IONE MORENO
MANAUS,, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014
esportes@emtempo.com.br esportes @emtempo.com.br
o t i e p Res Judoca amazonense Rafaela Barboza fez bonito na seletiva olímpica e conquistou vaga na seleção brasileira. A atleta conversou com Pódio e falou sobre como iniciou no esporte e suas expectativas para o ano de 2015, onde poderá garantir vaga nas Olimpíadas do Rio em 2016. Pódio E4 e E5
E2
MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014
Ricardo MARROCOS
Nós vamos AMPLIAR O atendimento NO INTERIOR
FOTOS RICARDO OLIVEIRA
THIAGO FERNANDO Equipe EM TEMPO
R
icardo de Brito Marrocos, 53, é o responsável por coordenar a Secretaria de Estado da Juventude, Desporto e Lazer (Sejel). Formado em educação física e pós-graduado em ginástica escolar, Marrocos foi indicado para assumir o cargo de secretário executivo há oito meses. Marrocos conversou com a equipe do PÓDIO, fez um balanço do ano e revelou como pretende dar seguimento das atividades em 2015.
Nós vamos ampliar o atendimento no interior como já acontece na região metropolitana. É difícil geograficamente gerenciar e interiorizar isso, mas o projeto é avançar nesse objetivo. Na capital, já temos muitos projetos nas escolas. Aqui tem o ‘Jovem cidadão’ e o ‘Segundo Tempo’
Pódio - Qual balanço dos seus oito meses de gestão à frente da secretaria? Ricardo Marrocos - Assumi em maio convidado pelo governador José Melo e demos continuidade aos projetos e programas da secretaria. Eles estão com um formato diferente, mais com a nossa cara. Tentamos fortalecer alguns projetos como o Bom de Bola, pois tínhamos a Copa do Mundo logo depois que assumimos. O Estado já vinha fazendo altos investimentos em relação à Copa do Mundo em construções de campos de futebol, como a própria Arena da Amazônia. Então, ampliamos um pouco mais o Bom de Bola e fortalecemos o próprio futebol. Chegamos ao final do ano com êxito nesses oito meses, atendendo os jovens cidadãos. São 120 mil alunos que atendemos por meio do governo e da Sejel (Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer), como as outras secretarias que estão envolvidas no projeto. O balanço é positivo, apesar de algumas dificuldades. Tivemos o período eleitoral que dificultou, já que a lei eleitoral estabelece uns limites e você não pode promover alguns eventos ou criar. Por conta disso, demos continuidade no que já estava planejado. Estamos fechando o ano com bastante satisfação e concluindo os projetos sem nenhum problema.
Pódio – Até que ponto a lei eleitoral dificultou o trabalho da secretaria? RM – Na verdade, quando entramos, queríamos realizar alguns projetos nossos, mas não conseguimos por causa da lei e da falta de tempo. Veio Copa do Mundo e eleição, e ficamos um pouco limitados até na questão orçamentária mesmo. Mas conseguimos realizar grandes eventos ainda. Realizamos a meia maratona. Conseguimos colocar quase duas mil pessoas participando do evento. Ela foi uma inovação. Já estou no esporte há 20 anos. Antes da secretaria, estava na Fundação Vila Olímpica (FVO) e com isso consegui adquirir uma experiência e sempre na parte administrativa. Fora isso, sou profissional de educação física, então, sou da área. Formamos uma equipe e vimos que o melhor local para a realização da meia maratona foi a ponte sobre o rio Negro. Ficou um local belíssimo. Então, esse ano já foi diferente. Depois disso, surgiu à ideia de realizar a Maratona da Amazônia. Estamos tratando para sair do papel, mas já está no calendário para o ano que vem. Pódio – As corridas de rua podem se tornar o “carroforte” da Sejel? RM – Nesses últimos quatro anos, aconteceu um verdadeiro boom das corridas no mundo todo. No Brasil, não foi diferente. Então, o Estado está apoiando esses eventos. Sempre estivemos presente neste ano. No sábado (13), aconteceu uma em Iranduba e estivemos lá. Temos a nossa que é a meia maratona e vamos lançar a maratona. Hoje, acontece, não só em Manaus, mas nas grandes capitais, esse movimento. Milhares de pessoas estão participando de grupos de corrida, estão se organizando, confraternizando e cuidando do corpo com um esporte que é o atletismo. É um esporte que sai barato. Você vai para a Ponta Negra ou para a ponte e pratica a mo-
dalidade. Milhares de pessoas estão praticando e o Estado, por meio da Sejel vai continuar apoiando pelo fato de ser uma moda saudável. Pódio – Como a secretaria trabalha para chegar com o desporto nos municípios mais distantes? RM – Realmente é complicado. O Amazonas tem dimensões continentais. Os jogos escolares do Amazonas (Jeas) é um evento que a Sejel realiza junto com a Seduc e ele é praticamente o único evento que abrange 80% dos municípios. Não conseguimos chegar em alguns pela distancia ou interesse do prefeito de apoiar a realização. Nos últimos anos, conseguimos alcançar mais de 50 municípios nos jogos escolares. É um evento que começa em abril e vai até agosto. O Jeas é nosso principal evento. Ele consegue envolver quase 300 mil alunos da rede estadual, federal, publica e particular de ensino no Estado. Os jogos conseguem alcançar e revelar atletas do interior do Estado. Fora isso, neste ano, conseguimos levar alguns projetos nossos como o Vida ativa, Jovem cidadão e Bom de Bola para alguns municípios, mas claro, a ideia é interiorizar muito mais esses projetos. Nós vamos ampliar o atendimento no interior como já acontece em na região metropolitana. É difícil geograficamente gerenciar e interiorizar isso, mas o projeto é avançar nesse objetivo. Na capital, já temos muitos projetos nas escolas. Aqui tem o Jovem cidadão e o Segundo Tempo. A ideia é tirar um pouco os projetos da capital e atender mais o Estado. Pódio – Entre projetos e programas da Sejel, quantos jovens são atendidos no Estado? RM – Em torno de 200 mil incluindo crianças e adolescentes. Só o Jovem cidadão abrange 21 municípios e 49 escolas na capital. Pegamos o Bom de Bola e o Galera nota 10, que atende outros.
Pódio – Como você vê a utilização do legado da Copa? RM – Hoje, a secretaria do Estado tem vinculada a a Fundação Vila Olímpica. Ela é uma fundação que tem autonomia. Tem como presidente o professor Ali Almeida. Então, a gerência da fundação tem toda a obrigação de administrar esses patrimônios como Arena da Amazônia, Arena Amadeu Teixeira, René Monteiro e o próprio complexo da Vila Olímpica. Isso tudo fica na gestão deles. Mas posso dizer que os Cots (Campo Oficial de Treinamento) foram construídos para a Copa do Mundo, mas infelizmente, foram poucos utilizados pelas seleções. Elas chegaram e preferiram fazer o treinamento na arena. O grande legado (da Copa) foi realmente os dois Centro de treinamentos de altíssimo nível que são o Zamith e o Ismael Benigno. Eles foram construídos para atender a Copa, mas hoje estão atendendo o nosso futebol local e as categorias de base da federação. A demanda foi muito grande. Outros eventos como a Copa dos Bairros e Taça Lima utilizaram os locais. E estão certos, tem que utilizar mesmo. Eles foram construídos para isso. Mas até pelo clima, a grama sofreu. Fechamos agora a Colina e o Zamith para cuidar por 30 dias para atender o campeonato amazonense. Começa em fevereiro e acaba em junho. Estamos preparando para atender o profissional e as categorias de base. Tenho certeza que no ano que vem os estádios estarão prontos para atender as necessidades locais. Estamos entregando em janeiro, o campo do Oswaldo Frota. Vão caber cerca de 1 e 200 pessoas. É um estádio de futebol e vamos entregar para a comunidade. Podemos realizar até alguns jogos do estadual. Ele será completo com arquibancada, lanchonetes, cabines de imprensa e bilheteria. Será mais um estádio de futebol dentro de uma zona populosa da cidade.
O atletismo é um esporte que sai barato. Você vai para a Ponta Negra ou para a ponte e pratica a modalidade. Milhares de pessoas estão praticando e o Estado, por meio da Sejel vai continuar apoiando
O grande legado (da Copa) foi realmente os dois centros de treinamentos de altíssimo nível que são o Zamith e o Ismael Benigno
E3
MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014
Dor da desclassificação longe de ser aliviada DIVULGAÇÃO
Bruna Parente, presidente do América diz que FAF foi culpada pela desclassificação da equipe no Campeonato Brasileiro de 2010
América em campo contra o Remo (PA) pela Série D do Campeonato Brasileiro em 2010
WILIAN D’ÂNGELO E CÍCERO JR RÁDIO WEB EM TEMPO
J
á se passaram quatro anos, mas as marcas e o sentimento de dor ainda não acabaram. Até hoje, o América Futebol Clube ainda não se recuperou da derrota no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) em 2010, para o Joinville (SC), que culminou na desclassificação do time na Série D e a perda do acesso à terceira divisão do Campeonato Brasileiro, pela escalação irregular do jogador Marcos Vinicius Pereira, o Amaral. O time do Parque Dez de Novembro chegou a ser declarado vice-campeão depois de brigar pelo título com o Guarany de Sobral (CE), mas perdeu nos tribunais o direito de subir de divisão. O dia da tão sonhada classificação para a Série C do Brasileirão ainda está vivo na memória da presidente do clube, Bruna Parente, que em entrevista à Rádio Em Tempo, afirmou: “Conseguimos a tão sonhada classificação contra o Joinville (SC) dentro de campo. O maior defeito do América foi confiar em certas pessoas”, lamentou. Segundo Parente, a “bomba” estourou quando a delegação estava no Rio de Janeiro para o confronto contra o Madureira. “Quando veio o julgamento, nós ganhamos na primeira
instância, o Joinville recorreu e apresentou um CD, onde em uma reportagem o Ivan Guimarães (Vice-presidente da FAF) acusava o América de ter cometido a falha”, afirmou. “Nós tivemos a capacidade de mostrar dentro de campo o nosso futebol. Perdemos no STJD e nossa pena de seis pontos e uma multa. Caímos para o 5º lugar e até hoje não ordenaram a classificação do Campeonato Brasileiro de 2010. Isso é lamentável”, esbravejou. Após a derrota jurídica, o clube quebrou financeiramente, mergulhando em dívidas que atualmente ultrapassam R$ 300 mil. O baque foi tão grande que hoje a equipe parou suas atividades. “Não podemos voltar para o futebol por questão financeira mesmo. O América nunca teve dinheiro ou precisou de acordos com ninguém. Levamos facadas de pessoas em quem acreditávamos. Isso deixou meu avô (Amadeu Teixeira, patrono do clube) abalado e sem expectativas. Hoje, ele só assiste jogos da seleção brasileira de futebol”, revelou. Inatividade do clube Tradicional em Manaus, o América FC foi fundado em 2 de agosto de 1939. Além de um tetracampeonato estadual (1951 a 1954), o time
levantou o caneco em 1994 e 2009. É conhecido por ser um time aguerrido dentro e fora de campo. Por vezes, a equipe disputou os estaduais sem patrocínio, fato este que nunca impediu o “Mequinha” de se apresentar em campo e até mesmo brigar com os grandes do futebol amazonense. Apesar do brilho de sua história, desde 2011, o América não perfila seus times. “O América está parado. Sem categorias de base, sem nada”, diz Bruna. Segundo ela, desde o campeonato amazonense de 2010, o time acumulou dívidas por conta de erros administrativos antes de sua gestão, erros estes que levaram o time a receber várias intimações por conta de causas trabalhistas. “Tudo que o América tiver hoje, corre o risco de ser confiscado”, disse a presidente em entrevista à Rádio Em Tempo. A pergunta que Bruna sempre ouve por onde passa e é identificada é unânime: “Quando o América vai voltar?”. A resposta, segundo ela, é normalmente a mesma: “Se eu ganhar na Mega-Sena ou um grande empresário disposto a arcar as dívidas e investir no América aparecer, o América volta”, falou em tom irônico. O motivo do retorno? Ela diz: “Voltaria por causa do meu avô; pelo que ele é e fez dentro do esporte amazonense”.
Uma amarga e inesquecível lembrança Em campo, o América se classificou na primeira fase em segundo lugar do grupo A1 com nove pontos. Na segunda e terceira fases, passou por Mixto e Vila Aurora-MT. Chegando às quartas de final, onde despachou o Joinville-SC (que hoje está na Série A). Além das dificuldades extracampo, o América se viu obrigado a mandar os jogos finais fora de Manaus, pois nas semifinais, a CBF determina que as partidas sejam em estádios com capacidade igual ou maior a 10.000 pessoas. Na época, apenas o estádio do Sesi estava disponível por conta da reestruturação das outras praças esportivas. Mesmo assim, o time ganhou do Madureira nas semifinais e foi, dentro de campo, vice-campeão da Série D, perdendo para o Guarany de Sobral.
Parente diz que culpa é da FAF Ela afirma com veemência que cumpriu seu papel enquanto presidente do clube com relação à inscrição dos jogadores. “Meu papel era levar os ofícios com os contratos dos jogadores para que a federação os encaminhasse à CBF. De lá, estes seriam inscritos no BID. Eu recebi os BIDs e eu não tinha mais acesso dali em diante”, revelou. “Fui vista como a culpada de toda situação, afinal, é muito mais fácil criticar uma mulher no mundo futebolístico, mas não levaram em conta as nossas dificuldades. Pedimos empréstimos, buscamos meios lícitos para honrar os nossos compromissos. Paguei muitas coisas do meu próprio bolso. Errei em 2010 por confiar em pessoas responsáveis por tomar de conta dos contratos dos jogadores”, disse. A presidente do América cita ainda a falta de apoio da Federação Amazonense de Futebol (FAF) em todo o processo e salienta que o depoimento partindo do vicepresidente da instituição, Ivan Guimarães, foi preponderante para que o América perdesse no tribunal.
“O advogado do time catarinense tinha um CD com uma entrevista do Ivan falando que tínhamos escalado um jogador irregularmente. O julgamento do América foi de cunho político, não porque estávamos errados”, resumiu. Ivan nega acusação O vice-presidente da FAF, Ivan Guimarães, afirmou que a denúncia não partiu dele nem da federação. “A própria pessoa se autodenuncia. Tudo está no sistema. Tudo está previsto também no regulamento da competição, basta apenas ser lido. Há datas descritas nele que devem ser obedecidas. Se houve inscrição fora deste prazo, nada pode ser feito. Quando fui entrevistado, apenas respondi com base no julgamento”, se defendeu. Guimarães lembrou que o Joinvile tem um departamento que cuida exclusivamente da parte jurídica, acompanhando o momento. “A FAF registra qualquer jogador uma vez que este for encaminhado à instituição. Quem deve saber se o jogador está regular ou não é o clube. Portanto, cumprimos com o nosso papel”, disse.
E4
Mestre em derruba THIAGO FERNANDO Equipe EM TEMPO
N
o último final de semana, o Amazonas recebeu um presente de Natal antecipado. E ele usa quimono e veio do judô. Mais precisamente, a atleta Rafaela Barbosa. Com apenas 21 anos, a jovem lutadora garantiu uma vaga na seleção brasileira da modalidade e tem grandes chances de participar dos Jogos Olímpicos de 2016 que acontecerão pela primeira vez no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Rafaela foi a primeira atleta do Norte a conquistar o feito. “Cada conquista é sempre muito importante, porque nos ajuda a ser mais respeitada na CBJ (Confederação Brasileira de Judô) e em outros países. Isso valoriza o nosso trabalho diário e ajuda a mostrar que te-
Rafaela no lugar onde se sente mais a vontade: o tatame
nho capacidade, que o amazonense tem capacidade. Graças a Deus, venho conquistando títulos inéditos. Primeiro foi o campeonato universitário, mas posso dizer que a vaga (na seleção brasileira) foi o auge da minha carreira. Estava treinando muito. Cheguei a treinar até sete horas por dia. Alcançar esse nível foi difícil, porém, valeu a pena porque foi tão legal a sensação de ganhar das melhores e saber que a vaga era minha que só queria agradecer a todos que estavam torcendo por mim”, disse Rafaela, que em sua volta a Manaus, foi recebida no aeroporto Eduardo Gomes por seus alunos do projeto social ‘Construindo Cidadania’, que funciona na Associação Barbosa de Lutas, localizado na avenida Carvalho Leal, Cachoeirinha, Zona Sul da cidade. A atitude mostrou o quanto ela é querida pelos jovens alunos. “Esse apoio que recebi do meu Estado, me parabenizando e agradecendo por representar tão bem a Região Norte, foi muito bom. Não consigo dizer o quanto me senti querida. Espantei-me pela dimensão que tomou. Fico feliz, porque queria muito isso. Chegar a 2016 e ter a oportunidade de participar de uma Olimpíada no meu país é indescritível. Foi bastante legal a minha chegada na cidade”, revelou a atleta que estava incluída no ciclo Olímpico de 2012, porém, sofreu uma grave lesão que a afastou dos tatames por mais de um ano e meio. A transição Nada na vida da jovem atleta amazonense foi fácil. Rafaela começou cedo no esporte. Logo aos sete anos, ela entrou no mundo das lutas, porém, a primeira modalidade que praticou foi o jiu-jítsu, onde se sagrou campeã de vários campeonatos no Estado. A migração para o judô aconteceu seis anos mais tarde, em 2006, quando a lutadora tinha 13 anos. Aproveitando sua experiência nas lutas, Rafaela conseguiu surpreender logo no primeiro campeonato, conquistando o título. No mesmo ano, a atleta garantiu uma vaga para disputar o seu primeiro campeonato brasileiro, onde garantiu o terceiro lugar, foi campeã das Olimpíadas Escolares e acabou ganhando o Sul-Americano pela seleção brasileira. “Na época, a transição do jiu-jítsu para o judô não foi muito difícil porque podia utilizar a catada de perna. Quando proibiram, não tive problema para me adaptar. Já estava acostumada com o judô. As lutas são parecidas e ainda era nova. Foi fácil acostumar. Acabou sendo natural”, admitiu Rafaela, que é faixa preta da modalidade. A atleta acredita que o jiu-jítsu pode, nos próximos anos, ser tão respeitado quanto o próprio judô e sonha que ele chegue ao ponto de virar esporte olímpico. “Acho o jiu-jítsu um esporte maravilhoso. Ele poderia ser muito mais praticado e incentivado. O jiu-jítsu poderia ser olímpico. O Brasil, com certeza, conquistaria 99% das medalhas. Ele poderia ser praticado nas escolas, porque é um esporte que ensina defesa, disciplina e respeito”, salientou Rafaela.
FOTOS: IONE MORENO
Judoca Rafaela Barbosa, integrante da seleção brasileira, já pensou em desistir do esporte por falta de investimento, mas com incentivo dos pais, perseverou e hoje colhe os louros da decisão. Amazonense tem chances de disputar as Olimpíadas de 2016
MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014
E5
ar as adversidades Patrocínio foi fundamental Cercada por lutadores dentro de casa, a atleta sempre recebeu incentivo para continuar no esporte. Para ela, isso foi fundamental para alcançar o topo da modalidade. “Sempre pude contar com o meu pai e meus irmãos. Eles são a base. Tudo que faço, sempre estou acompanhada deles. Quando um tem dificuldade, o outro vai lá e ajuda. Sempre estamos nessa parceria”, citou a atleta revelando ainda que, por pouco, não abandonou o judô por causa das dificuldades que enfrentou. Um dos principais obstáculos que ela teve que superar foi a falta de incentivos. Mesmo sendo multicampeã no Amazonas, Rafaela ficou sem patrocínio. Isso mudou quando Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) ofereceu um apoio a lutadora. “No começo, o investimento é pequeno e realmente é bastante complicado. Vim de uma família humilde. Graças a Deus, a Fieam começou a me patrocinar desde a minha
base e isso foi importante para continuar no esporte. De dois anos para cá, comecei a ganhar a Bolsa Atleta e isso também nos ajuda, porque, por incrível que pareça, a nossa maior dificuldade é financeira. O Amazonas é muito longe de tudo e isso deixa tudo mais caro. Agora, estou participando de mais competições e isso está me ajudando a melhorar. Acabei ganhando mais experiência e maturidade para chegar até o ponto atual”, relatou a judoca confirmando que sem a categoria de base que teve, não teria chegado ao atual nível técnico que tem. Segredo é trabalho “Você não chega à seleção com um ou dois anos de treinamento. Na verdade, são anos para aprender. Inclusive, os lutadores com quem treino estão no esporte desde os três anos. O judô é um esporte muito estudado e trabalhado. Sem base, não tem como chegar ao topo”, disse a representante do Amazonas.
Equipamentos caros afastam novos judocas Tido como esporte nobre, o judô é muito popular no mundo por sua disciplina. No Brasil, o esporte está inclusivo, sendo oferecido por boa parte das escolas. A modalidade é popular no país e tem como ídolos atletas como Flávio Canto, Tiago Camilo e Aurélio Miguel. Para Rafaela Barbosa, o esporte não é mais popular no país porque o equipamento é caro. Segundo a mesma, isso acaba afastando os novos praticantes. “Não vejo facilidade para quem quer entrar no judô. Jus-
Judoca posa para foto durante treinamento em Manaus
tamente por ser considerado nobre, o material é caro. Um quimono simples para criança custa no mínimo R$ 150. O esporte deveria ser incentivado e tratado com mais carinho porque ele pode ser utilizado na educação”, disse a atleta que utilizou o próprio exemplo para mostrar como o esporte mudou a sua vida e a ajudou a se tornar uma pessoa melhor. “Considero-me uma pessoa muito difícil. Sou teimosa, chata e perfeccionista demais. Então, o esporte me
ajudou a ouvir mais e ser mais carinhosa. Fora isso, ele me ensinou que o mundo não é feito só por derrotas ou vitórias. Tudo depende de tudo que você quer e a importância que dá para aquilo. Ele nos ensina a sempre lutar para nos superar. Esse é o segredo da vida. Nunca desistir e ir sempre atrás do seu sonho. O esporte é importante por isso. Ele também ensina que sempre temos que fazer o nosso melhor”, relatou Rafaela, que comanda o projeto social da família, que conta com mais
de 200 lutadores, entre crianças, jovens e adultos. “Amo nossos atletas. Meus bacurizinhos começaram a tomar uma direção na vida. Eles vêm treinar, competir, estão indo para a escola e trazendo o boletim de notas. Antes, eles viviam na rua, agora estão focados. Essa mudança de comportamento me deixa feliz, porque sei que eles poderiam se perder e agora estão no esporte. Torço muito por todos. Espero que eles cheguem mais longe do que eu”, finalizou a jovem.
E6
PÓDIO traz algumas opções de lazer e diversão para crianças e jovens que forem passar as férias em Manaus ANDRÉ TOBIAS Equipe EM TEMPO
A
s festas de final de ano chegaram e com elas as férias. Para alguns, é o período mais esperado do ano, depois de muito estudar e trabalhar. Época de sair da rotina, aproveitar a família e descansar o corpo e a alma. Mas, o período de folga pode ser uma boa oportunidade para os aventureiros e desportistas de plantão experimentarem novas experiências e modalidades. A equipe do PÓDIO traz nesta reportagem algumas opções de lazer e diversão para quem desejar manter o espírito de competição vivo nas férias. As modalidades são as mais variadas e atendem a todos os gostos, bolsos e idades. Entre elas, está o esporte mais popular entre os brasileiros: o futebol. Pronta para receber crianças de nove a 15 anos, a Escola de Futebol Oficial do Flamengo, localizada no complexo do Clube do Trabalhador – Sesi, na alameda Cosme Ferreira, Zona Leste da capital, é uma das opções para a garotada que entrou de férias e deseja praticar algum tipo de atividade física. É também neste período do ano que a entidade recebe uma procura maior por parte dos pais. “Nesse período do ano, a procura aumenta bastante. Porém, é nesta época em que muitos garotos saem da escolhinha para viajar ou até mesmo descansar. Apesar de ser período chuvoso, a procura nas férias é grande, principalmente entre garotos na faixa etária de 10 a 13, mesmo porque na escola do Flamengo a gente não fecha ou entra em recesso, ao não ser nos feriados, mas como eles estão em competição, o impacto não é muito grande”, explica o franqueado
Pontaria é essencial no paintball
rubro-negro Gesiel Silva, conhecido no cenário esportivo local como “Gel”. Segundo o franqueado, a procura pelas aulas na escolinha aumenta em 30% em relação aos outros períodos do ano nas férias. “Como são alunos transitórios, a gente não modifica os valores. Nesse período que eles ficam conosco, a maioria acabam ficando de vez, por conta da estrutura que oferecemos a eles. Quem procura muito são os alunos que passaram o ano estudando em colégios integrais, que não conseguem tempo de
TEM HISTÓRIA
A escolinha do Flamengo se instalou na capital amazonense há 10 anos. Atualmente, as atividades são realizadas em um campo de grama sintética, localizado no Clube do Trabalhador, no Sesi
fazer escolinha durante o ano”, esclarece Gel sobre a política de preço da escolinha, que cobra R$ 130 na matrícula, R$ 180 no kit uniforme – camisa, calção e meião - e a partir do segundo mês a mensalidade fica em R$ 115. Conforme ele, a ideia é trazer para Manaus em 2016 o FlaCamp, a colônia de férias oficial do RubroNegro carioca, que visa o desenvolvimento social e esportivo do participante, e atende tanto meninos quanto meninas com idades entre seis e 16 anos, onde os participantes poderão vivenciar uma semana de muito futebol, atividades esportivas, atividades recreativas e diversas surpresas.
Futebol ainda é uma das brincadeiras prediletas das crianças brasileiras e manauenses
Paintball é uma boa pedida Funcionando das 8h às 22h, a Arena Paintball Manaus, localizada na avenida Ephigênio Salles, bairro Aleixo, é o lugar ideal para aqueles que pretendem gastar pouco e se divertir muito com os amigos. “É um esporte de muita adrenalina, onde a pessoa tem que jogar em equipe, além de raciocinar rápido na hora do jogo”, aponta o responsável pelo local, Anderson Bonates. De acordo com ele, a procura pelo paintball nas férias aumenta em 60%.
Cobrando R$ 10 por 50 bolinhas, Bonates rechaça o rótulo de esporte violento e alerta para o uso dos equipamentos de proteção. “Na verdade, o nome correto não é arma, é marcador de paintball. Meu irmão tem sete anos e brinca comigo, meu sobrinho tem cinco e também joga. A gente dá o colete, o protetor de pescoço e a máscara de proteção, e sempre orientamos os praticantes a virem com camisa de manga comprida e calça”, destaca.
FOTOS: RAIMUNDO VALENTIM
MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014
E7
Velocidade e emoção é no kart Inspirado no piloto amazonense Antônio Pizzonia, que chegou à Fórmula 1 e hoje disputa a Stock Car, o Manaus Kart Show aparece como uma boa opção para as férias. Localizado no estacionamento do Amazonas Shopping e sem maiores restrições, qualquer pessoa acima de 1,5 metro pode entrar no carro e vivenciar as emoções de uma corrida de kart. “Essa ideia é originária de uma viagem que eu fiz ao Rio de Janeiro, e quando voltei vi que não tinha o kart em Manaus. Fiz a proposta ao meu sócio e ele aceitou. Já tinha tido outro kart aqui [no shopping], mas o nosso projeto surgiu com um pouco mais de sofisticação. Para 2015, vamos fazer melhoras, principalmente no atendimento ao público e até mesmo no kart”, contextualiza o responsável pelo Manaus Kart Show, Paulo Victor. Para competir na pista, apenas oito carros participam da corrida que dura 20 minutos. O preço é acessível e varia de acordo com os dias da semana. De segunda a quinta, o valor para se sentir um piloto de kart é R$ 35. Nos finais
de semana – sexta, sábado e domingo – e feriados, o custo é de R$ 45. “A gente também está analisando para o ano que vem a compra de novos carros. Vimos que tem muita criança entre seis e dez anos, mas esse nosso kart é adulto. De 11 anos em diante pode correr, porque é pelo tamanho,
INSPIRAÇÃO
A inspiração do responsável pelo Manaus Kart Show, Paulo Victor, nasceu da possibilidade de utilizar a brincadeira para encontrar novos talentos para o esporte em Manaus e a criançada geralmente atinge o tamanho mínimo nessa idade. Os mais novinhos não aguentam, o carro é pesado para fazer as curvas. No ano que vem queremos trazer uns carros especiais para atender esse tipo de público”, disse Paulo. Além da ausência da modalidade em Manaus, o em-
presário trata o kart como uma forma de descobrir novos talentos. “Na minha visão, nós temos um piloto amazonense que conseguiu chegar à Fórmula 1, mas isso acabou ficando esquecido. Eu vejo que essa situação aconteceu aqui e ficou por isso mesmo. Nossa ideia também é tentar despertar esse interesse no amazonense para esse esporte”, expõe, destacando o feito de Antônio Pizzonia, que começou no kart em Manaus, e chegou à principal categoria de corridas do mundo. “O Pizzonia conseguiu chegar na Fórmula 1 e fez uma caminhada muito longa, começando aqui. E depois dele, será que não tem nenhum talento perdido por aqui? Acho que no futuro podemos despertar o interesse no governo. Já que um saiu um para a Fórmula 1, porque não pode sair outro? É por isso que eu quis trazer a questão dos karts novos, para pegar eles com seis anos e depois fazer o caminho natural, disputando competições fora do Estado. A gente vai trazer esses karts novos para ver se no futuro descobrimos algum talento”, arremata Paulo.
A pista do Manaus Kart Show pode ser compartilhada por um grupo de até oito pilotos
Boliche é a mais democrática entre as opções de lazer Com duas opções de local para os amantes da bola pesada, o Amazon Bowling oferece as condições ideais para quem deseja praticar boliche, reunir os amigos, escutar uma boa música e até mesmo desfrutar de um cardápio com itens para todas as idades. Seja no Studio 5, no Distrito Industrial, ou na rua Belo Horizonte, no Adrianópolis, a casa está com promoção especial para férias. O administrador do Amazon Bowling, Eduardo Gobeth, divulga que no período das férias a procura pelo boliche aumenta em 40%. “Isso se deve, inclusive, por causa da promoção especial que a gente faz para as férias. Sem promoção, o preço da casa varia entre R$ 39,90 e R$ 49,90. Nas férias, abrimos às 15h. E desse horário até às 19h estamos cobrando R$ 19,99. A promoção é válida de segunda à sexta e vai até o dia 31 de janeiro”, adianta. Além das pistas de boliche, a casa oferece outros serviços, como: sinuca, playground infantil e espaço para festas de aniversário. A partir do ano que vem, o Amazon Bowling promete inovar. “Estamos no [shopping] Sumaúma e devemos inaugurar em abril, com novidades que nós não temos nas outras duas casas”, finaliza.
Não há limite de idade para a brincadeira
E8
MANAUS, DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO DE 2014
Mulheres do tatame
Pelo menos cem atletas participarão do terceiro Campeonato Brasileiro de Luta Livre Esportiva, disputado neste domingo na capital amazonense EMANUELMENDESSIQUEIRA
Atletas se preparando para fazer bonito durante o campeonato nacional da modalidade, que movimentará Manaus
A
s mulheres estão ganhando cada vez mais espaço no esporte, eliminando o excesso de peso, melhorando a saúde, a qualidade de vida e se transformando em referência no tatame. Prova disso é que pelo menos cem competidoras disputarão o 3º Campeonato Brasileiro de Luta Livre Esportiva, que será realizado neste domingo (21), no ginásio do Ifam, na avenida Sete de Setembro, Centro. Praticar a luta livre traz
uma série de benefícios para a saúde. No treinamento, as praticantes dessa modalidade trabalham com sua força funcional, velocidade e poder explosivos. Para brilhar nos campeonatos, as atletas também precisam de um nível alto de resistência cardiovascular para que consigam se recuperar entre cada luta. Uma combinação de poderes aeróbicos e anaeróbicos de difícil manutenção. Estrelas e novatas O Campeonato Brasileiro
de Luta Livre Esportiva terá a participação de estrelas da modalidade, como Gilsely Perêa, 24, referência do esporte no Estado nos últimos dois anos e atualmente também disputando eventos de MMA. Por outro lado, atletas como Monique Simas, 19, vão à luta pela primeira vez numa disputa nacional. “As mulheres estão conquistando seu espaço na sociedade, nas faculdades, no mercado de trabalho. No esporte, isso também está
acontecendo. A luta livre faz bem para o corpo e a mente”, enfatiza Monique. Para o público, o ingresso custa R$ 5. A camisa oficial do evento sai por R$ 40 e estará sendo vendida no local. Segundo a Federação Amazonense de Submission e Luta Livre (Fasub), dos aproximadamente mil atletas inscritos na competição, cem são mulheres de diversas idades e categorias. Elas praticam a modalidade nas diversas academias espalhadas pelo Estado.
MUNDIAL
Feras do skate chegam ao Brasil no próximo mês De 22 a 25 de janeiro de 2015, grandes nomes do skate mundial vão marcar presença no Parque Madureira, no Rio de Janeiro, durante o Oi Bowl Jam 2015, mundial de skate bowl. Em sua segunda edição no país, o evento, que abre a temporada do Circuito Mundial de Bowl, vai reunir 34 skatistas e uma premiação inédita de U$ 70 mil. Esta é a primeira vez que a competição vai integrar o ranking da International Skateboarder’s Union (ISU) e contabilizará o dobro de pontos para o ranking da World Cup Skateboarding (WCS), já que é um evento chancelado por eles. O Oi Bowl Jam terá transmissão do SporTV no sábado e da TV Globo, domingo, dentro do Esporte Espetacular. O evento será gratuito e aberto ao público. Pelo regulamento, dez atletas já estão pré-selecionados, de acordo com o ranking da ISU, para as semifinais. Entre eles os brasileiros Pedro Bar-
ros, pentacampeão mundial e atual número 1 do mundo na modalidade, Murilo Peres, Felipe Foguinho, Vi Kakinho, Nilo Peçanha e Otavio Neto. Completam a lista os americanos Alex Sorgente, Cory Juneau, Sky Siljeg e Josh Borden. A presença novamente dos melhores atletas do mundo no evento se deve ao sucesso da edição de 2014. “Ficamos muito satisfeitos com o resultado da primeira edição do mundial de bowl no país e com o engajamento do público. Isso confirmou o que sempre acreditamos: que o Rio de Janeiro e Madureira têm todos os ingredientes para se tornarem, cada vez mais, polos de grandes eventos de esportes radicais. Todo esse potencial já nos leva a planejar um grande evento de esportes radicais com várias modalidades, música e atrativos para o público”, afirma a vice-presidente de Esportes da IMX, Marcia Casz. DIVULGAÇÃO
Skatista Pedro Barros em uma de suas manobras radicais