ANAIS DO SEMINÁRIO MANEJAR
ANAIS DO SEMINÁRIO MANEJAR
ANAIS DO SEMINÁRIO MANEJAR - SEMINÁRIO DE PRODUÇÃO FLORESTAL FAMILIAR E COMUNITÁRIA DO AMAZONAS NOVEMBRO DE 2018 RELIZAÇÃO Idesam - Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia. FAS - Fundação Amazonas Sustentável APOIO PLANETA: Fundo Amazônia / BNDES APOIO INSTITUCIONAL: Bosque da Ciência /INPA - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia CAEF/UFAM - Centro Acadêmico Engenharia Florestal FSC Brasil - Forestry Stewardship Council IPAAM - Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas SEMA - Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas ORGANIZAÇÃO: André Luiz Menezes Vianna - Idesam Carlos Koury - Idesam Philippe Waldhoff - IFAM Sérgio Gonçalves - UFAM Henrique Pereira - UFAM PROJETO GRÁFICO E EDITORAÇÃO: Ana Claudia L. Medeiros FOTOS: Acervo Idesam
SUMÁRIO 1. Projeto Cidades Florestais 8 2. Introdução: O Seminário Manejar 10 3. Resumos apresentados no Seminário 12
1. PROJETO CIDADES FLORESTAIS Com o objetivo de fomentar a produção florestal madeireira e não-madeireira de produtores rurais do interior do Amazonas foi realizado o Seminário Manejar “Seminário de Produção Florestal Familiar e Comunitária do Amazonas”. O evento faz parte do projeto Cidades Florestais, desenvolvido pelo Idesam e contando com apoio do Fundo Amazônia/BNDES. Realizado entre os dias 26 e 28 de novembro no Bosque da Ciência, o seminário trouxe minicursos, rodada de negócios, palestras e apresentação de trabalhos acadêmicos. Análises sobre cadeias produtivas florestais do Amazonas foram apresentadas por pesquisadores na Sala dos Saberes, momento em que produtores rurais familiares entraram em contato com os trabalhos acadêmicos selecionados para o Seminário Manejar. Ao todo, são seis pesquisas que abordaram diversos segmentos da produção florestal no Amazonas e, por meio da Sala dos Saberes, estabeleceram diálogo com as famílias rurais que são diretamente beneficiadas com o conhecimento apresentado. Em linhas gerais, os trabalhos acadêmicos buscaram demonstrar informações para nortear a comercialização de produtos regionais (como os frutos de tucumã e a castanha-da-Amazônia), bem como orientar a certificação florestal e a formulação de Políticas Públicas voltadas para o Manejo Florestal, além de alternativas ao monocultivo de açaí. O intercâmbio que a Sala dos Saberes proporcionou entre profissionais florestais e famílias rurais foi uma experiência importante para a troca de conhecimentos na temática florestal no intuito de se buscar avanços técnicos e em políticas públicas.
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Com duração inicial de 36 meses, o Cidades Florestais é uma iniciativa do Idesam, com recursos financeiros do Fundo Amazônia/BNDES.
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2. introdução: o seminário manejar Fortalecer o setor florestal não é uma tarefa fácil, especialmente no estado com maior área de floresta do Brasil. O Amazonas é um cenário de vários recortes, riquezas e desafios que envolvem diversos personagens de povos tradicionais da região. Foi pensando em fomentar a produção florestal madeireira e não-madeireira que surgiu o Seminário Manejar “Seminário de Produção Florestal Familiar e Comunitária do Amazonas”. O evento faz parte do projeto Cidades Florestais, desenvolvido pelo Idesam e contando com apoio do Fundo Amazônia/BNDES. Realizado entre os dias 26 e 28 de novembro no Bosque da Ciência, o seminário trouxe atividades de campo, minicursos, rodada de negócios, palestras e apresentação de trabalhos acadêmicos. As análises desenvolvidas pelos pesquisadores foram apresentadas na Sala dos Saberes, momento em que produtores rurais familiares entraram em contato com os trabalhos acadêmicos selecionados para o Seminário Manejar. Ao todo, são seis pesquisas que abordaram diversos segmentos da produção florestal no Amazonas e, através da Sala dos Saberes, estabeleceram diálogo direto com as famílias rurais que são diretamente beneficiadas com o conhecimento apresentado. Em linhas gerais, os trabalhos acadêmicos buscaram trazer dados que devem nortear a comercialização de produtos regionais (como os frutos de tucumã e a castanha-da-Amazônia), bem como orientar a certificação florestal e a formulação de Políticas Públicas voltadas para o Manejo Florestal, além de alternativas ao monocultivo de açaí. O intercâmbio que a Sala dos Saberes proporcionou entre futuros profissionais florestais e famílias rurais é apenas um passo dentro da jornada da democratização de conhecimentos e desburocratização do setor florestal. Espera-se que, a partir destes trabalhos acadêmicos, orientações técnicas possam ser utilizadas por órgãos ambientais, rumo a uma futura economia com base em processos sustentáveis.
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3. resumos apresentados no seminário 3.1. Redes florestais: Manejo Florestal Sustentável e os Meios de Vida na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã 3.2. Formação do preço e rentabilidade da coleta da castanha-da-Amazônia (Bertholletia excelsa H.B.K.) produzida por unidades familiares da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã/AM
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3.3. Formação de preços e rentabilidade na comercialização de frutos de tucumã produzidos por unidades familiares na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã/AM
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3.4. Estrutura da floresta para fins de Manejo de Pequena Escala no Município de Urucará, AM
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3.5. Sobreposição das leis nacionais e estaduais do Amazonas de manejo florestal de pequena escala aos indicadores do FSC
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3.6. Sistemas de produção de açaí em Carauari: paisagens em complementariedade com a floresta
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3.1. Redes florestais: Manejo Florestal Sustentável e os Meios de Vida na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã Rydlewski, L.1; Hess, Y. C.2; Santos, L. D3. 1. Estudante de Graduação em Gestão Ambiental, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – Universidade de São Paulo (ESALQ – USP), Piracicaba – SP, Brasil. E-mail: laura.rydle@gmail.com 2. Estudante de Graduação em Engenharia Florestal, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – Universidade de São Paulo (ESALQ – USP), Piracicaba – SP, Brasil. E-mail: yasmin.hess@usp.br 3. Estudante de Graduação em Engenharia Agronômica, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – Universidade de São Paulo (ESALQ-USP), Piracicaba - SP, Brasil. E-mail: ladisep@gmail.com O presente trabalho busca compreender a influência do extrativismo de produtos madeireiros e não madeireiros nos Meios de Vida da população das comunidades ribeirinhas que compõem a Reserva do Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã. A partir deste diagnóstico pretende-se orientar a formulação de Políticas Públicas contextualizadas e que possam atender efetivamente as demandas das comunidades locais e orientar o desenvolvimento de projetos na RDS, servindo também como estratégia de avaliação do impacto do Projeto Cidades Florestais, realizado pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia – IDESAM. Para tal, foi utilizada uma metodologia denominada “Meios de Vida Sustentáveis” (MVS), sistematizada pelo Laboratório de Silvicultura Tropical (LASTROP – ESALQ/USP) a partir do trabalho do Departamento pelo Desenvolvimento Internacional de Londres (DFID,1999), pesquisas internacionais e nacionais. A abordagem MVS busca identificar os fatores de influência de uma determinada atividade ou produto na geração de recursos, atividades, capacidades e oportunidades no local, a partir da forma de vida relações socioculturais e capacidades de adaptação dos indivíduos, colocando as pessoas no centro do desenvolvimento. Aborda a percepção das comunidades locais acerca de cinco “esferas”: ambiental, natural, humano, social, física e financeira. Para cada esfera foram desenvolvidos indicadores-chave de avaliação, utilizados para elaboração de entrevistas semiestruturadas com questões fechadas e abertas. A avaliação das questões fechadas foi realizada de maneira quantitativa, a partir de pontuação previamente definida com variação de 0 a 1. Com base nesta pontuação obteve-se a média aritmética das questões, separadas por esfera e por indicador. Indicadores com pontuação acima de 0,5 foram considerados suficientes. Esta análise, complementada pelas questões abertas, possibilitou a percepção de fraquezas e fortalezas da atividade extrativista na RDS, a partir do ponto de vista dos próprios comunitários. Os indicadores alocados abaixo da área de suficiência foram: (i) regularidade da renda, (ii) participação da renda proveniente da atividade na renda total da família, (iii) infraestrutura coletiva de produção e (iv) infraestrutura familiar extra a atividade produtiva. Os demais indicadores foram considerados suficientes, dando destaque à importância da atividade na garantia da segurança alimentar local. A partir das questões abertas foram observadas dificuldades quanto ao preço dos produtos, acesso ao mercado, atendimento aos padrões legais (extrativismo madeireiro) e a necessidade de treinamentos de segurança do trabalho e boas práticas da atividade. Observou-se também que, além de fomentar o desenvolvimento local, a relação da atividade com a conservação ambiental é bem vista pelos comunitários, ressaltando a importância do fomento à mesma para atender aos objetivos de criação da RDS. A partir destes resultados, conclui-se que a atividade extrativista tem impacto positivo nos meios de vida da população local e deve ser estimulada junto a ações que supram as demandas observadas, servindo como fonte de renda, bem-estar e sustentabilidade dos recursos naturais. Palavras-chave: Extrativismo; Desenvolvimento sustentável; Comunidades ribeirinhas. Apoio/agradecimento: Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM) e Laboratório de Silvicultura Tropical (LASTROP – ESALQ/USP).
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3.2. Formação do preço e rentabilidade da coleta da castanha-da-Amazônia (Bertholletia excelsa H.B.K.) produzida por unidades familiares da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã/AM Giatti OF1; Pereira HS2; Alfaia SS3. 1. Mestrando pelo Programa de Pós Graduação em Agricultura no Trópico Úmido, Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), Manaus, Brasil. Email: otaviogiatti@gmail.com 2. Professor Titular, Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Manaus, Brasil. Email: henrique. pereira.ufam@gmail.com 3. Pesquisadora Titular, Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), Manaus, Brasil. Email: sonia.alfaia1@gmail.com O custo de produção, a produtividade e a rentabilidade do trabalho de coleta da castanha-da-Amazônia, assim como a formação de preços na cadeia de comercialização desse produto, foram estimados com base na produção comercializada por sete famílias moradoras de cinco comunidades da RDS Uatumã/AM na safra 2018. Para coleta de dados recordatórios foram realizadas entrevistas semiestruturadas com as famílias e com dois comerciantes que compraram a castanha em 2018, sendo um de Presidente Figueiredo e outro de Urucará. Para escolha dos entrevistados foi utilizado o método não probabilístico “bola-deneve”, que consiste em indicações de informantes a partir de cadeias de referência. Para análise dos custos foi utilizado o método da CONAB com modificações. O custo da mão-de-obra familiar por dia de trabalho foi estimado com base no preço da diária paga no local de R$50,00 por trabalhador. A produção local comercializada teve cinco destinos: regatão, municípios de Urucará e Presidente Figueiredo, Fazenda Aruanã e comunidades locais. A produção média por família foi de 45,6 latas comercializadas na safra. O maior valor pago aos produtores foi de R$40,00 por lata, entre janeiro e fevereiro. Nos meses seguintes, com aumento da oferta, o preço pago ao coletor chegou a R$25,00 por lata. O aumento da oferta também repercutiu no preço de revenda. Em Urucará, foi reduzido de R$55,00 em janeiro para R$30,00 por lata, em abril. Não foi registrada variação no preço de revenda para feirantes de Presidente Figueiredo. O custo total de produção variou entre R$2,70 a R$20,70 por lata, em função principalmente da variação no esforço de coleta medido em termos de homem*dias de trabalho de coleta. Uma família teve renda líquida negativa e o melhor desempenho foi o da família que alcançou rentabilidade líquida de R$87,12 por dia trabalhado. Essa família, além de registrar a maior produção e produtividade, 154 latas na safra e cerca de 2,85 latas por dia trabalhado, respectivamente, explora com exclusividade três castanhais. Outras três famílias que também tinham acesso exclusivo a castanhais ditos “particulares” alcançaram produtividade maiores ou próximas da mediana do grupo. As três famílias que obtiveram rentabilidade líquida menores que a mediana do grupo (R$17,83 por lata) exploram castanhais comunitários, onde várias famílias competem pelo acesso ao recurso florestal. Portanto, o custo da mão de obra é o que mais influencia o custo de produção enquanto que o regime de posse dos castanhais (Privado vs. Coletivo) e a competitividade entre unidades familiares pelo acesso ao recurso são determinantes para a produtividade do trabalho de coleta e consequentemente a rentabilidade da atividade. Além disso, a variação da oferta durante a safra afeta a formação do preço pagos aos produtores e valor de revenda pago aos atravessadores. Palavras-chave: cadeia de valor; produto florestal não madeireiro; análise de custo de produção Apoio: Os autores agradecem à CAPES pela bolsa de estudos ao primeiro autor, à FAPEAM (AM) e ao IRD (França) pelo apoio financeiro à pesquisa através do Projeto SINSBIOSE financiado pelo Edital 022/2014 GUYAMAZON e ao IDESAM e à SEMA/AM pelo apoio logístico do trabalho em campo.
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3.3. Formação de preços e rentabilidade na comercialização de frutos de tucumã produzidos por unidades familiares na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã/AM Giatti OF1; Pereira HS2; Alfaia SS3 1. Mestrando pelo Programa de Pós Graduação em Agricultura no Trópico Úmido, Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), Manaus, Brasil. Email: otaviogiatti@gmail.com 2. Professor Titular, Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Manaus, Brasil. Email: henrique.pereira.ufam@gmail.com 3. Pesquisadora Titular, Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), Manaus, Brasil. Email: sonia.alfaia1@gmail.com Este trabalho teve o objetivo avaliar a formação dos preços pagos por frutos de tucumã produzidos por unidades familiares (N=7) da RDS do Uatumã/AM, e analisar a rentabilidade da produção comercializada na safra de 2017 por cinco dessas famílias, sendo três da Comunidade Maracarana e duas da Comunidade Caribi. Para coleta de dados recordatórios foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com as famílias produtoras e com um comerciante de Presidente Figueiredo. A escolha dos entrevistados foi a partir do método não probabilístico “bola-de-neve”, que consiste em indicações de informantes a partir de cadeias de referência. Para análise de custos de produção foi utilizado o método da CONAB com adaptações. A rentabilidade foi estimada em termos de remuneração da mão-de-obra por dia de trabalho considerando como custo da mão de obra o valor pago pela diária no local, que corresponde a R$50,00. Enquanto a maioria das famílias afirmou comercializar os frutos apenas em alguns meses do primeiro semestre, uma família do Caribi que atua também como atravessadora declarou produzir durante o ano inteiro. Os maiores valores pagos aos produtores ocorreram no início da safra (fevereiro), e em parte da entresafra (junho-agosto). Entre os destinos de comercialização foram assinalados: a família do Caribi; atravessadores de Itapiranga; atravessadores e feirantes de Manaus; e feirantes de Presidente Figueiredo. Os últimos foram os melhores pagantes, com preço de R$190,00 por saca de 50kg, no início da safra. Os feirantes revendem os frutos em dúzias para consumidores finais, pelo preço que varia entre R$5,00 e R$6,00. Os atravessadores de Itapiranga e a família do Caribi pagam o preço máximo de R$40,00 e R45,00, respectivamente. Em Manaus, destino de venda dessa família, o preço varia de R$25,00 a R$100,00. O custo total de produção variou entre R$2,50 e R$6,00 por saca, para as famílias produtoras e R$27,00 para a família atravessadora. Todas as 5 famílias alcançaram renda líquida positiva, entre R$300,00 e R$700,00 na safra e o melhor desempenho foi o da família que embora tenha tido o menor esforço de coleta, alcançou o melhor preço na comercialização lhe garantindo uma rentabilidade líquida de R$54,30 por dia trabalhado. Concluímos que a oferta e a demanda são os responsáveis pela variação dos preços comercializados e o acesso a mercados que pagam o melhor preço foi determinante para a maior rentabilidade do trabalho de coleta. Os produtores reivindicam transporte da produção pelo menos duas vezes ao mês durante a safra para reduzir as perdas por desperdício dos frutos deteriorados e o acesso à energia elétrica, que permitiria o beneficiamento dos frutos e a conservação da “polpa-de-tucumã”, agregando valor ao produto e possibilitando a comercialização na entre safra. Palavras-chave: cadeia de valor; produto florestal não madeireiro; análise de custo de produção. Apoio: Os autores agradecem à CAPES pela bolsa de estudos ao primeiro autor, à FAPEAM (AM) e ao IRD (França) pelo apoio financeiro à pesquisa através do Projeto SINSBIOSE financiado pelo Edital 022/2014 GUYAMAZON e ao IDESAM e à SEMA/AM pelo apoio logístico do trabalho em campo.
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3.4. Estrutura da floresta para fins de Manejo de Pequena Escala no Município de Urucará, AM. Bentes, M. E. A.1; Pinto, A. C. M.2; Lima, A. J. N.3; Santos, J. dos 3; Higuchi, N. 3 1. Estudante de Graduação em Engenharia Florestal, Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Manaus, AM, Brasil. Email: miza.bentes@gmail.com 2. Professor do Departamento de Ciências Florestais da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Manaus, AM, Brasil. Email: albertocarlos@ufam.edu.br 3. Pesquisador do Laboratório de Manejo Florestal do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Manaus, AM, Brasil. Email: adrianolmf@gmail.com; joaquimdossantos701@gmail.com; niro@inpa.gov.br
O Amazonas é o estado que contempla a maior área natural de recursos florestais, nesse contexto, o fortalecimento de políticas que assegurem o uso sustentável desses recursos é imprescindível para o desenvolvimento de atividades que visam o manejo racional. Dentro das categorias de manejo, o de pequena escala é o mais aplicável para o interior do estado do Amazonas, já que é destinado a grupos de pequenos produtores sendo restrito a propriedades com até 500 ha (Resolução CEMAAM n.07/2011). Uma das etapas mais importantes para essa atividade é a avaliação da composição florística a ser manejada, que é feita por meio do inventário florestal, que quantifica e qualifica os recursos a serem explorados. Dessa forma, o presente trabalho tem como objetivo principal a caracterização da estrutura horizontal da floresta em uma área de Manejo de Pequena Escala, avaliando a diversidade florística local, além de estimar a área basal e volume da floresta. Para o estudo, foram utilizados dados referentes ao Programa PRO-RURAL (FAPEAM), coletados em colaboração entre o Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas e Universidade Federal do Amazonas. O trabalho foi realizado no município de Urucará, Amazonas, numa área compreendida em 25 ha, inventariada por meio do sistema de conglomerados, onde foram medidos todos os indivíduos com DAP ≥ 20 cm. Para o processamento e avaliação dos dados, o povoamento florestal foi analisado quanto a diversidade florística, densidade, dominância, frequência, valor de importância. Também foram estimados a área basal e o volume, este utilizando equação sugerida por LIMA (2010), amplamente usada na Amazônia Central. A área apresentou 2938 indivíduos, distribuídos em 41 famílias botânicas e 184 espécies. Através desses dados foi possível obter o valor de 4,34 H` para o índice de Shannon-Weaver, apresentando alta diversidade florística. Dentre as 184 espécies, foram classificadas as com maior valor de importância, em função da densidade, dominância e frequência absoluta, se destacando Chrysophyllum sanguinolentum, Eschweilera odora, Ocotea cinerea, Protium altsonii, Pouteria reticulata, Couepia sp, Muiratinga coriaceae, Eperua glabriflora, Couratari guianensis e Brosimum utile. Os indivíduos inventariados resultaram em 14,55 m²/ha de área basal e 216,78 m³/ha em volume, sendo assim, a área possui recursos suficientes a serem explorados. Além disso, obteve-se na classe diametrica ≥ 50 um volume explorável de 52,78 m³/ha, e apresentou estoque para próximos ciclos de corte. A partir desse trabalho foi possível confirmar o potencial econômico da área para a elaboração e execução de planos de manejo florestal em pequena escala (PMFSPE), de forma que possa se manter a diversidade e garantir a produção contínua da floresta.
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3.5. Sobreposição das leis nacionais e estaduais do Amazonas de manejo florestal de pequena escala aos indicadores do FSC Hess, Y. C.; Rydlewski, L.; Santos, L. D. 1. Estudante de Graduação em Engenharia Florestal, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – Universidade de São Paulo (ESALQ-USP), Piracicaba - SP, Brasil. E-mail: yasmin.hess@usp.br. 2. Estudante de Graduação em Gestão Ambiental, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – Universidade de São Paulo (ESALQ-USP), Piracicaba - SP, Brasil. E-mail: laura.rydle@gmail.com. 3. Estudante de Graduação em Engenharia Agronômica, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – Universidade de São Paulo (ESALQ-USP), Piracicaba - SP, Brasil. E-mail: ladisep@gmail.com.
A crescente destruição das florestas nas últimas décadas fez com que muitos consumidores buscassem um consumo mais consciente, principalmente em produtos oriundos diretamente das florestas, dessa maneira, para conciliar a exploração e a conservação das florestas, surge a certificação florestal. O processo de certificação florestal ocorre de maneira voluntária pelos proprietários florestais e responsáveis pelo manejo florestal, ela assegura que todo o processo de produção foi feito de forma responsável e realizado a partir de princípios ambientais, sociais e econômicos. No Brasil, a procura pela certificação está ligada principalmente a grandes empreendimentos, esse fato se deve principalmente ao alto custo (direto e indireto) para a certificação do manejo florestal. Visando contornar esse fato e abranger pequenos produtores e comunitários, um dos principais sistemas de certificação florestal no Brasil, o FSC (Forest Stewardship Council) elaborou o Padrão para Avaliação de Manejo Florestal Comunitário e de Pequenos Produtores no Brasil, que ainda está em fase de aprovação. Este documento estabelece normas, baseadas em 10 princípios, que se especificam em 63 critérios e se ramificam em 295 indicadores exigidos. Muitos desses indicadores estão de acordo com as leis brasileiras, sendo assim, se o pequeno produtor ou comunitário está em conformidade com as leis, ele também está de acordo com esses indicadores. Nesse contexto, este trabalho teve por objetivo verificar a sobreposição das leis vigentes nacionais e no estado do Amazonas relacionadas ao Plano de Manejo Florestal Sustentável de Pequena Escala (PMFSPE) em relação aos indicadores do FSC. Dois dos dez princípios não foram considerados por estarem relacionados a leis especificas além das relecionadas ao manejo, sendo eles os princípios 2 e 3, direitos trabalhistas e dos povos indígenas, respectivamente. Assim, dos 295 indicadores de 8 princípios do FSC considerados, verificou-se que os princípios 1, 5 e 8, correspondentes ao Cumprimento das leis, Benefícios da floresta e Monitoramento e avaliação, respectivamente, têm uma sobreposição de mais de 40% às leis brasileiras. Os princípios 4, 6 e 7, correspondentes às Relações com a comunidade, Valores e impactos ambientais e Planejamento de manejo, respectivamente, tem uma sobreposição entre 20 e 40%. E os princípios, 9 e 10, correspondentes aos Altos valores para a conservação e Implementação de atividades de manejo, respectivamente, tem uma sobreposição de menos de 10%. Com esses dados o pequeno produtor ou comunitário que busca a certificação terá a informação de quais indicadores ele precisará cumprir além de seguir a legislação brasileira, e quais os princípios que mais se distanciam da legislação e, dessa maneira, deverão ter mais atenção. E, por fim, com a obtenção da certificação o comunitário aumentará a qualidade de seu manejo florestal, a visibilidade no mercado e terá maior valor agregado em seu produto. Palavras chave: FSC, Manejo florestal de pequena escala, Certificação.
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3.5. Sistemas de produção de açaí em Carauari: paisagens em complementariedade com a floresta SIQUEIRA JAS1; PEREIRA HS2 1. Doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Fundação AmazonasSustentável, Manaus, AM, BR, E-mail: siqueirajhassem@gmail.com 2. Professor titular, Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Manaus, AM, BR, E-mail: henrique.pereira.ufam@gmail.com
Analisamos ambientes de florestas nativas e de áreas de cultivo manejados por comunidades tradicionais para produção do açaí, importante atividade florestal para geração de renda e segurança alimentar no Estado do Amazonas. O estudo foi realizado no município de Carauari, localizado na região do médio rio Juruá. Os territórios pesquisados foram o Projeto de Assentamento (PA) Riozinho, a Reserva Extrativista (RESEX) Médio Juruá e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Uacari (RDS de Uacari). Para análise das estruturas dos ambientes foram realizados 4 inventários florestais amostrais nos açaizais, sendo dois inventários em áreas de cultivos no PA, um inventário na RESEX e um na RDS. Os solos das áreas foram classificados como argilosos de baixa fertilidade química, típicos das áreas de terra firme da região amazônica. Na RESEX e na RDS, os açaizais estão localizados em áreas de florestas extrativas dominadas pela espécie nativa Euterpe precatoria, em áreas de platô e baixio. Já no PA Riozinho, os açaizais são constituídos na forma de cultivos solteiros (monocultivo) ou consorciados (ou misto) com outras espécies frutíferas principalmente, pupunha, manga, abacate cupuaçu e tucumã, além da espécie introduzida E. oleracea (açaí do Pará). Os plantios de Euterpe nas áreas no PA apresentam uma densidade média de 500 plantas por hectare, enquanto que nas florestas extrativas na RESEX e RDS a média foi de 250 plantas por hectare. Embora as plantas de E. precatoria tenham apresentado a mesma altura média de 10m tanto no monocultivo como nas florestas nativas, nestas ocorrem um número maior de indivíduos mais altos que 14m. Plantas cultivadas em consórcio tinham 6±1,8m de altura em média, a menor dentre os sistemas, porém com circunferência na altura do peito (CAP) semelhante aos das plantas das florestas extrativas com 47±9,1cm. Plantas de monocultivo apresentaram a menor média de CAP, ou seja, 39±12,5cm. Quanto ao número de cachos por plantas, registramos que enquanto a média nas florestas extrativas era de 3,7±0,5 cachos por planta, no consórcio 2,0 cachos e no monocultivo apenas 1 cacho por planta, em média. O número de árvores sem cachos foi semelhante entre o monocultivo e a floresta extrativa, 32% e 38% respectivamente, sendo o menor valor encontrado no consórcio com 27%. Concluímos que embora as áreas de cultivo possam apresentar uma maior densidade o que facilitaria o trabalho de coleta, sua produtividade por planta pode ser menor que a da floresta extrativa. O sistema em consórcio apresenta as vantagens de resultar em plantas mais baixas, com maior circunferência, com menor frequência de indivíduos sem cacho e com uma produção superior à do monocultivo. Por isso, recomendamos os plantios consorciados como melhor alternativa para intensificação da produção em complementariedade à conservação das florestas extrativas no Estado do Amazonas e manutenção dos serviços ecológicos. Palavras-chave: Euterpe precatoria Mart; açaizal; extrativismo. Agradecimento: Os autores agradecem à CAPES pela bolsa de estudos concedida ao primeiro autor através do Edital 047/2012 – Pró-Amazônia, à ASPROC pelo apoio logístico na pesquisa e campo e aos monitores-pesquisadores das comunidades pelo auxílio na coleta dos dados. À SEMA e ao ICMBio pela autorização para a pesquisa em Unidades de Conservação.
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