Hydro • Setembro/Outubro 2026
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Sumário
Especial
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Encontro Técnico AESabesp/Fenasan 2026 O 37º Encontro Técnico AESabesp/Fenasan - Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente acontece de 20 a 22 de outubro em São Paulo e reunirá 479 expositores de 12 países em dois pavilhões.
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Serviço Guia de dosadores de cloro A cloração permanece entre os métodos mais utilizados para a desinfecção da água. Este guia reúne os principais fornecedores no Brasil e apresenta as características dos modelos, incluindo tipos, capacidades e aplicações.
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Reúso Desinfecção com luz ultravioleta em efluente doméstico Este artigo apresenta um sistema de refinamento desenvolvido para obter um efluente de melhor qualidade, viabilizando o reúso do efluente doméstico após a etapa de desinfecção por luz ultravioleta (UV-C).
Corrosão
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Perda do revestimento interno e rompimento de tubulação de recalque de esgoto O estudo de caso demonstra como o processo de abrasão, provocado por sedimentos no fundo da tubulação, favoreceu a corrosão do ferro fundido, reduziu a espessura da parede do encanamento e culminou em seu rompimento.
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Tratamento de água Filtração por poros controlados em planta piloto A tecnologia PCF – Fibra de Controle de Poros consiste em um filtro modular caracterizado pela capacidade de controle preciso de seus poros, o que otimiza a eficiência da filtração em sistemas de tratamento de água.
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Serviço Guia de separadores água-óleo Este guia reúne fornecedores e compara características dos equipamentos, como tecnologias de separação, capacidades de vazão, dimensões, materiais construtivos, formatos e normas atendidas.
Produtos químicos
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Análise comparativa de agentes alcalinizantes em ETA O artigo compara os custos operacionais e a eficiência do uso de hidróxido de cálcio em suspensão (geocálcio) e de carbonato de sódio (barrilha) como agentes alcalinizantes no tratamento de água.
Reúso
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Implantação de projeto de reúso de água em uma empresa de economia mista A parceria entre a Copasa e uma siderúrgica demonstra como a integração entre aspectos técnicos, regulatórios, jurídicos e institucionais pode viabilizar soluções sustentáveis para ampliar a segurança hídrica.
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Adutora Uso de sistema BESS para controle de pressões transientes em adutoras Baterias do tipo BESS podem substituir dispositivos convencionais de proteção em adutoras de recalque. Em uma elevatória, o desligamento controlado dos conjuntos motobomba reduziu a sobrepressão de 440 para 280 m.c.a.
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Resíduos Utilização do lodo de ETE e ETA para restauração de pavimento Com base na análise de estudos sobre misturas de solo, cimento e lodo, este trabalho mostra que o reaproveitamento do resíduo é tecnicamente viável, atende aos requisitos ambientais e pode reduzir custos no saneamento e na construção civil.
Seções Carta ao leitor..............................06
Publicações...................................80
Notícias............................................08
Índice de anunciantes .............80
Conexão...........................................74
Saneamento em Pauta............82
Produtos..........................................78
Capa Foto: AU USAnakul/Shutterstock
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Editorial
O saneamento na agenda dos novos governadores
E
ncerrada a disputa eleitoral dos governadores que comandarão os estados brasileiros entre 2027 e 2030, começa uma etapa bem mais difícil: transformar promessas e planos de governo em políticas públicas, investimentos e resultados. Para o saneamento, o próximo mandato terá importância particular. Será o último ciclo estadual completo antes de 2033, prazo estabelecido pelo marco legal para que 99% da população tenha acesso à água potável e 90% à coleta e ao tratamento de esgoto. Um estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil às vésperas das eleições mostra, porém, que o setor ainda não recebeu, na maior parte dos programas de governo, atenção compatível com o tamanho do desafio. Entre 62 candidatos considerados competitivos, apenas 13 apresentaram propostas classificadas como abrangentes, contemplando conjuntamente planejamento e regionalização, investimentos, governança e regulação e metas tangíveis para o mandato. Outros 44 planos abordaram apenas parte desses eixos e cinco foram considerados superficiais. Embora 87% mencionassem a universalização, somente 26% estabeleciam metas concretas para os quatro anos seguintes. Os números ganham ainda mais relevância quando se considera que restam menos de sete anos para 2033. Os governadores que assumirão em janeiro encontrarão, portanto, uma janela cada vez mais estreita para estruturar projetos, viabilizar investimentos, aprimorar a regulação e criar condições para que municípios e prestadores avancem no atendimento da população. Tratar o saneamento como prioridade, entretanto, não significa apenas cumprir uma obrigação legal ou ampliar redes de água e esgoto. Os efeitos se espalham por diversas áreas da economia e da vida social. No VEJA Fórum Saneamento, realizado em setembro, a presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, destacou que a universalização pode gerar mais de R$ 1,4 trilhão em benefícios socioeconômicos ao país. Estudos da entidade relacionam a expansão dos serviços a ganhos em saúde, educação, renda e produtividade, além de impactos positivos no turismo e na valorização imobiliária. É essa dimensão que precisa estar presente na agenda dos novos governos. Investir em saneamento reduz doenças e afastamentos, melhora as condições de aprendizagem e trabalho e movimenta uma extensa cadeia de fornecedores, serviços e infraestrutura. Não se trata, portanto, apenas de despesa pública ou de atendimento a uma meta setorial, mas de uma política com capacidade de produzir retorno econômico e social. As eleições passam; o prazo de 2033, não. Aos governadores que iniciarão seus mandatos em 2027 caberá transformar um tema ainda tratado de maneira pouco aprofundada em muitos programas eleitorais em uma política efetiva de desenvolvimento. Os próximos quatro anos serão decisivos para determinar quão perto o país chegará da universalização. Sandra Mogami – Editora sm@arandaeditora.com.br
ARANDA EDITORA TÉCNICA CULTURAL LTDA. Diretores: Edgard Laureano da Cunha Jr., José Roberto Gonçalves e José Rubens Alves de Souza (in memoriam) REDAÇÃO: Diretor: José Rubens Alves de Souza (in memoriam) Jornalista responsável: Sandra Mogami (MTB 21780) Repórter: Fábio Laudonio (MTB 59526) SECRETÁRIAS DE REDAÇÃO E PESQUISAS: Milena Venceslau e Sabrina Emilly dos Anjos Costa PUBLICIDADE NACIONAL: Gerente comercial: Elcio Siqueira Cavalcanti Contatos: Fábio Oddone (fabio.oddone@arandaeditora.com.br) e Rodrigo Lima (rodrigo.lima@arandaeditora.com.br) REPRESENTANTES: Paraná e Santa Catarina: Romildo Batista - Cel.: (41) 99728-3060 romildo@arandaeditora.com.br Rio de Janeiro e interior de São Paulo: Guilherme Carvalho Cel.: (11) 98149-8896 - guilherme.carvalho@arandaeditora.com.br Rio Grande do Sul: Maria José da Silva - Tel.: (11) 2157-0291 Cel.: (11) 98179-9661 - maria.jose@arandaeditora.com.br INTERNATIONAL ADVERTISING SALES REPRESENTATIVES: China: Mr. Weng Jie - Hangzhou Oversea Advertising Ltd 55-3-703 Guan Lane, Hangzhou, Zhejiang 310003, China Tel.: +86 571-87063843, fax: +1 928-752-6886 (retrievable worldwide) ziac@mail.hz.zj.cn Germany: STROBEL VERLAG GmbH & Co. KG - Mr. Peter Hallmann Zur Feldmühle 9-11 - 59821 Arnsberg Tel.: +49 2931 8900-26, fax: +49 2931 8900-38 p.hallmann@strobel-verlag.de Italy: QUAINI Pubblicità - Ms. Graziella Quaini - Via Meloria 7 - 20148 Milan Tel.: +39 2 39216180, fax: +39 2 39217082 - grquaini@tin.it Japan: Echo Japan Corporation - Mr. Ted Asoshina Grande Maison Room 303, 2-2, Kudan-kita 1-chome, Chiyoda-ku, Tokyo 102-0073, Japan Tel.: +81-(0)3-3263-5065, fax: +81-(0)3-3234-2064 - aso@echo-japan.co.jp Korea: JES Media International - Mr. Young-Seoh Chinn 2nd Fl., ANA Building, 257-1 Myeongil-Dong, Gangdong-gu Seoul 134-070 Tel.: +82 2 481-3411, fax: +82 2 481-3414 - jesmedia@unitel.co.kr Switzerland: Mr. Rico Dormann, Media Consultant Marketing Moosstrasse 7, CH-8803 Rüschlikon Tel.: + 41 1 720-8550, fax: + 41 1 721-1474 beatrice.bernhard@rdormann.ch Taiwan: WORLDWIDE S Services Co. Ltd. - Mr. Robert Yu 11F-B, No 540, Sec. 1, Wen Hsin Road, Taichung Tel.: +886 4 2325-1784, fax: +886 4 2325-2967 - global@acw.com.tw UK: Mr. Edward J. Kania - Robert G Horsfield International Publishers Daisy Bank, Chinley, Hig Peaks - Derbyshire SK23 6DA Tel.: +44 1663 750 242, mob.: +44 7974168188 - ekania@btinternet.com USA: Ms. Fabiana Rezak - 2911 Joyce Lane, Merryck, NY 11566 USA Tel.: +(1) 516 476-5568 - arandausa@gmail.com ADMINISTRAÇÃO: Diretor administrativo: Edgard Laureano da Cunha Jr. CIRCULAÇÃO: São Paulo: Clayton Santos Delfino - tel. (11) 3824-5300 e 3824-5250 PROJETO VISUAL GRÁFICO, DIAGRAMAÇÃO E EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Helio Bettega Netto ASSISTENTES DE PRODUÇÃO: Talita dos Santos Silva e Vanessa Cristina da Silva SERVIÇOS: Impressão: Ipsis Gráfica e Editora S.A. Distribuição: ACF - Ribeiro de Lima
ISSN 1980-2218
Hydro é uma publicação da Aranda Editora Técnica Cultural Ltda. Redação, Publicidade, Administração, Circulação e Correspondência: Rua Tagipuru, 92 - 01156-000 - São Paulo - SP Brasil Tel. (+55-11) 3824-5300 e 3824-5250 Fax (+55-11) 3666-9585 infohydro@arandanet.com.br - www.arandanet.com.br A revista Hydro é enviada a 12 mil profissionais envolvidos com instalações hidrossanitárias prediais, com o tratamento de água e efluentes em indústrias e complexos de serviços e com sistemas públicos de água e esgoto.
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Notícias Water Solutions cresce com engenharia customizada no tratamento de água e efluentes
C
om 15 anos de atuação, a Water Solutions, de Guarulhos, SP, busca ganhar espaço no mercado de tratamento de água e efluentes apoiada em uma combinação de estrutura otimizada, engenharia própria e soluções desenvolvidas de acordo com as necessidades de cada cliente. A empresa foi fundada por Marcelo Rocha, profissional com 28 anos de atuação no setor, e concentra seus negócios principalmente no mercado industrial, embora também possa fornecer sistemas e equipamentos para companhias de saneamento. “Após realizar uma análise de mercado e atuando em diversos projetos na área, identifiquei uma oportunidade estratégica de empreender e focar 100% no próprio negócio”, conta o diretor. A trajetória profissional do fundador tem sido um dos principais ativos para o fortalecimento da marca no setor. “Meu nome é bastante conhecido no mercado”, afirma. Segundo ele, em uma das vendas recentes, o próprio cliente resumiu essa relação de confiança. A companhia reúne profissionais com experiência em tratamento de água, efluentes e reúso e trabalha com uma equipe multidisciplinar de engenharia. O modelo adotado pela Water Solutions separa o desenvolvimento tecnológico da fabricação dos equipamentos. A empresa mantém internamente a concepção dos sistemas, enquanto terceiriza a produção física com fornecedores parceiros. “Terceirizamos a fabricação. Mas a parte de conceito da engenharia, a rota tecnológica, nós desenvolvemos aqui”, explica.
der à demanda do mercado industrial e urbano. Uma das configurações oferecidas combina tratamento biológico, membranas de ultrafil‑ tração de placa plana e osmose reversa. Essa lógica de projeto sob demanda é um dos pontos Marcelo Rocha, da Water Solutions: engenharia própria e soluções sob medida para os clientes que a companhia procura utilizar para se diferenciar. Entre as especialidades estão “Não temos nada de prateleira”, diz RoETAs - Estações de Tratamento de cha. A proposta é dimensionar a rota Água, sistemas para remoção de fertecnológica e os equipamentos de ro e manganês e ETEs - Estações de acordo com as características da água Tratamento de Efluentes físico-químiou do efluente e com as exigências de cada processo industrial. cas, voltadas, por exemplo, para galvanoplastia, pintura, tratamento de Ao contrário de fornecedores versuperfícies e metalmecânica, entre ticalizados, a Water Solutions não outros segmentos com soluções cus‑ mantém uma grande unidade fabril. A empresa opera a partir do escritório tomizadas. A companhia também em Guarulhos e dispõe de um espadesenvolve ETAs industriais com tecço estruturado para receber materiais nologias convencionais, troca iônica e osmose reversa. Entre os projetos em trânsito, como equipamentos, em andamento está o fornecimento materiais filtrantes e acessórios. Os de um sistema de desmineralização equipamentos são produzidos por por troca iônica com capacidade de fabricantes parceiros de acordo com 10 m³/h, para uma indústria automoas especificações desenvolvidas pela tiva. engenharia da companhia. Na avaliaA atuação abrange ainda sisteção do executivo, esse modelo permimas de tratamento físico-químico e te reduzir custos fixos e competir em biológico de efluentes. Dependendo projetos atendidos também por emdas características do despejo e do presas maiores. resultado pretendido, as duas rotas podem ser combinadas, com uma etapa físico-química primária seguida de tratamento biológico e posterior reaproveitamento. A empresa também presta consultoria para melhoria de processos físico-químicos e biológicos e realiza estudos de tratabilidade. O reúso é outra frente do portfólio buscando aten- Desmineralizador por troca iônica de 10 m³/h
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A estrutura otimizada também está associada à estratégia de ofere‑ cer respostas mais rápidas aos clien‑ tes. A Water Solutions oferece ainda serviços de pré e pós-venda e pode manter acompanhamento periódico das instalações, através de contratos de operação assistida. A companhia desenvolve os projetos, coordena a fabricação e entrega sistemas turnkey em todo o Brasil. O portfólio inclui filtros de carvão e areia, agitadores, misturadores, flocu‑ ladores, separadores de água e óleo e tanques de polipropileno e PRFV - Plástico Reforçado com Fibra de Vi‑ dro, além de soluções para remoção de ferro e manganês. A empresa tam‑ bém vem incorporando produtos de parceiros e representações comerciais para ampliar a oferta. Entre os destaques estão os tan‑ ques de fibra de vidro e polipropileno. São dimensionados de forma custo‑ mizada e podem ser fabricados em diferentes geometrias, incluindo mo‑ delos retangulares e cilíndricos e ver‑ sões com fundo plano, inclinado ou cônico. Os equipamentos são destina‑ dos, entre outras aplicações, ao arma‑ zenamento de produtos corrosivos e a processos que demandam materiais resistentes a ambientes agressivos. Já os separadores de água e óleo são direcionados a aplicações industriais nas quais é necessário remover óleos presentes nos efluentes. O diretor cita como mercados po‑ tenciais diferentes segmentos indus‑ triais que necessitam tratar água de processo e efluentes ou ampliar o reúso em suas unidades. Isso não sig‑ nifica que a empresa descarte o sane‑ amento. Segundo o executivo, a Water Solutions pode atender municípios e grandes companhias do setor, caso surjam oportunidades.
A aposta no mercado industrial ocorre em um momento que Rocha considera favorável para investimen‑ tos em tratamento e reúso. Além do cumprimento das exigências ambien‑ tais, a busca pela redução de perdas e pelo melhor aproveitamento da água tende a abrir oportunidades para pro‑ jetos capazes de adequar a qualidade do recurso hídrico às necessidades específicas de cada processo. O desempenho comercial recen‑ te apresentou um forte crescimento. Para o próximo ano, a meta estabe‑ lecida pela empresa é obter cresci‑ mento de pelo menos 30% sobre 2026. “O mercado está bem aque‑ cido. Os negócios continuam aconte‑ cendo”, finaliza. Water Solutions – Tel. (11) 97196-0470 Site: https://watersolutions.com.br/
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das Nações Unidas (UNU-INWEH) es‑ tima que o consumo mundial de ele‑ tricidade por data centers, de 448 TWh em 2025, poderá chegar a 945 TWh em 2030. A pegada hídrica associada à eletricidade consumida pelo setor poderá alcançar 9,3 trilhões de litros anuais. No caso brasileiro, o estudo aponta que a intensidade hídrica da matriz elé‑ trica é 191% superior à média global, principalmente em razão da participa‑ ção da geração hidrelétrica. O levanta‑ mento ressalta que a avaliação ambien‑ tal da IA não deve se limitar às emissões de carbono, mas considerar também os impactos sobre água e uso do solo. Para a Abriq - Associação Brasileira de Infraestrutura da Qualidade, o cres‑ cimento da IA reforça a necessidade de indicadores e mecanismos de ve‑ rificação do desempenho ambiental
Redata fixa limite de uso de água para data centers
A
expansão de data centers destinados a aplicações de IA - Inteligência Artificial de‑ verá ocorrer no Brasil sob novas exigências de eficiência hídrica. Sancionado em 15 de setem‑ bro, o Redata - Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center estabelece, entre as condições para acesso aos benefícios tributários, WUE Water Usage Effectiveness (ín‑ Data center de IA: demanda de resfriamento pressiona dice de eficiência hídrica) igual o consumo de água ou inferior a 0,05 litro por kWh, dos data centers. A entidade destaca com aferição anual. que normas como a ISO 14001, de A medida ganha relevância diante gestão ambiental, e a ISO 50001, de do aumento projetado do consumo gestão de energia, podem apoiar o de recursos pela infraestrutura digital. monitoramento e a melhoria da efi‑ Relatório do Instituto de Água, Meio ciência no uso de recursos. Ambiente e Saúde da Universidade
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Notícias Saneamento amplia presença no mercado livre e abre espaço para Elera Renováveis
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avanço das empresas de saneamento no mercado livre de energia vem ampliando as oportunidades para comercializadoras e geradoras que atuam com contratos de longo prazo e autoprodução. A Elera Renováveis atende atualmente cinco clientes do segmento e vê potencial de expansão da carteira nos próximos anos, impulsionado pelos investimentos necessários para universalizar os serviços de água e esgoto até 2033. Dados da CCEE - Câmara de Comercialização de Energia Elétrica citados pela companhia mostram que o saneamento esteve entre os três segmentos que mais migraram para o mercado livre no primeiro trimestre de 2026, com 694 novas transferências. No período, também liderou o crescimento do consumo de eletricidade entre os 15 setores monitorados pela entidade, com alta de 28,3% em relação ao ano anterior. Segundo Flávia Daher, diretora Comercial e Trading da Elera Renováveis, o setor é intensivo em energia e tende a ampliar a demanda à medida que avançam os investimentos em redes, estações de tratamento e sistemas de bombeamento. “Vemos um potencial significativo de crescimento do setor de saneamento nos próximos anos. Nesse contexto, nosso papel vai além da comercialização de energia. Buscamos oferecer soluções que proporcionem previsibilidade de custos e segurança energética para que essas empresas possam concentrar seus investimentos na expansão e na melhoria dos serviços prestados à sociedade", afirma.
A Elera estima que a migração para o mercado livre possa reduzir entre 20% e 35% os gastos com energia, dependendo do perfil de consumo, do volume demandado, do prazo e da estrutura contratual e do momento da contratação. A empresa não informou o volume de energia contratado pelos cerca de cinco clientes de saneamento que atende atualmente. Além da contratação convencional no ambiente livre, a companhia oferece PPAs, contratos de compra e venda de energia de longo prazo, e modelos de autoprodução. Segundo Flávia, os PPAs tendem a ser mais adequados para consumidores que buscam previsibilidade de preços por períodos mais longos, enquanto a autoprodução costuma fazer mais sentido para operações de elevado consumo e com estratégia de longo prazo. “A principal vantagem da migração para o mercado livre é a possibilidade de transformar um dos maiores custos operacionais da atividade em uma despesa mais previsível e competitiva”, diz a executiva. Ela ressalta, porém, que novas migrações deixaram de contar com o desconto na TUSD - Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição, após mudança regulatória introduzida pela Lei 15.269/2025, o que reduz parte da economia em relação ao cenário anterior. No caso de autarquias e órgãos públicos, a Elera aponta ainda como entrave a necessidade de compatibilizar as regras de contratação pública e os processos licitatórios com a dinâmica do mercado de energia. Já para concessionárias privadas de maior porte, a expectativa da empresa é de maior procura por contratos de longo prazo e autoprodução, em função da necessidade de previsibilidade para os investimentos.
Flávia Daher, da Elera Renováveis: economia de 20% a 35% nos gastos com energia
O movimento ocorre em um contexto de expansão do saneamento. A ampliação da infraestrutura necessária para atingir as metas de universalização deverá elevar o consumo de energia do setor. A busca por fontes renováveis também aparece como componente das estratégias energéticas das concessionárias. A Elera afirma que contratos no mercado livre podem ser associados à aquisição de energia renovável e de certificados I-REC. “O saneamento vive um momento decisivo de crescimento e modernização. Para que essa expansão aconteça de forma sustentável, a transição energética precisa caminhar junto”, afirma Flávia. Elera Renováveis – Tel. 0800 881 4044 Site: https://elera.com/
Randoncorp atinge 100% de reúso de efluentes tratados
A
Randoncorp, empresa especializada em soluções para transporte e mobilidade, alcançou um marco relevante na estratégia de sustentabilidade ao atingir 100% de reúso de efluentes tratados nas operações fabris. Desta forma, consolida o cumprimento de um dos principais compromissos ambientais estabelecidos para 2025: a reutilização total dos efluentes tratados na companhia.
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Notícias Com investimento de R$ 4,5 mi‑ lhões, a Randoncorp fortaleceu a infraestrutura ambiental e deu es‑ cala às soluções implementadas nas operações da Frasle Mobility presentes no Centro de Tratamento Avançado de Efluentes (CTAE), em Empresa implantou um sistema de filtração por Caxias do Sul, RS, nas ETEs - Esta‑ membranas de ultrafiltração e osmose reversa ções de Tratamento de Efluentes das unidades de Sorocaba, SP, e Join‑ economia circular e gestão responsá‑ ville, SC, e na ETE da Randoncorp, no vel de recursos naturais. “Reafirmamos site Interlagos. nosso compromisso com a sustentabi‑ O destaque do investimento é o lidade e demonstramos que é possível CTAE da Frasle Mobility, que imple‑ aliar eficiência industrial com respon‑ mentou um sistema de filtração por sabilidade ambiental. E, ainda, gera‑ membranas de ultrafiltração e osmo‑ mos valor para o negócio e, em conse‑ se reversa. Com isso, foi ampliada a quência, à sociedade”, afirma Pontalti. reutilização de efluentes para o abas‑ Na unidade de Joinville, o total de tecimento de torres de resfriamento efluentes tratados em 2025 chegou a e caldeira, o que atinge 4680 m3/ 6529 m³. Já em Sorocaba, 2268 m³ mês, ou 6,5 m3/h. A água tratada foram reaproveitados em processos na unidade também é reaproveitada de irrigação desde janeiro deste ano. em outros processos industriais, sa‑ Os avanços na meta ESG foram nitários, lavagem de pisos e irrigação. viabilizados por um conjunto de inicia‑ Assim, não há descarte na natureza. tivas que incluem automação dos sis‑ Para o vice-presidente executivo da temas de tratamento, monitoramento Randoncorp e CEO da Frasle Mobility, em tempo real da qualidade da água Anderson Pontalti, o resultado repre‑ (com controle de parâmetros como senta avanço concreto em práticas de pH, temperatura e vazão) e amplia‑
ção das redes internas para redistri‑ buição do efluente tratado. Randoncorp – Tel. (54) 3239-2000 Site: https://www.randoncorp.com/pt/
T&D Sustentável passa a oferecer serviços de inteligência hídrica
A
T&D Sustentável, de Macaé, RJ, tem utilizado 2026 para consoli‑ dar o seu reposicionamento de merca‑ do. Antes apresentada como fornece‑ dora de soluções voltadas à eficiência no consumo de água, a empresa pas‑ sou a adotar, em 2025, o conceito de inteligência hídrica, incorporando maior uso de dados aos serviços e reforçando a ideia da empresa de ser um hub de ferramentas que abrange diversas de‑ mandas relacionadas à água. Segundo o CEO e cofundador Pedro Vitali, a mudança reflete essa evolução. “Inicialmente, enviávamos um relatório de economia de água. Hoje, trabalhamos os dados de forma muito mais eficiente, a ponto de informar aspectos como a energia economizada pelo acionamento
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de bombas e a redu‑ de terceiros instalados ção de CO2”, afirma. em cada unidade habi‑ tacional. O principal produ‑ O modelo de remu‑ to continua sendo o neração é baseado no SEA 360º - Sistema percentual de redução de Economia de Água, Pedro Vitali, da T&D Sustentável: que combina tecnolo‑ dados e IA na gestão de recursos de consumo obtido pelo gias próprias de efici‑ cliente. Segundo a T&D, a ência hídrica, análise de dados e mo‑ média nacional é de 28,5%. Em alguns nitoramento em tempo real com uso casos, onde os focos de perda eram de IA - Inteligência Artificial. O portfólio acentuados, o índice de economia che‑ inclui ainda o TDRR, sistema de moni‑ gou a 80%. "Alguns clientes entendem toramento remoto para acompanha‑ a remuneração variável como algo im‑ mento de parâmetros hidráulicos 24 previsível em seu orçamento. Nesses ca‑ horas, como níveis de reservatórios, sos, aplicamos a cobrança por mensali‑ acionamento de bombas, consumo e dade", diz Vitali. Os serviços podem vazamentos, com alertas por aplicativo, ser contratados diretamente ou por e-mail, SMS e WhatsApp. Já o CGI gera meio de parceiros, como a Otimiza.pro, relatórios individualizados sobre o con‑ worktech especializada em gestão de sumo de água em edifícios a partir de pagamentos corporativos, que distri‑ informações coletadas por medidores bui o SEA 360º. Recentemente, a T&D
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anunciou o desenvolvimento de uma IA própria voltada ao saneamento, com previsão de uso no SEA 360º até o fim de 2026. Para Anderson Belem, CEO da Otimiza.pro, a tecnologia poderá ampliar a padronização e a agilidade na gestão dos dados, com ganhos em escala, rastreabilidade e controle. Em pouco mais de oito anos, a T&D Sustentável afirma ter proporcio‑ nado economia superior a 1,7 bilhão de litros de água e R$ 58 milhões aos clientes, além de evitar a emissão de 3,4 mil toneladas de CO2. A empresa atua em 47 cidades de nove estados e atende segmentos como condo‑ mínios, farmácias, academias, hotéis, hospitais, instituições de ensino, redes de varejo e indústria. T&D Sustentável – Tel. (22) 99703-3345 Site: www.tedsustentavel.com.br
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Especial
Encontro Técnico AESabesp/Fenasan 2026
E O 37º Encontro Técnico AESabesp/Fenasan – Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente acontece de 20 a 22 de outubro em São Paulo. O evento reunirá 479 expositores de 12 países em dois pavilhões, além de 17 mesas e nove painéis sobre temas como inovação, eficiência energética, recursos hídricos, tratamento de água e esgoto, reúso e mudanças climáticas.
m 15 de setembro de 2026, a AESabesp completou 40 anos de trajetória em defesa do saneamento. É com esse mote que a 37ª edição do Encontro Técnico AESabesp/ Fenasan acontece de 20 a 22 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo. Para marcar uma ocasião tão significativa, a entidade ampliou a infraestrutura em relação à edição anterior. Um dos destaques é o número de expositores, que passou de 412 para 479, um aumento de 16%. A feira reúne empresas de 12 países (Alemanha, Argentina, Brasil, Chile, China, Estados Unidos, Holanda, Índia, Israel, Itália, México e Portugal) em 37 mil m2 distribuídos em dois pavilhões. Durante a feira, o público poderá conhecer produtos, serviços e tecnologias voltados aos sistemas de tratamento de água, adução e abastecimento, coleta e tratamento de esgotos, drenagem, disposição final de resíduos e outras áreas do saneamento ambiental. “Nos últimos anos, avançamos na internacionalização de nossas atividades, e isso também se reflete no Encontro
Técnico AESabesp/Fenasan. Podemos dizer que hoje somos um termômetro do que ocorre no setor e um farol para os atores internacionais, que podem enxergar na Fenasan as tendências do mercado”, frisa Agostinho Geraldes, presidente da AESabesp. Com 17 mesas e nove painéis, o Encontro Técnico terá uma programação voltada a temas como controle de perdas, inovação, eficiência energética, automação, mudanças climáticas, recursos hídricos, saneamento rural, tratamento de água e esgoto e reúso. Os painéis também serão transmitidos ao vivo pela TV Água e Saneamento, canal de sustentabilidade e comunicação idealizado pela entidade no YouTube e cujo estúdio será montado no evento. A AESabesp mantém, em 2026, a parceria com a Carbon Free Brasil para
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a compensação da pegada de carbo‑ no gerada pela realização da Fenasan e do Encontro Técnico. A iniciativa contemplará as emissões relaciona‑ das aos participantes, ao consumo de energia e à destinação de resíduos, re‑ forçando o compromisso da entidade com a sustentabilidade.
2Neuron O Ultronline, da 2Neuron, utiliza IA – Inteligência Artificial para interpretar os sinais elétricos de equipamentos e, com isso, realizar uma manutenção preditiva inteligente sem o auxílio de sensores. Compacto e do tamanho de um celular, o Ultronline é insta‑ lado no painel de energia e realiza a leitura dos sinais elé‑ tricos de acionamen‑ to do motor via ESA – Assinatura Elétrica. Nessa técnica, cada componente mecâ‑ nico em movimento dentro de um equi‑ pamento gera padrões de frequência e amplitude presentes na corrente elétrica do sistema. Tais padrões se traduzem como uma assinatura elétrica específica, que pode ser identificada e analisada. www.2neuron.com
ABB A ABB apresenta o ACS580MV, drive de média tensão para aplicações gerais e acionamento de motores de 200 kW a 6,3 MW. O equipamento permite contro‑ lar a velocidade e o torque de motores
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“A Fenasan 2026 aproveita o ce‑ nário favorável à atração de novos in‑ vestimentos no setor de saneamento, impulsionados pela Lei nº 14.026, e disponibiliza um ambiente de inova‑ ção, tecnologia e negócios aos opera‑ dores e prestadores, visando à univer‑ salização dos serviços de saneamen‑
to até 2033”, finaliza Pierre Ribeiro de Siqueira, diretor de Inovações da AESabesp. A entrada na feira é gratuita, e as inscrições podem ser feitas pelo site www.fenasan.com.br. Acompanhe, a seguir, algumas das novidades apre‑ sentadas pelos expositores.
e bombas de acordo com a demanda do processo, contribuindo para a redução do consumo de energia. Conta com menu de configuração simplificado e assistentes de comissionamento, monitoramento de consumo e economia de energia, além de funções de reinicialização automática, diagnóstico e compatibilidade com as principais redes de automação.
Clearflow e distribuído no Brasil pela Alpha Water.
https://new.abb.com/
Aepio O medidor eletro‑ magnético de vazão TEF da Aepio conta com processamento digital, autodiagnós‑ tico e display LCD retroiluminado, além de interfaces de comunicação 4-20 mA, HART 7 e RS-485 Modbus RTU para integração a sistemas de automação. Disponível para diâmetros de DN15 a DN1200 e também em versão para áreas classificadas. www.aepio.com.br
Alpha Water O Gel Block Floculante Clearflow promove a coagu‑ lação e floculação de sólidos suspen‑ sos, favorecendo a formação de flocos densos e sua rápida sedimentação. A solução auxilia na re‑ moção de partículas e metais associados a esses sólidos, aumentando a eficiência dos processos de separação sólido-líquido no tratamento de água. Fabricado pela
www.alphawater.com.br
Altus A Altus apresenta a linha de CPUs modulares Nexto XF, desenvolvida para aplicações de processos au‑ tomatizados. Com hardware robus‑ to e recursos avançados de software, os equipamentos podem operar como controladores independentes em aplica‑ ções de edge computing ou combina‑ dos com módulos de entrada e saída para atuar como processadores de da‑ dos remotos em sistemas distribuídos. A linha oferece recursos de conectivida‑ de para aplicações de automação e pro‑ cessamento distribuído. https://www.altus.com.br/
Aquastar A Aquadip, da Aquastar, é uma estação de bombeamento a seco desenvolvida para transpor‑ te eficiente de águas residuais onde não há via‑ bilidade técnica para tubulações de escoamento por gravidade. Construída em PEAD – Polietileno de Alta Densidade, suporta vazões de até 360 m3/h. www.aquastar.com.br
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Especial Bauminas A Bauminas pretende reforçar os benefícios de seu portal do cliente. Lançada em 2023, a plataforma oferece mais de
que ETAs - Estações de Tratamento de Água tratem maiores volumes de água em menos tempo. www.celtabrasil.com.br
Coester
30 funcionalidades para proporcionar autonomia, agilizar processos e facilitar a gestão de pedidos e entregas, finanças, contratos e documentos. https://bauminas.com.br/
Biosolvit A Biosolvit lançou um modelo de Biofranquias para a oferta descentralizada de soluções de saneamento, inicialmente por meio da vertical Bio Water Care. A solução integra sensores, hardware, softwares proprietários e IA - Inteligência Artificial para o monitoramento da qualidade da água em tempo real. Comercializado no modelo WaaS - Water as a Service, o serviço inclui instalação, operação, manutenção e monitoramento contratados por assinatura. https://biosolvit.com/
Celta Brasil A Celta Brasil lançará o Watercel Floc, solução desenvolvida para aumentar a velocidade de decantação e permitir
A Coester mostrará uma solução integrada para automação de filtros em ETAs - Estações de Tratamento de Água, combinando automação, instrumentação e serviços de engenharia para controle e modernização dos sistemas de filtragem. O escopo pode incluir atuadores elétricos, painéis de automação, infraestrutura elétrica, instalação e certificação de redes industriais. https://www.coester.com.br/
Columbus Saneamento A Columbus Saneamento apresenta as juntas adaptáveis das linhas LS e WS, desenvolvidas para união, conexão e reparo de tubulações. Com ampla faixa de adaptação dimensional, os modelos permitem compensar variações de até 50 mm, proporcionando maior flexibilidade e segurança na instalação. www.columbussaneamento.com.br
DOPP A DOPP fabrica tanques e reservatórios com tecnologia de dobra dupla desenvolvida pela alemã Lipp GmbH. Com capacidades de até 15 mil m3 e diâmetros de até 50 m (valores maiores sob consulta), a empresa utiliza materiais como aço inoxidável, aço galvanizado e Verinox (chapa de aço inoxidável na parte interna e galvanizado na parte externa). www.dopp.com.br
EB Sopro e Vácuo A EB Sopro e Vácuo fornece soluções para sistemas de aeração destinados ao tratamento de água e efluentes, com seleção dos equipamentos de acordo com as condições de operação, como vazão, pressão e regime de funcionamento. O portfólio inclui sopradores roots (foto), parafuso, turbo, canal lateral e membrana. www.ebsv.com.br
Ecolab A Ecolab exibirá o Purate, tecnologia para geração de dióxido de cloro destinada à desinfecção e ao controle de microrganismos, incluindo bactérias, vírus e protozoários. A solução também auxilia na oxidação de ferro e manganês. Segundo a empresa, a tecnologia apresenta eficiência superior a 95% e minimiza a formação de subprodutos. https://pt-br.ecolab.com/
Eletra Energy A Eletra Energy apresenta o Smart Meter ZLWV20-4, hidrômetro com tecnologia AMI, conectividade NB-IoT e eSIM compatível com GSMA SGP.32. O equipamento possui válvula de corte inteligente, fechamento por volume e alertas de fraudes e anomalias, além de recursos de segurança e criptografia. A solução permite atualização remota em campo e é destinada à gestão de perdas e à eficiência operacional. https://www.eletraenergy.com.br/
Elipse Software O Elipse Water, da Elipse Software, é uma plataforma SCADA com recursos de IA -
SOLUÇÕES COMPLETAS PARA O TRATAMENTO DE ÁGUAS E EFLUENTES Tecnologias para diferentes etapas, processos e aplicações.
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Especial Inteligência Artificial aplicados à operação. A partir do modelo hidráulico da rede, a solução identifica a conexão e o funcionamento dos componentes e gera auto-
tinada a aplicações de grande porte, com diâmetro de até 4 m e profundidade de até 15 m. https://engbombas.net/
FAE
maticamente telas esquemáticas de operação. Em sua próxima versão, o software deverá incorporar uma ferramenta para modelagem de estações de tratamento de água e esgoto. www.elipse.com.br
Engbombas A Engbombas mostrará uma estação elevatória de esgoto em PEAD - Polietileno de Alta Densidade, com configuração de poço múltiplo e sistema de travamento axial e antiflutuação. Composta por poços de entrada e bombeamento e câmara de manobras, todos também em PEAD, a solução é des-
A FAE apresenta o FCX, hidrômetro ultrassônico de medição estática desenvolvido para micromedição. Sem partes móveis, o equipamento possui vazão inicial a partir de 1,5 L/h ou 5 L/h, conforme o modelo, e dispõe de opções de comunicação WM-Bus e NB-IoT, além de interface óptica e saída de pulsos, permitindo leitura remota e integração com sistemas de gestão. www.fae.com.br
Fluid Feeder Fabricado pela Badger Meter, marca pertencente à s::can, o con::cube V3 é um computador industrial para operação online de espectrômetros, sondas ISE e outros sensores de monitoramento da qualidade da água. A conectividade de rede é feita via Ethernet, WLAN ou modem 4G opcional, com possibilidade
de transferência de resultados de medição via interfaces Modbus RTU/TCP e Profibus DP, saídas analógicas, entre outros. Comercializado no Brasil pela Fluid Feeder. www.fluidfeeder.com.br
Grupo EP O Grupo EP oferece soluções integradas para projetos de tratamento de água e efluentes, reúso, retrofit, modernização e operação de sistemas e estações de saneamento. A atuação reúne engenharia, análises ambientais, testes de tratabilidade, fornecimento de equipamentos e peças sobressalentes, produtos químicos, automação e monitoramento. www.grupoep.com.br
H2O Ambiental O Grupo H2O Ambiental apresenta as Balsas Automatizadas Indústria 4.0, fabricadas em aço inoxidável com flutuadores em polietileno para aplicações
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Especial de captação de água e remoção de lodo. Com estrutura modular e automação, os equipamentos podem ser operados por controle remoto ou por programação via CLP/IHM, sendo projetados e fabricados sob medida de acordo com a aplicação.
mento de esgoto com bombas conectadas diretamente à tubulação e instalação em poço seco, livre de gases. O conjunto inclui painel elétrico customizado para os padrões das companhias de saneamento.
www.h2oambiental.com.br
www.improv.com.br
Hidro Solo
Joplas
A Hidro Solo apresenta o HidroTurb, sensor para monitoramento contínuo da turbidez em ETAs – Estações de Tratamento de Água e processos industriais. Integrado a uma plataforma própria de IoT – Internet das Coisas, o equipamento permite acompanhar dados em tempo real, gerar alertas e armazenar informações para análises mais precisas.
A Joplas fabrica tubos e conexões em PRFV – Plástico Reforçado com Fibra de Vidro para aplicações em saneamento, abastecimento de água e infraestrutura, com diâmetros de até 2600 mm. Todos os produtos são submetidos a teste hidrostático individual antes de saírem da fábrica.
www.hidrosolo.com.br
HIGRA O Aerador de Superfície Ciclone da HIGRA é um equipamento com conjunto motriz totalmente submerso e que dispensa o uso de óleo. Com rotor em aço inoxidável 304, o sistema opera com lâmina d’água a partir de 0,8 m. Disponível
www.joplas.com.br
Kronox A Kronox apresenta a Elevatória Titan, em PEAD – Polietileno de Alta Densidade com tecnologia Weholite, pré-fabricada e dimensionada conforme cada projeto. Integrada ao Booster de Esgoto Kronox, a solução acomoda o sistema da EEE - Estação Elevatória de Esgoto em um poço compacto, reduzindo escavações, obras civis e simplificando a implantação. https://www.kronox.com.br/
LAO Indústria na faixa de 1,5 a 7,5 CV, o aerador alcança diâmetro de influência de até 38 m e é indicado para lagoas facultativas e aeradas rasas, tanques de equalização e projetos de retrofit. www.higra.com.br
Improv Equipamentos O SBL – Sistema de Bombeamento em Linha (booster de esgoto), da Improv Equipamentos, é uma solução para bombea-
A LAO Indústria exibirá o seu portfólio de rádios IoT – Internet das Coisas, desenvolvidos para aplicação em seus medidores, ampliando as possibilidades de conectividade e telemetria. A empresa também apresentará uma nova linha de hidrômetros ultrassônicos de grande capacidade com tecnologia IoT embarcada. www.laoindustria.com.br
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Especial Lepono A Lepono oferece um portfólio de soluções em bombeamento para indústria, saneamento e infraestrutura hídrica, com aplicações em sistemas de abastecimento, drenagem, esgotamento sanitário e
Densidade, biseladoras para preparação de extremidades de tubulações metálicas antes da soldagem, além de rosqueadeiras para corte, escareamento e produção de roscas padronizadas.
navegação e levantamentos topobatimétricos.
www.merax.com.br
O GIBR - Gas Infusion for Biological Reactor, da Prosper Water, é um sistema modular de infusão de oxigênio para reatores biológicos, aplicável a plantas novas ou existentes. Os módulos podem ser instalados em configuração sidestream, com skid externo ao tanque, ou submersa, conforme o layout e as condições de operação. As membranas fornecem oxigênio dissolvido em condições de supersaturação, na faixa de 60 a 400 ppm, com elevada taxa de transferência e estabilidade, sem depender da profundidade do tanque.
Naqua
controle de cheias. A linha é voltada à otimização de operações e à ampliação da eficiência dos sistemas. https://www.leponodobrasil.com.br/
Matryx A Matryx apresenta a linha Chemifloc, composta por floculantes de alto peso molecular, disponíveis em pó ou emulsão. A linha reúne as séries 3000-X aniônica, para floculação físico-química em decantadores e flotadores; 9000-X catiônica, para deságue e adensamento
de lodo em centrífugas e prensas; e 12000-X não iônica, para pós-coagulação em ETAs - Estações de Tratamento de Água e processos com floculantes de baixíssima carga. www.matryxpq.com.br
Merax A Merax fornece equipamentos para instalação e manutenção de redes de água e esgoto, incluindo termofusoras e eletrofusoras para união de tubos e conexões em PEAD - Polietileno de Alta
A Naqua mostrará novidades de sua tecnologia de grades mecanizadas destinadas à separação de sólidos e líquidos. Entre os destaques estão as grades com Barras Fixas Tipo NAQUA (à dir.), com barras ancoradas e intercambiáveis, característica que facilita a manutenção e a adaptação do equipamento às condições de operação. https://naqua.com.br/
Pi² Technologies Brasil O PODZ PV, da Pi² Technologies Brasil, é um inserto resistente à corrosão aplicado em poços de visita para reduzir odores emanados das linhas de esgoto. O inserto é equipado com carvão PODZ Filter, o que facilita substituições.
https://grupoplanal.com.br/
Prosper Water
www.prosperwater.com
Sancotec A Sancotec é representante e distribuidor exclusivo e oficial da espanhola Toro no Brasil. Entre os destaques no portfólio da
www.pi2technologies.com
Planal A Planal Tecnologia, Serviços e Engenharia realiza serviços de engenharia de subsolo, incluindo mapeamento e prospecção de interferências, caracterização geológica, cadastro de redes e estruturas existentes, estudos por métodos geofísicos, sondagem e topografia. A empresa também executa patrulhamento de faixas de dutos, manutenção de balizamento de
empresa europeia estão os tanques em PRFV - Plástico Reforçado com Fibra de Vidro em placas modulares aparafusadas pelo processo de flex molding. Os reservatórios apresentam capacidade de 43 a 12.535 m3 e diâmetro de 4,3 a 38,1 m. www.sancotectank.com
Sanesoluti A Sanesoluti destacará o Ultramag, medidor de vazão ultrassônico por tempo de trânsito, sem partes móveis. É disponível com diâmetros de 40 a 300 mm, grau de proteção IP68 (vedado contra poeira e
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Reduz a concentração de Nitrogênio Amoniacal, Fósforo, DQO e DBO, óleos e gorduras, melhorando a qualidade do efluente final. Comparado a diversas instalações, o BIOLOGIC™ SR2 aumenta a eficiência do tratamento e proporciona uma significativa redução nos custos operacionais, tornando-se a escolha ideal para ETEs e lagoas de decantação.
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ACME | Filtros Autolimpantes de Alta Eficiência na Remoção de Sólidos Os filtros autolimpantes ACME são projetados para aplicações e remoções de areia fina incorporadas aos efluentes de até 150 mm. Fabricados pela canadense Acme Engineering, os produtos apresentam alta performance de remoção de sólidos com eficiência de 98%.
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Especial resistente à imersão contínua em água), alimentação por bateria com até 10 anos de duração ou energia elétrica e integração direta com telemetria (Modbus, pulso e 4-20 mA). https://sanesoluti.com.br/
SDB Metering A SDB Metering, representante da alemã Diehl Metering no Brasil, apresentará o hidrômetro volumétrico V5, com range R800 e elevada sensibilidade em baixas vazões. Desenvolvido para identificar fluxos mínimos de água, o equipamento busca ampliar a precisão da medição em aplicações de saneamento, contribuindo para o controle do consumo e a redução de perdas. www.sdbmetering.com.br
Stringal Hurner A Stringal Hurner fabrica tanques e equipamentos especiais em PRFV - Plástico Reforçado com Fibras de Vidro, além de
Toray A Toray levará o seu portfólio de membranas, com destaque para a linha de osmose reversa, com rejeição de sais de até 99,8%. As soluções são destinadas a tubos e conexões em PRFV e RPVC - Policloreto de Vinila Reforçado com Fibra de Vidro. Os projetos contam com área de engenharia e sistemas de gestão de qualidade certificado pela ISO 9001, com fabricação apoiada por tecnologias de produção e sistema de gestão. www.stringalhurner.com.br
aplicações industriais, reúso de água e tratamento de efluentes, com estoque local e suporte técnico especializado no Brasil. https://www.water.toray/
TanksBR A TanksBR exibe seus reservatórios com revestimento epóxi e vitrificado. Recentemente, a empresa desenvolveu para a Sanepar a ETE - Estação de Tratamento de Esgoto Campo Novo em Quedas do Iguaçu, PR. Com capacidade de tratamento de 40 L/s, a unidade conta com processos MBBR e tanques de aço vitrificado. www.tanksbr.com.br
VARB A VARB apresenta sua linha de válvulas de controle hidráulico de câmara dupla, desenvolvidas para estabilização de grandezas hidráulicas e proteção de infraestruturas fluidomecânicas. www.varb.com.br
Vogelsang O XRipper, da Vogelsang, é um triturador de duplo eixo com design robusto, rotores monolíticos e fácil manutenção.
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A solução realiza a trituração de materiais sólidos emaranhados em digestores e esgotos, assegurando o fluxo contínuo e evitando obstruções ou bloqueios em bombas e tubulações. http://www.vogelsang.info/pt-br/
Voltz A Voltz exibirá o seu portfólio de projetos elétricos e automação desenvolvidos
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na plataforma BIM. O software facilita a integração entre disciplinas, amplia a eficiência no uso de recursos e deixa os projetos em conformidade com padrões de segurança vigentes.
de pressão Qdos, que monitora as condições de pressão em tempo real.
www.voltzprojetos.com.br
A WL Equipamentos apresentará um filtro autolimpante por retrolavagem com acionamento totalmente automatizado, controlado por transmissor de pressão diferencial que identifica a saturação do elemento filtrante. Durante a retrolavagem, um raspador remove a sujeira acumulada e a direciona para fora por meio de válvula automatizada. Fabricado em aço carbono ou aço inoxidável, o equipamento atende vazões de até 6600 m³/h.
Watson-Marlow A Watson-Marlow Fluid Technology Solutions exibirá a bomba de dosagem química Qdos H-FLO, projetada para vazões de até 600 L/h e diferentes opções de cabeçote para aplicações em tratamento de água e efluentes. O equipamento pode receber acessórios como kit de engate fácil, com mangueira revestida em PTFE - Politetrafluoretileno, e sensor
www.wmfts.com
WL Equipamentos
https://www.wlequipamentos.com.br/
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Serviço
Guia de dosadores de cloro A cloração permanece entre os métodos mais utilizados para a desinfecção da água, e os dosadores permitem controlar a aplicação do produto em diferentes sistemas de tratamento. Os equipamentos disponíveis no mercado operam com cloro em pastilhas, pó ou solução líquida. Este guia reúne os principais fornecedores no Brasil e apresenta as características dos modelos, incluindo tipos, capacidades e aplicações.
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Manual
Fluid Feeder (11) 99938-6210
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oliver@fluidfeeder.com.br
Georg Filtros (47) 99282-9727 georgfiltros@gmail.com
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Iwaki (19) 99311-8846
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ProMinent (11) 4176-0724
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rlosito@iwakibrasil.com
silverio.alexandre@prominent.com
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Até 1 kg
300.000
Até 200 kg/h
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1a7
500 a 20.000
100 a 10.000
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Hidrogeron (43) 3172-6565 contato@hidrogeron.com
Capacidade (L/h)
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Para reservatórios (L)
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expansul@expansul.com.br
Quantidade de pastilhas
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Expansul (51) 3328-5134
Pastilha
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Líquido
Poços artesianos
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Gás
Piscinas
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Torres de resfriamento
ETE
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Acquasalles (31) 3533-6230
Redes pressurizadas
ETA
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Empresa/Telefone/E-mail
comercial@acquasalles.com.br
Cloro
Caixa d´água
Para
Automático
26
1 a 40
100 a 500.000
Até 300
0,001 a 1.000
Obs: Os dados constantes deste guia foram fornecidos pelas próprias empresas que dele participam, de um total de 54 empresas pesquisadas. Fonte: Revista Hydro, setembro/outubro de 2026. Este e muitos outros Guias HY estão disponíveis on-line, para consulta. Acesse www.arandanet.com.br/revista/hydro e confira. Também é possível incluir a sua empresa na versão on-line de todos estes guias.
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Reúso
Desinfecção com luz ultravioleta em efluente doméstico Ana Paula De Melo Targino e Thainá Fernanda Botelho da Silva Anacleto, Consultoras Ambientais Felipe Junio de Sousa Silva e Maria Victória Lourenço Lins, da UFPB - Universidade Federal da Paraíba Susana Cristina Batista Lucena, do IFPB - Instituto Federal de Educação da Paraíba
O Este artigo apresenta um sistema de refinamento desenvolvido para obter um efluente de melhor qualidade, viabilizando o reúso do efluente doméstico proveniente de um sistema de tratamento composto por biorreator anaeróbio de membrana submersa, após a etapa de desinfecção por luz ultravioleta (UV-C), que atua como barreira de proteção contra a liberação de agentes patogênicos no corpo hídrico.
s poluentes dos corpos hídricos possuem fontes variadas, como efluente industrial e doméstico, que muitas vezes são lançados sem o devido tratamento. O oxigênio dissolvido (OD) no corpo hídrico é indispensável para a manutenção do ecossistema aquático. Contudo, o lançamento de altas concentrações de cargas orgânicas, oriundas de efluentes sem o devido tratamento, acaba ocasionando um desequilíbrio. Através do processo de decomposição biológica, ocorre a modificação dos poluentes orgânicos em compostos mais simples e inertes, levando a condições de anaerobiose e perda da vida aquática [4]. Visando reduzir os impactos ambientais causados pelo lançamento do esgoto doméstico em condições inadequadas no corpo hídrico, é de fundamental importância o investimento em novas tecnologias de tratamento de efluente, que possam ser utilizadas como forma de refinar o sistema convencional [1]. Atualmente, existem várias tecnologias voltadas ao tratamento de efluentes líquidos, visando à remoção do teor de carga orgânica, e, consequentemente, de nutrientes como nitrogênio e fósforo. Pensando em atender as condições ideais para preservar não só a saúde
humana, como também o meio ambiente, a detecção de constituintes com características nocivas vem sendo cada vez mais aprimorada para o tratamento de águas residuárias [5]. Buscando viabilizar o reúso do efluente, além da sua disposição final com melhor qualidade, o uso da desinfecção por luz ultravioleta (UV-C) se faz extremamente importante, servindo como uma barreira protetora para evitar que o corpo hídrico receba agentes patógenos, pois as doenças infecciosas podem ser resultado dos diversos usos da água, como o abastecimento público, banho, criação de peixes e irrigação. O reúso dos efluentes, que a cada dia ganha mais força dentro da engenharia sanitária, reforça a necessidade de desinfecção dos esgotos.
Objetivos O presente estudo tem como objetivo contribuir com a sociedade e com a comunidade acadêmica ao abordar um sistema de refinamento que permite a obtenção de um efluente de melhor qualidade, possibilitando ainda seu reúso após o processo de desinfecção por luz ultravioleta (UV-C).
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Reúso
Fig. 1 – Experimento para desinfecção do efluente doméstico
10 minutos. Ao total, o experimento durou 40 minutos sob radiação da luz UV-C.
Turbidez (NTU) Turbidez (NTU)
que a desinfecção foi realizada. É importante ressaltar que foram utilizaFig. 2 – Presença de coliformes das duas amostras com valores Resultados diferentes de turbidez, e discussão a fim de comparar a ação da luz UV-C. Na Buscando fomentar comparações do efluente antes e amostra 1 foi adiciopós desinfecção, foram reanado 1,5 ml de sullizadas análises físico-químifato de alumínio, e cas relacionadas ao nitrogê- Fig. 3 – Presença de E. Coli na amostra 2, 2 ml nio, fósforo, turbidez e DQO, detectada do mesmo coagulante. conforme tabela I. A amostra 2 não passou pelo processo de filtração Tab. I – Caracterização físico-química do após adição do coagulante, a fim de efluente antes da desinfecção se obter um valor maior de turbidez Nitrogênio Fósforo Turbidez DQO (figura 5), e comparar a eficiência da 41,6 mg/L 7,67 mg/L 28,6 NTU 206,30 mg/L luz UV-C em turbidez mais alta. Com relação aos teores Tab. II – Jar test para encontrar a concentração ótima de de nutrientes como nitrogêturbidez nio e fósforo, a desinfecção Volume da Volume do pH Turbidez Turbidez pós (NTU) filtração (NTU) amostra (ml) coagulante (ml) não mostrou redução signi0,5 23 ficativa (tabela III), eviden1,0 14,5 ciando a necessidade de um 40 6,3 1,5 7,2 0,6 tratamento específico para 2,0 6,76 0,18 remoção ou captura desses 2,5 18,5 nutrientes, como a utilização de biofertilizante, por exemplo. Para utilizar a desinfecção por UV, foi preciso adicionar sulfato de alumi40 4 no nas amostras (tabela II), visando 30 3 reduzir a turbidez do efluente, que ini20 2 cialmente era de 28,6 NTU. Esse processo foi necessário porque a elevada 10 1 turbidez reduz a eficiência da desin0 0 1 2 3 4 fecção por UV, sendo recomendados Amostras valores inferiores a 5 NTU. Fig. 4 – Turbidez da amostra 1 após desinfecção A presença de E. Coli pode ser observada na figura 3. Frente a uma lâm40 28 pada UV-C, observou-se uma fluores27 30 26 cência nas amostras, caracterizando o 25 20 24 teste positivo para E. Coli. 23 A turbidez foi medida a cada 10 22 21 10 minutos até completar 40 mi0 20 1 2 3 4 nutos de análise. Na figura 4 é possíAmostras vel observar que a turbidez manteveFig. 5 – Turbidez da amostra 2 após desinfecção -se constante durante os 40 minutos Tempo (min.)
O trabalho/experimento foi desenvolvido no Laboratório de Cromatografia e Quimiometria Aplicada (LACQUA), localizado no Centro de Tecnologia da UFPB - Universidade Federal da Paraíba. Outras análises, como DQO - Demanda Química de Oxigênio, DBO Demanda Bioquímica de Oxigênio, nitrogênio, fósforo, pH e turbidez, foram realizadas no Laboratório de Carvão Ativado (LCA) no Centro de Tecnologia (CT) da UFPB. A metodologia utilizada para a realização dessas análises consta do manual de procedimentos disponibilizados por uma empresa que vende equipamentos de laboratório. Os equipamentos utilizados durante as análises foram: analisador UV portátil, espectrofotômetro UVmini-1240, kit de DQO, nitrogênio e fósforo, lâmpada de luz UV-C 13 W/254 nm, além de um agitador mecânico. Durante os ensaios, realizou-se a coleta do efluente na saída do biorreator anaeróbio de membrana submersa. Com o auxílio de uma bomba peristáltica, foram retirados de dentro do sistema 2 L do efluente para realizar a desinfecção. Para a montagem do sistema de desinfecção, foi utilizada uma caixa (figura 1) para evitar a saída da luz UV-C durante o processo. Outro equipamento usado foi o agitador, a fim de evitar zonas mortas durante a ação da luz. As medições de pH e turbidez foram feitas a cada
Tempo (min.)
Metodologia
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Reúso Após a desinfecção, não foi detectada E. Coli em ambas as amostras; já o coliforme não foi detectado na amostra 1, e detectado na amostra 2, conforme figura 6. Com os resultados obtidos após desinfecção, fica evidente que na amostra 1, na qual a dosagem do coagulante utilizado foi de 1,5 ml de sulfato de alumínio, não foram encontrados microrganismos patógenos, como coliformes e E. Coli. O processo de desinfecção não foi eficiente na remoção de nutrientes como nitrogênio e fósforo, tendo em vista que os valores antes e pós-tratamento não apresentaram diferença significativa. Porém, essa carga de nitrogênio e fósforo torna possível a utilização desse efluente na fertirrigação, tendo em vista que são macronutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas. Em trabalhos já realizados foi utilizado um esterilizador ultravioleta, em estação de tratamento de esgoto, visando o reúso agrícola, no qual o sistema apresentou uma eficiência de 83,1% na redução de E. Coli. Entretanto, a carga patogênica final não apresentou os
Tab. III – Caracterização físico-química do efluente após desinfecção Nitrogênio
Fósforo
Turbidez
DQO
38,5 mg/L
6,7 mg/L
2 NTU
18,8 mg/L
padrões adequados ao reúso agrícola perante a legislação vigente. Segundo a Resolução Conama no 357/05, os limites máximos permitidos para que o efluente tratado possa ser utilizado no cultivo agrícola são de 200 coliformes termotolerantes a cada 100 ml de amostra de águas de classe 1; 1000 coliformes por 100 ml de amostra de águas de classe 2 (irrigação de hortaliças); e 4000 por 100 ml nas amostras de classe 3 (irrigação de frutíferas, jardins). No resultado obtido, o número de coliformes termotolerantes foi de 9 x 104. Em outro trabalho, focado na utilização de lâmpadas germicidas na desinfecção de esgoto sanitário, os resultados obtidos revelaram que os indicadores colifagos E. Coli apresentaram a menor resistência à radiação UV, alcançando remoção entre 1,7 e 3,9 log e 1,6 e 5,2 log, respectivamente [2]. Quando comparado com outros resultados na literatura, como os já citados, é possível notar que a desinfecção é eficiente quando uma série de fatores são controlados visando
Fig. 6 – Ausência de E. Coli
intensificar a ação da luz UV-C, como por exemplo, manter a turbidez com valores inferiores a 5 NTU. A amostra 2 apresentou variações de turbidez durante os 40 minutos de exposição à luz UV-C por existir presença de sólidos, tendo em vista que ela não passou pelo processo de filtração, visando obter uma turbidez mais elevada e verificar a eficiência da desinfecção nessas condições. Como foi utilizado um agitador para evitar zonas mortas, à medida que o equipamento promovia agitação na amostra, os sólidos que foram sedimentados com a adição de sulfato de alumínio se dispersaram.
Conclusões e recomendações A turbidez impacta diretamente na desinfecção por luz UV-C. Através dos resultados obtidos, percebeu-se que quanto maior a turbidez, menor será a eficiência de remoção do sistema proposto.
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Para efluentes de turbidez mais elevada, é recomendado, antes de passar pela desinfecção por luz UV-C, o uso de produtos químicos, como o sulfato de alumínio, a fim de reduzir a turbidez da água residuária e proporcionar uma desinfecção mais eficiente. Com a turbidez de 2 NTU, a desinfecção com a luz foi mais eficiente. Após os testes microbiológicos, não foram encontrados microrganismos patóge‑ nos, indicando potencial para o reúso na fertirrigação. O efluente após desinfecção permaneceu com uma carga elevada de nutrientes como nitrogênio e fósforo, fundamentais para o desenvolvimento das plantas. A amostra com turbidez mais elevada apresentou coliformes mesmo após o processo de desinfecção, evidenciando a importância de reduzir a turbidez
antes de iniciar o processo com a luz UV-C. Diante dos resultados obtidos, recomenda-se utilizar um efluente com maior carga patógena. O efluente utilizado no estudo possui uma carga baixa por ser proveniente de um processo refinado de tratamento de efluente, onde a membrana de ultrafiltração do biorreator, quando em perfeito funcionamento, pode barrar a passagem de microrganismos.
Referências [1] Andrade, L.H. (2011). Tratamento de efluente de indústria de laticínios por duas configurações de biorreator com membranas e nanofiltração visando o reúso. Dissertação (Mestrado em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG. [2] Bilotta, P.; Daniel, L.A. Utilização de lâmpadas germinicidas na desinfecção de esgoto
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sanitário. Revista Ambiente & Água, vol. 7, no 1. 2012. [3] Resolução no 54, de 28 de Novembro de 2005. Estabelece modalidades, diretrizes e critérios gerais para a prática de reúso direto não potável de água, e dá outras providências. [4] Cardoso, M.G. (2012). Bioaumentação em reatores anaeróbico e aeróbio e uso de reator nitrificante para redução da carga orgânica e nitrogenada. Dissertação (Mestrado em Engenharia Química) - Universidade Federal de Santa Maria - Centro de Tecnologia. Santa Maria, RS. [5] Metcalf & Eddy, Inc. (2003). Wastewater Engineering – treatment, disposal and reuse. 3a ed. Estados Unidos, McGraw-Hill. [6] Voltolini, L.C.; Garay, D.F.A.; Souza, C.F. Esterilizador ultravioleta em estação de tratamento de esgoto visando reúso agrícola. Revista Ciência, Tecnologia & Ambiente, vol. 11, e11190. 2021. Trabalho originalmente apresentado no 33º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, promovido pela ABES em paralelo com a Fitabes, no período de 25 a 28 de maio de 2025, em Brasília, DF.
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Corrosão
Perda do revestimento interno e rompimento de tubulação de recalque de esgoto Caio Francisco Anastacio Freitas, Alex Eduardo Jorge Macedo, Luciano Farias de Novaes e Maria Isabel Chambrone, da UNAERP Thiago Bueno de Oliveira, da Logatti Faculdade
A abrasão provocada por sedimentos depositados no fundo da tubulação, associada à velocidade de escoamento inferior à recomendada pela norma, comprometeu o revestimento interno de uma linha de recalque de esgoto sanitário. O estudo de caso demonstra como esse processo favoreceu a corrosão do ferro fundido, reduziu a espessura da parede da tubulação e culminou em seu rompimento.
A
oxidação do ferro fundido em contato com a água é um fenômeno natural decorrente da reação do ferro com o oxigênio e a umidade. Em tubulações de ferro fundido utilizadas em sistemas de esgotamento sanitário, esse processo pode ser acelerado pela presença de componentes químicos do esgoto, gases, oxigênio dissolvido e substâncias ácidas, favorecendo a formação de produtos de corrosão (ferrugem). Essa oxidação contínua pode levar ao desgaste do material e reduzir sua resistência, podendo resultar em rachaduras ou quebras e comprometer a funcionalidade de peças e equipamentos de ferro fundido, como tubulações, válvulas e outros componentes industriais. Devido à exposição direta das tubulações de ferro fundido a agentes agressivos presentes no esgoto, é necessário que elas recebam revestimento interno adequado. Esses revestimentos atuam como uma barreira de proteção contra a corrosão, contribuindo para aumentar a vida útil das tubulações, melhorar a
Fig. 1 - Perda do revestimento interno (argamassa) em tubulação de ferro fundido de diâmetro 500 mm
eficiência do sistema e reduzir os custos de manutenção. A NBR 15420/2022 estabelece os requisitos e métodos de ensaio, exames visuais, dimensionais e ensaios para fabricação e recebimento de tubos, conexões e acessórios de ferro dúctil e suas juntas destinados
PORTO ALEGRE MAIS PREPARADA CONTRA CHEIAS Soluções Lepono na modernização da infraestrutura de drenagem da capital gaúcha Porto Alegre conta com a Lepono em um projeto estratégico que amplia a resiliência da cidade diante de grandes volumes de chuva. A iniciativa contempla o fornecimento de 7 Grupos Motobombas Submersíveis Lepono, que juntos somam 1.755 kW de potência instalada e capacidade de bombeamento de até 56.700 m³/h. Os equipamentos são aplicados nas EBAPs 1, 3 e 4, localizadas na Avenida Castelo Branco e em áreas adjacentes, atendendo regiões de grande circulação e importância urbana, com influência sobre os bairros Floresta, Navegantes, São Geraldo, Humaitá e o entorno da Rodoviária. Com potencial para beneficiar mais de 200 mil pessoas, a modernização reforça a capacidade de resposta da cidade, ajudando a reduzir os impactos dos alagamentos e a manter a cidade em movimento.
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Corrosão ao uso em sistemas de esgotamento sanitário. Entre os materiais utilizados para o revestimento interno das tubulações de esgotamento sanitário, destacam-se: • Revestimento com argamassa de cimento de alto-forno: indicado para utilização em águas brutas e potáveis. • Revestimento com cimento aluminoso: apropriado para águas agressivas (águas doces, ácidas, fortemente abrasivas), efluentes domésticos e águas pluviais. • Revestimento com poliuretano: apropriado para efluentes agressivos (industriais) e em trechos de canalização que necessitem de uma proteção reforçada contra ataques ácidos químicos (pH < 4). Vale salientar que, além da aplicação indicada pelo fabricante, a seleção da tubulação deve considerar as características físico-químicas do fluido transportado. Este artigo tem como objetivo apresentar um estudo de caso ocorrido em um município situado no interior de São Paulo, envolvendo a
ruptura de uma tubulação de recalque de esgotamento sanitário, com diâmetro nominal de 500 mm e comprimento total de 400 metros, fabricada em ferro fundido e com revestimento interno em argamassa. Fig. 2 - Ruptura longitudinal da tubulação de ferro fundido A análise busca identificar provocada pela perda de revestimento interno os fatores que contribuíram para a falha e discutir os aspectos relho, existência de dispositivos auxiliares lacionados à seleção do material e às para a partida e a parada do conjunto, condições de operação da tubulação. número de acionamentos por hora e desnível geométrico da linha de recalque. Metodologia • Elaboração do perfil hidráulico do A metodologia foi desenvolvida em sistema: após o levantamento das intrês etapas: formações hidráulicas e a compreen• Inspeção visual e fotográfica: foi reasão do funcionamento do sistema, foi lizada uma visita técnica ao local para elaborado o perfil hidráulico da rede de inspeção visual e registro fotográfico, recalque com a utilização do software com o objetivo de compreender o funCivil 3D. cionamento do sistema e identificar as possíveis causas do rompimento. Resultados e discussão • Análises hidráulicas do sistema: foi realizado o diagnóstico operacional A figura 1 apresenta os registros fodo sistema, com o objetivo de identitográficos da parte interna da tubulaficar suas características hidráulicas e ção, onde é possível visualizar a perda elétricas, como o modelo do conjunto de revestimento interno justamente no motor-bomba, vazão, pressão de trabalocal onde ocorreu o rompimento. Já na
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Corrosão
Fig. 3 - Esquema hidráulico da tubulação de recalque de esgoto
parte externa (figura 2) é possível ver que o rompimento ocorreu no sentido longitudinal, causando uma espécie de trinca na tubulação. O sistema é composto por motobomba autoescorvante e opera com vazão máxima de 100 L/s e altura manométrica de 20 m.c.a. O acionamento e parada do conjunto são realizados por um inversor de frequência. Dos 400 metros de comprimento da linha de recalque, os primeiros 200 metros não possuem desnível acentuado em relação ao sistema de bombeamento. Já os 200 metros finais localizam-se em um aclive, com diferença de cota de aproximadamente 20 metros em relação ao sistema de bombeamento existente. Após coletadas as informações necessárias para o entendimento do sistema, foi elaborado um esquema hidráulico da linha de recalque, bem como seu perfil (figura 3). Com base nos resultados obtidos, podemos destacar dois pontos, detalhados a seguir.
Corrosão e deterioração do material No local do rompimento da tubulação, foi identificada a perda do revestimento interno de cimento aluminoso. Observou-se que essa perda ocorreu exclusivamente na geratriz inferior ao longo de toda a extensão da tubulação. Esse fenômeno é justificado pela abrasão provocada pelos sedimentos depositados no fundo da tubulação. Materiais sólidos, como a areia, tendem a se acumular na geratriz inferior quando o sistema de bombeamento está desligado. Com o acionamento do sistema, esses sedimentos são arrastados pelo escoamento, provocando abrasão na parede interna e, consequentemente, o desgaste progressivo do revestimento. Após a perda da argamassa, o líquido entrou em contato direto com a parte metálica, ocasionando a oxidação do ferro fundido e perda de espessura da tubulação, até o seu rompimento. Ressalta-se que essa tubulação está em operação há mais de 20 anos. Ao longo desse período,
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ocorreu a perda gradual do revestimento interno, provocada pela abrasão dos sólidos depositados em seu fundo.
Velocidade abaixo da recomendação da norma Outro ponto de destaque foi que a velocidade do escoamento é de 0,5 m/s, abaixo do recomendado por norma. De acordo com a NBR 8160/1999 - Instalações prediais de esgoto sanitário, a velocidade mínima recomendada para o esgoto nas redes de recalque (ou pressurizadas) deve ser de 0,6 m/s, para evitar o depósito de sólidos dentro das tubulações. Esse valor busca equilibrar a eficiência no transporte do esgoto e a durabilidade do sistema, prevenindo tanto o risco de entupimentos quanto a corrosão das tubulações. Como a velocidade de operação do sistema é inferior à recomendada, de 0,6 m/s, existe uma maior probabilidade de depósito de materiais na geratriz inferior da tubulação.
Conclusões O depósito de materiais sólidos no fundo de tubulações de recalque de esgoto, decorrente da baixa velocidade de escoamento e das características do perfil hidráulico da linha (baixas declividades), pode ocasionar a perda do revestimento interno de tubulações de ferro fundido. No presente trabalho, foi possível constatar que a perda do revestimento interno foi provocada pela abrasão dos sólidos depositados no fundo da tubulação. Com a remoção desse revestimento, a superfície metálica ficou desprotegida e passou a entrar em contato direto com o líquido transportado, favorecendo o processo de oxidação. Como consequência, ocorreu a redução gradual da espessura da parede da tubulação, culminando em seu rompimento. Os materiais sólidos depositados no fundo da tubulação, como a areia, podem provocar abrasão e a perda do revestimento interno. Isso ocorre porque, quando o sistema de bombeamento é acionado, esses materiais são arrastados pelo escoamento, causando atrito com a parte inferior da parede da tubulação e promovendo seu desgaste progressivo. Neste estudo de caso, constatou-se que a tubulação encontra-se comprometida em decorrência do processo de abrasão ocorrido ao longo de 20 anos de operação. Diante desse cenário, torna-se necessária a recuperação do sistema, por meio da aplicação de um novo revestimento interno ou da substituição da tubulação existente.
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Tratamento de água
Filtração por poros controlados em planta piloto Ariel Humberto da Rosa Bloemer, Cursando Técnico em Controle Ambiental; Ricardo de Oliveira, Químico; Eduardo Kim, Engenheiro Civil; Marta Eliane Doumer, Doutora em Química Inorgânica; e Joanna Ferreira Godinho, Mestre em Engenharia Química
A tecnologia PCF – Fibra de Controle de Poros consiste em um filtro modular caracterizado pela capacidade de controle preciso de seus poros, o que otimiza a eficiência da filtração em sistemas de tratamento de água para consumo. Sua estrutura baseia-se em fibras de polipropileno dispostas verticalmente e conectadas em duas extremidades, permitindo movimentos de tensão e relaxamento do material. Este trabalho apresenta os resultados de desempenho do filtro submetido a testes em uma ETA compacta de Balneário Camboriú, SC.
A
bacia hidrográfica do rio Camboriú compreende uma área de 184,75 km2, envolvendo os municípios de Balneário Camboriú e Camboriú, SC. O rio Camboriú é o responsável por suprir a necessidade hídrica das duas cidades, sendo a fonte de captação para a ETA. Este estudo tem o objetivo de verificar se a água proveniente do tratamento com a PCF - Fibra de Controle de Poros (Pore Control Fiber) atende aos padrões previstos na legislação, com base em alguns padrões de potabilidade: • Turbidez: propriedade que, devido à presença de partículas em suspensão, com tamanhos variando desde suspensões grosseiras até coloides, provoca a absorção e dispersão da luz, conferindo à água uma aparência turva. • Cor: corresponde à reflexão da luz nos coloides. A cor da água, em muitos casos, é definida por ácidos húmicos e taninos originados da decomposição de matéria vegetal. Apesar de afetar sua aparência, geralmente não representa risco à saúde humana. Também pode resultar da presença de compostos metálicos, como ferro e manganês, lançados ao ambiente aquático.
• Potencial hidrogeniônico: medida da concentração de íons de hidrogênio (H⁺) presentes na água, sendo utilizado para expressar a intensidade de acidez da solução. • pH: no contexto do tratamento de água, cada etapa do processo apresenta um valor de pH ideal, sendo importante seu acompanhamento para garantir a melhor eficiência. • Condutividade elétrica (CE): medida da capacidade da água em conduzir corrente elétrica em função da presença de íons de sais dissolvidos na solução. Quanto maior for a concentração desses íons, maior será a CE do meio. A presença de sais pode indicar o grau de salinização ou poluição da água. Ferro e manganês são geralmente associados à dissolução de rochas e minerais. • Matéria orgânica: compreende uma vasta gama de compostos carbonáceos, incluindo substâncias húmicas (ácidos húmicos e fúlvicos). Concentrações elevadas causam problemas relacionados ao sabor, odor, manchas em tecidos, interferência em processos industriais e aparecimento de
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Bomba de PAC
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Linha de mistura Saída do back wash
Filtro de PCF
Saída de água bruta
bactérias ferruginosas no‑ então bombeado para civas. Sua origem pode ser o filtro. A retrolavagem Tanque de PAC natural, decorrente da de‑ é iniciada com a am‑ composição de vegetação e pliação das aberturas entre as fibras, libe‑ escoamento de solos, ou an‑ rando o meio filtrante tropogênica, proveniente de Saída de água tratada esgoto doméstico e indus‑ pressurizado. Concomi‑ Entrada de ar Saída de pressurizado água tratada trial, bem como de efluentes tantemente, água e ar Tanque de Tanque de para backwash Compressor água tratada água bruta agrícolas. Em redes de distri‑ de retrolavagem são buição, serve como nutrien‑ introduzidos no filtro: te para bactérias, favorecen‑ a água com a mesma do a formação de biofilmes Fig. 1 – Diagrama de fluxo esquemático do sistema PCF vazão de filtragem e o e causando problemas de ar na parte inferior do no período de monitoramento (17 de qualidade da água, como alterações filtro. Os componentes e a estrutura março a 24 de abril de 2025). Apre‑ de gosto e odor. do sistema podem ser observados na sentam-se na tabela I as características Nesse contexto, este trabalho apre‑ figura 1. da água bruta empregada no processo senta ensaios de bancada em condi‑ de filtração. Observou-se que os parâ‑ ções controladas para avaliar a eficiên‑ Meios filtrantes metros de condutividade elétrica e pH cia de tratamento da Fibra de Controle estavam em conformidade com as ex‑ de Poros (PCF) em ETAs compactas. A tecnologia filtrante PCF destaca‑ pectativas, indicando condições físico‑ Apesar de não contemplar ensaios em -se no tratamento de água devido à -químicas dentro dos padrões usuais. escala de planta real, utilizando siste‑ sua estrutura e mecanismo de opera‑ Por outro lado, os valores médios de ma de filtros em série, os resultados ção. Trata-se de um filtro modular, com cor e turbidez revelaram-se elevados, capacidade de ter seus poros contro‑ forneceram parâmetros e estimativas sugerindo a presença significativa de do bom funcionamento das fibras. lados, o que otimiza tanto a eficiência material em suspensão e substâncias da filtração quanto a facilidade de lim‑ Vale ressaltar que a literatura científica que conferem coloração à água. É fun‑ sobre a PCF ainda é escassa e este es‑ peza. Cada PCF é composto por 220 damental destacar que, no período de tudo é pioneiro no Brasil. Foram rea‑ unidades de fibra, sendo cada uma amostragem, operações de dragagem lizadas análises abrangentes, incluindo formada por um aglomerado de 200 a montante do ponto de captação ele‑ parâmetros como cor, turbidez, con‑ a 600 fibras de polipropileno. Essas fi‑ varam a turbidez média de entrada da dutividade, pH, matéria orgânica, man‑ bras possuem um diâmetro de 43 μm estação, o que usualmente se situa en‑ e um comprimento de 920 mm, sen‑ ganês e ferro. Espera-se, portanto, ofe‑ tre 9 e 20 NTU. recer aqui informações técnicas para a do intrinsecamente entrelaçadas. Essa configuração permite que os poros incorporação de novas tec‑ Tab. I – Características da água bruta durante o período de estudo sejam ajustados precisamente, ga‑ nologias de filtração que Parâmetros Turbidez baixa Média Turbidez alta auxiliem ou substituam os rantindo um desempenho supe‑ CE (μS/cm) 124,7 – 128,3 134,58 133,1 – 160,3 rior na remoção de partículas e, processos das ETAs tradi‑ Cor (UC) 101 – 141 147,82 144 – 211 simultaneamente, simplificando o cionais. pH 6,68 – 6,93 6,97 6,97 – 7,17 Turbidez (NTU) 25,4 – 35,58 58,14 50,07 – 98,91 processo de retrolavagem. O funcionamento do filtro PCF Metodologia - água bruta Funcionamento do sistema ocorre em duas etapas principais: O processo de tratamento é condu‑ Para as análises aqui descritas, a • Filtração (lado direito da figura 2): zido em dois modos operacionais prin‑ água bruta foi coletada no interior da nesta fase, o filtro é submetido a uma cipais: filtragem e retrolavagem. Na fil‑ ETA, imediatamente antes da calha pressão física. A água a ser tratada flui tragem, as aberturas entre as fibras são Parshall. Dessa forma, preservaram‑se através das fibras de polipropileno, e a ajustadas, por meio da pressurização as características físico-químicas ori‑ estrutura porosa do filtro retém os de‑ dos feixes na superfície interna perfu‑ ginais da água captada e foi possível tritos e impurezas, permitindo a passa‑ rada do filtro. O efluente coagulado é analisar os parâmetros da água bruta gem apenas da água limpa. A capaci‑
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Tratamento de água dade de ajuste dos poros é crucial aqui, ao permitir otimizar a remoção de partículas de diferentes tamanhos, adaptando-se às características da água bruta. • Retrolavagem (backwash - lado esquerdo da figura 2): após um período de operação, os poros do filtro podem acumular sujeira, comprometendo sua eficiência. Para solucionar isso, o filtro é liberado da pressão de filtração e submetido a um processo de retrolavagem. Esse processo consiste na aplicação de água limpa e, frequentemente, ar comprimido em sentido contrário ao fluxo de filtração. A inversão do fluxo e a agitação promovida pelo ar auxiliam no desprendimento das partículas acumuladas nas fibras, restaurando a capacidade de filtração do sistema. A facilidade de desprendimento das sujeiras é uma vantagem do PCF, ao otimizar o tempo de inatividade para manutenção.
Resultados e discussões Turbidez Subsequente aos testes com o equipamento, foram coletadas amostras de água tratada e realizadas as análises laboratoriais. O dispositivo opera através
[Filtração]
Meios filtrantes comprimidos
[Backwash]
Meios filtrantes liberados
Água bruta Água Espessura sob compressão: 100 ~ 150 mm
Água do backwash (filtrada)
Ar Espessura quando liberado: 200 ~ 230 mm
Fig. 2 – Funcionamento do sistema em modo filtração e modo backwash
de dosagem automática de coagulante, com base em uma relação de volume/tempo predefinida, passando pela filtragem imediatamente após a adição, o que possibilitou a avaliação do comportamento de diferentes volumes de coagulantes na água. Observam-se três fatores preponderantes na eficiência do processo: turbidez inicial, concentração usada de coagulante e data da coleta das amostras. Os menores valores de turbidez da água bruta foram registrados em 27 de março (figura 3), situando-se na faixa de 25 a 27 NTU. Nessas condições, com dosagem de 11,8 ppm, obteve-se turbidez final de 0,1 NTU, indicando elevada eficiência do processo de tratamento. Esse desempenho se mostra ainda mais relevante quando comparado a outros testes realizados com turbidez inicial menor, em torno de 20 NTU,
que resultaram em valores de turbidez do filtrado entre 0,29 e 0,30 NTU.
Alta turbidez Ao comparar com outros estudos, os quais apresentaram uma turbidez média de 24,9 NTU, taxa de remoção média de 99,7%, 5,7 NTU de entrada e uma taxa de 96%, este estudo lidou com uma turbidez inicial consideravelmente superior, com média de 58,14 NTU. Mesmo assim, obteve-se uma elevada taxa de remoção média de 98,9%, evidenciando a grande eficiência do sistema no tratamento de água com altos níveis de turbidez. A persistência de elevados níveis de turbidez em determinadas amostras, as quais não atendiam aos critérios de qualidade após a terceira filtração, demandou a aplicação de filtrações adicionais.
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Tratamento de água
Tab. II – Eficiências de remoção da turbidez (NTU) com diferentes números de passagem pelo filtro
Data Água bruta 1F 2F 3F 4F No final do período de pesqui27/3 25,4 1,32 0,34 0,1 -sa, a eficiência do tratamento de27/3 27,4 4,88 0,78 0,1 -cresceu, provavelmente atribuída 2/4 72,6 4,55 1,01 1 -ao desgaste progressivo das fibras 3/4 98,91 13,02 1,26 0,83 -filtrantes e ao acúmulo de mate- 4/4 83,35 10,02 1,3 0,97 -rial particulado, persistindo mesmo 10/4 50,07 2,13 3,8 0,64 0,35 após ciclos de retrolavagem. Essa 11/4 34,5 3,21 1,33 0,71 0,72 16/4 83,07 5,02 2,22 1,72 0,31 tendência é confirmada quando 16/4 70,54 7,82 2,7 0,9 0,53 avaliada a questão da turbidez. 24/4 35,58 9,36 3,93 1,15 0,77 Mesmo com cerca de 35 NTU na Média 58,14 6,13 1,87 0,81 0,54 entrada e a necessidade de maioRemoção (%) -89,45 96,79 98,6 99,08 res dosagens de coagulantes, os 1F:1 filtração; 2F: 2 filtrações; 3F: 3 filtrações; e 4F:4 filtrações valores finais não se aproximaram níveis elevados de cor. Contudo, a efidos obtidos no início da pesquisa. Em ciência do processo na remoção da 24 de abril de 2025, por exemplo, a eficor manteve-se dentro dos padrões, ciência média de remoção foi de com os valores de saída da água fil97,3%, sugerindo uma limitação na catrada nos limites ideais conforme a pacidade de tratamento sob condições Portaria GM/MS 888 [1], dispensande degradação de material filtrante. do etapas de filtração adicionais exCor clusivas para este parâmetro. Os resultados demonstraram uma Diferentemente da literatura disponível sobre PCF, este trabalho inovou relação inversamente proporcional com a inclusão do parâmetro de cor entre a dosagem de coagulante e os para a qualidade do filtrado. A cor vervalores de cor da água filtrada, em dadeira é um parâmetro analítico com consonância com os princípios abordados na literatura. Adicionalmente, relação muito forte com a turbidez, elevações abruptas na cor da água que quando calculada obtém-se 0,94 bruta no início do processo impacna correlação de Pearson, tornando-se taram a cor da água tratada, demanacessível após a efetiva remoção da turbidez. Assim, o processo de coagudando um ajuste da dosagem de lação demonstra ser altamente eficaz coagulante para restabelecer a quana remoção de ambos os parâmetros. lidade desejada. Ao longo do período experimental, a pH e CE água bruta consistentemente exibiu A tabela III apresenta os parâme100 1,4 tros de pH e condutividade elétrica 90 1,2 (CE) monitorados. A redução do pH 80 verificada está em conformidade às 1 70 expectativas da literatura, dada a adi60 0,8 50 ção de policloreto de alumínio (PAC), 0,6 40 que, por sua natureza ácida, tende a 30 0,4 diminuir o pH da solução aquosa. Já 20 a condutividade elétrica, embora a 0,2 10 remoção de partículas suspensas por 0 0 27/03 27/03 02/04 03/04 24/04 10/04 10/04 11/04 16/04 16/04 24/04 24/04 coagulação e filtração possa diminuir Data Água bruta ppm de PAC Filtrada a concentração de íons, a introdução de íons provenientes do PAC pode Fig. 3 – Variações entre turbidez da água bruta e águas com 3 ou 4 filtrações por PCF Turbidez da água bruta (NTU)
Turbidez da água bruta (NTU)
O comportamento do filtro foi compreendido através da avaliação do número de passagens (filtrações adicionais após backwash). Estes resultados demonstram a correlação positiva entre o número de passagens pelo filtro e a otimização do processo, embora as amostras coletadas no final do período de monitoramento nem sempre alcançaram os padrões desejados. Após uma quarta passagem pelo filtro, reduziu-se a turbidez para valores em torno de 0,4 NTU (nos dias 10 e 16 de abril) e 0,7 NTU (para o dia 24 de abril). Esse efeito é ainda melhor delineado pelos dados apresentados na tabela II. Nela, observa-se que a eficiência de remoção da turbidez aumentou progressivamente com o avanço das etapas de filtração. Esse comportamento confirma que a quarta etapa de filtração foi de suma importância para a adequação dos valores de turbidez aos níveis desejados, reforçando as observações anteriormente apresentadas. Além disso, a média de remoção com somente uma filtração já apresentou bom resultado, removendo 89,45% do material particulado. Em síntese, mesmo apresentando valores médios elevados de turbidez, foi possível obter um valor de saída de até 0,31 NTU, próximo aos trabalhos já desenvolvidos, que, com níveis baixos, alcançaram uma média de 0,24 NTU [3].
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Tratamento de água Tab. III – Comparação de pH e condutividade elétrica (CE) entre água bruta e após filtragens Água bruta Data CE (µS/cm) 27/3 128 27/3 124,7 2/4 126,4 3/4 140,9 4/4 137 10/4 133,14 11/4 134 16/4 160,3 16/4 133,1 24/4 128,3 Média 134,58
pH 6,93 7,01 6,68 7,02 6,97 6,9 6,81 7,06 7,17 7,16 6,97
Água filtrada CE (µS/cm) 155,9 138,4 150,3 166,5 162,1 172,5 157,7 167,8 167,7 172,1 161,10
pH 6,54 6,85 6,73 6,83 5,97 6,43 6,71 6,73 7,01 7,63 6,74
influenciar o valor final da condutividade. Dessa forma, a análise da CE serve como um parâmetro complementar à avaliação da eficiência do tratamento e indicação da presença de substâncias dissolvidas na água.
tais para nortear futuras investigações gado em ETAs convencionais, com sobre novas tecnologias na área de eficiências de remoção variando entre saneamento. Os parâmetros analisa23% e 30% [2]. Em contrapartida, os dos demonstraram que o filtro PCF resultados da tabela IV evidenciam efimanteve-se na maioria dos valores ciências de 88% a 95%, alcançadas máximos permitidos (VMPs) de conem tempos de tratamento substancialsumo humano para potabilidade da mente menores que os convencionais. água, estabelecidos pela Portaria GM/ A eficácia na remoção de ferro foi MS 888/2021. Contudo, para afirmar notável, atingindo 100% na água brusua aplicabilidade em larga escala no ta, patamar superior ao da filtração lentratamento de água, são imprescindíta, geralmente em torno de 92,7% [4]. veis pesquisas mais aprofundadas e A remoção de manganês também se em um período estendido, incluindo destacou, com uma eficiência de até a análise de mais parâmetros e a uti90%. Esses resultados eram esperalização de uma planta em tamanho dos, com o bom desempenho já deconvencional. monstrado na remoção de cor e turbidez, uma vez que substãncias como ferro e manganês são Tab. IV – Ferro, manganês e matéria orgânica da água bruta e após filtrações frequentemente responsáveis Água Parâmetros 1F 2F 3F 4F pela coloração indesejada. bruta Ferro (mg/L)
2,29
0,16
0,6
0,04
0
Manganês (mg/L)
0,3
0,06
0,03
0,03
0,05
Matéria orgânica (mg/L) 35,54
3,91
2,38
1,98
1,65
Ferro, manganês e matéria orgânica
Conclusões
A remoção de matéria orgânica (MO) em tratamentos convencionais é condicionada por um teor adequado de oxigênio dissolvido (OD) e um tempo de retenção suficiente no meio filtrante. Nesses sistemas, a filtração lenta é o método usualmente empre-
Este estudo alcançou seu 1F: 1 filtração; 2F: 2 filtrações; 3F:3 filtrações; e 4F: 4 filtrações objetivo principal de avaliar o Durante o período de análises, obcomportamento individual de um filtro servaram-se significativas alterações PCF. Com a ausência de um período nas condições da água bruta, o que, de repouso para a água após a adição por um lado, possibilitou a avaliação do coagulante, as análises efetuadas do desempenho do sistema em diforneceram informações fundamen-
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ferentes cenários. Por outro lado, essa variabilidade dificultou a operação sob condições mais homogêneas para a observação de padrões consistentes. Para baixos valores de turbidez na entrada, o sistema demonstrou alta eficiência de remoção. Em situações de elevada turbidez, a média de remoção foi ligeiramente menor. A cor acompanhou o padrão da turbidez, mantendo-se em conformidade com os seus VMPs estabelecidos. Os parâmetros de pH e CE apresentaram resultados condizentes com a literatura. Em relação ao ferro, manganês e matéria orgânica, os valores obtidos foram considerados excelentes, superando a eficiência de sistemas convencionais nessas três categorias. Em suma, o filtro PCF demonstra um grande potencial para inovação nas tecnologias de saneamento básico. Re-
presenta uma solução eficaz para o tratamento descentralizado e uma forma de desafogar as ETAs convencionais em períodos de maior consumo. O espaço físico reduzido demandado e a velocidade do processo são dois fatores cruciais para a implantação do sistema, uma vez que maior velocidade de tratamento permite um aumento no volume de água tratada num curto período, com custos de construção e operação potencialmente menores.
Referências [1] Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/ MS no 888, de 4 de maio de 2021. Altera o Anexo XX da Portaria de Consolidação GM/MS nº 5, de 28 de setembro de 2017, para dispor sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu
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padrão de potabilidade. Brasília, DF: Ministério da Saúde [2021]. [2] Kim, S.-H.; Min, C.-S.; CHO, J. Comparison of different pretreatments for seawater desalination. Desalination and Water Treatment, vol. 32, no 2011, pp. 339-344, ago. 2011. [3] Lim, H.; Kim, S. Comparison and application method of seawater desalination pre-treatment process. Journal of Korean Society of Water and Wastewater, vol. 33, no 6, dez./2019. [4] Veras, Luciana Rodrigues Valadares. Tratamento de água superficial por meio de diferentes alternativas da tecnologia de filtração em múltiplas etapas. São Carlos, 1999. Tese de doutorado-Escola de Engenharia de São Carlos – Universidade de São Paulo, 1999.
Trabalho originalmente apresentado no 36º Congresso Nacional de Saneamento e Meio Ambiente, promovido pela AESabesp, em paralelo com a Fenasan, no período de 21 a 23 de outubro, em São Paulo.
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Serviço
Guia de separadores de água e óleo Os separadores de água e óleo atendem a diferentes aplicações industriais e ambientais. Este guia reúne fornecedores do mercado brasileiro e compara características dos equipamentos, como tecnologias de separação, capacidades de vazão, dimensões, materiais construtivos, formatos e normas atendidas. Também são informados os dados de atendimento ao cliente das empresas.
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1.800 a 3.600
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100
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1.000 a 100.000
100
• • •
50 a 200 50 a 200 •
•
• 430 14.063
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• 430 14.605
• • • •
ABNT
430
•
•
• • 1 a 20.000
• • •
•
1.000 a 10.000
•
•
• • • •
•
50 a 5.000
Conama
357 14.605
•
•
Norma
• 430 14.605 •
•
PRFV
Polipropileno
Polietileno
Concreto
Material construtivo
Aço
Retangular
Quadrado
Cilíndrico
Diâmetro do tubo de saída (mm)
Diâmetro do tubo de entrada (mm)
Dimensões (m)
Capacidade de vazão (L/h)
Eletrostáticos
Flotação (DAF)
Membrana
Centrífugo
Formato
800 a 64 × 43 × 100 a 175 100 a 254 75 a 305 250.000 × 277 × 758
•
comercial@alfamec.com.br
Artefacil (31) 99973-0540
Coalescente
Empresa/Telefone/E-mail
Gravitacional com placas/lamelas
Tipo Gravitacional tipo API (American Petroleum Institute)
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Naturaltec (11) 5072-5452
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• •
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•
100 a 12.000
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ABNT
Conama
PRFV
Norma
• •
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500 a 30.000
Polipropileno
Polietileno
Concreto
Aço
Retangular
Quadrado
Cilíndrico
Diâmetro do tubo de saída (mm)
Diâmetro do tubo de entrada (mm)
Material construtivo
250 a 60.000
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2.000 a 1,4 × 0,6 × 1,3 a 5,2 24,30 a 24,30 a 122,24 122,24 50.000 × 2,4 × 2,2
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• • • • •
Capacidade de vazão (L/h)
Eletrostáticos
Flotação (DAF)
Membrana
Centrífugo
Coalescente
Gravitacional com placas/lamelas
Empresa/Telefone/E-mail
Gravitacional tipo API (American Petroleum Institute)
Tipo
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• • • •
14.605 430 14.605
Obs: Os dados constantes deste guia foram fornecidos pelas próprias empresas que dele participam, de um total de 66 empresas pesquisadas. Fonte: Revista Hydro, setembro/outubro de 2026. Este e muitos outros Guias HY estão disponíveis on-line, para consulta. Acesse www.arandanet.com.br/revista/hydro e confira. Também é possível incluir a sua empresa na versão on-line de todos estes guias.
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Produtos químicos
Análise comparativa de agentes alcalinizantes em ETA Lucas Rachid de Oliveira Lannes, Alan Johnny Ribeiro de Matos, Carlos Riendo Ferreira de Castro, Robson Ricardo de Siqueira e Jessica Rodrigues Pires da Silva, da Rio+ Saneamento
O Este artigo tem como objetivo comparar os custos operacionais e a eficiência do uso de hidróxido de cálcio em suspensão (geocálcio) e de carbonato de sódio (barrilha) como agentes alcalinizantes no tratamento de água em uma ETA localizada na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. A análise baseou-se em dados operacionais reais, incluindo informações sobre o consumo dos produtos, os custos envolvidos e os parâmetros físico-químicos da água tratada.
controle da qualidade da água, dentro de um sistema de tratamento, é uma das principais atividades do operador da unidade, onde deve ser monitorada e conhecida, pois a variação da característica da água bruta ocorre de acordo com o clima, pluviometria ou pela ação antrópica. Com isso, conforme maior detalhamento e monitoramento de parâmetros como a cor, turbidez, pH e alcalinidade, maior precisão será alcançada, em especial quanto à dosagem dos produtos químicos necessários para otimizar o tratamento da água. Isto porque os produtos químicos são o principal fator de custo para unidades de grandes vazões, enquanto o custo com pessoal é o principal para unidades de pequenas vazões [1]. A utilização do hidróxido de cálcio (Ca(OH)2) como principal agente alcalinizante em ETAs - Estações de Tratamento de Água no Brasil é amplamente reconhecida na literatura técnica. Segundo estudos, a cal hidratada representa aproximadamente 80% do mercado nacional de alcalinizantes em ETAs. Essa predominância é corroborada por dados operacionais da Sabesp, os quais indicam a adoção desse composto em 92% de suas unidades de
tratamento. Do ponto de vista da eficiência química, o hidróxido de cálcio apresenta elevada capacidade de correção imediata do pH, devido à liberação direta de íons hidroxila (OH⁻), ao passo que o carbonato de sódio (Na2CO3, conhecido como barrilha) atua predominantemente como agente tamponante, promovendo o aumento da alcalinidade de forma mais gradual [6]. Essas distinções operacionais são determinantes para a escolha do alcalinizante mais apropriado, considerando-se as características físico-químicas da água bruta a ser tratada. Do ponto de vista operacional, o ajuste do pH e da alcalinidade no tratamento de água está diretamente relacionado ao controle de reações ácido-base, que influenciam a solubilidade e a eficiência dos coagulantes. A alcalinidade atua como um sistema tampão, impedindo variações bruscas no pH e assegurando condições ideais para a formação e estabilidade dos flocos. A compreensão desses fundamentos permite maior precisão na dosagem dos reagentes, evita desperdícios e contribui para a segurança e eficiência do processo como um todo. O controle químico adequado reduz
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Produtos químicos a formação de subprodutos e otimiza o desempenho dos sistemas de clarificação [2]. No tratamento de água, a escolha do alcalinizante é uma etapa essencial para garantir a eficiência dos processos de coagulação e floculação. Entre os alcalinizantes mais utilizados destacam-se a cal hidratada (Ca(OH)2), o carbonato de sódio (Na2CO3) e a soda cáustica (NaOH), cada um com características que influenciam o custo, o manuseio e a adequação ao processo. A atuação diferenciada desses alcalinizantes decorre de suas propriedades químicas distintas. O hidróxido de sódio (NaOH - soda cáustica) é particularmente eficaz para elevações rápidas e significativas do pH, pois se dissocia completamente em água, liberando íons OH⁻. No entanto, por não contribuir com íons carbonato ou bicarbonato, seu efeito na alcalinidade é limitado, sendo mais indicado para correções de pH quando não há necessidade de aumento da capacidade tampão [1]. Já o carbonato de sódio (Na2CO3 barrilha) atua predominantemente na alcalinidade por se dissociar em bicarbonato (HCO3⁻) e carbonato (CO32⁻), que compõem o sistema tampão da água [6]. Esse composto tem um efeito limitado no pH final, mantendo a alcalinidade estável [3]. O hidróxido de cálcio (Ca(OH)2) pode ser utilizado de duas formas, como cal hidratada (hidróxido de cálcio) ou como geocálcio (hidróxido de cálcio em suspensão). A cal hidratada é um pó seco obtido pela hidratação da cal virgem (CaO), enquanto o geocálcio é uma suspensão aquosa de hidróxido de cálcio, mais fácil de dosar e aplicar em sistemas de tratamento. Ambos atuam principalmente no pH devido à liberação direta de íons OH⁻ [2]. Esse
composto eleva o pH mais rapidamente, mas com menor contribuição à alcalinidade total [1]. Estudos apontam que a faixa de pH ideal para o processo de floculação geralmente varia entre 6 e 8, dependendo do tipo de coagulante e das características específicas da água bruta. Por exemplo, coagulantes à base de alumínio, como o sulfato de alumínio, apresentam melhor desempenho em pH levemente ácido, enquanto coagulantes à base de ferro, como cloreto férrico, podem atuar de forma eficaz em faixas de pH um pouco mais amplas [3]. Manter o pH dentro dessa faixa otimiza a formação de flocos, reduz a turbidez e minimiza o consumo de químicos adicionais, promovendo maior eficiência operacional e economia nos custos de tratamento.
Objetivos Este trabalho tem como objetivo principal avaliar as vantagens operacionais e econômicas do uso de hidróxido de cálcio em suspensão em substituição ao carbonato de sódio no tratamento de água, com base nos dados coletados de uma ETA. A pesquisa busca, além de comparar os custos operacionais e a quantidade de dosagem necessária de ambos os reagentes, investigar a capacidade do hidróxido de cálcio em elevar a alcalinidade da água bruta, visando estabilizar o pH e otimizar os processos de tratamento. Ao analisar essas variáveis, o estudo pretende fornecer uma visão detalhada sobre a viabilidade e os benefícios do hidróxido de cálcio, não apenas como uma alternativa operacional mais eficiente, mas também como uma solução econômica para o tratamento de água, visando sempre a melhoria da qualidade da água tratada.
Materiais e métodos O estudo foi realizado em uma ETA com uma capacidade nominal de tratamento de até 600 L/s, localizada na região dos Lagos do Rio de Janeiro. São apresentadas as etapas executadas durante a substituição do produto químico alcalinizante, visando avaliar a eficiência na correção do pH de água bruta, assim como a redução de custos com a troca do produto. As informações e dados dos processos de tratamento da ETA foram obtidos por meio de visitas técnicas, enquanto dados de consumo de químicos foram extraídos de controles internos da ETA. Foram utilizados dados reais de monitoramento, que forneceram informações de consumo de produtos químicos (como alcalinizante e coagulante), vazão média mensal e dados de qualidade de água bruta, decantada e tratada. Todos os dados são referentes a 2023 e 2024, realizando o comparativo entre os meses dos dois anos. Em 2023, a unidade possuía uma vazão menor do que em 2024, uma vez que a unidade sofreu um retrofit de melhoria e aumento de vazão, porém, foi realizada a correção para comparação. Para o tratamento dos dados foram analisados possíveis valores da série de dados que aparentemente apresentavam erros. Os dados coletados incluíram turbidez, pH e cor da água bruta e tratada e da água decantada. Além disso, avaliou-se a quantidade necessária de cada produto para tratar o mesmo volume de água, sob condições similares, e o valor de mercado dos alcalinizantes testados. Esses levantamentos conferiram maior robustez à análise comparativa, permitindo uma avaliação detalhada da eficiência, custo e benefício de cada produto. A metodologia foi dividida em cinco etapas principais. A primeira consis-
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70,00
96% 84%
95%
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89%
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86%
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84% 80%
Agosto
Setembro
Fig. 1 – Eficiência da água decantada
60,00 50,00 40,00
90%
30,00 20,00
Eficiência com carbonato de sódio (%) | 2023 Eficiência com hidróxido de cálcio (%) | 2024
79% Julho
95%
Outubro
Novembro
Dezembro
10,00 0,00
Julho
Agosto
Setembro
Turbidez | 2023
Outubro Novembro Dezembro Turbidez | 2024
Fig. 2 – Resultados da análise de turbidez (NTU) da água bruta
Variação de custo
Custo com hidróxido de cálcio (R$)
Custo com barrilha (R$)
foi fundamental para garantir a eficiência do tratamento com o meJulho 4075 4712 14% 21.598 7397 nor consumo possível de produ- Agosto 6150 6382 4% 32.595 10.020 tos, reduzindo custos operacionais Setembro 5750 5571 –3% 30.475 8747 Outubro 7525 7999 6% 39.883 12.558 e minimizando desperdícios. Novembro 9950 8252 17% 52.735 12.956 Posteriormente, a quinta etapa Dezembro 12.200 14733 21% 64.660 23.130 consistiu no teste na planta opeTotal 45.650 47.648 4% 241.945 74.808 racional da ETA, onde foi aplicada a substituição do produto químico, Para o sistema de hidróxido de cálpossibilitando uma análise detalhada cio em suspensão, optou-se por subsde seu desempenho em operação tituir o tanque de armazenamento por real, da qual foram obtidos todos os um maior, equipado com um misturaresultados. dor mecanizado, seguido por bombas Durante o período em que se utilidosadoras. Esse tanque é responsável zou a barrilha, o sistema operava por por receber e armazenar a suspensão meio de um tanque de preparo dotade hidróxido de cálcio, mantendo-a do de misturador mecânico, seguido homogênea por meio de um sistema por um tanque de armazenamento de agitação, o que impede a decantada solução e um sistema de bombas ção do hidróxido de cálcio e assegura dosadoras helicoidais. O tanque de que a solução esteja pronta para ser preparo tinha a função de dissolver dosada de forma precisa. a barrilha (carbonato de sódio) em água, utilizando o misturador mecâniResultados obtidos co para garantir a homogeneização da e esperados solução, evitando a formação de sedimentos ou agregados que pudessem O estudo revelou que o hidróxido de comprometer sua qualidade. cálcio em suspensão apresenta um cusApós o preparo, a solução era arto significativamente menor em commazenada em um tanque específico, paração ao carbonato de sódio (barrionde permanecia sob controle até ser lha), trazendo uma ligeira vantagem na dosada de forma regulada no processedimentação de impurezas durante o so de tratamento da água. O sistema tratamento da água. A substituição do de bombas dosadoras helicoidais percarbonato de sódio pelo hidróxido de mitia uma dosagem precisa e contínua cálcio em suspensão trouxe benefícios da solução, sendo ajustada conforme econômicos substanciais, com uma rea necessidade do processo, para gadução de cerca de 69% no custo operantir o pH desejado e manter a efiracional de produto químico, no período ciência do tratamento. do estudo (ver figuras 2 e 3). Este resul-
100%
75%
Variação de consumo
Mês
tiu na identificação dos alcalinizantes mais utilizados no mercado para o tratamento de água potável. Essa seleção foi realizada com base na disponibilidade e popularidade dos produtos, destacando o carbonato de sódio e o hidróxido de cálcio em suspensão como objetos de estudo. Na segunda etapa, determinou-se a faixa de aplicação ideal do coagulante utilizado no tratamento, o policloreto de alumínio (PAC). Este coagulante é amplamente reconhecido por sua eficiência na remoção de partículas e impurezas, sendo uma escolha padrão em processos de tratamento de água. A terceira etapa focou na definição do pH ideal para o processo, estabelecido entre 7 e 8,5. Essa faixa é considerada ótima para maximizar a eficiência do tratamento. O controle do pH foi considerado essencial, uma vez que afeta diretamente a solubilidade dos compostos presentes na água, bem como os processos de coagulação e floculação. Já a quarta etapa envolveu a realização de testes de jarro com variação nas dosagens dos alcalinizantes, visando determinar a melhor faixa de dosagem para otimizar o processo. Além disso, teve como objetivo analisar a qualidade dos coágulos formados, avaliando aspectos como resistência, sedimentabilidade e estabilidade. Os testes em bancada foram essenciais para compreender o comportamento dos reagentes testados em diferentes condições de tratamento. Essa etapa
Consumo de hidróxido de cálcio (kg)
Tab. I – Consumo de barrilha e hidróxido de cálcio 2023 2024
Produtos químicos
Consumo de barrilha (kg)
54
66% 69% 71% 69% 75% 64% 69%
56
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Produtos químicos tado destaca a vantagem econômica do hidróxido de cálcio, considerando que, para o mesmo volume de água produzido, mesmo tendo um maior consumo de hidróxido de cálcio, ele se tornou vantajoso devido ao custo unitário do produto se comparado ao da barrilha. Foi identificado que o hidróxido de cálcio não apresentou melhorias significativas na eficiência do tratamento, considerando os resultados obtidos na água decantada. Os dados analisados demonstraram que sua aplicação não gerou avanços expressivos na eficiência de remoção de impurezas da água bruta, indicando que o desempenho do processo permaneceu semelhante ao observado com a barrilha, conforme é observado na figura 1. Outro aspecto observado durante os testes em planta com o hidróxido de cálcio foi a ocorrência frequente de entupimentos na linha de dosagem. Por outro lado, apresentou uma vantagem operacional significativa: diferentemente da barrilha, que exige o preparo manual da solução, o hidróxido de cálcio já é fornecido pronto para uso. Essa característica não apenas oferece maior praticidade, mas
também minimiza a possibilidade de erros associados ao preparo manual da solução, contribuindo para a padronização e a eficiência operacional do processo. Um aspecto que ainda demanda estudos mais aprofundados é a possível redução no consumo de coagulante. Após o início da dosagem de hidróxido de cálcio, foi observada uma diminuição no volume de coagulante utilizado na unidade, mesmo em condições de entrada com turbidez similar. Essa tendência sugere que ele pode ter contribuído para uma maior eficiência no processo de coagulação, embora sejam necessárias análises adicionais para confirmar e quantificar esse efeito.
O carbonato de sódio apresentou custos operacionais mais elevados, mesmo utilizando quantidades menores de produto para atingir os mesmos resultados de estabilização do pH e remoção de impurezas. O estudo de caso identificou que a barrilha possui um valor médio de R$ 0,033 por metro cúbico de água tratada, enquanto o custo do hidróxido de cálcio foi de R$ 0,012 por metro cúbico, considerando o custo do produto pelo volume de água tratada durante o período do estudo. Esses dados evidenciam a viabilidade do hidróxido de cálcio em suspensão como uma alternativa mais econômica e operacionalmente vantajosa ao carbonato de sódio, não
50,00 0,00
46,50
42,85 42 85
5,00 45,00
46,14
0,00 40,00 5,00 35,00
31,76 31 76
0,00 30,00 5,00 25,00
30,03
21,01 21 01
26,73 26 73
0,00 20,00 5,00 15,00 0,00 10,00
15,53
17,10 17 10
Julho
Agosto
19,11 , 2023
2024
5,00 0,00
Fig. 3 – Consumo de coagulante (ppm)
Setembro
Outubro
Novembro
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só no que diz respeito à redução de custos, mas também na melhoria da eficiência operacional, porém a qualidade de tratamento manteve-se igual comparando-se com a barrilha. A substancial redução nos custos operacionais torna o hidróxido de cálcio uma escolha vantajosa para o tratamento de água, tanto do ponto de vista econô‑ mico quanto ambiental.
Conclusões O hidróxido de cálcio em suspensão mostrou-se uma alternativa economicamente vantajosa ao carbonato de sódio, com uma redução de 69% nos custos operacionais de produtos químicos durante o período avaliado. Além do menor custo, o produto oferece maior praticidade operacional, por já ser fornecido pronto para uso,
eliminando a necessidade de preparo manual da solução. Embora os resultados de eficiência na remoção de impurezas tenham sido similares aos obtidos com a barrilha, observou-se uma possível redução no consumo de coagulante após a implementação do hidróxido de cálcio, mesmo sob condições de turbidez semelhantes. Esse efeito sugere uma interação favorável no processo de coagulação que necessita de estudos complementares para confirmação. Apesar das vantagens, a ocorrência de entupimentos na linha de dosagem do geocálcio destaca a necessidade de ajustes técnicos para otimizar sua aplicação. No geral, o hidróxido de cálcio apresenta-se como uma alternativa promissora, combinando benefícios econômicos, operacionais e potenciais melhorias no processo de tratamento de água.
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Referências [1] Di Bernardo, L.; Dantas, A.D.B.; Métodos e técnicas de tratamento de água. 2a edição; vol. 1; Editora Rima, 2005. [2] Tchobanoglous, George; Burton, Franklin L.; Stensel, H. David. Wastewater Engineering: Treatment and Resource Recovery. 5a ed. New York: McGraw-Hill, 2014. [3] Metcalf & Eddy. Wastewater Engineering: Treatment and Reuse. 2014. [4] Ferraro, Andréa S.; Garcia, Débora A. Tratamento de Água e Efluentes: Fundamentos e Tecnologias. 3a ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. [5] Sabesp. Relatório de Insumos Químicos nas ETAs do Estado de São Paulo. São Paulo, 2022. [6] Viessman, W.; Hammer, M.J. Water Supply and Pollution Control. 8a ed. London: Pearson, 2014.
Trabalho originalmente apresentado no 33º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, promovido pela ABES em paralelo com a Fitabes, no período de 25 a 28 de maio de 2025, em Brasília, DF.
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Hydro • Setembro/Outubro 2026
Reúso
Implantação de projeto de reúso de água em uma empresa de economia mista Frieda Keifer Cardoso e Carlos Breno de Oliveira, da Copasa - Companhia de Saneamento de Minas Gerais
A implantação de um projeto de reúso de água entre a Copasa e a siderúrgica Metalsider, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, demonstra como a integração entre aspectos técnicos, regulatórios, jurídicos e institucionais pode viabilizar soluções sustentáveis para ampliar a segurança hídrica. O estudo detalha os desafios superados e apresenta um modelo com potencial de replicação em outras regiões do país.
A
densamente povoadas, como a Reprática do reúso de água no gião Metropolitana de Belo Horizonte Brasil ainda enfrenta um cená(RMBH) [3]. rio jurídico fragmentado. A ausência Ao adotar parâmetros mais flexíveis de uma legislação federal específica e e compatíveis com a realidade técnica e abrangente compromete a segurança socioeconômica regional, Minas Gerais jurídica de projetos interinstitucionais, cria um ambiente propício para fomentar especialmente quando envolvem sea prática do reúso, conciliando segurantores públicos e privados [3]. Essa laça sanitária com viabilidade operacional. cuna normativa dificulta a escalabilidaTal abordagem pode estimular o protade de iniciativas sustentáveis no setor gonismo do estado em políticas públicas de saneamento. voltadas à sustentabilidade hídrica [3]. Minas Gerais destacou-se nacioDiante desse cenário, a siderúrgica nalmente ao estabelecer, por meio da Deliberação Normativa CERH-MG Metalsider, localizada em Betim, municínº 65/2020 [1], padrões próprios para o reúso de água em aplicações urbanas, industriais, ambientais e agrossilvipastoris. O marco regulatório reconhece a água de reúso como uma ferramenta estratégica para ampliar a segurança hídrica, especialmente diante da intensificação dos conflitos pelo uso dos recursos hídricos em regiões Fig. 1 - Vista geral da ETE Betim Central
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Reúso pio da RMBH com elevado grau de vulnerabilidade de segurança hídrica, procurou a Copasa em meados de 2020, demonstrando interesse em avaliar a possibilidade de um projeto de reúso de água para uso industrial, com objetivo de minimizar os riscos causados pela escassez hídrica e mudanças do clima. A iniciativa propõe o aproveitamento do efluente tratado da ETE Betim Central, operada pela Copasa, para suprir as demandas de refrigeração dos altos-fornos e da termoelétrica da Metalsider.
Objetivo O estudo avalia os desafios enfrentados na implementação de um projeto de reúso industrial na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), entre a siderúrgica Metalsider, empresa privada, e a Copasa. [Nota da Redação: à época da execução do projeto, a Copasa era uma sociedade de economia mista. Com a privatização, concluída em junho de 2026, a companhia passou ao setor privado, tendo a Equatorial como principal acionista, com 30% do capital social.] O projeto contempla a ETE Betim Central, operada pela Copasa, e a siderúrgica Metalsider. Ambas estão localizadas em Betim e fazem parte da Unidade de Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos - UPGRH SF3 - Bacia do Rio São Francisco - Sub-bacia do Rio Paraopeba. A ETE Betim Central (figura 1) iniciou sua operação em julho de 2010. Com capacidade instalada de 500 L/s, conta com tratamento preliminar, reatores UASB, reatores biológicos (lodos ativados) e decantadores secundários. O monitoramento da estação é realizado por laboratório acreditado na ISO 17025:2017 por meio de análises físico-químicas e microbiológicas, seguindo as recomendações do órgão ambiental competente.
Cliente especial da Copasa, tanto de água potável quanto de esgoto, a siderúrgica Metalsider (figura 2) foi fundada em 1984. Com capacidade de 30 mil toneladas por mês, a empresa pro- Fig. 2 – Vista geral da Metalsider duz ferro-gusa e peças em ferro fundido. Possui sete altos-fornos e uma termoelétrica (figura 3) para geração de energia proveniente dos gases excedentes da operação. Fig. 3 - Vista parcial da termoelétrica da Metalsider
Projeto de engenharia e obras de infraestrutura O projeto de engenharia contemplou a captação de água para reúso industrial na caixa do efluente final da ETE Betim Central. Foi necessária a construção de uma EEAR - Estação Elevatória de Água para Reúso e de uma AAR - Adutora de Água para Reúso, com extensão de aproximadamente 1,6 quilômetros (figura 4). A EEAR conta com dois conjuntos motobomba. A figura 5 mostra o ponto de
chegada da água para reúso industrial na Metalsider. As obras de implantação tiveram início em junho de 2024, com duração de oito meses. Em fevereiro de 2025, conforme cronograma, iniciaram os testes de comissionamento. A vazão máxima de água captada pela Metalsider na ETE Betim Central é de 40 L/s, com média de 25 L/s. A vazão máxima corresponde à outorgada da siderúrgica para Fig. 4 - Construção da adutora de água para reúso captação no rio Betim.
Fig. 5 - Chegada da água para reúso industrial na Metalsider
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Reúso Monitoramento da ETE Betim Central O monitoramento da ETE Betim Central é realizado continuamente e atende a todos os parâmetros preconizados na DN COPAM-CERH-MG N. 8/2022 [2]. São realizadas análises físico-químicas e microbiológicas, seguindo as recomendações do órgão ambiental competente, além do controle operacional que faz parte da rotina dos operadores. O rio Betim é o corpo receptor do efluente final da ETE. A qualidade do efluente final é comprovada pela eficiência de remoção de matéria orgânica. Além de DBO e DQO, são realizadas análises de pH, temperatura, sólidos sedimentáveis, sólidos suspensos totais, fósforo, nitrogênio amoniacal e nitrogênio orgânico. A qualidade do efluente tratado foi fundamental para a concretização do projeto de reúso de água. A água para reúso industrial é monitorada de acordo com a DN CERH-MG Nº 65/2020 [1]. A implantação de um projeto de reúso de água em uma empresa de economia mista, como a Copasa à época, transcende a aplicação de soluções técnicas convencionais, exigindo a mobilização sinérgica de competências institucionais diversas e especializadas. No caso da parceria com a Metalsider, foi possível observar uma engenharia organizacional composta por múltiplas frentes de atuação, cada qual com atribuições específicas e interdependentes, articuladas sob uma lógica de governança colaborativa. Sendo os papéis desempenhados por cada equipe técnica sistematicamente identificados e mapeados, a seguir apresenta-se uma síntese técnico-estruturante das funções essenciais que viabilizaram a transição do projeto, do campo da concepção para o plano da operação concreta.
Comercial Com responsabilidade central na viabilidade financeira da iniciativa, a equipe comercial atuou no desenvolvimento do arcabouço contratual, estabelecendo os termos de fornecimento de água para reúso e construindo as bases negociais entre a Copasa e Metalsider. Conduziu a formalização da matrícula específica do serviço, assegurando rastreabilidade e legalidade no fornecimento de água para reúso, dentro dos parâmetros do setor regulado. Sua atuação articulou o racional técnico à sustentabilidade econômica da operação.
Controle ambiental A equipe técnica de controle ambiental operou como eixo normativo-técnico da qualidade do efluente tratado destinado ao reúso. Com base na Deliberação Normativa – DN CERH-MG nº 65/2020 [1], estabeleceu rotinas de monitoramento, procedeu à caracterização do efluente e elaborou os relatórios técnicos exigidos pela regulamentação. Além disso, assumiu o papel de mediadora entre o risco ambiental e a viabilidade operacional, gerenciando as incertezas associadas ao uso de água não potável em ambientes industriais.
viabilizando a confiabilidade dos registros e a transparência no relacionamento com o usuário final.
Inovação O núcleo de inovação teve papel estratégico ao fomentar a superação de paradigmas institucionais e normativos no contexto do saneamento tradicional. Atuou no redesenho de processos internos e na proposição de soluções tecnológicas para o reúso direto de efluente tratado, dentro de uma lógica de economia circular. Também contribuiu para a modelagem de um serviço inédito no portfólio da companhia, sinalizando caminhos para replicabilidade em outras unidades operacionais.
Operação A equipe de operação foi responsável pela materialização física e funcional do projeto. Realizou a adaptação das estruturas hidráulicas existentes, assegurou a eficiência operacional dos sistemas de bombeamento e transporte e implementou as rotinas de operação contínua da unidade produtora de água para reúso. Sua função se deu na linha de frente da execução, com foco em desempenho técnico, segurança e conformidade com os parâmetros de qualidade.
Hidrometria
Regulação
Esta equipe técnica foi responsável pela concepção e implementação dos sistemas de medição de vazão e volume, fundamentais tanto para o controle operacional quanto para a estruturação dos mecanismos de cobrança. Por meio da instalação e calibração de hidrômetros industriais de precisão, garantiu a conformidade metrológica do fornecimento e permitiu a rastreabilidade dos dados em tempo real,
A área de regulação desempenhou um papel essencial na legitimação institucional do projeto, atuando como ponte entre a empresa e os entes reguladores, em especial a ARSAE-MG - Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais. Avaliou os aspectos normativos do serviço, acompanhou o processo de criação da matrícula e validou a aderência do pro-
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Reúso jeto às diretrizes do marco regulatório do saneamento e da gestão dos recursos hídricos. Sua atuação garantiu segurança jurídica e institucional à iniciativa, mitigando riscos regulatórios.
Relacionamento com o cliente Esta área foi incumbida de manter o alinhamento entre as expectativas do usuário e a entrega técnica do serviço. Desenvolveu canais de comunicação transparentes com a Metalsider, disseminou orientações sobre o reúso de água e consolidou a interface técnico-operacional entre produtor e usuário. Também contribuiu para a gestão de conflitos, reforçando a confiança e a adesão da indústria à proposta.
Jurídico O suporte jurídico foi transversal a todo o processo. Responsável pela análise dos instrumentos legais e pela verificação de aderência da proposta aos regimes de concessão e prestação de serviços públicos, atuou de forma preventiva na elaboração contratual e na definição das responsabilidades civis, ambientais e operacionais de cada parte envolvida. Sua atuação possibilitou que a Copasa operasse dentro dos limites legais de uma empresa de economia mista, promovendo segurança e estabilidade institucional ao projeto.
Estudos econômicos A equipe de análise econômica realizou estudos detalhados sobre viabilidade, retorno sobre o investimento, custos operacionais e projeções financeiras. A partir de modelos de simulação e análise de cenários, estruturou a base econômica que sustentou a tomada de decisão. Foi responsável também por
avaliar os efeitos indiretos da iniciativa, como a valorização do ativo ambiental, economia com outorgas e impacto positivo na imagem institucional.
Desenvolvimento operacional Funcionando como eixo integrador da implantação, essa equipe articulou os cronogramas, coordenou frentes de trabalho e assegurou a execução sincronizada das etapas do projeto. Foi responsável por compatibilizar demandas técnicas com recursos disponíveis, promover o alinhamento entre diferentes setores e garantir que a entrega seguisse o escopo técnico previamente estabelecido.
Análise e discussão dos resultados A implantação do projeto de reúso entre a Copasa e a Metalsider apresentou um conjunto expressivo de resultados, que vão além da dimensão operacional, alcançando aspectos regulatórios, institucionais e ambientais. A convergência entre uma empresa de economia mista, a Copasa, e uma siderúrgica privada, Metalsider, revelou-se desafiadora, sobretudo por envolver modelos de gestão distintos, culturas organizacionais próprias e exigências regulatórias específicas. Dentre os principais resultados observados, destaca-se a efetiva integração entre as áreas técnicas e administrativas da Copasa, com a constituição de uma governança funcional que possibilitou superar entraves legais e operacionais. A atuação articulada entre as equipes de regulação, comercial, controle ambiental, jurídico, inovação, operação e relacionamento com o cliente foi decisiva para a consolidação do projeto. Essa
experiência demonstra que a implantação de iniciativas interinstitucionais depende menos de soluções tecnológicas inovadoras e mais da capacidade de cooperação e flexibilidade institucional. Do ponto de vista legal-regulatório, o projeto enfrentou inicialmente uma lacuna normativa quanto ao fornecimento de água para reúso por companhias públicas. A ausência de legislação federal específica exigiu o aprofundamento da interpretação normativa estadual, com protagonismo da área jurídica e regulação da Copasa na definição do modelo de contrato e matrícula específica de fornecimento. O cumprimento dos requisitos junto ao Igam e à ARSAE-MG mostrou-se viável, embora tenha demandado tempo e negociação. Outro ponto a ser discutido refere-se à logística de distribuição da água de reúso. A proximidade geográfica entre a ETE Betim Central e a Metalsider foi determinante para a viabilidade do projeto, pois reduziu os custos de transporte e permitiu um fornecimento estável. Ainda assim, desafios técnicos relacionados à adaptação das estruturas hidráulicas e ao controle de perdas exigiram ações corretivas ao longo da implantação.
Conclusões O projeto constitui um marco importante na consolidação do reúso de água como uma prática viável, segura e estratégica no Brasil, especialmente em contextos de escassez hídrica e pressão sobre os recursos naturais. Mesmo em um cenário de fragilidade normativa e resistência cultural, é possível construir soluções robustas quando há engajamento institucional, governança técnica eficiente e disposição para a inovação. A experiência revela que o maior desafio não reside na tecnologia em si, amplamente disponível, mas na articulação intersetorial e na superação
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das barreiras institucionais que ainda permeiam as empresas públicas. O modelo implantado em Betim mostra que, ao adaptar estruturas jurídicas, operacionais e regulatórias, é possível transformar o esgoto tratado em um subproduto valorizado, promovendo não apenas eficiência hídrica, mas também benefícios ambientais, econômicos e sociais. A qualidade do efluente tratado na ETE Betim Central foi um fator determinante para a viabilidade deste projeto. O efluente atende a todos os parâmetros preconizados pelo órgão ambiental competente, o que corrobora para a sua utilização como água para reúso industrial na siderúrgica. Após a implantação e divulgação do projeto, diferentes empresas contataram a Copasa para novos estudos de viabilidade. Foi criado o Portal Reú-
so Copasa para prospecção de projetos de reúso. Em relação à vazão de água para reúso industrial captada pela Metalsider na ETE Betim Central, o órgão ambiental avalia como benefício para o rio Betim, visto que 40 L/s de água captada serão preservados para a população a jusante do município de Betim. Adicionalmente, observa-se um ga‑ nho expressivo na percepção institucional da Copasa, que passou a ser vista não apenas como operadora de saneamento, mas como promotora de soluções sustentáveis em recursos hídricos. A adoção do reúso como política interna fortalece a imagem da companhia perante os órgãos reguladores, o mercado e a sociedade civil, o que é coerente com os princípios da economia circular e do uso racional da água.
65
Referências [1] Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH-MG). Deliberação Normativa CERH-MG nº 65, de 18 de junho de 2020. Estabelece diretrizes, modalidades e procedimentos para o reúso direto de água não potável proveniente de Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) de sistemas públicos e privados. Belo Horizonte, 2020. [2] Deliberação Normativa Conjunta COPAM-CERHMG N. 8, de 21 de novembro de 2022. Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências. Belo Horizonte, 2022. [3] Santos, A. S. P.; Lima, M. A. M. Nota Técnica 2 – Aspectos legais relacionados ao reúso de águas como diretriz de institucionalização da prática no Brasil. Cadernos Técnicos de Engenharia Sanitária e Ambiental, v. 2, n. 3, 2022.
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Adutora
Uso de sistemas BESS para controle de pressões transientes em adutoras Franciele Arndt e Rafael Philippi Gama Salles, da Araxá Engenharia
A Simulações computacionais indicam que sistemas de baterias do tipo BESS podem substituir dispositivos convencionais de proteção contra transientes hidráulicos em adutoras de recalque. No estudo realizado em uma elevatória, o desligamento controlado dos conjuntos motobomba reduziu a sobrepressão de 440 para 280 m.c.a. e eliminou as regiões de vácuo, aumentando a segurança operacional e a vida útil das tubulações.
operação segura de estações elevatórias e adutoras de recalque depende, dentre outros fatores, do controle das pressões transitórias. O desligamento abrupto de bombas pode causar sobrepressão e vácuo, comprometendo a integridade das tubulações. Tradicionalmente, utilizam-se dispositivos de proteção e controle tais como reservatório hidropneumático (RHO), tanque de alimentação bidirecional (TAB), entre outros, para mitigar esses efeitos. Este trabalho avalia o uso de sistemas de baterias tipo BESS - Battery Energy Storage System como dispositivo de proteção e controle de pressões transientes visando garantir um desligamento controlado das bombas e prevenir impactos indesejados no sistema.
Objetivo O objetivo deste trabalho é avaliar o uso de sistemas de baterias do tipo BESS como dispositivos de proteção e controle de pressões transientes em adutora de recalque, na ocorrência de desligamento abrupto de grupos motobomba causa-
do por interrupções no fornecimento de energia elétrica. Busca-se verificar o comportamento das pressões transitórias através da desaceleração controlada das bombas, com o fornecimento de energia proveniente do sistema de baterias, comparando-as com os valores de pressão observados na simulação sem a utilização de dispositivo de proteção e controle.
Metodologia utilizada A metodologia adotada neste estudo envolveu a modelagem computacional de transientes hidráulicos, tomando como base uma adutora, e respectiva estação elevatória, localizadas em Concórdia, SC. Para a modelagem foi utilizado o diagramador da Voima Toolbox, de autoria do Prof. Dr. Marcos Rocha Vianna. Este diagramador utiliza o Método das Características para o cálculo e representação gráfica do resultado das envoltórias de pressão. As simulações foram divididas em duas etapas. Na primeira, o sistema foi
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Adutora 800,00 750,00 700,00 650,00
Elevação (m)
600,00 550,00 500,00
Adutora
450,00 400,00 350,00 300,00 250,00
0
1000
2000
3000
4000
5000
6000
7000
8000
9000
10 000
11 000
Distância (m)
Fig. 1 - Perfil da adutora 960,00
Perfil Carga mínima Carga máxima Piezométrica
Elevação (m)
868,00
776,00
684,00
592,00
500,00
0
2200
4400
6600
8800
Distância (m)
Fig. 2 - Envoltórias de pressão transiente sem dispositivo de proteção
analisado sem dispositivos de proteção e controle de pressões transientes, com o objetivo de avaliar as pressões extremas resultantes. Na segunda, foi simulado o desligamento gradual da estação elevatória, variando-se o tempo de desaceleração dos conjuntos motobomba, para eliminar as subpressões observadas na condição anterior e reduzir as sobrepressões. O sistema adutora/elevatória objeto deste estudo é caracterizado por adutora de ferro fundido dúctil, classe K7, diâmetro nominal de 400 mm, com 10.346 metros de comprimento e desnível geométrico de 195,8 metros. A celeridade calculada foi de 1113,92 m/s. A estação elevatória possui capacidade de 203 L/s, des-
nível geométrico de 195,8 metros e altura manométrica de 285 m.c.a., com operação simultânea de dois conjuntos motobomba em paralelo, com as seguintes características: • Momento de inércia (WR²) = 11,26 kgf.m² • Rotação = 1750 rpm • Potência = 360 kW • Rendimento = 0,81 O perfil de terreno desta adutora é apresentado na figura 1.
Resultados obtidos A simulação sem dispositivos de proteção e controle de pressões transientes apresentou sobrepressão máxima na ordem de 440 m.c.a. no trecho
11000
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69
810,00
Perfil Carga mínima Carga máxima Piezométrica
Elevação (m)
748,00
686,00
624,00
562,00
500,00
0
2200
4400
6600
8800
11000
Distância (m)
Fig. 3 - Envoltórias de pressão transiente com desligamento gradual em 4 minutos
inicial da adutora, além de vácuo absoluto em boa parte de sua extensão, conforme apresentado na figura 2. A simulação com o desligamento gradual da estação elevatória em intervalo de tempo de 1 minuto apresentou sobrepressão máxima da ordem de 340 m.c.a. no trecho inicial da adutora, representando uma redução significativa da sobrepressão. No entanto, ainda é possível observar a presença de vácuo absoluto em alguns trechos. A simulação com o desligamento gradual da estação elevatória em intervalo de tempo de 3 minutos apresentou sobrepressão máxima na ordem de 294 m.c.a. no trecho inicial da adutora. Já no trecho anteriormente com vácuo absoluto, foi verificada melhoria significativa da subpressão, de vácuo absoluto para -5 m.c.a. Com a simulação do desligamento gradual da estação elevatória em intervalo de tempo de 4 minutos, foi então possível eliminar por completo as pressões negativas ao longo de toda a adutora, tendo ainda reduzido a sobrepressão para 280 m.c.a., conforme apresentado na figura 3. Os resultados obtidos indicaram que o desligamento gradual dos conjuntos motobomba reduziu consideravelmente as sobrepressões, de 440 para 280 m.c.a. Além disso, foi possível eliminar completamente o vácuo na adutora, o
qual poderia levá-la ao colapso, permitindo maior segurança na operação.
Conclusões e recomendações O estudo demonstrou que o sistema de baterias tipo BESS pode ser utilizado como dispositivo de controle de pressões transientes em adutoras de recalque. Seu uso proporcionou uma expressiva redução das pressões máximas e eliminou regiões de vácuo, o que garantiu maior segurança operacional, reduziu os esforços estruturais na tubulação e aumentou a vida útil do sistema. Sua implementação representa uma alternativa inovadora, contribuindo para maior confiabilidade da infraestrutura de abastecimento de água.
Referências [1] ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 12214:2020 — Projeto de estação de bombeamento ou de estação elevatória de água — Requisitos. [2] ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 12215-1:2017 — Projeto de adutora de água — Parte 1: Conduto forçado. [3] Masiero Junior, Pedro Antônio. Análise de transientes hidráulicos em uma adutora utilizando o método das características. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2008. [4] Parmakian, John. Análise do golpe de aríete. Prefácio à edição de Dover. 1963.
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Resíduos
Utilização do lodo de ETE e ETA para restauração de pavimento Gabrielly Januário Monteiro e Maithê de Alcântara, Tecnólogas em Hidráulica e Saneamento Ambiental
U Os lodos gerados nas estações de tratamento de água e de esgoto podem deixar de ser um passivo ambiental para se tornar matérias-primas na restauração de pavimentos. Com base na análise de estudos sobre misturas de solo, cimento e lodo, este trabalho mostra que o reaproveitamento do resíduo é tecnicamente viável, atende aos requisitos ambientais e pode reduzir custos no saneamento e na construção civil.
m dos grandes desafios das empresas de saneamento atualmente é encontrar soluções sustentáveis para o descarte do lodo gerado nas Estações de Tratamento de Água (ETA) e de Esgoto (ETE). As práticas comuns incluem descarte em aterros sanitários ou lançamento na rede de esgoto, mas ambas geram impactos ambientais. Estudos têm explorado a viabilidade de reutilizar o lodo, em aplicações como pavimentação. Essas análises avaliam diferentes proporções de lodo em misturas, examinando suas propriedades físicas e químicas de acordo com os parâmetros técnicos estabelecidos pelo DNIT - Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes [3], considerando as especificidades do tipo de tráfego e da camada do pavimento em que será aplicado. A reutilização do lodo também está alinhada com as exigências ambientais da FEAM - Fundação Estadual do Meio Ambiente [4], do Conama - Conselho Nacional do Meio Ambiente [1] e das normas ABNT NBR 10.004/2024 [5, 6], que estabelecem critérios para a classificação dos resíduos sólidos.
Na construção civil, um setor que já utiliza amplamente materiais recicláveis, o lodo de ETA tem mostrado potencial para ser incorporado em matrizes de concreto. Ensaios com misturas de lodo e concreto demonstram que esses resíduos podem ser usados na fabricação de blocos de construção, oferecendo uma alternativa sustentável para o reaproveitamento desses materiais.
Objetivo Este artigo apresenta a análise técnica e ambiental da incorporação de lodo proveniente de ETAs em misturas utilizadas nas camadas de base e sub-base de pavimento, considerando seu potencial de aplicação como solução para a disposição final adequada do resíduo. A pesquisa foi conduzida com base em uma revisão bibliográfica sobre o uso de lodos de ETA e ETE em estruturas de pavimentação. Busca-se identificar as vantagens e limitações do uso de lodo como insumo na construção civil, visando propor soluções que minimizem os impactos
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Resíduos ambientais e maximizem o aproveitamento desse subproduto do tratamento de água e esgoto. Relacionando os parâmetros exigidos no Brasil com os estudos levantados neste trabalho, a seguir, serão avaliados os ensaios de caracterização física, mecânica e química escolhidos e seus possíveis impactos na avaliação do lodo de ETA e ETE para aplicação em pavimentação.
Resultados A análise da literatura revisada evidenciou que o lodo proveniente de ETA e ETE apresenta características físico-químicas que o tornam potencialmente aplicável na restauração de pavimentos, desde que passe por tratamentos de estabilização e desaguamento. Os ensaios laboratoriais demonstraram que a adição de cimento e cal é eficaz na redução do teor de umidade e na estabilização dos metais pesados presentes no lodo, como manganês, ferro, alumínio, cádmio e chumbo, atendendo aos limites estabelecidos pela legislação ambiental vigente. Após o tratamento adequado, o lodo pode ser incorporado em misturas de solo-cimento utilizadas em camadas de base e sub-base de pavimentos, apresentando desempenho mecânico compatível com materiais convencionais, como resistência à compressão entre 2 e 5 MPa, módulo de elasticidade superior a 100 MPa e ISC - Índice de Suporte Califórnia acima de 20%, conforme os requisitos do DNIT [3] e das normas brasileiras de pavimentação. Além disso, observou-se que a estabilização do lodo com cimento reduziu significativamente a lixiviação e a solubilização de metais pesados, atendendo aos limites da ABNT NBR
10.004/2024 [5, 6] e da Cetesb. Esse resultado demonstra que o uso do lodo estabilizado contribui para a segurança ambiental e para a sustentabilidade na construção civil, reduzindo a necessidade de extração de recursos naturais e os custos associados ao transporte e disposição em aterros sanitários. De modo geral, a revisão bibliográfica mostrou que o aproveitamento do lodo de ETA e ETE em obras de pavimentação representa uma alternativa viável e ambientalmente correta, alinhada às diretrizes da PNRS - Política Nacional de Resíduos Sólidos e às recomendações dos órgãos ambientais brasileiros.
Análise dos resultados Tanto o estudo de Lucena et al. quanto o de Coelho et al. [7] investigam o aproveitamento do lodo proveniente de ETAs e ETEs misturado ao solo, com ou sem adição de cimento, com o objetivo de aplicá-lo nas camadas de subleito, sub-base e base de pavimentos. Ambos os trabalhos deram destaque ao uso do cimento Portland como agente estabilizante, variando sua dosagem entre 1% e 10%, e avaliaram o desempenho das misturas por meio de ensaios laboratoriais como compactação, resistência à compressão simples e o ISC. Em ambos os estudos, observou-se que os solos de textura mais arenosa apresentaram resultados mais satisfatórios nas misturas, quando comparados aos solos mais argilosos. Apesar das limitações, os dois trabalhos concluíram que o uso do lodo é viável para aplicação em camadas de subleito, desde que respeitados os critérios técnicos de proporção, compactação e controle da expansão volumétrica. Apesar das semelhanças nos objetivos e metodologias, os estudos
de Lucena et al. [2] e Coelho et al. [7] apresentam diferenças importantes que impactam diretamente os resultados obtidos e as recomendações de aplicação do lodo em obras de pavimentação. Essas diferenças envolvem desde o tipo e o preparo do lodo utilizado até as combinações de materiais, os métodos de ensaio adotados e os critérios de avaliação do desempenho das misturas. Compreender esses contrastes é fundamental para avaliar de forma crítica as possibilidades e os limites do reaproveitamento do lodo em diferentes contextos técnicos. Outro ponto importante refere-se à sustentabilidade da solução. O uso do lodo como material alternativo reduz a necessidade de extração de recursos naturais, como areia e brita, e diminui os custos associados ao transporte e disposição final em aterros sanitários. Além disso, contribui para a implementação da PNRS - Política Nacional de Resíduos Sólidos, incentivando a economia circular e o reaproveitamento de resíduos na construção civil. Por fim, ressalta-se a necessidade de estudos de caracterização local para cada tipo de lodo, uma vez que suas propriedades podem variar em função do tipo de coagulante utilizado, das características da água bruta e dos processos de tratamento aplicados. Recomenda-se a realização de ensaios complementares de resistência, durabilidade e impacto ambiental, para validar a aplicação em escala real e garantir o desempenho técnico e ambiental das camadas de pavimento.
Conclusões Este trabalho apresentou um panorama sobre o uso alternativo do lodo gerado em ETAs e ETEs na pavimentação rodoviária, destacando seu potencial como material de construção e, ao
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mesmo tempo, como solução para um problema ambiental crescente: o descarte inadequado desse resíduo. Frente à saturação de aterros sanitários e à escassez de áreas destinadas ao descarte, torna-se cada vez mais necessário buscar formas sustentáveis de reaproveitamento, sendo a pavimentação uma alternativa técnica e ambientalmente promissora. Os estudos analisados demonstraram a viabilidade técnica do uso do lodo, principalmente quando misturado a solos arenosos e estabilizado com aditivos como o cimento Portland ou ligantes betuminosos. Em diferentes percen‑ tuais e configurações, tanto o lodo de ETA quanto o de ETE mostraram-se eficazes em camadas de subleito, sub-base e, em alguns casos, base, desde que respeitados critérios de preparo, compactação e controle ambiental. Também foi possível identificar a presença de metais nos ensaios de lixiviação e solubilização, reforçando a importância de processos adequados de estabilização para garantir a segurança ambiental. Ainda assim, há desafios consideráveis a serem enfrentados. Entre eles, estão a variação das características do
lodo de acordo com sua origem geo‑ gráfica, os custos envolvidos no seu preparo e estabilização, a resistência do setor da construção civil em adotar materiais alternativos e a ausência de regulamentações técnicas específicas e abrangentes sobre o tema. Esses obstáculos limitam o aproveitamento pleno desse resíduo em larga escala. Nesse cenário, recomenda-se que futuras pesquisas ampliem o escopo de análise, considerando diferentes tipos de lodo e contextos geográficos, além de investirem em soluções tecnológicas mais acessíveis e em políticas públicas que incentivem o uso desse material. A criação de normas específicas, a oferta de incentivos para o desenvolvimento de novas tecnologias e a conscientização de profissionais do setor são passos fundamentais para transformar o lodo, hoje um passivo ambiental, em um insumo sustentável para obras de infraestrutura. Assim, este trabalho contribui para o debate sobre o reaproveitamento de resíduos e reforça a importância da adoção de soluções tecnicamente viá‑ veis e ambientalmente responsáveis para enfrentar os desafios do desen-
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volvimento urbano e da gestão de resíduos.
Referências [1] Conama. Resolução nº 375, de 29 de agosto de 2006. Define critérios e procedimentos para o uso agrícola de lodo de esgoto gerado em estações de tratamento de esgoto sanitário e seus produtos. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 167, Ago./2006. [2] Lucena, L.C.F, Thomé Juca, J.F., Soares, J.B., e Portela, M.G.: Potential uses of sewage sludge in highway construction. Journal of Materials in Civil Engineering, 26(9), 04014051. 2014. [3] DNIT, 2006. Manual de Pavimentação. Rio de Janeiro, 3ª Edição. [4] FEAM – Fundação Estadual do Meio Ambiente. Manual de gerenciamento de resíduos sólidos. Belo Horizonte: FEAM, 2020. [5] ABNT NBR 10004-1:2024 — Resíduos sólidos — Classificação — Parte 1: Requisitos de classificação. [6] ABNT NBR 10004-2:2024 — Resíduos sólidos — Classificação — Parte 2: Sistema Geral de Classificação de Resíduos (SGCR). [7] Coelho, R.V.; Tahira, F.S.; Fernandes, F.; Fontenele, H.B.; Teixeira, R.S.: Uso de lodo de estação de tratamento de água na pavimentação rodoviária. Revista Eletrônica de Engenharia Civil, Goiânia, v. 10, n. 2. 2015.
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Conexão
Implantação de automação para estações elevatórias de esgoto A automação das estações elevatórias de esgoto amplia a capacidade de monitoramento e agiliza a identificação e a resposta a falhas operacionais. O artigo apresenta um estudo realizado em Itaberaba, BA, que compara o desempenho das unidades antes e depois da implantação de um sistema automatizado, analisando as causas e a duração de ocorrências e seu comportamento sobre a operação dos principais equipamentos. Alessandro Carvalho Leite, Antônio Carlos Moreira da Silva, Gilmar da Silva Sampaio, Jacó Silva de Andrade Junior e Rosahelena Reis Morais Silva, da Embasa
O
s sistemas de esgotamento sanitário desempenham um papel crucial na promoção da saúde pública e na preservação do meio ambiente. Entretanto, muitos desses sistemas enfrentam desafios operacionais que podem resultar em falhas e impactos negativos sobre a saúde e o meio ambiente. A PNSB - Política Nacional de Saneamento Básico, instituída pela Lei nº 11.445/2007, com a nova redação dada pela Lei nº 14.026/2020, estabelece princípios fundamentais, incluindo segurança, qualidade, regularidade e continuidade, que devem orientar a gestão desses sistemas. Este estudo busca avaliar como a implementação de tecnologias digitais pode contribuir para a melhoria do desempenho dos sistemas de esgotamento sanitário, em conformidade com esses princípios. A análise comparativa das causas de falha operacional entre os anos de 2022 e 2023 em uma cidade situada no semiárido baiano evidencia o impacto da implemen-
tação da automação no monitoramento das estações elevatórias de esgoto sobre a dinâmica operacional desses sistemas. Enquanto as bombas eram predominantemente responsáveis pelas falhas operacionais em 2022, em 2023 houve uma distribuição mais diversificada das causas, sugerindo melhorias na manutenção e operação desses equipamentos. No entanto, persistiram desafios relacionados ao sistema elétrico e à manutenção operacional. Esses resultados denotam a importância de uma abordagem holística na gestão dos sistemas de esgotamento sanitário, destacando a necessidade de melhorias contínuas para garantir sua eficiência e confiabilidade.
Metodologia Este estudo é caracterizado como uma pesquisa descritiva, com abordagem quantitativa. A metodologia utilizada envolveu levantamento de dados em campo, análise comparativa e
pesquisa bibliográfica, com o objetivo de avaliar e melhorar o monitoramento das estações elevatórias de esgoto no município de Itaberaba, BA. De acordo com Perovano [1], a pesquisa descritiva restringe-se à definição das características das variáveis envolvidas na pesquisa, proporcionando um relato detalhado dos atributos e características observados. Neste estudo, a abordagem descritiva permitiu a análise detalhada das operações das estações elevatórias e a identificação dos problemas associados ao monitoramento anterior. A pesquisa quantitativa foi aplicada para coletar e analisar dados numéricos relacionados às falhas operacionais e ao desempenho dos sistemas de automação, enquanto a pesquisa bibliográfica foi utilizada para revisar a literatura existente sobre automação e sua aplicação em EEEs – Estações Elevatórias de Esgoto. Segundo Marconi e Lakatos [2], a pesquisa quantitativa permite avaliar relações e padrões significativos, propor-
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Entradas digitais
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Cartão de expansão de entradas analógicas e digitais
cionando uma compreensão aprofundada dos fenômenos estudados. Os Saídas autores destacam ainda digitais Porta Ethernet Porta serial RS232/RS485 que a pesquisa bibliográ- Fig. 1 – Controlador lógico programável, software e protocolo de fica tem como finalidade comunicação utilizados. Fonte: autores (2024) proporcionar ao pesquisador contato direto com o conheciOptou-se pela instalação de equipamenmento previamente produzido sobre tos de automação capazes de executar um tema específico, possibilitando lógicas de programação para controle sua análise sob novas perspectivas e de nível, rotatividade dos equipamentos fornecendo a fundamentação teórica de bombeamento e intertravamento em necessária para a pesquisa. caso de falha dos equipamentos titular e reserva, além de comunicação Ethernet A metodologia aplicada buscou supara monitoramento remoto e integração perar as limitações do monitoramento ao CCO – Centro de Controle Operaciotradicional e avaliar o impacto da automação nas operações das EEEs. Antenal. Para isso, foram especificados CLPs riormente, o monitoramento das nove – Controladores Lógicos Programáveis, EEEs era realizado por uma equipe com entradas e saídas digitais e leitura volante, que visitava cada estação uma de sinais analógicos, em substituição aos vez por dia. Esse método apresentava leitores de nível entregues com o projeto limitações significativas, como incerteinicial da obra, que ocasionavam a maiozas na identificação das causas e no ria das ocorrências operacionais. tempo de resposta às falhas operacioA lógica foi desenvolvida e aplicada pela equipe de manutenção, com a nais, comprometendo a qualidade das função de controlar o funcionamento e informações obtidas. a rotatividade dos conjuntos motobomA figura 1 apresenta o hardware, bas, além de verificar se algum equipao software e o protocolo de comumento apresenta falha para acionar o nicação utilizados para solucionar e equipamento reserva. minimizar os problemas identificados.
Foi realizado um estudo para implantação do radioenlace criado entre as estações de bombeamento e a unidade regional, por meio de antenas de 5 GHz, para envio e recebimento de dados operacionais de campo até o CCO – Centro de Controle Operacional. A equipe de manutenção conduziu uma análise detalhada para identificar as causas dos frequentes chamados para manutenção corretiva. Durante a análise, foram identificados diversos problemas no projeto inicial, como o travamento do equipamento de leitura do sensor, uma vez que o sensor responsável pelo comando de liga/desliga dos conjuntos motobombas apresentava falhas recorrentes, além da ausência de rotatividade dos equipamentos eletromecânicos. A falta de rotatividade contribuía para um desgaste desigual e para o aumento das falhas. Para solucionar os problemas observados e melhorar o tempo de resposta às ocorrências operacionais, a automação do monitoramento foi implementada no final de 2022. Os dados de falhas operacionais e suas causas foram registrados manualmente pelos opera-
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Conexão dores e, posteriormente, pelo sistema automatizado. Assim, os anos de 2022 e 2023 constituem um recorte que abrange os períodos anterior, de transição e posterior à implementação da automação. Foram analisados os registros diários de falhas operacionais, com categorização das causas e estimativa do tempo de ocorrência, em horas. Os dados foram comparados para avaliar as mudanças iniciais na eficiência operacional e na distribuição das causas de falha ao longo do período estudado. A figura 2 apresenta o sistema de supervisão e controle, por meio do qual as EEEs são monitoradas 24 horas por dia, reduzindo, assim, os índices de falhas e o tempo de resposta aos problemas.
motivos indicados nos registros operacionais são: elétricos (falta de energia, falha de disjuntor, problemas no quadro de comando, oscilação de tensão e falha na automação); bomba (problemas no tubo-guia, material no rotor da bomba ou defeitos); sensor de nível (defeito ou queima); tubos e conexões (como reparos na rede, desgaste das conexões e problemas na ventosa); e manutenção operacional (como remoção de materiais no poço de sucção e entrada de ar). Os dados avaliados representam as horas de ocorrência de diferentes tipos de problemas nas EEEs, com registros realizados entre 2022 e 2023. Em 2022, o tempo total de ocorrências operacionais foi de 625,77 horas, enquanto 2023 apresentou um total de
Fig. 2 - Sistema de supervisão e controle. Fonte: autores (2024)
Resultados e discussão Com o desenvolvimento e a implantação do sistema de controle e monitoramento remoto, houve maior agilidade na identificação e solução de falhas e redução da queima de motores após a implantação da rotatividade dos conjuntos motobombas, conforme observado pela equipe de manutenção. Os dados observados mostraram uma redução significativa no tempo de ocorrência de falhas operacionais nas EEEs, bem como uma estratificação mais precisa das causas. A figura 3 exibe a distribuição do tempo de ocorrência operacional em horas nas EEEs para cada causa. Os principais
341,72 horas. Houve uma redução de 45,4% no total de horas de ocorrências relatadas após a automação. Entre as categorias avaliadas, as ocorrências atribuídas às bombas tiveram redução de 24,7%. Outro dado relevante está relacionado à categoria sensor de nível, que apresentou diminuição de 81,2%. Quanto às ocorrências relacionadas à manutenção operacional, houve aumento de 593%, passando de 8 horas em 2022 para 55,68 horas em 2023. Em 2022, a distribuição estava concentrada principalmente nas categorias elétrico (46%) e sensor de nível (29%), com baixa contribuição das categorias
Motivo das ocorrências operacionais
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Outros Tubos e conexões Manutenção operacional Sensor de nível
Conclusão
Elétrico
Os resultados observados sugerem que a implementaTempo (horas) ção da automação nas EEEs 2023 2022 de Itaberaba trouxe melhoria Fig. 3 - Distribuição das horas de ocorrência em EEEs em significativa na eficiência opeItaberaba (2022-2023). Fonte: autores (2024) racional, reduzindo o tempo manutenção operacional (1%), tubos total de ocorrências e permitindo melhor e conexões (4%) e outros (1%). Já em distribuição e detecção das causas das 2023, nota-se uma redistribuição mais falhas. A automação possibilitou a identiequilibrada dos dados. A categoria eléficação de problemas que anteriormente não eram detectados ou não recebiam a trica ainda era predominante, mas houve redução significativa em sensor de devida atenção, como manutenção openível (10%) e aumento em manutenracional e vazão irregular, além de reduzir ção operacional (16%) e outros (4%). significativamente o tempo de ocorrênA comparação dos dados revela cia de problemas críticos, como falhas mudanças significativas no panorama elétricas e nos sensores de nível. das ocorrências operacionais após a A análise comparativa da distribuição implementação da automação. Esses das causas de falha operacional no períoresultados refletem não apenas uma do entre 2022 e 2023 evidencia a influênmelhoria na eficiência operacional decia da implementação da automação no corrente da automação, mas também monitoramento das EEEs sobre a dinâmium foco intensificado na manutenção ca operacional desses sistemas. Enquanpreventiva e corretiva para garantir a to as bombas eram predominantemente confiabilidade contínua do sistema. responsáveis pelas falhas operacionais A análise detalhada da distribuição em 2022, a mudança para uma distribuidas causas de falha operacional nos ção mais diversificada em 2023 suge‑ anos de 2022 e 2023 revela mudanre melhorias na manutenção e operaças no perfil das ocorrências após a ção desses equipamentos, mas também implementação da automação no modestaca desafios persistentes relacionanitoramento das estações elevatórias dos ao sistema elétrico e à manutenção de esgoto. A distribuição das causas operacional. Esses resultados ressaltam a em 2022 pode indicar uma sub-re‑ importância de uma abordagem holística na gestão dos sistemas de esgotamento presentação ou baixa detecção de ocorrências em áreas de menor consanitário e destacam a necessidade contribuição percentual. tínua de monitoramento e ajustes para Comparativamente, a redistribuição garantir sua eficiência e confiabilidade. observada em 2023 sugere uma captura mais detalhada e diversificada Referências das falhas, que pode ser atribuída às [1] Perovano, D., G. Manual de Metodologia da Pesmelhorias tecnológicas e ao monitoquisa Científica. Editora Intersaberes, 2016. ramento contínuo proporcionado pela [2] Marconi, M., D., Lakatos, E., M. Fundamentos de Metodologia Científica. Editora Atlas, 2003. automação. A comparação com os dados de 2024 e 2025 evidencia ganhos Trabalho originalmente apresentado no operacionais significativos, com desta36º Congresso Nacional de Saneamento e que para a redução na incidência de Meio Ambiente, promovido pela AESabesp, extravasamentos nas estações elevatóem paralelo com a Fenasan, no período de 21 a 23 de outubro de 2025, em São Paulo. rias nos anos de 2023, 2024 e 2025. Bomba
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Produtos Medição de água
Cisterna
O Enervision Flow, da Enervision Telemetria, analisa o his‑ tórico de consumo de água, ajudando a identificar padrões irregulares. Por meio de alarmes configuráveis, o usuário é notificado em caso de con‑ sumo acima da média, per‑ mitindo agir rapidamente para evitar prejuízos. As notificações são enviadas por e-mail, WhatsApp, Telegram e até via MQTT Message Queuing Telemetry Transport, este último voltado para integração com sistemas IoT – Internet das Coisas.
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Publicações Marco Legal - Realizado pelo IAS - Instituto Água e Saneamento e pelo Ipea, em julho de 2025, o seminário Cinco Anos da Mudança no Marco Legal do Saneamento Básico: Perspectivas da Universalização? teve como foco as mudan‑ ças já identificadas, além das incertezas e dos desafios observados nos cinco anos transcorridos desde a promulgação da Lei nº 14.026/2020. O caderno reúne o contexto, os temas debatidos e as reflexões suscitadas durante o encontro, as principais contribuições dos palestrantes e parte das manifestações encaminhadas pelos par‑ ticipantes durante o evento. Com 63 páginas, o guia pode ser acessado pelo link: https://abrir.link/ObgPi. Saneamento - O Instituto Trata Brasil, em parceria com a EX ANTE Consultoria, divulgou o estudo Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento no Acre, com o objetivo de apresentar os principais ganhos associados à universalização do acesso à água potável e à coleta e tratamento de esgoto no estado. A análise compreen‑ de a evolução do saneamento entre
2000 e 2024 e projeta os potenciais impactos até 2040. O estudo também estuda os efeitos de longo prazo e o legado que a universalização poderá deixar para o Acre. Com 74 páginas, a publicação pode ser acessada pelo link: https://abrir.link/BdLud. Bacia hidrográfica - Escrito por Demétrius Jung Gonzalez, o livro Contribuições para a Compreensão das Deficiências na Universalização do Abastecimento de Água e do Esgotamento Sanitário na Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos (2007-2020) demonstra que a solução não depende apenas de recursos financeiros, mas também de uma mudança nos conceitos de gestão e governança pública, de modo a permitir o cumprimento dos padrões estabelecidos pela legislação federal. O autor analisa ainda de que forma a governança influencia os baixos índices de atendimento do saneamento bra‑ sileiro e como a ausência de critérios, mecanismos de cobrança e metas claras pode afetar a oferta de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto sanitário. Editora Dialética (https://abrir.link/QlEGp), 212 páginas. Resíduos sólidos - O livro Resíduos Sólidos Urbanos e Vinhaça: Reconcilian-
do Energia, Fertilizantes e Meio Ambiente, de Antonio Carlos Dourado Barros da Rocha, Luís Augusto Barbosa Cortez e Jorge de Lucas Junior, aborda os desafios associados ao crescimento urbano, à pressão sobre os recursos naturais, à insegurança energética e alimentar e os impactos das mudanças climáticas. A obra discute alternativas ao modelo linear de produção, consumo e disposição de resíduos, com foco em soluções baseadas em economia circular e integração de processos. Com abordagem técnica, o livro analisa como resíduos urbanos e agroindustriais podem ser aproveitados em modelos associados à descarbonização, à bioenergia e à economia circular. Ao comparar o en‑ terramento de resíduos e a fertirrigação convencional com a codigestão anaeróbia, os autores discutem os impactos relacionados ao aproveitamento energético, às emissões e aos aspectos econômicos desses modelos. A obra também aborda a remoção e o tratamento da fração orgânica dos resíduos sólidos urbanos e da vinhaça da cana-de-açúcar para a produção de biometano e fertilizantes organominerais Classe A. Segundo os autores, essas alternativas podem contribuir para a redução de emissões e para o aproveitamento dos resíduos na geração de energia e de insumos para a agricultura. Editora Blucher (https://abrir.link/Ojfqd), 216 páginas.
Índice de anunciantes Aclaris ...........................3ª capa Akso ......................................38 Alpha Water ...........................23 Alfamec .................................24 Analyser.................................61 Aquastar................................29 AST Ambiente ........................37 ATM Engenharia.....................46 B&F Dias ................................17 Biotecnal ...............................57
Columbus Saneamento .........19 Dopp .................................4 e 5 Ecocasa ................................75 Ecolab.....................................7 ETAE Saneamento .........2ª capa Etatron..................................51 Famac...................................49 Fluid Feeder...................27 e 43 Garemp.................................67 Grupo JCN.............................42
Güven Saneamento................13 H2O Ambiental .......................59 Huber.....................................45 IFAT........................................81 Improv Equipamentos............31 Incontrol................................39 IWT Services..........................76 Kovofinis ...............................21 KS Industrial..........................68 LAO Indústria.........................55
Lepono ..................................35 Matryx ...................................73 MGA Válvulas.........................63 Netzsch .................................33 Pieralisi .................................20 Proecos Ambiental .........69 e 77 ReusÁgua ..............................79 Sancotec .......................4ª capa TanksBR ................................47 Tech Tank ..............................32
Tecitec...................................53 Tecnosan ...............................25 Torri.......................................68 Unipar....................................11 Varb.......................................71 VazFlux..................................18 Water Solutions .....................36 Watertec ................................56 WL Equipamentos ..................12 WMFTS ..................................65
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Hydro • Setembro/Outubro 2026
Saneamento em Pauta
Saneamento e capital: o desafio de transformar investimentos em projetos financiáveis
O
Brasil já sabe onde precisa chegar. As metas de universalização do saneamento estão estabelecidas, os déficits de infraestrutura são conhecidos e o país começa a experimentar um novo ciclo de investimentos impulsionado por fatores como Marco Legal do Saneamento, concessões, parcerias público-privadas e a ampliação das fontes de financiamento. A pergunta que ganha importância agora é outra: como transformar a enorme necessidade de investimentos em uma carteira de projetos capazes de atrair capital em escala, com prazos, custos e estruturas financeiras compatíveis com a natureza do saneamento? Os números ajudam a dimensionar a oportunidade. Um estudo do BNDES projeta investimentos médios de R$ 42,4 bilhões por ano em saneamento entre 2025 e 2029, no cenário-base, praticamente o dobro da média observada entre 2020 e 2024, de R$ 23,7 bilhões. Ainda assim, esse volume permanece abaixo dos cerca de R$ 50 bilhões anuais apontados pela ABDIB - Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base como referência para alcançar a universalização. É uma diferença que merece atenção. O financiamento do saneamento brasileiro também passa por uma transformação importante. Historicamente, os investimentos dependeram fortemente de recursos públicos e linhas de crédito de instituições financeiras públicas. Hoje, a estrutura é mais diversificada. O BNDES mantém linhas específicas para projetos de saneamento público e privado. Esse desenho é importante porque demonstra que o financiamento do saneamento pode combinar crédito de longo prazo e mercado de capitais. As de-
bêntures incentivadas e de infraestrutura ganharam espaço justamente nesse contexto. Entre 2023 e o terceiro trimestre de 2025, foram emitidos R$ 316,52 bilhões em debêntures incentivadas e de infraestrutura para diferentes setores. Desse total, R$ 41,48 bilhões foram direcionados ao saneamento. O capital precisa de bons projetos. Mas existe uma questão fundamental: capital disponível não significa automaticamente acessível. Para que um projeto de saneamento consiga chegar ao mercado financeiro, é necessário que exista uma estrutura capaz de oferecer previsibilidade e segurança aos financiadores. Isso envolve segurança jurídica, contratos bem estruturados, regulação adequada, capacidade econômico-financeira, previsibilidade de receitas, governança, matriz de riscos, garantias e clareza sobre os investimentos necessários. É nesse ponto que a qualidade da engenharia encontra a da estrutura financeira. Um projeto tecnicamente excelente, mas sem adequada modelagem econômico-financeira, pode ter dificuldades para captar recursos. Da mesma forma, uma estrutura financeira sofisticada não será suficiente se o projeto não tiver fundamentos técnicos, operacionais e regulatórios consistentes. Projetos de saneamento precisam ser simultaneamente bons projetos de engenharia e de ativos de infraestrutura. Essa talvez seja uma das principais mudanças culturais que o setor precisa incorporar. De onde virá o capital? A resposta não estará em uma única fonte. O saneamento brasileiro precisa de uma combinação de mecanismos. A diversificação é importante porque os projetos são diferentes entre si. Um
Agostinho Geraldes, presidente da AESabesp
grande sistema regionalizado pode ter características financeiras completamente distintas de uma operação municipal de menor porte. Uma concessão madura apresenta riscos diferentes de um projeto greenfield. O modelo de financiamento precisa acompanhar essa diversidade. Nesse aspecto, o Brasil tem avançado. O relatório anual de 2025 do BNDES informa que, ao final daquele ano, havia projetos de saneamento em preparação na carteira do banco. Considerando projetos já licitados e em estruturação, as iniciativas alcançavam aproximadamente 63 milhões de pessoas e representavam cerca de R$ 154 bilhões em investimentos estimados. Esses números mostram que existe uma carteira potencial de grande dimensão e revelam a importância da estruturação. Quanto melhor for essa preparação, maior tende a ser a capacidade de o projeto acessar diferentes fontes de capital. Estruturar projetos tornou-se, portanto, uma etapa tão estratégica quanto financiá-los. Além da disponibilidade de crédito, o custo do capital precisa ser compatível com a natureza do serviço. Saneamento trabalha com ativos de longa vida útil e investimentos que precisam ser amortizados ao longo de muitos anos. Uma estrutura financeira excessivamente curta ou cara pode comprometer o equilíbrio econômico-financeiro do empreendimento. Por isso, prazo e custo precisam caminhar juntos. O dinheiro precisa encontrar bons projetos. E os bons projetos precisam encontrar capital de longo prazo. Agostinho de Jesus Gonçalves Geraldes, presidente da AESabesp - Associação dos Engenheiros da Sabesp, é Gerente da Diretoria de Empreendimentos Interior e Litoral Norte da Sabesp. É engenheiro civil, com pós-graduação em Engenharia de Saneamento pela Faculdade de Saúde Pública do Estado de São Paulo. Esta seção é dedicada a reflexões sobre o setor de saneamento no Brasil e seus desafios. Os artigos são elaborados pelo Corpo Diretivo das principais entidades de saneamento do país e não necessariamente refletem a opinião da Hydro.