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REVISTA POETIZAMOS nº 01 - JUNHO 2020

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Revista

Nº 01 – Junho 2020

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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E X P E D I E N T E: Revista Poetizamos é uma produção independente Contatos: andreluizoab@yahoo.com.br – (16) 981135265

Rua Alvares Cabral, 464 - 7º andar – Conj. 710 – Centro CEP: 14010-908 - Ribeirão Preto - SP Produção, diagramação e edição: André Luiz da Silva Capa: imagem de internet - Centro Cultural Palace de Ribeirão Preto Os textos assinados são de responsabilidade de seus autores .

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Editorial Ao comemorar seu primeiro aniversário, a Página Poetizamos presta homenagem a escritores e colaboradores. Trata-se de uma seleção de 60 textos publicados no período de junho de 2019 a maio de 2020. Uma oportunidade de eternizar, nas mídias digitais, aquilo que já foi registrado e compartilhado nas páginas impressas do Jornal Enfim: a excelente produção literária local. A Página Poetizamos é publicada semanalmente no Jornal Enfim e apresenta trabalhos de escritores nascidos ou residentes na Região Metropolitana de Ribeirão Preto. São textos de todos os gêneros e formas, apresentando jovens talentos, escritores amadores e consagrados. Sem filtros, sem exigências, sem preconceitos, apenas valorizando a arte de poetizar. Agradecemos a sensibilidade do Jornal Enfim ao propor a parceria, que certamente ficará registrada na história da literatura regional.

André Luiz

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Índice A. Thomazinho

Dentistas sorriem da nossa infelicidade

7

Adriano Roberto Pelá

Acontecer

8

Alceu Bigato

Hoje venho agradecer

9

Alciony Menegaz

Revivendo

10

Amélia Florencia

Escrevo-me

11

Alfredo Rossetti

Pote de ouro

13

André Luiz da Silva

Mapa da violência

14

Camilo André Mércio Xavier

Olhos

16

Castilho

Mil luas para te esquecer

17

Celia Silli

A pele

18

César Augusto

Cadeira de balanço

19

Cléo Reis

Dança na plenitude

20

Conceição Lima

Desalento

21

Conceição Pessica

Sem confetes pro corona

22

Dênis Eduardo Bó

Soneto nº 9

24

Elisa Alderani

Olhos tristes

25

Fátima Moreira Mello

Criança

26

Fernanda Junqueira

Amor silvestre

27

Fernanda Ripamonte

Imigrantes

28

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Ferriani

Morri

29

Gabrielle Ferreira Soares

Professor

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Geovah Paulo da Cruz

Rosa

31

Gina Higino

Boneca

32

Helena Agostinho

Primavera

33

Heloísa Martins Alves

Confissão - ele e ela

34

Ithamar Vugman

Dizem por aí

35

João Nery

Manifesto

36

Luizz Júnior

Estrela da manhã

37

Leda Pereira

Incertezas

38

Leonor Dalva Barros Réa

Eu continuo sendo uma criança

39

Letícia Pessica

Verdadeira riqueza

40

Lorrayne Alves Moon

Conexões

42

Luciana B. Schardosim

Descanse em paz

43

Luciane Aparecida Matheus

Surge et excital (acorda e desperta)

44

Luzia Aparecida da Silva

Viva

46

Luzia Madalena Granato

Sem ilusão

47

Mara Senna

Devoção

48

Marcos Moreira

“Poesia e sementes”

49

Marcos Vinicius F. E. Oliveira

Poema advogado

50

Maria Luiza N. Guimarães

Chuva na primavera

51

Maris Ester Souza

Néctar da vida

52

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Marisa Helena R. Facci Ruiz

Antiprincesa

53

Marlene B. Cerviglieri

Domingo e primavera

54

Marta Freitas

Lua e estrela

55

Nei Mendonça

O velho e o novo

56

Nelson Jacinto

A magia do poeta

58

Nelson Moreira

Gostar de você

59

Nely Cirino

Viração

60

Perce Polegatto

Na esquina onde se amontoa o lixo...

61

Radharane B. P. de Almeida

Artista plástico

62

Regina Helena Gomes

Transformação

63

Ricardo Nogueira

As estrelas vão me guiar

64

Rita Cruz

A arte da poesia

65

Samara Sharon de Oliveira

Donzela floral de Kadupul

66

Simone A. Kalil Neves

Vida

67

Sonia Albuquerque

Voo

68

Tereza Junqueira

Busca

69

Ton. César

Educação! É lixo no latão

70

Wanise De Ávila Corrêa

Carta ao tempo

71

Ziney Santos Moreira

Primavera o meu coração

72

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DENTISTAS SORRIEM DA NOSSA INFELICIDADE Para “todas as mães aflitas” Você mastiga clicletes? Não deve. Você consome açúcar? Não pode. Você aprecia doces caseiros? Não é certo. Você adora maçã do amor? Não, estraga tudo. Você come chocolates? Não é possível. Você chupa balas? Não é aceitável. Você gosta de pipocas doces? Não faça isso. Você deseja salada de frutas com “chantilly”? Não é permitido. Você implora por um pirulito? Não, isso é perigoso. Você consome arroz doce? Não é justo. Você bebe café açucarado? Não é bom. Você mastiga rapaduras? Não diga sim. Você se lambuza em sorvetes caramelados? Não é louvável. Você consome algum algodão doce? Cuidado, perigo à vista. Diante de tudo (check-up), Consulte seu dentista sobre as horas aflitas. A. Thomazinho

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ACONTECER

Não sofreu por amor! Nunca amou. Arvore ressequida, Não se submeteu a podas regeneradoras, Nada produz, apenas hastes estéreis. Árvores, devastadas em podas intempestivas. Reagem, brotam, florescem, frutificam. Seres que não se entregam ao amor, Madeiros secos, inglórios. Amar, viver, transcender, Sofrer a dor e o prazer! Pulsar, vibrar, amar! Acontecer... Adriano Roberto Pelá

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HOJE VENHO AGRADECER

Mesa do bar, hoje não estou aqui para beber. Você sabe, mas venho confirmar que sou ex-boêmio. Dentre tantas coisas quero te agradecer O suor de minhas mãos devorou o seu verniz. Errar é humano; culpar os outros também. Culpei você e a música pelos erros que fiz. Dizia que a jovem guarda com a explosão iê-iê-iê Me propiciava bebidas ; igual O Fino da Bossa. Mesa do bar, agora vou falar mais sobre você. Em seguida, música boa era coisa nossa.

Tenho certeza que você me ouve sim, sabe por quê? Tenho amigos poetas e, para eles, Tudo tem alma, força estranha, sei lá o quê. Só sei que a música me fez saudosista. Não porque sou peça de museu ou porque sou coroa. A música é boa não porque é velha; É velha porque é boa.

Alceu Bigato

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REVIVENDO

Por que essas lágrimas Teimam em brotar dos meus olhos? Aparentemente está tudo bem, Tudo tranquilo, o dia lindo... Ah! São essas lembranças... As recordações deixam marcas tão profundas, Como cicatrizes não removíveis, Como as marcas de ferro em brasa nos animais. Quando afloram à nossa mente, É um reviver, às vezes muito doloroso, Talvez, pela certeza de que não há volta, Quiçá uma nova chance.

Alciony Menegaz

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ESCREVO-ME

Eu me escrevo para não me perder E escrevendo me perco Dentro do mar em mim Em cada palavra que traço Escrevo ou digito Eternizo parte do que sufoca minha mente Afrouxo o laço que amarra meu coração Cada verso que completo É uma frase que desafoga Parte da minha mente Parte da minha alma Parte de mim para os outros E continua partindo Tudo que deposito nos textos Sempre sem intenção de partilhar Acaba sendo a mais pura face Que um dia eu poderia ter E é por isso que só eu poderia ver Mas falho, e mostro a você Mas se mostro, acredite Em cada letra escrita aqui Tem um pedaço de mim Do que sou Do que fui Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Do que posso ser E aguardo ansiosa O dia que voltarei a ler Com uma expressão de dúvida Júbilo e vergonha E direi a mim mesma Essa já não sou eu E escreverei novamente Dia após dia Me achando dentro do mar em mim

Amélia Florença

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POTE DE OURO

O poeta sabe onde pisa se pisa no seu vácuo. Um estado assim de considerar como seu pote de ouro, sua cabeceira da cama. Sabe andar nas estrelas e não cultiva flores no chão. O poeta finca mistérios não seus, mas nunca nina suas palavras consumadas. O poeta é todo busca mas não sem fim posto a poesia ser finda em si mesma, companheira eterna de instantes. Com um palito de fósforo: único, solitário e essencial.

Alfredo Rossetti

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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MAPA DA VIOLÊNCIA

Certamente era ela A princesa da quebrada E quando estava arrumada A mais bela da favela Deseja um amor Procurava ser alguém Estudava com rigor Para prestar o Enem Foi naquele sabadão Que ninguém vai esquecer Todos foram ao Pancadão Ela preferiu não descer Ficou em casa estudando A história do Brasil Escutou um forte estrondo Era um tiro de fuzil Levou a mão ao peito Sentiu o sangue escorrer Caiu próxima ao leito Nem deu para socorrer Não conseguiu o diploma Sonho antigo de seus pais Que tiveram mais um drama Estampado nos jornais

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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O povo está revoltado Já perdeu a paciência Ela agora é mais um dado No mapa da violência

André Luiz da Silva

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OLHOS os olhos dos jovens e de todos nós tem mar dentro guiados pelo ritmo das ondas tocados pela força dos ventos enfunam as velas das nossas vidas que se abrem e se fecham ao sabor das circunstâncias dos contatos, das imagens concentrados no espaço eles enxergam e selecionam interagem e participam de todos os momentos tanto os de ontem como os de hoje vivenciados agora... Camilo André Mércio Xavier

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MIL LUAS PARA TE ESQUECER

O sol ia se acabando Já não havia suspiros e pensamentos O vento voava E levava junto os meus sentimentos.

Fechei meu sonho, para chamá-lo e tu já não me ouvias mas ouvias a serenata que em seu orgulho ecoava.

Ondas seguidas de saudade Tu, que foste minha primeira paixão Quisera só amizade Deixando um buraco em meu coração.

Passaram-se as luas e já não penso mais em você meus olhos agora descansam de todo mar que o fez correr.

Castilho

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A PELE

Naquele angustioso final de tarde de um horizonte triste e sonolento, tantas cigarras faziam alarde. Som estridente abala o desalento.

Da janela, o olhar do leito acompanha, o paciente vê o fardo no atalho suor escorre tarefa tacanha... trabalho duro, ganho rebotalho.

O doente com sua voz frágil, gostaria ser labutador, fantasia de um delírio ágil.

Semi-inconsciente ainda se explica: saúde, vigor do trabalhador sol arde e cora a pele e modifica!

Celia Silli

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CADEIRA DE BALANÇO

A cadeira de balanço balança embalando-me num sonho de criança aos poucos como se dormisse vou pra outro mundo. Esqueço a cadeira esqueço que sou criança águas turvas e agitadas cobrem o meu corpo físico levam-me de encontro às pedras enrosco-me em raízes submersas vejo mãos ajudando-me vejo olhos cuidando-me as águas tornam-se calmas clareiam continuam levando-me à tona e não ao fundo entro por campos floridos sinto paz progresso trabalho divirto-me apaixono-me sofro sou feliz passa tudo tão rápido vejo tudo isso agora mas parece que dormi quando ocorreu parece que foram sonhos e pesadelos acordo! Meu netinho balança-se na cadeira de balanço mira-me com os seus grandes olhos negros e pergunta: – onde você foi, vovô? César Augusto

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DANÇA NA PLENITUDE Dançarei com você a dança do mundo reconstruído No Cosmos de energias suaves e flores no arco-íris Entrelaçarei as suas mãos às minhas- de imensa ternura contida Transfundiremos amor pleno à alegria do silêncio energizante Dançará na brisa a realização cósmica em cores transcendentais de duas Almas amalgamadas no coração do Universo. Cléo Reis

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DESALENTO

Metade da vida Vivi ferida... A outra metade, Ferindo... E entre a dor E o desamor, E S V A I U –se-me

O tempo... E a FELICIDADE !...

Conceição Lima

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SEM CONFETES PRO CORONA

Em Fevereiro tem Carnaval Antes uma festa profana Agora é bem aceita Porque rola muita grana

É muita gente ganhando Então porque não gostar A gente aceita e tolera Pra todo mundo ganhar

É trio elétrico é show Espalhados no Brasil Quem nunca teve vontade De ver o carnaval do Rio

Mas será que a nossa saúde Vai prezar mais o dinheiro Ou reforçar as fronteiras Por conta dos estrangeiros

O Corona está se alastrando Como mostram as pesquisas Vamos manter o Brasil Longe dessas estatísticas Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Nós não temos estrutura Pra uma doença assim Não cuidamos nem da dengue Que dizer de um vírus assim

Se uma doença como essa Invade nosso país Perderemos muita gente Como nunca já se viu

Não estou sendo alarmista Só expondo a realidade Tem que ter um rigor sério Para não sofrer mais tarde

Conceição Pessica

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SONETO Nº 9

Quando um homem ama uma mulher O crepúsculo penetra a aurora O sol no céu se apressa Tão curto, o tempo com ela Quando um homem ama uma mulher O abraço é pouco, o beijo é pouco Tudo tampouco é tudo Mas é tanto, o soslaio dela… E o pardal canta o amor E o guarda apita o amor E o neon anuncia o amor Enfim, não digo mais sobre o amor As palavras não amam Só minh'alma a tem tamanha.

Dênis Eduardo Bó

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OLHOS TRISTES

Nos teus olhos onde a tristeza brilha... Eu sei tão pouco destes teus segredos Que no fundo do coração são trilhas Para percorrer até estes rochedos...

Como ajudar-te a encontrar a flor Que esta vida difícil ainda esconde Por traz das aparências desta dor Porque o amor que esperavas não responde...

Irá tu resolver este problema Só porque ninguém pode caminhar Levando teu fardo que é um dilema.

Se as nuvens dos teus olhos derramar Às escondidas, lágrimas sentidas... Quem sabe a vida retorne a cantar.

Elisa Alderani

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CRIANÇA

Sonho de uma criança. Ocultado no coração. Oração é a esperança. Em forma de canção.

Pedindo ao papai do céu. O presente da emoção. Tirando o coração do fel. E também a tentação.

O presente desejado. Como mágica aparece. Os sonhos realizados. A Deus nosso Senhor a criança agradece.

A paz espiritual na terra, faz morada. E o presente aparece, por um anjo visitado. E as sementes regadas. Multiplicam quando amadas.

Fátima Moreira Mello

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AMOR SILVESTRE

Corpos que se amam deitam-se montanhas. Em ventos gemidos, farfalham feito flexo dos ramos esguios. Cabelos embrenhados nos abraços, perenes, descem em rios nos envolvem no regaço

Corpos que se amam amanhecem molhados de manhãs tragando aos goles, as vibrações da pele, a inédita paixão que aflora no sutil raiar da aurora.

E por decreto do amor em silêncios montanhosos, os corpos se escalam, um ao outro, com a fome das raízes.

Fernanda Junqueira

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IMIGRANTES

A névoa envolve a praia A vida estua e vibra no meio das águas que não se detêm Passam a bater nos corpos que na tempestade rolaram Abraçada a natureza, se joga ao destino que oferece a madrugada A madrugada oferece pálidos raios de luz e frio intenso... Onde andará o barco dos imigrantes? Sentiram medo, angústia imensa Não conseguiam ver caminhos na escuridão... Os imigrantes saíram no entardecer, Quem poderia prever? A tempestade na travessia... O vento na praia removendo areia Onde deitam-se a destruição do revolto oceano Lançam-se, estiram-se e, nas ondas misturando areia, Sentiram o sol surgindo dentre nuvens Aquecendo seus corpos e sentidos Os imigrantes jogados do outro lado Perderam roupas, calçados, refugiados E, agora, o que encontrariam? Erguem-se e prosseguem na busca Consagram-se na chama que impulsiona Ao grande encontro de esperança na aurora, Hoje, tempo, séculos, sempre foi assim... Do outro lado a vida prossegue. Serão rejeitados, acolhidos, aceitos, quem sabe?

Fernanda Ripamonte

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MORRI Fiz um bolo de amora com glacê Recheado de fantasias Semeei na nossa casa amarela Um jardim de inverno bem quentinho Sondei o gravador de memórias Perdido pelo tempo Aguardo sua vinda como faz o ipê Ao sabor dos dias Preparei uma galinha à cabidela Um céu sem inferno, com passarinho E o riacho com dedicatórias Música e acalento Tudo perfumado só pra você Com amor e alquimias Espalhei Flor de Lis na passarela Vesti gravata e terno e colarinho Para rememorar estórias Apagadas pelo vento Ensaiei mágicas frases de clichê Ditas nas núpcias E pintei encanto na aquarela, Mas como nada é eterno e rosa tem espinho O carteiro trouxe seus decoros: - Morri, perdão o contratempo Ferriani

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PROFESSOR

Com seu lápis, giz e apagador, Escreve, desenha mapas, Faz cálculos, escreve textos Expressa todo seu amor. Seu trabalho é sua comitiva Ama seus alunos e amigos Com dedicação e amor. Dedico este a você Meu querido professor!

Gabrielle Ferreira Soares -

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ROSA Iludir-se No amor É perfume É flor Desiludir-se Do amor É espinho É dor Geovah Paulo da Cruz

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BONECA Preparei uma festa Me vesti de boneca Iluminei meu sorriso Me despi sem pudor Com a luz do seu olhar. Corri de mãos dadas De hora marcada Porque o tempo voa. A roupa da boneca Como uma colcha estampada No espelho mostrava Dois corpos nus. Boneca sôfrega Sapeca, travessa, fazia suspense Tirava suspiros com beijos mil. Aplausos. Em vão suas roupas coloridas, Berrante saia esvoaçante Sem sombra de luz, Refletia no quarto todo seu corpo Suado, sarado, amado De uma tarde sem fim. O espetáculo acabou. A boneca de roupa amassada Esvaiu de mansinho, Agradeceu...Reverenciou... Gina Higino

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PRIMAVERA

O sol acorda sorrindo ao ver flores se abrindo o verde tornar-se manto. A brisa feito sentinela avisa que a primavera desponta em cada ponto

É a natureza parindo cores vivas explodindo mudando todo o cenário. Tal qual uma imensa tela a mais linda aquarela gigantesco santuário!

Helena Agostinho

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CONFISSÃO - ELE E ELA

No ímpeto da paixão, ela sentiu uma sensação de estranhamento de alegria e dor. Queria um encontro diferente que lhe trouxesse muita leveza e a ilusão e a certeza de que estava pisando em nuvens de algodão. Ele, o ente apaixonado, desejava que ela vivesse um amor sem regras, livre... Abraços fortes e mãos que apertavam as suas a procura da tal felicidade... Como chocolate amargo, às vezes doce, eles viviam e se deliciavam com esse encontro... Ela se sentia ansiosa, um misto de prazer e mistério. Ele sabia ousar tudo na medida certa para leva-la ao êxtase e vivenciar todas as suas fantasias. Foi uma grande descoberta... e como tudo para ser bom tem que ser único. Ela já sentia saudade desses momentos. Tudo ficou guardado na caixa da memória, porta-joias só dela. Ele guarda esse tesouro olhando-se no espelho e vendo a sua imagem envelhecida, cabelos prateados, saboreando lembranças de um passado jovem... feito de momentos vividos e sentidos intensamente....

Heloísa Martins Alves

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DIZEM POR AÍ Ele é velho, dizem por aí. Acusam-me de ser velho. Acusação infundada. Não apresentam quaisquer provas comprobatórias. Acusamme somente por eu ter completado 90 anos. Rejeito a acusação. Não tenho culpa. Tornar-me nonagenário não foi ato deliberado. Premeditado. Foi acontecimento completamente involuntário. Sim, devo reconhecer. Tenho saudade do tempo em que caminhava e enxergava normalmente. Minha capacidade deambulatória está severamente reduzida. Lento é meu caminhar. Desloco-me na velocidade de uma tartaruga reumática. Evoco as antigas locomotivas a vapor: Resfolego, bufo, lanço fortes jatos de ar pelas ventas. Minhas pernas atendem minhas solicitações com grande relutância. “Dão o grito do Ipiranga”: Independência ou morte. Glaucoma e DMRI (degeneração macular relacionada com a idade) reduziram fortemente minha visão .). Deficiências físicas não constituem provas irrefutáveis da grave acusação contra mim lançada, não são exclusivas da idade avançada. O tempo de vida vivido não pode ser o único critério para diagnosticar a velhice. A atitude perante a vida é muito mais relevante. Pode-se ser ou estar velho. Ser velho é ver a vida passar. Estar velho é aceitar as limitações físicas que a idade nos traz. É conviver com tragédias. É conviver com a dor da perda, com as lembranças, dos seres amados que se foram. É aproveitar com alegria a vida até o fim. Ser ou estar velho é uma decisão pessoal intransferível. Velho, velho jovem, jovem velho, cada um envelhece a sua maneira.

Ithamar Vugman

MANIFESTO

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nada mais possuo senão estas mortes que me habitam

tragam-me a aurora num prato fundo e o mundo em algum lugar de mim exijo acareação

alguém precisa dizer se morrer é coisa séria ou apenas se vestir de ausência e sair por aí

até ser esquecido.

João Nery

ESTRELA DA MANHÃ

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"Trazemos em nosso peito o orgulho do anjo rebelado." - Vinicius de Moraes

Onde vc estava quando nos drogávamos? O que vc sentia quanto estávamos desesperados? O que vc fez quando viu nossos pulsos cortados? Somos uma legião de anjos caídos no asfalto

Mas de que importa para vc se hoje queremos sorrir? A quem interessa ver um bastardo feliz? Quem vislumbraria o que há em nossas mãos a luzir? Quem saberia aceitar que para criar é preciso destruir?

Não diga nada para nós agora O segredo é condição na nossa trajetória Nosso inferno nos presenteou com a glória Da estrela que povoa as manhãs antes da aurora

Luizz Júnior

INCERTEZAS

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A paixão é como uma chama Assim como nasce, morre.

Neste sonho, não sei se cheguei tarde Ou cedo demais. Será você apenas uma nuvem prenunciando uma mudança de tempo? Não vou por isso seguir à deriva, a favor do simples impulso de uma brisa. Serei esteio a qualquer pé de vento, enquanto espero soprar o minuano. Nossas vidas têm tópicos em comum. Vivemos em círculo? Ou quem sabe, num quadrado...

Leda Pereira

EU CONTINUO SENDO UMA CRIANÇA Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Dentro de mim, existe uma criança que não quer envelhecer Se eu pudesse eu voltaria Sendo novamente um bebê.

Eu continuo sendo uma criança vivendo sempre com alegria No meu coração ainda existe muito amor e fantasia.

Eu sei que envelheci mas ainda tenho a esperança De conseguir ter a mesma pureza que existe no coração de uma criança.

Leonor Dalva Barros Réa

VERDADEIRA RIQUEZA Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Não ter dinheiro é tão triste Mas não é a coisa mais triste de não se ter! E eu me arrisco até a dizer Que tem algo bem pior que existe:

Ser fogo, mas estar apagado! Ser e ao mesmo não ser Quero dizer...não saber viver! Não ter garra, ser apenas desgarrado.

Tudo é apressado, não anda com calma Reclama sem perceber que a reclamação é um grito profundo que brota da alma, clamando várias vezes uma solução!

Uma solução para a sua triste miséria! Parar de definhar e viver de verdade! Sentir pulsar no peito a felicidade, Parar de levar uma vida tão séria!

Cantar se tornou uma vaga lembrança? Você ainda sai para se divertir? Se dá um tempo para apenas sorrir e rir de si mesmo ao arriscar uma dança?

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Sinta em cada instante O poder de deixar-se amar! Você não tem tempo para aguardar: Todo dia é o dia mais importante!

Quem sente, vive mais contente e tem em si a maior das riquezas: Os dias revelam-se lindos presentes É sempre aniversário ao viver de surpresas!

Letícia Pessica

CONEXÕES Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Corpos cativados Um rastro de beijos em teu corpo deixei Desejo que se alastra como fogo Chama que arde a cada toque Tuas linhas são poesias de um autor desconhecido Linhas estas que aprendi a ler Eu sou um monte de constelações Ardendo e brilhando Mas quase ninguém vê ou só vê a parte que arde, ou só vê a parte que brilha.

Lorrayne Alves Moon

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DESCANSE EM PAZ Aqui jaz o início de uma batalha. Que tornará as perdas mais densas. Mãos que lutam, mãos que trabalham para dor. Aqui jaz as estatísticas que desfazem à esperança. Um vazio preenchendo a fome. Aqui jaz uma era sombria iluminada pelo medo. Aqui jaz um lápis, um papel, uma caneta. O seu mentor desfaleceu nas entrelinhas. Mentes brilhantes crescem como as ondas do mar. A guerra de levantar-se, o poder de se impor. O amor por aqueles que não são seus. A dialética ensinada é repassada com eterna admiração. Aqui jaz os gigantes, julgados sem valor. Mestres da sabedoria. Aqui jaz a era da maldade. Seres que não enxergam a melancolia da multidão. Aqui jaz a catástrofe dominadora. Eleitos com as armas da ignorância. Aonde estaria o esquecimento do passado sangrento. Aqui jaz fantasmas do presente, querendo ressuscitar vinte e um anos de dor. Aqui jaz um planeta oco. Uma linda terra tornando-se fatigada. O renascer cresce com a nova geração. Aqui jaz um livro aberto moldando seres pensantes. A elite guerreia com o seu inimigo. Acobertando um sistema construído pelo real. Aqui jaz o início do fim. Um país se reerguendo das chamas em brasas. Aqui jaz a desintegração de uma rica democracia. Luciana Borges Schardosim

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SURGE ET EXCITAL (ACORDA E DESPERTA)

Acorda! Impávido Colosso Levanta deste berço esplêndido! Terra adorada Entre outras mil, és tu Brasil Ó Pátria tão cobiçada! Os teus bosques vívidos e antes luzente Plangeiam ao colorar incandescente o azul celeste O verde louro da tua flâmula Espelha o passado no presente Teus campos e tuas terras estão menos garridas Tuas flores, agora, enfeitam as despedidas Acorda! Impávido Colosso Levanta deste berço esplêndido! O teu povo fatiado pelas turbas injustiças Em vão, procura amenizar o suor no colo da mãe gentil, Com os braços cerrados, não acolhe quem é vil Óh! Mãe gentil, por natureza tão destemida, Hoje estás tão temida No teu seio, não tem valor, a Vida! Acorda! Impávido Colosso Levanta deste berço esplêndido! Nas margens plácidas ecoa o teu canto Entre as brumas sulistas Até o arrebol Nortista Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Entoa a tua liberdade E despidos da clava forte O povo heroico brado ecoante

Luciane Aparecida Matheus Sória

VIVA Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Nossa vida não e como a gente quer Você sonha com a felicidade, Mas esquece a porta aberta Ela se vai e só fica a saudade Por isso agradeça esse momento Sorria, dance, cante O momento passa num segundo Seja feliz, esqueça o que ficou para trás Esse não volta jamais

Luzia Aparecida da Silva

SEM ILUSÃO

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Sinta o meu amor, amado! Este amor profundo é seu, que não é mais sincero, que o seu próprio amor e o meu

É ele, hoje, minha vida, nestas horas, nestes dias, sem as dores da paixão que em lamento se acaba...

É um amor assim tranquilo, sem tristeza, sem ilusão, que o coração se entrega

Com as vestes da poesia, com essa paz assim divina, que seu amor me traz...

No olhar, no livro que finge ler, na espera que eu me entregue sempre sua.

Luzia Madalena Granato

DEVOÇÃO Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Valei-me, ó Poesia nessa hora de angústia, nessa aflição! As palavras, te entrego em romaria, contas de um rosário da imaginação. Talvez seja até heresia ou ousadia tamanha tomar-te como oração, mas para mim és tão humana quanto divina: me acalmas, me elevas, me animas. Que me perdoem os descrentes, os céticos, os irônicos, que me desprezem, se quiserem, todos os tratados canônicos, todos os eruditos. Quero só a singeleza dos puros, a simplicidade dos inocentes, o despojamento dos humildes. Eles me entenderão.

Mara Senna

“POESIA E SEMENTES” Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Poesia, colhi das flores, sementes, plantei no céu para acender a madrugada.

Caíram versos das nuvens, dos afetos, dos amores; do azul brotaram hinos e os sinos também dobraram em oferenda aos deuses.

Dos Anjos, ouvi clarins, luz, busquei nas estrelas, aquelas mesmas sementes dos versos dos meus jardins.

Marcos Moreira

POEMA ADVOGADO Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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A balança a injustiça das aldeias E ela corre alheia procurando Por justiça nesse mar de escuridão O advogado necessita acender Uma faísca de luz No meio do mar de escuridão A faísca da justiça é a única que Petisca nesse momento de aflição.

Marcus Vinícius F. E. de Oliveira

CHUVA NA PRIMAVERA

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Calorosa estava pela sua chegada Ela veio de mansinho refrescando a madrugada A terra irrigando e a semente germinando E as flores saciando, com seus pingos desabrochando A primavera é bela Mais ainda com flores sorrindo Nesta manhã de chuva na primavera.

Maria Luiza Neves Guimarães

NÉCTAR DA VIDA

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Sou Julieta Corrompida pelo romantismo, Embebida pelo néctar da vida, Correndo pelos prados, Vivendo o hoje, Sentindo a relva tocar minha face, Deliciando-se com o ontem e o hoje Unindo-me a Shakespeare no passado Encontrando Romeu no presente. Aliança de épocas, Renascimento!

Maris Ester Souza

ANTIPRINCESA Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Dormia e nem era tão bela. Apenas uma mulher que dormia. Dormia e não era singela a mulher que dormia, pois roncava e entumecia os lençóis, fartas carnes! Assim mesmo, veio o Príncipe, sabe-me lá, plagas quais, fito de acordá-la, com seu beijo plastificado e frio. Veio, pois sina de Príncipe é acordar Princesa Bela, adormecida por artes de Fada invejosa e despeitada. Assim, pelo menos, pensava o Príncipe. E de tal forma era vítima de tão velha crença, que não percebeu quão anacrônico andava. Não era o lugar um castelo, não era a Princesa Bela, era uma mulher apenas, sem carência de Príncipe, sem precisão de resgate! Obliterado, precisão urgente de cumprir seu dever, puxou o lençol, o Príncipe. Surpreso, percebeu a esquisitice da suposta princesa, porém, tarde já era, o beijo se fazia inadiável. Beijou-lhe então a boca, não tão fresca, nem formosa e acordou a mulher. Princesa, não era, apenas uma mulher que dormia, descanso merecido, por novos tempos, em que mulheres têm exorbitâncias de lidas, e precisam de parceria e respeito e podem receber beijos de comum acordo. Dormira a mulher, descanso merecido. Acordara por artes de um incauto Príncipe, tão profunda a raiva, expulsou-o aos gritos.

Marisa Helena Ribeiro Facci Ruiz

DOMINGO E PRIMAVERA

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Hoje é domingo, quente céu azul abafado. A chuva é esperada, orações foram feitas Porém ainda não chegou Disseram que virá amanhã que é segunda feira É sempre assim, dieta também é na segunda-feira O fato é que outro mês se foi asa arvores verdinhas Com flores querendo aparecer Os Ipês desfolhando cobrindo o chão com suas flores Pássaros na alegria da vida preparando lugar para Montar sua família Primavera chegando com flores e esperança Alimentando nossos espíritos com alegria paz e Bastante saúde!

Marlene B. Cerviglieri

LUA E ESTRELA Os ideais se vão ao longe e as questões permanecem em mente. Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Com a premissa de que existem conquistas e pessoas que se acomodam ao redor dos seus limites, temos um ser que vai à luta. No ar, fica uma pergunta: por que há passos flutuantes em erros tão constantes? É noite. Às escondidas, as folhas em seu pequeno recanto, orvalham. A lua aparece no céu, com um corpo desnudo e que reluz. Um delírio de sonhos toma conta de mim. Em meio a quase que um delírio...chego a ouvir uma canção que relata o quanto é possível alcançar a lua perdida, no brilho de grandes estrelas.

Marta Freitas

O VELHO E O NOVO

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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"O novo sempre vem", esse é um mote do "Belchior", para os poetas do mal, e do bem...

O novo e o velho são duas faces de uma moeda, onde uma se sobrepõe ao outro, ou se impõe...

A cadência dos ritmos, o estado de espírito solto, toma conta, às vezes, revolto...

O velho e o novo de mãos dadas, e sempre atadas, sem chance de revoadas...

O almejado voo solo pode acontecer mentalmente, mas não fisicamente...

O tempo nos engole fácil, num piscar de olhos, uma nascente retrátil...

Somos versos e reversos, Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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somos seres ambíguos, seres humanos, controversos...

A vontade sempre à espreita, o desejo, agradável surpresa, fica acumulado, feito uma represa...

Naturalmente essa convivência, dizem os puros, é uma indecência, principalmente, quando é uma constante veemência...

Afinal, o velho e o novo, lembra o pinto e o ovo, um olha o outro, sem dizer nada de novo...

Nei Mendonça

A MAGIA DO POETA

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Ele vive vestido de magia, Seu andar, recheado de bonança, Da terra faz brotar a esperança E o azul da manhã de cada dia...

Seu olhar de ternura inebria, O afago de seu braço a tudo alcança, O seu gesto de amor nunca nos cansa, A oração, frente a Deus, nos extasia...

Ele vive de magia e de encanto, Tudo vê, tudo sabe, tudo inventa, Tudo encobre com seu divino manto...

Su’alma não tem nada de avarenta, Nos dá joias a cada novo canto, É o elixir da vida que apascenta...

Nelson Jacinto

GOSTAR DE VOCÊ É gostoso Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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gostar, e eu gosto de gostar de você.

É... Se hoje eu tivesse que partir, acredite...

Eu partiria feliz pois nesta vida em que tudo vivi, tudo aprendi, tudo assimilei, já me aconteceu o mais importante que foi ter conhecido você

Nelson Moreira

VIRAÇÃO

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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A poesia virou olhar e se espraiou pelo mundo. A poesia virou riso, com tilintar de cristais. Depois, fez-se voz e cantou a vida. A poesia virou gesto, abraçando o amigo. Depois, fez-se dança e rodopiou, em liberdade. A poesia fez-se beijo, selando o amor. E então, virou lágrima e derramou saudade.

Nely Cirino

NA ESQUINA ONDE SE AMONTOA O LIXO...

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Na esquina onde se amontoa o lixo das lojas e dos cafés, eu os reconheço: homens em trapos, que chegam antes dos caminhões de coleta e espantam os cães para que não rasguem as embalagens antes deles. Arregaçam o plástico negro e passam a remexer os restos à cata de comida, objetos ordinários. Por vezes, disputam algo disforme, irreconhecível, mas que deve lhes servir à fome. Dormem sob os viadutos ou encostados às entradas de garagem cobertas. Quando volta o inverno, vão escasseando, mas ainda sobrevivem. Alguns, com mais sorte, não resistem ao frio, com isso nunca mais retornando ao lixo. Apesar dos velhos cobertores e papelões que os protegem do vento, os corpos perdem a temperatura, por causa das grandes baixas, e os indigentes expiram durante o sono, quem sabe interrompendo que sonhos. “Deus dá o frio conforme o cobertor”, repetem os convictos. Os cadáveres amanhecem úmidos de orvalho.

Perce Polegatto, Os últimos dias de agosto

ARTISTA PLÁSTICO

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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“Ao artista plástico presto aqui a minha homenagem” Artista é aquele Que expressa seus sentimentos Pelo pincel constrói sua arte Com o poder da imaginação E com o coração faz suas pinturas Expressa seus sentimentos Planta carinho em seu trabalho! Por meio da pintura em um quadro Habilita-nos a fazer leituras!

Radharane Borges Pessoa de Almeida

TRANSFORMAÇÃO Os dias passam Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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e levam as tempestades, a violência do vento, outrora lento, hoje impiedoso e avassalador. O tempo se incumbe de neutralizar. Ar que revitaliza, apaga marcas, sucumbe a dor, vence o amor! O sol brilha, a tempestade passou e o que ficou? Marcas! Misturam-se à beleza e à certeza de que tudo continua belo. O elo, passado e presente. Mesmo com tudo diferente, a vida continua bela. E ela sorri, canta e encanta! As mudanças fazem parte da arte de viver e transformar. Mar, ondas que vão e voltam, rebatem nos rochedos, molham a areia, afundam os pés, deixam traços. Deus, na Sua magnitude presente, guia os caminhos da vida. Ida. Por onde? Não sei, só sei que vou nas vias do amor... Regina Helena Gomes AS ESTRELAS VÃO ME GUIAR

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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As estrelas vão me guiar e as energias vou transformar com amor vamos nos encontrar Em meio à imensidão deste paraíso seu sorriso é meu abrigo Vamos com destino à felicidade nesta bela viajem amor na eternidade conexão de imagem estrela azul na dualidade toque singelo de elos sinceros assim espero

Ricardo Nogueira

A ARTE DA POESIA

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Faço da minha poesia Uma grande oração Através dela refugia As angústias do meu coração Se estou triste, ela me alenta Se estou fraco, me fortalece Se estou alegre, me representa Se estou desanimado, me enobrece E assim entre vida real e fantasia Vou levando essa vida insana Que um dia me enche de alegria E no outro nem tem tanta.

Rita Cruz

DONZELA FLORAL DE KADUPUL

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Tendo apenas a lua pálida e o brilho mortificado das estrelas no céu negro como testemunhas oculares desse amor incandescente Eu caminho descalça pelo asfalto gélido do jardim, sentindo o vento cortante se chocar contra minha tez e rachar meus lábios com suas rajadas impiedosas... Isso não me impede de continuar meu caminho até o lago cristalino nos confins do local... minha sepultura reluzente. Que irônica existência para algo tão belo... Meu corpo mal está acabando de florescer e a cada linda flor que cobre minha pele, posso sentir o veneno preenchendo minhas veias, quase as estourando dentro de meu corpo frágil Finalmente me coloco dentro das águas límpidas e me deixo boiar sobre as mesmas, observando a escuridão da noite acima de mim e sorrindo por ter como companhia as estrelas bondosas. Elas são as únicas que sabem como é isso, e estão lá encima me encarando e envolvendo com seu brilho o meu cabelo Meus cachos já estão se tornando esbranquiçados Eu nasci durante a meia noite, se passaram poucas horas... e já estou sendo levada pelo destino Ele não espera ou se nega para alguém, é sempre impaciente e ágil Suas palavras são absolutas e não pouparam algo belo como eu de ter seus comandos desperdiçados Agora... já é inútil e não importa mais o quanto procrastino. A maldição se concretizou como sempre, a donzela floral sempre é subjugada Não importa o quão bonita eu seja por fora, sempre vou carregar a morte por dentro e eu... sempre vou morrer durante a madrugada.

Samara Sharon de Oliveira VIDA

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Na máquina da vida costuro sonhos de amor e ternura.

Sonhos lindos que embalam o meu sonhar

Amor Sinto a noite chegar Ouço a chuva soluçar Ouço o vento gemer

São meus soluços e gemidos Nos teus braços amor

Simone A. Kalil Neves

VOO

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Voo livre no algodão esvoaçante livre, livre... no azul no vento forte esfuziante

O coração dispara itinerante

O voo é livre! Nem Ícaro sonhou assim!

Sonia Albuquerque

BUSCA Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Em busca de respostas Destas perguntas que não se calam Uma lágrima que rola Num sorriso meio de lado Um aperto no coração Sinto aflição Busco um ombro amigo Encontro um vazio no infinito Me vejo em um labirinto Tentando me esconder Quando tudo parecia não mais florescer Descubro a luz do grande alvorecer.

Tereza Junqueira

EDUCAÇÃO! É LIXO NO LATÃO Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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O que falta ao brasileiro é educação Ter barriga cheia e um livro bom na mão Ver a ecologia sendo respeitada Nossas leis sendo executadas. Ver os corruptos dentro do camburão Sentir que a justiça não é ilusão Assinarmos a lei Áurea do FMI O dinheiro da divida ser gasto aqui. Hoje eles são os urubus e nós a carniça Chega de CPI terminada em Pizza Queremos equilíbrio na distribuição do pão Solidariedade, irmão respeitando irmão. Muitos passam fome, mas existe desperdício Jogar lixo no chão já virou um vicio Coisa boa é juntar latinha Limpamos a cidade e descolamos uma graninha. Educação! É lixo no latão Tire a lição, o Brasil tem solução Juntos, podemos unir a sociedade Transformando lixo, em riqueza e arte.

Ton. César

CARTA AO TEMPO

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Tempo, a ti peço uma pausa para que não me perca em seu vão Tempo te respeito, pois és o Senhor, mas, agora sou eu quem tem razão Tempo, vê se me entende voando como está somente ao futuro me prende não me deixando voar Tempo, sei que se estica e assim, eterno fica muitos dizem que você não existe que és uma convenção mas, acredito em ti sei que se você me deixar deixo de existir Tempo, por favor, não corra flua percorra moderadamente pelas nuances dos dias Tempo, dê me um pouco de ti pois, senão tropeço atropelo tenho medo e me esqueço pagando caro o preço de ficar sem perdão. Wanise De Ávila Corrêa. PRIMAVERA O MEU CORAÇÃO

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Há uma estação do ano em que os campos despreguiçam-se em flores, bocejam-se em botões num balé de cores... Belezas diversas espalham amor... Primavera o meu coração com esta paisagem Divina...

Ziney Santos Moreira

Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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Poeta não é somente o que escreve. É aquele que sente a poesia, se extasia sensível ao achado de uma rima à autenticidade de um verso.

Cora Coralina

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Revista Poetizamos nº 01 – Junho 2020

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