RICARDO OLIVEIRA
MANAUS, DOMINGO, 04 DE JANEIRO DE 2015
esportes@emtempo.com.br
INDEFINIÇÃO Aguardando proposta da iniciativa privada, indefinição sobre quem administrará a Arena da Amazônia Vivaldo Lima está atrapalhando o planejamento do calendário de jogos do estádio. Pódio E3
Luta livre em evidência no AM
Pódio E6 e E7
E2
MANAUS, DOMINGO, 04 DE JANEIRO DE 2015
Bianor Neto
‘O futebol AMAZONENSE está UM POUCO atrás dos DEMAIS’ FOTOS: ALBERTO CESAR
ANDRÉ TOBIAS Equipe EM TEMPO
H
á quase três anos longe de casa, o zagueiro do Paraná, Bianor Neto, aproveitou as férias de final de temporada para voltar a Manaus e rever a família e os amigos. Pouco aproveitado em 2014 no clube paranaense, o filho do técnico do Fast, Ney Júnior, já projeta um ano melhor. Livre das contusões, ele deve figurar na equipe profissional do Tricolor na temporada. Em entrevista ao PÓDIO, Bianor destacou o começo de carreira no Rio Negro, quando formou a dupla de zaga titular ao lado do pai. Ele também comentou sobre a situação financeira conturbada que o Paraná passou na última temporada com salários atrasados e contou um pouco mais sobre a experiência de jogar em um dos maiores centros futebolísticos do Brasil.
Para mim, o que tem que mudar mesmo é a torcida. Tem que deixar de torcer pelos times lá de longe e ir aos estádios prestigiar nosso futebol, que está cheio de jogadores de qualidade. Com isso o futebol amazonense vai melhorar e os acessos vão aparecer”
PÓDIO - Qual importância de começar a carreira como profissional jogando ao lado de Ney Júnior, seu pai? Bianor - Jogar com meu pai foi sonho realizado, tanto para mim quanto para ele. Meu pai é um exemplo para mim tanto dentro de campo como fora, então pude adquirir um pouco dessa experiência jogando ao lado dele. Ele é um grande profissional que sempre fui fã. Jogando ao lado dele percebi o talento que ele tinha. Só faltou mesmo uma oportunidade para ele decolar na carreira. Foi demais para mim essa experiência de jogar junto com ele. A torcida do Rio Negro realmente me abraçou, eu tenho um grande carinho pela torcida que sempre confiou em mim. Só tenho a agradecer a torcida rio-negrina e ao professor Iane, que meu deu a oportunidade. PÓDIO - Como foi esse processo da sua transferência do Rio Negro para o Atlético-PR? B - Foi bem natural. Eu reagi tranquilo. A pessoa sai do Rio Negro, com aquela situação de salário atrasado, estrutura mais ou menos e assina com o Atlético-PR, onde é um dos melhores clubes em termo de estrutura do país, cheguei lá pensei que eu estava na Europa. Me perguntava se aquilo ali era Brasil mesmo. Centro de treinamento com vários campos, uma estrutura fantástica e o salário em dia. Então fiquei bastante contente quando cheguei lá e vi toda aquela estrutura. PÓDIO - E a sua saída do Atlético-PR para o Paraná?
B - Isso foi tranquilo também. O Paraná é uma equipe de Série B, time de expressão, que revela bastantes jogadores. Então, fui feliz, porque o Paraná é uma vitrine do futebol brasileiro e com grandes esperanças de aparecer no cenário nacional. PÓDIO - O Paraná passou por momentos difíceis na última temporada por conta de salários atrasados, com os jogadores se recusando a treinar e a concentrar. Como foi para você enfrentar tudo isso? B - Lembrei um pouco do Rio Negro aqui. Lá esse último ano foi complicado, até porque eu saí do Atlético-PR, um clube que pagava em dia, já estava acostumado com isso, depois fui para o Paraná e voltei à situação do Rio Negro, que o salário atrasava dois, três meses, é complicado. Queira ou não queira, a gente tem família, todo mundo tem conta para pagar e ficar nessa situação é complicado. Mas, eu creio que esse ano de 2015 vai ser bom, a diretoria vai contratar com o que tem. Não vai fazer contratações para depois não conseguir arcar com as despesas. Vai dar tudo certo, salário em dia, títulos e acesso. PÓDIO - Até que ponto essa questão de salário atrasado influencia dentro de campo? B - A pessoa diz “ah, não está recebendo salário e isso não influencia em nada”, não influencia na hora do jogo, que ali entrou em campo se esquece de tudo e só importa a vitória. Mas influencia na semana, pelo fato de ser o assunto do vestiário. Acaba que no treinamento o foco se perde. Tem colégio de filho, conta para pagar, e isso acaba se tornando frequente no dia a dia. A resenha acaba sendo essa, “quando sai o pagamento?”, e isso acaba interferindo dentro de campo na hora do jogo. É claro que ninguém quer perder, mas isso acaba interferindo em algumas partidas. PÓDIO - Como foi atuar ao lado do Lúcio Flávio, experiente meio-campista com passagens por grandes clubes do futebol brasileiro? B - O Lúcio Flávio é um grande ídolo para nós, jovens do elenco. Tanto como profissional, como no pessoal. O cara é uma pessoa maravilhosa, humilde, de grupo mesmo. Mesmo com a idade que ele tem é o que mais treina, é muito profissional, chega sempre no horário.
PÓDIO - Mesmo com pouca idade e atuando num bom centro, você já pensa em um dia voltar a atuar no futebol amazonense? B - Então, penso em ficar lá fora mesmo. O futebol amazonense está um pouco atrás dos demais. Pretendo jogar aqui ainda, mas só lá para o final de carreira, com 36, 37 anos. Pretendo me estabilizar lá fora, jogar em grandes clubes e depois Europa. Não penso muito em ficar no Brasil. E espero que dê tudo certo para mim lá, já que o Paraná é uma vitrine. Eu indo bem lá, várias portas vão se abrir. PÓDIO - Muito jogador de fora quando vem jogar aqui reclama do clima. Você fez o caminho inverso. Como foi sua adaptação as baixas temperaturas do Sul? B - Influencia um pouco nos primeiros 15 dias. Mas depois acostuma, adapta. O jogador tem que estar acostumado a isso. Joga em várias cidades, então tem que se adaptar. PÓDIO - Quais as principais diferenças entre o futebol amazonense e paranaense? B - Não vou nem falar de qualidade, que no Amazonas tem muito bons jogadores. O que é diferente é a estrutura de campo, do dia a dia do jogador. Lá a estrutura é melhor, não tem nem como comparar. Os salários são diferentes, tudo é diferente. Em relação a qualidade vejo o futebol amazonense forte, com pratas da casa que tem qualidade para atuar fora, mas que falta oportunidade. PÓDIO - O Ney Júnior cogitou a possibilidade de te trazer para jogar o Estadual aqui, mas a diretoria do Paraná não liberou. Você queria voltar ao Amazonas ou preferiria esperar a oportunidade surgir em Curitiba? B - Eu estava disposto a vir e ajudar meu pai, até porque trabalhar com ele seria bom. Mas, já que a diretoria achou melhor me aproveitar lá... Eles têm um grande carinho por mim e falaram que esse será o meu ano. PÓDIO - Você é um cara novo, tem só 20 anos. Fora de campo, tem muito assédio das curitibanas? B - Pior que tem. Eu ainda nem chutei direito lá, joguei pouco, mas é impressionante. Aqui em Manaus você fala que é jogador e praticamente não é nada. Agora lá, você chega num lugar, todo mundo
conhece, já te olham de um jeito diferente. Ainda mais quando saio com uns amigos que jogam mais. Tem que ter uma cabeça boa, se não acaba se perdendo. Lá a mulherada é bonita, mas é complicado. PÓDIO - Já surgiu o interesse de algum grande brasileiro ou de algum clube europeu no seu futebol? B - Só especulação. Meu empresário tem bastante influência na Europa. Apareceu uma Série B de lá, mas acabou não dando certo. Mas para isso eu preciso jogar. Como 2014 não foi um ano muito bom, pois quase não atuei, essa é a hora. Em 2015 quero jogar para poder aparecer e consequentemente vai vim as propostas, como acontece com meu amigo Alisson. Era banco meu na Copa São Paulo, acabou que jogou no meu lugar pelo fato de ter fraturado o pé, e hoje fechou contrato de empréstimo com o Botafogo, após 20 atuações com a camisa do Paraná na Série B. Um grande amigo meu, parceiro, que merece toda sorte do mundo. PÓDIO - O que os paranaenses conhecem do nosso futebol? Que tipo de comentário eles fazem? B - Uns comentários meio sem noção, que me deixam até meio bolado, dizendo que aqui só tem índio. No dia que o Nacional foi jogar lá contra o Coxa, eu fiz até uma aposta com uns amigos. Eles disseram que ganharam em Manaus porque o Coritiba estava ressaqueado pela conquista do título Estadual, e eu apostei no Nacional. Acabou que o Nacional foi lá e eliminou o campeão paranaense. Então, deu para eles terem uma noção de que Manaus tem jogadores de qualidade. PÓDIO - Com essa experiência que você está passando no Paraná já deu para perceber o que precisa mudar no nosso futebol para melhorar? B - Tem que dar mais estrutura para os jogadores trabalharem. Salário em dia é essencial, todo time tem que honrar com seu compromisso. A Federação também precisa mudar algumas coisas para o nosso futebol ir para frente. Para mim o que tem que mudar mesmo é a torcida. Tem que deixar de torcer pelos times lá de longe e ir aos estádios prestigiar nosso futebol, que está cheio de jogadores de qualidade. Com isso o futebol amazonense vai melhorar e os acessos vão aparecer.
Não vou nem falar de qualidade, que no Amazonas tem muito bons jogadores. O que muda é a estrutura de campo, do dia a dia do jogador. Lá é melhor, não tem nem como comparar”
Então, penso em ficar lá fora mesmo. O futebol amazonense está um pouco atrás dos demais. Pretendo jogar aqui ainda, mas só lá para o final de carreira, com 36, 37 anos. Pretendo me estabilizar lá fora, jogar em grandes clubes e depois Europa. Não penso muito em ficar no Brasil”
Indefinição impossibilita
Estádio sediou três partidas em 2014. Para este ano, nove jogos já estão programados, seis deles pelo certame Estadual
programação da arena
Com interesse da iniciativa privada, administradores do estádio aguardam decisão do governador para projetar 2015 da arena ANDRÉ TOBIAS Equipe EM TEMPO
A
Arena da Amazônia Vivaldo Lima abrirá o ano de 2015 com o pé direito. No final deste mês – dias 21, 23 e 25 – o estádio recebe o Super Series, triangular envolvendo três titãs do futebol brasileiro: São Paulo, Flamengo e Vasco. Além do torneio amistoso, o calendário do Campeonato Amazonense, que começa no dia 21 de fevereiro, registra seis partidas no local. De acordo com um dos responsáveis pela administração da Arena da Amazônia Vivaldo Lima, Ariovaldo Malízia, jogos das Copas Verde e do Brasil também devem ser realizadas na arena. Contudo, o cenário de indefinição acerca de quem irá gerir o novo palco do futebol baré atrapalha a programação a médio e longo prazo do estádio. “Até agora a programação permanece inalterada. Os eventos programados até o final de janeiro estão confirmados. Alguns jogos da Série A do Amazonense serão feitos na arena e alguns da Copa Verde também. O mais importante é definir a gestão, se vai continuar com o governo ou se vai privatizar. Enquanto isso não for definido pelo governador, vamos continuar tocando o barco para frente”, avalia Malízia. A incerteza é por conta do interesse da empresa que administra o Beira-Rio, estádio do Internacional. Numa entrevista concedida a uma rádio da capital, o governador do Amazonas, José Melo, divulgou que a empresa ficou de apresentar uma proposta ainda neste mês. Enquanto isso não acontece, fica difícil até mesmo planejar os jogos do Estadual na arena. “Eu defendo que a arena tenha que receber jogos da
Série A (do Estadual). Claro que é uma situação diferenciada, pela questão do gramado. Tem que ser programado. Até porque os custos são altos. Neste mês vamos parar e pensar com a Federação como tornaremos viável esses jogos”, aponta o gestor. Ciente de que os dirigentes dos clubes temam em jogar na arena, como aconteceu na final da Segundinha do Estadual, quando Rio Negro e Operário preferiram jogar na Colina, Malízia sabe que as equipes podem até não ter renda, mas crê que se bem planejados, os jogos do Barezão podem atrair a torcida ao estádio. “Isso preocupa. Com certeza
Na Copa do Mundo, estádio recebeu uma das partidas mais aguardadas da primeira fase: Itália e Inglaterra
2015 PERSPECTIVA
CALENDÁRIO
Para 2015, nove jogos estão programados na Arena da Amazônia. Em janeiro, Flamengo, São Paulo e Vasco participaram de um triangular. A partir de fevereiro, o estádio receberá jogos do Barezão passa na cabeça dos dirigentes algo nesse sentido. Mas é preciso correr esse risco. Contudo, precisa ser algo bem trabalhado, para atrair o torcedor. não é porque é na arena que vai levar torcedor para lá. Sabemos que o torcedor amazonense é exigente quanto a qualidade do espetáculo”, reconhece Malízia. “Para mim é um estádio sensacional para a fluidez e o conforto do torcedor. Mas para quem organiza é problemático. Quem organiza tem que pagar segurança privada, que é caro. Tem que ser uma empresa credenciada pela polícia federal. Esse tipo de coisa que temos de pensar em como vamos agir para viabilizar”, arremata.
Utilização em 2015 deve ser ainda maior Para Malízia, este ano deve ser ainda mais proveitoso para a Arena da Amazônia Vivaldo Lima. Otimista, ele rechaçou o medo de ver o estádio se tornar um “elefante branco” e acredita na realização em número de eventos maior do que foi em 2014, principalmente pelo tempo disponível para organizar
espetáculos no espaço. “Acho que vai ser mais utilizada. Acabou a Copa do Mundo há seis meses. Agora vai ter tempo suficiente para as pessoas planejarem melhor. Eu acho que esse ano vai ser muito bom. Nós não podemos esquecer que essa é uma das arenas mais bonitas do Brasil e o mundo,
fica na Amazônia e isso é um atrativo. É importante a gente pensar com otimismo. Acho que o ano vai ser muito bom, com um calendário cheio”, confia o gestor. Um dos motivos que faz Malízia pensar dessa forma é o Super Series. Conforme ele, o evento será grandioso e terá cobertura da
imprensa de todo o Brasil, o que projeta ainda mais Manaus, além de fazer bem para a auto-estima local. “São situações que para mim se reveste numa grande ação social, porque as pessoas que vão lá, se deliciam, passam momentos bons num espaço grande e seguro”, conclui.
FOTOS: RICARDO OLIVEIRA
E3
MANAUS, DOMINGO, 04 DE JANEIRO DE 2015
E4
Um novo olhar
Raphael Maddy e Patrícia Serudo, gestores de clubes do interior do Amazonas, despontam no cenário local tendo o planejamento como a base do trabalho WILLIAN D’ANGELO E CÍCERO JR Web Rádio Em Tempo
N
ovos ventos sopram no futebol amazonense, sendo uma temporada que chega com promessa de dias melhores, com a Federação Amazonense de Futebol (FAF) e a Associação dos Clubes Profissionais do Estado do Amazonas (ACPEA) anunciando a nova fórmula de disputa do Campeonato Amazonense de 2015, com duração de cinco meses e uma final marcada para a Arena da Amazônia Vivaldo Lima. Dentro do universo do futebol baré, algumas equipes despontam pela forma da gestão de suas administrações, apresentando estratégias e resultados satisfatórios. Após a realização da Copa do Mundo do ano passado, o futebol amazonense ganhou novos estádios e hoje vive um novo momento, exigindo uma proposta e uma postura diferente dos dirigentes para o esporte. O ano de 2014 foi marcado também pela chegada da Associação dos Clubes Profissionais do Estado do Amazonas (ACPEA), que traz propostas para reestruturar o futebol local, assim como de um certame regional mais extenso, trazendo a expectativa de um novo rumo para a modalidade na metrópole da Amazônia. A jovem Patrícia Serudo, presidente do Penarol e Rafael Maddy, diretor de futebol do Princesa do Solimões, são exemplos de dirigentes que adotam suas experiências empresariais nas administrações de seus respectivos clubes, em busca de vitórias e boa colocações no certame local. Força do interior Entre as novas caras do futebol amazonense, desponta o manacapuruense e empresário Raphael Maddy. “Vamos em frente, temos que ter coragem”, é o sentimento que move o diretor de futebol do Tubarão do Norte. Há pelo menos nove anos como diretor de futebol do clube alvirrubro, Maddy é conhecido por sua ousadia e experiência administrativa comandando a equipe do interior. “Sou empresário, e isso me ajuda a levar a experiência para o clube. Precisamos ter sempre o pensamento de que o clube é uma empresa e deve ser trabalhado como tal”, destaca. De fato, ao longo de sua gestão, Maddy usou técnicas de meritocracia durante fases importantes da equipe do Princesa do Solimões e isso serviu como fonte de motivação para os atletas. Assim foi, entre outros momentos, na Copa do Brasil no ano de 2014. Maddy prometeu e
premiou os atletas pelo triunfo sobre o Brasiliense e no jogo contra o Santos, caso a equipe conseguisse realizar o segundo jogo. Durante a gestão de Maddy, o Princesa do Solimões tem se constituído como uma força do futebol amazonense. Em 2012, a equipe rubra foi vice-campeã da Taça Cidade de Manaus (1º Turno do Barezão), conquistou o título inédito do clube de Manacapuru em 2013 e ainda foi vice-campeã em 2014. Como se não bastasse os títulos, o Tubarão do Norte disputou competições nacionais pela primeira vez em toda sua história, como a Copa Verde e a Copa do Brasil, além de ter sido o representante amazonense no Campeonato Brasileiro da Série D, onde foi desclassificado de maneira dramática ainda na primeira fase.
Planejar em primeiro lugar Partidário do planejamento como fonte de sucesso dentro e fora de campo, Maddy já traçou as ações para a temporada de 2015, ano em que o Princesa do Solimões disputa a Copa Verde, o Campeonato Amazonense e a Copa
do Brasil. “Todo nosso trabalho é realizado dentro de um planejamento. Vamos ter uma despesa mensal em torno de R$ 100 mil, com boas expectativas para a temporada”, explica o dirigente. Sobre as possibilidades de conquista do título Estadual, Maddy prefere manter a política de pés
no chão. Ciente do nível de dificuldade que o certame terá neste ano, ele sonha em chegar as fases finais e aí, sim, brigar pelo caneco. “O Princesa do Solimões trabalha com a possibilidade de se classificar entre os primeiros na pontuação geral do certame regional e local, para depois brigar pelo título”, arremata.
Sempre presente nas viagens do elenco, o diretor de futebol do Princesa faz um bom trabalho no clube
Maddy em Macapá, no Zerão
E5
para o futebol Crítico, Maddy sempre se posicionou firme em relação aos problemas do futebol amazonense
Patrícia investe pesado nas categorias de base do Penarol
Investimento para a temporada Com os pés no chão, mas sem perder a ousadia, a gestão de Patrícia Serudo para 2015 tem como objetivo a formação de uma equipe forte que busque o título. “Comparando com 2014, aumentamos a folha em R$ 20 mil, totalizando um orçamento de R$ 90 mil para este ano. Já temos receita prevista e buscando outros parceiros, além de nossa boutique que já funciona a todo vapor em Itacoatiara.”, afirma Serudo. Além dos investidores, Patrícia espera contar com
Paixão começou na arquibancada Quebrando os paradigmas de que futebol é coisa de homem, desponta no futebol baré a figura da empresária e estudante de psicologia Patrícia Serudo, cuja história impressiona, uma vez que o envolvimento dela com o Penarol iniciou nas arquibancadas. “Comecei minha caminhada como torcedora do Leão de Itacoatiara. Após isso, me tornei patrocinadora do clube em 2011 e, como tal, me tornei mais participativa nas reuniões de presidência do Penarol opinando, sugerindo e cooperando com a parte de marketing e comunicação. Além disso, servi de elo entre a diretoria do clube e patrocinadores”, afirma Serudo, que foi aclamada como gestora do clube em 2013. O fato de ser administradora e estudante de psicologia põe Patrícia em um patamar diferenciado na gestão do clube penarolense. “Procuro usar o conhecimento adquirido, não somente nas minhas
áreas de estudo, mas também busco e aplico o que estudo em outras disciplinas.”, ilustra a jovem gestora. O conhecimento transdisciplinar de Patrícia tem permitido que ela implemente
GESTÃO
Desde que iniciou sua caminhada à frente do Penarol, a empresária Patrícia Serudo sempre deixou claro que o foco de sua gestão seria na valorização das categoria de base uma gestão diferenciada que visa frutos a médio e longo prazo, com foco nas categorias de base. Segundo ela, esta visão contrasta com o imediatismo que reina no futebol brasileiro. “Há certa resistência quanto ao trabalho realizado nas categorias de base, pois
um apoio incondicional: “O nosso torcedor será, sem dúvida, o nosso grande parceiro este ano de 2015. Nossa cidade abraça o Penarol e tem uma das mais apaixonadas e presentes torcidas. Estamos contando com ela e faremos projetos que contemplem o nosso torcedor”, aponta. Onde Patrícia quer chegar com o Penarol? Ela responde sem titubear. “Quero novamente ver o Penarol nas competições nacionais, despontando como uma força do futebol amazonense”, encerra.
Respeito foi conquistado com atuação
sempre se busca resultados imediatos. Não há um apreço pelo trabalho que visa retorno a médio e longo prazo. Entretanto, com muita firmeza, cautela e persistência temos lutado no Penarol para que tenhamos como principal legado uma estrutura de base para os anos vindouros e ter sempre uma equipe forte”, conta a presidente. Sua firmeza e luta pelos seus ideais tem tornado Patrícia Serudo um símbolo da nova gestão que desponta no cenário baré. Ela afirma que trabalho, atuação e firmeza têm permitido que ela supere as desconfianças. “As pessoas normalmente desconfiam de minha capacidade de gerir não pelo fato de eu ser mulher, mas sim por ser muito jovem dentro deste nicho. Todavia, diante da diretoria, comissão técnica e jogadores do Penarol, vou conquistando a cada dia o respeito e a admiração por conta do trabalho sério desenvolvido”, afirma Patrícia.
“Meu envolvimento e participação ativa com as questões do futebol amazonense também têm permitido que eu conquiste o meu espaço entre os dirigentes de clubes locais. Discuto, sugiro, opino, atuo e sou firme nos ideais que tenho para melhorias não somente no Penarol, mas no futebol amazonense como um todo.”, salienta Serudo. Esperançosa quanto ao futuro do futebol baré, Patrícia lamenta o fato de ainda ter que lutar contra a má imagem que se tem dos gestores locais, mas celebra a renovação de mentalidade nos cargos majoritários dos clubes. “Estamos dispostos a mudar este conceito. Vislumbro dias de glória para o futebol local.”, encerra. Presidente sonha em recolocar o Penarol na disputa de títulos
FOTOS: DIVULGAÇÃO
MANAUS, DOMINGO, 4 DE JANEIRO DE 2015
E6
Luta livre em evidê Com várias academias espalhadas por toda a capital amazonense, modalidade ganha cada vez mais espaço, principalmente entre os jovens, que sonham com o MMA THIAGO FERNANDO Equipe EM TEMPO
A
mistura entre caboclo e índio deu certo, e a Região Norte do Brasil é conhecida mundialmente como um grande celeiro de atletas no mundo das lutas. No principal evento de MMA do mundo, o UFC, temos como representantes os lutadores José Aldo, Adriano Martins e os irmãos Marajó. Além deles, podemos colocar nessa lista os lutadores Lyoto Machida, Ronaldo Jacaré e Diego Brandão, que não nasceram na região, mas foram criados na Amazônia. A luta livre esportiva não poderia ficar de fora desse crescimento. Sendo um dos esportes mais completos do mundo, ela ganhou adeptos em todos os Estados, principalmente no Amazonas. Esse sucesso é fruto do trabalho de alguns mestres da modalidade que, com muita vontade, conseguiram mudar a imagem do esporte. Hoje em dia, é possível encontrar uma academia da modalidade em todos os bairros de Manaus, fato que
facilitou a familiaridade da população com o esporte. Um exemplo disso é a academia Jr. Lopes de Luta Livre Esportiva, localizada no bairro Alvorada, Zona Oeste da capital. Curiosidade Segundo o faixa-preta Júnior Lopes, os novos prati-
INTERESSE
De acordo com o faixapreta Júnior Lopes, as pessoas se interessam pela prática da luta livra somente por curiosidade, depois a brincadeira se transforma em coisa séria e alguns chegam a competir cantes da luta livre buscam a modalidade para mudar a rotina do dia a dia. “Quem chega na academia hoje em dia, busca fugir do estresse e da rotina. Encontra no esporte uma nova família. Acaba fazendo amizades e começa a sentir prazer praticando a modalidade. Alguns vem por indicação,
mas a grande maioria tem curiosidade e quer conhecer o esporte que está fazendo sucesso no mundo todo graças ao MMA. A luta livre está tomando conta do Norte. Temos praticantes no oeste do Pará. O Norte está se fortificando. Quem é de fora, fala que os atletas do Norte são bons, porque os lutadores daqui são focados e disciplinados. Quando colocamos na cabeça que queremos uma coisa, só tiramos quando conseguimos. O Norte é terra de guerreiro”, disse o mestre, que comemora o boom do esporte. “Dou aula para pessoas de todas as faixas etárias. Fico feliz com o progresso de cada aluno. Alguns chegam fora do peso e rapidamente evoluem. Outros querem apenas treinar, mas criam o desejo de competir. Isso é muito bom para o professor. Porém, fico feliz quando vejo uma criança entrando e crescendo dentro do tatame. Ela poderia estar na rua fazendo alguma coisa errada, mas está dentro do tatame, treinando e aprendendo o que é hierarquia e respeito ao próximo”, prossegue Júnior.
Na luta livre, atletas utilizam técnicas direnciadas, semelhantes às do jiu-jítsu
MANAUS, DOMINGO, 4 DE JANEIRO DE 2015
E7
ência no Amazonas FOTOS: RAIMUNDO VALENTIM
MMA colaborou com popularização do esporte no Estado Nos últimos anos, ocorreu um grande aumento na procura pela luta livre esportiva. A modalidade passou a ser praticadas por pessoas de todas as idades nas academias de Manaus. O esporte, antes visto com desconfiança, entrou na vida dos manauenses que começaram a se destacar nas competições pelo Brasil afora. Alguns motivos ajudaram nessa popularização. Os principais foram: a facilidade de praticar a modalidade, a visibilidade que ele ganhou nos últimos anos devido ao MMA e a
aproximação com o jiu-jítsu, fato que era inimaginável na década de 90. “Hoje em dia, o pessoal do jiu-jítsu usa muito as chaves de perna, coisa que antes de 2000, você não via. A primeira vez que vi um jiujiteiro encaixar um golpe desses foi na luta entre o Rodrigo Medeiros e o Roleta no Mundial. Foi uma americana no pé. Antes, era condenado um lutador
que utilizasse essa técnica. Eles passaram a treinar esse tipo de finalização porque se tornou eficiente”, relembra Junior Lopes, que ainda citou o exemplo do lutador Rosimar Palhares Toquinho. “Um cara que fez sucesso com essas finalizações foi o Toquinho. Ele é oriundo do jiu-jítsu e chegou ao topo do esporte sendo mestre nessa técnica. Esse
intercâmbio que existe entre as modalidades é muito produtivo para ambas as lutas. Vemos hoje grandes academias com professores de luta livre, caso da Playboy’sss, que fica no Eldorado. Lá, eles têm aula com o grande mestre Paixão Ferreira, que já graduou outro grande faixa preta que é o Rayner. Essa troca de conhecimento é muito boa. Outro caso bom de lembrar é do Helton Henrique. Ele é treinador do Adriano Martins e é faixa preta da luta livre esportiva. Isso é um orgulho para todos os praticantes”, ressalta o mestre. O professor fez questão de lembrar
que essa integração ajudou a acabar com a velha rivalidade que existia entre as modalidades. No passado, praticantes de luta livre e de jiu-jítsu não se entendiam. Em certas ocasiões, essa rixa passou dos limites e brigas aconteceram. “A rivalidade saiu das ruas e foi para o tatame, lugar certo. Se você se acha melhor que o outro, mostre no tatame. Quando a luta acabar, vai comprovar isso ou não. Depois da luta, você vai embora para casa e a amizade continua. Isso é uma coisa bem legal. Até por treinar junto, os lutadores criaram amizades”, conclui Junior. Antes rivais, a luta livre e o jiu-jítsu hoje servem para troca de conhecimento
E8
MANAUS, DOMINGO, 04 DE JANEIRO DE 2015
Estrela do Norte planeja 2015 com foco na Taça BR P
equeno, mas cada vez mais profissional para virar um gigante no esporte de quadra amazonense. É assim que o Estrela do Norte Esporte Clube, atual campeão estadual de futsal adulto feminino, faz seu planejamento estratégico para a temporada 2015. Em junho, o time amazonense buscará o inédito título da Primeira Divisão da Taça Brasil. “Vencemos o Campeonato Amazonense no nosso primeiro ano de participação e ganhamos na quadra o direito de representar o Estado na Taça Brasil, que é o sonho de todo clube e atleta. A responsabilidade em 2015 é imensa, por isso seremos cada vez mais profissionais dentro e fora de quadra, atraindo jogadoras de qualidade e apoio da iniciativa privada e do poder público”, afirma o presidente do clube, Nei Lopes. Fundado em 2 de julho de 1997, o Estrela do Norte tem sede própria, ao contrário de muitos clubes que se dizem profissionais no Estado. A “casa própria” fica na rua das Palmeiras, no São José 3, Zona Leste de Manaus. Mas foi dentro de quadra que o clube ganhou notoriedade e
o respeito dos adversários. No concorrido Amazonense 2014, o time venceu a favorita equipe do Sesi/Salcomp por 4 a 2 na histórica final realizada no dia 18 de dezembro, no Clube do Trabalhador - Sesi. Comando dividido A direção técnica é dividida por três jovens profissionais
PREPARAÇÃO
De olho na Taça Brasil, a equipe do Estrela do Norte se reforçará com seis atletas. A preparação para a temporada começa no dia 12 de janeiro, com a reapresentação das atletas às 20h, na Ponta Negra da área de Educação Física: Sonny Ferreira, 24, Breno Freitas, 26, e João Paulo Guedes, 24. Juntos, eles trouxeram uma visão empreendedora e inovadora de encarar o esporte. O time absorveu as lições dos mestres e transformou toda tática e estratégia em vitórias durante a competição. “Logicamente, o que aprendemos na universidade é um
EMANUEL MENDES SIQUEIRA
Com 14 anos de existência, time da Zona Leste irá representar o Amazonas na elite da Taça Brasil, que será disputada em junho diferencial na hora de comandar a equipe. O esporte é a soma do lado físico, técnico, tático e psicológico. Mas fora da quadra ou do campo deve se ter o apoio da diretoria, ou seja, o aspecto profissional também deve funcionar. O sucesso é o resultado de esforços multidisciplinares”, explica Sonny. Patrocínios e apoios Respeitado nos bastidores, o clube já tem para 2015 a garantia de apoio da Prefeitura de Manaus, por meio do secretário Elvys Damasceno (Semjel). Parceiros como a Cachaçaria do Dedé, Jean Transportes, Exatidão Projetos, Soſt Malhas, Academia ProFitness, Mercadinho Adão & Eva e PBL Sports também devem continuar. A diretoria agora busca outras empresas para fechar o patrocínio master. Em quadra, o time terá o reforço de pelo menos seis jogadoras. A reapresentação acontecerá no dia 12 de janeiro, a partir das 20h, na praia da Ponta Negra. Além da Taça Brasil, que acontece em junho, o Estrela do Norte jogará a Copa TV Amazonas, a partir de fevereiro, e os campeonatos estaduais Sub-20 (março a junho) e Adulto (julho a dezembro).
Meninas do Estrela do Norte irão se reapresentar no dia 12 de janeiro, às 20h, na Ponta Negra