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O brasileiro deve mudar a sua postura financeira Alfredo Meneghetti Neto Economista da FEE e Professor da PUCRS O brasileiro sempre foi muito otimista em relação ao seu futuro, e continua sendo, mesmo com essa incerteza pairando no ar, vinda do mercado financeiro mundial, com números ruins dos países desenvolvidos. Isso não abala a maioria dos assalariados. Pensam que poderão se aposentar tranqüilamente. Vida mansa, lazer, dinheiro no bolso e feliz! Que contradição! Caso ele refletisse sobre esse cenário econômico instável, talvez tivesse muito mais ânimo para construir o sonho de que uma aposentadoria digna se concretize. Mas o brasileiro não faz nada! Na realidade, existe um descompasso entre a visão de um futuro melhor e o esforço para poupar. Não há dúvida que a letra do hino brasileiro está certa. O brasileiro está deitado em berço esplêndido, enquanto o crédito vai explodindo no comércio e o endividamento aumentando. A tendência consumista de muitas famílias é insustentável no médio prazo. Como dar bons exemplos aos adolescentes, se os adultos não praticam a principal regra: gastar menos do que ganha? Isso tem que ser mudado! Existem duas evidências interessantes que mostram que o governo e as empresas nos Estados Unidos estão provocando essa mudança. A primeira é a iniciativa governamental do Estado de Iowa, que através do site http://www.ihaveaplaniowa.gov possibilitou o acesso gratuito a vários fundamentos de finanças pessoais. Explica, detalhadamente, como construir um orçamento, como fazer poupança e como usar corretamente o cartão de crédito. A meta do governo foi aliviar o estresse das pessoas, ajudando-as com lições de finanças pessoais. O lema é: “eduque a mocidade de Iowa hoje, para eles façam escolhas importantes sobre as suas finanças no futuro." Essa iniciativa contou com o apoio de várias instituições financeiras e, principalmente de muitas empresas privadas, que estão muito preocupadas com o enfraquecimento da demanda naquele País. O cenário econômico ainda é muito difícil, e o endividamento das famílias torna ainda mais complexa a saída da crise. A segunda é um estudo recente nos Estados Unidos. Ao analisar os dados de 300 empresas que davam lições de finanças pessoais (como um benefício aos seus empregados), esse estudo concluiu que: (a) 86 % dos empregados não estavam bem direcionados para se aposentar confortavelmente; (b) 73% deles não estavam seguros se a poupança que eles mantinham era apropriada; (c) 53% dos funcionários admitiram que não sabiam onde aplicar seus recursos. Além disso, a pesquisa mostrou que muitos americanos poderiam ter uma postura financeira mais adequada, caso o seu empregador oferecesse mais atividades de educação financeira, como um benefício. Argumenta também que algo tem que ser feito, pois existem mais de 50 milhões de crianças que crescem sem qualquer noção de como administrar o seu dinheiro. Essas duas evidências confirmam a necessidade de se mudar a postura financeira do brasileiro, pois o atual descompasso entre a visão de futuro e a falta de poupança é ruim para todos: família, governo e principalmente para as empresas. Já existem iniciativas exitosas no Brasil, como o excelente trabalho do Centro de Conciliação da Escola da Ajuris com os superendividados, mas é necessário mais. Duas perguntas os cidadãos devem ser incentivados a fazer. Para onde vai o meu dinheiro? Quanto dinheiro eu posso guardar hoje para que o sonho de uma boa aposentadoria se torne realidade? Agindo assim, os adolescentes, os idosos e os assalariados terão orçamentos bem mais equilibrados e viverão muito melhor. Com isso, tanto o governo, como as empresas sairão beneficiadas.


O brasileiro deve mudar a sua postura  

encaminho algumas lições de finanças pessoais.