DIEGO JANATÃ
MANAUS, DOMINGO, 15 DE MARÇO DE 2015
esportes@emtempo.com.br
À SOMBRA DA RIQUEZA Com estádios construídos no famoso padrão Fifa, futebol amazonense vive um contraste quando assunto é público. As arquibancadas locais não têm nível de Copa do Mundo. Nas duas primeiras rodadas do campeonato regional, a média foi de 562,6 torcedores por jogo. Os clubes, claro, sofrem também com os prejuízos financeiros. Pódio E3
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Rolinha
Faria TUDO DE novo, sem TITUBEAR
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Está faltando um envolvimento maior das diretorias e dos jogadores. Fora isso, não podemos esquecer de mencionar o trabalho com as categorias de base. Isso é importantíssimo. Eles deixaram de lado por muito tempo.
eu nome é Antonio Ricardo Peixoto Lima, mas no futebol e na vida, ficou conhecido como Rolinha. Meio-campo cerebral, muitos o chamavam de Gerson do Amazonas. Ídolo do Nacional que brilhou nos campos baré nas décadas de 60 e 70, ele, ao lado de Mario, formou a maior dupla de criação do futebol amazonense. Rolinha recusou propostas de grandes clubes como Fluminense e Cruzeiro, para continuar defendendo as cores do Leão da Vila Municipal. A equipe PÓDIO conversou com Rolinha e relembrou histórias do passado, curiosidades e fatos que marcaram a carreira dessa lenda do futebol local. PÓDIO – Como começou sua carreira? ROLINHA – Tudo começou com o meu pai. Ele jogou futebol. Ele é pernambucano e veio para Manaus depois de jogar no Santa Cruz. Eu, quando garoto, estive na escolinha do Nacional e Rio Negro. Voltei juvenil para o Nacional. Todo tempo em que estive no clube, consegui contribuir para o sucesso do clube. Fomos campeões várias vezes e entramos para a história. Participei da seleção amazonense e joguei na pré-estreia do Vivaldão. PÓDIO – Como era jogar com os estádios lotados na época? R – Era bom. Jogar no Parque Amazonense e na Colina. A torcida ficava bem próxima. Isso era muito bom. Você sentia o calor da torcida. Fora isso, havia a identificação do torcedor com o atleta. Isso era importante. PÓDIO – Qual foi o título mais importante que conquistou com o Nacional? R – Todos os títulos são importantes, independente da época ou situação da equipe.
FOTOS: RAIMUNDO VALENTIM
Porém, o mais marcante foi o primeiro título, em 1968. Vinha de um período no Rio Negro. Voltei para o juvenil do Nacional e logo fui para o profissional para substituir um atleta chamado Almir que estava indo para o São Raimundo. Nesse período, consegui manter uma boa sequência de jogos e fiquei como titular no Nacional por muitos anos. PÓDIO – Como é para você ser um ídolo do Nacional? R – Para ser ídolo de um clube você precisa fazer por onde para se tornar. É uma responsabilidade muito grande. Por muito tempo, fui capitão do Nacional. Ser ídolo é aumentar a sua responsabilidade com relação aquilo que você faz. O atleta, seja ele de qualquer modalidade, tem que fazer por merecer ser ídolo de uma torcida. PÓDIO – Qual foi o melhor companheiro de equipe que você teve? R – Tive um companheiro de equipe que formou comigo uma dupla de meio-campo muito boa no Nacional. Foi o Mário. Ele era carioca. O Mário foi um jogador extraordinário. Mas tive outros companheiros que contribuíram para o sucesso desse time e da dupla Mario e Rolinha. O time do Nacional era muito bom. PÓDIO – Como surgiu o apelido ‘Rolinha’? R – Quando criança, tinha um rapaz chamado Luis Augusto Santa Cruz Machado, que era estudante de direito e logo foi juiz em Manaus, que ficava narrando a pelada da rua próximo da minha casa na Joaquim Nabuco. Ele ficava apelidando toda a criança da rua. Como cortava meu cabelo bem raspado e só deixava um topete, ele disse que tinha a cabeça de uma rolinha. Foi
ai que surgiu o meu apelido. Acho até estranho quando me chamam de Ricardo. PÓDIO – Quais treinadores marcaram a sua carreira? R – Todos os treinadores contribuíram de alguma maneira. Logo no começo tive o João Bosco, que foi campeão com o Nacional em 68 e acabou sendo senador. Tive o Flávio de Souza que fazia parte da equipe do Bosco. Tive o Alfredo Gonzalez, Paulo Emilio que depois foi para o Fluminense. Fui treinado na Rodoviária pelo eterno Amadeu Teixeira. Ele contribuiu muito com a minha formação. PÓDIO – Concorda quando falam que falta paixão no futebol amazonense? R – Concordo plenamente. Foi o Amadeu que falou isso primeiramente, com toda a sua sabedoria e experiência. Existe muita diferença quando jogávamos clássicos. Nesses dias, as torcidas faziam carreatas. Eram muitas pessoas com bandeiras e camisas. Eles faziam o movimento para que os torcedores fossem para os estádios. Naquela época, o futebol amazonense tinha uma equiparação entre as equipes. São Raimundo, Sul America e América eram equipes fortes. Embora Nacional, Fast e Rio Negro levassem uma vantagem maior, porque tinham maior poder aquisitivo. PÓDIO – Como vê o atual momento do futebol amazonense? R – Vejo com tristeza. Tomei conhecimento que o Nacional está com um projeto que visa daqui uns anos chegar pelo menos na Série B do Brasileiro, mas já ouve o tropeço da Copa Verde. Assisti ao jogo e é triste ver perder de 4 a 1 para o Paysandu. Não é impossível, mas
é difícil reverter. Mas o nosso futebol está carecendo do que o seu Amadeu falou na sua última entrevista. Está faltando um envolvimento maior das diretorias e dos jogadores. Fora isso, não podemos esquecer de mencionar o trabalho com as categorias de base. Isso é importantíssimo. Eles deixaram de lado por muito tempo. PÓDIO – Sente-se feliz com o reconhecimento da torcida do Nacional? R – Fico feliz, porque quando saio com minha família, sempre alguém vem falar comigo. No Shopping, na própria rua, sempre alguém me reconhece. Pessoas que me viram jogar e presenciaram o futebol antigo. Esse reconhecimento é bom, porque mostra que não fomos esquecidos. Assim como acontece comigo, deve acontecer com outros atletas que também marcaram seus nomes na história do futebol daqui. Atletas como Clóvis e Marialvo. Essa sensação é gostosa. Pódio – Valeu a pena todos os anos dedicados ao futebol? R – Valeu sim. Faria tudo de novo, sem titubear. Naquela época, percebíamos que o futebol não ia oferecer muitas coisas. Hoje em dia não, seria muito bom para pessoas que participaram do futebol na minha época. Elas iriam ganhar muito dinheiro. Assistimos hoje e vemos que não sei quem ganha não sei quanto. Naquela época não era assim. Jogávamos com amor. O salário era muito pouco, mas eu faria tudo novamente. Não me arrependo de nada que fiz para jogar futebol. Fora isso, tive uma preocupação que outros não tiveram. Estudei um pouco mais e tive minha formação de nível superior. Essa orientação me levou a ter uma vida um pouco mais tranquila.
Fui treinado na Rodoviária pelo eterno Amadeu Teixeira. Ele contribuiu muito com a minha formação.
Nesses dias, as torcidas faziam carreatas. Eram muitas pessoas com bandeiras e camisas. Eles faziam o movimento para que os torcedores fossem para os estádios. Naquela época, o futebol amazonense tinha uma equiparação entre as equipes.
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Os custos do Campeonato
Amazonense 2015 ANDRÉ TOBIAS Equipe EM TEMPO
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com a diretoria do Iranduba para comentar os custos que teve no seu primeiro jogo como mandante, mas não obteve sucesso. Lucro irrisório Jogar no interior sempre foi um problema para os clubes da capital. Além da tradicional apaixonada torcida interiorana, as equipes enfrentam o desgaste das viagens. O Penarol fez valer o fator casa nas duas primeiras rodadas e somou seis pontos atuando no Floro de Mendonça. Dos cinco jogos com saldo
SÓ ISSO?
Nas duas primeiras rodadas do Campeonato Amazonense, a média de tocedores pagantes foi de 562,6 por jogo, mesmo com os clássicos entre Nacional e Rio Negro e Princesa e Operário Bandeirão da torcida rionegrina ocupa, sem incomodar ninguém, boa parte da arquibancada do estádio Carlos Zamith
positivo nas duas primeiras rodadas do Barezão, dois tiveram o Leão da Velha Serpa como mandante. Mas, engana-se quem acha que os lucros foram satisfatórios. Apenas R$ 5.514,35 ficou nos cofres do clube de um bruto arrecadado de R$ 19.020, para um público pagante de 2.019 torcedores. “O torcedor vê os estádio lotado e acha que todo o valor arrecadado com a quantidade de ingressos vendidos vai para o clube, mas não é bem assim. Nós não temos muito público, o futebol amazonense passa por dificuldade em relação a isso. Acredito também que uma maneira de diminuir isso aí, seria a federação ajudar os clubes. Eles recebem uma porcentagem no valor dos jogos na arena, mas, segundo eles, o investimento vai para o futebol amador”, explica a presidente do Penarol, Patrícia Serudo.
Jogo
Público pagante
Fast 4x1 Iranduba Nacional Borbense 2x3 São Raimundo Penarol 1x0 Manaus FC Princesa do Solimões 2x2 Operário Nacional 3x0 Rio Negro Operário 2x3 Nacional São Raimundo 1x3 Princesa do Solimões Manaus FC 0x3 Fast Iranduba 2x0 Rio Negro Penarol 1x0 Nacional Borbense
381 895 767 325 931 429 294 325 77 1252
Arrecadação R$ 5.290 R$ 8.950 R$ 7.285 R$ 4.340 R$ 19.410 R$ 7.830 R$ 3.630 R$ 4.350 R$ 1.060 R$ 11.735
Renda líquida R$ -821,45 R$ 1.769,25 R$ 1.181,30 R$ -963,95 R$ 6.456,05 R$ 324,75 R$ -4.202,40 R$ -1.104,45 R$ -4.557,55 R$ 4.333,05
Somados, públicos não lotariam a Colina Construídos para serem Campos Oficiais de Treinamento para a Copa do Mundo 2014, o estádio Carlos Zamith, Coroado, Zona Leste de Manaus, e o estádio Ismael Benigno - a Colina -, localizado no bairro São Raimundo, foram palcos de sete, dos dez primeiros jo-
gos do certame. O público pagante, no entanto, foi decepcionante. Somado aos jogos disputados no Floro de Mendonça (Itacoatiara) e no Jabotão (Borba), os torcedores que frequentaram os estádios nas duas primeiras rodadas do Barezão não lotariam o es-
tádio Ismael Benigno. Foram 5.626 abnegados presentes nos palcos esportivos, número insuficiente para ocupar os 10,4 mil lugares da Colina, uma média de 562,6 pagantes por jogo. O jogo com maior público pagante foi em Itacoatiara, entre Penarol e Nacional
Borbense. 1.252 compraram ingressos para prestigiar a estreia positiva do Leão da Velha Serpa no Estadual. Em contrapartida, 77 testemunhas presenciaram a vitória do Iranduba sobre o Rio Negro por 2 a 0, na Colina, em duelo válido pela segunda rodada do Barezão.
DIEGO JANATÃ
Campeonato Amazonense 2015 chega a sua quinta rodada neste final de semana. Apesar disso, apenas as duas primeiras foram disputadas na íntegra. As demais tiveram jogos adiados por conta da participação de Nacional e Princesa do Solimões na Copa Verde. O PÓDIO fez o levantamento dos públicos pagantes e do faturamento dos clubes mandantes nos dez primeiros jogos do Estadual. E o número é assustador. Deste total de partidas, na metade delas os mandantes tiveram que pagar para jogar e o prejuízo chegou a R$ 11.649,80. O campeão de déficit nas duas primeiras rodadas foi o Iranduba, que no duelo diante do Rio Negro, conseguiu levar somente 77 torcedores pagantes ao estádio da Colina. Com os ingressos vendidos, o Hulk arrecadou R$ 1.060. Contudo, teve R$ 4.557,55 de prejuízo. Não faltaram taxas e impostos para ser deduzidos do arrecadado com a venda de ingressos. Dez por cento foi debitado para quitar o aluguel do campo, como acontece em todas as partidas; o Seguro Torcedor - R$ 0,35 para cada um sentado na arquibancada - custou R$ 26,75; Cinco por cento ficou com a Federação Amazonense de Futebol (FAF); Cinco por cento de INSS; Cinco por cento de ISS; a arbitragem, os auxiliares, os delegados e os fiscais embolsaram R$ 1.800, além de ser pago 20% de INSS sobre tal remuneração; o quadro móvel abocanhou R$ 1.413, além de 20% sobre esse valor de INSS; os serviços de controle de acesso, emissão e venda de bilhetes custaram R$ 140; R$ 530 de policiamento e R$ 800 para a ambulância. O PÓDIO tentou contato
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Dos dez jogos disputados nas duas primeiras rodadas do Barezão, cinco tiveram as despesas maiores que a arrecadação
No jogo Fast e Borbense a arquibancada estava vazia
FOTOS: DIVULGAÇÃO
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A importância da família na adaptação à europa
Dinamite atualmente joga no Fast, antes atuou no time macedônio
Com passagens pelo futebol internacional, jogadores do Campeonato Amazonense revelam suas experiências fora do país ANDRÉ TOBIAS Equipe EM TEMPO
T
odo jogador de futebol sonha em um dia atuar fora do país. Com salários melhores e uma cultura totalmente diferente daquela vivida no Brasil, os atletas buscam no exterior a chamada “qualidade de vida”. Quando retornam, mostram evolução tática e técnica, além de um profissionalismo incomum na região. No Campeonato Amazonense 2015, alguns jogadores acumulam passagens por clubes do exterior. Nada de Barcelona, Real Madrid, Bayern de Munique, Milan ou Manchester United. Os atletas que hoje desfilam em gramados baré passaram por equipes mais modestas. Esse é o caso do volante do Fast, Roberto Dinamite, que fez carreira no futebol europeu. Hoje, com 29 anos, o jogador saiu de Manaus para atuar no futebol da Macedônia. “Primeiro eu fui jogar no Vardar, que é o maior clube do país. Fiquei apenas oito meses lá. Em seguida, o maior patrocinador do clube resolveu apoiar o Rabotnicki, que é o maior rival do Vardar, e me levou junto. Fiquei seis anos lá e foi quando as coisas aconteceram na minha vida”, diz o orgulhoso volante. Durante o período no Rabotnicki, Dinamite teve o prazer de disputar as duas principais competições europeias - Liga dos Campeões e Liga Europa -, além de conquistar o campeonato nacional. O sucesso foi tanto, que o volante desembarcou na Alemanha. Mas, por questões burocráticas, ele não disputou a Bundesliga. “Apesar de não ter uma expressão muito grande no cenário mundial, o futebol da Macedônia me abriu portas, me fez realizar sonhos, meu em particular, da minha família, e de amigos. Sou muito grato por isso. E de lá também me abriu portas para uma transferência rápida, que acabou não dando muito certo, para o
Titon, em suas andaças pelo mundo, jogou nos EUA
Stuttgart”, recorda Dinamite. Sonho realizado Apesar de estar numa liga sem tanta visibilidade e atuando numa equipe pouco conhecida, o amazonense ouviu a famosa música da Liga dos Campões tocar em três oportunidades. Era a vitória de um garoto humilde, nascido em Manaus e que passou a infância sem desfrutar de qualquer tipo de luxo. “Você sabe o quanto é difícil a gente aqui do Norte, no geral, sair e conquistar um espaço fora do seu país. Quando chegou nesse momento de Champions League eu me senti um cara vitorioso. Uma realização minha e da minha família, pelos obstáculos que tivemos na época para chegar aonde eu cheguei e aquele momento
APRENDIZADO
Roberto Dinamite passou seis anos na Macedônia e o que mais lhe chamou atenção no futebol do país europeu foi a preocupação dos dirigentes em formar cidadãos e não somente atletas ali foi único e especial”, relata o volante, admitindo que sente saudades da época em que atuava com a camisa do Rabotnicki. A participação de Dinamite na Liga dos Campeões foi curta. Sua equipe não passou das fases classificatórias para chegar à fase de grupo. Contudo, o amazonense teve o privilégio da atuar em um dos maiores palcos do futebol mundial, diante de uma das maiores equipes do planeta. “Na época, para entrar na fase de grupo, a gente saiu para o Liverpool. Eles tinham grandes jogadores, Fernando Torres, Pepe Reina, Gerrard. E já nas outras duas nós fomos eliminados pelo Fenerbahçe, quando o Alex ainda
jogava por lá e a outra foi contra o Lille. Foram momentos muito bacanas que eu não esqueço”, conta o jogador. Adaptação rápida Idioma, alimentação, clima, cultura. Todos são fatores importantes para a fase de adaptação de um jogador de futebol em novo país. Dinamite “deu de ombro” para as dificuldades e chegou a se divertir diante de situações inusitadas com as quais se deparou. “Por incrível que pareça, foi até muito rápida (adaptação), porque na época, quando cheguei, só era eu de brasileiro, então o idioma, o sérvio-croata, eu fui obrigado a aprender muito rápido no dia a dia. Como eu saí de uma família muito humilde, tudo de novo que eu vivi lá, era legal para mim. Não tive dificuldade, a não ser para aprender o idioma. O clube me deu toda a estrutura. Eu cheguei numa época de inverno, mas como eu nunca tinha visto neve, era emoção para mim, aquilo era uma diversão, era legal”, recorda Dinamite. Fundamental na adaptação do volante amazonense dentro das quatro linhas foi o técnico do Rabotnicki, Boban Babunski. O Macedônio, que também falava espanhol, se tornou peça chave para que Dinamite se ajustasse no país e no futebol nacional. “Ele era apaixonado por brasileiros, gostava do nosso futebol. Ele me ajudou muito, tinha toda paciência comigo para mostrar esquema tático, mostrava vídeos, chegava até a desenhar”, resume o jogador, afirmando que o intérprete só podia ser acionado em caso de reunião com algum diretor ou presidente do clube. Passado as dificuldades, as coisas começaram a melhorar quando o volante passou a falar o idioma local e conquistar os primeiros títulos com o Rabotnicki. Ele ganhou moral com a torcida e na rua era parado para dar autógrafos e recebia o carinho dos fãs.
Os treinos ao lado de Garth Bale Aos 24 anos, o atacante do Manaus FC, Alex Titton, tem muitas histórias para contar. Com passagem pelas categorias de base de Grêmio e Inter, o gaúcho foi para solo europeu com apenas 19 anos. E não foi para um clube qualquer. Com o aval de Claude Anelka - irmão do atacante frânces Nicolas Anelka - ele desembarcou num clube tradicional da Inglaterra: o Tottenham. Descendente de italianos, Titton teve sua entrada no velho continente facilitada por portar passaporte europeu. Apesar de ter atuado apenas pelo Tottenham B - considerado o segundo time dos Spurs - o atacante pôde treinar ao lado de grandes astros do futebol mundial, já que a equipe inferior era usada para encarar os
titulares nos treinamentos. “Eu treinava com Defoe. O Gomes (goleiro brasileiro) era meu amigo, eu almoçava e jantava na casa dele todos dias, que era bem ao lado da minha. Treinei também ao lado de Modric, Giovanni dos Santos, Crouch...”, conta Titton. “ Tu não tem noção da estrutura dos caras. Eles tem seis campos de treinamento só para o primeiro time”, complementa. O atacante também pôde acompanhar de perto o surgimento de um dos maiores jogadores atualmente do futebol mundial: Gareth Bale. “Ele não tinha toda essa moral, o treinador não gostava muito dele (na época, Harry Redknapp), quem gostava dele era o auxiliar, o Tim Sherwood (atualmente comanda o Aston Villa). Até
me espantei quando vi ele fazendo aquele sucesso todo e indo para o Real Madrid”, diz. Depois da passagem pelo Tottenham B, Titton encarou novos desafios. Quando ainda estava no clube londrino foi emprestado ao AC Saint Louis, dos Estados Unidos. Em seguida, o atacante passou pelo futebol holandês, onde vestiu a camisa do AGOVV Apeldoorn. A passagem de maior destaque de Titton pela Europa foi no FC Solothurn. Lá, ele atuou por duas temporadas. Na primeira, brigando para não cair, o atacante foi peça importante na manutenção da equipe na divisão que disputava. O desempenho foi tão bom que ele indicou nomes para o clube.
Aos 21 anos, o lateral-esquerdo do Nacional, André Luiz, foi contratado pelo NK Osijek, da Croácia. A estádia no país europeu durou dois anos e as dificuldades foram sentidas dentro de campo. Com um estilo de jogo diferente, o amazonense teve de adaptar seu futebol para jogar e se virar com os costumes dos croatas. “No começo foi bem difícil a adaptação. Futebol aqui no Brasil é bem para frente e lá é mais defensivo, tem a questão tática, a questão da língua, outros costumes... Mas aí eu casei e já fui com a família. Foi um ajudando o outro, ela me ajudou bastante. Falo a língua até hoje e foi só alegria”, explica o lateral. Reconhecido por suas qualidades ofensivas, André contou com a sorte e o azar de um companheiro para jogar logo na primeira partida da temporada. “Eu fiquei no banco. Cheguei na pré-temporada e fiquei no banco. A minha sorte é que no primeiro jogo nosso o lateral machucou e eu entrei. Joguei para frente, deu certo e aí não falaram mais nada. Só que aí você vai convivendo com a cultura e a gente vai aprendendo a questão tática. O lateral não pode passar muito do meio campo, e aí a gente vai equilibrando. Hoje eu jogo de forma mais equilibrada, agora estou voltando a atacar, mas lá realmente o futebol é de muito contato”, recorda o jogador. O aprendizado da experiência na Croácia acompanha André Luiz até hoje. Para ele, estar ao lado da família durante o período que lá esteve, foi fundamental. “A gente vê outra cultura, outras pessoas, outro estilo de vida, outro jeito de pensar, a gente amadurece sozinho. Eu casei cedo também, com 21 anos. Você briga, tem que dormir junto, tem que fazer as pazes, foi bem legal. Só tinha eu de brasileiro. Aprendi a falar a língua sozinho, aprendi a ir ao supermercado sozinho, foi um aprendizado muito positivo”, ilustra o atleta.
Valeu a experiência e o sonho realizado na China O atacante Marinho, do São Raimundo, atuou em um mercado totalmente diferente daqueles por onde passaram Roberto Dinamite, Titton e André Luiz. O paraense desembarcou em Hong Kong para jogar seis meses com a camisa do Sun Pegasus, clube que disputa a elite nacional. “Experiência muito boa. É importante para qualquer atleta ter uma experiência fora do Brasil. É um sonho de qualquer jogador e graças a Deus eu realizei o meu. É uma experiência positiva, conhecer outra cultua, outra língua, é muito importante, acho que acrescenta na vida de qualquer um”, avalia o atacante. Nem tudo foram flores para Marinho no futebol asiático. Com uma cultura totalmente diferente da amazônica, o jogador passou por cima das adversidades e conseguiu voltar para o Brasil com um vice-campeonato nacional. “Primeiro lugar a cultura, questão de alimentação, língua, clima principalmente. Eu cheguei lá numa época em que a temperatura chegou a cinco graus. Eu sai de um clima amazônico, que independente de ser inverno ou verão, as temperaturas são elevadíssimas. Então, foi um dos fatores que fizeram várias vezes eu pensar em desistir, voltar para casa”, revela o jogador. Outra dificuldade enfrentada por Marinho em Hong Kong foi a questão de variação no horário de treinamentos. De acordo com ele, assim como em alguns Estados do Brasil, alguns atletas trabalhavam durante o dia e os treinos só aconteciam durante a noite. “ Mas acho que sair, conquistar título, independente de qual país seja, é importante para o currículo, é experiência de vida”, opina. Chegando ao final da carreira, formado em educação física e com intenções de continuar trabalhando no futebol após pendurar as chuteiras, o atacante sãoraimundense valoriza sua passagem pelo futebol de Hong Kong e levará pela vida alguns princípios básicos dos asiáticos. “Disciplina e profissionalismo. Independente de ser um país que não tem muita cultura no futebol, é um país muito organizado, a competição é bem disputada, organizada, com bons patrocínios. O salário lá é pago certinho, como a gente diz na gíria do boleiro, o mês tem 30 dias”, conclui.
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Em busca de recuperação I
THIAGO FERNANDO Equipe EM TEMPO
randuba e Nacional Borbense se enfrentam às 16h no estádio Carlos Zamith atrás da recuperação no Campeonato Amazonense 2015. Na última rodada, o alviverde perdeu por 3 a 1 para o Manaus FC. Já o camaleão de Borba foi surpreendido dentro de casa pelo Rio Negro e saiu derrotado por 1 a 0. Agora, ambas as equipes entrarão em campo buscando reencontrar o caminho da vitória. No lado do Iranduba, o treinador Sérgio Duarte deve promover mudanças no time que perdeu para o Gavião do Norte. O lateral-esquerdo Mandagua volta ao time titular no lugar do suspenso, Wellington Maranhão. Outro que deve deixar o time principal é Rogério Pedra. O volante não agradeu e no seu lugar o escolhido deve ser o também volante Diogo. Quem não perderá a posição no time é o goleiro Alex. O arqueiro afirma que está vendo evolução na equipe e que os treinamentos feitos durante a semna serviram para ajustar detalhes que falharam na última partida. “Nossa equipe, na minha visão, vem evoluindo bastante.No último jogo fomos melhores que o adversário no primeiro tempo e por falhas individuais, acabamos tomando os gols. Portanto estamos trabalhando bem essa semana pra que esses erros não
aconteçam”, revelou Alex. Questionado sobre o adversário, o goleiro afirmou que se trata de uma equipe bastante qualificado. Alex lembrou que o Nacional Borbense venceu o Fast em Manaus, porém, acredita que o Iranduba possa sair vencedor, já que o Rio Negro conseguiu surpreender fora de casa. “Sabemos que a equipe deles é muito rápida. Eles surpreenderam o Fast, porém, perdeu pro Rio Negro.Então podemos esperar de tudo na partida”, concluiu. Pelo lado do Camaleão, o treinador Róbson Sá espera que as falhas cometidas diante do Rio Negro não voltem a acontecer. Para o comandante, uma vitória sobre o Iranduba seria fundamental para recolocar o time na briga pelo G-4. “Temos consciência que não será fácil o jogo contra o Iranduba. Todos querem defender seu pão de cada dia, só espero que o time mantenha a postura tática de um modo geral em todos as partidas. Fazendo isso, seremos uma equipe equilibrada. Vamos atrás da vitória”, disse o treinador que ainda revelou que o Nacional Borbense terá um adversário extra para o confronto: o cansaço. Segundo Sá, muitos atletas ainda não se adaptaram a viagem para Borba. “Farei algumas mudanças. Uns atletas estão exaustos das viagens. Muitos ainda não se acostumaram, mas a luta continua”, completou o comandante
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
Iranduba da Amazônia e Nacional Borbense se enfrentam após perderem na última rodada do Campeonato Amazonense. O time azulino está sendo chamado de Robin Hood, porque venceu o líder e perdeu do lanterna
FICHA TÉCNICA IRANDUBA
Téc.: Sérgio Duarte
Alex William
Gabriel
Pastor Mandágua
Dassaievy
Douglas
Douglas
Vidinha Ernandes Alemão
Kastor Jerfferson Cristiano Natal
Márcio Ribeiro
Éverton Rodrigo Araújo Ruan Silva
Guilherme Alberoni
Manoel Junior
Douglas
BORBENSE
Téc.: Robson Sá
Local: Estádio Carlos Zamith Horário: 16h Árbitro: Carlos Alberto Júnior
Nacinal Borbense na partida em que derrotou o Fast, até então líder do Barezão
ALBERTO CÉSAR ARAÚJO
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Penarol quer manter 100% de aproveitamento Fora de casa, time itacoatiarense enfrenta o São Raimundo no estádio da Colina THIAGO FERNANDO Equipe EM TEMPO
O
confronto mais esperado da quinta rodada do Campeonato Amazonense 2015 acontece na tarde deste domingo (15). São Raimundo e Penarol se enfrentam às 16h no estádio Ismael Benigno, a Colina. Vindo de brilhante vitória sobre o Operário, dentro de casa, o Penarol terá problemas para encarar o Tufão da Colina. Para a partida de logo mais, o treinador Marquinhos Pitter não poderá contar com o zagueiro Piru e o atacante Júnior Neymar. Ambos os atletas foram expulsos na última partida e cumpriram suspensão automática. Para a defesa, o comandante afirmou que só decidirá minutos antes do duelo. Já para o ataque, Pitter deu indícios que colocará o velocista Kitó ao lado de Tety. Questionado sobre a importância de uma vitória no duelo, Kitó afirmou que o objetivo do Leão da Velha Serpa é manter a invencibilidade no Barezão, apesar disso, ele disse que a equipe entrará em campo respeitando o adversário, pois sabe de sua qualidade e tradição. “Estamos bastante confiantes. Temos concentrado e nos preparado muito para esse jogo, que será muito difícil diante do São Raimundo”, disse. Pelo lado do São Raimundo, o
técnico Eduardo Clara terá duas mudanças nas laterais. Volta ao time o lateral-direito Getulio na vaga do polivalente Maikinho. O treinador também deve dar mais uma oportunidade para Gilson na lateral esquerdo. Perde a titularidade o atleta Vamberto, que no o Nacional clássico contra
FICHA TÉCNICA SÃO RAIMUNDO
Téc.: Eduardo Clara Julião Fernando Júnior
Uílton
Adonias
Getúlio
Alex Amaro Carlos
Gilson
Diego Mapibú Thomas
Ramon
Kitó
Tety
Thompson
Adrianinho
Felipe Cristiano Rafael Vieira
Guilherme
Célio
Alex
Endy
Robson
jogou bem abaixo Don esperado. O tricampeão do Norte vem de derrota para o Nacional na última quarta-feira (11), apesar disso, o atacante Marinho, que ficou fora da ultima rodada por conta de um estiramento muscular, acredita que o time está confiante para a partida. Segundo o experiente jogador, a equipe já mostrou que tem condições de vencer qualquer adversário na competição. “Não temos tempo para ficar remoendo os resultados adversos. Temos um jogo difícil domingo contra uma equipe que já mostrou força. Vamos entrar cientes da nossa qualidade e buscar mais uma vitória”, finalizou.
PENAROL
Téc.: Marquinhos Piter Local: Estádio Ismael Benigno (Colina) Horário: 16h Árbitro: Ivan da Silva Guimarães
Lateral-esquerdo Gilson ganhou a vaga de titular na equipe do São Raimundo
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Temporada da Fórmula 1 tem início neste domingo M
elbourne (Austrália) - Motivos não faltam para acompanhar a temporada 2015 da Fórmula, que começa com o GP da Austrália marcado para as 1h (de Manaus) deste domingo (15). A começar pela movimentada troca de pilotos entre as principais equipes, com Vettel saindo da Red Bull para a Ferrari e Alonso, da equipe italiana para a McLaren. “As mudanças dos pilotos mexeram com o mercado inteiro e as equipes passaram a fazer novos contratos para jovens promessas. É importante prestar atenção nessa tomada de tempo do sábado na Austrália, pois ela que vai dar um panorama mais real de onde as equipes podem ir nesta temporada”, afirmou Roberto Costa, jornalista e especialista em F-1. Quem prefere acompanhar os brasileiros e aguarda ansioso há sete anos o “tema da vitória” no final de cada corrida, Felipe Massa volta a ter reais chances de vitória, enquanto Felipe Nasr desponta como promessa. Além disso, na Mercedes, Lewis Hamilton e Nico Rosberg prometem travar mais um duelo acirrado pelo título. “O Toto Wolff e o Niki Lauda (chefes da Mercedes) devem
STUDIO COLOMBO/PIRELLIMEDIA
Com dois brasileiros na disputa e pilotos do calibre de Alonso e Vettel com novas “casas”, 2015 promete fortes emoções liberar a disputa interna entre Hamilton e Rosberg mais uma vez. Essa pode ser uma temporada semelhante à de 1988 em que Senna e Prost lutaram pelo título na McLaren”, destacou João Carlos Vieira, engenheiro mecânico e blogueiro de F-1. Além disso, Ferrari, Red Bull e Williams entram na temporada sedentas por desbancar a hegemonia da Mercedes, enquanto a McLaren reedita após mais de 20 anos a parceria com a japonesa Honda. Audiência De fato, a audiência da Fórmula 1 caiu nos últimos anos, assim como a média da TV aberta. O índice do Ibope para F-1 no Brasil foi 8,9 pontos em 2014, metade do atingido em 2008, último ano em que um brasileiro (Felipe Massa) disputou o título e um quarto do início dos anos 1990, auge da era Senna. Ainda assim, o Brasil registra a maior audiência mundial da F-1, com 77 milhões de telespectadores no acumulado das 19 corridas de 2014, mais que o dobro da segunda colocada Itália, de acordo com Formula One Management (FOM), responsável pelos direitos de transmissão da categoria.
Mercedes é o carro a ser batido na temporada de 2015
Felipe Massa diz que Williams está na briga Felipe Massa não participou da segunda sessão de treinos livres em Melbourne, na madrugada de sexta, devido a problemas de vazamento de água. Entretanto, mesmo sem correr, o brasileiro esteve atento aos movimentos na pista, e destacou o desempenho da
Ferrari, sua ex-equipe. “Vi que a Ferrari estava fazendo tempos incríveis nas simulações de prova, então precisamos abrir os olhos para eles. Mas, agora, precisamos analisar onde estamos em relação aos demais, e acho que amanhã teremos certeza, especial-
mente após a classificação”, comentou Felipe. Massa ficou satisfeito com o desempenho de Valtteri Bottas, seu companheiro, que fez o quinto tempo, e também elogiou a Mercedes, que liderou os trabalhos desta sexta. Para ele, a equipe está
“fora do alcance”. “Na verdade, foi uma sessão interessante para ver que a Mercedes está fora do alcance, que a Ferrari está muito melhor e que estamos na briga. E talvez a Red Bull não tenha mostrado o mesmo que vimos várias vezes no ano passado”, finalizou.