Skip to main content

Trabalho de Semiologia: Fotojornalismo

Page 1

Análise semiológica ao fotojornalismo sobre o corpo feminino

Andreia Catarina G. M. das Neves, N.º: 217864 Licenciatura em Ciências da Comunicação Unidade Curricular: Semiologia Professora Doutora Célia Belim Ano Letivo 2015/2016


Semiologia

Índice:

1.

Introdução ............................................................................................................. 3

2.

Fotografia e fotojornalismo ................................................................................... 3

2.1. Análise semiológica do Projeto IMPRESSION por Justin Bartels ........................... 4 a)

Mensagem Plástica no projeto IMPRESSION......................................................... 5

2.2. Análise semiológica do Ensaio American Beauty por Carey Lynne Fruth ............. 6 a)

Interpretação da Imagem no ensaio American Beauty ......................................... 7

b)

Mensagem Plástica no Ensaio American Beauty ................................................... 8

3.

Desafios ................................................................................................................. 9

3.1. Thigh gap ............................................................................................................... 9 4.

Photoshop ............................................................................................................ 10

4.1. Projeto “Perceptions of Perfection” .................................................................... 10 5.

Gender Bender ..................................................................................................... 11

6.

Relacionar o Tema escolhido com a Realidade ................................................... 12

7.

Conclusão............................................................................................................. 12

8.

Bibliografia ........................................................................................................... 13

9.

Webgrafia ............................................................................................................ 13

10. Anexos ................................................................................................................. 15 10.1.

Anexos do Projeto IMPRESSION ................................................................... 15

10.2.

Anexos do Projeto American Beauty ........................................................... 17

10.3.

Anexos do Projeto Perceptions of Perfection............................................... 20

Andreia C. Neves

2


Semiologia

1. Introdução No âmbito da disciplina de Semiologia, o presente trabalho versa a temática do Fotojornalismo, o “Corpo Feminino”. A preferência por este tema deve-se ao facto de ser algo bastante preeminente na sociedade contemporânea e de grande visibilidade dada pelos meios de comunicação de massa1, que retratam o corpo perfeito, tendo vários efeitos na população. Pretendo pela escolha desta temática refletir no modo como as codificações fotográficas de um corpo ideal têm influenciado a sociedade e os jovens. A título de exemplo foram selecionados dois ensaio fotográficos para ser analisados. O primeiro é de Justin Bartels “IMPRESSION” e o segundo ensaio denomina-se “American Beauty”, por Carey Lynne Fruth. É ainda de interesse para o tema eleito apresentar um dos vários desafios que correm pelas redes sociais “Thigh gap”, que é dirigido principalmente para faixas etárias mais jovens. Por fim pretendo apresentar o conceito de Gender Bender e incidir no uso excessivo do software Photoshop, usando como exemplo o projeto “Perceptions of Perfection”. Proponho-me a explorar o tema por que optei pelo uso de metodologias específicas, como os significantes plásticos mais reveladores e os 4 níveis de interpretação2, nomeadamente a transferência indiciária; transferência cultural; transferência icónica e transferência do motivo. Pretendo ainda levar em consideração as quatro configurações/construções de Georges Péninou. 2. Fotografia e fotojornalismo A fotografia faz um registo histórico do instante, pelo que eterniza uma imagem, podendo essa ser uma verdade absoluta ou fabricada, dependendo da intenção do fotógrafo. O que a Fotografia reproduz ao infinito só ocorreu uma vez: ela repete mecanicamente o que nunca mais poderá repetir-se existencialmente (Barthes, 1980).

1

http://www.westminstercollege.edu/myriad/index.cfm?parent=...&detail=4475&content=4795

2

Nota: Exclui o ensaio de Bartels , em que optei por não usar os 4 níveis de interpretação

Andreia C. Neves

3


Semiologia

O fotojornalismo é uma actividade singular que usa a fotografia como um veículo de observação, de informação, de análise e de opinião sobre a vida humana e as consequências que ela traz ao Planeta. A fotografia jornalística mostra, revela, expõe, denuncia e opina (Jorge Pedro Sousa, 2002). 2.1. Análise semiológica do Projeto IMPRESSION por Justin Bartels “Porque é que aceitamos vestir roupas desconfortáveis?” foi a questão que inspirou o fotógrafo a realizar este projeto. O autor deste projeto considera que todas as imagens e vídeos que faz são uma jornada, desde a sua criação até à sua conclusão. O seu objetivo com este ensaio fotográfico é levar quem está a visualizar as imagens por um caminho provocativo e visual. Para o projeto, a componente sociológica foi importante, sendo do interesse do autor demonstrar o modo como a sociedade funciona e revelar imagens visualmente atrativas. O ensaio ilustra as marcas que permanecem na pele das mulheres logo após retirarem as suas roupas, questionando a consideração que a indústria da moda tem pelo conforto do cliente. I hoped this series would reach women, and inspire them to question what they wear and why they wear it (Bartels, s.d.). Tem como objetivo alertar as mulheres para os ideais de corpo que têm consumido a cultura e leva ainda a refletir nos sacrifícios que são feitos e nos incómodos a que as mulheres se submetem para se sentirem mais bonitas e aceites pela comunidade. Women shouldn’t wear clothes because of what society dictates, they should wear clothes that make them feel good physically and emotionally (Bartels, s.d.). É ainda relevante o fotógrafo escolher nomear cada uma das fotografias que tirou a partir de títulos retirados de revistas femininas. Esta ocorrência é observável a partir do anexo 10.1, das figuras 1 a 7, em que o autor relacionou as suas imagens com títulos de revistas, aliando a mensagem escrita à mensagem visual o que garante ainda mais poder e força à mensagem que se pretende passar. Hoje o texto sobrecarrega a imagem, confere-lhe uma cultura, uma moral, uma imaginação. (Barthes, 2009, p.21). É possível verificar a partir dos anexos 10.1, figuras 1 a 7, que a maioria das fotografias tiradas retratam a nudez, embora haja uma fotografia em que é empregue

Andreia C. Neves

4


Semiologia

o uso de roupa interior preta pela modelo (anexo 10.1, figura 2). De acordo com o Dicionário das Cores do Nosso Tempo, a roupa interior feminina, a mais subtilmente codificada e conotada, (…) por oposição ao branco, cor ajuizada e higiénica, o preto passava antigamente por indecente, imoral (Pastoureau, 1997, p.146). A roupa interior preta não tem hoje a conotação que antes lhe era associada, podendo relacionar-se apenas com o modo como fica na pele. Neste caso a utilização desta cor tem como objetivo não desarmonizar a fotografia, retratada a preto e branco. O uso destas cores no ensaio, tem uma realidade e uma espessura tanto mais perceptíveis quando assenta na convenção e na abstracção do preto e branco. (Bauret, 2011, p.81) Em relação à posição da modelo, pode-se considerar que a disposição das personagens em relação a outras pode ser interpretada tendo em conta usos sociais mas ela pode também ser interpretada relativamente ao espetador (Joly, 1994, p.123). Em momento algum do ensaio, é feito um retrato da cara ou do corpo completo da modelo. O fotógrafo dá apenas algumas sugestões do corpo feminino, de modo a que possam ser atentadas as marcas da roupa interior e de acessórios no seu corpo. a) Mensagem Plástica no projeto IMPRESSION Entre os signos visuais que compõem uma mensagem visual, figuram os signos plásticos. (Joly, 1994, p.104). A ausência de moldura física e psíquica, que designa os limites físicos da imagem, leva o espetador a imaginar como será o corpo da modelo na sua totalidade, de modo a que este não se sinta forçado a sujeitar a sua imaginação, imposta pelos limites da imagem e na roupa que foi usada para que se tenham deixado aquele tipo de marcas no corpo. O enquadramento corresponde à dimensão da imagem, resultado suposto da distância entre o tema fotografado e a objectiva (Joly, 1994, p.109), que revela a ausência do corpo da modelo por inteiro e da sua cabeça. Isto sugere que o autor o fez propositadamente de modo a que o olhar do espetador se concentrasse nas sugestões de corpo mostradas no ensaio, pelo que o enquadramento vertical e estreito remetem para uma maior proximidade, em que as marcas do corpo da modelo são o plano dominante da imagem.

Andreia C. Neves

5


Semiologia

Em termos das formas, o corpo fotografado revela feminidade e suavidade, característicos de um corpo feminino, de linhas curvas. No centro da imagem são colocadas em perspetiva as marcas deixadas na pele que dominam a fotografia, pelo que, segundo Péninou, o espetador encontra-se perante uma construção axial pois coloca o olhar exactamente no centro da imagem. É possível considerar a iluminação, podendo observar-se a falta de luz natural, pelo que o ensaio é realizado num estúdio pelo uso de luz artificial, sendo utilizados métodos de iluminação tais como películas, chapas, etc. A meu ver, é pretendido conseguir a atenção do espetador nos pormenores que o fotógrafo capta com grande minúcia, pelo foco em algumas partes do corpo da modelo e nas marcas que são deixadas, observável nas figuras 1 a 7 do anexo 10.1. A partir deste ensaio tão detalhado, o autor alerta a sociedade relativamente à indústria da moda, querendo mostrar os sacrifícios que as mulheres e jovens fazem para ter um determinado aspeto que passa pelo uso de roupas e acessórios apertados e desconfortáveis. Por fim, a cor neste ensaio, não sendo cromático, assinala hoje uma mensagem visual diferente; marca não apenas a pertença do fotógrafo a uma estética mas também a afirmação de um ponto de vista, de um pensamento. (Bauret, 2011, p.81). 2.2. Análise semiológica do Ensaio American Beauty por Carey Lynne Fruth O objetivo da fotógrafa passa por redefinir aquilo a que denominam American Beauty, com um ensaio fotográfico que mostra mulheres de etnias e tipos de corpo diferentes, afirmando que by stepping into a fantasy dream girl world and by letting go of that fear, they free themselves up to direct that energy they once wasted on telling themselves that they weren’t good enough to elsewhere in their life (Fruth, s.d.). Segundo Fruth (s.d.) em relação ao que levou à concretização do seu projecto, America is made up of all types of women. Women who are hungry to see themselves represented in a beautiful way. And why shouldn't they? Com esta questão, a fotógrafa

Andreia C. Neves

6


Semiologia

pretende ainda provar que não existem falhas no que toca a expor a verdade na fotografia. Este projeto inspirou-se em cenas do filme American Beauty (Sam Mendes, 1999). O filme retrata um homem de meia idade que tem fantasias por uma jovem e Fruth decidiu reproduzir a beleza americana que o filme espelha, pelo retrato de mulheres por toda a América que não são entendidas como tal, constituindo modelos anti beleza americana. a) Interpretação da Imagem no ensaio American Beauty A interpretação das fotografias de imprensa pode também ser enriquecida, alimentar-se da alegoria como citação implícita de outas imagens, de outros ícones. (Joly, 2003, p.97). Neste sentido, é pertinente indicar os 4 níveis de interpretação. Distingue-se em primeiro lugar a transferência indiciária, pelo que se identifica nas fotografias uma “cama” constituída de flores onde estão deitadas mulheres nuas, usando um ângulo picado (figuras 8 a 14 do anexo 10.2). Na transferência cultural, destaca-se a imagem da mulher nos tempos de hoje que ainda permanece marcada por uma visão estereotipada por parte da sociedade e que se submente a determinados padrões de beleza para que sejam aceites na comunidade. Neste aspeto é possível apoiar-me na Teoria Social Cognitiva da Comunicação de Massas (Bandura, 1996), na medida em que a teoria era aplicada na explicação dos efeitos da violência dos media, em termos da imitação da violência pelos seres humanos e na consideração da influência dos media, em termos do conteúdo visionado. O mesmo acontece com uma visão estereotipada da beleza por parte dos media, que influenciam a sociedade (que funciona em base de imitações e intenta reproduzir o que vê). Integra-se neste ensaio fotográfico uma transferência icónica, em que se reconhece a imagem do filme American Beauty (anexo 10.2, figura 15) de uma jovem deitada e rodeada de pétalas de rosa, que têm como objetivo a indicação de desejo pela representação de pétalas vermelhas. Esta imagem ganha vida com o projecto de

Andreia C. Neves

7


Semiologia

Fruth ao abordar o tema da beleza ao juntar mulheres com vários tipos de corpo ao ensaio e com a prontidão de redefinir a beleza americana, que passa ainda pela mudança de flores (na figura 15 do anexo 10.2, as flores retratadas são rosas e nas imagens 8 a 14 do mesmo anexo, são lírios) e a sua cor (a cor vermelha da figura 15 do anexo 10.2 opõe-se ao lilás das figuras 8 a 14 do mesmo anexo). Por fim é possível indicar-se ainda a transferência do motivo, pela redefinição da beleza e o confronto com os valores e padrões de beleza que dominam a sociedade pelo retrato de diferentes mulheres, com etnias e corpos distintos, que confrontam a visão estereotipada de que as mulheres ainda hoje são alvo. b) Mensagem Plástica no Ensaio American Beauty Os elementos plásticos das imagens (cores, formas, composição, textura) eram signos plenos e integrais e não a simples matéria de expressão dos signos icónicos. (Joly, 1994, p. 104). É possível mais uma vez se mencionar a ausência de moldura, pelo que neste ensaio em específico, não se sabem os limites que tem a cama de lírios em que se deitam as modelos, sendo um fator que é deixado à imaginação do espetador que terá como trabalho fazer a sua própria interpretação e pensar no que está para além do que é visível constatar. O espetador encontra-se perante um enquadramento largo, já que as fotografias são tiradas de modo a que seja possível a visualização do cenário, sendo a modelo posta em foco no centro da imagem. O ângulo pode reforçar a impressão da realidade, pelo que neste caso, estamos perante um ângulo picado que provoca a sensação se esmagadura das personagens e o espetador encontra-se numa posição de domínio e controlo. A criadora a partir das formas que se entendem como a aparência dos corpos, transmite pelo corpo feminino linhas curvas e formas arredondadas. De acordo com Georges Péninou, estamos perante a construção axial, pois coloca o cerne no eixo do olhar, em geral exatamente no centro da imagem, tal como se pode

Andreia C. Neves

8


Semiologia

observar a posição da modelo no centro da fotografia, colocada no centro do olhar do espetador. A cor tem um papel fundamental neste ensaio, sendo o Lilás dos Lírios em que as modelos estão deitadas (figuras do anexo 10.2), conotado, de acordo com o Tratado de Ontologia das Cores de Osny Ramos, com a consciência do ser. Neste sentido, a fotógrafa pretende pelo uso desta cor afirmar a falta de entendimento que as mulheres têm de si próprias e que têm problemas em assumir o seu corpo. Por fim a disposição das modelos demonstram a familiarização com a fotógrafa, posando de modo sensual, revelando o seu corpo maioritariamente despido, de modo a transmitir ao espetador feminidade e autenticidade que colmata numa mensagem de liberdade e aceitação do corpo e da sua imagem. 3. Desafios A busca incessante pelo corpo perfeito tornou-se numa obsessão que se traduz não só nas mulheres mas também nos homens. O thigh gap é um dos exemplos que se podem encontrar, disseminados pelos media. 3.1. Thigh gap O termo thigh gap que designa o espaço que se forma entre as coxas ao ficar de pé com os dois pés juntos. Com vista atingir este espaço, surge em consequência uma indústria3 de livros, dietas e exercícios que mobilizam as massas a comprar. O thigh gap se tem tornado cada vez mais um modo de status social pois todos querem alcançar aquele objectivo devido à dificuldade de se conseguir mas, por outro lado, a grande difusão levada a cabo pelos media, deixa crer que efectivamente se consegue obter seja por que meios forem. A genética e a estrutura óssea de cada pessoa, pelo facto de diferirem, determinam a possibilidade de ter ou não o espaço entre as coxas. Muitos chegam a ignorar os riscos e efeitos prejudiciais que o recurso a meios exagerados poderão ter para a saúde. Entre os efeitos negativos, podem enumerar-se a perda de peso e massa muscular, determinantes para um estilo de vida saudável. 3

http://thighgaphack.com/

Andreia C. Neves

9


Semiologia

Recentemente a designer Soo Kyung Bae, criou uma marca de produtos ficcional denominada Tgap que vende produtos com o objectivo de acentuar o espaço entre as coxas. Na realidade a intenção era, de uma forma criativa, alertar as jovens que sofrem com as pressões sociais para alcançar um corpo não realista, afirmando que o Thigh gap represents one of the first few trends regarding body ideals the media has popularised. It clearly demonstrates media's power on influencing one's perception of body image (kyung Bae, s.d.). 4. Photoshop O software Photoshop tem como objetivo a manipulação de imagens ou fotografias e tem chamado à atenção pela pelo seu uso excessivo em revistas ou jornais. 4.1. Projeto “Perceptions of Perfection” Inspirados no trabalho da artista Esther Honing, também Superdrug Online Doctors, criaram um projecto denominado “Perceptions of Perfection” (anexo 10.3 das figuras 16 a 22) de modo a enfatizar os padrões de beleza femininos em 18 países. Foi pedido a designers destes países para tornar uma modelo mais atrativa para a população do seu país a partir do Photoshop, pelo que é possível verificar nas fotografias as alterações radicais de que foi alvo. Curiosamente, este pedido foi feito a designers do sexo feminino, pretendendo-se ter uma visão daquilo que cada cultura acha atrativo mas também de modo a apurar e compreender as pressões sociais de que são alvo. Para além das modificações do seu cabelo, as mudanças mais preeminentes são no seu corpo, deixando a modelo mais ou menos curvilínea, verificando-se as alterações em consequência aos padrões de beleza de cada país. O objetivo deste projeto passa não só a dar a conhecer os padrões de beleza de diferentes países mas entender as pressões sociais que as mulheres enfrentam para se parecerem de um determinado modo, chamando à atenção para padrões de beleza irrealistas e o impacto cultural que poderá ter nas mulheres.

Andreia C. Neves

10


Semiologia

Nas palavras da empresa que criou este projeto e segundo a definição do dicionário: “Beauty cannot be judged objectively, for what one person finds beautiful or admirable may not appeal to another”. 5. Gender Bender A discussão sobre o género neutro tem ganho cada vez mais atenção por parte dos media, principalmente desde o desfile da Gucci levado a cabo por Alessandro Michele, que rompeu o modo como tradicionalmente se perceciona o género. Mais do que um movimento na moda, o género neutro traduz-se pela rutura das formas tradicionais da conceção do género, salientando-se a fluidez cultural onde não cabem predefinições dos papéis masculinos e femininos. As imagens corporais e categorias identitárias são principalmente desafiadas pelos media que dão força ao movimento. Na atualidade muitas mulheres são ainda obrigadas a ter um determinado aspeto para serem aceites pelo público, pelo que se pode considerar este movimento como permitindo uma enorme liberdade de expressão. Segundo a revista Máxima, “Os gender benders não se identificam com nenhum dos dois géneros, permanecendo num limbo conceptual sem sexo”, pelo que, desafiando as normas de comportamento impostas, não sentem a necessidade de mudar o sexo. De acordo com Jackson Araújo, consultor criativo, o gender bender tem sido um movimento tão marcante na sociedade actual devido a razões relacionadas ao fenómeno do transculturalismo, existindo um choque nas relações tradicionais do género. São conhecidas algumas personalidades desafiantes do género como a atriz Tilda Swinton, caracterizada pelo seu cabelo curto “à rapaz”. Jaden Smith foi também apontado ao movimento genderfluid pela sua participação na campanha da Louis Vuitton para uma colecção feminina. Numa sessão fotográfica para a Vogue Korea, é possível observar-se o jovem retratado com elementos tipicamente femininos. A Zara junta-se ao movimento pelo lançamento de uma linha de roupa sem género e em cores neutras que não categorizam um género. Embora as marcas que se juntam

Andreia C. Neves

11


Semiologia

ao movimento, surjam num contexto de apoio, há várias críticas que lhes são dirigidas. Eles (moda) farão o que quer que seja, desde que se transforme em buzz cultural – que, por sua vez, e tornará em vendas e em dinheiro (Bidisha, The Guardian s.d.). 6. Relacionar o Tema escolhido com a Realidade Estudos4 realizados na América revelam que cerca de 94% de jovens raparigas já foram vítimas de críticas negativas devido ao seu tipo de corpo. Within our culture, it's fair game now to comment on a woman's weight, regardless of her age (Sari Shepphird, s.d.). Este problema relaciona-se com as redes sociais, que atuam sobre os jovens que ainda estão a formar o seu corpo. O tema escolhido relaciona-se diretamente com a realidade social, em que jovens e mulheres sentem-se influenciadas pela sociedade a ter um determinado aspeto e procuram alcançar um corpo padronizado a que os meios de comunicação dão notoriedade. 7. Conclusão As palavras e as imagens estão ligadas, interagem, completam-se, iluminam-se com uma energia vivificante. Longe de se excluírem, as palavras e as imagens alimentam-se e exaltam-se mutuamente (Joly, 2003). O fotojornalismo tornou-se um modo de crítica e alerta social, aliando a palavra à imagem e fazendo-o de uma forma mais vivificante e visual. O projeto IMPRESSION e American Beauty expõem a realidade social e a partir da fotografia retratam-na de um modo mais visual. As soluções metodológicas utilizadas dão um melhor entendimento daquilo que se pretende ao espetador descodificar, descortinando os significados que os autores dão. Em suma A Fotografia não é arte. Nem sequer é uma Arte. A Arte é expressa da conceção de uma ideia. A Fotografia é a verificação Plástica de um facto. (Trachtenberg, 2013, p.139). 4https://www.yahoo.com/beauty/the-shocking-results-of-yahoo-

1332510105509942.html

Andreia C. Neves

12


Semiologia

8. Bibliografia Barthes, R. (2009). O Óbvio e o Obtuso. Lisboa: Edições 70. Bauret, G. (2011). A Fotografia. Lisboa: Edições 70. Belim, C. (2016). Mensagem Visual. Lisboa: ISCSP. Belim, C. (2016).Mensagem Plástica. Lisboa: ISCSP. Joly, M. (2003). A Imagem e a sua Interpretação. Lisboa: Edições 70. Joly, M. (1994). Introdução à Análise da Imagem. Lisboa: Edições 70. Máxima (2015). Gender Bender ou o género do não-género. N.º 235. Lisboa: Cofina Media. Pastoureau, M. (1997). Dicionário das Cores do Nosso Tempo. Lisboa: Editorial Estampa. Silvestre, M. (2011). Sociologia da Comunicação. Lisboa: Instituto Superior de Ciências Sociais e políticas. Trachtenberg, A (2013). Ensaios Sobre Fotografia. Lisboa: Orfeu Negro. 9. Webgrafia American Beauty (1999). Disponível em: http://weheartit.com/. Bartels,

J.

(s.d.).

IMPRESSION.

Disponível

em:

http://www.justinalexanderbartels.com/portfolio/G0000vjStQaMIBw0. Belim, C. Vocabulário dos elementos plásticos contidos na imagem (2008/2009). Disponível

em:

https://semiologiaiscsp.files.wordpress.com/2009/03/elementos-

plasticos-visuais1.pdf. Elle

e

Vogue:

Edição

Comemorativa

(s.d.).

Disponível

em:

http://www.tetereinaldim.com.br/blog/2015/05/elle-x-vogue-qual-e-o-corpo-real/. Fruth,

C.

L.

(s.d.).

American

Beauty.

Disponível

em:

http://www.careyfruthphotography.com/people-1/#/american-beauty/.

Andreia C. Neves

13


Semiologia

Perceptions of Perfection (2015) por Online Doctor Superdrug, DisponĂ­vel em: https://onlinedoctor.superdrug.com/perceptions-of-perfection/. Ramos, O. (s.d.).Simbologia das Cores. Tratado de Ontologia das Cores. DisponĂ­vel em: https://semiologiaiscsp.files.wordpress.com/2009/03/kb_as-cores11.pdf.

Andreia C. Neves

14


Semiologia

10. Anexos 10.1.

Anexos do Projeto IMPRESSION

Figura 1: Underwire Cups Give Lauren's Boobs A Boost

Figura 3: Just the Right Decoration To To Get His Blood Pumping

Andreia C. Neves

Figura 2: The Sexiest Jeans For Your Body

Figura 4: BOUDOIR-LICIOUS Lingerie

15


Semiologia

Figura 5: Head Turning Heels

Figura 6: Get the Celebrity Look With These Skinny Jeans

Figura 7: Our Best-Selling, Hourglass-Flaunting Corset

Andreia C. Neves

16


Semiologia

10.2.

Anexos do Projeto American Beauty

Figura 8

Figura 9

Figura 10

Figura 11

Andreia C. Neves

17


Semiologia

Figura 12

Figura 13

Figura 14

Andreia C. Neves

18


Semiologia

Figura 15: TransferĂŞncia IcĂłnica American Beauty

Andreia C. Neves

19


Semiologia

10.3.

Anexos do Projeto Perceptions of Perfection

Figura 16

Figura 17

Figura 18

Andreia C. Neves

20


Semiologia

Figura 19

Figura 20

Figura 21

Figura 22

Andreia C. Neves

21


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Trabalho de Semiologia: Fotojornalismo by Andreia Neves - Issuu