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24ª Edição - Revista Médicos do Vale

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ÍNDICE

Rua Engenheiro Fernando de Mattos, 134 Centro - Taubaté/SP (12) 3632.3818 E-mail: taubate@apm.org.br Site: apmtaubate.com.br Facebook: APM-Taubaté_Oficial Instagram: @apmtaubate Fachada: APM Regional Taubaté Foto: Ana Cláudia Bohler

DIRETORIA

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PALAVRA DA PRESIDENTE Dra. Luciana da Cruz Noia

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OPINIÃO Dr. José Paulo Pereira

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OPINIÃO Dr. Camillo Soubhia Junior

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DEFESA PROFISSIONAL

Presidente: Dra. Luciana da Cruz Noia Vice-presidente: Dr. Oscar Cesar Pires 1º Secretário: Dra. Maria Teresa Torres Frota 2º Secretário: Dr. Izac Alessandro Batista de Souza 1º Tesoureiro: Dr. Camillo Soubhia Junior 2º Tesoureiro: Dr. Ronaldo Abraham Diretor Científico e Cultural: Dr. Flávio Luiz Lima Salgado Diretor Social: Dr. José Paulo Pereira Delegado: Dr. Auro Fábio Bornia Ortega

CONSELHO FISCAL

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ENTREVISTA

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MATÉRIA DE CAPA

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APM REGIONAL SÃO JOSÉ DOS CAMPOS Dr. Odeilton Tadeu Soares

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APM REGIONAL GUARATINGUETÁ Dr. Antonio Diniz Torres

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DIRETÓRIO ACADÊMICO BENEDICTO MONTENEGRO

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ÉTICA MÉDICA

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CLUB APM

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LITERATURA

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HUMOR

Titular: Dr. Marcos Roberto Martins Titular: Dr. Pedro José Chiavegato da Silva Titular: Dr. Jorge Miguel Kather Neto Suplente: Dr. Antônio Javier Salan Marcos Suplente: Dr. Ailton Augustinho Marchi

EXPEDIENTE Secretária: Denizi Morais Jornalista responsável: Ana Cláudia Bohler/ MTB: 57.484 Designer: Vanessa Almeida

Deixa-se registrado que as informações e opiniões emitidas nos artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos devidos colunistas. Da mesma forma, o conteúdo dos anúncios publicitários é de competência das respectivas empresas. Periodicidade: Quadrimestral Tiragem: 600 exemplares Circulação: Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira e Litoral Norte/SP Impressão: Resolução Gráfica - Taubaté/SP


Um ano de pandemia

Foto: Reprodução

PALAVRA DA PRESIDENTE

Por: Dra. Luciana da Cruz Noia Presidente - APM Regional Taubaté Em 26 de fevereiro de 2020, o Brasil registrava seu primeiro caso de covid. Tratava-se de um paciente que havia sido contaminado no exterior. A doença ainda não tinha transmissão sustentada no Brasil, mas a passagem da pandemia pela Europa, causando estragos em sistemas de saúde bem mais estruturados, nos fazia temer pelo pior. Pouco mais de um ano depois, percebemos que a pandemia ficará entre nós por bem mais tempo do que inicialmente esperávamos. Mas apesar do rastro de mortes que a doença deixou, da falta de entendimento entre as diversas esferas e poderes do governo, a pandemia mostrou a real importância e poder de reação da medicina brasileira.

Infelizmente, às vezes, às custas de sacrifícios pessoais, como a exposição ao risco de contágio, o receio de trazer a doença para familiares, ou sacrificando a convivência familiar para protegê-los. Sem falar da diminuição dos rendimentos de muitos, já que procedimentos eletivos foram suspensos. Tudo isto mostra que se queremos soluções para os problemas relacionados à saúde pública, os médicos são uma das categorias mais importantes a serem ouvidas. Pois só quem atua no dia a dia do atendimento à saúde pode indicar os pontos fortes e fracos do Sistema, e o que é preciso fazer para melhorá-lo. A categoria médica sempre foi e continua sendo parte fundamental na resolução dos problemas da saúde pública.

Foto: Sebastien Bozon | AFP

Milhares de médicos, dos mais experientes aos recémformados, participaram de alguma forma da resposta à pandemia. Quer na linha de frente no combate à covid, em UTIs e pronto socorros; quer mantendo atendimento a outras patologias, que continuam ocorrendo e

matando; quer prestando esclarecimentos à população. Os médicos do Brasil mostraram que estão à altura do desafio.

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A mulher ocupando seu espaço

Foto: Reprodução

OPINIÃO

POR: DR. JOSÉ PAULO PEREIRA DIRETOR SOCIAL - APM REGIONAL TAUBATÉ

Numa das paredes de nossa sede, há um painel com todos os colegas que já presidiram nossa Regional da Associação Paulista de Medicina. Todos homens. Cada um em seu tempo, com suas lideranças e suas virtudes. Suas fotos ali perpetuadas é um reconhecimento da classe aos seus representantes que lutaram por alguma causa coletiva, com muitas vitórias e muitas glórias. Quando foi fundada e por muitos anos na sequência, os homens eram muito mais numerosos, sendo poucas as colegas médicas que exerciam a profissão em nossa cidade. Daí a razão de só existir fotografias de homens naquela parede. Dra. Elza, Dra. Marly, Dra. Elcy, Dra. Therezinha, Dra. Hermínia, Dra. Myrtes e, talvez uma ou outra que não me lembro, eram as únicas médicas trabalhando, há 50 anos, quando aqui cheguei. Na faculdade, para uma turma de mais de 250 colegas, só estudavam 34 mulheres.

e conseguir, com a unidade, vencer os obstáculos cada vez mais difíceis. E vejo que, para comandar esta volta, elegemos uma mulher. Na hora certa e na pessoa certa. Dra. Luciana com seu dinamismo, sua inteligência, sua competência haverá de convencer os jovens profissionais a aderirem aos projetos da APM. Saberá convencer a todos da importância e da necessidade de sermos unidos e fortes. E ela está empenhada nesta tarefa para a qual contará com a colaboração dos colegas mais antigos e participantes das lutas médicas em nossa cidade. Muita coisa vai mudar e, em pouco tempo, espero ver tudo diferente para alegria de todos nós. Que Dra. Luciana seja na Presidência da APM aquela amiga e conselheira de quem todo mundo gosta e admira.

Isto foi mudando e passamos a ver pelas ruas muitas moças de jaleco branco, ostentando garbosamente um emblema da Faculdade de Medicina de Taubaté. Em pouco tempo, se equipararam. E em menor tempo ainda, ultrapassaram os homens em número de estudantes.

Foto: Ana Cláudia Bohler

Hoje, não sabemos mais contar quantas médicas exercem sua profissão, em Taubaté. Nada mais lógico que uma delas seja presidente da nossa Regional. Quero acreditar que na hora certa, quando estamos precisando de mudanças. Antes, todas as causas eram abraçadas por todos. Uma Assembleia Geral era superlotada e todo mundo se interessava pelo que acontecia. Não tenho o diagnóstico do porquê desta mudança, mas hoje, muito pouca gente enxerga na APM o órgão para sua defesa. Mas, tenho na consciência que isso precisa mudar. O médico tem que voltar ao seu grupo

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Há anos, Dr. José Paulo Pereira e Dra. Luciana da Cruz Noia compartilham decisões importantes e momentos especiais na sede da APM Taubaté


Foto: Box Criativo

OPINIÃO

Responsabilidade em ser médico Por: Dr. Camillo Soubhia Junior Diretor Tesoureiro - APM Regional Taubaté / Membro do Departamento Fiscal - APM Estadual

Como profissionais ligados à saúde do ser humano, que somos, temos regras que norteiam os procedimentos para não colocarmos o paciente em risco, expondo às vezes sua própria vida. Entendo que seja pessoal e intrínseco de cada médico(a) a escolha do medicamento para tratamento das diversas patologias, mas como regra geral e de acordo com a lei, os medicamentos devem ser autorizados para uso em determinadas doenças somente após a aprovação pela ANVISA e com a chancela do Ministério da Saúde. Desta forma, o(a)

médico(a) estará legalmente protegido(a) e não teremos desvios e charlatanices que podem envolver este segmento, causando graves prejuízos à saúde pública. A ousadia faz parte de decisões administrativas de uma empresa, quando discutem assuntos internos que envolvem seu crescimento ou aumento de ganhos. Quando falamos em Saúde, Medicina e relação médico(a)-paciente, a responsabilidade do ato transcende a materialidade, tornando-nos cúmplices em nossas decisões sobre as orientações dirigidas ao que denominamos “paciente”, e que na realidade temos em nossa frente um pai, uma mãe, um filho ou uma filha. Pense nisso! Saúde! Camillo

Foto: Stock.adobe

Colegas, a atual pandemia que estamos enfrentando tem trazido muitos desafios e perigos aos que trabalham na área da Saúde. Este fato tem causado um stress coletivo e determinado número de colegas tomam ações ou atitudes que divergem da linha de conduta de outros colegas da mesma área. Entendo que apesar de divergentes, os grupos buscam o melhor para o paciente.

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DEFESA PROFISSIONAL

APM Taubaté aciona Poder Executivo, em busca de esclarecimentos sobre vacinação contra covid Considerando o agravamento da pandemia de covid-19, a APM, preocupada com o extremo risco ao qual os profissionais da Saúde estão expostos, encaminhou um ofício à Prefeitura de Taubaté, no início de fevereiro, requerendo informações acerca do programa municipal de vacinação contra a doença, especificamente sobre a imunização da categoria médica. No documento, a entidade buscava esclarecimentos sobre a operacionalização do calendário vacinal da cidade. Estavam incluídas questões sobre os critérios classificatórios dos grupos considerados prioritários, e a quantificação das doses e das pessoas que seriam vacinadas na primeira etapa. Além dos questionamentos, a carta apresentava um tópico extremamente importante. Tratava-se da argumentação de que todos os médicos deveriam ser igualitariamente imunizados na primeira fase, tanto os da rede pública, quanto o da rede privada, visto que ambos os grupos eram passíveis de serem infectados pelo vírus.

Trechos do documento “Centenas de colegas (especialistas e/ou “médicos de família”) auxiliam e complementam o atendimento a munícipes que, muitas vezes, não são contemplados pela assistência da rede pública de Saúde. Estes médicos também estão suscetíveis à contaminação do coronavírus, uma vez que estabelecem contato direto com pacientes em suspeita ou portadores da covid-19.” “Todos nós, médicos funcionários da rede pública (atuantes em hospitais, Santas Casas, postos de Saúde) e da rede privada complementar (ativos em ambulatórios, consultórios particulares, clínicas de especialidades), estamos exercendo nossas profissões em cenários nos quais centenas de pessoas buscam socorro, sobretudo, relacionado a sintomas característicos desta destruidora enfermidade.”

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Como entidade representativa da classe médica, a APM temia que a escassa oferta de vacinas e o iminente risco, ao qual estão submetidos os trabalhadores da Saúde, pudessem gerar um enorme prejuízo, visto que uma parcela considerável de profissionais talvez não fosse imunizada na primeira fase da vacinação.

Posicionamento do Poder Executivo Em resposta oficial à APM, a Prefeitura de Taubaté emitiu o documento ilustrado nesta matéria, assinado por Roberta Fabiana Moura de Morais, Coordenadora da Vigilância Epidemiológica; Erika Mie Tani de Oliveira, Gestora de Projetos em Campanhas de Saúde; e Mario Celso Peloggia, Secretário da Saúde.

Reunião com a Secretaria da Saúde Em 5 de fevereiro, a presidente da APM Taubaté, Dra. Luciana da Cruz Noia, esteve reunida com o Secretário da Saúde, Sr. Mario Celso Peloggia, para discutir mais detalhes sobre o programa municipal de vacinação. “Diante das dúvidas apontadas por diversos associados a respeito da vacinação no município de Taubaté, além da crescente ansiedade quanto à demora, a APM pediu uma entrevista com o Secretário”, contou a médica. Na ocasião, ocorrida na Secretaria de Saúde, a autoridade municipal esclareceu que a imunização teve início pelos profissionais da linha de frente e que, na época, já tinha sido iniciada a vacinação dos médicos que não pertenciam ao sistema público. As doses foram distribuídas para os funcionários da Saúde, na respectiva sequência: hospitais, UPAs, UBSs, e rede privada. A Presidente da APM ressaltou o apoio da entidade à pronta vacinação de toda a população, oferecendo suporte à qualquer questão logística que se fizesse necessária, sobretudo, a disposição da sede para abrigar


DEFESA PROFISSIONAL

um posto de vacinação. Além de debater a pauta sobre a covid, Mario Peloggia apresentou os planos da nova gestão para o setor da Saúde, e relatou como a pasta está se organizando nestes primeiros meses de mandato. Em solidariedade, Dra. Luciana propôs parceria: “A APM colocou-se ao lado da Prefeitura em tudo o que for necessário para a nova gestão, independentemente de posicionamentos políticos”.

Campanhas “Eu vou vacinar” e “Unidos pela vacina” A Associação Paulista de Medicina uniu-se à campanha “Eu vou vacinar!”, criada pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), cujo objetivo é conscientizar os cidadãos brasileiros sobre a importância da vacinação, e cobrar, das autoridades públicas, a pronta disponibilização de doses para toda a população. A APM também aderiu à campanha “Unidos pela Vacina”, um movimento da sociedade civil que reúne centenas de associações, entidades, organizações nãogovernamentais (ONGs) e empresas, que compartilham do mesmo propósito: tornar viável a imunizaçãode todos os brasileiros até setembro de 2021. A mobilização surgiu por iniciativa do “Grupo Mulheres do Brasil”. Os membros envolvidos, com suas distintas expertises, visam trabalhar conjuntamente para acompanhar o Programa Nacional de Imunização, mapeando as necessidades iminentes e encontrando soluções para intensificar o processo de vacinação no país. A APM colocou à disposição da Secretaria Estadual de Saúde e das Secretarias Municipais de Saúde a estrutura social de sua matriz e de suas 75 regionais, caso seja necessário suporte para o processo de vacinação da população. A entidade também quer colaborar com ações estratégicas que possam elucidar os brasileiros sobre a importância da imunização.

Foto: Arquivo | APM Taubaté

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ENTREVISTA

RETRATO DA COVID-19 Intensivista relata exaustão e escassez em UTI de Taubaté No processo de superação da pandemia, registramos episódios de progresso e regresso. Um exemplo de vitória foi o avanço da ciência na criação das vacinas. Uma preciosa e necessária conquista para minimizar o risco de contaminação pela covid e, principalmente, poupar a vida de milhões de pessoas. Por outro lado, um desastroso retrocesso foi registrado ao longo dos meses de março e abril, período em que a pandemia sinalizou ter alcançado o seu momento mais crítico. Chamada de “segunda onda”, a fase congregou o aumento do número de internações e de mortes, além da alteração do perfil dos pacientes hospitalizados. Até o início deste ano, os leitos eram majoritariamente ocupados por pessoas com idade acima de 60 anos. Mas isto mudou. Segundo levantamento da Fiocruz, os mais jovens têm buscado auxílio médico progressivamente. Acredita-se que as novas variantes do vírus, que são mais transmissíveis, e o não cumprimento do isolamento social sejam os principais fatores desta mudança de perfil. Em todo o país, estados e municípios decretaram alerta crítico. Os problemas iam além das crescentes estatísticas de cidadãos contaminados e mortos. As UTIs passaram a atingir a ocupação máxima, o oxigênio e os insumos para intubação se tornaram cada vez mais escassos, e a exaustão consumiu a jornada de trabalho dos médicos e dos profissionais da “linha de frente”. Em pesquisa divulgada, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que 80% dos trabalhadores entrevistados afirmam ter sofrido impactos negativos em decorrência da pandemia. A sobrecarga de trabalho, a alteração de sono, humor e dieta, o medo de contaminação e

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o distanciamento da família são os principais fatores que têm comprometido a saúde física e mental destes profissionais. Em outro estudo, feito pela Associação Médica Brasileira (AMB), a maior incidência dos problemas psíquicos, identificados nos funcionários da “linha de frente”, está relacionada à ansiedade e ao estresse. Mais um triste dado! De acordo com um levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM), 551 médicos foram mortos pelo coronavírus até março deste ano. Já o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) relatou que 646 enfermeiros/técnicos/auxiliares foram vitimados pela doença, no mesmo período. Para ter acesso à realidade da nossa região, a APM entrevistou o Dr. Izac Alessandro de Souza, Intensivista de Taubaté. O médico atua como colaborador da UTI do Hospital Regional do Vale do Paraíba desde 2000, e compõe a equipe que cuida diretamente dos pacientes internados com covid. No conteúdo a seguir, é possível conhecer os principais desafios que estão sendo enfrentados pelo profissional e seus colegas de equipe.

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Estão todos esgotados, física e mentalmente. As condições de trabalho são desgastantes.

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ENTREVISTA

APM: Que comparativo o senhor faz entre a primeira e a segunda onda da pandemia? Dr. Izac: Em nossa cidade, parece haver um aumento da gravidade dos casos e também um aumento no número de pacientes. Estamos também internando pacientes mais jovens.

Foto: Ana Cláudia Bohler

APM: Quais têm sido os maiores desafios da equipe? Dr. Izac: Estão todos esgotados, física e mentalmente. Os pacientes são gravíssimos e trabalhosos. As condições de trabalho são desgastantes. Perder uma parcela grande de pacientes graves nos deixa esgotados mentalmente.

Dr. Izac Alessandro de Souza, médico Intensivista

APM: É sabido que Taubaté, assim como demais municípios, está enfrentando a pior fase da pandemia, até o momento. Quais são os principais déficits (leitos, medicamentos, equipe, etc.) identificados nas UTIs locais? Dr. Izac: Desde o início, minha observação foi de que as equipes se reuniram e trataram dos preparativos para o enfrentamento da pandemia. Todos os recursos foram otimizados, entretanto, o número de casos cresce de tal forma que tudo parece insuficiente. Há necessidade de especialistas em Terapia Intensiva, em todas as disciplinas. Há escassez de leitos, medicamentos e materiais de proteção.

APM: Quais ajustes são necessários para o que setor atenda plenamente toda a demanda atual? Dr. Izac: A mim, parece claro que precisamos reduzir o número de casos. Isto só será possível com a aplicação efetiva de medidas para interromper a transmissão do vírus. Tratar com seriedade as medidas de isolamento e distanciamento, uso de máscaras e álcool gel e, principalmente, promover a vacinação em massa da população. Precisamos ter assertividade e rapidez. Não há mais tempo para discussões infrutíferas. Parem de ouvir quem não tem familiaridade com o assunto e sigam as orientações dos médicos especialistas no combate às doenças infectocontagiosas. Lidar com vírus não é uma novidade para estes profissionais.

APM: Diante de uma jornada tão sacrificante, o senhor considera ter chegado ao estado de exaustão? Dr. Izac: Muitos de nós tivemos que procurar ajuda, auxílio psicológico e alguma válvula de escape. Eu, particularmente, voltei a fazer terapia. Estou mais dedicado ao esporte (em casa) e à pintura.

APM: O que lhe motiva a continuar lutando contra a pandemia? Dr. Izac: Eu já imaginava, desde o início da pandemia, que viveríamos desafios imensos. Já havia me preparado, pois sabia que minha especialidade (Terapia Intensiva) seria essencial neste momento. Continuo a me comover com a situação, entender a necessidade e também o sofrimento dos pacientes e familiares. É meu dever e foi para isso que me preparei.

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O número de casos cresce de tal forma que tudo parece insuficiente. Há escassez de leitos, medicamentos e materiais de proteção.

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ENTREVISTA

APM: Qual foi a sensação ao receber as doses da vacina? Dr. Izac: Trabalho hoje com um pouco mais de segurança, mas a vacina não nos liberta dos cuidados e das medidas de proteção. Fico na expectativa de que a população seja vacinada com urgência. Neste momento, sim, teremos algum alívio.

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Precisamos ter assertividade e rapidez. Não há mais tempo para discussões infrutíferas.

”

Registramos nosso sincero agradecimento ao Dr. Izac Alessandro de Souza, médico Intensivista e membro da Diretoria da APM Taubaté, que nos concedeu esta entrevista em meio à sua intensa jornada de trabalho. Também registramos nossa gratidão a todos os profissionais citados nesta edição, que generosamente cederam informações e depoimentos sobre Medicina e Saúde, contribuindo com o compromisso estatutário da APM de levar conteúdo de qualidade ao público. Como entidade representativa da classe médica, defendemos que os profissionais tenham acesso a condições adequadas de trabalho para exercerem as suas funções. Ações de amparo como treinamentos, fornecimento suficiente de equipamentos de proteção individual, aconselhamento terapêutico e suporte das chefias são algumas políticas que precisam ser efetivadas pelo governo e pelas organizações, em prol dos trabalhadores que têm exercido papel essencial no combate à pandemia. Aos colegas, abrimos as portas da Associação Paulista de Medicina para acolhê-los nas queixas e nas necessidades.

Dr. Izac faz parte da equipe do “Setor covid” do Hospital Regional do Vale do Paraíba

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Foto: Tatiane Miranda | Assessoria de Imprensa - HRVP

A todos, desejamos que a proteção, a saúde e o ânimo façam parte de seus dias!


MATÉRIA DE CAPA

PROTEÇÃO E ESPERANÇA

Médicos comemoram início da vacinação contra a covid-19 Desde que a covid-19 surgiu e, velozmente, ganhou proporções globais, estratégias de proteção foram adotadas para frear a disseminação do vírus e controlar os impactos da pandemia. A todo momento, representantes da Saúde, do governo e da imprensa alertavam que os cuidados começavam em cada cidadão, e que as medidas individuais, como a prática do isolamento social, o uso contínuo de máscara em ambientes públicos, e a frequente higienização das mãos com álcool em gel, geravam resultados benéficos ao coletivo. Em todo lugar, em cada pessoa, a solução mais esperada era a criação de uma vacina que pudesse proteger do risco de contaminação, afastando a possibilidade da morte. Durante meses, cientistas de todo o planeta trabalharam incansavelmente em pesquisas e testagens, que pudessem levar a um imunizante capaz de minimizar o risco ofensivo do coronavírus.

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No dia 21 do mesmo mês, a vacinação começou a ser realizada nos profissionais da Saúde de Taubaté. Foram priorizados os trabalhadores pertencentes à “linha de frente”, os quais estavam mais expostos à transmissão da covid-19. Na sequência, foram vacinados os demais funcionários da Saúde da rede pública e privada. A fim de conhecer o sentimento adquirido diante desta imunização, - que ainda não vivenciada pela grande parcela da sociedade -, a APM entrou em contato com médicos de Taubaté e região. Eles relataram a sensação vivida no momento da vacinação e compartilharam suas expectativas para os próximos episódios de enfrentamento da pandemia.

Foi um dos momentos mais emocionantes que senti na minha carreira de médico. Uma sensação de alívio e esperança!

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Dr. José Roberto Megda Médico Pneumologista, Medicina do Sono / Taubaté

Que toda a população tenha acesso à vacina e que ela possa nos proteger contra esta doença imprevisível! Dr. Johnny Tah Ji Ng Médico Especialista em Acupuntura / Taubaté

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Foto: Arquivo | Dr. Johnny Ng

Foto: Arquivo | Dr. José Roberto Megda Filho

No início de 2021, com alívio e esperança, a população recebeu a notícia de que os estudos foram promissores, e que os laboratórios já estavam produzindo os insumos que poderiam salvar o mundo da pandemia.

Em 17 de janeiro, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o pedido de uso emergencial das vacinas “CoronaVac” - produzida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, e “AstraZeneca” - desenvolvida pela Fiocruz com a Universidade de Oxford. A partir daí, “deu-se a largada” para a imunização do povo brasileiro. Cabia ao poder público adquirir os lotes - dentro das possibilidades, e administrar a distribuição das doses para os estados e municípios.


Foto: Arquivo | Dra. Flávia Brito

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MATÉRIA DE CAPA Depois de um ano trabalhando e vivendo com medo, a emoção de ser vacinada vem junto com a esperança de que logo todos seremos, e a força do vírus diminuirá até voltarmos a viver normalmente. É a esperança de que a gente mate a saudade de todos e de tudo que sentimos falta. É a esperança da proteção de quem amamos. Vacina para todos!

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Dra. Flávia Brito Médica Ortopedista / Guaratinguetá, Taubaté

Foto: Arquivo | Dr. Felipe Mayer

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Opero quase todos os dias da minha vida, mas quanto mais eu opero, mais eu tenho certeza que o certo é a prevenção! Até a vacina chegar a nossa classe, só conseguia remediar e paliar o coronavírus. Estávamos enxugando gelo! Mas agora as coisas mudaram, estamos com a faca e queijo em nossas mãos. Sabemos como vencer essa guerra “pela raiz”, sabemos como prevenir! Temos que ser espertos. Temos que ouvir os médicos. Vamos vacinar todo mundo!

”

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A vacinação é a única forma de efetivamente conseguirmos reduzir a transmissão, diminuir as mortes e, em última instância, termos esperança de voltarmos para a vida que chamávamos de normal. Como médico, sinto-me na obrigação também de dar o exemplo e ajudar a conscientizar a população em meio a tanta desinformação propagada.

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Dr. Vinicius Cordeiro da Fonseca Médico Cirurgião de Emergência e Trauma, do Aparelho Digestivo / São José dos Campos, Taubaté

Ser vacinado contra a covid-19 foi uma injeção de esperança e de ânimo para podermos continuar lutando contra essa doença que está vitimando milhares de famílias mundo afora. Que todos possam ser vacinados o quanto antes para que, juntos, vençamos esta guerra!” Dr. Guilherme Pedrosa Guizelli Médico Anestesiologista / Taubaté

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Foto: Arquivo | Dr. Guilherme Guizelli

Foto: Arquivo | Dr. Vinicius Cordeiro

Dr. Felipe Mayer Reis Médico Cirurgião Geral, Laparoscopia / Pindamonhangaba, São José dos Campos, Taubaté

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Dra. Renata Martins Coradini Médica Ginecologista, Obstetra / Taubaté

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Foto: Arquivo | Dra. Gabriela Louzada

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A vacinação significou para mim um recomeço. Mesmo sabendo que o fim está um pouquinho longe, voltei a ter esperança em dias melhores.

Viva a vacina! Viva a ciência! Viva a Medicina! Viva o SUS! Viva a prevenção! E viva à imensa rede de bondade que fez esta vacina chegar até mim! Que chegue logo a todos!

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Foto: Arquivo | Dra. Luiza Sizue

Dra. Gabriela Maria de Barros Louzada Médica Ginecologista, Obstetra / Taubaté

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Nem a máscara esconde a alegria que a vacinação trouxe para nós da linha de frente. Vitória da ciência e do SUS. Esperança de dias melhores. Dra. Luiza Sizue Médica Clínico Geral / Taubaté

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A pandemia é o maior desafio da Medicina moderna, e a única forma eficaz de combatê-la é vacinando! Quando chegar a sua vez, não perca tempo! Vacine! Dr. Pedro Marcitelli Neto Médico Pediatra / Caçapava, Pindamonhangaba, Taubaté

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Foto: Arquivo | Dr. Pedro Marcitelli

Foto: Arquivo | Dra. Renata Coradini

MATÉRIA DE CAPA

Como entidade representativa da classe médica paulista, registramos nosso respeito à comunidade científica e à categoria de profissionais da Saúde, que têm enfrentado jornadas exaustivas no ofício de salvar vidas. O caminho a ser perseguido ainda é longo! Precisamos de vacinas para proteger a todos os cidadãos. Precisamos de leitos e insumos para tratar os doentes. Precisamos de um sistema de saúde disponível e capacitado. Precisamos da colaboração de todos, desconstruindo a resistência de uma parcela cética da população. Precisamos de protocolos unificados e eficientes. A pandemia tem que ser enfrentada com base na ciência e com o empenho coletivo.

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Estudos mostram que 1 em cada 10 tem bipolaridade

Foto: Reprodução

APM REGIONAL SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Por: Dr. Odeilton Tadeu Soares DIRETOR CIENTÍFICO - APM REGIONAL SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Antigamente, os pesquisadores só consideravam bipolares as pessoas que apresentavam sintomas da bipolaridade por, no mínimo, quatro dias. Com o passar do tempo, foi percebido que muitas pessoas têm oscilação do humor em períodos menores, como um ou dois dias ou, pasmem, até no mesmo dia. Assim, hoje sabemos que as pessoas podem acordar mais deprimidas e ao longo do dia apresentar mudanças de humor que podem passar por uma simples irritabilidade, mas podem chegar a uma exaltação de difícil controle, o que simplesmente pode arruinar um casamento, ou até mesmo afastar um filho do núcleo de uma família. As pessoas que pertencem ao Espectro Bipolar permanecem a maior parte de suas vidas em depressão, mas sabemos que é um tipo de depressão diferente, que os pesquisadores convencionaram chamar de depressão bipolar. Esta depressão é diferente, pois sabemos que os pacientes com depressão unipolar não têm variação do humor. Permanecem praticamente todo o tempo sem energia, com pouca disposição para sair de casa, sem motivação para trabalhar e com uma

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tristeza contínua. Já os pacientes portadores da bipolaridade, ao contrário, frequentemente têm acessos de irritação ou mesmo raiva, têm energia para fazer muitas coisas. Sentem-se acelerados, pilhados. Iniciam projetos com muita frequência, como estudar ou começar uma academia, mas raramente conseguem levar adiante, pois em outro momento, que pode ser no dia seguinte, encontramse completamente apáticos e sem energia. São pessoas que, devido à instabilidade do humor, raramente conseguem manter um relacionamento estável. Brigas e desentendimentos frequentes as tornam cansativas para os outros. Têm o sono irregular. Muitas vezes dormem pouco ou têm uma necessidade diminuída de sono, e frequentemente apresentam o que chamamos de inversão do sono, ou seja, passam a noite acordados, com uma produção que não acontece durante o dia – um paciente disse que só conseguia compor seus poemas durante a madrugada – passando a maior parte do dia dormindo, com sensação de mal-estar e tristeza.

coisas, e recebem o diagnóstico simplesmente de depressão. Sabemos que metade dos pacientes diagnosticados inicialmente como depressivos unipolares, na verdade são bipolares. A consequência deste erro diagnóstico é drástica, pois a maioria destes pacientes vai receber antidepressivos, que muitas vezes, por jogar o ânimo do paciente para cima, podem induzir à oscilação do humor, aumentando as crises de agitação, aceleração do pensamento, ansiedade e agressividade, que pertencem ao polo oposto da depressão, também conhecido como hipomania, que caracteriza as pessoas que pertencem ao Espectro Bipolar. O correto é procurar o psiquiatra, para um diagnóstico preciso, e iniciar tratamento adequado, que muitas vezes reconduz o paciente para uma vida tranquila, com recuperação do trabalho e da vida conjugal.

São pessoas com baixa autoestima e também pequena autoconfiança, pois sentem-se incapazes de concluir um trabalho, mesmo que seja simples, como manter a sua casa organizada. Este transtorno, ainda hoje, é pouco reconhecido pelos médicos, talvez porque os pacientes os procurem quando se sentem deprimidos, tristes, sem vontade de fazer as

Foto: istockphoto

Se você achava que aquele vizinho do apartamento de cima, que ficava gritando com a esposa quase todos os dias, era bipolar, talvez você estivesse certo. Estudos realizados em Zurique, na Suíça, e replicados em quase todo o mundo, inclusive no Brasil, mostram que até 10 % da população preenche critérios diagnósticos para o chamado Espectro Bipolar.


APM REGIONAL GUARATINGUETÁ

Foto: Reprodução

Falando de Vinho... Confrarias Por: Dr. Antonio Diniz Torres Médico Cardiologista / Membro da APM

É fato que o vinho reúne amigos ao seu redor, facilita a socialização e complementa uma refeição com “chave de ouro”. Os enófilos mais conservadores não se cansam de entoar a máxima: - “Uma refeição sem vinho não é refeição!”. Mas o que observamos neste momento de pandemia, de distanciamento social, foi um fenômeno ímpar, no qual as pessoas, permanecendo em suas casas, foram em busca de novas experiências, encontrando no vinho um amplo território para explorar. Arriscaram um vinho mais dispendioso, com uma uva diferente, branco, tinto, rosé, e descobriram uma agradável maneira de passar o tempo com mais prazer. Vários especialistas tentam explicar o aumento nas vendas e no consumo de vinho. No entanto, independente das causas, nós, os apreciadores da bebida (os amigos do vinho), temos que comemorar também, pois o que recebemos são muitas ofertas preenchendo todas as expectativas de variedades, qualidades e preços. Sempre fui e continuo sendo um

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entusiasta das confrarias, e nestes tempos temos visto muitas reuniões virtuais. Assistimos a reinvenção do formato e testemunhamos uma ampliação do quadro dos confrades em algumas destas irmandades. Particularmente, vimos as reuniões dos confrades serem deslocadas para as suas residências e ganharem o formato digital, deixando vazios os restaurantes e bares que outrora abrigavam estas reuniões. Os confrades ocuparam as mesas de suas casas e trouxeram junto suas respectivas famílias. Passamos a ter, ao invés de um confrade, um casal de confrades. O sentimento da necessidade das reuniões foi expandido e ganhou o apoio da “família”. As reuniões tornaram-se mais regulares, porém, com presença à distância.

amizades fraternas. Novos tempos exigem adaptações e estamos presenciando a reinvenção do vinho, que lentamente vai conquistando e reconquistando espaço, criando hábitos, e reforçando costumes. A sugestão é aproveitar a “onda”, reunir amigos e pessoas afins, criar uma confraria e desfrutar de bons momentos com reuniões virtuais, até que estejam liberadas as reuniões presenciais. Bons vinhos para todos, em especial para os “confrades”, e se beber não dirija, pois IN VINO VERITAS mas IN ACQUA SANITAS.

Com as ferramentas disponíveis, todos participam e trocam experiências sensoriais durante a degustação em tempo real, sem aglomeração, mas com muita intimidade reforçando os laços de amizade e ampliando a necessidade da participação dosconfrades. Compra-se mais garrafas do mesmo vinho, entrega-se em diferentes endereços, e a confraria cresce quando promove a degustação simultânea com o intercâmbio das impressões individuais. As confrarias são ambientes que permitem o crescimento do conhecimento sobre vinhos e ainda viabiliza situações mais favoráveis para a compra de produtos mais elaborados e caros, estreita relacionamentos, e reforça as

Foto: Stock Adobe

Recentemente, foi divulgado que durante o ano de 2020, o consumo de vinho no Brasil teve um aumento da ordem de aproximadamente 20%. Isto incrementou os investimentos dos vários setores do comércio de vinho. A área do varejo respondeu ativamente aumentando a oferta, tanto de produtores nacionais como de estrangeiros. Com a maior oferta e o crescimento do e-commerce, ocorreu também uma melhora na logística, por vezes, com entregas em prazos menores que 24 horas. Este fato foi observado em todas as regiões do país.


DIRETÓRIO ACADÊMICO BENEDICTO MONTENEGRO - DABM

Até quando? POR: GESTÃO DABM - 2020 / 2021 “A união conquista o que com equilíbrio se constrói” A semana do dia 14 de março de 2021 marca um ano do início da interrupção das atividades estudantis normais dos acadêmicos da Faculdade de Medicina de Taubaté, devido a atual pandemia de covid-19, o que resultou em aulas teóricas remotas e as práticas suspensas, tanto na faculdade quanto no hospital.

que foi assegurado pelo Ministério da Saúde.

Atualmente, apenas os alunos do Internato, 5º e 6º anos, já retornaram às suas atividades presenciais nos hospitais e Unidades Básicas de Saúde da região, e, ainda assim, contam com carga horária reduzida.

Também, como representante dos alunos de Medicina, gostaríamos de agradecer aos professores da Faculdade de Medicina de Taubaté que não mediram esforços para se adaptar neste período tão difícil para todos.

Enfrentamos o problema da defasagem das atividades hospitalares com os alunos do Ciclo Clínico, 3° e 4° anos, que possuem curricularmente uma expressiva carga horária semanal nestes locais. Porém, ainda sem autorização para frequentarem os campos de estágio, hoje contam apenas com as práticas laboratoriais dentro do Campus Bom Conselho, enfrentando o risco de ingressarem no Internato sem o adequado cumprimento curricular prático. A situação acontece mesmo com o decreto Nº 65.384, de 17 de dezembro de 2020, promulgado pelo Governo do Estado de São Paulo, que afirma, no parágrafo único do Art. 4, a permissibilidade das aulas e atividades presenciais dos cursos de Medicina, as quais poderão ser retomadas em qualquer fase do Plano São Paulo. Ainda com a possibilidade legal para o retorno, não obtivemos grandes alterações para a melhoria das práticashospitalares que estão defasadas.

Por fim, frisamos que a luta do DABM continua, sempre representando os interesses dos alunos desde a nossa fundação. Desejamos aulas práticas de qualidade, presenciais e nos hospitais. Não nos calaremos diante da tamanha urgência da atual situação, já que temos a convicção de que o curso de Medicina é um curso presencial por definição, e necessitamos retornar com as atividades práticas presenciais, respeitando os protocolos de segurança.

No início, achávamos que não seria tão prejudicial e que a vacina chegaria logo para darmos continuidade às nossas atividades, já que a profissão necessita, principalmente, da experiência prática. Porém, o tempo passou e mesmo com a chegada da vacina, pouco mudou. Continuamos sofrendo todas as dificuldades enfrentadas para aprender a Medicina à distância, dentre elas, não ter acesso aos nossos principais ambientes de estudo, oshospitais, impedindo a construção das relações médico-paciente.

Diante disso, o papel do Diretório Acadêmico Benedicto Montenegro (DABM) sempre foi representar e lutar pelas demandas e qualidade de ensino dos alunos. Atualmente, estamos focados no retorno das atividades práticas hospitalares e, por consequência, pela vacinação, direito

Foto: Arquivo | DABM

Ressaltamos que, mesmo com as dificuldades trazidas pela pandemia, o pagamentointegral das mensalidades foi mantido.

Sendo assim, no dia 2 de fevereiro, convocamos uma reunião com o atual Secretário da Saúde, com a Reitora da Universidade de Taubaté, a Pró-Reitora de Graduação, a atual Diretora do Departamento do curso de Medicina, além de professoras representantes de outros Departamentos da Unitau. Nesta, discutimos as preocupações diante da necessidade da vacinação dos acadêmicos de Medicina e de outros cursos da área da Saúde. Cumprindo a recomendação do Ministério da Saúde, o Secretário da Saúde se prontificou a receber os ofícios com os nomes dos acadêmicos expostos a ambientes hospitalares, e autorizá-los à vacinação assim que houvesse disponibilidade das doses. Contudo, hoje, apenas os acadêmicos do Internato foram vacinados. Estamos aguardando as doses repassadas pelo Governo do Estado para o Município de Taubaté, para que sejam direcionadas para o Ciclo Clínico, algo de extrema importância para o retorno das atividades hospitalares e segurança deste grupo de alunos.

Membros da gestão 2020 / 2021 do DABM

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Publicidade Médica Ética

Foto: Arquivo | Dra. Maísa de Castro Lopes

ÉTICA MÉDICA

Por: Dra. Maísa de Castro Lopes ADVOGADA ESPECIALISTA EM DIREITO MÉDICO E DA SAÚDE

A divulgação deve ter caráter exclusivamente educacional com conteúdo informativo orientando sobre determinada doença, dicas de prevenção, e demais conteúdos que ajudem de alguma forma o paciente ou o público em geral. Na Resolução Nº 1.974/11, o Conselho Federal de Medicina (CFM) dispõe sobre importantes normas de publicidade médica, e em seus critérios gerais de publicidade e propaganda, tanto de profissional individual quanto para estabelecimento de serviços médicos particulares, exige que conste: nome completo do médico; o registro do médico junto ao CRM, com numeração e Estado; a especialidade (no máximo duas) e o número de registro de qualificação de especialista (RQE). A publicidade médica é caracterizada por qualquer formato que divulgue a atividade do profissional do médico e sua participação em jornais, retratos, revistas, outdoor, rádio, TV, folders, busdoors e internet. Atualmente, a relação entre médico e paciente muitas vezes se inicia nas mídias sociais. De acordo com a Resolução Nº 2.126/2015 do CFM, são consideradas mídias sociais: “sites, blogs, Facebook, Twiter, Instagram, YouTube, WhatsApp e similares”. Com o crescente uso das redes sociais, também foi crescente o índice das sindicâncias. Segundo dados da Comissão de Divulgação

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de Assuntos Médicos (CODAME), entre 2016 e 2020, 51% da origem das sindicâncias foram provenientes de publicações veiculadas na internet. As publicações pessoais revestidas de profissionais podem ser consideradas autopromoção, que é prática condenada e passível de investigação por parte do Conselho Regional de Medicina (CRM). É preciso ter muito cuidado com pacientes que são atraídos até o médico em razão de postagens de “antes e depois”, ou de realização de procedimento que promete resolver o problema de saúde com divulgações de técnicas, pois são expressamente proibidas pelo Art. 13 da Resolução Nº 2.126/15 do CFM, bem como as publicações reiteradas por paciente ou terceiros mostrando “antes e depois”. O que ocorre muitas vezes, é que o paciente leva o “print” ou o vídeo para o médico na expectativa do resultado, e ainda que haja termos de consentimento e contrato, ele continuará focado no resultado que visualizou nas postagens das mídias sociais do médico, ou de outro médico, mas quando o paciente não obtém o resultado esperado, ingressa com ação judicial e éticodisciplinar. A exposição do paciente é permitida apenas em trabalhos e eventos científicos, conforme dispõe o Art. 10 da Resolução de 1974/2011 do CFM, desde com autorização expressa. São vedadas outras formas de exposição mesmo que o paciente autorize, ainda que seja para mostrar métodos ou técnicas utilizadas

no tratamento. A conduta pode ser caracterizada como uma tentativa de autopromoção, o que pode levar à concorrência desleal. E quanto à selfie do médico? É vedada, pois pode caracterizar sensacionalismo, autopromoção ou concorrência desleal. Não é qualquer tipo de publicidade que está amparada pelo Código de Ética Médica, e as empresas de marketing que são contratadas precisam estar cientes do que é ou não é permitido. Outro ponto é o compartilhamento de informações de pacientes entre médicos para troca de informações em grupos fechados. A identidade do paciente deve sempre ser preservada. Deve-se colocar tarjas nas faces e na identificação de exames laboratoriais ou de imagem. Além da exposição, é possível que ocorra outra implicação: o compartilhamento de dados pessoais do paciente. Portanto, evite: atestar garantia de resultados; divulgar informações duvidosas ou sem respaldo científico; divulgar valores e promoções de consultas; divulgar técnicas não aceitas pelo CFM; divulgar especialidade que não tenha, mesmo que atue na área; fazer publicidade médica para se promover.

Foto: Flaticon

A premissa do Código de Ética Médica é que a publicidade médica seja pautada pelos princípios éticos para que não torne a Medicina meramente comercial.


FOTOGRAFIA EM CIRURGIA PODE SER

Imagem : Arquivo | Dr. Diego Adão

CRIME!

Profissional, sempre solicite o consentimento do seu paciente para registro de imagem e nunca divulgue fotos ou vídeos nas mídias sociais! É vedado ao médico fazer referência a casos clínicos identificáveis, exibir pacientes ou seus retratos. (Artigo 75, Código de Ética Médica, 2013)


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Invista em seu consultório, economizando! O grande propósito da Associação Paulista de Medicina é atuar na Defesa Profissional, dando voz às necessidades e aos direitos da categoria médica. Através da representatividade que conquistou ao longo de sua história, a entidade ganhou acesso ao poder público para estabelecer reivindicações e obter melhores condições para o exercício da carreira. Junto à luta pela profissão, a APM também oferece suporte às questões trabalhistas (individuais e coletivas), incentiva o ensino médico, e concede variados benefícios aos médicos que se unem à entidade. Uma destas vantagens é o Club APM, um portal de compras de produtos e serviços, que promove descontos exclusivos para os associados. São dezenas de oportunidades, nos mais diversos segmentos, que poderão atender necessidades pessoais e profissionais. Seja redecorando a casa ou modernizando o consultório, o médico economiza!

Imagem: FreepiK

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LITERATURA

“Exaustão física e mental” Por: Dra. Clara Fagundes Médica plantonista - Belo Horizonte | MG *Texto retirado da internet: Instagram | @mcafclara

- “Fulano, tudo bem?” - “Doutora, me ajuda. Não me deixa morrer não.” Lágrimas escorrem pelos olhos. Tento ser forte. Paciente sem pulso. Paciente parou. Inicia RCP. Adrenalina. Checa ritmo. Desfibrilador. Amiodarona. Retorna as compressões. 20, 30, 60 minutos. Midríase fixa. Cianose central. Nada de pulso. - “Continua, gente. Não para!” 1h40 depois de RCP, óbito. Lágrimas escorrem pelos olhos. Choro compulsivamente. Sensação de impotência total. Enquanto tento engolir o choro, a Dona Maria entra grave na emergência, já sem conseguir falar. - “Máscara de oxigênio, por favor!”

Mesmo com oxigênio, a dispneia persiste. Saturação de 50% em MAF. Preparar material de intubação. Posicionar paciente. Oxigenar com O2 a 100%.Sequência rápida de sedação. Laringo. Tubo. Ausculta. Conecta ao ventilador. Ajusta os parâmetros. - “Doutora, paciente com falta de ar. Precisando de oxigênio”. - “Não tem leito!! Não tem ponto de oxigênio!! E agora??” - “Corredor.” - “Pede uma bala de O2.” - “Deixa no corredor.” - “Tenta transferência.” - “Não dá!” Sistema de saúde em colapso. NÃO TEM LEITO! NAO TEM VAGA! NÃO TEM OXIGÊNIO! Difícil conter as lágrimas! Difícil permanecer forte! Difícil não ser humano! Difícil ser de ferro! Difícil não desabar!

Há mais de um ano, lutando contra esse vírus. Correndo o risco de me contaminar e contaminar meus familiares. Passando 24, 36, 48h no hospital. Abrindo mão da minha vida pra cuidar da vida dos outros. Por amor, por opção, por vocação! Mas está cada dia mais difícil! Exaustão física e mental tomando conta. Aumenta a chance de depressao, sd., Burnout. E aqui vou seguindo: cansada, exausta. Dando o meu melhor, mesmo quando ele não é suficiente. Lutando contra vida x morte. Sofrendo calada com cada perda. Tentando ser mais humana. Superando meus limites. Pedindo a Deus pra olhar por cada um de nós e nos dar força. A covid não escolhe classe social. Não tem preferência por sexo ou raça. O VÍRUS MATA! FIQUE EM CASA! POR MIM, POR VOCÊ, POR NÓS! Foto: Arquivo | Dra. Clara Fagundes

- “Doutora, corre aqui! Paciente parando.”

Ilustrações: Cazo

HUMOR

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24ª Edição - Revista Médicos do Vale by APM Taubaté - Issuu