetor 600E e Praetor 500E obterem a tripla certificação junto à ANAC (Brasil), FAA (Estados Unidos) e EASA (União Europeia). A unidade de Defesa & Segurança obteve um avanço de 42% em relação ao ano anterior, somando US$ 6,1 bilhões em pedidos, com destaque para o contrato firmado com os Emirados Árabes Unidos envolvendo até 20 unidades da aeronave multimissão C-390 Millennium, além do suporte para a frota da Força Aérea Brasileira. Já a área de Serviços & Suporte registrou carteira recorde de US$ 5,5 bilhões, incluindo acordos com a Jazz Aviation (Canadá) e o
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programa Embraer Collaborative Inventory Planning. Com investimento reportado de R$ 609,2 milhões no segundo trimestre e estimativas revisadas para uma margem EBIT ajustada entre 10% e 10,6% ao fim de 2026, a Embraer (Brasil) consolida um ecossistema produtivo aquecido. A fabricação de componentes para essas plataformas exige rigoroso controle de tolerâncias geométricas, estimulando a adoção de equipamentos de usinagem multieixos e sistemas automatizados de medição e controle da qualidade, visando absorver o alto nível de exigência técnica. Embraer - www.embraer.com/pt
Tecnologia reconfigura as tolerâncias na retificação de ultraprecisão A Hyprostatik (Alemanha) desenvolveu uma base de máquina hidrostática de alta precisão integrada ao novo centro de retificação de ultraprecisão da também alemã Optotech. A cooperação técnica entre as empresas resultou em uma plataforma que utiliza uma fina película de óleo pressurizado (princípio da hidrostática) para criar movimento com atrito zero e garantir rigidez absoluta durante a fixação de peças. Concebida para redefinir tolerâncias mecânicas em ambiente fabril, a tecnologia atende demandas de alto desempenho em ferramentarias de moldes e matrizes, fabricantes de componentes ópticos e demais peças com tolerâncias críticas. A sustentação mecânica do equipamento é feita sobre um leito sólido de granito, material selecionado por sua estabilidade térmica e pela ausência de tensões internas estruturais. Sobre esse bloco rígido, um carro transversal equipado com guias hidrostáticas
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realiza os deslocamentos horizontais nos eixos X e Y. A movimentação é coordenada por motores lineares associados a escalas lineares de alta resolução, o que confere ao conjunto um posicionamento dinâmico sem folgas e passos de deslocamento rigorosamente controlados. O movimento vertical (eixo Z) é feito por parafuso sem-fim hidrostático acoplado a um rolamento e um motor de torque. Os deslizadores flutuam sem atrito sobre bolsões hidrostáticos, reduzindo a folga a patamares inferiores a 0,1 µm e eliminando o desgaste abrasivo. O fuso de trabalho e o eixo de retificação asseguram uma excentricidade radial e axial abaixo de 0,1 µm, operando com uma qualidade de balanceamento dez vezes superior ao padrão normativo G 0,4, estabelecido pela norma internacional ISO 21940-11 . Esse desempenho dinâmico diminui a necessidade de etapas posteriores de polimento manual ou mecânico, especialmente no caso de peças que precisam de acabamento óptico.
Cooperação técnica resulta em uma plataforma hidrostática que usa uma fina película de óleo pressurizado para criar movimento com atrito zero e garantir rigidez absoluta durante a fixação de peças. Imagem: Hyprostatik.
Hyprostatik - https://hyprostatik.de/en
Deposição a laser no revestimento de peças metálicas O Instituto Fraunhofer de Tecnologia a Laser, ILT (Alemanha)
Notas & Informações
desenvolveu processos a laser para aplicação de revestimentos funcionais de alto desempenho isentos de substâncias per e polifluoradas (PFAS), atualmente conhecidos como os “produtos químicos eternos”, em componentes metálicos e plásticos. Na engenharia de materiais, os fluoropolímeros pertencentes à família dos PFAS são amplamente empregados na forma de revestimentos superficiais (coatings) sobre peças metálicas usinadas visando modificar suas propriedades de atrito e superficiais sem alterar suas tolerâncias mecânicas estruturais. As pesquisas, conduzidas por meio dos projetos RePEEK, EPOS, LEMBAS e pureWaterSeal, priorizam a obtenção desse mesmo resultado, mas sem o uso das substâncias do tipo PFAS. A tecnologia viabiliza a transição regulatória ecológica ao mesmo tempo em que elimina o processamento em fornos de alto consumo energético. No projeto RePEEK, a equipe desenvolveu um processo híbrido direcionado a grandes componentes mecânicos sujeitos a elevadas solicitações, como mancais de deslizamento, pistões e vedações. A técnica utiliza a deposição a laser para criar inicialmente uma camada superficial metálica rugosa que atua como ancoragem mecânica. Em seguida, o pó de poliéter-éter-cetona (PEEK) é injetado por um bocal patenteado que reduz a velocidade do fluxo e fusão via laser, resultando em um revestimento composto de alta adesão. Na iniciativa complementar EPOS, em parceria com a ACS Coating Systems (Alemanha) e a Polymer Service GmbH Merseburg (PSM, Alemanha), o método foi estendido para a deposição multicamadas de PEEK em mancais de grande porte, permitindo alcançar espessuras que variam de mícrons a até um milímetro. Para a aplicação em rolos elastoméricos sensíveis ao calor – empregados na fabricação de filmes, embalagens e papel –, o projeto LEMBAS, desenvolvido em conjunto
com a Rhenotherm (Alemanha), emprega o laser para a aplicação pontual de polímeros de engenharia como PEEK, poliamida e polipropileno. O laser funde a camada funcional na superfície enquanto o substrato de elastômero (como EPDM) permanece preservado do estresse térmico, garantindo durabilidade superior e propriedades antiaderentes em linhas de produção de alta velocidade. Na vertente de vedação e lubrificação sustentável, o projeto pureWaterSeal, realizado em cooperação com o Instituto Fraunhofer de Mecânica dos Materiais (IWM), combina a deposição de revestimentos de carbono tipo diamante (DLC, de Diamond-Like Carbon) sobre substratos poliméricos com a estruturação superficial seletiva por laser. A usinagem a laser da camada superior alivia as tensões internas e reduz a carga mecânica do conjunto, permitindo a operação com lubrificantes à base de água. A solução reduz o coeficiente de atrito e a taxa de desgaste em elementos vedantes de bombas e sistemas mecânicos, oferecendo uma alternativa técnica viável ao uso de fluoretados e óleos minerais.
O revestimento de carbono tipo diamante (DLC) livre de PFAS é modificado seletivamente por microestruturação a laser. A superfície estruturada (acima) alivia as tensões internas e permite o uso de lubrificantes à base de água. Imagem: Fraunhofer ILT.
ILT - www.ilt.fraunhofer.de
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Manufatura aditiva acelera a fabricação de componentes de titânio A Gefertec (Alemanha), representada no Brasil pela Rastec Tools (Limeira, SP), desenvolveu o arcTitan, um sistema de manufatura aditiva (impressão 3D) a arco com arame (WAAM, de Wire Arc Additive Manufacturing, em inglês) projetado especificamente para o processamento de titânio, com o objetivo de solucionar problemas que são típicos do trabalho com este tipo de liga. Equipado com uma câmara de construção totalmente vedada e preenchida com gás de proteção inerte, o equipamento integra um processo de deposição baseado em plasma para manter os níveis de oxigênio entre
Processo a arco com arame permite a fabricação de peças de titânio com menor volume de sobremetal a ser removido na usinagem de acabamento. Imagem: Gefertec.
10 e 15 partes por milhão (ppm) durante todo o ciclo de fabricação. A tecnologia responde à necessidade de setores exigentes, como o aeroespacial e o de energia, por peças metálicas com alta relação resistência/ peso e elevada resistência à corrosão, assegurando repetibilidade e controle rigoroso de processo.
O equipamento opera em uma câmara selada e todos os subsistemas do arcTitan – desde o gerenciamento de gás e a sensorização até o alimentador de arame e o controle de parâmetros – foram dimensionados para atender às propriedades termomecânicas do titânio. Com um envelope de trabalho de 2.000 x 700 x 1.000 mm e taxa de deposição máxima de 3 kg por hora, o sistema modular permite configurações personalizadas e oferece suporte direto à préfabricação de componentes de grande porte com índice reduzido de sobremetal a ser removido na usinagem de acabamento posterior. Em termos de automação e gerenciamento da manufatura, o arcTitan integra o ecossistema de recursos da fabricante alemã, que inclui o sistema de monitoramento
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de processo 3DMP, correção automática de erros de ignição e o comando numérico computadorizado Sinumerik One, fornecido pela Siemens (Alemanha). O arcTitan faz parte da linha de sistemas WAAM da Geferetec, composta também pelo arc10X (plataforma industrial versátil), pelo arc80X (para componentes de até 8 m³) e pelo arcLab (voltado à pesquisa e treinamento). Direcionado a materiais reativos como titânio, alumínio e ligas à base de níquel, o sistema certificado por normas da Comunidade Europeia constitui uma opção robusta de equipamento para manufatura híbrida, que reduz expressivamente o volume de material a ser removido e o tempo de corte nas etapas subsequentes de usinagem de precisão. Gefertec - www.gefertec.de
Uso de IA nas pequenas e médias indústrias é incentivado pelo SENAI A rede paulista do Sistema SENAI já incluiu em sua grade de cursos temas que envolvem a utilização de inteligência artificial (IA) em aplicações na indústria metal mecânica. Este assunto é abordado nos treinamentos “Inteligência artificial na programação CNC” e “Inteligência artificial no monitoramento da manutenção preditiva”, os quais serão ministrados em diversas unidades SENAI do Estado de São Paulo. Os cursos têm formato presencial e duração de 40 horas, com aulas voltadas para o setor metal mecânico, a exemplo da introdução aos fundamentos da inteligência artificial aplicados na programação CNC de máquinas de usinagem, elaboração de comandos, chamados de “prompts”, que poderão ser executados por assistentes virtuais e planejamento de ações colaborativas envolvendo a
Notas & Informações
Imagem: UNIKYLUCKK / Shutterstock.
inteligência artificial generativa. A grade curricular dos cursos também é composta por aulas sobre o desenvolvimento de competências relativas à análise e interpretação de dados por meio de prompt, utilizando software de monitoramento de plantas industriais e processos, assim como a execução de tarefas e segurança no trabalho em conformidade com especificações, procedimentos e normas técnicas.
Primeiros passos para usar IA na indústria Pequenas e médias indústrias do setor metal mecânico que pretendem dar os primeiros passos no uso de IA em suas operações podem, nas palavras de Weligton Pinto, diretor sênior de arquitetura de cloud para projetos estratégicos da Oracle América Latina (São Paulo, SP), “usar o modelo de inteligência artificial que mais se aproxima do perfil delas, ou, melhor ainda, podem optar pelas IAs que as pessoas que integram suas equipes estão habituadas a usar”. Weligton sugeriu algumas ações que podem ser iniciadas no chão de fábrica, temas que foram abordados em um encontro realizado no início de agosto no SENAI Jairo Candido (Mauá, SP), evento organizado pela CIESP Santo André. De acordo com o executivo da Oracle, sistemas baseados em inteligência artificial generativa podem ser treinados e utilizados na gestão de projetos e fabricação de produtos,
processamento de dados provenientes de linhas de produção e também do controle financeiro. “Um começo pode consistir, por exemplo, na análise do fluxo de trabalho que já é realizado e, a partir daí, pode-se envolver a IA na elaboração de ideias que levariam à otimização de processos realizados no chão de fábrica, integrada ainda com tecnologia operacional (TO)”, comentou Weligton. A previsão de problemas que podem ocorrer em parques fabris também é um tema que as pequenas e médias indústrias podem abordar no aprendizado da IA. “A inteligência artificial precisa ser alimentada com informações, se possível, o tempo todo. Não pode haver achismos no trabalho real do dia a dia, então uma ideia inicial que também deve ser trabalhada fundamentalmente é a ‘adoção da IA’ por pessoas que realmente gostem de tecnologia. Assim, a dica é escolher profissionais que já estejam familiarizados com a inteligência artificial e incluí-los nos projetos de implementação dessa tecnologia”, concluiu Weligton. Outros tópicos que podem ser abordados por empresas interessadas em IA: Visão computacional: integração de inteligência artificial em sistemas de monitoramento de processos fabris, visando à redução de desperdício de materiais, por exemplo; Garantia da qualidade e segurança: implementação de aplicativos baseados em IA na inspeção de produtos e para envio de alertas sobre riscos de acidentes no trabalho; Atendimento ao cliente: a inteligência artificial pode operar integrada a plataformas de suporte técnico, auxiliando os clientes em casos de dúvidas frequentes e/ou em situações que requerem atendimento imediato; Orçamento de projetos: automatização do fornecimento de
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informações sobre preço, prazo e processo de compra, e também direcionamento para canais de atendimento.
produtos comerciais e industriais. O DAP-CG está acessível no endereço eletrônico mostrado a seguir. www.dap-aachen.de/dap-cg
Cursos das Escolas SENAI que abordam a IA
Acordo promove a tecnologia de deposição a laser no reparo de peças e ferramental
Veja as Escolas SENAI do Estado de São Paulo que oferecem cursos que têm a inteligência artificial em sua grade curricular pelo endereço eletrônico: https://www.sp.senai.br/cursos/cursoslivres/fabricacao-mecanica-e-mecanicaindustrial?pag=2 SENAI - www.sp.senai.br
Mais velocidade no processamento de dados para manufatura aditiva O Instituto Digital Additive Production (DAP) da RWTH Aachen University (Alemanha) disponibilizou a biblioteca de algoritmos geométricos DAPComputationalGeometry (DAPCG), voltada para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de softwares CAM aplicados à manufatura aditiva (impressão 3D). Os dados foram disponibilizados em código aberto, em linguagem C Sharp (C#), com o objetivo de resolver gargalos de processamento e consumo de memória durante a conversão de dados de projeto (CAD) para a fabricação (CAM), uma etapa crítica em peças de alta complexidade ou em equipamentos dotados de múltiplos cabeçotes. Desenvolvida sobre as bibliotecas open-source geometry3Sharp e Clipper2, a plataforma adiciona recursos como rotinas de agregação de múltiplos polígonos – que reduzem o volume de dados antes das etapas computacionais mais pesadas –, além de algoritmos que evitam a autointerseção de geometrias, algo que compromete o bom andamento dos projetos.
Modelo 3D de uma construção gerada com o software DAP Nesting. Imagem: RWTH Aachen.
Para a preparação da manufatura aditiva, a biblioteca abrange funções de orientação do modelo, geração de estruturas de suporte, nesting (arranjo de peças no envelope de trabalho), fatiamento (slicing) e cálculo de estratégias de varredura. Durante a validação industrial no projeto IDAM, o uso do algoritmo reduziu em cinco vezes a demanda de memória RAM no processo de nesting, mantendo taxas equivalentes nas etapas de fatiamento. Essa eficiência permite processar grandes volumes de trabalho em computadores padrão de 32 GB de RAM, sem a necessidade imediata de infraestruturas de alto custo ou servidores dedicados. Os algoritmos de agregação de múltiplos polígonos atuam também na determinação da orientação ideal da peça com base em critérios de qualidade e custos de produção. Ao calcular precisamente a necessidade e a extensão das estruturas de suporte requeridas em cada opção de posicionamento, o sistema impacta diretamente uma das etapas mais dispendiosas da manufatura aditiva, que é o pós-processamento e a remoção de suportes. O DAP-CG é disponibilizado sob uma licença de código aberto que pode ser acessada em https://spdx. org/licenses/BSL-1.0.html. Dessa forma, a biblioteca pode ser utilizada gratuitamente na pesquisa e na indústria, incluindo a integração em
O Fraunhofer ILT , instituto de pesquisa alemão voltado para o desenvolvimento de tecnologia a laser, e a Etxetar (Espanha) firmaram um acordo para integrar competências de engenharia industrial, automação e processos digitais na manufatura. A iniciativa prioriza o desenvolvimento e a industrialização das tecnologias de deposição de metal a laser (LMD, de laser metal deposition) e deposição de material a laser em altíssima velocidade (EHLA, do alemão Extremes HochgeschwindigkeitsLaserauftragschweißen). A cooperação técnica visa atender a novas regulamentações de mercado e demandas de alta repetibilidade na manufatura e no reparo de componentes complexos em setores como mobilidade e aeroespacial. A principal delas é o conjunto de normas Euro 7, que passam a regulamentar as emissões de partículas provenientes do desgaste de sistemas de freio. Diante dessa exigência, as empresas desenvolvem células de manufatura e sistemas de automação baseados na tecnologia EHLA para a aplicação de revestimentos em discos de freio e componentes de alto desgaste. A meta é criar soluções para a proteção de superfícies metálicas que reduzam o desprendimento de material particulado no ambiente. No setor aeroespacial e de componentes de alto valor agregado, as tecnologias de deposição são direcionadas ao reparo de geometrias
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Notas & Informações
Processos de manufatura e recuperação de peças serão combinados priorizando a rastreabilidade e o controle dimensional rigoroso de componentes. Imagens: Etxetar / Fraunhofer ILT.
complexas, tais como pás de turbinas, blisks (discos integrados às pás de turbinas) e eixos ferroviários. O processo prioriza o controle dimensional rigoroso de áreas afetadas por fadiga e desgaste localizado, de modo a aumentar o ciclo de vida dos componentes com alta precisão e rastreabilidade, o que reduz a necessidade de troca precoce das peças. A estabilidade operacional desses processos de manufatura aditiva é suportada por algoritmos de inteligência artificial aplicados ao monitoramento da usinagem e do chão de fábrica. Com base no projeto AISLAM do Fraunhofer ILT (Alemanha), o sistema digital mapeia a geometria tridimensional do componente durante o revestimento e detecta variações em relação ao perfil nominal. A partir desses dados de controle da qualidade, parâmetros de corte e deposição – como a taxa de avanço – são reajustados em tempo real, eliminando etapas de correção manual. ILT - www.ilt.fraunhofer.de
de lubrificação a seco por aerossol aplicado sobre as arestas de corte de forma direta através do fuso. Seu uso é recomendado para centros de usinagem, tornos e fresadoras CNC, sob condições de alta velocidade e regime contínuo de trabalho. A atomização gera um aerossol ultrafino e homogêneo que reduz o desperdício de fluido nas superfícies e garante o fornecimento constante da mistura, mesmo durante ciclos rápidos de troca de ferramentas, sem provocar flutuações de pressão no sistema. Essa estabilidade operacional possibilita o trabalho a velocidades de até 45.000 rpm, promovendo o prolongamento da vida útil das pastilhas e arestas de corte. Por operar em regime quase a seco, o sistema reduz a aderências de cavacos, simplificando as etapas posteriores de limpeza das peças e do ambiente de trabalho. Para processos complexos de furação profunda, recursos
digitais auxiliam no trabalho com comprimentos superiores a 30 vezes o diâmetro da ferramenta. A resposta pneumática do sistema ocorre em tempos inferiores a 0,1 segundo, assegurando a presença do lubrificante na zona de corte imediatamente após o início da rotação do fuso. O sistema de controle de dosagem permite a seleção e o ajuste preciso do teor de óleo e da pressão do ar por meio de 30 programas pré-configurados. Alinhado aos conceitos de automação e conectividade da Indústria 4.0, o sistema oferece interface de comunicação opcional com a máquinaferramenta via redes ProfiBus ou ProfiNet, o que agiliza a integração com o programa de comando numérico (CNC). O gerenciamento e a operação remota são executados por meio da unidade de controle KNOLL SmartConnect, que permite o monitoramento e a análise em tempo real dos dados operacionais diretamente em dispositivos móveis como smartphones ou tablets. A empresa desenvolveu também a versão Cryolub, com refrigeração criogênica, para o processamento de ligas de titânio, níquel, Inconel e materiais compósitos. Knoll - www.knoll-mb.de/en
Quantidade mínima de lubrificante na usinagem de alta velocidade A Knoll (Alemanha) desenvolveu o AerosolMaster 4000 ATS, um sistema de lubrificação por mínima quantidade de lubrificante (MQL), para aplicação em processos de usinagem. O equipamento utiliza o princípio
Sistema baseado na tecnologia de lubrificação a seco por aerossol reduz a adesão de cavacos e é um aliado na usinagem em altas rotações. Imagem: Knoll.
Instalação feita na fabricante alemã GSN, que converteu 32 tornos para o sistema de lubrificação por aerossol da Knoll. Imagem: Knoll.
Guia I
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Cabeçotes de alta rotação Desenvolvidos para estender limites na usinagem de precisão, os cabeçotes de alta rotação aumentam a produtividade das máquinas-ferramentas. Este guia reúne opções de mercado acionadas por motores pneumáticos e elétricos, apresentando também
Sanposs TSCI (11) 96865-7276 sanposs@sanposs.com.br
Benz, Alemanha
Sferatech (11) 99405-6889 vendas@sferatech.com.br
Giordano Colombo, Itália
TF2 (11) 97214-1414 laerte.fernandez@tfdois.com.br
WTO, Alemanha
Montagem em posição fixa na máquina
Outras
Operações com robôs
Retificação
Rebarbação
Furação
Gravação e marcação
Fresamento
Usinagem de rasgos
Tensão de alimentação (V)
Diâmetro de fixação (mm)
Frequência (Hz)
Todos os
300 a 1.040
1,00 a 6,35
12.000 a 0,45 a 250.000 150.000
Iscar (19) 9970-1707 contato@iscar.com.br
Aplicações
• • • • • • • • sistemas 25.000 a 90.000
GMN Brasil www.gmn.de gmn@mail.de
Potência máxima (W)
0,180 a1
Acionamento por motor elétrico
Rotação (rpm)
0,3 a 6
Diâmetro de fixação (mm)
53 a 409
Potência máxima (W)
20.000 a 56.000
Acionamento por motor pneumático
Rotação (rpm)
Air Turbine, EUA
Peso (kg)
DFG Ferramentas (11) 94227-1139 info@dfgferramentas.com.br
Diâmetro de fixação (mm)
Israel
Potência máxima (W)
Colibri Spindes (11) 98175-2511 t.franco@colibrispindles.com
Rotação (rpm)
Empresa Telefone E-mail
Fabricante / País
Acionamento por fluido de refrigeração, alta pressão
Adaptável ao trocador de ferramentas da máquina – cone
referências de desempenho como rotações mínima e máxima, potência e pressão.
500 a 1,67
40 a 400
200 a 460
• • • • • • •
SK/BT/ CAT/ HSK
•
• •
HSK, SK, PSC
•
•
20.000 a 56.000
50 a 400
3a6
• • • • • • •
Todos os sistemas
até 45.000
409 a 1.500
0,5 a 4,0
• • • • • • •
Todos os sistemas
• • • • • • •
ISO, HSK, ER
•
• • • • • • •
Todos os sistemas
•
3.000 a 50.000
20.000 a 80.000
150 a 1.100
500 a 40.000
60 a 850
220 a 460
0,5 a 4.0
Obs.: Os dados constantes deste guia foram fornecidos pelas próprias empresas que dele participam, de um total de 38 empresas pesquisadas. Fonte: Revista Máquinas e Metais, agosto/setembro de 2026.
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Análise
Rosqueamento de metal duro por retificação e caracterização da textura resultante M. F. Sgarbi, I. dos S. Roik e G. C. Carlini
Este artigo investiga o rosqueamento de metal duro por retificação, analisando a textura da superfície em parâmetros bidimensionais. Foram estudados os efeitos do rosqueamento em materiais (WC-Co) de dois fornecedores, denominados “C” e “T”, variando o número de passes de retificação. Com relação aos filetes de rosca, a medição foi realizada por microscopia de foco variável. Avaliaram-se parâmetros de rugosidade de amplitude Ra e Rt, juntamente com os parâmetros funcionais Rk e Rmr2. Os resultados indicam que o aumento do número de passes melhora a qualidade superficial.
O
rosqueamento consiste em um processo de fabricação que transforma a matéria-prima em um produto ou componente com formato específico de filetes justapostos. Atualmente são utilizados vários tipos de processos e ferramentas para obter perfis de roscas internas, que apresentam diferentes métodos de formação dos filetes: a usinagem e a conformação (12). Este processo pode ser realizado utilizando tecnologias com e sem formação de cavacos, aplicando-se em processos como torneamento, fresamento, laminação, processos não convencionais de usinagem e retificação. A escolha do processo a ser usado depende das características geométricas do produto, da sua aplicação, do volume que será fabricado e das propriedades metalúrgicas do material (7). A retificação utiliza um processo abrasivo onde se remove o material da peça de trabalho pelo uso de rebolo, ferramenta que é composta por uma substância abrasiva e
um aglomerante dispostos aleatoriamente, gerando pontes entre os abrasivos e espaços em vazio, denominados porosidade. Possui dimensões e composição química que devem ser definidas conforme a aplicação (1). Esse processo de usinagem se aplica a produtos que demandam uma qualidade dimensional e textura que não podem ser obtidas pela usinagem de geometria definida. Os metais duros, também conhecidos como WC-Co, constituem uma classe de materiais caracterizados por alta dureza e resistência ao desgaste. Essa dureza é obtida por meio de grãos de carbeto de tungstênio (WC), em que o cobalto (Co) atua como ligante (7). Esses materiais são frequentemente empregados em ferramentas de corte devido às suas excelentes propriedades mecânicas e térmicas. Entretanto, devido à sua baixa usinabilidade, a seleção de processos de fabricação para a manufatura de componentes em WC-Co é restrita. A retificação emerge como um
Matheus Fenerich Sgarbi (sgarbimatheus@hotmail.com) e Giovani Conrado Carlini (giovani.carlini@ifsc.edu. br) são pesquisadores do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Jaraguá do Sul (SC). Igor dos Santos Roik (igorroik3@unifebe.edu.br) é pesquisador do Centro Universitário de Brusque (UNIFEBE), Brusque (SC). Este artigo foi apresentado no 27o Colóquio de Usinagem, realizado de 17 a 19 de setembro de 2025 na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte (MG). Reprodução autorizada.
processo viável para a produção de roscas em materiais com essas propriedades. Na literatura há escassez de estudos sobre o processo de rosqueamento por retificação, particularmente aplicado a materiais de metal duro (WC-Co). No entanto, em um estudo (19) é indicado que a retificação de roscas é preferível para materiais com dureza superior a 36 HRC, bem como em aplicações que exigem alta precisão dimensional. Em outro estudo (11), foi investigada a fadiga do metal duro (WC-Co) em ferramentas rotativas sob cargas cíclicas representativas da usinagem, no qual foi percebido que o ensaio de flexão de seis pontos, concentrado em regiões com defeitos, permite determinar limites de fadiga e compreender os mecanismos de falha das ferramentas. A literatura (8) mostra um estudo onde foi proposto um modelo de elementos finitos baseado na microestrutura (obtida por microscopia eletrônica de varredura) para simular as propriedades mecânicas do metal duro com 10% de cobalto. O modelo demonstrou eficácia na previsão de propriedades como tensão térmica residual, tenacidade à fratura e dureza. Também é abordada na literatura (20) a análise de três classes de metal duro com distintos teores de cobalto, variando parâmetros de retificação. Os resultados
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Figura 1 – Diagrama simplificado da metodologia aplicada.
mostraram que o teor de cobalto e os parâmetros de processo influenciam a micromorfologia, a rugosidade e os detritos gerados. Observou-se que um maior teor de cobalto tende a prejudicar a qualidade superficial. Em outro estudo (3) foram utilizados parâmetros de amplitude como Ra e Rt, e parâmetros funcionais (estatísticos) como curtose e assimetria, mostrando que a análise bidimensional permite uma caracterização mais detalhada da textura superficial. Entre os principais parâmetros de amplitude, o parâmetro de rugosidade média aritmética (Ra) representa a média dos valores absolutos das distâncias dos pontos da superfície em relação à linha média, sendo calculado pela equação 1:
O parâmetro de altura total (Rt) é definido como a soma dos valores absolutos do maior pico (Rp) e do vale mais profundo (Rv) do perfil dentro do comprimento de avaliação, como é mostrado na equação 2:
Do ponto de vista funcional, o parâmetro Rk (core roughness depth) representa a profundidade da rugosidade no núcleo da superfície, ou seja, a região central da curva material, após a remoção dos picos e vales extremos. Sua obtenção é baseada na curva de Abbott-Firestone, sendo matematicamente derivado da linearização da parte central da curva, conforme a equação 3:
O parâmetro Rmr2 (%), denominado razão de material a uma profundidade específica, indica a proporção da superfície que permanece em contato em relação à linha de referência, normalmente definida a uma profundidade de c = 0,2 × Rk, sendo determinado na equação 4:
Na literatura (18) foram investigadas as arestas de corte de insertos de metal duro após retificação com rebolo tipo copo (11V9) de diferentes granulometrias e parâmetros de corte variáveis. Observaram-se defeitos nas arestas, como trincas, cuja dimensão foi influenciada pela granulometria do rebolo e pelos esforços de corte do processo. Também foi sugerida uma relação entre volume de material removido e velocidade
angular do rebolo para minimizar a formação de trincas. Este estudo tem por objetivo avaliar a influência da retificação cilíndrica externa no processo de rosqueamento de metal duro proveniente de dois fornecedores distintos, utilizando dois níveis de profundidade de corte (correspondentes a 02 e 03 passes) e compreender o efeito dessas variáveis nos parâmetros bidimensionais da textura da superfície, caracterizando-as em parâmetros bidimensionais de amplitude e funcionais. Metodologia O estudo apresenta um desenho de experimento de fatorial completo de 02 fatores e 02 níveis 2(²) com 03 réplicas, totalizando 16 corpos de prova. Os fatores foram: variação de fornecedor do metal duro e número de passes de mergulho. Os níveis situam-se em dois fabricantes
Figura 2 – Geometria simplificada do corpo de prova.
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Análise
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Figura 3 – Representação esquemática do rosqueamento pelo número de passes.
distintos (designados como “C” e “T”) e em duas profundidades de mergulho: 02 e 03 passes. Como variáveis dependentes de saída, foram estabelecidos parâmetros de amplitude como a rugosidade média (Ra) e rugosidade total (Rt), e também parâmetros funcionais, tais como a altura do núcleo (Rk) e a porção da superfície responsável pela sustentação da carga (Rmr2). Esses parâmetros foram extraídos dos filetes retificados e do dimensionamento do torque até a ruptura. A figura 1 evidencia a metodologia aplicada ao trabalho. As matérias-primas usadas na fabricação das amostras consistiam em uma barra cilíndrica inteiriça de metal duro com diâmetro de 12 mm x 55 mm, com grãos de tamanho submicrométrico pertencente à classe K30, fornecida por fabricantes distintos concorrentes no mercado internacional. De acordo com a literatura (4) , o WC-Co classe K30 apresenta bom equilíbrio entre resistência ao desgaste e resistência a fraturas pela maior tenacidade, sendo aplicadas em ferramentas rotativas de usinagem como fresas inteiriças e
brocas. A tabela 1 mostra um comparativo das principais propriedades dos materiais usados por um fornecedor avaliado. Os corpos de prova foram planejados, projetados e fabricados com geometria específica, apresentando entre as principais características uma rosca métrica M8 x 1,25 e seção cônica para guiar a centralização e atuar como batente, limitando assim o deslocamento linear durante o aperto no dispositivo porta-amostra. Adicionalmente, uma cabeça sextavada foi incorporada ao projeto, permitindo o aperto manual com chave combinada de 11 mm. Um panorama da geometria definida para os corpos de prova é mostrado na figura 2. As amostras detalhadas na figura 2 foram confeccionadas usando uma afiadora CNC 05 eixos Michael Deckel S22P, máquina desenvolvida especificamente para fabricação de ferramentas sólidas de corte. O processo envolveu uma operação de canal helicoidal, restringindo os métodos de retificação apenas às passadas em profundidade (figura 3). Na figura 3 é mostrada a variação entre
Tabela 1 – Comparativo das propriedades e fabricação do metal duro. Fornecedores
Co (%)
Densidade (g/cm³)
Dureza (HV10)
Tenacidade à fratura KIC (MPaxm½)
Resistência à flexão (N/mm²)
Tamanho do grão (μm)
“C”
10
14,40
1570
9,30
3600
0,5 - 0,8
“T”
19
15,43
1650
9,40
3600
0,7 - 1,0
02 e 03 passes que foi implementada da seguinte forma: para 02 passes, o primeiro ocorreu em 0,50 mm e o passe de calibração em 0,76 mm; na condição de 03 passes, as profundidades foram 0,40 mm, 0,60 mm e 0,76 mm, respectivamente. Rebolos perfilados diamantados do mesmo fornecedor foram usados na fabricação, com as seguintes características: nomenclatura, granulometria FEPA e MESH, operação, ligante e material abrasivo (tabela 2). Os parâmetros utilizados em cada etapa para fabricação dos corpos de prova foram mantidos constantes (tabela 3). Para caracterização da textura, as medições foram feitas em um microscópio de variação de foco BruckerAlicona G5 InfiniteFocus. Os dados de rugosidade Ra e Rt, Rmr2 e Rk foram aplicados conforme a norma ISO 21920-2 (2021). Foi usada uma lente óptica com ampliação de 20 vezes com o comprimento de amostragem λc = 2,50 mm x 3 para a totalização do perfil medido. Foram selecionados os parâmetros de amplitude Ra (rugosidade média aritmética) e Rt (altura total do perfil) para quantificar as irregularidades. Para uma análise funcional, adicionaram-se Rk (altura do núcleo) e Rmr2 (a fração da superfície que suportará a carga), derivados da curva de Abbott-Firestone. Esta abordagem combinada correlaciona a topografia da superfície, em termos de amplitude e estrutura do núcleo, com propriedades tribológicas, permitindo associar capaci-
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Análise
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Tabela 2 – Características dos rebolos utilizados na fabricação por usinagem. Nomenclatura
Granulometria FEPA
Granulometria MESH
Operação
14E1
D91
200
Rosqueamento
1A1
D91
200
Perfil cônico
11V9
D126
120
Sextavado
Figura 4 – Fluxograma da sequência de medição do filete.
dade de carga e resistência ao desgaste do componente retificado (13). As medições foram realizadas em três pontos distintos ao longo dos filetes da rosca: início, central e saída, obtendo-se uma média dos valores. A figura 4 mostra a sequência de operações para que seja possível realizar a medição dos filetes. A avaliação da textura das superfícies das peças consistiu no lixamento sequencial utilizando lixas rígidas diamantadas: 240, 600 e 1.200 mesh. Em seguida, foi realizado o polimento com pasta diamantada de 1 μm, visando à obtenção de uma superfície com acabamento adequado para avaliar a localização de possíveis danos resultantes do processo de retificação. As avaliações qualitativas foram realizadas por varredura utilizando o estereomicroscópio Zeiss Stemi Stemi 2000-c + Câmera Axiocam ERc 5S e o microscópio Olympus BX53M.
Resultados A qualidade da superfície retificada deve ser monitorada refletindo no desempenho de componentes roscados, influenciando em variáveis como o atrito, desgaste e a resistência mecânica ao torque. A figura 5 mostra imagens tridimensionais das superfícies do filete planificado, permitindo um panorama comparativo da topografia resultante do processo de retificação. As variações de cor indicam diferentes alturas na superfície, onde regiões em roxo e azul representam áreas mais baixas (vales) e regiões em amarelo e vermelho indicam áreas mais altas (picos). A remoção de forma permite analisar apenas as irregularidades superficiais, ou seja, as diferenças em termos de amplitude da região da superfície analisada, descartando a influência da geometria global.
Ligante
Material abrasivo
Resinóide
Diamante cristalino
A figura 5(a) mostra os parâmetros de amplitude dos corpos de prova que foram fabricados em 02 passes enquanto a figura 5(b) mostra a textura para a condição com 03 passes, ambos do fornecedor “C”. A partir das superfícies mensuradas foram obtidos os dados quantitativos dos parâmetros de rugosidade: amplitude (Ra e Rt), extraídos das medições no microscópio de variação de foco (figura 6). A análise desses dados revela tendências de comportamento por condição e fornecedor. Na figura 6(a-b) observa-se uma redução consistente nos valores de Ra e Rt com o aumento do número de passes de retificação, independentemente do fornecedor do metal duro. Isso indica que um maior número de passes promove um acabamento superficial mais fino, com menor variação entre picos e vales. As amostras com 03 passes apresentaram não apenas valores médios de Ra e Rt inferiores, mas também uma menor dispersão dos dados, sugerindo maior uniformidade da superfície. O fornecedor “T” apresentou valores ligeiramente inferiores de Rt em comparação com o fornecedor “C” para a condição de 03 passes. Os dados quantitativos dos parâmetros de rugosidade funcionais (Rk e Rmr2) também foram coletados das medições no microscópio de variação de foco (figura 7). Ainda na figura 7(a-b) a altura do núcleo Tabela 3 – Parâmetros de retificação dos corpos de prova.
Figura 5 – Representação tridimensional das superfícies do filete.
Operação
Rotação (rpm)
Vc (m/s)
Vf (mm/min)
Rosqueamento
4.456
35
50
Perfil cônico
3.444
22
60
Sextavado
6.793
35
60
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(Rk), que representa a porção da superfície que efetivamente suporta a carga, também demonstrou uma redução com o aumento do número de passes. As amostras com 03 passes exibiram menor variação em Rk, indicando uma zona de contato mais funcional e com menor dispersão. O fornecedor “T” novamente se destacou com uma melhor superfície, especialmente na condição de 03 passes. O parâmetro Rmr2 (porção da superfície responsável pela sustentação da carga em um determinado nível de profundidade) apresentou valores maiores para as amostras com 03 passes, acompanhados de menor dispersão. Isso sugere uma maior capacidade de suporte de carga para as superfícies submetidas a um maior número de passes. O fornecedor “T” demonstrou maior constância nos valores de Rmr2, enquanto o fornecedor “C” apresentou uma variação mais considerável entre as condições de 02 e 03 passes. Na literatura (16) um estudo sobre a retificação de aço rápido M2 mostrou que o aumento da profundidade de corte resulta em uma maior camada afetada. De forma complementar, um estudo (17) indicou que um aumento na área de contato entre o rebolo e a peça pode ser associado a um menor número de passes com maior remoção, porém com menor qualidade superficial devido ao aumento das forças de corte, variação de temperatura e desgaste do rebolo. O aumento no número de passes, associado à menor remoção de material por passe, promove uma melhoria nos parâmetros de rugosidade, fenômeno também observado
19
nos mesmos estudos. A melhoria da qualidade superficial pode ser atribuída ao fato de que a remoção de material de forma mais controlada e progressiva tende a reduzir a incidência de defeitos na superfície retificada. Outro estudo (6) mostrou que, embora a influência do fornecedor do metal duro seja sutil em alguns parâmetros, pequenas variações na composição química, na microestrutura (especialmente no tamanho dos grãos) e nos processos de fabricação, como a sinterização, exercem impacto direto na qualidade superficial, no desempenho mecânico e na vida útil dos componentes submetidos à retificação. Complementando essa análise, a literatura (18) mostra uma investigação sobre a quebra de arestas em ferramentas de metal duro durante a retificação de precisão, identificando a formação de microtrincas e lascamentos associados às tensões residuais e às características microestruturais do material. Apesar de seu foco estar nas arestas de corte, os princípios observados podem ser extrapolados para o perfil dos filetes rosqueados, considerando a semelhança na física da remoção de material, na concentração de tensões geradas durante o processo e na formação de geometrias com arestas agudas. A partir da análise do estado da arte, verifica-se que, para uma investigação mais criteriosa da integridade da subsuperfície retificada, a aplicação de técnicas de inspeção microscópica torna-se essencial. Com base nesse direcionamento metodológi-
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Análise
Figura 6 – Medições de superfície com parâmetros de amplitude: (a) Ra e (b) Rt.
co, um dos corpos de prova foi seccionado longitudinalmente por eletroerosão a fio, próximo à linha de simetria da peça. Na sequência, o corpo de prova foi fixado em um porta-amostra. A inspeção foi conduzida em estereomicroscópio para avaliar as características morfológicas da região e identificar possíveis falhas decorrentes do processo de retificação, tais como microtrincas ou lascamentos (figura 8). Também pode-se ter uma visão transversal do corpo de prova posicionado no porta-amostra, onde a seta laranja indica o sentido do aperto da rosca retificada (figura 8(a)). A figura 8(b) destaca no detalhe a aresta do assento cônico retificado entre o parafuso de metal duro retificado e o porta-amostra. Na ampliação gerada pelo estereomicroscópio não foram encontrados danos observáveis. A literatura (2) mostra que a propagação de trincas em metais duros pode ocorrer por fratura intergranular frágil, especialmente sob determinadas condições de carga. Na busca de possíveis danos, o corpo de prova foi submetido a um microscópio óptico metalográfico para uma verificação em maior ampliação. Na figura 9 são mostrados detalhes do filete e da raiz do filete para uma análise qualitativa. Ainda na figura 9 observa-se que as setas destacam a região do raio no fundo da rosca, ponto crítico devido à elevada concentração de tensões geradas durante o processo de retificação. Esse local corresponde geometricamente ao perfil do rebolo, sendo também a área de maior contato entre a ferramenta abrasiva e a peça. Consequentemente, essa condição favorece o acúmulo de calor, aumentando
o risco de desenvolvimento de tensões térmicas residuais. Apesar desse cenário potencialmente crítico, as inspeções realizadas por microscopia óptica, com aumento de até 1.000 vezes, não revelaram evidências de danos, como microtrincas, lascamentos ou outros defeitos superficiais. A análise de dados permite inferir que o melhor desempenho apresentado pelo material do fornecedor “T” está diretamente associado à sua maior fratura e à tenacidade à fratura KIC = 9,40 Mpa.m½, quando comparado ao fornecedor “C” KIC = 9,30 Mpa.m½. Este comportamento pode ser explicado pelas características microestruturais do material, uma vez que, conforme mostra a literatura (9), microestruturas compostas por grãos ligeiramente maiores tendem a favorecer o aumento da tenacidade à fratura. Em contrapartida, materiais com grãos mais refinados apresentam maior dureza e resistência ao desgaste, embora com redução na capacidade de absorção de energia antes da fratura.
Corroborando essa análise, um estudo (14) mostrou que variações sutis na distribuição e no tamanho dos grãos de WC-Co exercem influência direta tanto nas propriedades mecânicas, na dureza e tenacidade quanto no comportamento sob solicitações térmicas e mecânicas durante a usinagem de alta precisão. Também mostrou que microestruturas balanceadas são determinantes para minimizar a nucleação de trincas associadas às tensões residuais da retificação, especialmente em geometrias complexas como roscas.
Conclusão Este estudo investigou a influência da retificação cilíndrica externa no processo de rosqueamento de metal duro (WC-Co) proveniente de diferentes fornecedores, com foco no efeito do número de passes sobre a textura da superfície e o comportamento sob torque manual até a ruptura. No que tange à textura, os resultados mostraram que o aumento de dois para três passes de retificação promoveu melhorias significativas nos parâmetros de rugosidade. Com 02 passes, o fornecedor “C” apresentou Ra = 6,3 µm, ligeiramente inferior ao “T”, Ra = 6,4 µm. Com 03 passes, ambos reduziram a rugosidade: “C” em 20%, com Ra ≈ 5,0 µm, e “T” em 25% e Ra ≈ 4,8 µm, porém, com menor dispersão. O parâmetro Rt para “C” diminuiu na média de 44 µm para 39 µm (redução de 11%) em 03 passes, enquanto o fornecedor “T” reduziu 22% (≈36 µm). Os parâmetros funcionais também foram positivamente alterados em 03 passes: o
Figura 7 – Medições de superfície com parâmetros funcionais: (a) Rk e (b) Rmr2.
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8) He, Meiling et al. Residual thermal stress, fracture toughness, and hardness in WC-Co cemented carbide: finite element simulation and experimental verification. Journal of Materials Research and Technology, v. 21, p. 2445–2454, 2022. DOI: 10.1016/j.jmrt.2022.08.089. 9) Huang, Yijing; Xiong, Ke; Qin, Qin; Yu, Lin; Huang, Lin; Feng, Wei. Microstructure and properties of fine-grained WC-10Co-0.5Cr3C2-1TaC-0.5Ru prepared by rolling ball milling and low-pressure sintering. Metals, v. 13, n. 8, p. 1478, 2023. DOI: 10.3390/met13081478.
Figura 8 – (a) região da montagem do corpo de prova (centro) no porta-amostra (periferia); e (b) detalhe do assento cônico para evitar tensões no sextavado.
valor de Rk apresentou redução média entre 20% e 25%, e o Rmr2 aumentou de 86% para 89–90%, destacando o fornecedor “T” e indicando maior capacidade de suporte de carga. De modo geral, os dados indicam que no processo de rosqueamento por retificação de metal duro as superfícies com menor rugosidade e maior uniformidade contribuem para uma maior resistência ao torque. Para aprofundar a compreensão desses efeitos recomenda-se a realização de estudos complementares na análise da fratura, técnicas de caracterização com microscopia eletrônica de varredura e ensaios com ferramentas abrasivas com diamantes de granulometria reduzida.
Responsabilidade pelas informações Os autores são os únicos responsáveis pelas informações incluídas neste trabalho.
Referências
10) International Organization for Standardization. ISO 21920‑2:2021 – Geometrical product specifications (GPS) – Surface texture: Profile – Part 2: Terms, definitions and surface texture parameters. Geneva: ISO, 2021. 11) Klünsner, T. et al. Fatigue behaviour of WC-Co hard metal under stress ratio and effectively loaded volume relevant to metalworking tool failure. International Journal of Refractory Metals and Hard Materials, v. 80, p. 97–103, 2019. DOI: 10.1016/j. ijrmhm.2019.01.003.
1) Almeida, Paulo Samuel de. Processos de usinagem – Utilização e aplicações das principais máquinas operatrizes. Rio de Janeiro: Érica, 2015. E-book. ISBN 9788536520070.
12) Lamarca, Luiz F. V. D. et al. Estudo comparativo entre roscas usinadas e conformadas com a variação do número de filetes. In: Colóquio de Usinagem, 21., 2017, Ouro Preto. Anais [...]. Ouro Preto: UFOP – Escola de Minas – LEPU, 2017.
2) Boo, Myung Hwan; Park, Chi Yong. Mechanisms of fatigue crack growth in WC-Co cemented carbides. Key Engineering Materials, v. 297–300, p. 1120–1125, 2005. DOI: 10.4028/www.scientific.net/KEM.297300.1120.
13) Lima, Francisco E.; Wiesendanger, Roland. Correlação entre os parâmetros de rugosidade: uma abordagem matemática. Revista Tecnologia, Fortaleza, v. 29, p. 110–116, 2008.
3) Canabarro, A.; Figueiredo, F.; Paciornik, S.; deDeus, G. Two- and three-dimensional profilometer assessments to determine titanium roughness. Scanning, v. 31, n. 4, p. 174–179, 2009. DOI: 10.1002/sca.20156. 4) Carlini, Giovani C. Remoção de metal duro por EDM com eletrodo de CuW. 113 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2018. 5) Ceratizit. Round tool materials. Breitenwang: Ceratizit Group, 2022. 20 p. 6) Dang, Minh Nhat et al. An investigation into the surface integrity of micro-machined high-speed steel and tungsten carbide cutting tools. Micromachines, v. 14, n. 10, p. 1970, 2023. DOI: 10.3390/ mi14101970. 7) Groover, Mikell P. Introdução aos processos de fabricação. Rio de Janeiro: LTC, 2014. E-book. ISBN 9788521626404.
14) Peng, Jianhao; YI, Mingdong; Xiao, Guangchun; Chen, Zhaoqiang; Zhang, Jingjie; Chen, Hui; Xu, Chonghai. Low-temperature and ultrafast dualpowder spark plasma sintering of (W,Ti)C cermets with the addition of metal core-shell nanopowder. International Journal of Refractory Metals and Hard Materials, v. 107, p. 105901, 2022. DOI: 10.1016/j. ijrmhm.2022.105901. 15) Tigra. Carbide rods, flat and square bars. Oberndorf am Lech: Tigra LTDA, 2020. 8 p. 16) Vendrame, Saimon. Estudo da integridade da aresta de machos de corte de HSS durante a retificação em várias condições de corte. 142 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2015. 17) Viera, Martin Antonio Aulestia. Diafragma piezelétrico e processamento digital de sinais na estimação da rugosidade de componentes cerâmicos no processo de retificação plana. 80 f. Tese (Doutorado) – Faculdade de Engenharia – UNESP, Bauru, 2021. 18) Wei, Li et al. Analysis of large edge breakage of WC-Co cemented carbide tool blades emerging in precision grinding process. Journal of Materials Research and Technology, v. 19, p. 3916–3929, 2022. DOI: 10.1016/j.jmrt.2022.06.103. 19) Youssef, Helmi; El-Hofy, Hassan. Traditional machining technology. 2. ed. Boca Raton: CRC Press, 2020. 20) Zhao, Guangen et al. Effect of the grinding process on the surface quality of ultrafine cemented carbide with different Co content. Advances in Mechanical Engineering, v. 14, n. 12, 2022. DOI: 10.1177/16878140221141434.
Figura 9 – (a) visão geral do perfil do filete; e (b) detalhe do fundo da rosca na raiz do filete.
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Guia II
Agosto/Setembro 2026
Sistema MQL A busca por maior produtividade aliada à sustentabilidade e à redução de custos operacionais impulsiona a adoção da técnica de Mínima Quantidade de Lubrificante (MQL) na usinagem. Eficiente na eliminação do descarte de fluidos, ela consiste na pulverização de uma quantidade muito pequena de óleo misturada com ar comprimido, e tem conquistado espaço em diferentes processos. Este guia apresenta os principais
•
•
2 a 15
1,8 a 41
até 800
4a8
-10 a +60
1,8 a 41
Lubrix, Alemanha
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Soned (19) 3429-0444 soned@soned.com.br
ILC, Itália
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1 a 30
0 a 250
2 a 80
4,5 a 10
5 a 50
1 a 1.200
1,2 a 6
60 a 100
50 a 800
4a8
-10 a 80
0 a 41
1 a 66
•
1a5
1 a 10
1 a 10
1a3
10 a 35
0,2 a 20
1 a 10
Obs.: Os dados constantes deste guia foram fornecidos pelas próprias empresas que dele participam, de um total de 19 empresas pesquisadas. Fonte: Revista Máquinas e Metais, agosto/setembro de 2026.
Frequência de acionamento (ciclos/min)
2 a 60
2,0 a 10
Vazão (cc)
4,0 a 6,0
•
Temperatura operacional (°C)
Pressão operacional (bar)
220
0,03 a 10
Taxa de alimentação (ml/h) 0,012 a 117
Capacidade do reservatório (l)
Transporte do óleo externo
4a8
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Sanposs TSCI (11) 96865-7276 sanposs@sanposs.com.br
Tapmatic (11) 98626-2422 pacheco@quimatic.com.br
1 a 1.000
•
Dieckmann (11) 5666-1737 dieckmann@dieckmann.com.br
Lubtech (47) 98494-2268 vendas@lubtech.com.br
Viscosidade de funcionamento (mm²/s)
Acoval www.acoval.com contact@acoval.com
Transporte do óleo interno
Fabricante País
2 canais
Empresa Telefone E-mail
1 canal
fornecedores de sistemas MQL, detalhando as suas especificações técnicas.
2 a 120
1 a 60
1 a 66
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Agosto/Setembro 2026
Prévia
BI-MU 2026 reúne inovação em usinagem e manufatura digital em Milão A mostra italiana comemora 70 anos destacando a integração de robótica, processos aditivos, metrologia e tecnologias habilitadoras da Indústria 4.0 no setor metal mecânico.
A
35ª edição da BI-MU, feira internacional promovida pela UCIMU-Sistemi Per Produrre – associação nacional que representa os fabricantes italianos de máquinas-ferramentas – e organizada pela Ente Fiere Italiane Macchine (EFIM), ocorrerá entre os dias 13 e 16 de outubro de 2026 no centro de exposições Fieramilano Rho, em Milão (Itália). Com o slogan “Where it all begins” (Onde tudo começa), o evento comemora seus 70 anos de história reafirmando o papel central das máquinas-ferramentas e dos equipamentos para conformação de metais como base do setor de manufatura. O evento reunirá ainda expositores dos segmentos de automação, robótica, manufatura aditiva, manufatura digital e tecnologias habilitadoras da Indústria 4.0.
Este ano a mostra prioriza a integração de máquinas conectadas de última geração equipadas com recursos digitais aos sistemas automatizados de gerenciamento e monitoramento. A oferta tecnológica será dividida em sete áreas dedicadas a temas essenciais da produção:
cadeia da manufatura aditiva (impressão 3D) — incluindo impressoras, equipamentos de pós-processamento, insumos, software de modelagem e ensaios. Terão destaque as aplicações combinadas de usinagem e manufatura aditiva (processos híbridos) para produção de componentes complexos.
• RobotHeart – robótica e inteligência artificial: com foco em automação avançada, reunirá sistemas de manipulação, componentes e inteligência artificial aplicados à operação de células de usinagem e linhas flexíveis de produção, buscando otimizar o tempo de ciclo e elevar a autonomia operacional.
• BI-MU Digital – manufatura digital e sistemas adaptativos: vai apresentar ecossistemas característicos do conceito de fábrica inteligente (smart factory). Entre os destaques estão softwares de gestão de chão de fábrica, sistemas de conectividade industrial, cibersegurança, sensorização avançada e arquiteturas autorreguláveis para processos que demandam alta agilidade operacional.
• AMItaly – tecnologias aditivas: vai oferecer uma visão abrangente da
• Metrologia e testes – controle, qualidade e certificação: reunirá expositores de instrumentos de medição de alta precisão, equipamentos para ensaios não destrutivos e sistemas de visão computacional voltados à medição em processo (in-process) e ao controle dimensional no ambiente produtivo. • Power4Machines – mecatrônica e transmissão de potência: área dedicada aos componentes essenciais para a movimentação e acionamento das máquinas-ferramentas, cobrindo soluções mecânicas, elétricas, hidráulicas e pneumáticas voltadas para a eficiência energética e precisão de posicionamento.
Agosto/Setembro - 2026
• Tratamentos térmicos e de superfície – acabamento e propriedades dos materiais: apresentará sistemas e soluções voltados à melhoria do desempenho superficial de peças e ferramentas, que asseguram resistência ao desgaste, redução do atrito e maior vida útil aos componentes usinados ou conformados. • Tool Tech – ferramental e precisão: dedicada às tecnologias de corte e fixação, reúnirá expositores de ferramentas de alto rendimento, sistemas de fixação modular e acessórios projetados para suportar condições severas de usinagem com máxima estabilidade e repetibilidade. Complementarmente, a feira vai destacar o segmento de “Revamping & Retrofitting”, voltado à modernização, recondicionamento e atualização de máquinas-ferramentas. A iniciativa atende à crescente demanda do mercado por economia circular, extensão da vida útil dos equipamentos produtivos e adequação de sistemas aos requisitos de eficiência e digitalização. Entre as novidades desta edição
Serviço 35ª BI-MU Data: 13 a 16 de outubro de 2026 Local: Fiera Milano Rho, Milão (Itália) Organização e Informações: UCIMU-Sistemi Per Produrre www.bimu.it
Visitantes podem solicitar suas credenciais gratuitas no seguinte link: https://www.bimu.it/en/visita/35-bimu-free-entry-pass-visitors/
destaca-se ainda o prêmio BIMU Futurtech Awards 2026, que premiará inovações em tecnologia metal mecânica, digitalização e sustentabilidade com base em avaliações técnicas e visitas técnicas aos estandes. A feira mantém em sua agenda debates técnicos na arena BIMUpiù e iniciativas de capacitação profissional como o Education & Job e o torneio de robótica Robot Games. Como preparação para a feira, os organizadores realizam encontros técnicos prévios, incluindo o seminário “O Robô Protagonista da Logística”, programado para 15 de outubro no Museu Volandia, na região da Lombardia (Itália). Como parte da programação paralela, a BI-MUpiù Arena sediará fóruns sobre os setores de energia, aeroespacial e defesa, agendados para os dias 14 e 15 de outubro. Com duração de 90 minutos cada, os painéis reunirão diretores de operações de grandes fabricantes globais para debater as demandas tecnológicas atuais e futuras desses segmentos de alta complexidade. Os encontros serão uma oportunidade estratégica de mapear nichos de investimento de alto valor agregado e identificar novas demandas deste mercado comprador.
As empresas expositoras Entre as expositores da BI-MU deste ano estão empresas fabricantes de equipamentos para o setor de usinagem e corte e conformação, muitas delas com atuação no mercado brasileiro, o que torna a feira vitrine estratégica para o mapeamento de tendências tecnológicas do setor produtivo global. No segmento de máquinasferramentas e centros de usinagem, destacam-se empresas consolidadas
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na usinagem de precisão, a exemplo da Agie Charmilles, Danobat, Grob Group, a Hermle, a Okuma, a Tornos e a HAAS, marcas com forte penetração em companhias de usinagem de médio e grande porte, ferramentarias e no setor automotivo brasileiro. A automação, a inteligência fabril e a metrologia — pilares fundamentais da Indústria 4.0 — ganham destaque com a participação da ABB Robotics, da Hexagon Manufacturing Intelligence, da Mitutoyo, da Renishaw e da Zeiss. Essas empresas apresentarão soluções voltadas ao controle da qualidade no chão de fábrica, sistemas de medição em processo (in-process) e integração robótica, tecnologias diretamente alinhadas às demandas de otimização de processo das indústrias brasileiras. No campo do ferramental de corte, periféricos e gerenciamento de ferramentas, marcam presença marcas globais como Sandvik Coromant, Haimer, Gerardi, Schunk e Zoller. Suas tecnologias se concentram no aumento do rendimento operacional, na confiabilidade do processo de corte e na automação do setup de ferramentas e fixação de peças, temas recorrentes na busca por maior eficiência na usinagem. Completando o panorama de controle e acionamentos digitais, players importantes da automação industrial como Siemens, Heidenhain, Fagor Automation e Mitsubishi Electric exibirão seus mais recentes sistemas CNC e ecossistemas de conectividade. A lista completa de expositores pode ser conferida no seguinte link: https://www.bimu.it/en/visita/35-bimu-free-entry-pass-visitors/
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Opinião
Redefinindo o desempenho no fresamento de materiais compostos Liam Haglington*
O design avançado de ferramentas e a engenharia de materiais estão superando os limites da usinagem abrasiva.
O
s materiais compostos estão transformando a indústria, mas sua usinagem continua sendo um desafio constante. Mesmo com maquinário avançado e controles de processo, cortar fibras e resina ainda testa as habilidades de engenharia e operacionais. O design avançado de ferramentas e a engenharia de materiais estão ajudando os fabricantes a superar os limites do fresamento abrasivo de materiais compostos. Materiais compostos leves e de alta resistência como polímeros reforçados com fibra de carbono (CFRP) prometem desempenho incomparável, oferecendo altas relações de rigidez-peso, resistência à corrosão e flexibilidade de design que possibilitam estratégias de redução de peso. O setor aeroespacial permanece como a aplicação mais exigente para materiais compostos. Peças como estruturas da fuselagem, asas, estabilizadores, longarinas, nervuras e vigas do piso são críticas para a integridade estrutural e frequentemente usinadas em ambientes de alta precisão e alto volume. Os materiais compostos são especialmente adequados para essas estruturas aeroespaciais porque oferecem uma alta relação rigidez-peso, excelente resistência à fadiga e podem ser produzidos sob medida pela orientação das fibras para fornecer resistência exatamente onde é necessário: propriedades essenciais para peças estruturais leves e de alto desempenho para aeronaves.
*Liam Haglington é gerente de produto para ferramentas de fresamento de topo em metal duro da Sandvik Coromant.
Outros setores também se beneficiam. Os fabricantes de automóveis usam CFRP para reduzir o peso e melhorar a eficiência. De acordo com a JEC, os materiais compostos são essenciais para aplicações em que a redução de peso continua sendo uma prioridade para aumentar a eficiência de combustível e limitar as emissões de gases de efeito estufa, e agora representam cerca de 17% dos materiais usados no setor aeroespacial e 8% dos materiais usados no setor de transporte. Em todos esses setores, o controle de processo estável e ferramentas confiáveis traduzem-se diretamente em economia de custos e confiança na produção.
Por que a usinagem de materiais compostos é tão desafiadora? A usinagem de materiais compostos é muito diferente da usinagem de metais. Os materiais compostos combinam fibras rígidas e abrasivas com uma matriz de resina
mais macia, e cada mudança na orientação das fibras altera o comportamento do material no corte. O que parece uniforme na superfície é, na verdade, um ambiente em constante mudança para a ferramenta. Esse comportamento de mudança cria defeitos conhecidos para os fabricantes de materiais compostos: a delaminação pode ocorrer quando as camadas se separam sob forças excessivas, fibras não cortadas ou arrancadas aparecem quando a ferramenta não consegue cortar o reforço de forma limpa e a qualidade superficial pode se tornar inconsistente quando as fibras e a resina respondem de maneira diferente ao calor e à pressão. Todos esses problemas têm a mesma causa subjacente. O material não se comporta de forma consistente e seus modos de falha são imprevisíveis. O efeito na produção pode ser significativo. Defeitos levam à geração de refugo, mais inspeções, retrabalho e à possibilidade de linhas de
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produção paradas, especialmente em ambientes aeroespaciais de alta precisão onde a não conformidade não pode ser aceita. A sensibilidade ao calor adiciona outra camada de dificuldade. Se as temperaturas aumentarem, a resina amolece e as fibras permanecem rígidas, o que aumenta o risco de delaminação ou desfiamento. Se o corte estiver muito frio, a resina permanece frágil e o desgaste da ferramenta acelera. Os parâmetros de corte precisam ser controlados com precisão, e ainda assim as ferramentas convencionais frequentemente têm dificuldade em encontrar o equilíbrio certo. O resultado é o desgaste rápido, vida útil da ferramenta incerta e qualidade reduzida da peça. A usinagem confiável depende de ferramentas concebidas para estabilizar o processo, controlar a vibração e gerenciar o calor. Sem esse nível de controle, a usinagem de materiais compostos permanece uma tarefa desafiadora e imprevisível.
Seja no fresamento de canais, usinagem em rampa ou usinagem de arestas, a 2P350 executa do desbaste ao acabamento em um único setup. Menor vibração e ação de corte consistente também tornam o chão de fábrica mais silencioso e confortável. A CoroMill® Plura composite 2P350 mantém o comportamento de corte em diversos tipos de condições, permitindo que os fabricantes mantenham uma qualidade consistente, independentemente das variações da peça ou da fixação da ferramenta. O mecanismo de corte controlado melhora o desempenho em operações complexas, o que é particularmente valioso em manufatura automatizada e/ou onde não há intervenção humana. O comportamento previsível da ferramenta e a menor vibração reduzem a probabilidade de desgaste repentino da ferramenta, possibilitando a produção contínua e reduzindo a dependência da experiência do operador.
O poder do O2AD Engenharia da solução: CoroMill® Plura para materiais compostos 2P350. Atender a essas demandas requer uma ferramenta projetada não apenas para cortar o material, mas para controlar como as fibras se separam e como o desgaste se desenvolve ao longo do tempo. A CoroMill® Plura composite 2P350 foi desenvolvida com esses objetivos em mente. No coração da 2P350 está um mecanismo de corte duplo original. Ao contrário das fresas de topo convencionais, ela corta as fibras de forma limpa em vez de rasgá-las. O mecanismo funciona com uma ação semelhante a uma tesoura que aproxima duas arestas de corte para levantar e cisalhar as fibras de maneira controlada. Uma aresta guia as fibras enquanto a outra as corta, o que mantém o laminado estável e ajuda a prevenir a delaminação. Esta ação coordenada também equilibra a carga de corte, o que reduz a vibração e cria um processo de usinagem mais consistente e previsível. A geometria da ferramenta é otimizada para proporcionar alta produtividade. Grandes volumes de canal garantem o escoamento eficaz de poeira e fibras soltas geradas durante o corte. A remoção rápida desses materiais reduz o risco de reusinagem e ajuda a manter o corte estável e limpo.
A geometria sozinha, no entanto, não é suficiente em aplicações com materiais compostos abrasivos. A confiabilidade da aresta deve também resistir à exposição contínua a fibras de reforço, onde a classe O2AD torna-se importante. A classe O2AD combina engenharia de materiais avançada com uma espessa cobertura de diamante por deposição química de vapor de alta adesão. O substrato sob medida garante a ligação ideal entre a camada de diamante e o corpo da ferramenta, prevenindo a delaminação prematura da cobertura e estendendo a vida útil da ferramenta. Testes de campo e internos mostraram que a vida útil da ferramenta aproximadamente dobrou em comparação com a da classe O12M anterior. Em um caso envolvendo uma peça de asa de aeronave usinada sem refrigeração com vácuo em um pórtico de 5 eixos, a classe O2AD proporcionou uma melhoria de 100% na vida útil da ferramenta em comparação com a O12M sob as mesmas condições de corte. O padrão de desgaste é previsível e progressivo, dando aos fabricantes confiança para aumentar os parâmetros de corte enquanto reduzem refugo e as trocas de ferramenta. Isso cria reduções de custo tangíveis por meio de janelas de corte mais longas, estoque de ferramentas reduzido e menos tempo de inatividade.
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Ao combinar a resistência dessa cobertura de diamante com um substrato estável, a classe O2AD aborda diretamente os principais desafios do fresamento de materiais compostos. A qualidade consistente da aresta mantém forças de corte estáveis, proporciona baixa vibração e cria um processo de usinagem mais previsível. Os fabricantes podem obter cortes mais limpos, vida útil da ferramenta mais consistente e resultados mais confiáveis em materiais compostos abrasivos. CoroMill® Plura composite 2P350 com classe O2AD é mais do que uma ferramenta de fresamento. Aborda desgaste abrasivo, risco de delaminação, sensibilidade térmica e vibração, possibilitando a fabricação de peças de alta qualidade com desempenho consistente, independentemente da complexidade ou variabilidade. Do setor aeroespacial ao automotivo, defesa, espaço e aplicações marítimas, a 2P350 ajuda os fabricantes a aumentar a produtividade, proteger a integridade das peças e controlar os custos. Para fabricantes que enfrentam o desafio de usinar materiais considerados impossíveis de usinar, a CoroMill® Plura composite 2P350 estabelece um novo padrão de referência em fresamento de materiais compostos de alto desempenho com confiabilidade. Voltando ao desafio mais amplo, esses avanços mostram como o progresso na geometria das ferramentas e na engenharia de materiais está redefinindo os limites do que é possível na usinagem de materiais compostos. A delaminação, a variabilidade das fibras e a sensibilidade ao calor sempre farão parte do trabalho envolvendo o processamento desses materiais, e a tecnologia certa pode superar barreiras e garantir operações estáveis e previsíveis. Confira outros pontos de vista na seção “Opinião” do portal da Máquinas e Metais.
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Usinagem CNC
Literatura
engenharia relacionada ao processo. A publicação possui versão física e eletrônica e tem por objetivo aumentar o conhecimento de profissionais do setor de usinagem e estudantes. O livro possui 110 páginas e é comercializado pelo site Clube de Autores (https://clubedeautores. com.br/) pelo preço sugerido de R$ 75,53, versão física, e R$ 43,09, versão eletrônica.
Programação de CNC do básico ao avançado Está disponível para comercialização o livro “Usinagem CNC - Conceitos & aplicações básicas”, de autoria de Jurandir Primo. Na obra, em português, são abordados temas relacionados às operações realizadas em máquinas para usinagem e suas características técnicas, por exemplo. O livro possui capítulos sobre os centros de usinagem CNC, onde o leitor vai encontrar informações sobre as versões horizontal e vertical desses equipamentos. A abordagem do autor inclui o sistema de controle por computador que permite que o centro de usinagem execute operações precisas. Além da programação assistida por computador, a programação manual também está entre os assuntos abordados, juntamente com tópicos sobre detecção de colisão de ferramentas, pastilhas e ferramentas de corte, velocidade de corte e de avanço, assim como blocos de programas e sistemas de coordenadas. Também é tratado na obra o funcionamento de equipamentos para usinagem. Os tópicos abrangem a movimentação do fuso ao longo dos eixos X, Y e Z, além dos parâmetros da usinagem CNC e da
O livro eletrônico “Programação de CNC do básico ao avançado: Guia completo com G-Codes, M-Codes, simulações e boas práticas industriais”, de autoria de A. D. Silva, está disponível para comercialização. A obra, em português, possui capítulos sobre operação e programação de máquinas CNC como tornos e fresadoras, além de outros equipamentos industriais. O leitor vai encontrar exemplos reais de aplicações na indústria, bem como vai se deparar com assuntos que abrangem os fundamentos do uso da tecnologia CNC, tipos de máquinas e seus componentes.
Há seções dedicadas aos G-Codes e M-Codes, que trazem explicações sobre esse tipo de tecnologia. Nos capítulos também são abordadas as técnicas de programação de CNC avançada e blocos de código, os quais são comentados linha por linha. O autor também faz sugestões de práticas e simulações para o dia a dia dos parques fabris. No capítulo 1, por exemplo, são tratados tópicos que vão dos tipos de máquinas de usinagem CNC, passando por setores que consomem equipamentos industriais, até as características dos processos realizados por fresadoras, tornos, centros de usinagem, routers e máquinas de corte a laser, além de outros. O e-book é recomendado tanto para profissionais do setor metal mecânico, engenheiros e operadores de máquinas de usinagem quanto para iniciantes da indústria de manufatura e estudantes. É comercializado pelo site da Amazon (www.amazon.com.br) pelo preço sugerido de R$ 24,99 ou gratuitamente para usuários do plano Kindle Unlimited.
Leia resenhas de livros que tratam de temas da indústria metal mecânica no portal da Máquinas e Metais: https://www.arandanet.com. br/revista/mm/noticias/79
Produtos
Usinagem integrada e automação
A DN Solutions (Coreia) e a Heller (Sorocaba, SP) desenvolvem sistemas integrados de usinagem, automação e tecnologia baseada em inteligência artificial (IA) aplicadas ao chão de fábrica. O portfólio é composto, por exemplo, pelo centro de usinagem 5 eixos DVF 5000 equipado com o sistema de troca automática de peças AWC, o centro de torneamento integrado DNX 2100 SB com automação RoboJob, o centro multitarefa SMX 3100 S, o centro de usinagem vertical DNM 5700 e o torno pesado PUMA 5100 LYB. Também oferecem centros de torneamento e fresamento Mill-Turn modelos HF 5500, para usinagem completa em 5 eixos, e F 6000, voltado para aplicações de alta demanda na fabricação de peças complexas. Os clientes podem consultar as empresas sobre a disponibilidade de recursos de conectividade de dados e o monitoramento analítico do processo de usinagem. https://br.heller.biz/
Tecnologia para usinagem
A Sandvik Coromant (Jundiaí, SP) tem em seu portfólio tecnologias integradas de usinagem como, por exemplo, ferramentas para fresamento, furação e
torneamento. A empresa também desenvolve sistemas inteligentes de diagnóstico e criação de relatórios sobre processos fabris, abrangendo ainda a otimização de processos, programação CAM, abordagem orientada de dados, o desenvolvimento de equipes e redução de desperdícios. Além disso, são oferecidas tecnologias para manufatura digital e simulação 3D. A companhia também possui uma plataforma interativa para visualização e análise de processos de usinagem típicos dos setores aeroespacial, automotivo e de energia, para a fabricação de carcaças de motores aeronáuticos e blocos de motores, por exemplo. www.sandvik.coromant.com
Guindaste para máquinas pesadas
A Ematec AG (Alemanha) comercializa o guindaste híbrido para cargas pesadas HS 850, projetado pela empresa de engenharia Teco. Desenvolvido para movimentar e posicionar máquinas industriais de grande porte como centros de usinagem, o equipamento movimenta cargas de até 850 toneladas e possui dimensões externas de 2.420 mm de largura por 2.550 mm de altura de transporte. Ele dispõe de um braço articulado telescópico de cinco estágios e acionamento elétrico alimentado por bateria de alta voltagem, cuja recarga pode ser efetuada via rede elétrica trifásica (380 V a 16 A, 32 A ou 63 A) ou por grupo gerador acoplável (power pack) a combustível. A estrutura possui extensão telescópica ajustável de 6.000 mm a 10.000 mm para assegurar a estabilidade sobre o piso das instalações. www.ematec.com
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Eletroerosão a fio
A Suprasonic (Várzea Paulista, SP) comercializa a linha de máquinas CNC para eletroerosão a fio de molibdênio CY-PRO, que conta com as séries de equipamentos 320 e 400. As máquinas possuem mesa de trabalho com dimensões de 720 mm x 500 mm e 850 mm x 600 mm, sendo o curso da mesa de trabalho de 400 mm x 320 mm e 500 mm x 400 mm. As mesas, conforme sua versão, podem suportar peças com peso de até 300 kg ou 500 kg. Outras características das máquinas para eletroerosão são: espessura máxima de corte de 350 mm, usinagem de ângulo cônico de ±6º / 80 mm e melhor rugosidade superficial de Ra ≤ 0,8 µm. www.suprasonic.com.br
Confira mais informações sobre tecnologias para usinagem na seção “Produtos” do nosso portal: https://www.arandanet.com.br/revista/ mm/noticias/17
A ALIANÇA LÍDER MUNDIAL DE EVENTOS PARA A INDÚSTRIA DE ENERGIA
DATE
YEAR
DESTINATION
COUNTRY
SEPTEMBER 1–2
2026
DALLAS
USA
SEPTEMBER 1–3
2026
DUBAI
UAE
SEPTEMBER 1–3
2026
MEXICO CITY
MEXICO
OCTOBER 13–14 SUMMIT 2026
BUCHAREST
ROMANIA
FEBRUARY 8–11
2027
SAN DIEGO
USA
MARCH 9–11
2027
GANDHINAGAR
INDIA
MARCH 16–17
2027
NAIROBI
KENYA
APRIL 28–29
2027
FORTALEZA
BRAZIL
MAY 11–13
2027
DUBAI
UAE
JUNE 8–10
2027
MUNICH
GERMANY
JUNE
2027
ROSEMONT
USA
AUGUST 24–26
2027
SÃO PAULO
BRAZIL
204,000+ 4,700+ 10,000+
EVENTS
VISITANTES
EXPOSITORES PALESTRANTES
www.TheSmarterE.com
www.TheSmarterE.com.br