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Saúde - 25 de janeiro de 2015

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Caderno F

MANAUS, DOMINGO, 25 DE JANEIRO DE 2015

DIVULGACÃO

Saúde

e bem-estar

saudeebemestar@emtempo.com.br

(92) 3090-1017

A estranha mente humana Pág. 4 e 5

Mamãe, eu quero

brócolis! Ah, certamente vai ser difícil você ouvir essa reivindicação da boca de um pequeno, mas, tirando o radicalismo, dá para investir em alimentos saudáveis MELLANIE HASIMOTO Equipe EM TEMPO

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érias escolares é sinônimo de passeio e muita diversão para os pequenos. Nesta época do ano as crianças gastam muita energia, e uma boa alimentação é fundamental para garantir o agito da garotada. Como neste período alguns hábitos alimentares e horários das refeições são alterados para dar espaço à diversão, é preciso que os pais fiquem atentos. Segundo a nutricionista Flávia Morais, os alimentos calóricos não precisam ser completamente abolidos durante as férias, desde que sejam oferecidos em pequenas porções. “O ideal é substituir alimentos muito calóricos pelos de baixa caloria e alto valor nutricional. Oferecer alfarroba, chocolate amargo (70%) ou barras de cereais ao invés do chocolate ao leite, preferir cereais integrais com bebidas vegetais ou frutas liofilizadas em detrimento aos salgadinhos, bolachas integrais às recheadas e muffins zero açúcar no lugar dos bolos e doces são boas pedidas para manter em dia a nutrição infantil. Verduras, frutas e legumes também não podem faltar no

cardápio”, recomenda. Outra brincadeira divertida é envolver as crianças no preparo dos alimentos, contando sempre com a imaginação. “O brócolis, que ajuda na prevenção de doenças cardíacas, pode se transformar em árvores. Já para a sobremesa, o melão pode ser cortado no formato de estrelas ou coração para que o prato fique mais atrativo”, diz. A profissional explica que esse momento proporciona que as crianças provem novos alimentos e diversifiquem o paladar com itens mais saudáveis. Por conta disso, a criança na cozinha também aprende lições básicas de boa convivência, como o trabalho em equipe, organização e higiene. “Mas lembre-se de reforçar que o fogão e os objetos cortantes são de responsabilidade dos adultos”, alerta. Diversifique Outras dicas importantes para os pequenos aproveitarem ao máximo as férias com muita saúde incluem atividades simples, mas que dão um novo gás às crianças. Primeiro, diz Flávia, é bom ficar

atento à hidratação. “O ideal é manter uma grande oferta de líquidos, como água e sucos. No verão, as crianças podem consumir picolés de frutas [kiwi, laranja, limão, maracujá e morango], que possuem um valor calórico menor do que os sorvetes”, aponta. Na hora do lanche, invista nos sanduíches naturais acompanhados de sucos. “Os sanduíches podem ser feitos com queijo branco, beterraba, cenoura, tomate e outros alimentos coloridos e nutritivos. Outra boa ideia é oferecê-los nos intervalos das brincadeiras”, acrescenta. Já as amadas guloseimas podem ser evitadas, pois, para as crianças é recomendado evitar ingestão de alimentos com excesso de açúcar. “As sobremesas

não devem ser usadas como recompensas por um prato saudável”, indica. Opte por salada de frutas ou frozen de iogurte (sem caldas)”. Evite alimentos ricos em gorduras e óleo vegetal. “Durante o preparo dos alimentos, dê preferência ao creme de leite de soja. Mantenha longe das crianças também aperitivos calóricos. Substitua-os por legumes temperados e cortados ou por queijo branco temperado com azeite e orégano”, recomenda Flávia. E, para arrematar as delícias das férias de maneira saudável, a nutricionista diz que é bom utilizar alimentos ricos em vitamina C, que têm propriedades antioxidantes, combatendo os radicais livres.


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João Bosco Botelho

DICAS DE SAÚDE

joaoboscobotelho@gmail.com / www.historiadamedicina.med.br

Médicos no Egito dos faraós No Egito antigo, os médicos constituíam um grupo de especialistas reconhecidos com destaque social, hierarquizados, pagos pelo faraó, inseridos nas estruturas do poder político e trabalhavam sob rigoroso controle administrativo: sounou, o médico generalista, o último da escala hierárquica, essa palavra também significa: doente, homem que trata quem tem dor e se interessa por quem sofre. É representada pelo hieróglifo unindo a flecha, o pote e um homem sentado; mer sounou, chefe dos médicos; our sounou, grande médico; senedj sounou, inspetor dos médicos. Junto a essa hierarquização, de certo modo, semelhante aos dias atuais, estão claramente descritos: per âa sounou, o médico da corte; sounou grergetl, o médico das colônias; hérishef Néknet, o médico das minas e dos templos. As doenças eram reconhecidas como castigo de um ou mais deuses. Entre os mais temidos se destacava Sekhmet, com cabeça de leão, sanguinário, causador de doenças e epidemias. O acesso à formação de médicos, nos templos mais importantes, era exclusivo aos ricos e poderosos. É esclarecedora a carta de UzahorResinet, médico-chefe do Egito ao rei persa Dario I: “Sua Majestade, o

rei Dario I, senhor de todos os países e do Egito, encontrava-se em Elam, ocasião em que me ordenou que fosse a Saís, no Egito. Tinha ordens para restabelecer as casas de vida que estavam em decadência. Fiz conforme me ordenara Sua Majestade... enchi as casas de estudantes nascidos das famílias nobres, não havia filhos de pobres em seu meio. Coloquei à sua frente homens sábios... Sua Majestade me ordenou que providenciasse para eles tudo que houvesse de melhor, para que estivessem em condições de aprender e de trabalhar. Provi tudo o que era necessário, inclusive todos os instrumentos, de acordo com os registros de tempos idos. Sua Majestade assim procedeu por reconhecer o proveito que se tirava desta arte, conservando a vida a todos os aflitos... e por isso fez reconstruir seus templos e restaurar suas receitas. A profissão médica era administrada pela administração do faraó que impunha severas punições à má prática. Como o deus Sakhmet era o mais importante no panteão relacionado às curas, os sacerdotes desses templos eram os mais requisitados pelos ricos e poderosos. De modo bastante claro existia forte inter-relação entre as medici-

nas praticadas pelos médicos e as dos sacerdotes: wabu, atuavam sob a proteção de um ou mais deuses; sunu, curadores que não estavam vinculados aos templos e deuses; benzedores, sem instrução médica oficial e agiam munidos de amuletos, rezas e encantamentos. É possível que a presença dos médicos especialistas, descrito por Heródoto, tenha sido resposta social às doenças mais comuns: oſtalmologistas ou sounou-irty; abdome ou sounou-khe; ânus ou nerou pehout ou nerihou phout. Como não há registro de sistema monetário antes do Novo Império, é possível que a remuneração dos médicos fosse feita por meio de alimentos como indica o papiro achado junto à necrópole de Ramsés II: dois khars (unidade de medida) de grãos aos dois escribas, três khars ao comerciante e um khar ao médico. A intricada relação entre os médicos e sacerdotes está clara na certeza de que muitas escolas de medicina estavam situadas no templos mais importantes como os de: Menphis, Abydos, El Amarna, Coptos, Esna, Edfou e Saïs. O diretor da escola médica de Saïs e o líder sacerdotal da deusa Neith, a principal divindade dessa cidade usavam a mesma titulação.

João Bosco Botelho Membro Emérito do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

A profissão médica era administrada pela administração do faraó que impunha severas punições à má prática”

Amêndoa, noz & castanhado-pará, invista nelas As amêndoas, nozes e castanhas-do-pará têm muita coisa em comum: fibras solúveis, que ajudam a impedir a absorção de gorduras, e, consequentemente, contribuem para controlar o colesterol. A quantidade diária indicada para consumo das amêndoas, ricas em ômega 3, manganês, magnésio e fósforo é de, no máximo, nove unidades. Quanto às nozes, com propriedades semelhantes, bastam sete. Diante de tudo isso é muito válido incluir uma boa dose dessas delícias em seu cardápio para ganhar mais saúde e disposição. Quando a fome bater, aproveite para comer o que é mais saudável e nutritivo.

Humberto Figliuolo hfigliuolo@hotmail.com

Diabetes infantil Cuidados por toda a vida. Segundo pesquisa recentemente divulgada, cerca de 200 novas crianças por dia, em todo o mundo, recebem o diagnostico de diabetes do tipo 1, antigamente chamada de juvenil. É uma doença de difícil trato, que exige complementação diária de insulina. E fica menos dramática quando o distúrbio é diagnosticado o mais rápido possível. Como os pais podem reconhecer os sinais precoces do diabetes? As crianças não nascem diabéticas, mas com alteração genética que predispõe o desenvolvimento da doença, incluem também fatores ambientais, como algumas infecções, fatores emocionais, como estresse. Uma vida saudável pode ajudar a evitar a doença. A diabetes infantil se manifesta desde criança com 2 anos de idade até adultos com mais de 40 anos. A predisposição genética é apenas um dos fatores para o desenvolvimento da doença, a probabilidade de que se tenha a doença é maior. O diabetes gestacional, que é aquele diagnosticado durante a gravidez, está relacionado ao maior risco de desenvolvimento do diabetes tipo 2 na mãe. Os sinais clínicos da doença, cansaço, sede excedente, perca de peso, são bastante evidentes desde

o início da doença e geralmente são desencadeados após alguma infecção, como uma gripe. Neste sentido, é possível que a criança conviva com a doença sem diagnosticá-la e, por isso, acabe tendo seu diagnóstico realizado numa situação de maior descompensação diabética. O importante é levar a criança a fazer exames clínicos adequados para que a doença seja descartada ou diagnosticada e seu tratamento instituído rapidamente. Uma vez confirmado o diagnóstico, a criança com diabetes tipo 1 passa a ser imediatamente dependente da insulina. O diabetes é causado pela falência na produção de insulina pelas células pancreáticas. Ela terá de conviver para o resto da vida com a administração da insulina. Embora haja estudos avançados para o desenvolvimento de alternativas de tratamento, como transplante de células produtoras de insulinas, dispositivos de infusão contínua de medicação, desenvolvimento de vias alternativas para aplicação de insulina, como a via nasal, por exemplo, o tratamento com insulina subcutânea ainda é aquele totalmente aprovado e recomendado. Em linhas gerais, a vida de uma criança ou de um adolescente com

diabetes só tem restrições alimentares e uso regular de medicação, o restante é exatamente igual a uma pessoa que não tenha a doença. A vida é normal. O importante é controlar a doença. Na medida do possível, os pais devem se esforçar para mostrar à criança que ela pode levar uma vida normal. O convívio com outras crianças que vivenciam as mesmas restrições pode ajudá-la a entender que não é a única que precisa de cuidados específicos e pode ajudar na troca de experiências inclusive com os próprios pais. É preciso encarar a doença com naturalidade. A diabetes tipo 2, teoricamente aquela que surge na fase adulta e não é dependente de insulina, está aumentando em todo o mundo, e está bastante relacionada à obesidade e hábitos alimentares ruins. Esse tipo de diabetes não é considerado irreversível. Alterações na alimentação, perda de peso e realização de atividades físicas regulares podem reverter à doença e evitar seu reaparecimento. A cada dia novas descobertas são feitas e muito tem se desenvolvido na terapia genética e com células-tronco. Muito provavelmente neste campo se encontre a causa para a doença.

Humberto Figliuolo farmacêutico

Doença difícil, que exige complementação diária de insulina. E fica menos dramática quando o distúrbio é diagnosticado cedo”

Sementes de abóbora e girassol ajudam o coração Ricas em fibras, vitamina E e fitoesterois, óleos “do bem” que são absorvidos no lugar do colesterol pelo intestino, as sementes de abóbora e girassol (foto), também protegem o corpo contra os radicais livres, responsáveis pelo desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Quer melhorar pele, cabelos e unhas? Estas sementes também irão ajudar. O ideal é consumir uma colher de sopa de uma ou outra ao dia. Cruas ou secas. Se colocá-las na frigideira para deixá-las crocantes, podem ser combinadas com massas, saladas e vegetais cozidos. Não precisa adicionar sal, mas se desejar incrementar um pouco o sabor, pode aproveitar para temperar com manjericão ou orégano.

Expediente Editora Vera Lima weralima@yahoo.com.br

Diagramação Adyel Vieira

Repórter Mellanie Hasimoto

Revisão Dernando Monteiro

www.emtempo.com.br


Saúde que vem dos alimentos

amazônicos

Os nutrientes de alguns alimentos da região amazônica podem contribuir para combater doenças graves

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om uma das maiores biodiversidades do planeta, a região amazônica tem uma enorme variedade de frutos com características inigualáveis de aroma e sabor, além de potencial nutritivo e econômico. Por estes motivos, as frutas da região têm sido alvo de estudos científicos para se determinar as propriedades funcionais, ou seja, os benefícios que podem propiciar à saúde humana. Pensando em utilizar todo o potencial biotecnológico dos frutos, a pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Francisca Souza, desenvolve uma pesquisa em que analisa o valor nutricional e o uso dos mesmos contra doenças crônicas não transmissíveis, por exemplo, metabólicas (colesterol alto e diabetes) e obesidade. Dentre as espécies de frutos com potencial econômico, tecnológico, nutricional e funcional integrantes da pesquisa, destacam-se a pupunha (Bac-

tris gasipaes Kunth), açaí (Euterpe oleracea Mart), camucamu (Myrciaria dubia (Kunth) Mac Vaugh) e o cubiu (Solanum sessiliflorum Dunal). O projeto visa a prevenção dos distúrbios metabólicos, como hiperlipidemias e hiperglicemias, termos técnicos para designar o aumento anormal dos níveis de gordura no sangue, principalmente o aumento do colesterol e triglicerídeos, e o aumento dos índices glicêmicos no sangue, causadores do diabetes. Segundo Souza, o estudo irá utilizar os frutos na forma de farinha, com novos subprodutos destinados à alimentação, a fim de aumentar a vida de prateleira e melhorar a utilização das substâncias. “Alguns produtos já foram desenvolvidos por alunos de mestrado, por exemplo, o camu-camu e o cubiu encapsulado, cereais, néctares, entre outros produtos enriquecidos com os frutos amazônicos”. Doutora em biotecnologia, Souza espera que dentro de três

A pupunha é um alimento que vem ganhando destaque

anos os produtos desenvolvidos possam ser comercializados. “Alguns produtos ainda necessitam de patentes, para que cheguem à mesa do consumidor”, explicou.

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Dimensõe

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VERA LIMA Equipe EM TEMPO

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nquanto seres humanos somos um universo de possibilidades, por mais disfuncionais que sejam as nossas atitudes. A violência é entendida como um comportamento extremo em nossos dias, mas também não podemos esquecer que em nossas raízes primitivas, este comportamento era necessário para a própria sobrevivência e perpetuação da espécie”. Com essa premissa, o professor Christian Costa, psicólogo, com especialização em terapia cognitiva e mestrado na área de psiquiatria forense, com experiência de 15 anos na área criminal, procura relacionar ciência e prática na compreensão e intervenção de atos violentos e criminosos que têm obtido destaque na mídia cada vez mais frequentemente. Segundo ele, por motivos sociais, genéticos e comportamentais, a violência foi, é e será um componente presente na história da humanidade. “Indivíduos que manifestam essa violência durante suas relações sociais com mais persistência que os demais, percebem que este comportamento está presente em suas vidas de forma intensa”, assinala. Para o especialista, esses indivíduos que possuem essas características, têm dificuldades de seguir normas e padrões éticos e morais, bem como de seguir e se adequar as normas sociais. Christian Costa ressalta que, o que se observa é que esses indivíduos seguem suas próprias regras e reagem impulsiva e inadequadamente ao meio. “Não são criminosos natos, mas suas ações violam regras básicas que protegem a sociedade e seus membros, e é nesse momento que são entendidos como criminosos”. O Saúde e bem-estar conversou com o especialista que desenvolve atualmente tese para compreensão da formação da maturidade criminal e da presença dos psicopatas no contexto social, sob uma perspectiva evolucionista.

Saúde - Estupro e assédio, o que caracteriza um e outro? Christian Costa – O estupro é quando existe prática não consensual do sexo, imposto por meio de violência ou grave ameaça de qualquer natureza por ambos os sexos. O crime de assédio sexual consiste no fato de um indivíduo constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, muito comum em ambiente de trabalho. Saúde - O que são crimes sexuais? Christian - O problema do crime sexual é discutido com maior propriedade sob o título de agressão. O estupro, por exemplo, é um ato de violência e humilhação, expressado através de meios sexuais. O estupro é

CRIMINOSOS

“Não são criminosos natos, mas suas ações violam regras básicas que protegem a sociedade e seus membros, e é nesse momento que são entendidos como criminosos”, diz o especialista usado para expressar poder ou ódio. Raramente existem estupros nos quais o sexo é a questão dominante; a sexualidade geralmente é usada a serviço de necessidades não-sexuais. Saúde - Qual o perfil do estuprador? Christian - Estupradores estão em grupos separados: sádicos sexuais, que se excitam com a dor de suas vítimas; exploradores predadores, que usam suas vítimas como objetos para sua gratificação, de um modo compulsivo; homens inadequados, que acreditam que nenhuma mulher teria, voluntariamente, relações sexuais com eles e que são obcecados por fantasias sobre sexo; e homens para os quais o estupro é uma expressão deslocada de fúria e raiva. Saúde - O que é determinante

no comportamento do estuprador? O meio, a genética? Christian - Acabei de escrever um livro para responder a essa pergunta. Foi lançado pela Editora Valer e se chama “Se o Mal Tivesse um Nome”. Nesse livro faço uma discussão histórica evolutiva da psicopatia. Basicamente discuto a presença dos psicopatas entre nós a partir de nossa evolução de 6 milhões de anos. Então, resumidamente falando, acredito que o psicopata, como o criminoso sexual são o resultado de uma adaptação evolutiva para manter sua sobrevivência. Saúde - Psicopata e sociopata - existe diferença entre um e outro ou os dois termos querem dizer a mesma coisa? Christian - Na verdade são termos similares no que se refere às características, mas prefiro trabalhar com a terminologia psicopatia. Saúde - O criminoso sexual se encaixa em qual caso? Christian - Sabemos que 30% dos estupradores são psicopatas e 10% dos pedófilos também são de psicopatas. Saúde - Como lidar com as vítimas de agressão sexual? Christian - É muito difícil, mas há técnicas cognitivas comportamentais para ajudar nesse tipo de situação e o Brasil é um dos países que mais se comete crimes sexuais no mundo. É importante os terapeutas se especializarem nesse tipo de abordagem. Saúde - Existe tratamento para o agressor? Cura? Christian - Atuo na área criminal há 15 anos. Até o momento percebo por meio de nossas pesquisas que tratar agressores sexuais é muito difícil com o atual modelo de sistema penitenciário que temos. Saúde - E as vítimas de agressão sexual, conseguem se re-


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es do

mento

cuperar? Como? Christian - Sim, conseguem se recuperar. Mas vai depender de como será feita a abordagem terapêutica nela e como será o apoio da família. Saúde - Quais as possibilidades de reincidência do agressor sexual após o tratamento? Christian - No Brasil, ainda não temos modelo de tratamento penitenciário para agressores sexuais, o que é uma pena, deveríamos investir mais nesse tipo de conhecimento. A partir desse fato, a reincidência é superior a 90%. Dificilmente um criminoso sexual para de agir quando em liberdade. Sobre o entrevistado Christian Costa foi o psicólogo responsável pelo setor de psicologia forense do Presídio da Polícia Militar de São Paulo de 2004 a 2012 e colaborador do Departamento Penitenciário Nacional de 2006 a 2008. Atualmente ele desenvolve pesquisa com criminosos sexuais, buscando relacionar indicadores comportamentais e marcadores genéticos, bem como, estabelecer indicadores comportamentais na cena do crime. É autor de livros sobre psicopatia e já periciou vários casos famosos como o maníaco do parque em São Paulo e o caso Tainá, no Paraná.

Christian Costa é psicólogo com mestrado em psiquiatria forense

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Videogame

pode causar dores nas articulações Quantas horas você passa jogando videogame? Cuidado com as articulações

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sso porque os movimentos repetitivos podem causar artrite crônica, uma inflamação que acomete as articulações e que provoca dor e limitação de movimento. Além do videogame, enviar torpedos e digitar por horas consecutivas podem gerar dores no pulso e nos dedos. “Quando os movimentos são realizados várias vezes e em postura inadequada pode ocorrer lesões musculares e

causar desgaste nas articulações e nervos, gerando não apenas as dores como inflamações”, afirma o fisioterapeuta Helder Montenegro. De acordo com o especialista, o uso de ferramentas tecnológicas como celular, tablet e videogame causa lesões na região cérvico-escapular dos pacientes, que é onde inicia o membro superior, os ombros. “Como ao escápula não fica acomodada quando fazemos emprego dessas tecnologias, causa um esforço maior na musculatura, gerando as lesões. O problema é que durante a prática dessas atividades o cérebro libera endorfina que inibe as dores. Por isso, alguns costumam passar mais de oito horas jogando sem sentir os incômodos, o que acaba prejudicando os músculos e as

articulações”, esclarece. O fisioterapeuta alerta que o tempo máximo de permanência jogando é de duas horas para adultos e de apenas uma hora para crianças, com pausas de 15 minutos para descansar os músculos. Sendo assim, quando essas pausas não são realizadas, a pessoa pode apresentar sintomas como dores nos membros superiores, dificuldade para movimentá-los, formigamento, fadiga muscular, alteração da sensibilidade, redução no movimento, inflamação.

“Para tratar as dores, um método utilizado é o pilates. Os exercícios são desenvolvidos respeitando as limitações de cada paciente. O objetivo é melhorar a amplitude dos movimentos e reduzir as dores articulares”, garante. Por meio do pilates é possível melhorar o grupamento muscular em torno da articulação a fim de aumentar a flexibilidade e também o fortalecimento da musculatura. “Existem diversos exercícios que trazem benefícios para a articulação atingida, fazendo com que ocorra uma redução do esforço e pressão sobre elas. Ou seja, quando os músculos estão fortalecidos, o alinhamento articular, diminuindo a incidência de lesões ou de dores” finaliza Helder.

Como tratar as dores De acordo com Montenegro, o ideal é realizar pausas durante a realização de atividades que requerem movimentos repetitivos para descansar os músculos e as articulações.

Excesso de horas com movimentos repetidos provoca dores

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Para melhor aproveitamento dos exercícios é essencial respirar de maneira adequada

REPRODUÇÃO

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Respire de forma correta Para que o atleta tenha bom rendimento em uma modalidade esportiva, algumas cautelas são importantes. A respiração é algo que merece atenção redobrada, porque quando o esportista respira de forma incorreta, recebe uma quantidade menor de ar que entra e sai dos pulmões e, por consequência, se cansa mais rapidamente. De acordo com a coach e fonoaudióloga Patricia Antoniazi, durante a realização de atividades físicas o corpo sofre um gasto maior de oxigênio que só é suprido por meio da respiração adequada. “O ideal é que o atleta realize os exercícios com o princípio do treinamento de resistência. Assim como se utilizam pesos para fortalecer os músculos do braço, os exercícios respiratórios trazem resistência à respiração

fazendo com que os músculos respiratórios trabalhem mais, aumentando assim a sua força e resistência”, descreve. Diante disso, como a demanda de ar requisitada fica maior, inevitavelmente, inicia-se a respiração pela boca para suprir a necessidade do organismo. Essa ação não compromete a eficiência da respiração. Assim, não causa tanta fadiga no atleta, o que aumenta o seu rendimento durante a atividade. “A respiração realizada de forma adequada ajuda ainda no desenvolvimento motor, psicológico e emocional”. Outra função importante da respiração é que músculos mais potentes serão mais resistentes à fadiga com um dado nível de trabalho e, por conseguinte, a falta de ar será reduzida. “Serão capazes de gerar maior fluxo de

ar, aumentando a capacidade do corpo para neutralizar o ácido láctico durante o exercício pesado”, explica a especialista. O domínio da respiração facilita o desenvolvimento de atividades como corridas, ciclismo, natação, entre outros. “Durante a inspiração do ar, o diafragma desce pressionando o abdômen para fora, já quando expiramos, o diafragma se eleva e a barriga fica murcha. A respiração realizada dessa maneira, faz com que o organismo tenha uma capacidade aumentada, pois reduz a aceleração do batimento cardíaco, na expulsão do gás carbono dos pulmões, evita tonturas e facilita o processo de queima de gordura. Porém, se ela não é bem realizada , o corpo se cansa mais rápido, reduzindo a efetividade do exercício”, resume Patrícia.


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Acredite, dieta vegetariana é saudável Abolir totalmente do cardápio proteínas de origem animal é uma tendência que vem crescendo no país. Confira as várias opções

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ma dieta vegetariana pode ser tão saudável quanto a tradicional, quem garante é o médico e nutrólogo Emerson Kubo. Segundo ele, estudos comprovam que a dieta vegetariana diminui a incidência de diabetes tipo 2, cânceres de mama e de cólon, de doenças cardiovasculares e da vesícula biliar. Um estudo publicado no periódico Jama Internal Medicine e realizado por profissionais da Universidade Adventista do Sétimo Dia de Loma Linda, nos Estados Unidos, revela que os vegetarianos têm um risco 15% menor de morte, enquanto os ovo-lacto-vegetarianos (que têm uma dieta baseada em ovos, leite e produtos derivados destes) têm um risco de morte 9% menor que pessoas que possuem uma dieta com carnes. Já os pesco-vegetarianos (que também comem peixe) têm um risco 19% menor de morte. Para o cardiologista Humberto Jorge Isaac, os hábitos

alimentares devem ser equilibrados e somados às atividades físicas sob orientação médica para assegurar qualidade de vida. O bom humor frente à vida também é importante para a saúde, enfatiza Isaac. O especialista garante que a

ORIENTAÇÃO

Um nutricionista pode orientar a respeito de alternativas alimentares e também ajudar a formar um cardápio balanceado com a quantidade ideal de proteínas necessárias para cada pessoa retirada da carne do cardápio não causa nenhum problema, mesmo que a pessoa esteja acostumada ao consumo regular. “As proteínas podem ser obtidas de várias formas, pois estão concentradas em muitos vegetais, entre eles o feijão e a soja, por exemplo, que são matéria prima de produ-

tos industrializados e se assemelham a carne”, diz ele. De acordo com o médico, também as sementes, os ovos e os cogumelos são excelentes fontes de proteínas. “No entanto, um nutricionista pode orientar a respeito dessas alternativas alimentares e também ajudar a formar um cardápio balanceado com a quantidade ideal de proteínas necessária para cada pessoa”, revela. Dúvidas? Então confira a opinião médica. • Qualquer pessoa pode fazer a dieta vegetariana ou tem restrições? A dieta vegetariana tem a vantagem de direcionar a alimentação para os vegetais que são naturalmente mais saudáveis em relação aos alimentos processados que tem excesso de sódio, corantes e conservantes. Portanto não existe uma restrição a dieta vegetariana, mas existe sim a necessidade de fazer uma readequação alimentar para que não falte ao organismo

as vitaminas, sais minerais e outros itens fundamentais para a boa saúde. • A pessoa que está acostumada com carne vai ter algum problema abolindo radicalmente o alimento? É possível adotar a dieta vegetariana sem qualquer prejuízo para a saúde abolindo radicalmente a carne. Engana-se quem diz que a carne é a melhor fonte de proteínas e que os demais alimentos seriam apenas uma “substituição”. É preciso alertar que muitas pessoas que adotam a dieta vegetariana passam a consumir alimentos derivados do leite que pode causar alergia, indisposição e no caso dos queijos, pode elevar o percentual de gordura da dieta e colocar em risco a mudança de postura. Alimentos com altas fontes de proteínas são ervilha, fava, lentilha, feijão, tofu, proteína texturizada de soja, leite de soja, amêndoa, cogumelos como o shitake, amendoim, castanhas, pinhão, sementes, grão de bico, tahine, pasta de avelã entre outros.


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Psicologia no divã

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Rockson Pessoa

Rockson_pessoa@hotmail.com

E então após um breve tempo de escuridão, a saber, um período inferior a milissegundos, um lampejo ilumina uma grande parte do encéfalo... Depois de uma série de impulsos nervosos de ambos os hemisférios cerebrais e de suas profundezas teciduais – surgem sinapses, que é a expressão da ligeira e dinâmica troca de neurotransmissores entre grandes massas de células nervosas. Com a excitabilidade de estruturas ventrais e da democrática atuação dos grandes circuitos, os sonhos que surgem no encéfalo representam que o ato de sonhar, por exemplo, se inicia pela própria expressão do novo. Os conteúdos que surgem por conta da excitabilidade do tálamo e ativação frenética de estruturas límbicas, permitem ao córtex frontal uma sensação de realidade paralela. Há de fato um vórtice de conteúdos diversos que, então libertos das dimensões mais primitivas do cérebro, passam a compor as trilhas e os enredos que constituem o sono. E quando o sono de fato se inicia, já não é mais possível diferenciar o que é real ou imaginário... E a partir da interconexão entre distintos córtices cerebrais se pode testemunhar

a perfeita atuação de bilhões de axônios mielinizados, onde temos corredores que permitem a ativação de diversas zonas de gatilho. Podemos assim, ativar memórias emocionais, ouvir músicas que contam um pouco de nossa leitura do mundo, reviver sentimentos e ainda nos é possível ver. Nos sonhos criamos os cenários a partir de ilustrações, filmes, revistas – tudo é tão perfeito, não é à toa que é denominado sonho. E se podemos sonhar em média 20 vezes por noite, observamos a eficiência do processamento de grandes estruturas. O encéfalo, a partir dos trilhões de sensores espalhados pelo organismo (internamente e externamente), permite compor trilhas cinematográficas, dignas de Hollywood, a partir de uma leitura perfeita e exata da realidade. Quantos e quantos rostos que jamais fitamos ou vimos foram criados? Tudo para dar essa faceta realística aos nossos sonhos. É mais que mágico! Temos 20 sonhos, que se expressam pelos personagens, cenários e enredos. Nós somos criativos de fato! Quando sonhamos, o fazemos pela simples necessidade de aprender sobre o mundo. Dormimos para

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Como nascem os sonhos? Rockson Pessoa psicólogo Mestrado em Psicologia - Universidade Federal do Amazonas Master in Psychology Federal University of Amazonas

não morrermos e mais que isso, dormimos e sonhamos para mudar o nosso contexto de modo persistente. Ao dormirmos consolidamos memórias, emagrecemos, envelhecemos e tantas e tantas coisas que são únicas. Sonhar é preciso, como dizia a letra de algum pensador – ele deve ter dormido bem no dia anterior para escrever essa verdade.

Para mim, o mais prodigioso de tudo – diria até indescritível, não se resume ao fato do elaboradíssimo processo comunicacional do encéfalo, tampouco pela habilidade de criarmos cenários inimagináveis. Para mim o mais importante do sonho é quando aquilo que ressurgiu das profundezas de um encéfalo se repercute na mente ou mentes

de outros! O que existe de mais elaborado do que isso, a capacidade de um encéfalo ler outro encéfalo? Por conta dessa teoria da mente que elaboramos desde nosso tenro desenvolvimento, vamos expressando a mágica que é a vida, ou seja, a capacidade de influenciarmos encéfalos pela fugaz necessidade de nos iluminarmos a cada noite.

Nos sonhos criamos os cenários a partir de ilustrações, filmes, revistas – tudo é tão perfeito, não é à toa que é denominado sonho”.


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