MANAUS, DOMINGO, 28 DE FEVEREIRO DE 2016
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A perspectiva de um novo futuro para Zona Franca de Manaus
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Suframa
anos FOTOS: DIEGO JANATÃ
Rebecca GARCIA
‘Precisamos CONSTRUIR uma GESTÃO industrial PARA a SUFRAMA’ Há três meses no comando da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), a economista Rebecca Garcia olha com otimismo as promessas de mudanças que serão realizadas na autarquia com vistas ao melhor atendimento à indústria e à busca da consolidação do Distrito Agropecuário. Para encarar os desafios de um órgão que sofreu com o aparente abandono por parte do governo federal, em entrevista para o EM TEMPO, Rebecca diz apostar num plano de gestão industrial com olhar para os próximos 20 anos, de maneira que seja encontrado o diferencial da região com o Zona Franca Verde, já regulamentado pela presidente da República, Dilma Rousseff
EM TEMPO - São três meses na frente da Suframa. Já deu para sentir o peso e todos os processos da autarquia? REBECCA GARCIA - É, não dá para conhecer tudo. A Suframa é praticamente um segundo governo dentro do Estado. Ela trata da política industrial do Estado. É um órgão complexo, mas que tem profissionais qualificados. Então, qualquer superintendente se sente respaldado e à vontade para tomar algumas ações, porque sabe que existem técnicos competentes que darão suporte para a administração. EM TEMPO - De 2014 a 2015 a Suframa viveu uma indefinição quanto ao comando do órgão. Especialistas apontaram que a autarquia sofria definhamento. Essa ferida já cicatrizou? RG - Para traz fica difícil de avaliar porque eu não estava presente. Não sou servidora de carreira da autarquia. Agora, o que se percebe é que, no meio do momento que vivemos na economia brasileira, você ainda recebe pedidos de visitas na autarquia para trazer empresas para cá. Então, para todos nós que estamos dentro da Suframa, há um entendimento de que há a percepção dos investidores de que temos um modelo consolidado e respeitado e que vale a pena investir no projeto Zona Franca de Manaus. EM TEMPO - A Taxa de Serviço Administrativo (TSA), que gerou R$ 500 milhões de arrecadação em 2015, é alvo de críticas, pois, ao invés de serviço ao desenvolvimento regional, passou a ser usado pelo governo federal para compor o superávit primário. É possível a suspensão temporária dessa cobrança? RG - O governo federal está disposto a essa discussão. Houve um entendimento pela parte jurídica de que a TSA seria inconstitucional. Ainda não foi publicado esse acórdão, mas já foi definido que seria
inconstitucional por conta de um erro de redação. Deu-se um caráter de imposto a uma taxa. A procuradoria federal está fazendo um estudo de uma nova redação para uma nova TSA. A Suframa busca cuidado na elaboração dessa taxa porque a intenção da TSA não é ter lucros. O que precisa é de uma taxa que mantenha os custos. Todos os cálculos são feitos para que o empresário não seja sacrificado e não tenha o serviço comprometido. EM TEMPO - No momento em que os empresários buscam diminuir os custos de produção, o que pesa mais na relação da Suframa com a indústria? RG - Na verdade, é a questão da TSA, que é mais questionada por empresários. Penso que esse é o ponto principal. EM TEMPO - Como está hoje o diálogo com os representantes do setor? RG - É ótimo. O entendimento da gestão atual é que a Suframa está ali para atender o empresário. A Suframa não teria motivo nenhum de existir se o empresariado resolvesse fechar as portas. Estamos para prestar um serviço e queremos fazer o melhor por eles, para que o empresário saia satisfeito, claro, tudo dentro da legalidade, porque existem alguns limites que a lei nos impõe. O prejuízo maior que a Suframa pode ter é a insatisfação de um empresário e, amanhã, com essa insatisfação, esse empresário vir a fechar as portas. EM TEMPO - O que é feito para melhorar o atendimento aos empresários? RG - A Suframa trabalha no entendimento da agência executiva que será em breve colocada em prática. Acreditamos que, até julho ou agosto, a agência executiva deva tomar uma forma mais concreta. Um dos pontos de avalição dos servidores da Suframa são justamente as empresas. Elas vão avaliar como serão atendidas. É importante para que a Suframa venha a se moldar dentro
daquilo que é a sua função principal: o atendimento do empresariado. EM TEMPO - A agência vai trazer essa configuração de mais liberdade à autarquia na busca de desenvolvimento regional? RG - Existem alguns pontos em que são possíveis de enxergar mais autonomia. Por exemplo, o superintendente passar a ter autonomia para constituir as suas equipes, para constituir os departamentos. Hoje, não tem definido pelo ministério (do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) o corpo da Suframa. No futuro ele terá. Mas a intenção é não perder o status de autarquia como agência executiva. EM TEMPO - Com passos como esse da agência executiva, é possível visualizar a construção de um alicerce mais forte para os próximos 50 anos? RG - A Zona Franca Verde vem ao encontro desse anseio de desenvolvimento regional. Pela primeira vez se criou uma ferramenta que realmente poderá desenvolver as áreas de livre comércio de toda a Amazônia Ocidental brasileira, assim como a interiorização, não só nesses Estados, como também no Amazonas, dessa mão de obra que vamos trabalhar com outro tipo de produto, com foco nos de preponderância regional. EM TEMPO - A Zona Franca Verde vem com o foco no setor primário? RG - Ela é independente do setor primário, mas também fala do setor, pois a base da matéria-prima regional é no setor primário, mas não é necessariamente animal ou vegetal, mas também mineral. EM TEMPO - Quanto à matéria-prima mineral que temos, por exemplo, em Presidente Figueiredo com a mina do Pitinga e o potássio, em Autazes, vamos conseguir tirar melhores resultados com a Zona Franca
Verde? RG - Essa matéria-prima regional pode ser oriunda de toda a Amazônia Ocidental. Sei que haverá discussão, porque o Amapá quer que se amplie para lá. Mas, o processamento industrial é que precisa estar dentro das áreas de livre comércio. EM TEMPO - Então se vê o fortalecimento do modelo para os próximos 50 anos? RG - Definitivamente. Um novo momento e um novo caminho para a Zona Franca. EM TEMPO - Ao se falar de um novo caminho, das três linhas do modelo, que são a indústria, o comércio e o agronegócio, o terceiro é o que menos percebemos. RG - Penso que é uma questão de priorizar. Em outras gestões se priorizou a indústria porque se precisava consolidar o modelo. Hoje, vejo que o modelo da indústria está consolidado. Então, é o momento de expandir e reforçar esse trabalho. EM TEMPO - Qual é o grande desafio da Suframa nesse atual cenário? RG - Quando cheguei à Suframa, o entendimento é de que precisaríamos construir um plano de gestão industrial para autarquia. A indústria não se pensa para menos de 20 anos. Como vou saber o que tenho que fazer amanhã se eu não sei onde a Suframa quer chegar daqui a 20 anos? Quando entrei na Suframa, dei um prazo de dois meses para que construíssemos esse plano de gestão empresarial para o Estado. Esse plano foi apresentado na reunião do Conselho de Administração da Suframa (CAS). Ele é um plano aberto e vamos esperar contribuições dos economistas e do empresariado. Queremos construir um caminho para que o próximo superintendente da Suframa tenha um caminho a seguir, pois é bastante difícil começar do zero. EM TEMPO - Qual é o entendimento da indústria
sobre esse momento? RG - Há um entendimento claro de alguns segmentos quanto à exportação dos seus produtos. Essa crise deixou claro que não podemos ficar na mão do mercado interno. Essa não foi a primeira crise e não será a última. Independentemente de quem esteja no governo federal, outros momentos com esse virão, talvez não tão acentuados ou não tão pouco acentuados. Não podemos mais ficar reféns do mercado consumidor interno. Hoje, a Zona Franca envia os produtos para o mercado nacional. Um dos pontos desse plano industrial é a exportação que será trabalhada, bem como a logística. EM TEMPO - Hoje, com o dólar valorizado, a exportação fica mais fácil. Com a estabilização do real, é possível enxergar a Zona Franca exportando para o mercado internacional? RG - Há a necessidade do diferencial, de competir com aquilo que somente nós temos em abundância. O momento de crise econômica que vivemos é interessante porque nos obriga a pensar e a sair da zona de conforto para pensar no que temos como diferencial. Penso, por exemplo, no couro do pirarucu, que só nós que temos, assim como o tucum, a fibra do tucumã, que é usada para móveis. EM TEMPO - É possível visualizar melhorias na infraestrutura e na logística para o futuro? RG - No plano industrial, a questão da logística é tratada com respeito, pois essa questão em si chega até a ser perturbadora, porque perdemos vidas em acidentes por conta dos buracos, há empresas perdendo produção no transporte dentro da zona do Distrito Industrial e perdemos investimentos. É necessário que haja uma revisão da questão logística da região para que ela de fato seja competitiva.
O entendimento da gestão atual é que a Suframa está ali para atender o empresário. A Suframa não teria motivo nenhum de existir se o empresariado resolvesse fechar as portas. Estamos para prestar um serviço e queremos fazer o melhor por eles...
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Diversificar para crescer A Zona Franca de Manaus continua a ser prioridade na estratégia de desenvolvimento do governo do Estado, porém, a palavra de ordem é buscar a diversificação das atividades econômicas para fortalecer o crescimento do Amazonas
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futuro econômico do Amazonas é uma preocupação constante que martela a cabeça dos gestores do Estado. Embora a Zona Franca de Manaus (ZFM) seja ainda o principal motor de desenvolvimento da região, a palavra de ordem é diversificar a economia local, conforme a nova diretriz do governo. “O Estado trabalha hoje com dois vetores: o primeiro é expandir a Zona Franca de Manaus para o exterior e o segundo é diversificar as matrizes econômicas para o interior, utilizando principalmente as potencialidades da região”, explica o titular da Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Seplan-CTI), Thomaz Nogueira. Segundo o secretário, para o governo é fundamental que a economia amazonense tenha capacidade de expansão e competitividade. O anúncio da transferência de algumas fábricas para Manaus, como a Positivo, ocorrida em janeiro deste ano, e a expectativa da vinda também da Invision são demonstrações da competitividade do Polo Industrial de Manaus (PIM). Superação Outra preocupação é supe-
rar a crise atual, para o Estado voltar a crescer. A ordem, de acordo com o secretário, é pensar “por cima dela”. “A crise é pontual e, quando passar, voltaremos a crescer e gerar mais empregos. A visão do governo é de um processo exitoso e de um modelo que tem muito fôlego”, analisa. Prioridade Na avaliação do presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon/AM) e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, a ZFM continuará no topo da lista de prioridades do governo. “Sem a ZFM fica difícil a sobrevivência do Estado. Desde a criação desse modelo, ficamos em berço esplêndido sobre os resultados auferidos pelo PIM. Não criamos alternativas econômicas para fortalecer ou complementar o modelo. O Distrito Agropecuário, com o enfraquecimento da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), tornou-se inviável, porque todos os empreendimentos eram financiados pelo Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam). Não conseguimos levar também os efeitos positivos da ZFM para o interior do Estado”, afirma.
Secretário Thomaz Nogueira afirma que o governo tem buscado novas alternativas de desenvolvimento econômico para que o Estado não dependa só da Zona Franca
Novas diretrizes e expansão de mercados Diante da nova diretriz, a prorrogação da ZFM por mais 50 anos trouxe um benefício extra para a região, de acordo com o secretário Thomaz Nogueira. “Nunca dispusemos de tanto tempo de Zona Franca quanto agora. Nem quando ela foi criada. Ou seja, nunca tivemos tanto tempo pela frente com este modelo. Isso abre uma perspectiva de investimento diferente.
Agora, os investidores têm maior tempo de saturação. Se ainda fôssemos contabilizar o prazo original, teríamos apenas 7 anos para o fim da ZFM”, raciocina. Além de mais tempo para investimentos, é preciso diversificar também a produção do PIM. Hoje, quase 70% de todo parque industrial são voltados para os polos de eletroeletrônicos e de informática.
“Se antes da crise tivéssemos essa diversificação, não estaríamos sofrendo como agora”, diz Nogueira. Além de novos produtos, a Seplan-CTI também enxerga a necessidade de novos mercados, em especial em outros países da América Latina, como Peru, Venezuela e Colômbia. A ideia é buscar conexões com o Pacífico, conforme Nogueira. O eixo multimo-
dal Manta-Manaus, que vai ligar, por meio de portos e rodovias, a Amazônia brasileira ao Pacífico equatoriano, é visto como uma ótima opção. “O modelo de desenvolvimento adotado pela ZFM nos permitirá buscar essas novas matrizes. Mas, não acontecerá do dia para a noite”, afirma o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco.
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Polo de duas rodas aposta na criatividade Lançamento de modelos mais modernos e a intensificação da exportação são alguns dos caminhos que as fábricas têm trilhado para virar o jogo contra os números negativos que assombram atualmente o segmento
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riatividade, lançamento de novos modelos e intensificação da exportação. Esses são alguns dos caminhos que o polo de duas rodas tem trilhado para virar o jogo contra os números negativos que atualmente assombram as empresas do segmento. Apesar do quadro ser “pintado com cores escuras” - os dados dos 45 primeiros dias do ano indicam que haverá uma retração no mercado em 2016 -, as fabricantes de motocicletas possuem algumas “cartas na manga” para amenizar a crise atual. O diretor-superintendente industrial da Harley-Davidson do Brasil, Celso Ganeko, afirma que mesmo com o setor enfrentando dificuldades, todas as marcas possuem iniciativas para atrair novos consumidores, como aumentar a venda de consórcios e o diálogo com os bancos para aumentar a facilidade de financiamentos. “Usamos a criatividade que o brasileiro tem para vencer as dificuldades momentâneas para trazer um incremento nas vendas e na produção do mercado. Não vai ser fácil, pois as empresas estão se adequando, em termos de estrutura, ao momento para que a situação venha a melhorar”, afirma. Ganeko salienta que a criatividade deve ser bem explorada por qualquer setor da indústria e comércio. Ele explica que o
aumento de consórcio é uma das apostas para trazer os consumidores para as lojas de motos. Outra aposta é o lançamento de novos modelos que, também, atrai uma boa quantidade de clientes, além de realizar eventos em cidades oferecendo treinamento para quem deseja pilotar uma moto de alta cilindrada, mas possui medo. “Buscamos, também, parcerias com o governo para aumentar a discussão da segurança no trânsito, investir mais em capacitação. Independentemente da marca, temos que usar a criatividade para atrair os clientes”, explica o executivo. Otimismo Apesar das ações, é preciso também ter uma dose de otimismo. De acordo com o diretor-superintendente da Harley-Davidson, em época de crise, as empresas buscam alternativas para motivar os funcionários. “Pessoalmente, procuro sempre usar a visão mais otimista possível. Tenho que usar esse sentimento para gerir o negócio e motivar os funcionários. O ano vai ser difícil, já é praticamente perdido, no entanto, vejo uma luz no fim do túnel e vamos trabalhar para repetir os números de 2015 e, desta forma, evitar não ter grandes quedas para que, em 2017, possamos
realmente melhorar”, avalia. Emprego Com todo o cenário negativo vivido pelo setor de duas rodas, o gerente de relações institucionais da Moto Honda, Mario Okubo, segue o mesmo pensamento de Ganeko. Porém, ele acrescenta que a empresa está indo na contramão dos números da indústria quando se fala em
“Não estamos parados, mas, sim, estamos buscando meios para não ficarmos estagnados. Vemos a crise atual como uma oportunidade para fazer investimentos Celso Ganeko, diretor da Harley-Davidson
mão de obra. Segundo Okubo, é preciso pensar sempre em manter a mão de obra, para que o desemprego não cresça, deixando a população com um poder de compra menor, afetado a economia do país. “No decorrer do ano, não podemos parar, pois assim, como em 2015, neste ano, vamos continuar a investir e lançar modelos novos para não ficarmos estagnados por conta do momento conturbado que o país está enfrentando”, revela o executivo da Honda.
Okubo destaca ainda que, por pior que seja o cenário, esse ano será de aprendizado para empresários e funcionários do setor. “É exatamente nas dificuldades que temos que ser criativos, procurando soluções para o nosso mercado. Acredito que no próximo ano teremos um ajuste e, em 2018, voltaremos ao crescimento”, pondera. Números O Brasil conta atualmente com nove habitantes por motocicleta, enquanto na Itália esta relação é de 7 para 1. Em vários países asiáticos, essa relação chega a 3 por 1. A frota de motocicleta supera a marca de 25 milhões de unidades e está presente em vários segmentos profissionais, viabilizando a entrega de produtos comprados na internet, por exemplo. Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), Marcos Fermanian, a motocicleta é um veículo com ótimo custo benefício para o consumidor, seja no preço de aquisição, no baixo custo de manutenção ou no baixo consumo de combustível. “Há oportunidade para a evolução constante dos negócios com motocicletas no mercado nacional nos próximos anos”, enfatiza Fermanian.
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Eventos para atrair clientes
Mário Okubo afirma que a Moto Honda busca manter os empregos, até mesmo como uma necessidade para estimular as vendas do setor
Celso Ganeko revela que o polo de duas rodas procura demonstrar otimismo diante do cenário econômico negativo vivido pelo país
Empresas elaboram nova proposta Para fugir da estagnação, o polo de duas rodas está montando uma proposta que será entregue para a direção da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Um dos itens do documento é tornar o Polo Industrial de Manaus (PIM) em um centro exportador, pois, de acordo com o empresário, nas empresas de motocicletas, a carência de produtos exportados é grande. A proposta está sendo desenvolvida entre os associados da Abraciclo. “Desenvolvemos uma proposta para o governo a fim de reformular a política industrial. Já fizemos um contato inicial com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) para expor o projeto e as ideias de forma ampla, agora vamos apresentar a mesma proposta só que de forma detalhada”, conta
Celso Ganeko, da HarleyDavidson. Atraso Conforme o gerente da Moto Honda, Mário Okubo a estrutura para exportação
Não é uma crise que vai fazer com que a Honda desista do Amazonas. Nós acreditamos muito na Zona Franca de Manaus e esperamos que os atuais gestores tenham mais sucesso Mário Okubo, gerente da Moto Honda
que era para ser feita no ano passado pode ser feita ainda neste ano. Porém, ele afirma que nunca é tarde, e a exportação pode ser uma boa válvula de escape. Okubo avalia que o setor precisa aproveitar o
momento para criar novas formas de gestão. “A exportação é o caminho para o Brasil inteiro. As empresas saudáveis são aquelas que exportam. O governo precisa resolver os problemas que dificultam a exportação”, frisa. O Brasil chegou a ter conversas mais sólidas com a Argentina, que é o maior comprador de motocicletas, para ampliar as exportações. Produção Segundo o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, ao completar 49 anos de atividades, o polo de duas rodas de Manaus concentra as principais fabricantes globais de motocicletas, que investem seguidamente em instalações, processos, capacitação profissional, tecnologia, desenvolvimento de produtos e inovações,
para produzir veículos de qualidade e desempenho alinhados aos melhores níveis mundiais. Segundo ele, no segmento de bicicletas, as fabricantes já produzem veículos de maior valor agregado e estimulam a formação de uma cadeia produtiva moderna, visando a consolidação do maior polo do gênero no Ocidente. “Diante dessas constatações, temos a certeza de que as bases para o sucesso do polo de duas rodas de Manaus no futuro já estão presentes e atuantes. Entretanto, o segmento de motocicleta concretizou queda em torno de 40% nas vendas, nos últimos quatro anos, decorrente inicialmente da menor oferta de crédito e, em seguida, agravada pelo cenário sociopolítico-econômico deteriorado”, afirma o presidente da Abraciclo.
Uma das soluções observadas para o polo de duas rodas é a realização de eventos voltados para expor os produtos do segmento. Por exemplo, pela primeira vez em Manaus, acontecerá a “Expor Duas Rodas”, evento inspirado no Salão de Duas Rodas que é realizado em São Paulo. A ideia é fomentar o mercado local de motocicletas, tanto de baixa como de alta cilindrada. De acordo com o organizador do evento, Carlos Júnior Souza, o Amazonas, detentor do sexto maior Produto Interno Bruto (PIB) do país, é o eldorado a ser explorado na área do motociclismo nacional. Ele afirma que o estado ainda é carente de concessionárias para a tender a demanda. “Só temos 23 concessionárias. Chegou a hora do mercado se voltar para a capital amazonense, somos 284 mil motociclistas, carentes de reposição de peças e novidades no setor. A estimativa é que 40 mil pessoas do Norte e Nordeste do país nos visitem e que grandes negócios sejam fechados no evento e após ele”, diz o empresário. Ele destaca que as programações serão abertas a todos, basta apenas pagar um valor simbólico de R$20 e um quilo de alimento não perecível que será distribuído pelas equipes de motociclistas as instituições de caridade. Segundo Ganeko, o salão de duas rodas em Manaus vai fortalecer o mercado. “A ideia é boa, pois as fabricantes estão em Manaus e a Região Norte é carente de eventos como esse, além de ser uma ótima oportunidade para as empresas mostrarem os lançamentos do mercado para atrair novos clientes”, comenta.
O salão se realizará no centro de convenções Vasco Vasques no mês de setembro deste ano. O empresário espera atrair também motociclistas do Sul para que novos investimentos sejam feitos no Amazonas. Investidores Sobre novos investidores, o diretor da Harley-Davidson, Celso Ganeko, destaca o esforço que os governos fizeram para prorrogar a Zona Franca de Manaus (ZFM). Porém, ele ressalta que se a economia estiver ruim, não trará acréscimos para o Estado. “Existe uma decisão de investimento, porém, no momento a
As crises não são eternas e, portanto, acreditamos que as dificuldades podem ser superadas com a conscientização, dedicação e empenho de todos Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo
decisão é de postergar esses investimentos. Mas, acredito que as projeções de melhorias na infraestrutura comprovam que o Brasil será a bola da vez. As empresas acreditam que podem investir em Manaus”, diz Ganeko, ao destacar que, se economia melhorar a ZFM vai ficar muito bem. Para a superintendente da Suframa, Rebecca Garcia, o projeto de transformar o polo fabril de Manaus em um polo exportador é visto com bons olhos. “Assim como será bom para qualquer segmento da indústria também irá beneficiar o polo de duas rodas, que busca bastante esse caminho”, afirma a superintendente da Suframa.
Retração já dura quatro anos Desde 2012, o polo de duas rodas amarga sucessivas quedas. Em 2015, o segmento fechou com uma brusca retração nas vendas e na produção de motocicletas de baixa e alta cilindradas. A queda foi espelhada no recuo geral de toda a produção industrial do Amazonas, que no acumulado de janeiro a setembro do ano passado foi de -15,8%. Para as empresas de motocicletas, a queda na produção foi de 28,2%, e recuo de 14,9% nas vendas no atacado. Já nas vendas no varejo foi registrado um crescimento de 18,4%, de acordo com dados divulgados pela Abraciclo. Na última reunião da associação em 2015, o presidente da Abraciclo afirmou que mesmo com todo o embaraço do mercado, as fabricantes de
motocicletas não poderiam se deixar abater, mas continuar com o trabalho, pois o que se projeta é uma melhora a partir do segundo semestre deste ano. Apesar do otimismo, os números do primeiro mês de 2016 não foram bons. Os indicativos mostraram que apesar da estabilidade prevista para este ano, o setor de duas rodas iniciou o ano amargando queda de 37,8% na produção de motocicletas em janeiro. Já as vendas no varejo tiveram queda de 27% em comparação com dezembro de 2015. O presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, atribuiu o declínio ao período de férias coletivas de dezembro, além das fabricantes aproveitaram o início do ano para ajustarem os estoques nas fábricas e nas redes.
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Marcus EVANGELISTA
atratividade de investimentos externos. EM TEMPO – Alguns críticos dizem que o Amazonas se tornou dependente da ZFM. O senhor concorda com essa visão? Por que? ME – Não deixa de ser verdade. Temos potenciais a ser explorados, mas, para que isso ocorra, necessitamos de grandes investimentos, como no turismo, no polo naval, mineral, na agroindústrial e em biotecnologia. Infelizmente, hoje, dependemos unicamente do PIM.
‘Governo federal precisa divulgar o modelo Zona Franca’ Crítico da dependência do Amazonas ao modelo Zona Franca de Manaus, o economista ressalta as potencialidades da região, sobretudo, no interior do Estado como alternativas às dificuldades econômicas sentidas em todos os Estados brasileiros. Evangelista cobra, ainda, como todos os especialistas em Zona Franca, o descontingenciamento dos recursos da Suframa para que a autarquia possa atrair mais investimentos externos EM TEMPO – Qual a importância da Zona Franca de Manaus (ZFM) hoje para a economia do Estado? MARCUS EVANGELISTA – Hoje a economia do Estado do Amazonas está 100% dependente da Zona Franca de Manaus. Temos até vários outros potenciais mas ainda inexpressivos economicamente. EM TEMPO – Na sua gestão, como era a relação do
Corecon/AM com a ZFM? ME – Passei 3 anos na frente do Corecon/AM e, durante esse período, acompanhei com preocupação o declínio dos números de Projetos de Incentivos Fiscais registrados no Conselho, o que refletia o princípio da recessão técnica do nosso Polo Industrial de Manaus (PIM). A cada semestre diminuía o número de novas empresas que vinha se instalar no Polo Industrial de Manaus e as que já se encontram diminui-
ram também os números de diversificação de suas linhas de produção. Realizamos vários seminários analisando os problemas que atinge o PIM e deste obtivemos relatórios que entregamos em todos os órgãos de desenvolvimento do Estado. Nesses relatórios se encontram as análises dos problemas e as sugestões para correção dos mesmos. Participaram desses seminários economistas, professores e estudantes.
EM TEMPO – O papel do governo federal com relação à ZFM está sendo o ideal? ME – A Suframa perdeu sua força de atuação a partir do momento que teve seus recursos contigenciados pelo governo federal. Precisamos de apoio do governo federal para divulgar o Modelo. Precisamos vender a Zona Franca de Manaus para o mundo e ninguém melhor que isso que o próprio governo federal. Vários
economistas já se dispuseram a acompanhar o Estado nas feiras indústrias, arcando com os próprios custos mas ainda não tivemos esse sinal verde. Ninguém melhor para apresentar as vantagens tributárias da ZFM que os economistas que trabalham com isso no seu dia a dia. Precisamos da liberação do contigenciamento para que a Suframa possa exercer suas funções de desenvolvimento da Região Amazônica e assim produzir
EM TEMPO – A ZFM pode contribuir com o desenvolvimento da economia no interior do Estado? Como poderia? ME – Sem dúvida, se ocorresse a instalação de indústrias nos munícipios, isso acarretaria um aquecimento na economia local, mas esse é um tema complexo pois envolve uma série de fatores que aqui mesmo na capital são problemáticos, imagine nos interiores do Amazonas. Escoamento da produção, energia, mão de obra qualificada são alguns dos problemas que o PIM enfrenta. Acho que pensar na interiorização da ZFM é um sonho a logo prazo, precisamos unir todos os órgãos de desenvolvimento para fortalecer o modelo, resolvendo seus problemas, realizando as melhorias emergenciais para que possa atrair novas fábricas para que se instalem e gerem novos empregos e renda.
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Linha branca desacelera
Bem como em vários setores da indústria, as fábricas de linha branca também sentem os efeitos nocivos da perda do poder de compra do consumidor brasileiro, que tem pensado muito mais na hora de adquirir algum produto novo
A
exemplo do polo de duas rodas, as fábricas que produzem itens da linha branca buscam saídas para aumentar a produção e melhorar as vendas. De acordo com dados da Superintendência da Zona Franca (Suframa), a produção de eletroeletrônicos – onde os produtos de linha branca se encaixam – caiu em mais de 10 mil itens em 2015 com relação a 2014. O desempenho negativo acabou por afetar as vendas do comércio local. Segundo o empresário e presidente do grupo Bemol, Jaime Benchimol, os números do país estão negativos e os grandes afetados são os itens de maior valor. Segundo ele, a recessão tem tirado a confiança do consumidor e, desta forma, prejudica as vendas do comércio. Diante de todo o cenário do conturbado momento econômico e político do país, o empresário estima que as vendas na linha branca neste ano terão uma redução de 5% a 10% em relação ao ano passado, que já foi um ano ruim, segundo ele. “O ano é difícil e, possivelmente, será assim também em 2017, mas estamos trabalhando para manter a fidelidade dos nossos clientes
para que na hora da compra prefiram a nossa organização”, conta, ao destacar que o desemprego é um dos principais fatores para fomentar o medo nos consumidores. Cautela De acordo com o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ismael Bicharra, os consumidores estão retraídos na na hora
EFEITOS Na avaliação do presidente da ACA, Ismael Bicharra, sem dúvida nenhuma, polo de duas rodas e, principalmente, o de linha branca estão sendo os mais afetados em decorrência da crise atual do país de trocar um equipamento por um novo. “Quem precisa de um fogão ou uma geladeira nova acaba adiando essa troca, pois o poder de compra do cidadão hoje é bem menor”, diz. Bicharra ressalta que a escolha do consumidor também mudou. Segundo o presidente da ACA, a clientela que decide comprar um equipamento novo para a cozinha
Lojas que comercializam produtos da linha branca sentem os reflexos da crise e estimam queda na venda de itens como geladeiras e fogões
opta por produtos com qualidade mais baixa e preço mais em conta. É o caso da dona de casa Ivone Costa Pereira. Ela conta que quer comprar uma nova máquina de lavar, mas tem adiado a aquisição
por causa do medo de se endividar e os altos preços. “Tem que ter cuidado, pois está tudo muito caro, muito mais que antes. Do jeito que anda essa crise, a gente não sabe como ficará o futuro”, afirma Ivone.
Demissões A crise que desde o ano passado afeta o setor tirou o emprego de trabalhadores do PIM. Segundo o diretor sindical da empresa Whirpool, Mauro Fonseca, no ano passado, quase 400 funcio-
nários foram demitidos por conta da crise. Apesar de um 2015 ruim, ele afirma que neste ano nenhum funcionário foi demitido e as empresas pagam em dia mesmo com uma menor produção.
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Quase cinco décadas de um modelo que ‘vingou’
Ao longo de 49 anos de existência, a ZFM foi essencial para a economia do Estado, mas é preciso avançar mais
É
um fato histórico: a Zona Franca de Manaus (ZFM) é de fundamental importância para a economia do Estado desde sua criação em 1967 pelo decreto-lei 288/67. Segundo o Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon/AM), os polos de eletroeletrônico e o de duas rodas são os mais importantes da América Latina. “Portanto, o modelo ZFM é o maior gerador de emprego, renda e arrecadação de impostos da Amazônia Ocidental”, diz o presidente do Corecon/AM e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo. Mas, ao contrário do que se pensa, um dos braços mais fortes no início, antes da indústria, foi o comércio. “Pela pujança do comércio importador, que se desenvolveu no seu início e, depois, pela implantação de indústrias de ponta, que fazem até hoje do Polo Industrial de Manaus (PIM) um dos mais importantes do país”, define Azevedo. O presidente da Federação do Comércio do Estado do Amazonas (Fecomércio-AM), José Roberto Tadros, também aponta essa relação: “Quando a Zona Franca surgiu, o comércio era algo mais simples. Bastava um endereço e uma atividade. Assim, o comércio foi a base do modelo no início. Mais tarde, com a abertura do mercado e o desenvolvimento da indústria que esse quadro mudou”, explica. Mesmo hoje, a esse modelo ainda é de grande importância para o comércio local.
“O comércio hoje representa 56% da arrecadação do Estado. Ele gera quase 500 mil empregos diretos contra 120 mil do Polo Industrial”, afirma Roberto Tadros. Para a diretora executiva do grupo MRG/Rio Claro, Elizabeth Coelho, o governo precisa fomentar e incentivar os pequenos e médios empreendedores, dando melhores condições de produção às empresas, para que a economia gire e se fortaleça. “Hoje, vemos que, principalmente, os pequenos e micro empresários enfrentam dificuldades em se manter no mercado. Essa realidade precisa mudar”, explica Interior Além de sustentar a economia na capital, a ZFM também abre novas perspectivas para o interior do Estado. Para Nelson Azevedo, é preciso fortalecer as cadeias produtivas dos produtos regionais em escala, sem comprometer o meio ambiente, mas que atendam à demanda da indústria de biocosméticos e até alimentícia. “Temos um amplo potencial para o setor primário com as várzeas que precisam de rápido escoamento para atender os centros consumidores mais próximos. Há necessidade da definição do Código Mineral, em tramitação no Congresso Nacional, para o estabelecimento do marco regulatório do setor e assim transformar as nossas potencialidades em riquezas efetivas, com intenso investimento para as áreas onde o país é importador, como os fertilizantes”, explica. José Roberto Tadros afirma que, no início da Zona Franca, a atividade comercial era mais simples do que hoje
Há 49 anos, o polo industrial continua a ser o principal modelo de desenvolvimento do Amazonas, apesar dos investimentos em outras áreas
Empresários defendem parceria Apesar de ser considerado um sucesso, o modelo da Zona Franca depende diretamente da colaboração do governo federal, algo que está longe do ideal. Para o vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, neste quesito, a colaboração tem sido falha, uma vez que o governo federal há anos vem mutilando a ZFM. “Várias são as medidas que tiram as vantagens comparativas do modelo”, pondera. Por outro lado, entretanto, ele reconhece que a prorrogação por mais 50 anos do modelo foi uma decisão de grande relevância para a indústria amazonense e, consequentemente, para o Estado como um todo. Nelson Azevedo acredita que o governo precise, todavia, tomar mais medidas complementares como, por exemplo, para resolver o eterno problema de logística do Estado e a questão que envolve os Processos Produtivos Básicos (PPBs), ponto que foi bastante criticado, nas últimas reuniões do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam) e do Conselho de Administração da Su-
frama (CAS). “Outra condição fundamental para a implantação de indústrias no PIM é desburocratizar os órgãos que administram os incentivos da ZFM”, sugere Nelson Azevedo. Mais críticas A questão do contingenciamento de recursos também é vista como algo que a União precisa rever. “A Suframa perdeu sua força de atuação a partir do momento que teve seus
FUTURO Apesar de todos os avanços trazidos pela implantação de um parque fabril no Amazonas, ainda há pontos que precisam ser mais explorados e favorecer a expansão econômica do Estado e de toda a região recursos contingenciados pelo governo federal”, afirmou o economista Marcus Evangelista. Segundo o especialista, o Estado precisa do apoio do governo federal para fortalecer o principal modelo de desenvolvimento da região.
Elizabeth Coelho, do grupo MRG/Rio Claro, pede mais atenção para os micro e pequenos empresários por parte do governo federal
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Lucinaldo Rodrigues revela que 80% dos clientes da Salmo 91 são industriários
Comércio ‘tor indústria sau
Empresários do setor comercial destacam a importância do parque fabril amazonense, que é a mola propulsora das vendas dos lojistas da capital e do interior do Estado
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Produção industrial favorece também o ramo de calçados e confecções instalado no comércio amazonense
om maior volume de empregos no Amazonas, apesar da crise, o Polo Industrial de Manaus (PIM) tem impacto direto no comércio da capital amazonense, que depende da renda dos trabalhadores para manter as vendas. Atualmente, são 87 mil postos de trabalho ocupados nas indústrias. No comércio de Manaus, 80% das vendas são para consumidores com carteira assinada, de acordo com dados das entidades que representam o setor no Estado. O gerente de marketing da Variedades Salmo 91, Lucinaldo Rodrigues, 34, que possui mais de dez anos na companhia, afirma que parte das vendas é reflexo do número de empregos gerados pela indústria. A Salmo 91 possui seis lojas em Manaus e oferece produtos importados, cama, mesa, banho e variedades em geral a preços populares. “A indústria é a principal fonte de renda para os moradores da cidade. Então, é o principal responsável pelo
crescimento da renda e da economia local. Na nossa empresa, aproximadamente 80% dos nossos clientes trabalham na indústria e, sem ela, teríamos uma dificuldade grande para vender. Precisamos que a indústria vá bem para que as nossas vendas também fluam bem”, revela. Vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) possui a responsabilidade de estabelecer um modelo de desenvolvimento regional que utilize de forma sustentável recursos naturais, assegurando viabilidade econômica e melhoria da qualidade de vida da população. Em 2015, o PIM registrou faturamento de R$ 78,4 bilhões. No entanto, o valor é 10,2% inferior ao obtido em 2014, de R$ 87,3 bilhões. Lucinaldo afirma que, neste ano, a meta é aumentar as vendas do estabelecimento comercial, apesar do momento de crise no país. “Exemplo disso é que, no ano de 2015,
sentimos uma diferença de menos 20% em relação ao ano de 2014 por conta do desemprego. Quando as pessoas perdem emprego, automaticamente, reflete no comércio. Neste ano, estamos mudamos. Atualmente, a loja está sempre cheia. A maior parte das pessoas que trabalha na indústria gasta no comércio. Logo, a indústria é de suma importância para o sucesso em nossas vendas”, enfatiza. Ligação Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Amazonas (FIEAM), Nelson Azevedo, os clientes do comércio ou são provenientes de indústrias ou estão interligados em atividades que apoiam o setor. “Quando você tem a indústria que deixa de vender, ela naturalmente deixa de adquirir serviços ou bens de outras empresas e isso impacta diretamente em qualquer empresa. Pois, quando diminui a mão de obra, dificulta também a vida e a manutenção de outras empresas”, frisa.
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Shopping Cidade Leste é um exemplo da expansão comercial da Zona Leste de Manaus
ce’ por uma dável no AM Dependência que gera trabalho Para o presidente do Shopping Cidade Leste, localizado em uma das Zonas mais movimentadas da cidade, a Zona Leste, Ayman Imwas, a Zona Franca de Manaus (ZFM) auxilia não só com a questão de empregos gerados. “Quem sustenta o comércio é a indústria. Além do auxílio com os empregos que são gerados e que movimenta, a nossa economia, a indústria fornece tudo que usamos, como papelão, produtos de limpeza, papel higiênico, enfim. A indústria auxilia muito. Se a Zona Franca vai mal, o comércio vai pior”, conclui. Calçados Exemplo de auxílio gerado também por conta da participação dos trabalhadores do modelo de incentivo fiscal, está o empreendimento varejista de calçados. Segundo informou o gerente de marketing Francisco Leudo, do grupo Shop do Pé, a assistência, gera inclusive, novos postos de empregos. “Estamos atualmente com 28
OFERTA Além das lojas e da praça de alimentação, o shopping Cidade Leste se destaca pela quantidade de serviços públicos que é prestada no empreendimento situado em uma das zonas mais agitadas da cidade lojas e, aproximadamente, 900 funcionários e a ZFM é a mola propulsora de tudo. Dependemos dela, pois se há queda de empregos, há queda em vendas. Entendemos que a crise chegou para todos, mas estamos fazendo de tudo para que esse ano ainda possamos abrir duas novas lojas e assim gerar mais empregos”, conta. Conforme Leudo, mais de 50% da receita arrecadada pela empresa, é oriunda do distrito. “Queremos que ela (ZFM) esteja sempre bem reestruturada para que todos os setores da economia local, também estejam”, diz.
Consultor faz previsão boa para o PIM Com olhar visionário frente às questões econômicas do Estado, o consultor de empresas do PIM, Teruaki Yamagishi, 81, explicou que o número de empregados é uma peculiaridade de cada empresa, e embora o delicado momento econômico seja visível, o PIM está em crescimento. “Apesar de o tamanho da economia como um todo esteja diminuindo, o PIM se reestrutura para que não sofrer muito e voltar a crescer. Claro que quem sofre também é o trabalhador, mas mesmo com dificuldades, as pessoas compram no comércio. Alguns até economizam para comprar, por essa razão, o sucesso em vendas depende do PIM. ”, observa.
Empresário de visão, Ayman Imwas investe no fortalecimento do comércio amazonense
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Logística prec setor produtiv
Empresas amazonenses registram prejuízos por terem dificuldade
Artur Ferreira reclama da precariedade das vias de Manaus, que dificulta o escoamento de mercadorias
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logística para a entrada de insumos e saída de produtos da Zona Franca de Manaus (ZFM) é o grande “gargalo” para que a indústria amazonense incentivada consiga manter a competitividade no mercado doméstico. As dificuldades começam em casa – com a infraestrutura da cidade que complica as conexões entre indústria e portos e aeroportos -, e se agravam quando do transporte para as outras regiões consumidoras. Com os 30 anos de experiência no serviço de transporte de carga, de saída e entrada de containers, em Manaus, a empresa Hebron Logística aponta que o inchaço do trânsito da cidade, as condições das pistas e a falta de eixos alternativos impactam negativamente em mais de 60% da capacidade de operação. De acordo com o diretor financeiro da Hebron, Artur Ferreira, do ideal que
seria de cinco fretes de containers diários, por carreta, a empresa faz apenas duas por carreta. A Hebron que tem hoje uma frota de 350 veículos, entre caminhões e carretas, segundo Artur, faz apenas 40
ATRASO A falta de um sistema viário avançado em Manaus, além de prejudicar o cidadão comum, traz perdas para as empresas de logística, e algumas delas registram queda na capacidade de operação de 60% viagens por dia, para portos e aeroportos, entre entrada e saída de containers. Desse total, aproximadamente, 90% são para empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM). Nos últimos três meses, a
companhia prestou serviço para 36 diferentes indústrias. “O que impacta muito no nosso serviço é o trânsito carregado da cidade. Hoje o custo de trânsito é alto. O ideal é fazer cinco frentes por cavalo, porém, mal conseguimos fazer dois”, afirma. Sobre o problema das vias de Manaus e principalmente do Distrito Industrial 1, o diretor aponta entre as barreiras para solucionar a buraqueira, a burocracia e a falta de entendimento entre Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), a Prefeitura de Manaus e o governo do Estado do Amazonas. “Existe a área de competência da Suframa, a da Prefeitura e do Estado e dizem que ninguém pode invadir a área do outro. Por isso ninguém faz nada para melhorar as ruas do Distrito Industrial. A prefeitura até melhorou alguns trechos, mas diz que não tem recursos para completar o serviço”, aponta.
Demora para revitalizar a BR-319 causa transtornos para pessoas e empresas que precisam da estrada
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cária afeta o vo do Estado
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Investimento em infraestrutura Entre as soluções para amenizar as dificuldades de uma cidade com poucas alternativas viárias que façam uma conexão entre indústrias com portos e aeroportos, sem prejuízo aos demais meios de transportes, o diretor da Hebron aponta a construção de um porto na orla do bairro Colônia Antônio Aleixo, na Zona Leste. Porém, essa proposta já foi vetada. “Iria amenizar bastante a entrada e saída das empresas do Distrito Industrial 1. Para os outros portos privados como o Superterminais e o Chibatão, por exemplo, existem poucas alternativas”, comenta o empresário. Para o aeroporto, Artur avalia
SOLUÇÕES A construção de pontes, portos e de anéis viários são algumas das soluções que o setor apresenta para melhorar a logística no Amazonas, que tem sido um dos principais gargalos das empresas locais que a construção do anel viário, proposta pelo governo do Estado em 2013, seria o ideal, tanto para as indústrias do PIM, quanto para a própria sociedade manauense, mas que não saiu do papel. “Por baixo, daria para tirar mais de 200 contêine-
res por dia, entre entrada e saída do aeroporto”, avalia. A proposta de anel era construir um eixo viário sul de 8,3 quilômetros de vias que interligaria a Zona Oeste à Zona Norte, e o anel viário leste, com 17,6 quilômetros, para conectar a Zona Norte com a Zona Leste da cidade. O projeto estava estimado em R$ 285 milhões, sendo R$ 92,5 milhões para o anel sul e pouco mais de R$ 192 milhões para o leste. O governo Federal financiaria 90% do valor da obra do anel viário sul e 85% das obras do leste. A contrapartida de 10% e 15% restantes, respectivamente, seria do governo do Amazonas.
Empresários do setor de logística cobram iniciativas do governo para melhorar as vias do Estado
‘A BR-319 não é a salvação’ Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada a partir das federações das indústrias da Amazônia Legal que formam a Ação Pró-Amazônia, aponta que, apesar de a ZFM ser o terceiro polo produtor industrial do Brasil, a distribuição ainda é precária. Segundo o assessor econômico da Federa das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Gilmar Freitas, muitas empresas do PIM são competitivas até o portão da fábrica “Depois dele (portão), as dificuldades de infraestrutura anulam quase todas as vantagens fiscais de muitos produtos”, diz. Segundo ele, os produtos mais afetados pela dificuldade logística são os de grande peso e volumes. “Pequenos volumes com agregado maior como, por exemplo, relógios e eletrônicos não sofrem
tanto. Mas, uma TV de led, de grandes dimensões, ela além de ter uma necessidade de embalagem especial, ela enfrenta o problema de não poder usar a via área, é a mais cara. E por isso segue via
MOVIMENTO No mês passado, um grupo que defende a revitalização da BR-319 realizou ato em protesto contra a deterioração da estrada e a falta de interesse do poder público em retomar as obras da rodovia cabotagem ou de rodofluvial”, explica. Apesar das dificuldades, Freitas avalia que as vantagens fiscais da ZFM ainda são relevantes, até porque o empresário só fica onde dá lucro. Ele ob-
serva, no entanto, que o isolamento por vias terrestres entre o Amazonas os demais Estados consumidores é o maior entrave. “Não temos uma via de conexão por terra. Ou é via aérea ou é fluvial e rodofluvial”, comenta. Por outro lado, o economista diz que a rodovia federal BR-319 não se configura como a salvação da indústria amazonense. “A BR-319 seria mais uma opção, no caso de uma urgência de atendimento de um produto que estiver em falta nas outras regiões do país. O transporte por vias terrestres é o segundo mais barato. O aéreo é o mais caro. Já o rodo-fluvial você coloca na balsa de Manaus para Porto Velho ou de Manaus à Santarém. Mas nesses dois têm os custos de carregamento e descarregamento por duas vezes”, diz o assessor econômico do Fieam.
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Trajetória de sucesso da Termotécnica em Manaus Empresa é a prova viva de que o polo industrial ainda é atrativo para as fábricas que querem produzir no Amazonas
Termotécnica tem sede em Joinville (SC) e possui sete unidades de negócio, localizadas, além de Manaus, em Pirabeiraba (SC), Sapucaia do Sul (RS), São José dos Pinhais (PR), Indaiatuba (SP), Rio Claro (SP) e Petrolina (PE)
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om 41 anos de atuação na capital amazonense, a empresa Termotécnica tem investido no pioneirismo e na constante evolução de sua marca no Polo Industrial de Manaus (PIM). A empresa, que é a maior indústria transformadora de EPS (Poliestireno Expandido) - mais conhecido como isopor - da América Latina e líder no mercado brasileiro deste segmento, conquistou destaque por investir em tecnologia e garantir qualidade. Ao atuar na indústria de produtos plásticos, desenvolve soluções de EPS que agregam inovação e priorizam o respeito ao meio ambiente. Seus produtos atendem uma série de mercados, como os de embalagens, componentes, conservação, movimentação de cargas, agronegócio, automotivo e construção civil. São mais de 1,5 mil itens, entre eles, a conservadora térmica Icebox, a caixa de frutas
DaColheita, a caixa de abelhas MaisMel, o Sistema Construtivo Monoforte e o pallet Upally. Proposta de Valor Comprometida com seus objetivos estratégicos e sua proposta de valor, a Termotécnica realiza investimentos em sustentabilidade, a partir de ações como o Programa Reciclar EPS, que teve início em 2007 e já reciclou mais de 30 mil toneladas de EPS. Focado na redução de resíduos, o Programa se antecipou à Política Nacional de Resíduos Sólidos - lei federal que responsabiliza as empresas pela logística reversa dos produtos. Participam do Programa todos os envolvidos na cadeia de consumo do EPS, desde o cliente, até o varejista, fornecedor e catador. Compreende desde a coleta do material até sua reciclagem e reintrodução no mercado. Disponibiliza uma rede de mais de 1,2 mil pontos
de coleta, conta com mais de 400 cooperativas e recicla o correspondente a 30% do mercado de embalagens de EPS do país. O presidente da Termotécnica, Albano Schmidt, destaca que a empresa é comprometida com a economia sustentável, investe na inovação empreendedora e no desenvolvimento de soluções que proporcionam ganhos econômicos e ambientais, proposta que coincide com os valores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). “Em Manaus, a empresa reafirma o compromisso de ser referência em sustentabilidade, crescer em novos negócios e aumentar a satisfação do cliente”, enfatiza. O presidente destaca também sua preocupação com o cenário econômico brasileiro. Ele acredita que a crise está longe de terminar. “As empresas precisam se reinventar! Para isso, uma minuciosa
avaliação do mercado é fundamental. Devemos trabalhar em busca de alternativas e de oportunidades inovadoras, que agreguem valor e maximizem o negócio. É hora de colocar a mão na massa e fazer acontecer, literalmente”, afirma Albano. Comemoração Ao comemorar os 49 anos da Zona Franca de Manaus (ZFM), Albano Schmidt, ressalta que acompanhou de perto o crescimento deste que é um verdadeiro modelo de desenvolvimento econômico. “É motivo de muito orgulho para toda a equipe da Termotécnica fazer parte, há 41 anos da expansão desse polo-econômico tão bem-sucedido na Amazônia”, enaltece. Schmidt parabeniza a Suframa por essa data tão importante. “Desejo mais crescimento e evolução, sempre em parceria com a Termotécnica. Contem conosco!”, finaliza.
Termotécnica produz isopor há 41 anos no parque fabril de Manaus
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Suframa ‘mira’ na ZFV
Regulamentação da Zona Franca Verde, pela presidente Dilma Rousseff, no ano passado, reacendeu esperança do setor primário, que sonha com o fortalecimento do Distrito Agropecuário, até agora relegado a um segundo plano
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epois de consolidar a indústria no tripé econômico do modelo Zona Franca de Manaus (ZFM), agora o Distrito Agropecuário da Suframa (DAS) passa a ser a “menina dos olhos” da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Representantes do setor no Estado esperam a devida atenção a fim de tornar o DAS o maior celeiro de produção de alimentos para abastecer, principalmente a capital amazonense. Segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea), Muni Lourenço Silva Júnior, a expectativa foi gerada para o setor após anúncios públicos por parte da nova superintendente da Suframa, Rebecca Garcia, que assumiu o posto no início de novembro do ano passado. O sinal de atenção do Distrito Agropecuário foi reforçado, segundo Muni, quando Rebecca visitou o local, localizado no quilômetro 34, da rodovia estadual AM-010, entre os municípios de Manaus e Rio Preto da Eva. Muni diz que a atenção passa a ser mais forte, uma vez que projetos do setor primário voltados para o DAS passaram entrar na pauta
das últimas reuniões do Conselho de Administração da Suframa (CAS). Conforme o presidente da Faea, projetos de piscicultura e fruticultura para o Distrito Agropecuário foram apresentados e aprovados na ocasião. Apoio O Distrito Agropecuário, segundo Muni, no início de sua implantação, nos anos 1970, contou com um apoio mais consistente por parte da Suframa, quando foram implantados vários projetos econômicos, mas depois ele perdeu força e passou a segundo plano. Para ele, mais do que cumprir o Decreto-Lei 288, que aponta o Distrito Agropecuário como um setor importante, é essencial fortalecer a agenda da interiorização da economia do Amazonas. “O Distrito Agropecuário tem todas as condições de se tornar um celeiro de produção de alimento para abastecer a capital, mas, é claro, desde que exista instrumentos como a infraestrutura, regularização fundiária e assistência técnica. Existe uma carência de recuperação das vicinais, de eletrificação rural e morosidade na concessão dos títulos”, aponta o presidente da Faea.
Zona Franca Verde vai estimular a produção de artigos, cuja matéria-prima seja regional, com origem animal ou até mesmo mineral
Autarquia traça prioridades para a região A titular da Suframa, Rebecca Garcia, afirma que o novo caminho da Suframa é não deixar de manter o fortalecimento da indústria, mas também de expandir esforços para sobre as outras reponsabilidades da autarquia na região. “É uma questão de priorizar. Penso que em outras gestões se priorizou a indústria porque precisava consolidar o modelo. Hoje,
Parceria com o governo do AM Com a falta de técnicos especialistas no setor primário no corpo da Suframa para atender o DAS, Rebecca Garcia explica que precisará envolver o governo do Estado. Segundo ela, a Suframa constitui o projeto, mas ela não faz a ação fim. “Um ponto da minha visita ao DAS que ficou claro na minha visão é que lá os produtores não têm acompanhamento técnico. A Suframa pode construir uma parceria com o governo do Estado para que essa assistência seja oferecida para aqueles empreendedores do Distrito Agropecuário”, diz. A parceria, de acordo com Rebecca, está em fase de construção com o diretor– presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Antônio Ademir Stroski. Ela aguarda que o mapeamento do Distrito Agropecuário. A partir do levantamento desse zoneamento, Rebecca afirma que a Suframa construirá um projeto de desenvolvimento. “Os técnicos da Suframa já acompanham essa situa-
Técnicos do Estado deverão auxiliar na produção dos agricultores
ção. Agora, não é uma ação isolada. A Suframa sozinha não consegue nem mapear essa situação, mas em parceria com o governo do Estado é possível”, salienta Rebecca. Paralelo ao mapeamento, Rebecca diz que a Suframa segue atendendo produtores que estão demandando áreas com projetos de piscicultura e de açaí. “Nós fizemos uma reunião com a Faea para pedir que ela pontuasse qual é a bola
da vez no setor primário. E a federação foi bem clara ao dizer que a bola da vez é a piscicultura e o açaí. São os dois produtos que merecem total atenção nesse momento, porque o mundo inteiro está olhando para esses dois produtos. Então estamos com esse foco no Distrito Agropecuário pensando em muitas outras coisas, mas dando um carinho especial a esses dois produtos”, afirma a superintendente.
EXPEDIENTE EDIÇÃO Anwar Assi REPORTAGEM Asafe Augustoo Emerson Quaresma Fred Santana Luís Henrique Oliveira DIAGRAMAÇÃO Mario Henrique Silva
FOTOS Márcio Melo Diego Janatã Ione Moreno REVISÃO João Alves TRATAMENTO DE FOTOS Kleuton Silva
vejo que o modelo da indústria está consolidado e agora é o momento de reforçar esse trabalho com o Distrito Agropecuário”, observa. Segundo ela, o fortalecimento do DAS virá com a Zona Franca Verde (ZFV), regulamentado por decreto da presidente da República, Dilma Rousseff, em dezembro do ano passado. “Com a Zona Franca Verde, temos uma oportunidade de dar
condições de crescimento ao Distrito Agropecuário, onde há projetos de piscicultura fantásticos”, avalia. Alcance Rebecca explica que o alcance da ZFV é para produtores da Amazônia Ocidental e busca, desta forma, fortalecer o diferencial que a região em relação aos mercados internacionais. “Na Amazônia Ocidental
nós não temos um curtume que curtumise a pele do peixe para virar couro. Se tivéssemos, supriríamos a demanda para fornecer esse produto para essas indústrias. Então, a Zona Franca Verde nos dá essa oportunidade de viver esse novo momento, em que a pele do pirarucu para ser transformada em couro passa a ser o diferencial nosso”, comenta.