#1 REVISTA DE FOTOGRAFIA
com
akorô lia brito mel zabunov sarara rodrigues
“A imagem torna-se documento histórico, arquivo afetivo e ferramenta de valorização da cultura periférica.”
“sozinho a gente não chega em lugar nenhum, tá ligado? A gente precisa dessa base, precisa estar junto”
06 editorial
Você sente o peso e a importância do ato de registrar? Nos momentos de alegria com os amigos, com a família, relembrar é ĨĶÓĭéǴčéüƿǴ ĭǴóěijěôĩÓŘÓĭǀǴŘčēÓôéĔĭǀǴÓĭǴßÓĩtinhas, são formas de olhar com carinho para o passado, para um momento que no “tic-tac” corrido, já passou. Dado essa letra, este trampo é fundamentado nessa caminhada. Todas as fotos foram registradas pensando por essa via. Interagem com o conteúdo escrito, contextualizam quando o assunto é histórico, e principalmente mostram a personalidade e a naturalidade das intervenções åěǴĔěĭĭěǴĦěńěǴĔĶēǴùÓÞüijÓijǴÓĩijüŘßüÓčǁǴÓǴ cidade. Todo o processo foi feito com carinho, com respeito e com identidade, para que cada pixel representasse uma voz no lugar de fala onde nos situamos. Na ida, encaramos um movimento; na volta, trouxemos seus retratos.
18 34
SUMÁRIO
ato I
O HIP-HOP
a origem / coluna por sarara / racionais mc’s / o meu lugar
ato II
nossa POESIA EXISTÊNCIA / ENTREVISTA COM AKORÔ / além dos muros
ato III
click, piish!!
por que escrevemos assim? / os nossos / coluna por mel zabunov
ATO I
ATO i O HIP-HOP “Eu insisto, persisto, não mando recado ĶǴijéĔùěǴÓčôěǴÓǴåüŐéĩǀǴĔÜěǴńěĶǴŘßÓĩǴßÓčÓåěǧ
SABOTAGE - ZONA SUL POR BELA FONTANELA, GUSTAVO FURLAN E GUSTAVO OLIVEIRA
4
FREQUÊNCIA DA PISTA Foto por Débora Campos (2026)
5
DANCE! Foto por Bela Fontanela (2026) Ilustração por Aysha Morena (2026)
6
ATO I
A ORIGEM Por Gustavo Furlan
Em meio ao caos, o hip-hop nasce nos Estados Unidos na década de 1970, durante a crise econômica e a desigualdade social, no bairro do Bronx, em Nova Iorque. Jovens negros e latinos começaram a criar formas próprias de expressão cultural como meio de protesto à marginalização. Um dos nomes principais é do Kool Herc, ele realizava festas em parques e em quarteirões também chamados de “block parties”. Em 1973, ele inovou ao usar dois discos de vinil para repetir os trechos instrumentais das músicas, conhecidos como “breaks”, dando origem ao breaking (break dance). Outro nome importante é o de Afrika Bambaataa, fundador da Zulu Nation, como forma de promover a paz e união através da música. Ele também ajudou a estruturar o hip-hop como cultura, difundindo os quatro elemenijěĭǴ ĦĩüĔßüĦÓüĭǴ åÓǴ ßéĔÓǁǴ 5ǀǴ ? ǀǴ ÞĩéÓĊüĔôǴéǴôĩÓŘǴijéƿǴ
Assim o hip-hop se tornou uma forma de resistência e denúncia contra o racismo, violência policial e a desigualdade social. Na década de 1980 esse movimento se espalhou rapidamente, ÓijĩÓńêĭǴåéǴŘǴčēéĭǀǴåüĭßěĭǴéǴóÓĔŐüĔéĭǴ e logo chegou ao Brasil. Jovens de todos os estados se reuniram por ĭéǴ üåéĔijüŘǴßÓĩéēǴ ßěēǴ ÓǴ éĭijêijüßÓǴ éǴ principalmente como narram a realidade. Um dos primeiros, e até então, principal ponto de encontro foi no centro de São Paulo, especiŘǴßÓēéĔijéǴ ĔÓǴ éĭijÓâÜěǴ XÜěǴ éĔijěǀǴ ali era o marco de encontro de DJs, ôĩÓŘǴijéüĩěĭǀǴ ? ĭǴ éǴ ÞĩéÓĊéĩĭǴ ĨĶéǴ compartilhavam conhecimento, passos, discos, roupas, referências musicais e experiências de vida. Nesse contexto, seria impossível não citarmos Nelson Triunfo, que teve papel fundamental ao levar o breaking para as ruas e organizar rodas de dança, ajudando a dar visibilidade ao movimento. A partir de 1985, ele passou a usar o hip-hop como ferramenta de educação e inclusão social, criando ĦĩěćéijěĭǴ ßĶčijĶĩÓüĭǴ éǴ ěŘǴßüĔÓĭǴ ĦÓĩÓǴ jovens e crianças.
7
ESPECIAL
Sarara rodrigues ǴóěijěôĩÓŘÓǴĦěĭĭĶüǴĦÓpel fundamental dentro dessa construção histórica. Registrar rodas de breaking, encontros ĔÓĭǴ ĩĶÓĭǀǴ ÞÓijÓčùÓĭǀǴ ěŘcinas e personagens da ßĶčijĶĩÓǴ ùüĦǜùěĦǴ ĭüôĔüŘßÓǴ preservar memórias que muitas vezes foram ignoradas pelas narrativas ěŘßüÓüĭǴåÓǴßüåÓåéƿǴ
A imagem torna-se documento histórico, arquivo afetivo e ferramenta de valorização da cultura periférica. Fotografar o breaking é registrar movimento, expressão corporal, território e ancestralidade urbana. As imagens produzidas dentro das periferias ajudam a construir novas representações sobre juventude negra e periférica, rompendo estereótipos e mostrando a
8
potência criativa existente nesses espaços. Nesse senijüåěǀǴ ÓǴ óěijěôĩÓŘÓǴ ÓijĶÓǴ ĔÜěǴ apenas como registro visual, mas como instrumento político de memória e resistência cultural. Ǵ üĔřĶíĔßüÓǴ åěĭǴ TÓßüěnais MC’s também se conecta profundamente com essa construção histórica do breaking e da cultura hip-hop nas periferias paulistas. Suas músicas ajudaram a consolidar uma consciência coletiva sobre território, desigualdade social, racismo e identidade periférica. Letras como “Fim de Semana no Parque” e “Da Ponte Pra Cá” transformaram bairros periféricos em narrativas centrais da cultura brasileira, fortalecendo o sentimento de pertencimento das juventudes urbanas. Até hoje, os RacioĔÓüĭǴüĔřĶéĔßüÓēǴÞĩéÓĊéĩĭǀǴ fotógrafos, educadores e coletivos culturais, funcionando como referência esijêijüßÓǀǴ ĦěčþijüßÓǴ éǴ ŘčěĭĜŘßÓǴ
dentro da cultura hip-hop. Dessa forma, compreender a trajetória da Estação São Bento, do breaking e da construção cultural de São Bernardo do CamĦěǴ ĭüôĔüŘßÓǴ ßěēpreender também como
a cultura hip-hop se tornou uma ferramenta de resistência, educação, memória e transformação social nas periferias brasileiras.
SARARA RODRIGUES Colagem por Débora Campos (2026)
9
ATO I
RACIONAIS MC’S Por Bela Fontanela
Os Racionais MC’s surgiram no ŘēǴ åěĭǴ ÓĔěĭǴ ŞŦťŝǀǴ ĨĶÓĔåěǴ ěǴ ĩÓĦǴ começava a ganhar força nas ruas de São Paulo. Mais do que fazer música, o grupo apareceu como uma forma de contar histórias já existentes no cotidiano das periferias, mas quase nunca ouvidas fora desses espaços. Desde o começo, a proposta foi transformar vivência em palavra, traduzindo realidade em arte. Formado por Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay, o grupo cresceu ligado aos encontros de rap, bailes e espaços públicos onde a cultura hip-hop se fortalecia e se espalhava de forma orgânica. Um ponto importante dessa formação foi a região da Estação São Bento, referência para quem vivia o início do hip-hop paulista. Ali aconteciam encontros, trocas, apresentações e muita experimentação musical. Além disso, o grupo ajudou a fortalecer uma maneira muito própria de narrar a cidade. Era direto e verdadeiro. Em vez de falar de São Paulo de um jeito genérico, eles mostraram lugares, sentimentos e experiências muito concretas. Por isso, muitas de suas músicas acabam funcionando quase como registros de um tempo e de um espaço. Elas guardam marcas da época em que foram feitas, mas continuam atuais porque muitas dessas vivências ainda seguem
10
presentes. As letras traziam cenas do dia a dia, violência, desigualdade, racismo, mas também identidade, convivência e pertencimento profundo.
Não era só cantar sobre a cidade, era mostrar como ela atravessa a vida de quem mora nela Eles transformaram situações comuns em imagens fortes nas músicas. As músicas cantam ceĔÓĭǴ åěǴ ßěijüåüÓĔěǁǴ ôéĔijéǴ ńěčijÓĔåěǴ do trabalho, criança brincando na rua, o bar da esquina, a tensão do ÞÓüĩĩěǀǴ éĔßěĔijĩěĭǴ éǴ ßěĔřüijěĭǴ åÓǴ rotina. Isso faz com que quem escuta quase enxergue aquele ambiente acontecendo. Falar dos Racionais MC ‘s é falar de uma linguagem que nasceu da rua e transformou experiência em memória viva. Eles pegaram vozes e vivências de uma realidade dura e devolveram em forma de música poderosa. Talvez seja por isso que ßěĔijüĔĶÓēǴijÜěǴĦĩéĭéĔijéĭǁ
PORQUE, MAIS DO QUE CANTAR SOBRE UM LUGAR, FIZERAM ESSE LUGAR SER OUVIDO.
MANO BROWN Foto por Lia Brito (2024)
11
ATO I
QUILOMBAR Foto por Bela Fontanela (2026)
12
13
NOSSA GOMA Foto por Aysha Morena (2026)
14
ATO I
O MEU LUGAR Por Gustavo Oliveira
O que fez a quebrada se tornar o que é? O que o Capão Redondo tem de diferente? Não sei te dizer, amigo. Você precisa ver. Ver a cor das paredes pixadas de tintas vivas, respirar esse nosso ar agridoce. Você precisa pisar nesse asfalto quente. Precisa sentir o gosto da quebrada, viver suas loucuras. Esse gosto do Capão é de força. Talvez o do Taboão seja outro. De Diadema, da Vila Fundão — cada lugar com seu jeito, suas pegadas únicas. Por aqui, a vivência é loucura. Entrar nessa corrida das 7 da manhã até a estação, enquanto a metade de cá da cidade tá pegando o mesmo busão que você. Dar um pulo quando o motorista voa sobre o buraco enorme da avenida. Ouvir um Emicida no fone enquanto os olhos contemplam a arte pura da rua, com todos seus traços e cores fortes da lata e spray. Loucura, irmão, e é essa loucura que faz o Capão ser Capão, que faz a quebrada ser diferente.
E eu falo isso desse jeito e reĦüijěǁǴĔÜěǴńÓüǴĔěĭǴéĔijéĔåéĩƿǴ@ěĭĭěǴ idioma é outro, solto como nossas crianças na rua jogando um futebol; Itinerante como as vielas amarradas entre nossos bairros, mas vivo como a alegria dentro de nós que se recusa a extinguir. Nossas palavras são rimas, nosso peito, concreto, pronto pra ßÓĩĩéôÓĩǴÓǴijüĔijÓǴåěǴôĩÓŘijijüƿ
Nossos bairros são pátria, barracos são castelos. Nessa construção de identidade, os tijolinhos baianos são mais que só argila. São as pessoas que nos cercam, nossos ídolos e professores da vida; são as vivências, experiências, cultura e lugar que nos rodeia. É o café preto da padaria da esquina, os meninos jogando bola na quadra ou empinando pipa, isso faz o Capão. É um lugar que transforma as pessoas, e pessoas que transformam o lugar.
15
ATO I
JD. IBIRAPUERA Foto por Aysha Morena (2025)
16
17
ATO IiII
ATO II NOSSA POESIA “Na periferia a alegria é igual E a maioria por aqui se parece comigo (...) Em algum lugar periferia já está ganhando.”
NEGRA LI - PERIFERIA POR AYSHA MORENA, GUSTAVO FURLAN E SAMUEL LOPES
18
BAIRRO DO SOSSEGO Foto por Aysha Morena (2025)
19
ATO II
EXISTÊNCIA Por Aysha Morena
Até aqui, entendemos como o ĩÓĦǴ éǀǴ ĦěĭijéĩüěĩēéĔijéǀǴ ěǴ ôĩÓŘijéǴ são utilizados como ferramentas de denúncia, resistência, revolução e sobrevivência. Mas além disso, há uma razão que conecta todas as outras. Não nos limitamos apenas às negligências, desigualdades, preconceitos e outras mazelas. A gente fala numa perspectiva de relembrar nossa ancestralidade, de contar detalhadamente sobre a pluralidade e beleza periférica.
Pois, celebrar nossas vidas é ÃĄĘY¾ ÃĄ um ato potente e importante de resistência.
20
lÓēěĭǴ óÓčÓĩǴ éĭĦéßüŘßÓēéĔijéǴ do cenário do rap. Alguns MCs åéĭijÓßÓēǴ ŘôĶĩÓĭǴ åěǴ ßěijüåüÓĔěǴ periférico para evidenciar a importância de suas existências. Ou até descrevem cenários que só quem está inserido naquele recorte entende, como acontece no álbum “Pra quem já mordeu um cachorro por comida, até que eu cheguei longe…” (Emicida, 2009). Vamos destrinchar sobre dois versos do Criolo e Parteum
“Di Cavalcanti, Oiticica e Frida Kahlo tem o mesmo valor que a benzedeira do bairro” (SUCRILHOS, Criolo). O que ele quer dizer com isso? A ÞéĔŐéåéüĩÓǴåěǴÞÓüĩĩěǴêǴĶēÓǴŘôĶra tão importante e que simboliza fé e proteção nas comunidades mas, muitas vezes, é esquecida por aqueles em seu território. Criolo, ao colocá-la na mesma posição que outras pessoas importantes para seus respectivos movimentos, é uma maneira de
reverenciar suas raízes e a vida de seus ancestrais. Vamos retroceder ĶēǴ ĦěĶßěǁǴ ěǴ ĨĶéǴ ěĶǴ ĨĶéēǴ ÓĦčüßÓǴ valores para Di Cavalcanti, Oiticica e Frida Kahlo? Ou melhor, o que retira a importância evidente dessa benzedeira? Como não dizer que esse verso não é símbolo de resistência? De revolução?
“Escrevo pra alfaiates, sapateiros e domésticas. Parece complicado, mas depende.” (A MORAL PROVISÓRIA, Parteum) Quem está na comunidade é parente, conhece ou vê alguém que se encaixa nesses trabalhadores citados pelo Parteum. PoåéēěĭǴÓijêǴÓēĦčüÓĩǴěǴĩéßěĩijéǁǴĦédreiros, cabeleireiros, tios e tias da limpeza, catadores de latas… Da mesma maneira que Criolo destaca a benzedeira, Parteum mostra que sua mensagem é direta para tais grupos, na intenção de também tirá-los da invisibilidade e contar sobre suas vidas.
Para além desses exemplos, grande partes das obras realizam uma descrição, seja em palavras, pronúncias ou samples, que formam uma representação de alguma comunidade. Não à ijěÓǀǴ ĔĜĭǴ ĔěĭǴ üåéĔijüŘßÓēěĭǴ ßěēǴ alguns sons ou com artistas pois ńéēěĭǴěǴĩéřéŊěǴåÓǴĔěĭĭÓǴĦĩĜĦĩüÓǴ história. Até porque é a nossa história que está sendo contada. Não podemos esquecer que toda a poesia formada pelos rappers éǴ ôĩÓŘijéüĩěĭǴ êǀǴ ĔÓåÓǴ ēÓüĭǀǴ ĔÓåÓǴ menos, que a poesia das nossas vielas, das nossas gomas e das nossas vidas.
SUA EXISTÊNCIA É MUSICALIDADE, É ESCRITA, É POESIA.
21
ATO II
RUÍDO COLETIVO Colagem por Débora Campos (2026)
22
23
ESPECIAL
ENTREVISTA COM AKORÔ Por Gustavo Furlan
Mano, qual é o seu nome, de onde você é e qual é o seu trabalho? Certo mano, primeiramente é um prazer estar aqui, certo? Meu nome é Higor, mas meu vulgo é Akorô, sou do Capão Redondo, nasci em Osasco, sou Osasquense, cresci ali 9 anos da minha vida na Zona Oeste, ali no Jardim João XXIII, e aí depois mudei pro Capão e to aqui até hoje. E, mano, de onde que surgiu esse seu vulgo, o Akorô? Então, o Akorô foi concebido em 2022, tá ligado? Quando eu vi essa concepção, eu já tinha dois ÓĔěĭǴ ćÔǴ ĔÓǴ ÓijüńÓǀǴ óÓŐéĔåěǴ ôĩÓŘǴijéǴ na rua, já disseminando minha arte de uma forma mais séria. E aí foi um período de dúvida, tá ligado? Tipo, eu não tinha nenhum ĔěēéǴŘǴŊěǴĨĶéǴéĶǴijÓńÓǴÓĭĭüĔÓĔåěǴ ÓčüǴĔÓǴêĦěßÓƿǴ ĔijÜěǴéĶǴŘǴĨĶéüǴĔéĭǜ sa dúvida de, tipo, ter um nome ēÓüĭǴĩéĦĩéĭéĔijÓijüńěǀǴßěēǴĭüôĔüŘǴǜ ßÓåěǴēéĭēěƿǴ ǴÓþǀǴĔÓǴêĦěßÓǀǴéĶǴŘǴŐǴ um brainstorming com uma parceira minha na época. E a gente chegou nesse nome, o Akorô, tá ligado? Quando ela citou, Akorô ćÔǴÞĩüčùěĶǴěǴěčùěǴÓčüǀǴĦÔǀǴéĶǴćÔǴŘǴŐǴ ÓǴ ijÓôǴ ĔěǴ ēéĭēěǴ åüÓƿǴ Ǵ ĭüôĔüŘǴßÓǴ
24
o orixá Ogun, tá ligado? Então, Akorô faz parte de uma história dele quando ele esteve aqui na terra, onde ele reinou por uma cidade e ele sempre foi um homem desprendido de coisas materiais, tá ligado? Ele não usava a coroa. E aí o povo, por ser tão grato por como ele liderava as paradas, o pessoal moldou um capacete com uma coroa, que não era um capacete nem uma coroa, é um Akorô. Conta pra gente, no lugar que ńěßíǴ ßĩéĭßéĶǀǴ ěǴ ĨĶéǴ ijéǴ üĔřǴĶéĔǜ ciou ou abriu o caminho pro ôĩÓŘǴijédžǴ É, o primeiro contato que eu tive com... não foi nem com o ôĩÓŘǴijéǀǴ óěüǴ ßěēǴ ÓǴ ĦüßùÓâÜěǀǴ ĔêdžǴ Minha parte da arte urbana foi através do meu irmão e de um primo de terceiro grau. Então quando a gente morava ainda ali no João XXIII, eu lembro de um dia que ele chegou pra mim e me mostrou um trampo na rua e falou que ele que tinha feito, mano. ǴÓþǴéĶǴŘǴĨĶéüǴēĶüijěǴēÓĩÓńüčùÓåěƿǴ Eu falei, nossa, que doideira, tipo, não imaginava que o meu irmão fazia essas paradas. E aí eu comecei a me maravilhar mais por
AKORÔ Foto por Débora Campos (2026) Ilustração por Higor Barbosa
25
ESPECIAL isso. E aí depois acho que de um, dois anos ali veio essa mudança aqui pro Capão. E antes da muåÓĔâÓǴ ŘǴŊÓǴ ēéĭēěǀǴ ĔêǀǴ ÓǴ ôéĔijéǴ fazia muito esse trajeto da Zona Oeste pra Sul. E aí eu olhava muito os muros, tá ligado? Os tramĦěĭǀǴôĩÓŘǴijéǀǴéǴßùéôÓńÓǴéēǴßÓĭÓǴéǴ tentava replicar no caderno, tá ligado? Então começou por esse contato. E aí depois eu comecei a riscar o banheiro da escola também, foi os primeiros contatos. E aí rodei na escola porque eu assinava meu sobrenome e aí descoÞĩüĩÓēǴĨĶéǴéĩÓǴéĶǀǴéĔŘǴēƿǴ E eu vi também que você já participou de exposições né? Já, já participei de algumas exposições. A primeira, se eu não me engano, que eu participei foi do Perifacon, tá ligado? A gente fez uma residência artística de três meses, que é com alguns encontros, tal, e depois a gente fez o trampo e aí a gente fez a abertura lá em Diadema. foi muito louco participar desse bagulho. Você tá no meio artístico ali, é outra parada, né, mano? Você conviver com as pessoas que fazem uma ĦÓĩÓåÓǴĦÓĩéßüåÓǴêǴěĶijĩÓǴŘǴijÓƿ QĩÓǴ ńěßíǀǴ ĨĶÓčǴ êǴ ÓǴ åéŘǴĔüâÜěǴ de Hip Hop? Você tinha ßěĔùéßüēéĔijěǴ ĨĶéǴ ěǴ ôĩÓŘǴijéǴ éǴ ÓǴ ĦüßùÓâÜěǴ óÓŐéēǴ ĦÓĩijéǴ åěǴ movimento? É, na verdade o Hip Hop veio muito mais como uma vivência do que como uma parte teórica, né? Eu acho que primeiro, vivi muito o Hip Hop e continuo vivendo pra depois entender o que é o Hip Hop, né? Eu vejo o Hip Hop ßěēěǴĶēÓǴŘǴčěĭěŘǴÓǴåéǴńüåÓǀǴēÓĔěƿǴ
26
Tipo, eu acho que ele não se enĨĶÓåĩÓǴĭĜǴĔěǴôĩÓŘǴijéǴěĶǴĭĜǴĔěǴÞĩéǜ ÓĊǀǴ ijÔǴ čüôÓåědžǴ čéǴ êǴ ĶēÓǴ ŘǴčěĭěŘǴÓǴ de vida. As músicas que a gente escuta também, né? Na quebrada, no capão redondo mesmo, a ôéĔijéǴêǴēĶüijěǴüĔřǴĶéĔßüÓåěǴĦéčěĭǴ Racionais, Sabotage também que é uma quebrada ali próximo, tá ligado? Então pra mim o Hip Hop sempre foi essa parada de viver, mano. Tipo, o estilo mesmo, acho que vai tanto da forma como eu falo, da forma como eu me visto, tá ligado? Eu acho que é uma ĦÓĩÓåÓǴ ĨĶéǴ řǴĶüǴ ĦĩÓǴ ēüĔùÓǴ ńüåÓǴ toda, assim, o Hip Hop... Ǵ ēÓĔěǀǴ ĭéĩüÓǴ ßěĩĩéijěǴ ÓŘǴĩǜ mar que o Hip Hop te salvou? Por quê? É... Assim, pra ser sincero, eu não cresci numa realidade tão próxima, assim, ao crime, coisas do tipo, que poderia me levar pra essa vida errada, mas eu acho que ele me salvou na questão de ńéĩǴĶēǴĭüôĔüŘǴßÓåěǴĔěǴĨĶéǴéĶǴóÓǜ zia, tá ligado? Porque os trampos åéǴåéĭéĔùěǴéĶǴĭéēĦĩéǴŘǴŐƿǴ éĭåéǴ moleque eu sempre gostei muito de reproduzir esses desenhos. E aí o Hip Hop chega como uma ĦÓĩijéǴåéǴĭüôĔüŘǴßÓĩǴüĭĭěǀǴijÔǴčüôÓåědžǴ De eu ver que essa parada muda não só a minha caminhada, como das pessoas que consomem o meu trampo também. Sim, muda as pessoas ao redor, né? É uma parada que impacta, tá ligado? Então mudou totalmente a minha vida, salvou a minha vida, porque eu acho que se não fosse o Hip Hop eu seria um cara infeliz aí num CLT da vida, tá ligado? Talvez estaria fazendo uma coisa que não me completaria.
$ORTE NO JOGO Arte por Akorô (2026)
27
ESPECIAL ǀǴ ĦěĩĨĶéǴ ĔÜěǴ ijéēǴ ĔÓåÓǴ ēéčùěĩǴ do que a gente fazer o que a gente gosta. Exatamente, mano, exatamente. Então ele me trouxe pra isso, me trouxe pro sentido da vida mesmo. Propósito. Eu acho que isso aí também se éĔßÓüŊÓĩüÓǴ ĔéĭĭÓǴ ĨĶéĭijÜěǴ ĨĶéǴ aborda o nosso tema principal que é o futuro ancestral, a parada da resistência também, né? Sim, com certeza, porque a quebrada ali, a gente tá num lugar que é muito ancestral, tá ligado? Aquela quebrada começou muito antes da gente chegar ali dos nossos pais, né? Então é uma parada que carrega muita história, né, mano? E vem que se construir uma história, a gente tá fazendo parte dessa história também, né? Eu acho da hora demais viver isso, eu acho que é um bagulho de foda, é uma parada que eu não sairia nunca, acho que, da comunidade. Talvez por uma parte melhor ali sempre, né, mas se afastar total jamais, eu acho. Que ali tá a sua criação, né? Sim, exato, você se sente parte do bagulho, né? Eu acho que uma parada principal assim, eu pelo menos sinto muito isso, quando a gente cola num bairro mais elitizado pra num, nesse tipo de local, a gente se sente meio que destacado, né, fora da caixa, mano. E na quebrada você se sente parte de todo mundo, eu acho que ninguém tá te medindo nem nada, é ěĶijĩÓǴŘijÓƿ
28
Deixa um recado aí pra rapaziada, pra galera que tá chegando agora na cena pra entender um pouco melhor. Algo que você acha que vai tocar alguém. É, eu acho que pra galera assim, no geral, é da hora as pessoas continuarem fomentando. Eu acho que a arte já tá sendo bastante fomentada, as pessoas tão criando essa cultura de consumir, tá ligado? Tanto com forma de comprar, quanto de curtir, de compartilhar as paradas. Então eu acho que o papo que eu dou pro público no geral é isso, continuar ali incentivando os artistas ēéĭēěǀǴĦěĩĨĶéǴĔěǴŘēǴåÓĭǴßěĔijÓĭǴ o que a gente vê nessas ideias de marca, nessas ideias de produto, foi sempre ali uma parada artística que concebeu aquilo, né? Então acho que a gente continuar nesse caminho de valorização dessas pessoas que tão fazendo esse corre. E pra quem tá nesse corre, mano, acredita na parada, tá ligado? Graças a Deus de Deus. A gente está vendo um mundo aí que está facilitando muita rede social, a gente está conseguindo ter esse espaço. Essa visibilidade ajuda bastante, né? Exatamente, a gente está conquistando espaço. Então, continuar nesse corre e principalmente, mano, coletividade. Se junta com seus parceiros ali, se junta com quem a gente conhece e faz o corre acontecer junto com essas pessoas, tá ligado? Porque às vezes a gente quer ir na bala de ir sozinho ali, mano, mas sozinho a gente não chega em lugar nenhuma, tá ligado? A gente precisa dessa base, precisa estar junto.
AKORÔ Foto por Bela Fontanela (2026)
29
ATO II
ALÉM DOS MUROS Por Samuel Lopes
Saio pelas ruas e becos da minha quebrada e enxergo um outro universo. As coisas mais simples é que atingem meus olhos com mais altivez e me mostram a resiliência de um povo sofrido, mas que sabe viver e aproveitar bem a vida. Numa plaquinha, amarrada com arames no portão, o “vende-se” é o empreendimento, é o que faz nosso corre girar. Aqui não falamos muito sobre PIB, sobre mercadologias... O que importa é a sagacidade de quem aprendeu a se virar com pouco. Nosso design é a escrita à mão, são as plaquinhas impressas em A4. Tá na tinta e no pedacinho de madeira amarrado no poste. que perambula ora pela internet, ora Brasil afora. Quando começo este texto falando de outros universos, me ĩéŘĩěǴÓěĭ sinônimos que encontramos dentro dos nossos próprios núcleos. Na grande metrópole, Mc Donald’s, Sodiê. Aqui, Lanches do Gordão e ConfeitaĩüÓǴ åÓǴ @ÓŋƿǴ ěēǴ ÓĩijéĭǴ éĭĦéßþŘcas que conversam com nosso dialeto, com o dialeto de quem
30
nasceu dentro dessa ideia e de muitas outras neste contexto. O poder dessa comunicação tá na mão de todos. Ele é descentralizado. Tá na mão da costureira que estudou até a quarta série e precisa vender seu trampo, tá na mão de quem montou sua barraquinha ambulante de alimentos, na mão da mãe de santo que divulga seu terreiro, ou até mesmo na mão do crime organizado — quando nos muros deixam seus “salves” aos moradores. Essa transmissão de informações não necessita de formação educacional, mas forma. Forma caracteres, forma senso, forma noções e demonstra nossa forma de ser. Dito isso, convido o leitor a, quando pisar fora de casa, perceber com olhares carinhosos seu bairro, as vielas, os assentamentos, analisando o quão incrível é a adaptação, a plasticidade das pessoas que possuem pouco, mas produzem muito. Escrevem muito, movimentam muito, dentro do que conhecem, do que conseguem, do que sonham.
NOSSA MANEIRA única de ver o mundo e desenvolver nossa própria “gestalt”. LÉLIA GONZALES Foto por Aysha Morena (2022)
31
ATO II
O ROLÊ VIROU MEMÓRIA Foto por Bela Fontanela (2026)
32
33
ATO III
ATO III CLICK, PIISH!! “Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente A gente muda o mundo na mudança da mente E quando a mente muda a gente anda pra frente E quando a gente manda ninguém manda na gente!”
GABRIEL O PENSADOR - ATÉ QUANDO POR DÉBORA CAMPOS E HIGOR BARBOSA
34
O FUTURO OCUPA A PISTA. Foto por Bela Fontanela (2026)
35
ATO III
Não é somente sobre ler. É sobre ser visto.
VINICIUS DECIO Foto por Aysha Morena (2026)
36
POR QUE escrevemos Assim? Por Débora Campos Nas ruas, placas como “não jogue lixo” ou “vende-se geladinho” nem sempre seguem um padrão ôĩÔŘßěǀǴēÓĭǴßĶēĦĩéēǴĭéĶǴĦÓĦéčǁǴ comunicar rápido. Sem muita técnica, sem imĦĩéĭĭÜěǴĩéŘĔÓåÓǀǴĭéēǴĩéôĩÓǴŘŊÓƿǴ A letra nasce na mão, no improviso, no jeito que dá. E é justamente aí que essa escrita cria sua própria identidade. Nos anos 70, em Nova York, jovens começaram a espalhar suas assinaturas pelos muros e vagões do metrô. Um dos nomes mais conhecidos foi TAKI 183, um entregador que escrevia seu apelido junto ao número da rua onde morava. Como circulava pela cidade inteira, sua marca apareceu em vários bairros e inspirou outras pessoas a fazer o mesmo. A parada se espalhou, ganhou presença, éǴ éĭĭÓĭǴ ÓĭĭüĔÓijĶĩÓĭǴ ŘßÓĩÓēǴ ßěnhecidas como tags. Ǵ ĦÓĩijüĩǴ åÓþǀǴ ěǴ ôĩÓŘijéǴ óěüǴ ôÓnhando corpo como linguagem visual. As letras cresceram, ganharam volume, estilo e personalidade. Com o tempo, surgiram formas diferentes de escrever, como os
throw-ups, pieces e o wildstyle, cheio de conexões e letras difíceis de decifrar, representando presença, resistência e voz. Uma óěĩēÓǴåéǴåüŐéĩǁǴǦijÓēěǴÓĨĶüǧƿ No Brasil, essa linguagem ganhou outro ritmo e outro corre. Em São Paulo, nos anos 80, o pixo surgiu como resposta de grupos marginalizados diante das injustiças da cidade. Suas letras altas, comprimidas e agressivas carregavam üĔřĶíĔßüÓǴåéǴčěôěĭǴåéǴÞÓĔåÓĭǀǴijüĦěôĩÓŘÓĭǴĶĩÞÓĔÓĭǴéǴåÓǴĦĩĜĦĩüÓǴåĶĩéŐÓǴ dos muros. Ao mesmo tempo, lambe-lambes, adesivos e cartazes passaram a ocupar postes, placas e paredes. A cidade foi se enchendo de símbolos, marcas e mensagens que convivem no mesmo espaço. Cada parede passou a guardar um recado, uma denúncia, uma tentativa de existir no meio do concreto. Assim como ÓǴ éĭßĩüijÓǴ ĭéǴ ijĩÓĔĭóěĩēÓǀǴ ěǴ ôĩÓŘijéǴ também cria suas próprias letras. Ele deixa de apenas comunicar e passa a construir identidade.
37
ATO III
BARBA NEGRA Foto por Bela Fontanela (2026)
38
39
ATO III
os nossos Por Higor Barbosa
O uso dos muros como meio de comunicação utilizado pelos denominados “vândalos” começou em meados dos anos 60 e 70, motivado pela revolta da população que vivia a ditadura e suas violências, que buscavam limitar e silenciar opiniões contrárias. Esse surgimento coincide com um movimento parecido nos guetos de Nova Iorque, também marcado por opressão e descaso do governo. Em 80, com o “boom” do hip-hop, esse movimento ganha ĔěńěĭǴĭüôĔüŘǴßÓåěĭǀ
buscando retratar além da opinião, a própria existência da pessoa por trás daquele ato, buscando retratar além da opinião, a própria existência da pessoa por trás daquele ato — escrevendo seu vulgo com a intenção de ser visto pelo máximo de pessoas possível. Isso trouxe para a periferia um método de ser visto sem os moldes típicos impostos
40
pelas mídias, desencadeando um movimento único chamado pixação. Com suas próprias características e regras, esse universo continua em constante expansão, criando desavenças e os chamados “atropelos” — quando um artista transpassa o espaço ou a arte de outro sem autorização. A mais icônica talvez seja a briga entre as grifes “Os + Imundos” e “Os Registrados”, que deixou um marco histórico na pixação em relação à interação entre tinta e muro. Isso é um papo mil grau. SĶÓĔåěǴřǴĶþēěĭǴĦÓĩÓǴěǴôĩÓŘǴijéǴ não nos deparamos com um cenário muito diferente, dado que nasce junto da pixação e divide várias características, onde também vemos disputa territorial entre artistas e seus grupos. A efemeridade dos muros não condiz só com sua existência ou a tinta que o cobre. Eles contam e guardam histórias da cidade e de todos aqueles que dedicam sua vida, tempo e essência para que, ao menos por um período, a perspectiva dos transeuntes seja além do cinza.
GIGANTE Foto por Gustavo Furlan (2026) Ilustração por Aysha Morena e Higor Barbosa (2026)
41
MEL ZABUNOV Colagem por Gustavo Furlan (2026)
42
ESPECIAL
MEL ZABUNOV NO GRAFFITI, MEU INÍCIO FOI TENDO A CERTEZA DE QUE EU NASCI PARA ESSE ELEMENTO Observar o estilo de vida de cada amigo dentro do hip-hop era algo apaixonante logo de cara. Ver como cada um se doava ao máximo para a cultura, e como a cultura de rua, no geral, me fascinava profundamente. Quando abri os olhos e comecei a entender o mundo ao meu redor, dei de cara com tags, black music, rap, skate, pixação e uma identidade muito forte no jeito de cada um se vestir e se comportar. Aquilo tudo era extraordinário pra mim. Foi aí que comecei a criar minha própria tag, com reóéĩíĔßüÓĭǴ éēǴ ôĩÓŘÓĭǴ ĨĶéǴ me chamavam atenção
— um pouco de cada curva que eu admirava nas paredes, nos beirais, nas laterais, nos prédios e até nos cantos perdidos das vielas. Como eu desenhava muito e já criava minhas próprias personagens em histórias em quadrinhos, nasceu minha Bonekita. E pensa numa “persona” revoltada… meus 15 anos também, vamos combinar, ô fase. Naquela época, o grapixo estava nascendo, e eu ŘŐǴ ńÔĩüěĭƿǴ ĶǴ ôěĭijÓńÓǴ åéǴ tudo que envolvia cultura urbana nesse sentido que hoje chamam de artes visuais ou arte urbana.
Mas, com o tempo, tudo isso foi mudando dentro de mim. Fui aprendendo a deixar o ego de lado, fui me curando. Não queria mais provar meu valor pra ninguém, sabe? A trajetória que construí com tanta paixão é exatamente o que me trouxe até aqui. E perceber que me tornei exatamente aquilo que sempre sonhei foi ěǴ ēÓüĭǴ üēĦěĩijÓĔijéǁǴ ser inteira na minha mensagem.
Já pensei em ser uma ôĩÓŘijéüĩÓǴóÓēěĭÓǀǴĶēÓǴÓĩtista “famosona” mesmo.
Sempre respeitei o espaço do outro na rua e também reivindiquei o meu espaço. 43
ATO III
VAI EXPLODIR! Foto por Bela Fontanela (2026)
44
45
COLABORADORES Sarara Rodrigues (São Bernardo do Campo, 1989) êǴóěijĜôĩÓóěǴĦĩěŘĭĭüěĔÓčǴåéǴ ĩéÓĊüĔôǀǴ ĩüÓåěĩǴåÓǴ exposição “Breaking e suas expressões”, educador åéǴóěijěôĩÓŘÓǴéǴéåĶßÓåěĩǴĭěßüÓčƿǴ ēĦčÓēéĔijéǴĩéßěĔùéßüåěǴĦéčěǴĭéĶǴijĩÓÞÓčùěǴßěēǴóěijěôĩÓŘÓǴåéǴåÓĔâÓĭǴ éǴôéĭijěĭǀǴĩéßéÞéĶǴÓǴQĩéēüÓâÜěǴåéǴ?éčùěĩǴ!ěijěôĩÓŘÓǴ Latino-americana de Breaking em 2017. @osarararodrigues Mel Zabunov (São Bernardo do Campo, 1987) é ÓĩijüĭijÓǴńüĭĶÓčǴéǴéåĶßÓåěĩÓƿǴFǴôĩÓŘijéǴéǴĦüĔijĶĩÓǴĭÜěǴ as linguagens utilizadas nas criações de suas obras e demonstram um mundo expressivo e leve. Na educação também atua em prol da cultura, sendo ÓĩijéǜéåĶßÓåěĩÓǴéǴüĔřĶíĔßüÓǴĔěǴēéüěǴåěǴ'üĦǴ'ěĦƿǴ @mel.zabunov Higor Barbosa, também conhecido como Akorô (Osasco, 2000) é um artista visual que cria através de diversas plataformas e superfícies com artes que carregam sua essência. Diretamente do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, Akorô tem conijĩüÞĶþåěǴĦÓĩÓǴÓǴßěēĶĔüåÓåéǴÓijĩÓńêĭǴåěǴôĩÓŘijéǴéǴěĭǴ movimentos artísticos. @euakoro Lia Brito (São Paulo, 2006) é uma fotógrafa em ascensão que experimenta as interseções das artes visuais, tendo a memória como um ponto crucial de ĭĶÓĭǴěÞĩÓĭƿǴ ǴÓĩijüĭijÓǴijÓēÞêēǴéŊĦčěĩÓǴÓǴóěijěôĩÓŘÓǴ de shows, onde já fotografou grandes nomes, como, por exemplo, Mano Brown. @___liabrito
Desenvolvido no curso de Produção Multimídia do Centro Universitário Senac ȩǴşŝşţǴǟǴQĩěćéijěǴéåüijěĩüÓčǴÓßÓåíēüßěǴĭéēǴŘĔĭǴßěēéĩßüÓüĭƿ
ENCRUZA #1, JUNHO DE 2026 TéńüĭijÓǴåéǴ!ěijěôĩÓŘÓ
COORDENAÇÃO Ana Dias e Lucas Martins PRODUÇÃO GERAL Ana Dias DIREÇÃO DE ARTE Aysha Morena PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Aysha Morena e Lucas Martins TIPOGRAFIA - ENCRUZA Higor Barbosa ILUSTRAÇÃO Aysha Morena e Higor Barbosa ARTE EDITORIAL Aysha Morena, Bela Fontanela, Débora Campos, Higor Barbosa e Gustavo Furlan DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA Bela Fontanela CAPTAÇÃO DE IMAGENS Ana Dias, Aysha Morena, Bela Fontanela, Débora Campos e Gustavo Furlan TRATAMENTO DE IMAGENS Aysha Morena, Bela Fontanela e Débora Campos EDIÇÃO, PREPARAÇÃO E REVISÃO DE TEXTOS Bela Fontanela, Débora Campos, Gustavo Furlan, Gustavo Oliveira, Higor Barbosa e Samuel Lopes
ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS Formato A4 • Impressão 4x4 cores • Capa em Couchê 250g • Miolo em Couchê Brilhoso 115g ljǴ ßÓÞÓēéĔijěǴéēǴôĩÓēĦěǴßÓĔěÓǴljǴ^üĦěôĩÓŘÓĭǁǴlééĔéĩǴéǴ*ĔĩüÓƿ